O que é Febre Tifoide, sintomas, vacina, transmissão e tratamento

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O que é febre tifoide?

Febre tifoide é uma doença causada pela bactéria Salmonella enterica typhi, transmitida ao homem através de água e alimentos contaminados, além de contato direto com fluídos de pessoas infectadas. Pode levar à morte.

Também chamada de febre entérica, a doença corresponde ao código A01.0 na Classificação Internacional de Doenças (CID-10). O problema afeta diretamente o intestino, provocando sintomas como diarreia, vômito e inchaço abdominal.

Incomum em regiões totalmente industrializadas, atualmente, a febre tifoide é endêmica em algumas localidades do mundo, uma vez que está diretamente relacionada à condições precárias de saneamento básico. Apesar disso, o risco de contrair a doença não necessariamente aumenta em épocas de inundação.

O tratamento do problema é feito exclusivamente com a ministração de antibióticos e a reidratação do paciente, que perde muito líquido devido às crises de vômito e diarreia.

Entre as possíveis complicações do problema, quando não tratado, estão sangramento e perfuração do intestino, septicemia, disfunções neuropsicológicas e morte.

A prevenção pode ser feita através da aplicação da vacina contra a febre tifoide e de medidas simples de higiene.

A febre tifoide é uma doença de notificação compulsória. Isso significa que qualquer caso do problema deve ser notificado a secretaria de saúde de sua cidade ou estado o mais rápido possível, uma vez que a infecção pode ser um sinal de que algo está errado com o saneamento básico da região.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é febre tifoide?
  2. Febre tifoide e tifo são a mesma coisa?
  3. Causas
  4. Transmissão
  5. Febre tifoide é contagiosa?
  6. Fatores de risco
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico da febre tifoide?
  9. Febre tifoide tem cura?
  10. Tratamento
  11. Remédios para febre tifoide
  12. Prognóstico da febre tifoide
  13. Convivendo
  14. Complicações
  15. Como prevenir a febre tifoide?
  16. Qual é a diferença entre febre tifoide e paratifoide?

Febre tifoide e tifo são a mesma coisa?

Embora compartilhem nomes similares, febre tifoide e tifo são doenças bem diferentes causadas por agentes distintos.

Tifo é um termo usado como guarda-chuva abrangente de uma série de doenças causadas pelas bactérias de uma mesma família, chamadas de Rickettsia, transmitidas ao homem através de picadas de inseto.

Já a febre tifoide é um problema causado por uma bactéria totalmente diferente, chamada de Salmonella enterica typhi, que, por sua vez, é transmitida através da ingestão de água e alimentos contaminados.

Causas

A febre tifoide é uma doença causada por uma bactéria chamada Salmonella enterica typhi, popularmente conhecida como salmonela, que pertence à família Enterobacteriaceae.

Esse tipo de bactéria é conhecido pela sua capacidade de infectar certos tipos de alimentos e fontes de água, causando problemas aos seres humanos.

Essa infecção pode acontecer através do contato do solo com fezes e urina de um portador que esteja contaminado, ou quando um paciente com febre tifoide manuseia os alimentos durante o preparo sem higienizar as mãos.

Também é possível que a contaminação dos alimentos aconteça quando a água utilizada para irrigação de determinada plantação está infectada.

Em geral, a Salmonella enterica typhi pode sobreviver por dias, semanas e até meses em determinados ambientes, de acordo com a tabela abaixo:

Ambiente Sobrevida
Esgoto Em média 40 dias.
Água doce No máximo um mês, de acordo com variáveis como oxigênio, temperatura e níveis de poluição.
Água salgada De 3 a 4 semanas, dependendo dos níveis de salinidade da água, embora a contaminação de águas marinhas por salmonela seja rara.
Ostras, mariscos e moluscos em geral No máximo um mês.
Laticínios Até dois meses.

A Salmonella enterica typhi também pode contaminar carnes de boi, aves e peixes, além de ovos. No entanto, a contaminação de seres humanos através desse tipo de alimento é mais rara, já que o cozimento mata a bactéria.

Transmissão

A transmissão de febre tifoide pode acontecer de duas formas distintas. São elas:

Transmissão direta

A transmissão direta de febre tifoide através das mãos de pessoas infectadas que não as higienizem adequadamente depois de ir ao banheiro.

Pode ocorrer através do contato das mãos do doente com a boca de outra pessoa ou quando o portador manuseia alimentos que passam a estar contaminados.

O contágio também pode acontecer através do contato com certos fluídos corporais do portador, como vômito, catarro, pus, fezes e urina. Existem relatos raríssimos, também, de contaminação através de relações sexuais sem preservativos.

Transmissão indireta

A transmissão indireta é a forma mais comum de contágio por febre tifoide e ocorre através da ingestão de alimentos ou líquidos contaminados pela bactéria Salmonella enterica typhi.

Esses alimentos, por sua vez, podem ser contaminados de três formas:

  1. Através do contato do solo ou das nascentes de rios e lagos com fezes e urina de pessoas contaminadas pela bactéria causadora;
  2. Através do manuseio dos alimentos por pessoas contaminadas que não higienizam as mãos corretamente após usar o banheiro;
  3. Quando a água utilizada para irrigar plantações está contaminada.

Febre tifoide é contagiosa?

Existe a possibilidade da febre tifoide ser transmitida através do contato direto com as mãos e/ou fluídos corporais de pacientes contaminados.

No entanto, o modo de transmissão mais comum é através da ingestão de alimentos e líquidos infectados.

Fatores de risco

O maior fator de risco para febre tifoide é regional. Os casos em localidades como Canadá, Estados Unidos, Austrália, Japão e países da Europa ocidental são raros.

As contaminações são mais frequentes em locais como África, Ásia, Caribe, América Central e do Sul. Por isso, o fator de risco mais significativo é morar em países dessas regiões ou viajar para lá.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa flutua entre 12 e 33 milhões de casos de febre tifoide por ano, sendo que a maior parte deles ocorre no sul da Ásia e no continente africano.

O Brasil é considerado um país que apresenta risco de contaminação por febre tifoide de forma endêmica, isto é, que ocorre eventualmente, em determinadas regiões.

Todas as regiões brasileiras apresentam registros de casos de febre tifoide anualmente. De acordo com dados do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE), entre 2010 e 2013, foram registrados exatamente 502 episódios da doença no país, sendo a maior parte deles na região norte. A distribuição nesse período ocorreu de acordo com a tabela abaixo:

Região Número de casos Porcentagem
Norte 301 60%
Nordeste 153 30,5%
Sudeste 31 6,2%
Sul 12 2,5%
Centro-Oeste 5 0,7%

Essa regionalidade, contudo, é totalmente circunstancial: o contágio por febre tifoide está intimamente ligado a condições precárias de saneamento básico.

Por isso, quanto mais industrializadas e fiscalizadas determinadas cidades e regiões longe de capitais e grandes centros urbanos forem, menores os riscos de infecção por salmonela.

Outros fatores de risco são:

Morar em regiões com problemas de saneamento básico

Saneamento básico é um conjunto de medidas que garantem a salubridade do meio ambiente, proporcionando melhores condições de saúde e qualidade de vida para a população de determinada região.

Entre as medidas de saneamento básico, estão ações como:

  • Tratamento e distribuição de água potável;
  • Esgoto sanitário;
  • Limpeza de rios e lagos, incluindo a remoção de dejetos sólidos;
  • Serviços de limpeza urbana.

Se a região em que você mora ou trabalha não tem algum desses serviços, você está correndo risco de contrair febre tifoide.

Trabalhar em contato com águas contaminadas

Pessoas que trabalhem em contato direto com águas contaminadas pela bactéria Salmonella enterica typhi têm grandes riscos de desenvolver febre tifoide.

Esse grupo inclui pessoas como:

  • Profissionais que limpam rios e lagos;
  • Bombeiros e militares que atuam em enchentes;
  • Pesquisadores.

Trabalhar em contato com excreções humanas

O contato direto com excreções como vômito, pus, fezes, urina e catarro de pacientes contaminados é uma forma de contágio por febre tifoide. Por isso, quem trabalha com esse tipo de material tem risco de contrair a doença.

Esse grupo inclui pessoas como:

  • Profissionais de saúde, sobretudo enfermeiros;
  • Professores de níveis educacionais específicos que entrem em contato com excreção com frequência (como educação infantil, por exemplo);
  • Cuidadores de idosos e babás.

Ter contato com alguém que esteja com febre tifoide

O contato direto com pessoas doentes é uma das principais formas de contaminação por febre tifoide. Por isso, morar ou conviver regularmente com um paciente que esteja com a doença pode ser uma porta de entrada para o problema.

Sintomas

Os sintomas de febre tifoide se manifestam em etapas, e vão mudando e se intensificando com o passar do tempo.

Embora a literatura acadêmica divida as fases da doença de forma bem demarcada, na prática, não é incomum que os sintomas de cada etapa se confundam.

Etapa inicial

Os sintomas iniciais de febre tifoide são brandos e genéricos. É comum que, durante essa etapa, a doença seja confundida com um resfriado.

Os sinais são:

  • Febre fraca (em torno de 37ºC), mas constante, que vai subindo gradativamente com o passar dos dias;
  • Dor de cabeça;
  • Dores musculares;
  • Dor de barriga;
  • Fadiga;
  • Calafrios;
  • Tosse seca.

Etapa de estado

A etapa ou período de estado costuma ocorrer de 6 a 14 dias após o início dos sintomas da etapa inicial.

  • Febre alta, podendo chegar a 40,5ºC;
  • Delírios;
  • Dificuldade para reconhecer o ambiente em que está em alguns momentos;
  • Períodos de inconsciência;
  • Diarreia ou constipação intestinal;
  • Inchaço na barriga, ocasionado pelo aumento do baço e do fígado;
  • Vômitos;
  • Tontura;
  • Aparição de pintinhas vermelhas nos ombros, tórax e abdômen do paciente;
  • Ulcerações na boca, em casos mais raros.

Etapa de declínio

Geralmente, começa a partir da quarta semana da infecção – desde que o paciente esteja fazendo o tratamento adequado.

É quando os sintomas começam a regredir e o paciente apresenta melhoras significativas, embora ainda esteja sujeito a complicações decorrentes da doença (para mais informações, leia a seção “Complicações de febre tifoide”).

Etapa de convalescença

Nessa fase, a maior parte dos sintomas já deixou de se manifestar. No entanto, o paciente ainda pode apresentar consequências da doença, como:

  • Perda de peso;
  • Perda de cabelo;
  • Apatia;
  • Descamações na pele.

Sinais de agravamento da febre tifoide

Na maior parte dos casos, os sintomas de que a febre tifoide está piorando ao invés de melhorar aparecem durante a chamada etapa de estado.

É importante procurar atendimento com urgência se o paciente com febre tifoide apresentar sinais como:

  • Piora da dor de cabeça;
  • Piora da dor de barriga;
  • Aumento do inchaço na barriga;
  • Surgimento de mais pintas vermelhas em diferentes partes do corpo;
  • Tosse, vômito e/ou fezes com sangue.

O agravamento da doença é mais comum em pacientes que não estejam realizando o tratamento de forma correta.

Como é feito o diagnóstico de febre tifoide?

O diagnóstico de febre tifoide é feito através de exames laboratoriais que visem identificar a bactéria causadora dos sintomas.

Os exames que provavelmente serão solicitados pelo seu médico para essa finalidade são:

  • Coleta de sangue;
  • Fezes;
  • Urina;
  • Reação de Widal, um exame de sangue específico para identificar bactérias do tipo Salmonella;
  • Mielocultura, que consiste na coleta de material da medula óssea para análise.

Além disso, o profissional também deverá solicitar testes para descartar algumas outras doenças, como pneumonia, tuberculose, mononucleose, febre reumática e malária.

Coleta de sangue

Também chamada de hemocultura, a coleta de sangue para diagnosticar febre tifoide apresenta melhores resultados quando é feita nas duas semanas iniciais da doença, antes que o paciente tenha sido exposto ao tratamento com antibióticos.

O exame consiste na coleta de duas ou três amostras de sangue, dependendo do caso, que devem ser feitas com 30 minutos de intervalo entre cada uma.

Exame de fezes

O exame de fezes, ou coprocultura, costuma ser totalmente eficaz para diagnosticar febre tifoide entre a segunda e a quinta semanas de infecção. Não é incomum que o teste seja recomendado pelos médicos em vários estágios do contágio, para avaliar a evolução da doença.

Na etapa de convalescença, por exemplo, pode ser necessário repetir o exame a cada 24 horas, por até sete amostras.

Exame de urina

A coleta de urina – também chamada pelo termo clínico de urocultura – é um exame comumente solicitado em casos de febre tifoide. No entanto, o teste costuma ser útil para diagnósticos da doença por um tempo limitado, de no máximo 3 semanas a partir do contágio.

Reação de Widal

O exame consiste em uma coleta de sangue, feita como qualquer outra, que deve ser realizada de 7 a 14 dias após a contaminação do paciente pela bactéria Salmonella enterica typhi.

Para que confirme o diagnóstico de febre tifoide, o resultado deve apresentar a referência “títulos” com um valor igual ou superior a 1/80.

A reação de Widal é um exame complementar e deve ser solicitado juntamente aos testes de fezes e urina.

Mielocultura

Também chamada de “punção aspirativa de medula”, a mielocultura é um exame que deve ser feito com aplicação de anestesia local. O procedimento consiste na inserção de uma agulha fina na parte externa de um determinado osso.

Os ossos que podem ser utilizados para a realização do exame são três: o esterno, que fica na região do peito; crista ilíaca, que se localiza na altura da bacia; ou na tíbia, que fica na perna, sendo este último escolhido apenas em crianças.

Uma punção será feita no osso escolhido (ou seja, terá uma agulha inserida nele) e, em seguida, material sanguíneo será aspirado para análise com o auxílio de uma seringa.

A mielocultura é o exame mais eficaz para diagnosticar febre tifoide, com até 90% de sensibilidade à bactéria Salmonella enterica typhi e resultando em índices confiáveis até mesmo depois que o indivíduo já tomou antibióticos.

Febre tifoide tem cura?

Sim, a febre tifoide tem cura. O tratamento consiste na ministração de medicamentos e na reidratação do paciente. Em casos mais graves, podem ser necessários internamentos.

Tratamento

Como se trata de uma infecção causada por bactérias, o tratamento para febre tifoide exige o uso de antibióticos, que serão prescritos pelo médico responsável pelo paciente.

Além disso, também é importante cuidar da hidratação do paciente, que precisa começar a repor líquidos assim que o problema for detectado. Por isso, beber bastante líquido e repousar é imprescindível.

Caso ocorram complicações graves, como perfurações ou sangramentos no intestino, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica.

O critério para que um paciente seja considerado curado da febre tifoide é realizar dois exames de fezes após o fim da ministração de antibióticos, com intervalo de mais ou menos 7 dias entre elas. É necessário que ambas as amostras apresentem resultados negativos para à presença da bactéria causadora.

Remédios para febre tifoide

O tratamento medicamentoso de febre tifoide é feito através da prescrição de antibióticos específicos.

Alguns dos medicamentos que podem ser receitados pelo seu médico para tratar o problema são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico da febre tifoide

O período de incubação – ou seja, o intervalo entre a infecção do paciente pela bactéria Salmonella enterica typhi e a manifestação dos sintomas – costuma ser, em média, de 1 a 3 semanas.

Já o tempo de transmissibilidade, em que o paciente é capaz de transmitir a bactéria, acontece enquanto a pessoa infectada estiver eliminando a Salmonella pelas fezes e urina.

Em geral, esse fenômeno começa a partir da primeira semana de manifestação dos sintomas e pode se estender até 3 meses após a recuperação do paciente.

As taxas de mortalidade no país têm caído significativamente nos últimos anos. Levantamentos mais recentes feitos pelo Ministério da Saúde apontam que, entre 2000 e 2014, o Brasil teve 117 mortes por febre tifoide.

De maneira geral, com o tratamento adequado, a maior parte dos pacientes se recupera totalmente em até 5 semanas. Complicações são mais comuns em idosos, portadores de condições imunodepressivas ou pessoas que não sigam as recomendações médicas.

Convivendo

A febre tifoide costuma ser uma doença que afeta o paciente de forma intensa a partir da segunda semana de manifestação dos sintomas. Em quadros do problema, é comum que a pessoa afetada fique prostrada e não tenha energia para, sequer, se levantar da cama.

É fundamental monitorar o avanço da febre de tempos em tempos, seguir a recomendação do médico quanto a ministração de antibióticos (que, em geral, são receitados para serem ingeridos por períodos de 10 a 14 dias), repousar e beber bastante líquido.

Além disso, é imprescindível ficar atento a piora dos sintomas e à persistência da febre alta.

Algumas medidas que precisam ser tomadas durante o período de contágio da febre tifoide são:

Hidrate-se

A desidratação é uma das principais consequências e complicações da febre tifoide. Por isso, ingerir bastante líquido é fundamental para se recuperar logo.

Entre as bebidas que são ideais para serem ingeridas durante o tratamento da febre tifoide, estão:

  • Água na maior quantidade possível, em pequenos goles, de preferência filtrada ou fervida;
  • Chás de qualquer tipo, de preferência sem açúcar;
  • Sucos naturais sem açúcar, principalmente de maçã cozida, limão e goiaba;
  • Bebidas esportivas (também conhecidas como isotônicas), como Gatorade, Powerade e Hidrotônico, por exemplo;
  • Água de coco.

Em contrapartida, algumas bebidas devem ser evitadas a todo custo em casos de recuperação de febre tifoide. São elas:

  • Leite e iogurtes de garrafa, que podem piorar a diarreia;
  • Refrigerantes, que podem intensificar sintomas como inchaço abdominal, dor de barriga e diarreia;
  • Água com gás, que pode piorar o inchaço abdominal;
  • Café, tanto em pó quanto solúvel, que pode piorar a diarreia;
  • Bebidas alcoólicas, principalmente as fermentadas (como vinho ou cerveja, por exemplo), que podem piorar o inchaço, as dores e a diarreia;
  • Sucos de caixinha, que podem piorar a diarreia.

Tenha uma alimentação leve

Pacientes com febre tifoide devem se alimentar em pequenas porções, de 5 a 6 vezes por dia, sempre com um cardápio composto por alimentos leves.

Dessa forma, será possível repor todos os nutrientes perdidos através do vômito e da diarreia e garantir que esses dois sintomas não se intensifiquem em decorrência de uma alimentação pesada.

Alguns alimentos que podem (e devem!) ser ingeridos são:

  • Sopas e caldos de legumes em geral, desde que não contenham feijão, cebola, nabo, batata doce, repolho e pimentão, que são ricos em enxofre e podem piorar a diarreia;
  • Frutas como banana, goiaba, limão, maracujá e maçã sem casca;
  • Purês e gelatinas das frutas anteriormente citadas;
  • Sagu sem vinho;
  • Carnes de peixe e frango, sem gordura e sem pele, de preferência grelhadas ou assadas;
  • Acompanhamentos leves como arroz branco ou integral, macarrão integral, fubá, torradas, tapioca, pão francês, bolacha de água e sal e purê de batata sem muito tempero.

Alimentos gordurosos são expressamente proibidos, o que inclui carnes vermelhas, farinhas, bolachas recheadas e frituras.

Algumas frutas também não são recomendadas por estimularem o funcionamento do intestino e piorarem a diarreia. São elas:

  • Mamão;
  • Laranja;
  • Melancia;
  • Melão;
  • Ameixa;
  • Uva;
  • Abacaxi.

Se tiver alguma dúvida sobre a dieta ideal de acordo com seu histórico de saúde, não hesite em perguntar ao seu médico.

Faça compressas para combater a febre

Fazer compressas é uma maneira rápida, segura e efetiva de amenizar os efeitos da febre.

Para fazer uma compressa ideal para combater as altas temperaturas de um quadro de febre tifoide, siga as dicas a seguir:

  1. Encha um recipiente pequeno com água fria;
  2. Mergulhe uma toalha ou um pano de algodão na água;
  3. Será preciso colocar a toalha ou pano em algumas áreas específicas do corpo: a testa, nuca e embaixo dos braços;
  4. Deixe a toalha úmida por algum tempo em cada uma dessas regiões. Quando perceber que à temperatura do pano está voltando ao normal, umedeça novamente e repita o procedimento até acabar a água do recipiente;
  5. Confira se a febre baixou;
  6. Repita o processo de duas a três vezes por dia.

Lave bem as mãos frequentemente

Higienizar as mãos é um cuidado que o paciente com febre tifoide precisa ter para evitar que outras pessoas que convivem com ele contraiam a doença.

A atenção precisa ser redobrada se a pessoa com febre tifoide manusear alimentos durante o período de transmissibilidade.

Por isso, a pessoa doente precisa lavar bem as mãos com sabonete antibacteriano sempre que for ao banheiro. Ao longo do dia, vale reforçar a proteção com um pouquinho de álcool em gel.

Complicações

Desidratação

A desidratação é um fenômeno que acontece quando o organismo fica sem água (e, consequentemente, sais minerais) para realizar suas funções vitais. É frequente em pacientes com febre tifoide devido aos episódios de vômito e diarreia.

Os principais sintomas de um quadro de desidratação são pele e boca secas, baixíssima produção e suor e lágrimas, olheiras profundas, tontura, sonolência e taquicardia.

Se não for revertida urgentemente, pode causar problemas graves como convulsões, inchaço cerebral, coma e morte.

Sangramento intestinal

O sangramento intestinal é uma das complicações mais comuns em quadros de febre tifoide. Acontece porque a bactéria Salmonella enterica typhi causa lesões na parede do intestino.

Na maior parte dos casos, o sangramento é pequeno e cessa por conta própria. Entretanto, caso o paciente não esteja recebendo o tratamento adequado, o quadro pode evoluir para uma hemorragia. Nesse caso, é necessário atendimento médico imediato.

Perfuração intestinal

Assim como no caso do sangramento intestinal, a perfuração do intestino é consequência das lesões provocadas pela bactéria Salmonella enterica typhi. É uma complicação relativamente comum e bastante grave.

Geralmente, os principais sintomas de perfuração intestinal são o aumento da dor e do inchaço no abdômen, queda repentina da pressão arterial e palpitações cardíacas.

Caso apresente algum desses sintomas, o paciente com febre tifoide deve ser levado urgentemente para o hospital, uma vez que um quadro de perfuração intestinal exige intervenção cirúrgica.

Miocardite

Complicações cardíacas são um pouco mais raras em casos de febre tifoide, mas podem acontecer. Uma das possibilidades é o desenvolvimento de uma miocardite, caracterizada pela inflamação da camada muscular do coração, que se chama miocárdio.

A miocardite consequente de febre tifoide é causada por uma falha circulatória, que, por sua vez, é ocasionada pela ação da bactéria no organismo.

Os sintomas de miocardite são discretos: consistem em cansaço, falta de ar, inchaço nas pernas e palpitações e/ou arritmias cardíacas.

Se não tratada, a inflamação pode causar danos permanentes aos tecidos cardíacos e até mesmo levar à morte.

Endocardite

A endocardite é uma infecção que atinge o revestimento interno do coração, chamado endocárdio.

O problema acontece quando uma bactéria cai na corrente sanguínea e acaba chegando até o coração, contaminando os tecidos que revestem o músculo.

A infecção do endocárdio pode ocasionar problemas sérios, como à deterioração das válvulas cardíacas, infarto do miocárdio, septicemia e morte.

Pancreatite aguda

A pancreatite aguda é uma inflamação que atinge o pâncreas de repente, de uma hora para a outra, causando o inchaço do órgão.

Uma das funções primordiais do pâncreas é produzir alguns tipos de enzimas digestivas, que devem ser ativadas somente durante o processo de digestão dos alimentos.

Complicação rara de febre tifoide, a pancreatite ocorre quando alguma alteração metabólica no organismo ativa essas enzimas ainda dentro do pâncreas, sem necessidade, levando a uma inflamação.

Os principais sintomas de pancreatite aguda são febre, sensação de ter um nódulo na região abdominal, soluços, gases, indigestão, fezes mais claras que o normal e pele amarelada.

Entre as principais complicações de um quadro de pancreatite aguda estão insuficiência renal e/ou cardíaca, desenvolvimento de cistos no pâncreas, hemorragias e desnutrição.

Meningite bacteriana

A meningite é uma grave inflamação das meninges, três membranas especiais que revestem o encéfalo (parte central do sistema nervoso) e a medula espinhal.

Acontece em decorrência de uma febre tifoide quando a bactéria Salmonella enterica typhi cai na corrente sanguínea e chega até a região do cérebro.

A meningite bacteriana é uma emergência médica que, se não for tratada rapidamente, pode causar paralisia de membros superiores e/ou inferiores, surdez, epilepsia e causar danos cerebrais.

Seus principais sintomas são dor e rigidez no pescoço, forte dor de cabeça, febre alta, confusão mental, sensibilidade à luz e o aparecimento de manchas roxas no corpo todo.

Osteomielite

A osteomielite é um tipo de inflamação nos ossos, que pode ser causada por vários agentes, incluindo bactérias. Pode ocasionar a formação de abscessos noss ossos, alguns tipos de artrite, câncer de pele e até mesmo a morte do osso afetado.

Seus principais sintomas são dores, inchaços e sensação de calor no local afetado pela infecção, além de febre e calafrios.

Em pacientes com febre tifoide, pode acontecer quando a bactéria Salmonella enterica typhi cai na corrente sanguínea.

Septicemia

Também conhecida como sepse ou infecção generalizada, a septicemia acontece quando a corrente sanguínea, que passa por todo o corpo, é infectada por uma bactéria que já estava relacionada a uma doença pré-existente (no caso, a febre tifoide).

A septicemia é um problema grave, com elevadas taxas de mortalidade. Não é incomum que pacientes com sepse acabem com sequelas, sobretudo neuropsicológicas.

Complicações mentais

A febre tifoide que não seja adequadamente tratada pode acarretar complicações neurológicas.

Entre os fenômenos que podem ocorrer, estão alucinações e Transtorno de Personalidade Paranóide.

Trombose venosa profunda

A trombose acontece quando coágulos (também chamados de trombos) se formam em veias importantes, obstruindo a passagem do fluxo sanguíneo e causando problemas graves.

A principal (e mais comum) complicação de uma trombose venosa chama-se embolia pulmonar, que consiste em um processo em que os coágulos se desprendem do lugar em que estão e viajam até o pulmão através da corrente sanguínea, obstruindo veias por lá e atrapalhando a chegada do oxigênio a várias partes do corpo.

Entre casos de embolia pulmonar, os índices de mortalidade chegam a 30%.

A formação de trombos não é uma consequência direta da febre tifoide, mas sim, dos longos períodos de repouso provocados pela doença. Não é incomum que pacientes infectados não tenham forças para se levantar da cama, e passem muito tempo deitados na mesma posição. A imobilidade pode ser responsável pelo surgimento de coágulos.

O problema costuma ser assintomático até causar complicações. Alguns dos sintomas que podem aparecer eventualmente são inchaço, rigidez, vermelhidão e sensação de calor na região afetada pelo trombo.

Como prevenir a febre tifoide?

Uma parte considerável da prevenção a febre tifoide incluem medidas simples, como lavar e cozinhar bem os alimentos, por exemplo.

Algumas atitudes que podem ser tomadas para prevenir a febre tifoide são:

Tome a vacina contra febre tifoide

Sim, há uma vacina contra febre tifoide disponível na rede pública de saúde e em clínicas particulares. Contudo, só costuma ser aplicada gratuitamente durante períodos de epidemia da doença.

A aplicação é recomendada para profissionais de saúde, professores, militares e pessoas que viagem para regiões em que o contágio de febre tifoide aconteça de forma endêmica. Pode ser ministrada em crianças a partir de 2 anos.

A vacina é aplicada em dose única, e oferece proteção contra infecções de febre tifoide por até três anos.

Na rede privada de Minas Gerais, o valor da vacina varia de R$96,00 até R$116,00.

Entretanto, de acordo com informações da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a vacina não é totalmente eficaz e foi testada apenas em pessoas que já moram em áreas endêmicas. Ainda segundo os dados levantados pela instituição, a vacina injetável tem uma eficácia que flutua entre 50% e 70%.

A aplicação da vacina contra a febre tifoide não é indicada para gestantes e pessoas com baixa imunidade e/ou doenças imunossupressoras. Além disso, só deve ser aplicada com recomendação médica.

Beber água fervida ou filtrada

Ferver a água, purificá-la ou colocá-la em um filtro antes de consumir são excelentes maneiras de eliminar quaisquer chances de ser contaminado por bactérias e/ou outros microorganismos.

Além de acabar com germes que causam doenças, filtrar a água também pode eliminar produtos químicos e sedimentos que eventualmente tenham contaminado o líquido.

Como saber se a água é própria para consumo?

Para ser considerada potável, a água precisa preencher três requisitos: ser incolor, inodora e insípida.

Ser incolor, como o nome sugere, significa que o líquido não pode ter cor. A água própria para consumo é transparente e cristalina.

Ser inodora quer dizer que a água não pode ter odor, ou seja, nenhum cheiro.

Por fim, insípida quer dizer que a água não deve ter nenhum sabor, por mais leve que seja.

A água que está em condições para ser ingerida ou utilizada no preparo de alimentos precisa, obrigatoriamente, ter essas três características. Se não preencher qualquer um desses requisitos, não deve ser consumida.

Já a água que vem da torneira é proveniente de centrais de tratamento, onde passou por processos apurados de limpeza e purificação. Portanto, pode ser consumida sem receio.

No entanto, é importante que as cisternas e caixas d’água de sua casa ou edifício estejam sempre limpas e higienizadas. Caso contrário, é possível que a água da torneira seja infectada por microorganismos nessa etapa do ciclo de consumo.

Evitar alimentos crus ou mal cozidos

Cozinhar os alimentos a pelo menos 70 graus é uma maneira efetiva de matar a maior partes das bactérias.

Assim, mesmo que as carnes ou ovos que você está preparando tenham sido contaminados por microorganismos antes de chegar à sua cozinha, as chances de você ou sua família contraírem febre tifoide diminuem drasticamente.

Restaurantes japoneses apresentam risco para a saúde?

Os métodos de preparo dos pratos na culinária oriental são muito saudáveis. Isso porque graças aos baixos níveis de cozimento, os alimentos preservam a maior parte de suas propriedades e nutrientes.

Portanto, o ato de comer peixe cru em si não é propriamente maléfico para saúde – embora os pratos ofereçam, sim, pequenos riscos de concentrarem bactérias e microorganismos.

Entretanto, o maior risco de ingerir pratos crus, como sushis e temakis, está em um descuido humano: a conservação inadequada desses alimentos e a má higienização do local em que são preparados.

Para que peixes servidos em restaurantes de cozinha oriental não apresentem riscos para a saúde de quem os consome, é fundamental que estejam sempre frescos e que sejam armazenados em baixas temperaturas até o momento de serem servidos.

Também é importante que as pessoas responsáveis pelo preparo do alimento estejam com as mãos devidamente higienizadas e o façam em superfícies limpas e adequadas para aquela finalidade.

Ao consumidor, a dica é sempre ficar atento a limpeza do ambiente antes de comer e, se possível, procurar por eventuais críticas a higiene do estabelecimento na internet. Caso sinta algum gosto estranho no prato escolhido, vale parar de comer imediatamente e informar a situação ao gerente do restaurante.

Não coma em locais com más condições de higiene

Sempre que for comer em um ambiente diferente, fique atento às condições de limpeza do local. Os níveis de higiene do lugar podem ser um indicativo de que você corre riscos de contrair doenças ao se alimentar por ali.

Se flagrar qualquer situação estranha em estabelecimentos comerciais, é importante entrar em contato com a Vigilância Sanitária de sua região e comunicar o fato. Denúncias podem ser feitas em completo anonimato.

Não aceite comida de estranhos

Quando sua mãe dava esse conselho, ela estava com um bocado de razão. Ingerir alimentos dos quais você não conhece a procedência pode ser uma porta de entrada para bactérias, especialmente se a comida em questão não estiver embalada e vier diretamente das mãos de outra pessoa.

Lavar bem frutas e verduras

Lavar frutas, verduras e legumes com água corrente e o auxílio de uma escova é um hábito que pode evitar muitas dores de cabeça – literalmente.

Higienizando adequadamente esses alimentos, os riscos de contrair alguma doença proveniente de eventuais contaminações diminui bastante.

Qual é a diferença entre febre tifoide e paratifoide?

Febre tifoide e febre paratifoide são duas doenças distintas, mas extremamente semelhantes. Ambas são transmitidas das mesmas maneiras e compartilham os mesmos sintomas.

A diferença primordial é que a febre paratifoide é uma doença mais simples, que não apresenta risco de morte e se manifesta com sintomas bem mais leves.

Além disso, os dois fenômenos são causados por bactérias diferentes. Enquanto a febre tifoide é ocasionada pela Salmonella enterica typhi, a febre paratifoide tem como agente causador a bactéria Salmonella paratyphi do tipo A, B ou C.

Pela semelhança entre as duas doenças, o exame Reação de Widal é a forma mais eficaz de chegar a um diagnóstico certeiro e preciso.


Embora possa causar complicações graves, a febre tifoide é facilmente tratável. Por isso, se apresentar os sintomas correspondentes à doença, é importante consultar um médico o quanto antes.

Tem alguma dúvida, história ou dica sobre febre tifoide para compartilhar com gente? Deixe no espaço reservado para comentários! Responderemos assim que possível.

Referências

http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/typhoid-fever/basics/complications/con-20028553
http://www.nytimes.com/health/guides/disease/typhoid-fever/overview.html
https://www.medipedia.pt/home/home.php?module=artigoEnc&id=551
https://academic.oup.com/cid/article/doi/10.1086/375590/473359/Sexual-Transmission-of-Typhoid-Fever-A-Multistate

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3 Comentários

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  1. que relação existe entre febre tifóide e indigestão? será que existe alguma semelhança em termos de sintomas?

  2. Em 1983, tive tiffo, demorei 90 dias para melhorar, emagreci 21 kilos em 19 dias
    porém até hoje após tomar banho no verão,quando saio do chuveiro me dá frio em
    corpo o mesmo que sentia quando estava doente, é normal ou não.

    Quem já teve Tifo pode doar sangue.

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