Meningite (bacteriana, viral): o que é, sintomas, vacina, tem cura?

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR: 27679) – Medicina Preventiva e Social

O que é meningite?

A meningite é uma inflamação de uma ou mais meninges, as três camadas protetoras do cérebro. A inflamação, na grande maioria das vezes, é infecciosa (causada por vírus ou bactérias) e, em raros casos, tem causas não infecciosas, provocadas por medicamentos e tumores, por exemplo.

As meninges são camadas finas que ficam entre o crânio e o cérebro, além de recobrir a medula espinhal.

São elas a dura-máter, camada externa, mais grossa das três, dita rígida como couro; a aracnoide, que é fina, fica entre as outras duas e lembra uma teia de aranha devido a seu formato; e a pia-máter, a mais sensível das três, que encosta e fica aderida diretamente ao cérebro e à medula espinhal.

A doença é contagiosa nas versões bacteriana e viral, e pode ser transmitida de diversas formas de pessoa para pessoa.

Quando causada por bactérias, a meningite é extremamente perigosa e, caso não seja tratada, pode levar à morte.

Já nas versões virais, ela costuma se resolver de maneira espontânea, apesar de poder apresentar riscos para a vida.

Um dos sintomas mais claros da meningite, a rigidez da nuca (apesar de não exclusivo), costuma ser relacionado à versão bacteriana, portanto é sempre uma emergência médica.

A versão viral geralmente possui os mesmos sintomas em intensidades diferentes, mas a diferenciação entre cada tipo da doença é inviável sem exames laboratoriais, por isso é sempre recomendado ir ao médico caso haja suspeitas de meningite.

É possível prevenir alguns tipos de meningite através da vacinação, reduzindo assim as chances de contágio, especialmente em crianças.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é meningite?
  2. Tipos
  3. Causas
  4. Transmissão
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Diagnóstico
  8. Tem cura?
  9. Tratamento
  10. Medicamentos
  11. Convivendo
  12. Prognóstico
  13. Complicações
  14. Vacina
  15. Prevenção
  16. Perguntas frequentes

Tipos

A meningite pode ser dividida entre as que têm causas infecciosas (bacteriana, viral e fúngica) e não infecciosas. Conheça cada um dos tipos:

Meningite bacteriana

A meningite bacteriana é causada, como diz o nome, por bactérias. Em certos casos elas conseguem infectar algumas das meninges.

Este tipo de meningite é extremamente perigosa e o tratamento médico é necessário e emergencial.

Enquanto todas as meningites bacterianas são preocupantes, algumas são mais comuns do que outras, como a meningocócica.

É importante notar que as vacinas para meningite só existem para as versões bacterianas.

Meningite meningocócica

As meningites bacterianas mais comuns são as meningites meningocócicas. Elas são causadas pelas diversas variações da bactéria Neisseria meningitidis (meningococos), que pode provocar as meningites dos subtipos A, B, C, W e Y. Cada um dos sorogrupos desta bactéria possui suas particularidades.

Existem vacinas para todas as meningites meningocócicas, mas a maior parte delas está disponível apenas no setor privado de saúde.

O SUS, entretanto, disponibiliza a vacinação contra a meningite meningocócica tipo C, já que ela é a versão mais frequente da doença, portanto imunizar a população contra ela é o mais eficiente para reduzir o número de casos.

Meningite pneumocócica

Causada pelas variedades de bactérias Streptococos pneumoniae, as mesmas causadoras da pneumonia, a meningite pneumocócica costuma se manifestar quando o paciente tem sua imunidade reduzida.

Meningite por influenzae

A meningite por influenzae é causada pela bactéria Haemophilus influenzae em suas diversas variações (A, B, C, D, E, F). A bactéria pode causar otite, faringite, bronquite, pneumonia e meningite. Existe vacina contra a variação B da bactéria, também disponível apenas no setor privado.

Meningite tuberculosa

A meningite tuberculosa é causada pela mesma bactéria que causa a tuberculose (Mycobacterium tuberculosis) e é a complicação mais grave da infecção causada por ela. Assim como no caso da tuberculose, a meningite tuberculosa exige um tratamento longo.

Meningite viral

A meningite viral costuma ser mais branda do que a bacteriana e raramente é fatal, mesmo sem tratamento. Frequentemente é causada por enterovírus, uma classificação da qual o vírus da poliomielite faz parte. Também pode ser causada pelo vírus da herpes simples ou o da varicela-zoster, além do HIV.

É o tipo mais comum da doença, representando quase metade dos casos. A recuperação pode ser espontânea, mas caso perceba sintomas de meningite, é importante que o paciente seja levado ao médico urgentemente.

Meningite fúngica

A meningite fúngica é incomum, já que comumente depende de contaminar pessoas com sistema imunológico enfraquecido, enquanto os outros tipos podem facilmente contaminar até mesmo indivíduos com sistema imunológico saudável.

Medicamentos imunossupressores e a contaminação por HIV podem enfraquecer o sistema imunológico, facilitando a inflamação das meninges por infecção por fungos. O tipo mais comum da meningite fúngica, a meningite criptocócica de doença é responsável por 20% a 25% das mortes relacionadas ao HIV no continente africano.

Como este tipo de meningite está principalmente conectado com o sistema imunológico enfraquecido, o que é frequentemente ligado a doenças sem cura, é comum que a condição seja crônica, retornando com frequência após o tratamento.

Meningite parasitária

A meningite parasitária é uma inflamação causada pela presença de parasitas nas meninges do paciente. Os parasitas causadores deste tipo de meningite costumam ser o Schistosoma ou o Taenia solium (no formato de cisticercose).

Meningite eosinofílica

Existe também um subtipo de meningite parasitária chamada meningite eosinofílica, causada por alguns parasitas, principalmente o Angiostrongylus cantonensis, cujo hospedeiro definitivo são roedores, mas que podem infectar humanos acidentalmente.

O principal vetor desse parasita no Brasil é o caramujo gigante africano. A espécie foi trazida para o país para a produção de escargot, mas como não houve crescimento no mercado, a espécie foi solta e se tornou uma praga. O caramujo não é o único vetor do parasita, mas é o mais frequente.

Meningite não infecciosa

De maneira mais incomum, é possível que haja inflamação das meninges sem infecção. Quando acontece, a inflamação tem relação com medicamentos (como anti-inflamatórios não esteroides ou antibióticos), além de poder ser causada por metástase de câncer, ou seja, quando células de um câncer alcançam as meninges.

A meningite não infecciosa pode ser causada por diversas condições que afetam o cérebro e não envolvem infecção de outros seres vivos.

Diversos distúrbios podem causar a doença e, em alguns casos, ela é crônica ou subaguda, o que significa que a condição não melhora ou volta com frequência em decorrência de suas causas.

Causas

A meningite é uma inflamação das membranas que protegem o sistema nervoso central e o cérebro, as meninges, e sua causa mais frequente é a infecção, que pode ser viral, bacteriana ou fúngica. Entretanto, ela também pode ser causada por outros fatores.

Vírus

Entre as principais causas da meningite estão as infecções virais, que podem afetar as camadas de proteção do sistema nervoso central. Elas costumam ser causadas por enterovírus, mas não é apenas este gênero viral que pode causar a doença.

Entre os vírus que podem levar à meningite viral estão:

  • Poliovirus (Poliomielite);
  • Echovirus;
  • Herpes simplex virus (Herpes simples);
  • Vírus varicela-zoster;
  • Vírus da imunodeficiência humana (HIV);
  • Vírus da coriomeningite linfocitária.

Estas infecções virais não necessariamente causam a meningite, mas são possibilidades que não devem ser ignoradas.

Bactérias

Diversas bactérias comuns, quando alcançam o cérebro, podem resultar em meningite e o sistema imunológico, sozinho, raramente consegue lidar com a infecção sem tratamento.

O tipo de bactéria que causa meningite também varia de acordo com a idade do paciente.

Por exemplo, recém-nascidos e prematuros costumam ser infectados por estreptococos do grupo B, que podem viver na vagina e infectar o bebê durante o parto, ou por bactérias que habitam o sistema digestivo como a E. coli.

Algumas bactérias podem ser transmitidas da mãe para o bebê mesmo antes do parto.

Crianças até os 5 anos podem ser infectadas pelo Haemophilus influenzae do tipo B se não forem vacinadas. Esta bactéria pode causar a meningite, além de outras infecções como faringite, otite e pneumonia.

A maior parte dos casos em adultos são causados pela Neisseria meningitidis (meningite meningocócica) e pela Streptococcus pneumoniae (meningite pneumocócica). A partir dos 50 anos de idade, o risco de infecção pela Listeria monocytogenes aumenta.

A quantidade de bactérias que podem causar meningite é grande e elas estão sempre perto. Diversas delas vivem no nosso corpo sem causar problemas, mas algumas situações podem fazer com que elas cheguem às meninges.

Traumas no crânio podem fazer com que bactérias que vivem no nariz cheguem às meninges, por exemplo. Alguns procedimentos médicos invasivos também podem abrir caminho.

É possível que uma meningite bacteriana comece com uma sepse ou leve a uma. A sepse é uma síndrome que pode ser decorrente de uma infecção no sangue, e pode afetar o corpo inteiro já que as bactérias passam a ser levadas pela corrente sanguínea. Meningites bacterianas frequentemente causam este tipo de infecção se não tratadas com urgência.

Fungos

As meningites fúngicas não costumam afetar pessoas saudáveis. O sistema imunológico debilitado costuma levar à este tipo de meningite. Portadores de HIV podem ser infectados, o que é um grande perigo.

Os fungos que podem causar meningite, quando conseguem alcançar as meninges, são:

  • Cryptococcus neoformans;
  • Coccidioides immitis;
  • Histoplasma capsulatum;
  • Blastomyces dermatitidis;
  • Certas espécies de Candida;

O primeiro da lista é o causador da meningite fúngica mais comum, chamada de meningite criptocócica.

Parasitas

Os parasitas são organismos que não podem viver independentemente e precisam de um hospedeiro.

Diversos deles podem causar a meningite, alguns dos principais sendo o Angiostrongylus cantonensis, um verme que causa a doença no sudeste da ásia e na bacia do oceano Pacífico; e o Schistosoma, responsável, aqui no Brasil, pela esquistossomose, uma doença grave que é conhecida por barriga d’água.

A neurocisticercose também pode causar a meningite. Esta doença acontece quando os ovos do parasita Taenia solium, a tênia (também chamada de solitária), vão parar no cérebro ao invés de no intestino ou nos músculos, formando cistos que podem causar diversos problemas cerebrais, incluindo a inflamação das meninges.

Agentes não infecciosos

Certas condições como a sarcoidose, vasculite ou lúpus podem desencadear meningites. O rompimento de cistos cerebrais, assim como, de maneira muito rara, enxaquecas também podem.

Doenças autoimunes por vezes são causas de inflamação da meninge sem infecção. Esta última causa, entretanto, só é considerada quando todas as outras foram investigadas sem resultados.

Entre as condições não infecciosas que causam meningite estão:

  • Metástase de câncer;
  • Sarcoidose;
  • Síndrome de Behçet;
  • Lúpus;
  • Síndrome de Sjögren;
  • Ruptura de cistos intracranianos;
  • Artrite reumatoide.

Certas drogas têm relação com a condição, como anti-inflamatórios não esteroides ou imunomoduladores. O ibuprofeno, por exemplo, pode levar a uma inflamação da meninge. Além disso, certos antibióticos também podem ter este efeito, como a penicilinas e a ciprofloxacina.

Além disso, injeções no chamado espaço subaracnoideo, a região entre a pia-máter e a aracnoide, podem levar à condição.

Quimioterápicos, anestésicos e antibióticos são medicamentos que podem ser usados nesta região e a meningite não infecciosa é um possível efeito colateral.

Transmissão

Apenas as meningites bacteriana e viral podem ser transmitidas de pessoa para pessoa.

O contágio costuma se dar através de gotículas de saliva, espalhadas pela fala, tosse, beijos ou espirros.

Não é necessário que o portador da bactéria ou do vírus tenha meningite, especialmente porque vários dos agentes causadores da doença costumam estar na raiz de outras condições.

O vírus da herpes, por exemplo, é frequentemente transmitido pelo beijo de uma pessoa para outra, causando herpes, não meningite.

Muitas bactérias estreptocócicas costumam causar infecções de garganta e ouvido ao invés de chegar ao cérebro.

Em alguns casos, traumas podem levar bactérias que um paciente já possui para o cérebro, causando uma meningite.

Outro jeito de uma infecção que está em qualquer lugar do corpo chegar às meninges é através da bacteremia, que acontece quando as bactérias alcançam a corrente sanguínea, se espalhando para diversas partes do corpo.

As meningites fúngicas e parasitárias são mais incomuns. Sua transmissão não acontece de humano para humano, mas sim através de esporos e uso de material infectado com esporos (no caso dos fungos) e através da alimentação (no caso dos parasitas).

No parto

É possível que uma mãe transmita as bactérias causadoras da meningite para o filho durante o nascimento, já que existem bactérias como os Streptococus que vivem no canal vaginal e podem causar a doença.

Estas bactérias costumam ser inofensivas, mas podem causar problemas se entram em contato com a boca ou os olhos do bebê.

Para prevenir este tipo de contágio, é importante estar com o pré-natal em dia. Algumas semanas antes do parto é feito um exame para verificar se estas bactérias estão presentes. Caso estejam, a mãe recebe um antibiótico antes do parto para impedir a contaminação do bebê.

Fatores de risco

Apesar de qualquer um poder contrair a meningite, existem alguns fatores que aumentam os riscos da inflamação acontecer. São eles:

Idade

A meningite é consideravelmente mais perigosa em crianças do que em adultos. A idade também influencia quais bactérias causam a doença.

Meningite causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável pela meningite pneumocócica, é mais frequente em adultos e idosos, enquanto em bebês recém-nascidos a doença costuma ser causada por bactérias Listeria monocytogenes ou Escherichia coli.

Estas bactérias não estão limitadas para estas faixas etárias, mas esta distribuição é mais comum. Existem também outras bactérias que não fazem distinção de idade.

No caso da meningite viral, crianças são muito mais vulneráveis do que adultos, especialmente as recém-nascidas. Isso acontece porque o sistema imunológico das crianças ainda não está bem desenvolvido.

Ambientes fechados

É frequente que a meningite seja causada a partir de infecções mais comuns, como as de garganta. Conviver com diversas pessoas em lugares fechados favorece a transmissão de infecções bacterianas e virais, o que pode facilitar a contaminação das meninges.

Traumas na cabeça

Um dos jeitos que bactérias podem encontrar o caminho para as meninges é através de traumas na cabeça. Uma pancada pode ser o suficiente para fazer com que bactérias localizadas no nariz ou na garganta encontrem caminho para a região do cérebro ou do sangue, que eventualmente pode acabar nas meninges.

Sistema imunológico enfraquecido

Pessoas com sistema imunológico comprometido podem ser mais facilmente acometidas pela meningite. Portadores do HIV ou pessoas fazendo tratamento com imunossupressores estão neste grupo de risco.

É este grupo também que mais facilmente pode contrair a meningite fúngica, já que o sistema imunológico enfraquecido pode deixar fungos alcançarem a meninge.

Doenças autoimunes

Portadores de doenças autoimunes como a lúpus ou a artrite reumatoide podem desenvolver uma meningite não infecciosa. A condição pode causar uma inflamação das meninges, levando à meningite.

Proximidade com pessoas contaminadas

Por ser uma doença contagiosa, a proximidade com pessoas contaminadas eleva os riscos de meningite. Não é necessário, entretanto, um regime de quarentena caso alguém seja infectado.

A doença, apesar de perigosa, depende de alguns fatores para se instalar já que as meninges costumam estar bem protegidas de infecções.

É mais provável que as bactérias causem infecções de ouvido ou garganta do que uma meningite.

Sintomas

Os sintomas mais claros da doença são mais comuns na meningite bacteriana, mas não é possível diferenciar os tipos de meningite apenas pelos sintomas.

O que os causa não é a infecção, mas sim a inflamação. A inflamação é uma resposta do corpo, não é causada diretamente pelo agente infeccioso. É por isso que os sintomas são os mesmos em qualquer tipo de meningite, com variações apenas na intensidade, que também muda de pessoa para pessoa.

Portanto, ao perceber estes sintomas e desconfiar de meningite, é importante levar o paciente o mais rápido possível para o hospital.

Os sintomas são os seguintes:

  • Dor de cabeça forte;
  • Febre;
  • Rigidez da nuca (pescoço rígido, meningismo, mais comum na bacteriana);
  • Coração acelerado (taquicardia);
  • Sensibilidade à luz (fotofobia);
  • Letargia;
  • Náusea;
  • Vômito em jato;
  • Dor na nuca;
  • Sonolência e problemas para dormir;
  • Falta de apetite.

Em adição a isso, crianças e bebês também podem apresentar:

  • Choro incontrolável;
  • Dificuldade de amamentação;
  • Pele fria e úmida;
  • Palidez;
  • Moleira inchada;
  • Irritabilidade e apatia;
  • Corpo rígido ou mole;
  • Sonolência;
  • Convulsões;
  • Problemas respiratórios.

Além disso, bactérias específicas podem causar outros sintomas. A infecção pelo Staphylococcus aureus pode resultar em dor nas costas e bactérias meningocócicas, nos estágios avançados, podem fazer com que manchas vermelhas apareçam na pele, como se fossem pequenas perfurações de agulha.

Estas manchas também podem aparecer nas cores rosa e roxa, e são causadas quando as bactérias infectam o os capilares sanguíneos depois de uma sepse (infecção generalizada) se instalar.

Quando a bactéria infecta outros lugares, como a garganta ou ouvido (causando infecção de garganta ou otite), os sintomas destas condições também podem aparecer.

Importante notar que, junto da rigidez da nuca, os vômitos em jato são um dos sinais claros da meningite. São vômitos que vêm sem náusea, causados por pressão elevada dentro do crânio.

Apenas este sintoma, isolado, não significa que haja meningite, mas quando ele aparece em conjunto com qualquer um dos outros, é importante levar o paciente para o médico o quanto antes.

A meningite viral é consideravelmente menos grave do que a bacteriana e seus sintomas podem ser confundidos com uma doença infecciosa mais comum, como uma virose.

Como é feito o diagnóstico?

Existem algumas maneiras de se diagnosticar a meningite. Quando os sintomas levantam suspeita, alguns exames podem ser feitos para diferenciar doenças que podem causar sintomas parecidos ou encontrar os agentes causadores de meningite.

Os médicos indicados para o tratamento da meningite são o neurologista e o infectologista.

Os exames solicitados podem incluir:

Exame de sangue

O exame de sangue no caso de suspeita de meningite busca, principalmente, descartar outros diagnósticos.

Ele também pode diferenciar uma meningite bacteriana de uma viral, além de permitir encontrar outras infecções que possam estar no corpo do paciente, além da meningite.

Exames de imagem

Exames de imagem como raios-X e tomografias computadorizadas podem encontrar anomalias no cérebro ou outras regiões do corpo, descartando ou confirmando a possibilidade de uma meningite.

Punção lombar e análise do líquido cefalorraquidiano

A punção lombar é o exame definitivo para o diagnóstico da meningite. As meninges não ficam apenas no cérebro, mas protegem o sistema nervoso central inteiro, que é constituído também pela medula espinhal.

Logo abaixo da aracnoide e acima da pia-máter fica o líquido cefalorraquidiano, que serve para proteger o sistema nervoso, como se fosse um amortecedor, além de levar alguns nutrientes para ele.

Também chamado de líquor, este líquido pode ser extraído com uma agulha da medula espinhal e examinado. Como ele está em contato direto com as meninges, trará sinais de infecção caso ela esteja presente.

Depois de recolher 1mL de líquor, os exames são feitos. Nos casos de meningite bacteriana, já durante a retirada do líquido é possível ver que ele está turvo ou purulento ao invés de transparente e claro como deveria ser.

Na meningite tuberculosa, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (que também causa tuberculose), o líquor fica levemente turvo.

Nos casos de meningite viral ou fúngica, não existe sinal na aparência do líquido cefalorraquidiano, mas outros exames do líquor, como a análise da quantidade de glicose e proteínas, que ficam alteradas durante a meningite, podem ser feitos para o diagnóstico.

A cultura bacteriana também pode dar resultados, além da citometria, que analisa micróbios em líquidos. Após o diagnóstico, o tratamento pode ser feito.

Meningite tem cura?

Sim, a meningite tem cura, mas o tratamento deve ser feito rápido. Nem sempre é fácil distinguir a meningite bacteriana — que é muito mais perigosa — da viral ou dos outros tipos, que também não devem ser ignorados.

A morte por meningite pode acontecer de maneira rápida, além de outras sequelas, portanto é importantíssimo levar o paciente com suspeita da doença para o hospital o mais rápido possível.

Qual o tratamento?

O tratamento da meningite depende do tipo dela. Caso o paciente esteja muito mal, é comum que os médicos mediquem o paciente com antibióticos antes mesmo de os resultados do exame chegarem.

Isso garante que pessoas com meningite bacteriana, a mais perigosa, sejam tratadas o mais rápido possível.

Caso haja sinais de pressão intracraniana elevada, é possível tratar esta elevação através de drenagem, que pode ser feita através de um shunt cerebral.

O shunt cerebral se trata de uma válvula ligada a um cateter que fica dentro do crânio, com o objetivo de remover excesso de líquido cefalorraquidiano, aliviando a pressão.

As opções de tratamento são as seguintes:

Meningite bacteriana

Antibióticos intravenosos, que possuem ação mais rápida do que os em comprimido, são usados para o tratamento da meningite bacteriana.

Por ser extremamente perigosa, a doença precisa de tratamento rápido para evitar sequelas e morte do paciente. Os antibióticos agem eliminando as bactérias, o que causa a redução na inflamação.

Quando o tratamento com antibióticos é iniciado antes de se haver certeza de qual bactéria está presente (ou sequer se existe uma bactéria causando a inflamação), o medicamento escolhido possui efeito para uma grande quantidade de agentes. Mas após o diagnóstico, ele pode ser trocado para um antibiótico mais específico.

Por exemplo, o tratamento de meningite tuberculosa é diferente da pneumocócica, já que são bactérias distintas. O uso de antibióticos no caso da tuberculosa pode durar um ano inteiro.

Seu médico irá saber qual antibiótico indicar e por quanto tempo você deverá tomá-lo.

Esteroides

Quando os antibióticos começam a agir e matar as bactérias, elas são destruídas, mas os seus restos continuam lá. Isso pode causar outro processo inflamatório na região.

Para combater este efeito adverso do uso dos antibióticos, é possível que medicamentos esteroides como corticoides sejam utilizados para o controle da inflamação, evitando assim possíveis sequelas da doença.

Meningite viral

A meningite viral, em grande parte dos casos, não precisa de tratamento já que é frequente que se cure espontaneamente. O médico pode recomendar repouso e ingestão de líquidos para que o paciente se recupere melhor.

Quando o tratamento é feito, costuma ser sintomático (voltado apenas para os sintomas), com medicamentos para reduzir as dores e desconfortos até que o corpo lide com o vírus.

Em casos específicos pode ser utilizando um medicamento antiviral para acelerar o tratamento e garantir seu sucesso.

Meningite fúngica

A meningite fúngica é tratada com medicamentos antifúngicos. Punções lombares e shunts (válvula) cerebrais também podem ser usados como tratamento com o objetivo de drenar excesso de líquido cefalorraquidiano, já que o aumento da pressão intracraniana é frequente quando a meningite é causada por fungos.

Meningite não infecciosa

O tratamento da meningite não infecciosa é extremamente variado porque depende completamente do agente causador.

Se for um medicamento, deve-se retirá-lo do tratamento do paciente. Se for um tumor, os tratamentos quimioterápico e cirúrgico podem ser a solução. Caso haja uma doença autoimune, o controle da condição é necessário.

Tratar uma meningite não infecciosa é uma questão de conhecimento da causa, que deve ser acompanhada de acordo com os conhecimentos médicos.

Medicamentos para meningite

Os medicamentos usados para tratar a meningite, em sua maioria, são antibióticos, já que os principais causadores das versões graves da doença são diversas bactérias.

Antivirais podem ser usados em alguns casos de meningite viral e antifúngicos para meningite fúngica. Em qualquer um dos casos, o tratamento dos sintomas pode ser empregado caso necessário.

Antibióticos

Esteroides

Antivirais

Antifúngicos

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Enquanto trata a meningite, é importante seguir os conselhos médicos. Em vários casos, o internamento pode ser necessário.

Algumas medidas podem ser tomadas para evitar a contaminação de outras pessoas.

Use máscara

A meningite não é transmitida pelo ar, mas sim pelas gotículas de saliva e muco que podem sair da boca e nariz de alguém doente enquanto esta pessoa fala, tosse, espirra ou beija.

O uso da máscara evita que as bactérias cheguem aos outros e protege a todos.

Avise a escola

Se seu filho contrair meningite, avise a escola onde a criança estuda para que eles possam descobrir se existem outras crianças contaminadas e tomar medidas preventivas.

Hidrate-se

Hidratar-se é muito importante em qualquer condição que possa causar vômitos, além de ajudar o sistema imunológico.

Mantenha hábitos de higiene

Manter objetos e mãos limpas é uma maneira de evitar que a doença se espalhe. Apesar de a maior parte dos agentes causadores da meningite não sobreviver fora do corpo por muito tempo, a higiene pode garantir que este risco seja ainda mais reduzido.

Prognóstico

O prognóstico de cada um dos tipos de meningite é diferente devido as diferentes causas das condições.

A meningite bacteriana, se não tratada, é extremamente perigosa, porém é possível tratá-la com grande eficiência. Quanto mais o paciente demorar para iniciar o tratamento, maiores os riscos de sequelas e de morte, portanto é de extrema importância que se vá ao médico o mais cedo possível.

No caso da meningite viral, é comum que o corpo consiga lidar com ela sem nenhum tratamento, apenas com descanso e hidratação.

Entretanto, é importante ir no médico se houver sintomas, já que, como já foi explicado, é impossível diferenciar os tipos de meningite apenas pelos sintomas. Ignorar os sinais sem ter certeza de qual tipo da doença se trata pode trazer prejuízos à saúde.

Na meningite fúngica, na grande maioria das vezes, afeta pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos. Não é raro que as condições que causam este enfraquecimento sejam crônicas, portanto a contaminação das meninges também pode voltar com frequência.

Nos casos em que o enfraquecimento do sistema imunológico não é crônico, assim que ele se recupera e a condição é tratada, a doença não costuma voltar. É importante notar, entretanto, que a meningite fúngica pode ser muito perigosa.

Já o prognóstico da meningite não infecciosa depende completamente do que causa a condição. Se for um medicamento, deixar de usá-lo costuma resultar em cura total da meningite. Se for alguma condição crônica, como lúpus, o controle da condição pode resolver a meningite.

Complicações

Quando o tratamento é adiado, a meningite pode trazer consequências graves. Quanto mais tempo ele demora para começar, piores as sequelas.

A infecção e a inflamação pode levar a danos permanentes no sistema nervoso central, o que pode causar diversos problemas físicos, mentais e sensoriais. Entre eles:

Epilepsia

Os danos causados pela meningite podem causar convulsões. Em alguns casos, os danos podem ser permanentes, o que caracteriza a epilepsia, que deverá ser tratada indefinidamente.

Paralisia

Quando o sistema nervoso é danificado, o trabalho dos nervos pode ser prejudicado, o que pode levar a dificuldades de movimento e até a paralisia completa de certas partes do corpo.

Redução de capacidades mentais

Perda de concentração, problemas de aprendizagem e memória e inclusive problemas comportamentais podem ser causados por uma meningite que demore a ser tratada da maneira adequada, especialmente nos casos em que a doença se apresenta na versão bacteriana.

Problemas sensoriais

A visão e a audição podem ser danificados pela meningite, assim como o tato, caso os nervos sejam suficientemente danificados.

Morte

A consequência mais grave da meningite é a morte. Os danos no cérebro podem ser muitos para que o paciente sobreviva. O tratamento tardio pode não ser o bastante para salvar um paciente da morte por meningite, que é mais frequente em bebês e idosos, mas pode se apresentar em adultos saudáveis que demorem a conseguir tratamento.

Vacina contra a meningite

Existe vacina somente para a meningite bacteriana. O Ministério da Saúde inclusive possui campanha que busca vacinar adolescentes entre 9 e 14 anos contra o HPV e a Meningite Meningocócica C (Meningite C).

Além disso, existe a vacina contra a meningite B, que está disponível em clínicas particulares. Como a meningite C é a mais comum no Brasil, o governo brasileiro disponibiliza a vacina para ela no SUS e faz campanhas para promover seu uso, diferente da vacina para a meningite B, que é uma versão mais rara da doença.

Existe também, na rede particular, a vacina ACWY, que protege contra as meningites A, C, W e Y, ou seja, previne quatro subtipos da doença em uma única vacinação.

Quem deve se vacinar?

A meningite tipo C é a mais comum e a sua vacina é disponibilizada pelo SUS gratuitamente. Ela é dividida em três doses.

A primeira dose de vacinação contra meningite C deve ser aplicada aos 3 meses de idade. Recomenda-se que a segunda dose seja aplicada aos 5 meses e a terceira (reforço) aos 12 meses de idade.

Recomenda-se vacinar contra a meningite C antes dos 2 anos de idade, mas qualquer um que não tenha sido imunizado pode tomar as vacinas.

Leia mais: saiba Tudo sobre as vacinas da meningite!

Prevenção

O melhor jeito de prevenir a meningite bacteriana é através da vacinação, mas como nem toda bactéria que causa meningite possui vacina, só isso não basta para garantir a imunidade à doença. Além disso, existem as meningites causadas por outros agentes.

Você pode fazer algumas coisas para garantir que as chances de contágio fiquem menores ainda!

Evite lugares aglomerados e fechados

Sempre que possível, ventile o ambiente quando o lugar estiver cheio. Muitas pessoas juntas em um lugar fechado é um jeito garantido de espalhar doenças transmissíveis pela fala, tosse ou espirros para várias pessoas.

Alimente-se bem

Uma alimentação equilibrada fortalece o sistema imunológico, o que permite que seu corpo se proteja melhor contra qualquer infecção, incluindo aquelas que podem ocasionar a meningite. Recomenda-se ingerir muita água, além de alimentos que contenham vitamina C como a laranja, o kiwi e a acerola.

Lave bem as mãos

Especialmente depois de sair de lugares públicos como ônibus ou metrô, é uma boa ideia lavar as mãos. Os agentes causadores da meningite não podem entrar no corpo através da pele sem que haja um corte, mas se você levar mãos contaminadas aos olhos ou boca, é possível que pegue a doença.

Lave bem as mãos com água e sabão sempre que puder para garantir que elas estão livres de bactérias e vírus que possam levar à meningite.

Evite comer carne mal cozida

Para evitar a contaminação por parasitas que podem causar meningite, evite a alimentação com carnes mal cozidas, quaisquer que sejam elas. Os parasitas costumam ser contraídos através da alimentação, seja de carne bovina, suína ou até mesmo de moluscos, como no caso do escargot, que pode estar contaminado e transmitir a doença se não for bem cozido.

Lave bem os alimentos

Lavar os alimentos previne mais de um tipo de meningite. Vírus, bactérias e parasitas podem estar presentes na comida que, se não for bem lavada, pode servir para que a pessoa seja contaminada.

Evitar a contaminação é a maneira mais eficiente de evitar a meningite.

Perguntas frequentes

Algumas dúvidas podem estar presentes ainda. Vamos ver quais são algumas das perguntas mais frequentes sobre meningite?

Fico imune à meningite depois de ter a doença?

Sim e não. Quando você contrai meningite e se cura, seu corpo se torna imune ao agente patológico que causou a inflamação das meninges, mas outra bactéria ou vírus pode causar a doença, então não é possível ficar completamente imune à meningite, mas sim a causadores individuais.

Onde posso me vacinar?

Você pode vacinar seus filhos contra a meningite C em postos de saúde. Também é possível se vacinar em clínicas especializadas para diversas tipos de meningite como a B, A, W e Y, além da C.


Você aprendeu que a meningite é uma doença grave e infecciosa, que exige tratamento médico urgente quando é bacteriana.

As meninges devem ser protegidas para que possam proteger o cérebro, então é importante cuidar da própria imunidade e ir ao médico se houver sinais da doença.

Compartilhe com seus amigos para que eles também aprendam sobre a meningite!

Fontes consultadas

  • Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27.679 | CRM/SC 25.853 | CRM/SP 144.063), graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP-SP (PROAHSA). MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde (CEAHS) pela FGV-SP
  • Fatores de risco para meningite bacteriana no recém-nascido – Vera Lúcia Jornada Krebs, Luciana Delboni Taricc
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