Estela (Minuto Saudável)
24/01/2018 08:00

O que é Tifo (exantemático), causas, sintomas, prevenção, tem cura?

O que é tifo?

Tifo é o nome dado às doenças infecciosas provocadas por bactérias da família Rickettsiaceae. São transmitidas por parasitas como carrapatos, ácaros e piolho, através da mordida, ou pelo contato das fezes com feridas no corpo humano.

Os parasitas transmitem a doença ao entrarem em contato com animais contaminados pela bactéria, como gatos, cachorros, gambás, guaxinins, ratos, entre outros.

Essa doença, hoje, é bem mais rara. Houve uma grande epidemia antes do início da Segunda Guerra Mundial, mas, atualmente, ela está mais controlada devido ao tratamento eficaz e a eliminação dos vetores (parasitas).

No entanto, o tifo já foi capaz de causar muitas epidemias e mortes, principalmente em guerras e prisões.

A higiene e as condições de saneamento básico dos países são fatores que influenciam no surgimento de casos da doença. Existe o tifo epidêmico, endêmico e o tifo do mato.

Um caso conhecido é o de Anne Frank, uma adolescente vítima do holocausto. Sua vida foi registrada em livros, no cinema e seu diário está sempre entre os livros clássicos. Existem registros de que a causa de sua morte e da de sua irmã teria sido o tifo epidêmico, em fevereiro de 1945.

O nome tifo (typhus) é de origem grega e significa “estupor”, um dos sintomas da doença. Foi Hipócrates, considerado pai da medicina, que observou este estado dos pacientes infectados e, por isso, descreveu a doença com este nome.

Apesar da pequena semelhança entre os nomes, o tifo não tem nenhuma relação com a febre tifoide, uma doença causada pela bactéria Salmonella enterica typhi e transmitida pela contaminação da água e dos alimentos.

Índice — nesse artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é tifo?
  2. Grandes epidemias causadas pelo tifo
  3. Tipos de tifo
  4. Causas
  5. Transmissão
  6. Fatores de risco
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico do tifo?
  9. Tifo tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Medicamentos para o tifo
  12. Convivendo/Prognóstico
  13. Complicações
  14. Como prevenir o tifo?

Grandes epidemias causadas pelo tifo

O tifo é uma doença que esteve presente em alguns momentos históricos. A patologia provocou grandes epidemias e muitas mortes, atingindo exércitos em guerra e prisioneiros.

Antes e até durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma das epidemias mais fortes devido às péssimas condições em que os exércitos atuavam e aos campos de concentração, onde os perseguidos pela guerra eram mantidos presos. O cenário, que já era aterrorizante, ficou pior pela doença.

Alguns historiadores dizem que já se existia um certo conhecimento das causas e prevenções da doença, e acreditam que os nazistas mantiveram os presos em campo de concentração nas condições que a enfermidade acontece para que morressem lá. Entre as vítimas desse episódio triste na história, Anne Frank foi uma delas.

Com Napoleão Bonaparte e seu exército também foi assim. Esse momento ficou conhecido nos livros de história como a Campanha Russa. Podemos dizer, também, que foi nesse momento que os franceses entraram numa fria, literalmente. Enfrentaram, além da epidemia provocada pelo tifo, um frio paralisante.

Os soldados, em 1812, não tinham preparo e nem estratégias para combater, além das tropas inimigas, os obstáculos climáticos e as doenças infecciosas. Por essas circunstâncias, as tropas francesas foram reduzidas de 600 mil a 40 mil soldados.

As táticas militares evoluíram muito desse tempo até os tempos atuais. Muito se deve a esse histórico e à experiência vivida pelos franceses. Raspar a barba e os cortes de cabelos mais rentes são uns dos reflexos dessas primeiras mudanças. O objetivo era reduzir as chances de infecção erradicando os piolhos transmissores.

Antes desses episódios epidêmicos de tifo, a limpeza das roupas e higiene não era algo muito comum dentro do cotidiano do exército.

Existe outro registro de um grande surto de tifo na história, que deixou milhares de vítimas. Este aconteceu na Irlanda, entre 1846 e 1849, em um momento da história que ficou conhecido como o da fome da batata.

Um fungo atacou as plantações de batatas no país e essa praga foi responsável por provocar um dos maiores surtos de fome da Europa. Milhares de pessoas morreram de fome ou se viram obrigadas a deixar o país, o que até aqui já é triste o suficiente.

Contudo, com o surto da doença, ficou ainda pior. Acredita-se que a população do país foi reduzida a um terço, devido a esses dois fatores.

Existe, além desses fatos, alguns historiadores que associam o tifo a doença que atingiu Atenas no século de Péricles, 430 a.C.

O período ficou conhecido como a Peste de Atenas, Praga de Atenas ou a Peste do Egito. Acontece que a epidemia surgiu e fez suas vítimas, mas não se sabe exatamente o que a provocou. Tifo está entre as doenças que podem ter sido as causas. Além do tifo, cogitam a peste bubônica, varíola e a gripe como causadoras das mortes.

Tipos de tifo

Existem três tipos principais de tifo: o tifo epidêmico, endêmico e tifo do mato. Eles se diferenciam, basicamente, pela bactéria causadora. Conheça quais são:

Tifo epidêmico

O tifo epidêmico, também conhecido como exantemático, é provocado por uma bactéria chamada Rickettsia prowazekii. É muito comum que a transmissão aconteça por causa do piolho de corpo (Pediculus humanus corporis) ou, mais raramente, por piolho dos cabelos.

A contaminação acontece devido ao contato da bactéria expelida nas fezes dos piolhos com possíveis feridas na pele.

Essas bactérias se reproduzem no interior das células endoteliais, responsáveis por revestir os vasos sanguíneos. É assim que a inflamação acontece.

Tifo endêmico

Nesse tipo de tifo, os ratos são os principais vetores da doença. A bactéria responsável por provocar essa patologia é a Rickettsia typhi. O tifo endêmico também pode ser conhecido como tifo murino.

Quando existe um grande número de roedores contaminados, é mais fácil que a transmissão para o homem aconteça. Isso porque a pulga Xenopsylla cheopis é obrigada a buscar novos hospedeiros, pois, com o aumento de animais infectados e mortos pela doença, maior é o número de bactérias que precisam encontrar um novo “lar”.

Essa é uma doença bem mais comuns em ilhas e regiões portuárias. A forma como evolui é muito parecida com o do tifo epidêmico. No entanto, apresenta complicações menos frequentes e sintomas menos nocivos.

Para tratar os pacientes com essa doença, são utilizados antibióticos e, para a prevenção, é preciso manter condições básicas de higiene e conter a proliferação de ratos.

Tifo do mato

Esse tipo de tifo é causado pela bactéria Orientia tsutsugamushi e pode ser mortal. Os principais transmissores da doença são os ratos silvestres.

Na Ásia, onde é mais comum, a doença mata ao menos 140 mil pessoas por ano. A primeira vez que registram a presença dessa doença na América do Sul foi em 2006, no Chile.

Não se sabe como a bactéria foi parar na Ilha Chiloé, há 12 mil quilômetros da Ásia. Uma hipótese levantada é de que ela sempre esteve no local e somente neste ano provocou a doença em alguém.

O paciente com tifo do mato apresenta sintomas como febre, dores de cabeça, dores musculares e manchas no corpo. Seu sinal mais característico é uma ferida preta na pele, parecido a uma queimadura de cigarro. Isso significa que é neste local que a bactéria se instalou.

Apesar de poder ser letal, em casos que se agravaram, o tifo do mato tem tratamento. Para isso, o médico deve recomendar o uso de antibióticos específicos.

Causas

O tifo é uma doença infecciosa classificada como riquetsiose, por ser provocada por bactérias que fazem parte do gênero Rickettsias. A doença acontece nas pessoas quando as bactérias são transmitidas por vetores, como pulgas, ratos e carrapatos.

As bactérias se desenvolvem dentro das células intestinais desses vetores (piolhos, pulgas etc.) e, quando largam seus dejetos, as bactérias são liberadas. Geralmente, o contato com outros organismos acontece por meio de feridas ou fissuras na pele.

Essas feridas surgem, muitas vezes, como uma reação a coceira provocada pelos próprios parasitas, como alguém que tem piolho e acaba se coçando pela irritação que provocam.

Os tipos de tifo, sendo assim, são causadas por essas bactérias. Cada tifo (endêmico, epidêmico ou tifo do mato) tem uma bactéria específica que provoca a patologia. São elas:

Rickettsia prowazekii

Essa é a bactéria responsável por causar o tifo epidêmico. Ela afeta, além dos humanos, animais como bois, ovelhas e cabras.

A Rickettsia prowazekii é transmitida pelas fezes dos piolhos humanos ou pelos corpos mortos do parasita e só é capaz de se reproduzir em células hospedeiras. Não é o comum, mas também pode acontecer pela mordida dos parasitas.

Seu ciclo consiste em encontrar um hospedeiro vertebrado (humanos) e depois, encontrar um hospedeiro invertebrado (piolhos, carrapatos e ácaros).

A Rickettsia prowazekii permanece infecciosa por um mês nesses invertebrados. Após se espalharem, a bactéria permanece nesses novos corpos por um período de 2 a 30 dias até manifestar os sintomas. Esse tempo também é conhecido como período de incubação.

O tempo que os sintomas permanecerá no paciente pode variar, mas o comum é que dure de 1 a 3 dias, quando tratado corretamente.

Existe uma curiosidade sobre essa bactéria e sua descoberta. Um médico brasileiro, chamado Henrique da Rocha Lima, foi o responsável por descrever a bactéria, pela primeira vez, em 1916. Ele contou com a ajuda de seu colega Stanislaus von Prowazek.

Os dois foram contaminados com o tifo durante um estudo sobre o agente causador. A pesquisa foi realizada em um hospital dentro de uma prisão em Hamburgo, na Alemanha. Prowazek não sobreviveu à doença e morreu no ano anterior a descoberta da bactéria. O nome da bactéria foi escolhido em homenagem ao colega que faleceu tentando descobri-lá.

Rickettsia typhi (Rickettsia mooseri)

Antigamente conhecida como Rickettsia mooseri, essa é a bactéria responsável pelo tifo endêmico.

Ela tem os roedores como principais reservatórios. Por isso, a sua transmissão acontece, na maioria das vezes, através de pulgas dos ratos (Xenopsylla cheopis). No entanto, ácaros e piolhos também são vetores. Além desses animais, também podem se reproduzir em tatus, gatos e cangambás.

Orientia tsutsugamushi

A Orientia tsutsugamushi é responsável por provocar o tifo do mato, a forma mais letal da doença. Essa bactéria é carregada por ácaros. O principal animal transmissor da doença são os ratos silvestres, espécie comum na Europa e na Ásia, continente com maior casos da doença.

Transmissão

A transmissão do tifo acontece pela picada ou mordida de insetos infectados, como piolhos, pulgas de ratos ou carrapatos. Também ocorre por contaminação pelas fezes. É assim que as bactérias causadoras entram no corpo humano.

Quando instaladas no organismo, encontram nas células endoteliais dos vasos sanguíneos um lugar para se proliferarem, pois não sobrevivem sem células hospedeiras.

Entretanto, antes dessas  bactérias provocarem, de fato, as doenças nos humanos, elas chegam primeiro aos parasitas.

Os piolhos, por exemplo, são infectados através da própria alimentação, quando chupam o sangue de uma pessoa infectada pela doença. Como se fosse um comportamento cíclico da enfermidade.

Essas bactérias se instalam no intestino destes insetos e lá se multiplicam. A colônia bacteriana cresce tanto que acaba provocando uma explosão das células intestinais.

Dessa forma, as bactérias se espalham pelo canal intestinal do parasita, que acaba morrendo por essa invasão e transmitindo a doença para outros organismos através da fezes.

Fatores de risco

O risco de se ter a doença é maior para algumas pessoas, considerando as condições de vida e o lugar onde moram. Alguns fatores contribuem para que o tifo possa se tornar uma epidemia. Conheça:

Condições ruins de higiene

Pessoas que moram em países com baixas condições de saneamento básico e higiene fazem parte de um cenário no qual a doença pode se proliferar.

O tifo, em quase todos os tipos, tem forte ligação a uma questão de limpeza e controle de parasitas. Em lugares em que roedores como ratos e carrapatos são comuns, o risco de se ter contato com as bactérias causadoras da doença é maior.

Áreas rurais

Pessoas que convivem com animais (bois, cabras e ovelhas) que estão entre os possíveis portadoras da doença também estão no grupo de risco. Nesse caso, profissionais e pessoas que lidam com esses bichos devem ter uma preocupação maior com o aparecimento de carrapatos e pulgas, por exemplo.

Em áreas mais rurais, o contato com animais como bois, cabras e ovelhas pode ser maior. Por isso são consideradas áreas de risco. No entanto, também devemos considerar a presença de parasitas nas áreas urbanas e tomar as medidas preventivas para contê-los, como evitar a proliferação de pulgas em animais domésticos.

Sintomas

Os sintomas do tifo epidêmico são parecidos com os da Influenza, a gripe H1N1. Após o tempo de incubação da doença, os primeiros sinais começam a surgir. Geralmente, acontece entre uma ou duas semanas após o contato com a bactéria e a sua reprodução no organismo do paciente.

Alguns sinais do tifo podem se confundir com sinais de outras doenças, como acontece com o tifo endêmico. Ele apresenta, em alguns casos, a erupção maculopapular como sintoma. Esse é um tipo de lesão na pele característica por vermelhidões e pequenas pápulas (espécie de caroço) na área acometida.

No caso do tifo, essa lesão se concentra no tronco, mas não permanece por muito tempo. Por ser comum em outras doenças, pode ser confundida com sarampo e a rubéola.

Os sintomas do tifo epidêmico e endêmico são semelhantes, mas variam na duração e intensidade. Na forma epidêmica, os sinais permanecem por mais tempo e podem ter maiores complicações.

Já no tifo do mato, a característica principal é uma lesão que se assemelha a uma queimadura de cigarro. Nesta ferida, geralmente pequena e de cor preta, identifica o local por onde as bactérias se instalaram.

Entre os sinais da doença que podem surgir nos diferentes tipos estão:

  • Fortes dores de cabeça;
  • Dores nas articulações;
  • Febre alta (39º a 40º C);
  • Fadiga;
  • Calafrios;
  • Manchas vermelhas (exantema) pelo corpo, com exceção da face, palma das mãos e plantas dos pés;
  • Fraqueza;
  • Náuseas;
  • Vômitos.
  • Diarréia;
  • Tosse.

Alguns sintomas, além destes, surgem quando a doença está avançada. São eles:

Delírios

Em um estado grave, o paciente com tifo pode ter o funcionamento do cérebro comprometido. Ele pode aparentar estar confuso, desorientado ou com dificuldades de manter o foco.

Estupor

É um estado de imobilização. O paciente que apresenta esse sintoma tem uma suspensão da atividade física e psicológica. Ainda que consciente, não responde a estímulos externos.

Hemorragias

São perdas excessivas de sangue, podendo ser uma hemorragia externa ou interna, pelos orifícios do corpo ou cortes.

Pneumonia

Infecção que atinge o organismo, mas que afeta, principalmente os pulmões.

Trombose

Formação de coágulos no interior de veias e artérias, o que impede a circulação sanguínea corretamente. Causa dores e inchaços nas pernas e braços.

Vasculite

Grupo de doenças que causam inflamação dos vasos sanguíneos.

Gangrena

É um tipo de necrose causada pela morte de um tecido. Acontece, geralmente, por falha na irrigação sanguínea e falta de oxigênio. A gangrena pode ser resultado de uma vasculite não tratada.

Miocardite

Inflamação do miocárdio, a camada muscular mais grossa da parede do coração.

Uremia

É o acúmulo de ureia no sangue, uma substância tóxica que é produzida pelo fígado após ingestão de proteínas. O excesso da ureia acontece quando os rins, responsáveis por filtrar a toxina, sofrem algum tipo de insuficiência.

Sangramento na pele (ou petéquias)

Petéquia é o nome dado a pequenas manchas roxas na pele. É através dessas manchas que ocorre o sangramento.

Choque circulatório

Esta é uma condição caracterizada pela incapacidade do sistema cardiovascular em manter o sangue necessário para a oxigenação dos tecidos.

Como é feito o diagnóstico do tifo?

O diagnóstico do tifo é realizado por um clínico geral ou infectologista. Pode ser difícil para os médicos, pois os sintomas se assemelham aos de outras doenças, como a dengue, malária e brucelose, uma doença infecciosa provocada pela bactéria Brucella.

Realizar corretamente o diagnóstico contribui para a orientação adequada do tratamento. Existe, no entanto, uma exceção quanto à ordem deste procedimento. O comum é que se tenha primeiro o diagnóstico e só depois o início do tratamento específico.

Essa exceção ocorre quando existe a suspeita de ser a febre maculosa, uma doença riquetsiose causada por bactérias do tipo Rickettsiaceae — a mesma do tifo — e transmitida por picada de carrapatos. Por ser uma doença com gravidade maior, o tratamento é iniciado antes mesmo do diagnóstico diferencial estar concluído.

As principais formas de diagnóstico do tifo são:

Exames laboratoriais

São exames realizados laboratoriais para identificar as bactérias causadoras do tifo. São eles:

Western blot (ensaio imunoenzimático)

Esse exame tem o objetivo de encontrar os anticorpos presentes no organismo que indicam a presença da bactéria da doença.

Imunofluorescência

É possível que seja realizado um exame de sangue ou de imunofluorescência.

Neste exame, um corante fluorescente é utilizado para encontrar o tifo em uma amostra de escarro, um líquido espesso produzido pelo nosso corpo quando há inchaço das mucosas.

Popularmente, é conhecido como catarro e sua cor mais amarelada pode indicar infecções no aparelho respiratório.

Cultura celular

Para o tifo, é possível, ainda, realizar uma observação microscópica após cultura celular. Esse diagnóstico utiliza células recolhidas de ovos fecundados de galinhas. Nessa observação, o objetivo é confirmar os anticorpos que combatem as bactérias da doença.

Para isso, utilizam a detecção de DNA com a ajuda da técnica PCR.

Proteína C reativa

O PCR é o exame que permite medir a dosagem de proteína C reativa, por isso a sigla. Ele é feito através da coleta de sangue do paciente, pois é o principal indício de processos inflamatórios ou de necroses (morte de tecidos) no corpo humano.

Para investigar uma inflamação bacteriana, como nos casos de tifo, esse é o exame mais indicado.

Sintomas

Além dos exames laboratoriais, é levado em consideração os sintomas apresentados pelos pacientes, como sinais de fortes dores de cabeça, febre, fadiga, manchas vermelhas,etc.

Ambiente

É importante para o diagnóstico considerar os lugares que o paciente visitou recentemente e local onde mora, pois podem pertencer aos fatores de risco. Isso é importante também para entender onde a doença teve origem e ajuda a mapear os locais de risco.

Tifo tem cura?

O tifo é uma doença que tem cura. Ela é causada por bactérias que provocam uma inflamação nos pacientes, podendo afetar humanos e animais. Apesar de poder ter complicações mais graves, o tifo (epidêmico, endêmico ou do mato) tem tratamento e pode ser revertido.

Qual o tratamento?

O tratamento dessa doença é rápido e, basicamente, consiste em três formas. Conheça:

Medicamentos

A maioria dos casos de tifo são tratados com o uso de antibióticos. Após o diagnóstico da doença, o médico deve receitar os antibióticos específicos para o tipo do tifo que afetou o paciente.

Em casos graves, pode ser preciso a indicação de remédios corticosteróides, que aliviam os sintomas.

Medicamentos intravenosos

Para alguns pacientes do tifo epidêmico, pode ser necessário ainda o uso de medicamentos intravenosos e suplementos de oxigênio, para atingir as bactérias presentes na corrente sanguínea e em outros lugares do corpo acometidos.

Essa opção permite um tratamento eficiente pela velocidade, pois é injetada diretamente no sangue.

Vacina

Existe, ainda, a possibilidade de se usar a vacina. Ela foi desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial, mas não é muito comum que se utilize esse tratamento atualmente.

A vacinação é muito importante para conter grandes epidemias, mas como os pacientes reagem bem ao uso de antibióticos, ela é utilizada apenas quando existem surtos de tifo endêmico em populações mais vulneráveis.

Medicamentos para o tifo

Os medicamentos utilizados para o tratamento de tifo são os antibióticos. Em alguns casos, é recomendado o uso de anti-inflamatórios, para conter os sintomas. Os principais são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo / Prognóstico

O tifo é uma doença com grandes chances de uma boa recuperação e de controle. Quando em boas condições sanitárias e de higiene, os transmissores da doença não ganham espaço para provocar epidemias e nem mortes.

Entretanto, essa não é uma realidade em todos os lugares. Em regiões onde pessoas vivem em aglomerados e com condições péssimas de higiene, o risco de se ter complicações da doença são maiores. Isso também ocorre para pessoas que não têm condições financeiras para conseguir um tratamento imediato.

Quando o tratamento é inadequado, a mortalidade do tifo é de 20%. Em lugares em que a desnutrição é alta, a mortalidade pode ser de 66%, o que significa que a doença é letal em 2 a cada 3 infectados pela doença.

A demora por um tratamento ou diagnóstico está entre os desafios para  conter a doença definitivamente.

Complicações

O tifo pode ser uma doença letal, como já visto em grandes epidemias no passado. Atualmente, ainda que mais raro, também pode ser uma patologia perigosa. Conheça as possíveis complicações dessa enfermidade:

Sintomas agravados

Os sintomas em seus casos graves também acarretam grandes riscos para os pacientes, como nos quadros que apresentam trombose, gangrena, vasculite, miocardite, uremia e outras complicações.

Doença de Brill-Zinsser

Em alguns casos, a condição pode provocar uma infecção secundária conhecida como doença de Brill-Zinsser. Essa infecção surge anos depois da bactéria causadora do tifo se instalar no organismo.

Quando alguma dessas bactérias se escondem dentro das células nas quais se fixaram no início da doença, podem acarretar no surgimento dessa nova infecção. Os sintomas são parecidos com os do tifo, mas são mais moderados.

O desconforto é saber que essas bactérias, mesmo com o tratamento, podem permanecer inativas no organismo e surgirem anos depois. Não é comum, mas pode acontecer.

Como prevenir o tifo?

Para prevenir o tifo, algumas medidas básicas podem ser tomadas. Conheça:

Cuidados com a higiene pessoal

Um dos principais vetores da doença são os piolhos. Nesse caso, é importante ter controle sobre o aparecimento desses insetos. Ao notar essas presenças desagradáveis, tanto pelo perigo de se ter contato com a bactéria do tifo, quanto pela coceira, procure as medidas para conter a proliferação desses bichinhos.

É comum que crianças estejam mais vulneráveis a pegar piolhos, por isso, alguns cuidados são recomendados:

  • Evite compartilhar objetos pessoais como pentes, bonés e travesseiros;
  • Tenha cuidado ao encostar a cabeça em qualquer assento compartilhado, como no cinema, ônibus e avião;
  • Quando infectado, use os produtos certos, pelo tempo determinado, para conter os insetos;
  • Lave bem as roupas de corpo e de cama, de preferência em água quente;
  • Brinquedos de pelúcia também devem ser higienizados.

Cuidado com os animais de estimação

Fique atento aos seus bichinhos de estimação e o surgimento de coceiras. Eles também podem ser acometidos pelo tifo ou servirem de hospedeiros dos parasitas transmissores, como piolhos, pulgas e carrapatos.

Apesar das espécies de piolhos que parasitam esses animais serem diferentes dos que incomodam os humanos, também podem conter a bactéria da doença.

No entanto, acabar com essas “pragas” não é fácil. Por exemplo, uma única pulga fêmea é capaz de colocar de 25 a 30 ovos por dia.

Alguns cuidados com a higiene dos animais e com o ambiente em que vivem são algumas das formas para eliminar os parasitas.

Lavar cortinas, tapetes, panos em que se deitam, casinhas ou qualquer ambiente em que passam o dia é um começo para a prevenção.

Para o tratamento, existem algumas opções de xampus antipulgas, coleiras e produtos que combatem os insetos. Da mesma forma devem ser os cuidados com piolhos e carrapatos.

Proliferação de ratos

Além do tifo, os ratos apresentam o risco de transmissão de outra doença grave: a leptospirose. Vários fatores aumentam a possibilidade de infestação desses roedores, como vegetação alta, entulhos no quintal e o clima.

É mais comum a proliferação dos ratos no outono, com as variações de temperatura e constantes chuvas.

Para que eles não estejam presentes no seu ambiente doméstico e não haja o risco de ter contato com as doenças que ele traz, algumas dicas podem ser seguidas:

  • Mantenha as caixas d’água sempre fechadas;
  • Tenha cuidado com resíduos orgânicos ao ar livre;
  • Mantenha o lixo separado e bem fechado para a coleta;
  • Não acumule entulhos dentro de casa ou próximo a ela;
  • Mantenha o jardim limpo;
  • Organize o local em que armazena os alimentos (despensa) e mantenha-o sempre bem limpo;
  • Rações dos animais domésticos, preferencialmente, devem ficar em locais elevados e longe das paredes.

O tifo é uma doença infecciosa provocada por uma bactéria e é transmitida por parasitas hospedeiros. Felizmente, tem tratamento e, atualmente, não provoca grandes epidemias. A doença pode ser prevenida com boas condições de saneamento básico e higiene.

Compartilhe esse texto com seus amigos e familiares e contribua para que mais pessoas tenham informações sobre o tifo.

Fontes consultadas

29/11/2018 18:58

Estela (Minuto Saudável)

Redatora, é jornalista pela Universidade Positivo. Autora de websérie sobre intersexualidade e identidade de gênero. Produz matérias sobre alimentação e saúde da mulher.

Ver comentários

  • Gostaria de saber a respeito de hemorroidas.

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    • Olá, Dora

      Nesse texto não falamos sobre hemorroidas, mas você pode esclarecer suas dúvidas no texto que temos sobre o tema, clicando aqui.

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  • HOUVE UM ERRO DE REDAÇÃO NO TEXTO: VOCÊ COLOCOU O TÍTULO - Tifo epidêmico - mAS ERROU AO DESCREVÊ-LO, LOGO EM SEGUIDA:
    O tifo endêmico (O ERRO ESTÁ AQUI!), também conhecido como exantemático, é provocado por uma bactéria chamada Rickettsia prowazekii. Abraço.

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    • Olá, Uilmara.

      Já atualizamos o texto. Obrigada pela correção e pela leitura!

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      • Boa noite !

        Quero saber se posso usar o texto como fonte de pesquisa em umtra balho do curso de técnico de enfermagem

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        • Olá, Douglas!

          Pode sim! Buscamos sempre fontes de credibilidade para produzir nossos artigos e por isso ficamos feliz em ajudar em seu trabalho também. Obrigada pela leitura e pelo interesse em nosso artigo.

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