Dados recentes sobre a prevalência da diabetes indicam um crescimento de mais de 61% nos últimos 10 anos.

Isso significa que, entre 2006 e 2016, as taxas foram de 5,5% da população para 8,9%.

Para o Ministério da Saúde, são cerca de 9 milhões de pessoas diagnosticadas, mas se estima que o número de casos de diabetes chegue a 13 milhões, sendo que o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial.

Se, por um lado, os dados crescentes soam alarmantes, por outro, pode ser também resultado de diagnósticos mais precisos e mais precoces em meio à realidade: cerca de metade dos pacientes não sabe que tem a doença.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é diabetes?
  2. Como o pâncreas regula a glicemia?
  3. A descoberta da insulina
  4. Quais os tipos de diabetes?
  5. O que é pré-diabetes?
  6. O que é diabetes insulinodependente?
  7. O que causa diabetes?
  8. Fatores de risco
  9. Sintomas
  10. Hiperglicemia e hipoglicemia
  11. Como é feito o diagnóstico?
  12. Valores de referência
  13. Tem cura?
  14. Qual o tratamento?
  15. Medicamentos antidiabéticos
  16. Insulina
  17. Diabetes no SUS: tratamento gratuito
  18. Convivendo: dicas para controlar a diabetes
  19. Dieta para diabéticos e dicas de alimentação
  20. Prognóstico
  21. Complicações
  22. Como prevenir?
  23. Perguntas frequentes

O que é diabetes?

Diabetes é um termo que abrange um grupo de distúrbios do metabolismo da glicose associados a defeitos na secreção e/ou ação da insulina. Além da alteração glicêmica, pode cursar com comprometimento de diversos órgãos e sistemas.

O pâncreas é o órgão que produz a insulina, hormônio essencial para o controle dos níveis de açúcar no sangue.

Há ainda o Diabetes Insipidus, doença com nome semelhante ao Diabetes Mellitus, porém que nada tem a ver com problemas no metabolismo da glicose. O nome surgiu devido aos sintomas – aumento da frequência e fluxo urinário – comuns às duas situações.


Os registros sobre a diabetes são antigos, mas é por volta do século II D.C que a patologia foi denominada diabetes.

O termo faz referência a “passar através de um sifão”. Isso porque, na época, o sintoma mais observado nos pacientes era o excesso de urina (poliúria), o que foi comparado à passagem de água através de um sifão.

Alguns anos depois, uma série de eventos e pesquisas fez os estudiosos observarem que, além do maior volume urinário, alguns pacientes tinham a urina doce, mostrando que eliminavam açúcar pela urina.

Foi somente em 1769 que as duas condições clínicas em que havia excesso de produção de urina foram nomeadas como: Diabetes Insipidus e Diabetes Mellitus. O termo “Mellitus” significa mel em latim, fazendo uma referência à doçura da urina. Já “insipidus” caracteriza a urina clara e sem sabor adocicado, como água.

Atualmente, há vários tipos de diabetes. Os mais frequentes podem ser identificados no CID-10 sob os códigos:

  • E10: Diabetes mellitus insulino-dependente;
  • E11: Diabetes mellitus não-insulino-dependente;
  • E13: Outros tipos especificados de diabetes mellitus;
  • E23.2: Diabetes insípido;
  • O24: Diabetes mellitus na gravidez.

Como o pâncreas regula a glicemia?

O pâncreas é um órgão localizado na região abdominal, que possui entre 15cm e 25cm, aproximadamente.

Este órgão é responsável por produzir enzimas que participam da digestão de gorduras, proteínas e carboidratos (função exócrina), além de secretar hormônios reguladores do açúcar no sangue (função endócrina).

É pela secreção hormonal que o órgão regula o açúcar no sangue e, por isso, está diretamente relacionado ao diabetes.

Toda vez que comemos, o sistema digestivo ativa uma série de funções celulares e mecanismos para digerir os alimentos, aproveitar os nutrientes e, claro, manter o equilíbrio do corpo.

Entre os nutrientes que compõem os alimentos está o carboidrato.

Geralmente temido nas dietas, ganhou fama de responsável pelo aumento de peso e por causar problemas à saúde, mas devemos lembrar que isso só ocorre quando é consumido em quantidades excessivas.

Hoje sabemos que a escolha do tipo de carboidrato que se consome (pobre ou rico em fibras e outros nutrientes) faz toda a diferença.

Importante fonte de energia, o carboidrato é essencial para manter as funções do corpo — seja o batimento cardíaco, a concentração durante uma partida de xadrez ou a explosão necessária para uma corrida com barreiras.

Alguns alimentos possuem poucos carboidratos, outros possuem muitos. Mas, independente da quantidade, o pâncreas saudável é capaz de lidar com todos.

Isso porque quando a comida começa a ser digerida, o pâncreas é sinalizado e responde secretando insulina, um hormônio regulador que facilita a entrada da glicose nas células, permitindo que seja estocada ou transformada em energia.

Mas o pâncreas não é responsável apenas pela liberação de insulina. Há também um outro hormônio chamado glucagon.

Quando o organismo passa muitas horas sem receber alimentos ou precisa gastar muita energia para uma atividade física intensa, por exemplo, os estoques de glicose começam a ser consumidos, mantendo o funcionamento do corpo.

Como um alerta, o pâncreas produz e libera o glucagon, que age transformando os estoques (glicogênio) em glicose, que é liberada para suprir as necessidades do momento.

Pessoas com diabetes costumam apresentar falhas no sistema de produção, secreção e/ou ação dos hormônios reguladores da glicemia.

Com isso, podem sofrer crises de hiperglicemia, que é o aumento do açúcar no sangue, ou hipoglicemia, que é a queda dos níveis sanguíneos de glicose.

A descoberta da insulina

Em 1889 os médicos e pesquisadores já sabiam que pacientes diagnosticados com Diabetes Mellitus, ou excesso de açúcar no sangue, tinham algum distúrbio no pâncreas. Portanto, acreditavam que seria nesse órgão que a solução seria encontrada.

O problema é que até os anos 1921, o tratamento para diabetes era pouco eficaz e resultava apenas em um prolongamento do sofrimento dos pacientes.

Na época, pacientes diagnosticados com diabetes eram orientados a realizar uma dieta extremamente rigorosa. Pois, até então, era o único recurso disponível para tentar evitar os picos de açúcar no sangue e a consequente cetoacidose (aumento da concentração de cetonas que deixam o sangue ácido).

No entanto, apesar de evitar por algum tempo que o paciente entrasse em coma diabético, a dieta, além de não ser muito eficaz em manter a glicemia regulada, fazia o paciente sofrer por desnutrição até à morte.

Foi apenas em 1921 que o médico canadense Frederick Banting e o estudante de medicina Charles Best conseguiram isolar o hormônio insulina por meio de estudos no pâncreas de um cachorro.

A partir daí, a substância passou ser sintetizada em grande escala. A equipe de pesquisadores recebeu o prêmio Nobel.

Quais os tipos de diabetes?

O Diabetes Mellitus pode ser subdividido em alguns tipos, sendo que os mais comuns são o diabetes tipo 1 e 2. O diabetes tipo 2 é a forma mais comum da doença em todo o mundo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, há ainda o diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA), uma condição menos frequente, além do diabetes gestacional, que implica em maior risco de desenvolver diabetes ao longo dos anos, tanto para a mãe como para o bebê.

Saiba mais sobre cada tipo:

Diabetes Mellitus

O Diabetes Mellitus é caracterizado pela disfunção na produção e/ou ação da insulina — hormônio secretado pelo pâncreas que regula o açúcar no sangue (glicemia).

A disfunção metabólica faz com que, após o paciente ingerir alimentos, o corpo não consiga metabolizar corretamente a glicose, levando ao aumento das taxas de açúcar no sangue.

Pessoas com diabetes não diagnosticado apresentam taxas elevadas de açúcar no sangue.

Em longo prazo essa alteração pode afetar diversos órgãos por prejudicar a circulação e danificar os nervos, podendo levar a danos irreversíveis como amputações e cegueira.

O diabetes pode ser classificado em alguns tipos, de acordo principalmente com o mecanismo que levou à doença. Os mais comuns são o tipo 1 e o tipo 2.

Popularmente, as pessoas chamam o tipo 1 de diabetes infantil ou juvenil, pois acomete majoritariamente crianças, adolescentes e adultos jovens, mas pode ocorrer também em idades avançadas.

Já o tipo 2 é mais comum em pacientes mais velhos, e compreende cerca de 90% de todos os casos diagnosticados ao redor do mundo. Apesar dessas diferenças de idade, é a forma com que a doença se manifesta que caracteriza cada tipo.

Enquanto o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, em que anticorpos atacam células do próprio pâncreas prejudicando a produção da insulina, o tipo 2 é decorrente de defeitos na ação e/ou produção insuficiente de insulina, hormônio regulador dos níveis glicêmicos.

O diabetes tipo 2 está comumente associado à obesidade, sedentarismo e má alimentação. Por isso, aquela história de que comer muito doce causa diabetes não é bem assim.

Diabetes gestacional

Entre 2% e 4% das gestantes sofrem com o diabetes gestacional, que pode ser uma condição temporária.

Entretanto, após o parto essas mulheres devem fazer acompanhamento, pois têm maior risco de evoluir para diabetes tipo 2 com o passar do tempo.

O diabetes pode ocorrer durante a gravidez devido às grandes alterações no corpo da mulher, que podem resultar em perda do equilíbrio metabólico.

A placenta pode liberar hormônios que reduzem a ação da insulina, fazendo com que o pâncreas precise elevar a produção e liberação de insulina.

Algumas gestantes podem não ter esse mecanismo tão eficaz, fazendo com que ocorra a elevação da taxa glicêmica.

Apesar de nem sempre cursar com sinais e sintomas, principalmente nos casos mais leves, o diabetes gestacional pode aumentar o risco de complicações materno-fetais.

Por isso, todas as gestantes são orientadas a manter uma rotina de exames, como a curva glicêmica, ao realizar o pré-natal.

Leia mais: Sintomas de gravidez podem surgir antes do atraso menstrual

Ganho de peso excessivo na gestação, histórico familiar de diabetes (de qualquer tipo), gestações anteriores com alterações glicêmicas, quadros de hipertensão arterial, sobrepeso ou obesidade, e síndrome dos ovários policísticos, são algumas das condições que podem favorecer o surgimento da condição.

Diabetes Tipo 1

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. Por motivos ainda não totalmente esclarecidos, o corpo faz com que anticorpos ataquem células saudáveis do organismo.

Com a destruição das células do pâncreas, a produção de insulina é afetada, fazendo com que a secreção do hormônio seja insuficiente ou completamente ausente.

Esse tipo é geralmente chamado de diabetes infantil ou juvenil, mas é importante lembrar que apesar de se manifestar predominantemente na infância, ela pode ocorrer também na fase adulta ou na terceira idade.

A destruição das células pancreáticas, quando se torna clinicamente evidente, evolui de forma rápida, fazendo com que os sintomas sejam agressivos.

O diabetes tipo 1 corresponde a cerca de 5% a 10% de todos os casos de diabetes, sendo tratado com aplicações diárias de insulina.

Mas também é parte fundamental do tratamento a dieta, atividades físicas e cuidados com a saúde em geral.

Diabetes Tipo 2

O tipo 2 é o mais frequente, atingindo cerca de 90% dos pacientes com diabetes. Ele decorre das condições em que o organismo não consegue produzir insulina suficiente ou não é capaz de usar adequadamente o hormônio liberado.

É mais frequente em adultos, mas pode estar presente em crianças, sobretudo nas que apresentam obesidade, pois — diferente do tipo 1 — o tipo 2 tem grande relação com os hábitos de vida e a alimentação.

Grande parte dos pacientes que sofrem com o tipo 2 apresentam obesidade ou sobrepeso.

Apesar de não ser tão frequente, o paciente pode necessitar de aplicações de insulina. Em geral, o tratamento é feito inicialmente com medicamentos orais, dieta, atividade física e outros cuidados comportamentais.

LADA

No diabetes tipo LADA, ou Latente Autoimune do Adulto, ocorre uma alteração autoimune semelhante ao tipo 1, em que o corpo ataca suas próprias células produtoras de insulina.

Porém, a evolução é lentamente progressiva. Com isso, sob olhares menos atentos, pode ser confundido com o diabetes tipo 2.

Outros tipos de Diabetes

Existem outros tipos de diabetes que são bem menos comuns.

Esses casos estão associados a defeitos genéticos, ao uso de medicamentos capazes de afetar o ciclo glicêmico normal, problemas no pâncreas ou endocrinopatias (doenças que afetam o sistema endócrino).

Diabetes insipidus

Um tipo raro de diabetes que, apesar do mesmo nome, carrega uma diferença importante: não é preciso se preocupar com os níveis glicêmicos! Apesar disso, o quadro é grave e precisa de tratamento.

A principal característica do diabetes insipidus é a poliúria, ou seja, a liberação exagerada de urina, além de sede excessiva. O paciente apresenta uma urina límpida, semelhante à água.

A condição é causada por uma alteração no funcionamento ou na produção do hormônio antidiurético (ADH), também chamado de vasopressina.

Ele atua controlando a quantidade de água no organismo, por meio do controle renal da urina.

O ADH age, ainda, sinalizando que o corpo precisa ser hidratado. Por isso, quando falta água, ele envia sinais para que os rins diminuam a eliminação de urina, e estimula a sensação de sede.

Se há muita água no corpo, a secreção do hormônio é reduzida, fazendo com que o corpo produza e elimine mais urina.

Quando há alterações na produção ou na ação do ADH, o corpo sente falta de seus efeitos, correndo risco de desidratação.

Essas disfunções são conhecidas como diabetes insipidus, que podem se apresentar de diferentes formas, como o DI central (origem no sistema nervoso central) ou nefrogênico (origem renal).

Nesse caso, há o ADH circulando, mas os rins não respondem adequadamente.

O tratamento é feito com suplementação específica. Mas, ao contrário do Diabetes Mellitus, não necessita de insulina e o paciente não tem alterações glicêmicas importantes.

O que é pré-diabetes?

O  diagnóstico de pré-diabetes é um sinal de alerta. É como se o corpo tivesse um mecanismo para avisar que as coisas não estão indo bem, mas ainda dá tempo de reverter.

O quadro funciona como um indicativo de que o corpo não está conseguindo equilibrar corretamente as taxas de glicemia, mas o descontrole ainda não é suficiente para caracterizar o diabetes tipo 2.

Vale ressaltar que o diabetes tipo 1 não conta com esse sistema intermediário da doença.

Com o diagnóstico, o paciente precisa cuidar da alimentação, investir em atividades físicas e cuidar do emocional.

A cada ano, cerca de 3,5 a 7% dos pacientes que apresentam o problema se tornam diabéticos (35 a 70% de risco em 10 anos). Quanto mais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes e mais alterados os exames, maior o risco.

Mas, para muitas dessas pessoas em risco, bastaria uma redução de 5% a 10% do peso, associado a exercícios físicos regulares, para que a insulina voltasse a ser suficiente.

O que é diabetes insulinodependente?

A insulina é o hormônio que falta ou que não está agindo adequadamente no paciente com diabetes.

Diferente do tipo 1, que é sempre tratado com aplicações do hormônio, a maioria dos diagnosticados com o tipo 2 da doença consegue fazer o controle glicêmico com dieta, atividades físicas e medicamentos orais, que são chamados de antidiabéticos.

Ainda assim, boa parte dos pacientes precisa recorrer a medicamentos injetáveis ou insulina com a evolução da doença, que é progressiva.

Por isso, independente do tipo de diabetes, se a condição necessitar do uso de insulina, o quadro é considerado insulinodependente.

O que causa diabetes?

As causas da diabetes dependem da etiologia da doença, ou seja, do tipo. Entre as principais estão:

Condição autoimune

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, em que o sistema imunológico sofre alterações e ataca as células saudáveis do corpo. Nesse caso, o pâncreas é afetado.

Pacientes com diabetes tipo 1 são mais propensos a desenvolver doenças autoimunes, que são vistas com maior frequência tanto nos portadores de diabetes tipo 1 como também em seus parentes mais próximos.

Doença celíaca, hipotireoidismo, hipertireoidismo, doença de Addison (insuficiência adrenal) e anemia perniciosa são algumas das doenças associadas mais proeminentes.

Para exemplificar, um em cada 20 pacientes com diabetes tipo 1 tem doença celíaca, sendo a maioria assintomática.

Mas não se sabe ao certo o que determina a predisposição. Sabe-se, no entanto, que pessoas que já apresentem condições na família ou que tenham outras doenças também autoimunes são mais suscetíveis ao diabetes tipo 1.

Resistência à insulina

Condições que façam com que o organismo fique mais resistente à ação da insulina podem ser a causa do diabetes tipo 2.

Nesses casos, o corpo produz o hormônio em quantidades aumentadas na tentativa de vencer a dificuldade da insulina exercer sua ação.

Obesidade e sedentarismo são bastante associados ao quadro.

Gestação

O diabetes mellitus gestacional é definido quando a intolerância à glicose é reconhecida pela primeira vez durante a gravidez. Na maioria dos casos o distúrbio tem início no terceiro trimestre.

Em meio às diversas mudanças e alterações do organismo, ocorre uma diminuição da tolerância à glicose, fazendo com que o corpo da mãe precise produzir mais insulina.

Porém, nem sempre ocorre elevação suficiente da produção, fazendo com que o distúrbio metabólico se manifeste.

A condição afeta cerca de 8 a 9% de todas as gestações, embora as taxas possam dobrar em mulheres com alto risco para diabetes tipo 2.

Importante lembrar que 6 semanas após o fim da gravidez a mulher deve ser reavaliada para definir se houve normalização do quadro ou persistência do distúrbio metabólico, com possível diagnóstico de  pré-diabetes ou mesmo de diabetes.

Outras causas

Há ainda casos especiais que podem causar diabetes, como:

  • Alterações genéticas interferindo na produção ou na ação da insulina;
  • Doenças endócrinas (endocrinopatias);
  • Infecções;
  • Síndromes genéticas;
  • Doenças graves do pâncreas exócrino (pancreatite, trauma ou carcinoma);
  • Efeito de substâncias ou medicamentos.

Fatores de risco

Os fatores de risco estão associados aos tipos de diabetes. Entre eles:

Genética

A genética tem um peso grande no diabetes tipo 1.

Vários genes influenciam fortemente o desenvolvimento da doença, porém, embora os genes possam predispor ao diabetes tipo 1, fatores ambientais também desempenham um papel significativo na sua patogênese.

Ter parentes próximos com a doença ou ser portador de outras doenças autoimunes eleva as chances do diabetes se manifestar.

Mas a genética também tem relação com o tipo 2 da doença. Ter um parente próximo diagnosticado, como pais ou irmãos, eleva os riscos.

Diagnóstico de pré-diabetes

O pré-diabetes é toda condição que não se encaixa nem em níveis normais de glicemia, nem em níveis elevados (diabetes).

O pré diabetes é considerado um fator de risco para o desenvolvimento do diabetes, porém,  se receber a devida atenção, a condição pode ser revertida.

Colesterol ou triglicerídeos elevados, pressão alta, sedentarismo e histórico de problemas cardíacos também podem estar associados ao pré-diabetes.

Quanto mais fatores de risco associados, maior a chance de se tornar diabetes ou apresentar complicações em longo prazo.

Sobrepeso ou obesidade

O peso está bastante relacionado a alterações glicêmicas, sendo que alta porcentagem de gordura corporal, especialmente de localização central (abdômen e tronco), resulta em maior resistência à ação da insulina.

Portanto, além de observar o peso corporal é importante verificar se há acúmulo da gordura mais prejudicial: aquela em volta da cintura.

Leia mais: Magreza e obesidade: fatores genéticos têm culpa nisso

Não é exatamente o pneuzinho, aquele que conseguimos apertar, mas sim a gordura visceral, que fica entre os órgãos.

Por isso, mesmo pessoas magras, mas que apresentam uma circunferência abdominal elevada (homens acima de 102cm e mulheres acima de 88cm) estão no grupo de risco.

Mulheres que ganham muito peso durante a gestação ou que iniciam a gravidez já acima do peso também apresentam maior risco de desenvolver diabetes gestacional.

Sedentarismo

A falta de atividades físicas está relacionada ao diabetes, sobretudo se estiver associada a hábitos alimentares ruins, sobrepeso e outras alterações do corpo, como hipertensão.

Idade

O diabetes tipo 2 tem maiores chances de se manifestar com o envelhecimento. A partir dos 45 anos, o organismo pode, naturalmente, ficar mais resistente à insulina.

O diabetes gestacional também apresenta maior incidência com a idade, ou seja, mulheres que engravidam em idade avançada têm maiores riscos de desenvolver o quadro.

Doenças ou condições associadas ao diabetes

Entre as condições que podem favorecer o diabetes estão:

  • HDL-c baixo ou triglicérides elevados;
  • Hipertensão arterial;
  • Doença coronariana;
  • Diabetes gestacional;
  • Síndrome do ovário policístico.

Diabetes gestacional

Gestantes que sofreram com diabetes gestacional devem manter acompanhamento endócrino após o parto avaliando as taxas glicêmicas, pois pode haver riscos maiores de, futuramente, desenvolver o diabetes tipo 2.

Uso de medicamentos

Alguns medicamentos podem afetar o metabolismo da glicose, entre eles estão os corticosteroides, tiazídicos e beta-bloqueadores.

Quais os sintomas de diabetes?

No diabetes tipo 1 os sintomas geralmente se manifestam de forma mais rápida e mais agressiva, causando perda acentuada de peso, mal-estar intenso e sede exagerada.

Já no tipo 2, mesmo antes do diagnóstico alguns sinais podem indicar resistência à insulina.

Um exemplo é a acantose nigricans, que deixa a pele mais escura em regiões como pescoço, axilas e virilha.

Quanto aos sintomas gerais, são semelhantes, mas como alguns pacientes ainda continuam produzindo insulina, mesmo que de maneira insuficiente, eles costumam ser ser mais brandos.

Há, ainda, os outros tipos, como o diabetes gestacional ou o quadro de pré-diabetes, em que o paciente nem sempre percebe os sintomas, ou, quando ocorrem, podem ser bastante leves.

Entre as manifestações mais comuns do diabetes descontrolado estão:

Perda de peso

Quando o alimento é digerido e o açúcar cai na corrente sanguínea, é papel da insulina levá-lo para dentro das células para ser usado como energia.

Porém, na falta do hormônio, a glicose fica livre no sangue causando hiperglicemia. Na impossibilidade de obter energia através da glicose  o organismo precisa recorrer a outras formas de manter suas funções.

Nesse momento, inicia-se a utilização de fontes de gordura, o que gera uma queima anormal dos estoques.

Essa mudança no metabolismo, associada à perda de glicose na urina, leva ao emagrecimento rápido, mesmo que o paciente continue se alimentando até mais do que o normal.

Apetite exagerado

Os sintomas do diabetes são interrelacionados. A fome, por exemplo, é um mecanismo que o corpo usa para alertar sobre a falta de energia.

Como não tem glicose entrando nas células, o organismo entende que a falta de energia é por falta de comida.

Assim, a fome é ativada e, muitas vezes, são os alimentos ricos em carboidratos que despertam mais o apetite, criando um ciclo vicioso.

Leia mais: Alimentos ricos em carboidrato: o que comer e o que evitar?

Excesso de urina (poliúria)

Com a alta concentração de glicose circulando no sangue os rins passam a produzir mais urina, pois os componentes inadequados do sangue são eliminados por ela,  levando mais água com eles. Como há uma produção alta de urina, pode ocorrer a desidratação.

Sede em excesso (polidipsia)

Para compensar a grande eliminação de líquidos e reidratar o organismo, o paciente sente sede excessiva.

Não é difícil perceber a alteração na ingestão de água, pois mesmo alguém que raramente tomava uma garrafinha de água por dia começa a beber alguns litros de água. E, ainda assim, a sede não passa.

Cansaço e sonolência

O organismo precisa de energia para todas as atividades, que vão de uma caminhada à manutenção das funções do corpo.

Como as células não conseguem produzir energia pela falta da insulina, é frequente que o cansaço, sonolência e lentidão se manifestem.

Lembrando que o organismo também passa a degradar proteínas para conseguir energia, é possível que ocorra, ainda, uma diminuição da resistência e força muscular.

A tendência é que o paciente se canse com extrema facilidade, sobretudo nos momentos em que a glicemia está bastante alta, o que pode piorar após uma refeição, por exemplo.

Pele ressecada

Há vários mecanismos envolvidos nas alterações da pele do paciente com diabetes. Em geral, é possível notar o ressecamento do tecido, que fica sensível.

A falta de hidratação decorrente da urina excessiva, associada a outros mecanismos, favorece o aparecimento de coceira, irritação e descamação da pele.

Manchas na pele

É comum que, entre as alterações de pele, surjam manchas ou regiões escurecidas nas pregas cutâneas.

A condição, conhecida como acantose nigricans, costuma ser um marcador de resistência à insulina. O tratamento envolve mudanças de estilo de vida e o manejo do diabetes.

Formigamentos e dores

A circulação sanguínea é bastante afetada com os altos índices de açúcar circulantes. Quando os vasos sanguíneos das pernas e dos pés sofrem com a contração e rigidez, a má circulação se instala, comprometendo também os nervos periféricos.

Como consequência, é comum ocorrer dor, sensação de pernas pesadas, câimbras e formigamentos sem um motivo aparente.

Mudanças de humor e irritabilidade

As alterações de humor podem ser bem intensas quando a glicemia não está controlada, e isso inclui mudanças bruscas em poucas horas.

Por exemplo, uma queda acentuada na glicemia pode gerar um quadro de irritabilidade bastante característico.

Outra situação é quando a glicemia sobe muito após uma refeição – por falta de tratamento adequado – provocando cansaço e desânimo.

Cheiro de acetona

Em geral, o hálito cetônico é mais percebido pelas pessoas próximas do que pelo paciente. A condição é mais comum nos casos de diabetes tipo 1 descompensado, onde há níveis  elevados de açúcar no sangue por longos períodos.

Na cetoacidose diabética, quadro grave de descontrole da doença, percebe-se um hálito muito semelhante ao odor da acetona, geralmente percebido quando o paciente fala ou respira.

Lesões que não cicatrizam

Perceber pequenas feridas, cortes ou mesmo arranhões que não cicatrizam podem ser um sinal do açúcar alto no sangue.

Com o sistema de defesa fragilizado, mesmo pequenas lesões podem levar semanas para melhorar e, em alguns casos, podem funcionar como porta de entrada para um infecção.

Outros sintomas

Além dos sintomas e sinais mais característicos do diabetes — emagrecimento, fome excessiva, muita sede e excesso de urina — há uma série de outros sinais que podem indicar insuficiência do pâncreas.

Por exemplo:

  • Dor de cabeça;
  • Vômitos;
  • Alteração da visão;
  • Inflamações frequentes.

Hiperglicemia e hipoglicemia

Hiperglicemia e hipoglicemia são termos que se referem à elevação do açúcar no sangue e à baixa do açúcar no sangue, respectivamente.

É importante destacar que, mesmo iniciado o tratamento de diabetes, o paciente precisa manter um controle constante da glicemia e das dosagens de medicamentos, sobretudo se for utilizada insulina.

Ainda assim — mesmo com dieta, atividades físicas e medicação regulados — podem ocorrer episódios de descompensação glicêmica.

Em geral, infecções, estresse, mudanças de alimentação, ciclo menstrual, ansiedade e outros fatores podem impactar no controle.

O valor ideal das taxas de glicemia devem ser individualizados de acordo, por exemplo, com a faixa etárias e problema clínicos associados.  

Em geral, recomenda-se que a glicemia fique entre 70mg/dL e 100mg/dL em jejum, ou até 140mg/dL 2 horas após alguma refeição.

Dentro dessa média, o paciente se sente bem. Mas basta pular uma refeição ou exagerar em outra — sem a devida correção com insulina, quando necessário — para que os sintomas se manifestem.

Abaixo de 70mg/dl, em geral, os pacientes já começam a ter sintomas característicos, como:

  • Suor frio;
  • Tremores;
  • Sensações de desmaio;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de concentração;
  • Dificuldade em falar;
  • Fome;
  • Calor;
  • Palidez.

Lembrando que, se não for corrigida, a tendência é que a glicemia continue caindo, o que representa riscos de convulsão e morte.

Nesses casos deve-se, preferencialmente, ingerir alguma bebida doce seguida de um lanche mais completo. Ou, quando disponível em casos mais graves, aplicar a injeção de glucagon, para que os níveis se restabeleçam e os sintomas passem.

Já a hiperglicemia, sobretudo acima de 180mg/dl, costuma manifestar sinais clássicos da diabetes, como:

  • Dor de cabeça;
  • Sono;
  • Cansaço;
  • Sede;
  • Urina em excesso;
  • Visão embaçada.

Nesses casos, é necessário corrigir as taxas com medicação adequada, de acordo com o tipo da diabetes e a orientação médica.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de diabetes pode ser realizado pelo clínico geral ou pelo endocrinologista.

Nem sempre é simples levantar suspeita da doença, pois muitos pacientes apresentam sinais e sintomas muito brandos — e esse é um dos motivos que faz com que até metade das pessoas com diabetes ainda não saiba que tem a doença.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, há 3 exames utilizados para o  diagnóstico da doença. Mesmo que não haja sintomas, o diagnóstico é definido por alterações específicas nos exames.

Glicemia em jejum

A glicemia em jejum consiste em um exame de sangue comum que irá medir a taxa de açúcar no sangue no momento da coleta.

O paciente deve coletar uma amostra de sangue, geralmente, com jejum de 8 a 12 horas.

Para a Sociedade Brasileira de Diabetes, valores acima de 126mg/dL confirmam o diagnóstico de diabetes. Se o paciente for assintomático, o diagnóstico deve ser confirmado com a coleta de uma segunda amostra.

Hemoglobina glicada (HbA1c)

O exame é feito por meio da coleta de sangue comum, com jejum de pelo menos 8 horas. Mas, diferente da glicemia em jejum, a hemoglobina glicada faz uma média glicêmica dos últimos meses (entre 2 e 3 meses).

A hemoglobina é uma proteína localizada nos glóbulos vermelhos (células do sangue), que se liga à glicose.

Em média, esses glóbulos, chamados de hemácias, vivem por cerca de 90 dias e, nesse tempo, a hemoglobina se liga ao açúcar. Se houver elevação do açúcar no sangue, vai ocorrer um aumento nos níveis de hemoglobina glicada.

É importante que tanto a glicemia em jejum como a hemoglobina glicada sejam dosadas, principalmente para o monitoramento da doença, pois são complementares.

Para fechar o diagnóstico de diabetes, o resultado deve ser igual ou maior do 6,5%. Se o exame é alterado e o paciente assintomático, uma nova coleta deve ser realizada para confirmação.

Curva glicêmica (TOTG)

Normalmente, o TOTG é solicitado quando os exames de sangue apresentaram variações indicando a possibilidade de diabetes. É indicado quando glicemia de jejum é maior que 99mg/dl, porém menor que 126mg/dl.

O teste de curva glicêmica consiste na coleta de sangue em jejum, seguida da ingestão de 75g de glicose líquida.

O exame é, em geral, simples, mas é principalmente a ingestão da glicose que o torna mais complicado. Pois é preciso ingerir uma pequena garrafa de um líquido extremamente doce em jejum.

Após 120 minutos da ingestão (2 horas), o paciente precisa realizar outra coleta de sangue. Por isso, é preciso que ele permaneça em repouso no laboratório.

A nova coleta vai avaliar qual foi a variação da glicemia gerada pela quantidade controlada de glicose ingerida.

Acima de 200mg/dL, o resultado fecha o diagnóstico da doença, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes.

Valores de referência

Os valores de referência são os mesmos para o diagnóstico de qualquer tipo de diabetes, e é sempre recomendável a realização do exame de curva glicêmica se os níveis de glicose de jejum estiverem entre 99 e 126mg/dl.

Tendo qualquer exame alterado junto com quadro sintomático, o paciente já é considerado diagnosticado. Caso não haja sintomas, é necessária a confirmação pela repetição de exames.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, os valores de referência são:

Glicemia em jejum

  • Sem diabetes: abaixo de 100mg/dL;
  • Pré-diabetes ou risco aumentado: entre 100mg/dL e 126mg/dL;
  • Diabetes tipo 1 ou 2: acima de 126mg/dL.

Curva glicêmica (ou glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose)

  • Sem diabetes: até 140mg/dL;
  • Pré-diabetes ou riscos aumentado: entre 140mg/dL e 200mg/dL;
  • Diabetes tipo 1 ou 2: acima de 200mg/dL.

Hemoglobina glicada

  • Sem diabetes: abaixo de 5,7%;
  • Pré-diabetes ou riscos aumentado: entre 5,7% e 6,5%;
  • Diabetes tipo 1 ou 2: 6,5% ou mais.

Tem cura?

Não. Há diversas formas de tratamento e acompanhamento, mas do ponto de vista clínico, o diabetes não pode ser curado.

Em geral, pacientes com o tipo 1 vão precisar de aplicações diárias de insulina por toda a vida.

O tipo 2 é o que mais gera dúvidas em relação à cura. Alguns pacientes conseguem estabilizar as taxas glicêmicas apenas com dieta e exercícios, chegando a valores normais.

Nesses casos se pode dizer que a doença está em remissão.

No entanto a doença pode voltar a manifestar-se a qualquer momento, e, por isso, mesmo nesses casos, monitoramento em longo prazo é fundamental.

Mas vale destacar que, mesmo que não haja necessidade do uso de medicamentos, o quadro não é considerado curado.

Qual o tratamento?

O tratamento do diabetes consiste em uma série de mudanças alimentares e comportamentais. O tipo 1, predominantemente, necessita de insulina diária, já o tipo 2 pode, em alguns casos, ser regulado apenas com o controle rigoroso da dieta, pelo menos nas fases iniciais.

O tratamento do diabetes é considerado multidisciplinar, já que envolve acompanhamento não só pelo endocrinologista, mas também pelo oftalmologista, cardiologista e nefrologista,  conforme necessário. Mudanças de comportamento são fundamentais, incluindo:

Controle alimentar

Os cuidados com a alimentação devem fazer parte da vida de todas as pessoas. É importante saber que controle alimentar não é fazer dieta restritiva, e sim ter consciência do que faz parte da rotina.

Todo paciente que inicia o tratamento para diabetes deve ser acompanhado por nutricionistas que vão indicar escolhas e trocas alimentares mais saudáveis.

Muita gente acha que quem tem diabetes não pode comer mais nada de doce. Mas é possível ter uma alimentação diversificada se for feita de modo equilibrado.

Além disso, tem muita comida salgada que gera alterações glicêmicas maiores do que aquele docinho.

É importante saber o que são carboidratos e açúcares simples, mas também o que são proteínas e gorduras, que afetam diretamente a absorção dos açúcares.

No geral, aquelas trocas simples são recomendadas, como substituir o açúcar do café pelo adoçante, preferir alimentos menos doces no dia a dia e optar por cereais integrais.

Pacientes com o tipo 2, em geral, são orientados a planejar a alimentação para reduzir o peso.

Mesmo que nem sempre seja possível entrar no IMC ideal, a Sociedade Brasileira de Diabetes indica que reduzir entre 10% e 15% do peso já representa uma grande mudança na qualidade de vida e reduz a resistência à insulina.

Para o tipo 1, a contagem de carboidratos é fundamental e tem se mostrado um método muito seguro e eficaz no controle glicêmico.

Além de proporcionar melhores resultados no ajuste de insulina, fazer a contagem garante que a alimentação do paciente possa ser mais prazerosa e variada.

Exercícios físicos

As atividades são fundamentais para a saúde em geral e são especialmente importantes para quem tem diabetes.

Praticar exercícios auxilia na manutenção do peso, no controle glicêmico, na circulação sanguínea e faz bem para todo o corpo.

É importante que as atividades sejam parte da rotina e sempre acompanhadas por um profissional de educação física.

Além disso, pacientes que vão iniciar as atividades devem ficar sempre atentos às variações da glicemia, pois tanto durante a prática como até mesmo muitas horas depois, podem ocorrer quadros de hipoglicemia.

Também é sempre importante conversar com o médico e encontrar atividades que se ajustem às necessidades de cada paciente.

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Além de auxiliar no controle da glicemia, as atividades auxiliam na redução da gordura corporal. Em geral, perder alguns quilinhos de maneira saudável diminui a resistência à insulina (também no tipo 1, mas especialmente no tipo 2).

Controle e medição da glicemia

O glicosímetro é um aparelho pequeno, portátil e fundamental para quem tem diabetes, seja do tipo 1 ou 2.

Isso porque ele permite que o paciente realize a medição do açúcar no sangue em qualquer hora do dia, facilitando o controle e a correção medicamentosa.

É necessário apenas uma gota de sangue e o valor da glicemia é mostrado em até 20 segundos, sendo que há aparelhos que demoram apenas 5.

Normalmente o médico solicita um cronograma de medições que, sobretudo no tipo 1, deve ser feita antes da alimentação (para auxiliar na contagem de insulina), e 2 horas após as refeições.

Fazendo as anotações, o médico consegue avaliar a necessidade de ajustar doses ou alterar medicamentos.

O glicosímetro também é fundamental para confirmar casos de hipoglicemia ou outro mal-estar, que também pode ser um episódio de hiperglicemia.

Além disso, atualmente existem medidores contínuos de glicemia. Eles são como pequenos adesivos colocados sobre a pele, geralmente no braço, e basta aproximar o medidor desse sensor para que o valor da glicemia seja medido.

A vantagem é evitar as picadas constantes nos dedos, facilitando o controle e melhorando a qualidade de vida.

Medicamentos

Alguns pacientes com diabetes tipo 2 podem necessitar de uso de medicamentos que, na maioria das vezes, são orais (comprimidos). No entanto, o tipo 2 também pode necessitar, em alguns casos, de aplicações de insulina ou outros medicamentos injetáveis.

Já pacientes com o tipo 1 são considerados insulinodependentes, pois nesses casos, os medicamentos orais não surtem efeito e a opção para controle da doença é somente por meio da insulina subcutânea.

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Bomba de infusão de insulina

A bomba de infusão de insulina é um aprimoramento da insulina injetável. Ela é apenas uma outra forma de realizar as injeções, evitando as picadas constantes no paciente.

O aparelho é consideravelmente pequeno, mas bastante eficaz no controle e na qualidade de vida.

Com um tamanho semelhante ao de um celular, a bomba fica ligada ao corpo e libera microdoses de insulina durante todo o dia.

Como o aparelho é capaz de fornecer o medicamento constantemente, as variações de glicemia ficam menores, reduz-se as hipoglicemias, e também diminuem as picadas, aproximando-se mais do que acontece quando o pâncreas funciona normalmente.

Em relação às seringas e canetas de aplicação, a bomba ainda oferece vantagens na hora de liberar as doses. Enquanto a menor dose de uma caneta é de 0,5 (meia unidade), a bomba é capaz de liberar 0,1 unidade, o que é bastante eficaz para otimizar o controle.

Caneta ou agulha?

Agulhas e seringas são utilizadas para a aplicação de insulina. Com o tempo, novas opções que facilitam a aplicação e armazenamento chegaram aos pacientes.

Canetas são acessórios para injetar a insulina. Elas se assemelham a uma caneta e podem ser descartáveis ou permanentes.

As descartáveis são usadas até o fim da insulina e, depois, jogadas fora, pois não podem ser reutilizadas. Já as permanentes funcionam com refil de insulina e não descartam o equipamento.

A vantagem, em comparação com as seringas, é que fica mais fácil ajustar a dosagem e carregar o medicamento.

Independente do equipamento de aplicação, não demora muito para que o paciente comece a realizar as próprias aplicações.

Isso ocorre porque a insulina é injetada no subcutâneo — localizado logo abaixo da pele e compreende uma camada de gordura —, o que significa que é uma aplicação superficial.

As agulhas são bastante finas e há comprimentos variáveis. Por isso, crianças e pessoas muito magras podem usar agulhas ainda mais curtas.

Como são feitas diversas aplicações (normalmente, mais do que 1 por dia), é recomendável que o paciente altere o local e evite aplicar com frequência na mesma região, pois isso pode gerar lipohipertrofia.

A condição ocorre quando pequenos nódulos se formam em decorrência do acúmulo de gordura em locais de aplicação frequente e pode afetar a absorção da insulina.

Por isso, é importante fazer o chamado rodízio de aplicação, evitando repetir o local por alguns dias.

Não dá para determinar qual região dói menos, pois a sensibilidade depende do paciente, mas a aplicação pode ser feita naquelas partes do corpo mais gordinhas, como:

  • Abdômen (cerca de 2 a 3 dedos de distância do umbigo);
  • Coxa (parte lateral externa);
  • Cintura (parte próxima ao osso do quadril);
  • Glúteos (parte superior externa);
  • Braço (região superior externa).

Medicamentos antidiabéticos

Antidiabéticos são, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, substâncias que têm o objetivo de baixar a glicemia e mantê-la nos índices considerados normais – ou seja, abaixo de 100mg/dL em jejum e até 140mg/dL após comer.

Os medicamentos orais (comprimidos) podem ser divididos de acordo com o mecanismo de ação, que são:

Aumentam a secreção de insulina

As substâncias agem estimulando a secreção de insulina pelas células do pâncreas e são, em geral, indicadas para pacientes que não são obesos, ou, nos obesos, quando a glicemia não obteve bom controle com outros medicamentos e dieta.

Em geral, os mais comuns são:

Inibidores de alfa-glicosidase

Os medicamentos inibidores da alfa-glicosidase interferem no processo de digestão dos carboidratos e fazem com que esse nutriente seja absorvido mais lentamente, o que resulta em um controle melhor da glicemia.

Um dos mais comuns é a Acarbose.

Sensibilizadores de insulina

As substâncias agem diminuindo a resistência à insulina e, por isso, melhoram a ação dela.

A metformina

é um dos tratamentos mais conhecidos atualmente, sendo considerada bastante eficaz e com bons resultados, reduzindo a produção de glicose no fígado e melhorando a captação muscular da glicose.

No entanto, há cuidados no uso e contraindicação em casos de gravidez, insuficiência renal, hepática, cardíaca e pulmonar.

As tiazolidinedionasou glitazonas, são consideradas uma classe de medicamentos antidiabéticos mais recente. O mecanismo de ação é por meio do aumento da sensibilidade à insulina no músculo e na gordura, além de diminuir a produção de glicose no fígado.

Inibidores do SGLT-2, ou glifozinas

Agem através da redução da reabsorção e aumento da perda de glicose através dos rins, além de outros efeitos vasculares. Costumam promover perda de peso associada.

Inibidores da DPP-4, ou gliptinas

Favorecem a ação do hormônio GLP-1 , que estimula a liberação de insulina após as refeições, reduzindo os níveis de glicose sanguínea.

Análogos do GLP-1

Imitam a ação do hormônio natural, GLP-1. Reduzem a glicemia por estimular a liberação de insulina quando os níveis glicêmicos sobem.

O uso é injetável, subcutâneo. A perda de peso é comum no uso dessa classe terapêutica.

Insulina

Atualmente, há diversas insulinas disponíveis para o tratamento. Normalmente, elas se diferenciam pelo tempo de ação no corpo.

Lembrando que, em geral, é bastante comum que seja utilizado mais de um tipo de insulina diariamente.

Há as chamadas insulinas humanas, que são a NPH e a Regular. Ambas são produzidas a partir de técnicas de DNA recombinante.

Trata-se de substâncias mais antigas, porém não menos eficazes quando comparadas aos novos medicamentos, chamados de insulinas análogas.

As diferenças entre elas são o tempo de ação e o risco de hipoglicemia, por exemplo.

As análogas são produzidas a partir da insulina humana, mas sofrem modificação para terem efeito mais longo ou mais curto.

Entre as opções de ação rápida (efeito entre 5 e 20 minutos após a aplicação, com ação por até 2 horas) estão: Lispro (Humalog), Asparte (como Novomix e Novorapid) , Glulisina (Aprida).

Já entre as com ação lenta ou prolongada estão Glargina (como Lantus e Basaglar), Detemir (Levemir) e Degludeca (Trebisa).

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Diabetes no SUS: tratamento gratuito

De acordo com a Lei Nº 11.347, em vigor desde 2006, os pacientes com diabetes têm direito de receber gratuitamente, pelo SUS, os medicamentos e insumos para o tratamento.

Ou seja, insulina, agulhas, lancetas, medidores (glicosímetro), fitas de teste são fornecidos, de acordo com a indicação médica, aos pacientes.

Na listagem de medicamentos ofertados pelo SUS constam as insulinas NPH e Regular.

Pacientes que fazem uso de outros medicamentos, como a Glargina ou a Asparte, e necessitam de auxílio para o tratamento, podem entrar com recurso diretamente na Secretaria de Saúde de cada Estado.

Para iniciar o processo, devem ser incluídos a receita, os exames específicos e cópias de documentos, de acordo com a orientação do médico.

Vale lembrar que é direito do paciente ter acesso à medicação adequada e que promova melhor condição de tratamento.

Todos os procedimentos — pelo SUS ou pelo Estado — devem ser indicados pelo órgão responsável e pelo médico que acompanha o paciente.

Convivendo: dicas para controlar a diabetes

Com o tratamento adequado e acompanhamento médico constante, é possível ter uma boa qualidade de vida após o diagnóstico de diabetes.

Diferente de algumas doenças com tratamento pontual, a diabetes é uma condição diária, que exige manutenção em longo prazo.

Isso significa que não basta acertar a dose do medicamento e não esquecer de tomá-lo — seja o comprimido ou a insulina.

As dicas para conviver bem com a doença incluem dar atenção à saúde em geral, prezar pelas atividades físicas, manter o foco na alimentação, encontrar formas de lidar bem com a rotina e cuidar da saúde mental.

Além disso, as dúvidas são frequentes, sobretudo quando o diagnóstico é recente. Por isso, contar com o auxílio profissional é fundamental.

Abaixo, algumas dúvidas importantes são esclarecidas e podem ajudar os pacientes a ter uma convivência mais harmônica com o diabetes:

Fique atento às tabelas nutricionais

Há uma série de alimentos e produtos chamados de Diet, que são, em geral, reduzidos de açúcares ou outros nutrientes. No entanto, é mais importante observar a embalagem e avaliar os benefícios da troca.

Nem sempre aquele doce diet tem, de fato, muito menos carboidrato comparado com a versão tradicional. Além disso, mesmo sendo sem adição de açúcares, você precisa moderar na ingestão do produto.

Em geral, o ideal é reduzir as fontes de carboidratos e açúcares. Trocar o açúcar pelo adoçante, por exemplo, é uma opção indicada para a maioria dos pacientes.

Carregue o glicosímetro e a insulina

Sim. Por mais regulada que seja a glicemia, imprevistos acontecem e, a cada dia, o organismo reage de uma maneira diferente.

Isso significa que mesmo mantendo a alimentação nos horários certos e fazendo o uso certo da medicação, podem ocorrer episódios de hipo ou hiperglicemia.

Então, é necessário sempre ter o medidor por perto e as insulinas também.

Identifique-se

Avisar parentes, amigos e colegas sobre o diabetes é a maneira mais segura para que, em caso de emergência, as medidas corretas sejam tomadas rapidamente.

É importante que as pessoas mais próximas saibam como agir em casos de hiperglicemia ou hipoglicemia.

Mas nem sempre há pessoas conhecidas por perto. Por isso, carregar cartões de identificação, com telefones de emergência pode ser uma medida simples e eficaz.

Leia mais: Tatuagem do bem faz alerta para doenças e esconde cicatrizes

Crianças pequenas podem usar pulseiras de identificação, sobretudo durante a prática de atividades físicas ou no ambiente escolar.

Faça atividades físicas

Escolher um exercício agradável é fundamental para auxiliar no controle do diabetes.

Não importa exatamente se você vai andar de bicicleta ou investir no pilates, o importante é movimentar o corpo.

Além de ser fundamental para regular os índices de glicemia, as atividades auxiliam a reduzir o peso (o que melhora o controle glicêmico) e promovem melhorias ao bem-estar emocional.

Conheça o modo que o seu corpo reage a cada atividade. Por exemplo, a musculação, o basquete ou aquela aula de dança podem provocar diferentes reações na glicemia.

Isso é importante especialmente no diabetes insulinodependente, onde cada indivíduo tem uma resposta glicêmica variável ao exercício.

Essa variabilidade deve ser levada em consideração ao recomendar o tipo e a duração do exercício para cada paciente.

Na ausência de restrições, os pacientes com diabetes tipo 2 devem ser encorajados a fazer pelo menos duas sessões semanais de exercício resistido (musculação), alternando com exercícios aeróbicos nos outros dias, pois assim se consegue os melhores resultados.

Atividades aeróbicas como correr ou nadar podem fazer a glicemia cair durante a aula. Por isso, às vezes é necessário ajustar as doses do medicamento e reforçar a alimentação.

Com o controle correto e o acompanhamento constante, os exercícios só trazem benefícios.

Carregue um docinho

Não há hora e nem lugar para a glicemia baixar, por isso, ter algo doce por perto é sempre fundamental.

O mais indicado é que, durante a queda glicêmica, sejam ingeridos líquidos doces de rápida absorção, como sucos, refrigerante ou água com açúcar.

Porém, se nem sempre puder carregar uma bebida, há sachês de glicose vendidos em farmácias e lojas de suplemento, que são práticos de consumir e armazenar.

Reduza o estresse

As alterações glicêmicas podem estar bastante relacionadas com o estresse e a ansiedade. Por isso, dar atenção à saúde emocional é fundamental.

Pacientes com diabetes têm maiores chances de sofrer com depressão e transtornos alimentares, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes.

Por isso, além de pensar no controle da doença, dar atenção à saúde é, também, cuidar do bem-estar mental.

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Não fume

A dica serve para todas as pessoas, mas ficar longe do cigarro é extremamente importante para quem tem diabetes.

É importante lembrar que a doença pode prejudicar a circulação e, com o cigarro, os danos aos vasos sanguíneos são ainda mais graves.

Além disso, fumar eleva os riscos do paciente sofrer com hipertensão, condição comum em pacientes com diabetes tipo 2.

Cuide da saúde bucal

Pacientes com diabetes tendem a ter problemas dentários mais facilmente. Isso porque a taxa alta de açúcar no sangue faz com que a boca seja um local de fácil proliferação de bactérias nocivas à estrutura dentária.

O ideal é, portanto, manter hábitos adequados de higiene e consultar regularmente um dentista.

Dê atenção às feridas e machucados

Pequenos cortes, feridas e até arranhões podem ser um problema para o paciente que não tem os níveis de glicemia bem controlados.

Como a circulação sanguínea é prejudicada no paciente com diabetes, a cicatrização é lenta e qualquer possível entrada de bactérias pode se tornar uma infecção.

Por isso, tratamentos estéticos que necessitem de aplicações, cortes ou uso compartilhado de acessórios (por exemplo, fazer as cutículas) devem sempre ter liberação médica.

É importante sempre avisar os profissionais sobre a condição. Você pode, por exemplo, levar seus acessórios de cutícula. Isso reduz os riscos de infecção caso haja um pequeno ferimento.

Dieta para diabéticos e dicas de alimentação

Receber o diagnóstico de diabetes, seja o tipo 1 ou 2, não é uma sentença alimentar. O paciente precisa rever os hábitos e dar mais atenção às refeições, mas isso não significa abandonar todas as comidas gostosas.

É preciso, antes de tudo, passar por um nutricionista que, junto ao endocrinologista, irá adaptar a rotina para as necessidades e bem-estar do paciente.

No geral, há algumas dicas que podem facilitar no planejamento e na adaptação ao tratamento, mas que são adequadas para todas as pessoas.

Inclua alimentos naturais

Preferir o consumo de alimentos crus, cozidos ou grelhados, e evitar frituras garante que os produtos mantenham as propriedades nutricionais e não sejam acrescidos de calorias ou gorduras.

Consumir menos carboidratos ou investir nos grãos e cereais integrais faz com que os níveis de glicemia se alterem menos, seja no tipo 1 ou 2 de diabetes.

Cuidado com as frutas e sucos

Incluir frutas é importante, mas é preciso estar atento ao nível glicêmico delas. O ideal é optar pelo consumo das frutas inteiras, preferencialmente com casca (pois ela contém bastante fibra, auxiliando a reduzir picos de glicemia).

Leia mais: Por que devemos comer fibras e qual a quantidade diária ideal

Os sucos naturais são boas formas de ingerir frutas, mas é preciso atenção.

Por exemplo, são necessárias 3 laranjas ou mais para um copo de suco. O que pode parecer saudável se torna, então, uma fonte alta de carboidratos.

Como se usa somente o suco da fruta, as fibras contidas no bagaço ou casca das frutas são perdidas, fazendo com que o valor nutricional seja também reduzido.

Além disso, bebidas são digeridas rapidamente, fazendo com que a glicemia suba imediatamente.

Mas para quem gosta da bebida natural, dá para consumi-la com moderação. Algumas dicas podem ser incluir as cascas da fruta e adicionar folhas (como a couve), que ajudam a reduzir a velocidade de absorção.

Também é indicado preferir aquelas frutas com menos carboidratos, como morango e limão.

Estabeleça horários para comer

Cada pessoa tem um ritmo alimentar e os tratamentos de diabetes buscam possibilitar que o paciente esteja cada vez mais confortável com a rotina de cuidados.

O ideal é não passar longas horas sem comer, pois se reduz o risco de hipoglicemia e se torna mais fácil manter o controle da ação da insulina.

A dica mais importante é respeitar os horários de alimentação para que o uso dos medicamentos possa ser ajustado de acordo com as necessidades.

Conte carboidratos

Entre os apontamentos nutricionais para o diabetes, a contagem de carboidratos é um dos mais relevantes e com melhores resultados — tanto no controle da glicemia quanto na satisfação alimentar.

Contar carboidratos é bem simples e se assemelha à contagem de calorias, feita em dietas de emagrecimento, por exemplo.

O mais indicado é conversar com um nutricionista ou educador em diabetes para que, junto do paciente e do endocrinologista, seja observada a rotina do paciente e ajustada a alimentação.

Vale destacar que o principal aspecto da contagem é justamente permitir que a pessoa possa diversificar a alimentação, fazendo trocas ou até incluindo um docinho a mais em ocasiões especiais, sem que isso afete no controle da glicemia.

O paciente pode consultar as tabelas alimentares, na parte de trás das embalagens, consultar listas online de alimentos ou, ainda, contar com aplicativos que auxiliam na contagem e conversão.

Prognóstico

Após o diagnóstico, se o tratamento for realizado corretamente, o prognóstico é bom, apesar de não haver cura para a doença.

No entanto, o controle inadequado das taxas glicêmicas pode resultar em complicações irreversíveis.

Em geral, a doença cardiovascular é a principal causa de morte para pacientes com diabetes.

Pesquisas apontam que, entre pacientes do tipo 1 que receberam o diagnóstico antes dos 15 anos, as complicações agudas do diabetes foram a principal causa de morte até os 30 anos.

Após os 30 anos de idade, a doença cardiovascular é predominante, embora a mortalidade atribuível a complicações agudas ainda seja importante nessa faixa etária.

Estudos apontam que fazer um controle mais rigoroso da glicemia em qualquer fase da doença, independente do tempo de diagnóstico, costuma trazer efeitos benéficos.

Ou seja, pacientes que cuidam mais do tratamento têm, nos próximos anos, menor risco de sofrer complicações da doença.

Importante lembrar que o tratamento intensivo pode trazer mais riscos que benefícios, por exemplo, para os pacientes mais idosos. Por isso, os objetivos do tratamento devem ser avaliados caso a caso.

Outros fatores associados ao diabetes tipo 2 também merecem atenção, já que a presença de outros fatores de risco, como obesidade, hipertensão e sedentarismo, aumenta as chances de complicações e morte prematura.

A falta de tratamento correto pode implicar em danos severos à saúde e integridade do organismo.

Complicações

As mais comuns e mais associados à perda da qualidade de vida são:

Doença renal

O diabetes mal controlado pode trazer complicações e danos aos rins.

Esses órgãos são responsáveis pela limpeza do sangue, funcionando como um filtro que remove resíduos do organismo e os conduz para que sejam eliminados pela urina.

Porém, quando a glicemia é mal controlada, os rins acabam sofrendo alterações significativas. Isso os deixa sobrecarregados e faz com que substâncias importantes sejam eliminadas incorretamente, como pode ocorrer com as proteínas.

Quando isso acontece, a condição inicial é chamada de microalbuminúria, que pode se agravar e evoluir à proteinúria, considerada uma fase mais avançada da doença.

Sem o correto tratamento, os rins vão, aos poucos, perdendo a capacidade de ação, fazendo com que os resíduos do sangue se acumulem, podendo levar à necessidade de hemodiálise.

Ressecamento e calos

A pele é bastante afetada por conta do diabetes. Isso ocorre devido aos danos aos microvasos e nervos responsáveis pela hidratação e oleosidade da pele, fazendo com que haja ressecamento do tecido, facilitando o surgimento das rachaduras e feridas.

A Sociedade Brasileira de Diabetes ainda alerta para a facilidade de surgimento de lesões nos pés, muitas vezes sem causar dor, o que as faz passar despercebidas.

Somado à má cicatrização, pequenas lesões podem se tornar úlceras, que são feridas abertas. Nesses casos pode haver infecção secundária e graves complicações.

Amputação de membros

O diabetes é uma condição que favorece a redução do fluxo de sangue para os pés. Aos poucos, a falta de atenção ao tratamento, e a própria evolução progressiva da doença, pode ocasionar a redução da sensibilidade nos membros.

Juntos, esses fatores favorecem com que pequenas lesões ou machucados se tornem feridas que demoram a cicatrizar.

Casos de descontrole intenso, principalmente se associado ao tabagismo, podem levar à necessidade de amputação de extensão variável devido às complicações da lesão.

Glaucoma

Quem tem diabetes sofre com até 40% mais chances de desenvolver uma pressão elevada nos olhos, chamada de glaucoma.

O tempo de diagnóstico do diabetes está diretamente relacionado com a possibilidade da doença, que faz com que, aos poucos, ocorra perda gradual da visão por danos ao nervo óptico.

Catarata

Pacientes com diabetes têm uma chance até 60% maior de desenvolver a catarata, que é caracterizada pela alteração de uma camada do globo ocular, chamada de cristalino.

A alteração gera uma espécie de opacidade, fazendo com que a luz não consiga penetrar na estrutura ocular o que, consequentemente, prejudica a visão.

Retinopatia diabética

O termo é utilizado para referir-se a todas as condições e alterações que comprometem a retina, causadas pelo diabetes. Nesses casos, vasos capilares (pequenos vasos sanguíneos) incham, vazam ou se fecham completamente.  

Os mais comuns são do tipo não-proliferativo. O edema macular pode estar presente em todos os estágios da retinopatia diabética, sendo a causa mais comum de perda de visão na retinopatia diabética não proliferativa.

Mas há, ainda, o tipo proliferativo, que é considerado um grau mais avançado da retinopatia. Nesses casos, os vasos sanguíneos não são capazes de levar oxigênio à retina devido à completa obstrução.

O corpo tenta retomar a oxigenação da retina por meio de novos vasos, mas que são frágeis e, às vezes, podem se romper.

Nesse caso, ocorre uma hemorragia vítrea. Podem surgir cicatrizes na região, fazendo com que a visão seja bastante afetada e distorcida, o que pode resultar também no glaucoma.

Neuropatia diabética

O diabetes mal controlado pode gerar sérios danos aos nervos e à circulação, sobretudo nos pés e pernas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o diabetes é a causa mais comum de neuropatia periférica, sendo uma condição altamente incapacitante.

Quando ocorre, a condição pode gerar dor contínua, alteração da percepção (como ardência, queimação ou formigamento), dor exagerada aos estímulos (por exemplo, ao bater de leve uma parte do corpo ou apenas tocar nela, surge uma dor intensa).

Além disso, a redução da sensibilidade pode ter um outro agravante: a dificuldade em perceber lesões.

Assim, o paciente pode pisar em algum caco de vidro ou ferir o pé sem notar. Devido à dificuldade de cicatrização, pequenas lesões podem se tornar infecções graves.

Cetoacidose diabética

A cetoacidose é um quadro grave de descontrole glicêmico. Sem o uso correto da insulina ou devido ao ajuste incorreto das doses, o organismo não consegue usar adequadamente  a glicose para obter energia.

Para tentar reverter a situação, o corpo recorre à gordura estocada, convertendo-a em fonte energética.

O que pode num primeiro momento parecer uma boa alternativa, gera um acúmulo de corpos cetônicos — substâncias que afetam o pH do sangue, deixando-o ácido e afetando severamente as funções normais do organismo.

Se não tratada em caráter emergencial, a cetoacidose pode levar à morte.

Como prevenir?

O diabetes tipo 1 é uma condição autoimune, o que signifique que, até o momento, não há modos de efetivamente preveni-la.

Mas uma rotina saudável é a melhor maneira de promover mais saúde para todo o organismo e evitar complicações decorrentes da doença.

No tipo 2, essas mesmas medidas saudáveis servem como prevenção para quem ainda não está no grupo de risco, ou para quem já está com pré-diabetes.

Cuide da alimentação

Reduzir a ingestão de alimentos processados e industrializados é uma boa maneira de melhorar a alimentação.

Sempre que possível, opte por frutas, verduras e legumes crus, cozidos ou grelhados. Além disso, evite o uso de temperos prontos.

Dar atenção às refeições é um modo de trazer mais saúde para todo o corpo, além de auxiliar na redução do peso — o que pode reverter casos de pré-diabetes.

Faça atividades

Exercitar o corpo, seja na academia ou no parque, melhora a circulação sanguínea, dá mais disposição física e mental, melhora o condicionamento físico, ajuda a musculatura e facilita a redução de peso.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, bastam 20 minutos de atividade física leve ou moderada por dia, ou 10 minutos de atividade intensa, para atingir a meta ideal de exercício. E se não houver tempo, esse valor pode ser distribuído ao longo da semana.

Por isso, quem quer correr ou fazer aulas aeróbicas intensas, pode investir em 75 minutos (1h15min) por semana, mas o ideal é que mantenha sessões regulares de atividade física, dentro da rotina do dia a dia.

Quem prefere deixar o carro ou ônibus de lado, pode caminhar por 150 minutos (2h30min) ao longo da semana.

Cuide da saúde mental

Dar atenção à saúde mental e emocional é fundamental para o bem-estar e a integridade do organismo.

Ainda que possa não parecer, há uma relação bem próxima entre a mente e o diabetes tipo 2.

Algumas pessoas podem desenvolver hábitos alimentares inadequados quando estão ansiosas ou tensas, o que pode resultar em aumento de peso e, consequentemente, maiores riscos de diabetes.

Mas dar atenção à saúde mental não significa, apenas ou necessariamente, fazer terapia.

Adotar uma rotina mais leve, fazer atividades prazerosas, manter hábitos saudáveis em geral e encontrar técnicas relaxantes podem ser opções para promover o bem-estar.

Perca peso

Perder entre 5% e 10% do seu peso já é o suficiente para reduzir os riscos de desenvolver diabetes tipo 2.

Por isso, o que pode parecer difícil — emagrecer — pode ser um processo gradual e alcançável. Por exemplo, uma mulher com 80kg precisa reduzir entre 4kg e 8kg para reduzir pela metade os riscos da doença.

Então, o melhor modo de cuidar da saúde é investir em alimentação balanceada, atividades físicas e acompanhamento especializado.

Perguntas frequentes

Quem tem diabetes não pode comer açúcar?

Quem tem diabetes não pode comer açúcar?

Não é bem assim. Se há um bom controle glicêmico e moderação no consumo, pode.

Há alguns anos, não era difícil ouvir, após o diagnóstico, que o paciente não poderia — sob hipótese nenhuma — ingerir um docinho.

Em parte, o mito da alimentação restrita vem dos tratamentos mais antigos e, também, pela associação de que doces são os piores alimentos para o paciente.

A rotina alimentar deve ser bem planejada e observada, mas é fundamental manter o prazer em se alimentar. Isso significa que as refeições não devem ser ruins, chatas ou sem sabor.

Claro que, preferencialmente, o plano alimentar deve ser acompanhado e conduzido com o auxílio de um nutricionista, mas é importante saber que há recursos que possibilitam a adaptação do cardápio do paciente.

Por exemplo, contar carboidratos é uma maneira de possibilitar que os pacientes (sobretudo do tipo 1) ajustem a alimentação, façam trocas equivalentes, e ajustem os medicamentos.

Por isso, sim, é possível manter a rotina social, comer aquele chocolatinho ou montar um cardápio variado, basta ter equilíbrio e conhecimento sobre como o seu corpo funciona.

Meu exame de glicemia está acima dos 100 mg/dl. Estou com diabetes?

Não necessariamente. O exame de glicemia em jejum é um dos exames fundamentais no diagnóstico de diabetes, mas não é o único.

Além disso, há uma série de condições que podem afetar os resultados, sobretudo porque ele mede a glicemia no momento exato da coleta (ao contrário da hemoglobina glicada que faz uma média dos últimos 3 meses).

Pequenas alterações podem ser um sinal de alerta para o pré-diabetes e até para o diabetes estabelecido, mas somente a realização dos demais exames e a interpretação pelo médico podem confirmar o diagnóstico.

Comer muito açúcar causa diabetes?

Não. Apesar de ser bastante difundida, a crença de que uma das causas — ou a causa — do diabetes é o excesso de açúcar não é verdade. Ela até pode ter um fundo de verdade, mas não tem a ver com o açúcar em si.

Ocorre que quem ingere muito doce — açúcares, balas, chocolates — tem maior risco de sofrer com alterações de peso, mas não é exclusividade dos docinhos.

Pois quem detesta doce e come muita fritura ou produtos industrializados também faz parte do grupo de risco para o sobrepeso.

Então, o açúcar em excesso favorece o acúmulo de gordura, que — esse sim — está associado ao diabetes tipo 2.

Lembrando que o diabetes tipo 1, também conhecido como diabetes juvenil, está relacionado a fatores autoimunes.

Por isso, não tem nenhuma relação com a alimentação nos primeiros anos de vida, apesar de que o aleitamento materno parece ser um fator protetor.

Tem remédio natural para diabetes?

Não. Existem alimentos, chás e substâncias naturais que podem auxiliar no controle da glicemia.

Por exemplo: alimentos com alto teor de fibras, chás calmantes (que reduzem a ansiedade) ou farinhas que podem ser incluídas na alimentação e reduzir a velocidade de absorção de carboidratos.

Essas táticas podem ser consideradas remédios naturais que complementam o tratamento, podendo trazer mais benefícios ao paciente.

No entanto, eles nunca devem substituir o tratamento médico.

Posso beber álcool?

Depende. O álcool deve ser consumido moderadamente — seja na quantidade ou na frequência. Isso significa que, eventualmente, dá para participar do brinde.

Mas é preciso atenção à ação da substância, pois as oscilações glicêmicas podem ser  grandes.

Quando a ingestão de bebidas alcoólicas não puder ser evitada, deve ser feita, preferencialmente, junto com alimentos e sem abuso.

Pois, inicialmente, a bebida pode elevar a glicemia devido aos açúcares e carboidratos contidos nela. Já nas próximas horas  o álcool em excesso pode ter um efeito hipoglicêmico intenso.

Diabético pode comer tapioca?

Pode. A tapioca é uma farinha branca e, por isso, tem o índice glicêmico alto, ou seja, é rapidamente absorvida pelo organismo.

Mas, a não ser que haja recomendação médica ou nutricional, não há restrições absolutas para nenhum alimento.

Diabético pode comer batata doce?

Pode. A batata doce é, inclusive, uma boa fonte de carboidrato, pois apesar de ter uma taxa alta de carboidratos, seu índice glicêmico é baixo, fazendo com que o açúcar seja liberado lentamente na corrente sanguínea.

Posso tomar chá para diabetes?

Depende. Os chás são boas opções para hidratar o corpo e repor os líquidos. Aqueles comuns, como camomila e hortelã, em geral, não apresentam restrições.

Apesar disso, há inúmeras plantas que prometem regular as taxas de glicemia. Você já deve ter ouvido sobre alguma receita de família que vai ajudar no tratamento.

Mas a Sociedade Brasileira de Diabetes esclarece que, apesar de alguns estudos indicarem os possíveis benefícios na regulação glicêmica, faltam comprovações científicas, e ainda existe risco de descontrole metabólico.

Não há, então, nenhum chá que efetivamente trate ou controle o diabetes. Apesar de chás simples poderem ser usados junto ao tratamento, eles não devem substituir a medicação e as recomendações médicas.

Existe um cardápio para diabético?

Não. Assim como não há uma dieta para diabetes, não há um cardápio fixo ou específico.

Junto com um nutricionista e um endocrinologista, o paciente deve encontrar um equilíbrio alimentar, inserindo alimentos saudáveis no dia a dia, de modo prazeroso e satisfatório.

Para manter o controle da glicemia, alguns alimentos com alto índice glicêmico (ou seja, aqueles com carboidratos absorvidos rapidamente) devem ser reduzidos.

Há indicações de alimentos que devem estar mais presentes na rotina, como os legumes, os grãos integrais, as folhas e as carnes magras. Mas essas são opções indicadas para todas as pessoas que visam uma alimentação saudável.

Existe vacina para diabetes?

Não. A história circula pela internet, mas não há nenhuma base médica ou científica.

Existem pesquisas em andamento e, possivelmente, a história se originou de um estudo que analisou a vacina BCG no tratamento do diabetes.

A substância é usada para evitar as formas graves de tuberculose e, inicialmente, demonstrou resultados interessantes no diabetes. Mas a pesquisa ainda está em andamento.


Os cuidados com o diabetes devem ser constantes. Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), há cerca de 400 milhões de portadores no mundo.

A doença requer tratamento constante, acompanhamento médico e atenção do paciente. Além disso, não basta investir no medicamento, pois o comportamento e a consciência sobre a doença são fundamentais para que os riscos e danos sejam minimizados.

Para os especialistas, o diabetes é uma condição que exige atenção multidisciplinar — atividades físicas, alimentação e saúde emocional não podem ficar de fora das medidas terapêuticas.

Com isso, os pacientes conseguem obter melhores resultados na rotina e garantir qualidade de vida.

Para mais dicas de saúde e alimentação, fique de olho no Minuto Saudável!

Publicado originalmente em: 14/02/2019 | Última atualização: 05/06/2019

Fontes consultadas

Dra. Daniele Tokars Zaninelli (CRM 16876), especialista em endocrinologia e metabologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) e da Endocrine Society.


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10 comentários

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  1. Parabéns pela clareza da informação; estou pré-diabético, e a matéria elucida dúvidas e orienta procedimentos que a princípio parecem óbvios, mas trazem reflexão e ajudam na tomada de decisão para as mudanças de hábitos arraigados, necessárias para o controle e convivência com o diabetes. Como presido uma associação voltada aos cuidados e proteção à pessoa idosa > Assumme – Associação Para Um Mundo Melhor, que interage com mais de 150 idosos, a informação vai ajudar também no meu trabalho voluntário, e com certeza o “Minuto Saudável” vai ser uma das minhas fontes de consulta doravente. Obrigado!

  2. Melhor explicação sobre diabetes na web! Muito esclarecedor: vai contra essa ideia das pessoas que diabetes é relacionado ao consumo exagerado de açúcar e que nunca mais poderá consumi-lo. Parabéns!

  3. gostei muito do texto. Minha médica me deixou muito triste, sem esperança. Mas eu acho que a gente precisa ter força nessas horas.
    O conteúdo tá muito claro o mais completo que achei. Nunca tinha ouvido da bomba eu queria tentar. obrigada pela ajuda

  4. Boa tarde!
    Agradeço muito pelas informações colocadas aqui, mas gostaria de fazer uma correção nos subtítulos do artigo que falam de excesso de urina e excesso de sede. Os termos corretos são "poliúria" e "polidipsia" respectivamente.

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