Síndrome do Intestino Irritável: o que é, sintomas, dieta, tem cura?

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR: 27679) – Medicina Preventiva e Social

O que hoje é denominada como síndrome do intestino irritável (SII) era, inicialmente, chamada de colite nervosa. No entanto, o sufixo “ite”, de colite, refere-se à inflamação, condição que não ocorre no quadro sintomático da SII.

Além disso, a referência à “nervosa” vem da constante relação entre os sintomas e fatores emocionais ou psicológicos, em que as reações se manifestavam, muitas vezes, após quadros traumáticos, situações de estresse ou distúrbios emocionais. Ou, ainda, porque as disfunções intestinais davam um aspecto irritado ao órgão.

Juntamente com a nomenclatura imprecisa, verificou-se que, em vez de uma inflamação, a causa dos sintomas eram movimentos peristálticos anormais – ou excessivos ou reduzidos.

Começou-se a chamar esse conjunto de sintomas de síndrome do cólon irritado. No entanto, depois de certo tempo, os pesquisadores verificaram que não era apenas o cólon (parte do intestino grosso) o acometido. Então a síndrome necessitou ser renomeada novamente, até finalmente chegar à síndrome do intestino irritado.

Com relatos que envolviam dificuldades em ir ao banheiro ou frequência de evacuação aumentada, mudança recente no funcionamento do intestino, dores, inchaços e desconforto constante, começou-se a traçar parâmetros mais precisos para definir o que, hoje, é compreendido como síndrome do intestino irritável.

Apesar de diversos estudos e acompanhamentos sobre o tema, a síndrome ainda possui indefinições e debates sobre suas causas.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

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  1. O que é a síndrome do intestino irritável?
  2. Intestino: o segundo cérebro
  3. Tipos
  4. Causas
  5. Grupos/fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Doenças e condições associadas
  8. Como é feito o diagnóstico?
  9. Diagnóstico diferencial
  10. Exames
  11. Tem cura?
  12. Qual o tratamento?
  13. Medicamentos
  14. A dieta na SII
  15. Convivendo
  16. Prognóstico
  17. Complicações
  18. Como prevenir síndrome do intestino irritável?

O que é a síndrome do intestino irritável?

A síndrome do intestino irritável é uma condição identificada ao redor do globo, acometendo até 20% da população.

Os pacientes, em geral, se queixam de dores abdominais, sensação de evacuação incompleta, cólicas, distensão abdominal, dificuldade em ir ao banheiro ou intestino solto e demais alterações intestinais sem causa identificável.

Os sintomas, apesar de variados, precisam estar presentes por pelo menos 3 dias por mês, nos últimos 3 meses.

Ainda que não haja alterações metabólicas, estruturais ou bioquímicas do intestino (como a presença de infecções, obstruções ou danos às células intestinais), a síndrome do intestino irritável (SII) constitui uma alteração do funcionamento digestivo capaz de provocar diversos impactos ao bem-estar do paciente.

A síndrome não representa, até então, complicações severas à saúde do paciente, mas se demonstra como uma condição bastante limitadora ao cotidiano e à rotina, pois pode afetar negativamente a vida social, a produtividade profissional e educacional, bem como demais atividades cotidianas.

Pacientes que apresentam os sintomas necessitam de acompanhamento médico para avaliar o quadro e encontrar as melhores alternativas para lidar com a condição.

Como a SII é considerada multifatorial, ou seja, as causas podem ser diversas, o tratamento consiste em medidas gerais que visam reduzir o desconforto, como a suplementação de fibras, medicamentos e, muitas vezes, mudança de hábitos alimentares.

Os critérios partem de uma pesquisa realizada em 1989, que visou definir parâmetros de diagnóstico das doenças gastro. As classificações do estudo estão ainda em constante mudança.

A última atualização dos critérios sobre a SII foi em 2006, resultando no Roma III, que é um manual de procedimentos, diagnósticos e classificações sobre desordens gastrointestinais funcionais (ou seja, quando não se verifica fatores estruturais ou bioquímicos causadores dos sintomas). O objetivo principal é produzir um material utilizável pelos profissionais da saúde em todo o mundo.

As principais diferenciações para as versões anteriores se referem ao tempo de ocorrência dos sintomas e à consistência das evacuações.

Portanto, a síndrome do intestino irritável pode ser definida como uma alteração ou transtorno do funcionamento intestinal crônica, com presença de sintomas constantes e que não sejam causados por doenças ou condições identificáveis.

Intestino: o segundo cérebro

O intestino é formado por duas partes: o intestino delgado (que se divide em duodeno, jejuno e ílio) e o intestino grosso. O órgão é complexo e muito importante, afinal, ele extrai energia e nutrientes dos alimentos, além de eliminar do corpo o que não deve ficar se acumulando.

Há quem denomine o intestino como “segundo cérebro”, devido à sua importância funcional. Mais do que isso, ele possui cerca de meio bilhão de neurônios, 50% de toda a dopamina do organismo e cerca de 90% da serotonina. Mas o que isso significa?

Você provavelmente já vivenciou algum episódio em que as situações de emocionais interferiram na rotina do intestino.

Por exemplo, aquele estresse do trabalho resultou em alguns dias de constipação ou, ao contrário, surgiu uma necessidade imediata (mais de uma vez naquele dia) de ir ao banheiro. Além dos problemas do trabalho, você não pode se afastar demais do banheiro.

Assim, a maioria das pessoas já sabe, por vivências pessoais, que as emoções podem alterar o trânsito intestinal. Mas estudos recentes têm sugerido o caminho inverso também.

Isso significa que os neurônios presentes no intestino se comunicam com o cérebro e podem interferir no comportamento, nas emoções e até determinar traços de personalidade.

Após observar que a composição da flora intestinal podia influenciar no modo de agir de ratos, alguns cientistas começaram a pesquisar essa relação nos humanos também. A Universidade de Oxford acompanhou 45 voluntários que foram avaliados em suas constituições nutricionais e comportamentais.

Os pacientes que receberam suplementação de um carboidrato denominado galactooligossacarídeo (GOS) tiveram uma proliferação maior de bactérias intestinais, especificamente as lactobacillus e as bifidobacterium.

Junto com a elevação das bactérias, houve uma redução de até 50% das taxas de cortisol, que é o hormônio do estresse.

Além disso, há outros estudos que associam a baixa concentração de lactobacillus e transtornos psicológicos, como depressão e anorexia.

Em geral, percebe-se que pacientes emocionalmente instáveis ou abalados tendem a apresentar pequenas inflamações no intestino. Essas bactérias lactobacillus auxiliam na manutenção do muco intestinal, que é responsável pela proteção das paredes do órgão.

Ao realizar testes em animais, os pesquisadores perceberam que, ao suplementar os ratos com as bactérias, o organismo apresentou respostas semelhantes ao uso de antidepressivos.

Portanto, aqui já podemos compreender a importante relação que ocorre entre a mente e o processo intestinal. Significa, também, que disfunções do intestino podem ter impactos na saúde mental e até no comportamento.

Lembrando que é no intestino que está a segunda maior concentração de neurônios, só perdendo para o cérebro.

O órgão tem, também, um sistema próprio de ativação muscular para realizar a digestão e encaminhamento do bolo alimentar, além de possuir a maior concentração de células imunes.

A relação entre o lado emocional e o intestino ainda não é totalmente clara, mas é aceito que há algum tipo de interação.

Quais as hipóteses para a interação?

Em um estudo realizado em 2016, na revista científica Cell, os pesquisadores indicam que alimentos ou microorganismo ingeridos podem ser sinais de alerta para os neurônios presentes no intestino.

Esses neurônios enviam mensagens ativando células de defesa, ou seja, fazendo com que o sistema imunológico se ative. Mas cada pessoa tem bactérias diferentes na flora intestinal e ela pode mudar no decorrer da vida.

Além das condições genéticas, o metabolismo, a alimentação e o funcionamento do intestino são fatores que podem alterar a composição das bactérias do intestino.

A constituição da flora (quais bactérias estão presentes), junto com a sensibilidade para determinados componentes (como alguns alimentos) são fatores que se associam e podem alterar a comunicação com os neurotransmissores.

Essa comunicação pode, então, ter impacto em doenças e distúrbios diversos. Estudos realizados pela Associação Americana de Neurologia apontam que a inflamação do intestino pode ser um fator agravante em casos de autismo e parkinson.

Não se sabe exatamente como ou porque ocorre a síndrome do intestino irritável, mas conhecer a complexidade do intestino pode auxiliar no encaminhamento das pesquisas, bem como compreender as diferentes maneiras que a síndrome pode acometer cada paciente.

Tipos

Apesar de não haver tipos diferentes da síndrome, de acordo com o Roma III, a síndrome do intestino irritável (SII) pode ser subclassificada de acordo com a consistência ou aspecto das fezes do paciente.

Mas é bastante frequente a mudança do comportamento intestinal. Portanto, se o paciente inicia o diagnóstico apresentando constipação (SII-C), pode ser possível que em determinado momento a síndrome se altere para o subtipo com diarréia (SII-D), por exemplo:

SII com diarreia (SII-D)

O subtipo D se apresenta em 1 a cada 3 casos de SII, sendo mais frequente nos homens. O paciente apresenta alternância das evacuações, sendo que 25% ou mais das defecações, as fezes são moles ou como diarréia.

Também é considerada a frequência das evacuações. Isso porque, muitas vezes, o paciente não considera a ida constante ao banheiro como uma disfunção intestinal se não houver fezes visivelmente líquidas.

SII com constipação (SII-C)

Cerca de 1 a cada 3 pacientes apresenta o subtipo C da SII, sendo que a condição prevalece em mulheres. Em geral, 25% ou mais das vezes que o paciente vai ao banheiro, as fezes são duras.

Além disso, a frequência de evacuação tende a ser bastante baixa, mantendo longos períodos sem ir ao banheiro.

SII com hábitos intestinais mistos ou padrões cíclicos (SII-M)

O subtipo M não possui prevalência da consistência das fezes. Em pelo menos 25% das defecações, o paciente apresenta fezes com alteração da consistência, podendo ser moles ou duras.

Pode ainda ser observado comportamento cíclicos ou sazonais, por exemplo, durante a semana, o paciente apresenta constipação e aos fins de semana o intestino fica solto.

Nenhum subtipo da SII

A observação das evacuações não permite definir o subtipo da SII.

Causas

As causas da síndrome do intestino irritável ainda não são completamente compreendidas e, de maneira geral, atribuem-se causas diversas à disfunção.

Para grande parte dos médicos, há uma associação do mau funcionamento do intestino com fatores emocionais, sociais e comportamentais.

Recentemente, as investigações entre a síndrome e as disfunções do sistema nervoso central (SNC) apresentam fatores relacionados.

Supõe-se que os centros neurais cerebrais participem da regulação do funcionamento do intestino, assim como o intestino interfere na regulação do SNC. Nesse aspecto, compreende-se a relação entre as alterações emocionais e psicológicas com o funcionamento do intestino.

Ou seja, os pesquisadores acreditam que quando ocorrem situações estressantes, por exemplo, elas sejam capazes de interferir na secreção de substâncias, na movimentação intestinal (peristaltismo) e nas sensações digestivas (estufamento, por exemplo).

Além disso, há estudos recentes que investigam o comportamento da SII e das reações imunológicas. Os pesquisadores analisam os casos em que a SII ocorreu após uma inflamação da mucosa do intestino, em que a inflamação alterou o funcionamento neurológico e acarretou na síndrome.

As causas da síndrome apontam para fatores diversos que, geralmente, podem estar associados, entre eles:

Alimentação

Observa-se que, muitas vezes, certos alimentos ou grupos alimentares podem anteceder as disfunções intestinais.

Mesmo pacientes que não apresentam condições patológicas (como alergias ou intolerâncias) às vezes identificam alimentos que causam alterações nos movimentos do intestino sem que sejam verificadas alterações da flora intestinal, inflamações, infecções ou intoxicações.

Comidas muito estimulantes, fortes ou gordurosas, como o café, chocolate, leite, glúten, açúcar branco e bebidas alcoólicas podem desencadear os sintomas ou acentuar o mal-estar durante as crises.

Além disso, alguns pesquisadores acreditam que esses alimentos podem desencadear a síndrome em pacientes que possuem predisposição.

Diminuição dos movimentos intestinais

A motilidade intestinal (movimentação do intestino para encaminhar o bolo fecal) pode ser alterada por diversos fatores, tanto externos quanto endógenos (internos).

Por exemplo, a alimentação é caracterizada como externa, pois os alimentos podem alterar o ritmo intestinal, dependendo da quantidade de nutrientes, gorduras ou até do tamanho da refeição. Já a liberação aumentada de ácido biliar é um fator interno (endógeno), que altera o ritmo intestinal devido à produção do próprio organismo.

O aumento da motilidade do intestino pode fazer com que o paciente evacue mais seguidamente, alterando também a consistência de suas fezes. Além disso, podem haver cólicas ou dores abdominais resultantes da maior movimentação do intestino.

Já para os pacientes com constipação, a redução da mobilidade pode ser devido à menor sensibilidade retal ou à secreção reduzida de substâncias que estimulam o peristaltismo (movimento do intestino).

Fatores traumáticos

De modo geral, os fatores psicológicos e emocionais podem interferir no fluxo intestinal mesmo das pessoas saudáveis.

Por exemplo, quando a pessoa está passando por situações de estresse, pode apresentar quadros de constipação. Outras também podem evacuar com mais frequência ou apresentar formação de gases diante de situações de nervosismo.

No que se refere à SII, não se sabe se o quadro psicológico é um fator desencadeante da síndrome, mas há estudos que apontam os fatores emocionais como influenciadores dos episódios, sendo capazes de piorar ou agravar os sintomas.

Além das emoções (como felicidade, nervosismo, euforia, medo) estudos realizados em 2003 pela Universidade de Manchester, indicam que há alta prevalência entre SII e os distúrbios ou desordens psiquiátricas (que são distúrbios psicológicos mais persistentes do que as emoções).

Um estudo publicado na Revista de Psiquiatria Clínica, em 2011, indica que entre 30% e 70% dos pacientes com a disfunção do intestino apresentam quadros como depressão, anorexia, ansiedade generalizada, síndrome do pânico, fobia social, somatização ou estresse pós-traumático.

Acreditando que os traumas emocionais têm grande relação com a SII, estudos que acompanham pacientes diagnosticados com a SII, indicam que históricos de abuso físico, sexual ou emocional são mais presentes em pacientes com sintomas mais agravados ou severos da SII.

Desregulação do sistema nervoso central

O sistema nervosos central (SNC) participa de diversas funções do sistema gastrointestinal.

Ainda não há definições quanto à real ação do SNC na síndrome do intestino irritável, mas alguns estudos realizados em 2008 com ressonância magnética, publicados na Revista de Pesquisa Psicossomática, sugerem que haja ativações incorretas de regiões cerebrais em pacientes com SII.

Ou seja, os estudos indicam que há uma relação bidirecional entre o sistema nervoso central e o intestino. Podem haver problemas cerebrais que causam a SII e podem haver  predisposições intestinais que causam comandos ou respostas indevidas no cérebro.

A região em que o problema tem início ainda não é conhecida – podendo ser no SNC ou no intestino – ou se ele é resultado de alterações associadas em ambas, mas a questão tem sido bastante debatida e com interesses recentes, levantando diversas pesquisas.

Síndrome do intestino irritável pós infecções

A condição pode se desenvolver após uma gastroenterite aguda. Da mesma maneira, ainda não se compreende completamente os agentes causadores da SII após uma infecção intestinal.

No entanto, pesquisas apontaram que após mudanças intestinais temporárias (como intoxicações ou infecções) pode haver um aumento de algumas células, como linfócitos-T, macrógrafos e células enteroendócrinas, junto com o aumento da permeabilidade intestinal.

Essas elevações celulares alteram a mobilidade do intestino e podem predispor a síndrome.

Alterações hormonais

Apesar de não haver estudos assegurando a relação entre a síndrome e as mudanças hormonais, muitos pacientes, sobretudo as mulheres, relatam intensificação dos sintomas quando há mudanças hormonais (por exemplo, no período menstrual).

O quadro tende a apresentar mais constipação ou mais evacuações, acentuação das dores abdominais, mais gases ou mais sensibilidade aos alimentos, por exemplo.

Em geral, os períodos que antecedem a menstruação são bastante relatados, no entanto, mudanças das taxas hormonais da tireoide também podem estar associadas.

Mudanças na rotina

Estudos que buscam traçar fatores associados à SII sugerem que possa existir uma relação entre a rotina pessoal e o funcionamento intestinal.

Algumas pessoas já sabem que viagens ou dormir na casa de amigos pode causar mudanças no funcionamento do intestino. Isso pode ocorrer com intensidade elevada nos pacientes com SII.

Observou-se que muitos pacientes tendem a apresentar os sintomas sazonais ou demarcado por atividades, como dias da semana, viagens ou finalização de anos letivos.

Mudanças da flora intestinal

A flora intestinal possui bactérias responsáveis pelo correto funcionamento do intestino. A proliferação exagerada dessas bactérias no intestino delgado pode estar relacionada com a SII.

Hábitos alimentares, uso de medicamentos, consumo de álcool e inflamações do intestino podem prejudicar ou alterar as bactérias ou suas concentrações no intestino.

Estudos realizados em 2006 sugerem que entre 65% e 84% dos pacientes com a síndrome apresentam alteração da flora intestinal.

Fatores de risco

É difícil determinar fatores de risco, pois as condições da síndrome do intestino irritável ainda não são completamente esclarecidas. Porém, sugere-se que algumas condições podem desencadear com mais facilidade a SII:

Histórico familiar

Pessoas com histórico familiar podem compor um grupo de risco. Ainda que os estudos sobre as relações genéticas não sejam totalmente claros, há uma prevalência entre membros da mesma família.

Os levantamentos e observações sugerem duas hipóteses para o histórico familiar: os fatores genéticos propriamente ditos ou o compartilhamento do mesmo ambiente e hábitos.

Ou seja, se a causa for hereditária ou genética, a síndrome pode ocorrer em membros da mesma família por questões relacionadas ao DNA.

Porém, a segunda hipótese levanta a possibilidade de que famílias tendem a compartilhar o mesmo ambiente social, ou seja, têm hábitos alimentares aproximados, rotinas e níveis de estresse semelhantes. Então a síndrome está relacionada mais ao comportamento do que à herança genética.

Mulheres

A síndrome é descrita por muitos pesquisadores como possível de ocorrer igualmente entre homens e mulheres.

Porém, os diagnósticos apontam maior prevalência em mulheres, em uma proporção de 2 para cada homem diagnosticado.

Alguns pesquisadores ressaltam que a prevalência feminina acontece porque, de modo geral, as mulheres vão mais ao médico e dão mais atenção às questões não emergenciais.

Idade

Adultos entre 20 e 45 anos de idade têm maior prevalência da SII. Geralmente, os sintomas aparecem durante a vida adulta e podem permanecer durante o envelhecimento.

Transtornos e traumas psiquiátricos

Sugere-se que pessoas que fazem tratamento para algum distúrbio psiquiátrico, como ansiedade ou depressão, têm mais chances de apresentar a síndrome. Do mesmo modo, há indícios que traumas emocionais graves podem anteceder a disfunção do intestino.

Por isso, pessoas que apresentam instabilidade emocionais severas, que necessitam de acompanhamento psiquiátrico ou possuem conflitos emocionais podem estar mais susceptíveis à SII.

Comportamentos associados

Foi principalmente em 2005 que pesquisas relacionadas aos comportamentos e hábitos dos pacientes ganharam visibilidade na síndrome do intestino irritável. A hipótese é que existam comportamentos não comuns à rotina do paciente capazes de afetar o bom funcionamento do intestino.

Essas atividades são bastante diversas e podem incluir alteração da quantidade de água ingerida, uso de drogas, mudanças alimentares pontuais (inserir um novo alimento nas refeições) e consumo de substâncias não comestíveis (como plásticos ou papel).

Além disso, situações que nem sempre são associadas ao intestino podem ser fatores de risco. Por exemplo, fazer atividades físicas sem muita frequência (pedalar aos feriados apenas) e brigar ou praticar lutas que possam resultar em impactos no abdômen.

Sintomas

Os sintomas devem ser percebidos pelo paciente nos últimos 6 meses.

Segundo os critérios estabelecidos pelo Roma III, os sinais da SII envolvem dor ou desconforto abdominal recorrente, mudanças na frequência da evacuação (por exemplo, uma semana com diarreia e a semana seguinte com intestino preso), além da mudança do aspecto das fezes (mais consistentes, mais líquidas e irregulares).

Mas outros sintomas são relatados pelos pacientes e estão presentes em grande parte dos casos:

  • Gases;
  • Dor intensa;
  • Inchaço e estufamento;
  • Dificuldade em evacuar;
  • Necessidade de ir ao banheiro logo após as refeições;
  • Urgência em evacuar quando as cólicas se iniciam;
  • Sensação de que a defecação não foi adequada/suficiente;
  • Náuseas e refluxo;
  • Vômitos;
  • Perda de apetite;
  • Alívio anormal após ir ao banheiro;
  • Mudança na frequência das evacuações;
  • Eliminação de muco pelo reto.

É importante lembrar que, na maioria dos casos, os sintomas são cíclicos, com períodos identificáveis ou não. Ou seja, é possível traçar o aparecimento dos sintomas (durante a semana, em períodos de estresse, ao comer certos alimentos), ou não (em que o organismo muda seu funcionamento digestivo sem causa aparente).

O que pode piorar os sintomas?

Alguns fatores podem piorar os sintomas ou ser a causa deles:

Alimentos específicos

Há hipóteses de que o intestino dos pacientes com SII são mais sensíveis aos grupos alimentares, principalmente lipídeos e carboidratos.

Por isso, alguns componentes nutricionais podem desencadear respostas exageradas, como gases, estufamento e barulhos durante a digestão.

É importante lembrar que a sensibilidade do paciente pode ser alterada por muitos fatores. Ou seja, pode ser que em um período o organismo seja bem tolerante à lactose, mas em em momentos de estresse não reaja adequadamente à ingestão.

Fatores estressantes

Condições emocionais alteradas (como notícia de uma doença, morte na família ou outras condições que geram alto impacto emocional), níveis constantes de estresse (devido ao trabalho, por exemplo) ou transtornos psicológicos (como depressão ou ansiedade) podem estar associados.

Além de poderem ser fatores desencadeantes ou agravantes da síndrome, os distúrbios emocionais podem piorar devido à SII.

Ou seja, não se sabe ao certo se o emocional altera o intestino ou a SII afeta a mente. Mas acredita-se que a relação seja bidirecional e conjunta.

Assim, quando o fluxo intestinal é alterado, alguns pacientes percebem pioras na estabilidade do humor, sentem-se mais agressivos, irritados, deprimidos e sonolentos. Então o agravamento psicológico afeta ainda mais o funcionamento do intestino.

Cansaço e fadiga

Um estudo conduzido pela Universidade de Columbia nos Estados Unidos aponta que entre 35% e 59% dos pacientes com síndrome da fadiga crônica (SFC) também possuem SII.

Os resultados apontam para a relação das síndromes com a alterações de determinadas bactérias intestinais.

O estudo ajuda a reafirmar resultados de pesquisas anteriores: as bactérias presentes no intestino impactam diretamente no restante do corpo e podem estar relacionadas a doenças e sintomas neurológicos também, como redução da memória, concentração e aprendizado.

Doenças e condições associadas

Alguns diagnósticos estão associados à SII, entre eles:

  • Fibromialgia: ocorre entre 20% e 50% dos pacientes com SII;
  • Síndrome de fadiga crônica: ocorre entre 35% e 59% dos pacientes;
  • Distúrbio da articulação temporomandibular: em até 64%;
  • Dor pélvica crônica: em até 50% dos diagnosticados.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por exclusão, pois não há condições biológicas, químicas ou estruturais para causar as alterações do fluxo intestinal.

Os profissionais mais indicados para o diagnóstico e tratamento são o clínico geral e o gastroenterologista, que irão avaliar os sintomas, coletar os relatos do paciente e, sobretudo com base no Roma III, e analisar as possíveis causas.

O médico irá investigar se:

  • Os sintomas se mantêm durante mais de 6 meses;
  • O estresse agrava o quadro;
  • O paciente realiza consultas frequentes por sintomas diversos (não relacionados ao intestino);
  • Há agravamento dos sintomas após as refeições;
  • Há quadros de ansiedade ou depressão atuais ou se o paciente já realizou tratamento psicológico.

Diversos exames podem ser solicitados para descartar outras doenças ou disfunções. Ou seja, para que seja diagnosticada a SII, é necessário que não haja alteração dos resultados dos testes solicitados.

Os profissionais mais aptos a realizar o diagnóstico e acompanhamento são o gastroenterologista, o nutricionista, o nutrólogo e o clínico geral.

Diagnóstico pelo Roma III

Segundo os critérios do Roma III, o diagnóstico ocorre com a detecção ou confirmação de:

  • Início dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico;
  • Dor ou desconforto abdominal recorrente durante mais que 3 dias por mês nos últimos 3 meses;
  • A presença de pelo menos duas das seguintes características:
    • Melhoria com a defecação; alterações na frequência das evacuações;
    • Variações na forma das fezes.

Diagnóstico diferencial

Como não há nenhum exame específico para a síndrome, é preciso realizar exames e investigações para excluir outras doenças. Inicialmente, os primeiros sinais observados são:

  • Sangramento retal (presença de sangue nas fezes);
  • Dor abdominal que evolui durante a noite;
  • Perda de peso acentuada;
  • Dor abdominal contínua (que não diminui após a evacuação).

Esse sintomas, em geral, não são causados pela SII e podem ser indicativos de doenças mais graves, como câncer do cólon, necessitando de investigações com mais profundidade.

Quando não houver os sintomas listados acima e o paciente não relatar histórico familiar de doenças gastrointestinais, pode-se iniciar o tratamento com medicamentos para a SII, fazendo o acompanhamento do quadro.

Nesse caso, a melhora deve ser rápida, no máximo 1 mês. Caso não haja respostas positivas ao tratamento para a síndrome, o paciente deve ser indicado para colonoscopia para uma investigação mais aprofundada.

Além disso, podem ser solicitados exames para descartar:

Segundo as diretrizes da Organização Mundial de Gastroenterologia para a síndrome de intestino irritável, ainda é preciso estar atento à confusão com as doenças:

  • Carcinoma colorretal;
  • Colite microcítica (linfocítica e colagenosa);
  • Diarreia aguda ou crônica devida a protozoários ou bactérias;
  • Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO);
  • Endometriose;
  • Doença inflamatória pélvica;
  • Câncer de ovário (em mulheres acima dos 40 anos).

Exames

A síndrome do intestino irritável não possui exames capazes de afirmar o diagnóstico ou indicar alterações específicas causadas pela SII. Porém, diversos exames podem ser solicitados a fim de descartar as outras doenças ou disfunções do organismo.

Entre os testes que o médico pode solicitar, estão:

Exame de fezes

A avaliação das fezes permite identificar a presença de algum parasita. O exame é simples, sendo solicitado ao paciente entregar ao laboratório uma amostra das fezes.

Hemograma

O exame é realizado com uma coleta tradicional de sangue que é, geralmente, feita no braço. A amostra permite avaliar como estão a quantidade e a qualidade das hemácias, dos leucócitos e das plaquetas.

De modo resumido, as hemácias atuam no transporte de oxigênio e nutrientes, os leucócitos protegem o organismo (atuam no sistema imune) e as plaquetas trabalham na coagulação sanguínea.

Como muitos pacientes com SII podem sentir fraqueza, dores de cabeça e cansaço, o hemograma auxilia a descartar casos de leucemia, anemias, infecções e alergias, que podem apresentar esses sintomas também.

Exames internos do intestino

Os exames internos (invasivos) auxiliam a descartar inúmeras possibilidades de doenças e alterações, como câncer, obstrução intestinal, lesão da parede do intestino, presença de pólipos ou formações indevidas de tecido, por exemplo.

Entre os exames solicitados, podem estar:

  • Manometria anorretal;
  • Colonoscopia;
  • Vídeo Retossigmoidoscopia;
  • Endoscopia digestiva alta e radiografia do intestino delgado

Exames de imagem

Exames de imagem também auxiliam a descartar outras disfunções do organismo. Geralmente, são solicitados:

  • Radiografia do intestino delgado;
  • Ultrassonografia do abdômen;
  • Tomografia computadorizada.

Tem cura?

Não. Mas a síndrome tem controle. Grande parte dos pacientes consegue encontrar recursos que amenizam os sintomas e o desconforto.

Além disso, o tema ainda é recente e diversos pesquisadores têm demonstrado interesse em aprofundar estudos sobre as causas e os tratamentos. Isso sugere que medidas terapêuticas mais eficazes estão próximas.

Qual o tratamento?

Não há um tratamento específico para a síndrome. Diversas medidas podem ser adotadas para amenizar os sintomas, algumas vezes associando medicamentos que auxiliam a regular o trânsito intestinal, diminuir os gases, a dor e o desconforto.

O médico irá avaliar o quadro do paciente e verificar a necessidade de receitar tratamentos medicamentosos, como laxantes.

Em geral, as medidas recomendadas a todos os pacientes com SII são mudanças na alimentação, suplementação com fibras (nos tipos com constipação), redução de estresse e de medicamentos que possam afetar o intestino.

Além disso, é preciso manter uma boa qualidade do sono e observar alterações emocionais, como ansiedade, depressão ou irritabilidade. Se for necessário, o médico pode encaminhar o paciente para acompanhamento psicológico e tratamento psiquiátrico.

Os cuidados gerais incluem:

A alimentação na SII

O paciente deve fazer uma auto observação e identificar se há alimentos que pioram os sintomas.

Se houver grupos alimentares ou comidas específicas capazes de intensificar os sintomas, eles devem ser evitados ao máximo. Em muitos casos, os pacientes apresentam sensibilidade ao glúten, à lactose, aos carboidratos (principalmente os simples, como açúcar) e às gorduras.

Além disso, consumir refeições exageradas (mais do que a pessoas costuma comer diariamente), álcool ou grandes quantidades de cafeína tendem a desencadear os sintomas com mais intensidade.

Nesse caso, recomenda-se que o paciente faça pequenas refeições ao longo do dia, optando por alimentos mais leves e naturais, como saladas, frutas e verduras.

Evitar alimentos industrializados, ricos em sódio, conservantes e estabilizantes pode reduzir o desconforto e a formação de gases, além de ser uma medida boa para a saúde do corpo todo.

De acordo com as diretrizes de prática da Organização Mundial de Gastroenterologia para a SII, o tratamento alimentar da síndrome pode envolver:

Fibras

A dieta consiste em enriquecer a alimentação com fibras ou com componentes que facilitem a formação de volume fecal, como a farinha psyllium.

Há 2 tipos de fibras: as solúveis e as insolúveis. A primeira se dilui em água e forma uma espécie de gel no estômago. Ao chegar ao intestino, promove a fermentação e, por isso, melhora o movimento intestinal.

Já as fibras insolúveis não se dissolvem em água e permanecem intactas durante a digestão. No intestino, elas auxiliam a dar mais consistência ao bolo fecal, facilitando que os movimentos peristálticos encaminhem o conteúdo pelo intestino.

Além do consumo adequado de fibras, é preciso que haja uma boa ingestão de água diariamente.

Dieta FOMAPs

A sigla significa (F = Fermentáveis, O = Oligossacarídeos, D = Dissacarídeos, M = Monossacarídeos, A = and, P = Polióis) se refere à retirada dos carboidratos fermentáveis da alimentação.

Indica-se a dieta FOMAPs para promover a redução na dor abdominal e no inchaço. Mas as observações sobre a dieta são recentes e ainda não se sabe ao certo quais os desencadeamentos em longo prazo.

Probióticos e prebióticos

A utilização de probióticos pode visar o alívio ou redução dos sintomas gerais ou específicos. Os probióticos e prebióticos são microorganismos que auxiliam a compor ou reconstruir a flora intestinal, geralmente ingeridos através da alimentação.

Por exemplo, alguns podem atuar unicamente na minimização dos gases e inchaço. O protocolo mundial para SII não recomenda a utilização generalizada (para todos os diagnosticados) de probióticos por longos períodos, sobretudo porque a suplementação tende a ter efeito limitado.

Apesar de serem alimentos bons à saúde, os pro e prebióticos não constituem um tratamento específico para a SII, salvo em casos indicados pelo médico ou nutricionista.

Medicamentos

Pode ser indicada a suplementação com:

Fibras solúveis e antiespasmódicos, como Buscopan, que são medicamentos capazes de reduzir os movimentos dentro do intestino. Esses são considerados tratamentos de primeira linha, ou seja, geralmente são os primeiros medicamentos receitados aos pacientes após o diagnóstico.

Entre os tipos mais recomendados estão: otilônio, hioscina, cimetrópio, pinavério, diciclomina e mebeverina.

Além de antigases, a utilização de óleo de hortelã, segundo as diretrizes mundiais para SII, tem mostrado melhoras nos sintomas dos pacientes, com a vantagem de possuir pouco ou nenhum efeito adverso.

Quando os sintomas são acentuados, podem ser receitados antidiarreicos ou, se há constipação, laxantes.

Como os laxantes tendem a ser mais agressivos com a flora intestinal, é preciso avaliar os benefícios de sua utilização, sempre recorrendo primeiramente às mudanças alimentares e comportamentais.

Quando o paciente não apresenta melhoras significativas com os tratamentos iniciais, medicamentos de segunda linha podem ser receitados. Eles agem diretamente no intestino, e podem envolver:

  • Rifaximina;
  • Alosetron;
  • Lubiprostone;
  • Linaclotide;
  • Loperamida;
  • Ramosetron.

Medicamentos que auxiliam no quadro emocional podem ser indicados, desde que acompanhados por um médico psiquiatra. Geralmente, fluoxetina, sertralina, citalopram e diazepam podem ser receitados a fim de reduzir quadros de ansiedade e depressão.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Dieta na SII

Não existem dietas específicas para a SII, porém, além dos procedimentos recomendados pelas diretrizes da Organização Mundial de Gastroenterologia, estudos e pacientes relatam mudanças significativas do quadro sintomático com a exclusão ou redução dos seguintes componentes da alimentação:

Gorduras

De maneira geral, alimentos ricos em gorduras (lipídios) causam elevação dos movimentos do intestino. Para quem apresenta diarreias ou frequência elevada de evacuação, os alimentos como carnes gordas, queijos amarelos e frituras devem ser reduzidos.

Frutose

Alimentos ricos em frutose, que é o açúcar natural das frutas, podem favorecer a formação de gases e intensificar os movimentos do intestino.

Alguns dos produtos que possuem altas quantidades de frutose são: frutas secas, uva, morango, maçã, geléia, gelatina, pudim e biscoitos.

Sorbitol

O sorbitol é uma substância presente, principalmente, em adoçantes e produtos diet (indicados para pessoas com diabetes).

Além disso, alimentos como ameixa, cereja, maçã, chocolates e alguns doces contém quantidades capazes de interferir no funcionamento digestivos de pessoas sensíveis.

Assim como a frutose, o sorbitol pode favorecer a formação de gases, aumentando o desconforto intestinal.

Glúten

A tolerância do ser humano ao glúten é muito debatida. Enquanto alguns pesquisadores defendem que apenas pacientes com doença celíaca ou alergia ao glúten devem eliminá-lo da dieta, outros indicam que a proteína não deveria fazer parte da alimentação.

Estudos desenvolvidos separadamente pela Universidade Harvard e pela Universidade da Colúmbia indicam que não há benefícios científicos em retirar o glúten da alimentação, exceto pelas pessoas sensíveis e intolerantes.

Isso não significa que as pessoas não possam se sentir melhor ao não ingerir determinado alimento, pois cada organismo responde de forma muito individual à alimentação.

No entanto, há uma prevalência entre a intensificação dos sintomas relacionados à SII e o consumo da proteína. Em geral, é preciso que o paciente identifique se são todos os alimentos com glúten que causam mal-estar ou se apenas alguns.

Por exemplo, pode ser que o desconforto seja causado pelo consumo da farinha de trigo branca, que tende a formar mais gases e não pelo glúten em si.

Laticínios

Alguns pacientes com a síndrome do intestino irritável também são intolerantes à lactose. No entanto, mesmo os que não apresentam diagnóstico para a intolerância, podem apresentar hipersensibilidade aos derivados do leite.

Nesse caso, é necessário reduzir o consumo de queijos, leite, iogurtes, margarinas e manteigas.

Há pacientes que relatam hipersensibilidade mesmo aos produtos lactfree, que possuem a enzima lactase. Ou seja, é preciso que a alimentação seja completamente isenta de produtos com leite.

Condimentos

Temperos e condimentos alimentares são utilizados para dar sabor à comida, mas não são poucos os casos de pessoas incapazes de digerir bem esses componentes.

Comidas muito apimentadas ou com temperos fortes podem desencadear reações gastrointestinais mesmo em pessoas sem problemas aparentes do sistema digestivo.

Convivendo

Cada pessoa vai precisar fazer adaptações da rotina de acordo com o seu quadro sintomático.

Há pacientes que vão necessitar de mudanças severas da rotina e da alimentação. Porém, outros conseguem conviver com a SII sem grandes impactos às atividades cotidianas.

Algumas medidas podem facilitar o controle dos sintomas que, nem sempre, podem ser evitados. Ou seja, mesmo que o paciente siga uma alimentação adequada, as condições emocionais e até ambientais podem desencadear as crises de dores e desconforto.

Para conviver com a síndrome, além do tratamento indicado pelo médico, você pode agregar outras atividades, como:

Medidas alternativas

Acupuntura, yoga, musicoterapia, alongamento, meditação e atividades relaxantes podem favorecer o controle do quadro emocional, proporcionando melhorias na qualidade de vida.

É indicado que o paciente encontre atividades ou exercícios que aliem bem-estar e melhorias emocionais, a fim de reduzir os níveis de estresse e ansiedade.

A meditação controla a respiração, reduz o estresse e melhora o equilíbrio emocional. Os pacientes que adotam atividades relaxantes relatam que há uma diminuição dos sintomas, provavelmente devido à redução dos níveis de estresse.

Para os pacientes que possuem dor ou mal-estar acentuado, manter a calma e controlar a respiração durante o pico da dor pode auxiliar na crise. A respiração profunda ajuda a relaxar o corpo e, muitas vezes, diminuir a perceção da dor.

Mesmo que as atividades relaxantes não sejam diretamente capazes de reduzir gases ou os movimentos intestinais, controlar a mente evita que a ansiedade seja elevada e, consequentemente, piore ainda mais a dor.

Treinamentos comportamentais se mostram altamente benéficos na SII. Aprender a lidar com a situações cotidianas, relaxamento muscular progressivo, manejo de estresse, autoinstrução e autopercepção podem ser eficazes.

Consulte um nutricionista

A alimentação é um fator bastante presente na vida dos pacientes com síndrome do intestino irritável.

Como a SII possui comportamento muito distinto de acordo com cada paciente, é preciso que, inicialmente, haja uma auto avaliação, identificando tudo que possa ser um gatilho para o mal-estar.

Mas, além do procedimento alimentar padrão, é recomendável fazer o acompanhamento com nutricionistas.

Muitas vezes, a necessidade de reduzir ou eliminar algum alimento da rotina pode ser bastante desagradável, apesar de necessário. Por isso, acompanhar com um profissional irá auxiliar a equilibrar as refeições de maneira saudável.

Algumas vezes, esses alimentos podem ser gradualmente reinseridos na rotina, mas há pacientes que optam pela exclusão completa.

Apesar de trazer melhorias ao quadro sintomático, as dietas podem resultar em carências nutricionais, mesmo que os resultados só sejam percebido em longo prazo. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar é importante para estabilizar a síndrome e manter a boa saúde do organismo.

Produtos naturais

Há diversos alimentos e produtos que podem auxiliar no trânsito intestinal. Sobretudo quem possui episódios de constipação, a suplementação com fibra de maracujá, de berinjela, farinha psyllium ou farinha de linhaça podem auxiliar no correto funcionamento digestivo.

Chás naturais podem ser ótimas opções para facilitar a digestão e diminuir a formação de gases, como camomila, erva-doce, funcho e hortelã.

O óleo de hortelã tem mostrado eficácia no relaxamento da musculatura do tubo intestinal, melhorando os movimentos do órgão.

Prognóstico

A maioria dos pacientes apresenta quadros persistentes da síndrome, que podem durar anos. No entanto, geralmente não há uma piora dos sintomas, nem comprometimento da saúde.

Alguns pacientes apresentam estabilização do quadro, mesmo sem recorrer a tratamentos intensos (como dietas de exclusão completa de alimentos).

Outros podem apresentar melhoras significativas e episódios isolados dos sintomas (por exemplo, ao passar por situações de grande estresse).

Porém, a maioria dos pacientes consegue apenas amenizar os sintomas, recorrendo às terapias complementares (alimentação, controle emocional e medicamentos), mas ainda convivem com dores ou desconfortos frequentes.

Complicações

As complicações mais associadas à síndrome do intestino irritável se referem à limitação cotidiana. Ou seja, a síndrome, em si, não apresenta evolução ou comprometimento severo para o organismo. No entanto, os sintomas, para alguns pacientes, podem dificultar a realização das atividades cotidianas.

As dores e mal-estar podem ser intensos, impedindo que atividades comuns sejam realizadas, como trabalhar ou estudar.

Além disso, o quadro pode agravar os sintomas emocionais e distúrbios psiquiátricos, quando presentes. Se não houver um acompanhamento psicológico devido, o paciente pode perceber alterações emocionais, como baixa auto-estima, insegurança e timidez.

Essas alterações impactam em outras esferas cotidianas, por exemplo, dificultando que o paciente mantenha os vínculos às atividades sociais. Novamente, a pessoa se insere num ciclo que a SII acarreta em alterações da rotina e elas agravam mais os sintomas.

Portanto, a síndrome do intestino irritável pode ser um complicador para os distúrbios e problemas psicológicos.

Além disso, pacientes que possuem alta sensibilidade alimentar ou que optam pela adoção de dietas mais rígidas podem apresentar uma acentuada redução de peso.

Aliada aos quadros de diarreia e, em alguns casos, vômitos, o comprometimento do organismo pode ser elevado. É preciso estar atento ao equilíbrio nutricional, à hidratação e às desregulações que podem ocorrer.

Como prevenir síndrome do intestino irritável?

A síndrome não possui métodos preventivos comprovados e acredita-se que suas causas sejam multifatoriais, o que torna mais complexo evitar a disfunção. As recomendações, portanto, incluem os cuidados com o organismo como um todo.

É importante cuidar da alimentação, preferindo produtos naturais, com menos conservantes e menos industrializados. Além disso, reduzir as taxas de estresse, praticar atividades físicas regulares e manter a qualidade do sono trazem benefícios à saúde em geral.

Como os fatores emocionais estão bastante ligados à síndrome, os cuidados com a os aspectos emocionais têm se mostrado bastante relevantes em aspectos preventivos.

Buscar rotinas menos estressantes, atividades relaxantes e menos cobranças pessoais podem ser medidas eficazes para reduzir a incidência de inúmeros problemas de saúde.


Diversos problemas, distúrbios e doenças ainda são relativamente desconhecidos pela comunidade médica. Mas estudos têm buscado as causas, tratamentos e prevenção das condições que podem atrapalhar a qualidade de vida dos pacientes.

Entre esses problemas está a síndrome do intestino irritável, que constitui um quadro ainda recente na literatura médica.

A síndrome, apesar de não resultar em comprometimentos fisiológicos severos ao organismo, tem um alto impacto na rotina e no bem-estar do paciente.

Não se sabe afirmar ainda as causas ou o melhor procedimento a ser adotado perante o diagnóstico, mas se suspeita que a alimentação e o estresse estão bastante associados ao desencadeamento e ao agravamento da SII.

Os cuidados com o equilíbrio nutricional, a saúde mental e os comportamentos cotidianos podem amenizar os episódios. Ainda que essas medidas, comprovadamente, não evitem ou previnam os distúrbios intestinais, elas são extremamente benéficas à saúde como um todo.

A rotina estressante, os descuidos com as refeições e rotinas sedentárias estão associados a uma pior qualidade de vida e agravamento da saúde em longo prazo.

Por isso, buscar medidas que tragam mais conforto bem bem-estar, priorizando os cuidados com o organismo (incluindo a saúde física e mental) são essenciais para quem deseja manter a vida em equilíbrio.

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Fontes consultadas

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