No início, ela se assemelha a uma infecção simples — pode até ser confundida com uma resfriado, mas em poucas horas a doença evolui agressivamente.

A meningite bacteriana é grave e precisa de intervenção medicamentosa precoce.

A demora no diagnóstico resulta em taxas elevadas de danos irreversíveis, como alterações de audição, visão e, em até 30% dos casos, podem levar à morte.

Há diversos antibióticos capazes de tratar o quadro, mas é por meio da vacinação e imunização que os riscos são consideravelmente reduzidos.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que são meningites bacterianas?
  2. O que são meningites?
  3. O que são meninges?
  4. Fisiopatologia da meningite: como a bactéria infecta o corpo?
  5. Quais os tipos de meningite bacteriana?
  6. Meningite bacteriana em bebê
  7. O que é doença meningocócica?
  8. Causas: como ocorre a infecção?
  9. Transmissão: como pega meningite bacteriana?
  10. Fatores de risco
  11. Sintomas
  12. Como é feito o diagnóstico?
  13. Tem cura?
  14. Qual o tratamento?
  15. Medicamentos
  16. Prognóstico
  17. Complicações: meningite bacteriana pode deixar sequelas?
  18. Aspectos epidemiológicos no Brasil
  19. Como prevenir?
  20. Vacinas contra a meningite
  21. Perguntas frequentes

O que são meningites bacterianas?

Meningites bacterianas são condições inflamatórias que se desenvolvem nas meninges — membranas que envolvem o cérebro e a medula cerebral — decorrentes da infecção de bactérias. São geralmente quadros graves e de rápida evolução, podendo levar à morte.

Apesar de haver outras causas para a meningite (como vírus ou fungos), a bacteriana está entre as mais perigosas. Isso se dá tanto pelo impacto no organismo, com riscos de morte, quanto pela capacidade de disseminação e surtos da doença.

Entre as bactérias mais relacionadas às meningites estão a Neisseria meningitidis (Meningococo), Streptococcus pneumoniae, Mycobacterium tuberculosis e Haemophilus influenzae.

Entre elas, ainda se destacam 2 principais agentes causadores, o meningococo e o pneumococo.

Então, meningite bacteriana é a inflamação das meninges causada por bactérias, que podem ser de vários sorogrupos, como B, C, Y e W.

Quando a infecção é causada por um tipo específico de agente, a neisseria meningitidis (ou meningococo), a condição é chamada de doença meningocócica.

Assim como outras condições infecciosas, a meningite bacteriana pode ser transmitida por gotículas de saliva quando a pessoa contaminada fala ou tosse, ou por contato com as secreções nasais infectadas.

Ainda que todas as pessoas possam contrair a doença, são as crianças, idosos e pacientes com imunidade debilitada os mais vulneráveis.

Quando começa a se manifestar, a infecção pode gerar febre, rigidez na nuca, dores de cabeça, náuseas, vômitos e confusão mental. Em alguns casos, com evolução grave, a doença pode desencadear convulsões, paralisias e tremores.

O tratamento consiste em medicação para combater as bactérias (antibióticos) e terapia auxiliar, como repouso e reposição da hidratação.

No CID-10, a meningite está listada sob os códigos:

  • G00.0 — Meningite por Haemophilus;
  • G00.1 — Meningite pneumocócica;
  • G00.2 — Meningite estreptocócica;
  • G00.3 — Meningite estafilocócica;
  • G00.8 — Outras meningites bacterianas;
  • G00.9 — Meningite bacteriana não especificada.

O que são meningites?

Meningite é uma inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro.

A condição dificulta a oxigenação das células do corpo e pode causar sintomas como dores de cabeça intensas, rigidez na nuca, febres e vômitos.

Os sintomas não são muito diferentes entre cada tipo, mas os agentes causadores sim. Isso porque há os tipos infecciosos (sépticas) e não infecciosos (assépticas) de meningite.

Enquanto os infecciosos podem ser causados por bactérias, vírus ou fungos, o segundo grupo pode decorrer de traumas ou intoxicação medicamentosa.

Leia mais: Conheça sobre a meningite viral

O que são meninges?

Meninges são camadas que recobrem o cérebro e a medula espinhal. É basicamente como pensar que abaixo do osso do crânio há uma camada que o separa do cérebro.

Uma não, na verdade são 3: dura máter, aracnóide e pia máter.

A dura máter é a mais externa camada. Também é a mais resistente (também chamada de paquimeninge), possuindo um sistema próprio de vasos e nervos.

Em seguida, há a aracnóide, camada intermediária, que não possui nervos e é bastante delicada.

O nome, inclusive, decorre de sua aparência, que remete à uma teia de aranha. Já a pia máter é a camada mais interna, bastante fina e transparente.

Entre a camada aracnóide e a pia-máter há o chamado espaço subaracnóideo, que concentra o líquido cefalorraquidiano, responsável pela proteção do sistema nervoso central.

As duas últimas, devido à característica mais fina, são chamadas de leptomeninge.

As meninges recobrem o sistema nervoso central, que é formado pelo encéfalo e a medula espinhal (ou epinal).

O encéfalo não compreende apenas o cérebro, como muita gente pensa.

Além dele, há também o cerebelo (controla principalmente o equilíbrio), hipotálamo (relacionado com controle de temperatura e pressão arterial, por exemplo), tálamo (conduz estímulos de sentido, como olfato) e ponte (coordena movimentos).

Já a medula espinhal é um segmento alongado localizado no canal vertebral e possui cerca de 45cm. Ou seja, a coluna vertebral funciona como uma proteção à medula espinhal.

A função da medula espinhal faz a comunicação entre o organismo e o encéfalo. Portanto, os sinais que partem do encéfalo chegam aos receptores do corpo por meio da medula.

Todas essas estruturas são protegidas pelas meninges.

Fisiopatologia da meningite: como a bactéria infecta o corpo?

Em geral, as bactérias invadem o corpo e colonizam a mucosa da nasofaringe.

Ou seja, quando alguma pessoa contaminada espirra ou tosse, por exemplo, gotículas de saliva contendo as bactérias entram em contato com o organismo saudável e os agentes invadem os tecidos.

A concentração de bactérias na parte do nasofaringe é considerada uma fase transitória, geralmente assintomática, da infecção. Aos poucos, os bactérias penetram nas mucosas e, vencendo os agentes imunes, chegam à corrente sanguínea.

Se conseguir sobreviver pelo trajeto, elas chegam à barreira hematoencefálica (membrana que envolve e protege o sistema nervoso central) e finalmente atingem o espaço subaracnóideo.

Como lá não há concentrações de anticorpos, o agente infeccioso encontra um ambiente de fácil replicação. Inicia-se então a liberação de substâncias inflamatórias, responsáveis pelo surgimento dos sintomas característicos.

Quais os tipos de meningite bacteriana?

As infecções bacterianas, em geral, têm capacidade para afetar as meninges e desencadear a inflamação da camada.

Normalmente, os tipos são definidos de acordo com os agentes bacterianos envolvidos. Os mais comuns são:

Neisseria meningitidis ou meningococo

É uma bactéria que possui um formato semelhante ao coco, arredondada. Esse grupo possui vários subgrupos, chamados de sorotipos.

Cada um deles é definido de acordo com a estrutura da bactéria. Ou seja, é mais ou menos como se cada sorotipo tivesse alguma pequena diferença no corpo (cápsula).

Os mais frequentes são os sorogrupos A, B, C, W135 e Y. Inclusive, esses tipos possuem vacina no Brasil.

Quando a inflamação é decorrente dos meningococos, as bactérias (que inicialmente estão localizadas na nasofaringe) podem espalhar-se pelo organismo, sendo chamada de meningococcemia. Ambas são denominadas de doenças meningocócicas.

Streptococcus pneumoniae

É uma bactéria esférica, também semelhante a um coco e há mais de 90 sorotipos do agente. Apesar dessa grande variedade, no Brasil há alguns tipos mais comuns: 14, 1, 6B, 5, 6A, 23F, 19F, 9V, 3,4, 10A, 8 e 7F.

O agente está relacionado também a outras infecções, como infecções pulmonares, otites e sinusites.

Mycobacterium tuberculosis

Sua estrutura é semelhante a um bastonete. A incidência é alta em crianças pequenas e, em geral, sua evolução é mais lenta em comparação com os outros tipos de meningite.

Haemophilus Influenzae

Há 6 sorotipos da bactérias (A, B, C D, E e F). O agente afeta sobretudo crianças e lactantes, sendo que cerca de 90% dos casos são em crianças abaixo de 5 anos.

O grupo também está relacionado às doenças mais brandas ou assintomáticas, como bronquite, sinusite e otite.

Meningite bacteriana em bebê

A meningite é uma condição frequente nas crianças, pois o sistema imune é, em geral, mais fraco se comparado aos adultos.

Isso faz com que diversas doenças se manifestem com mais facilidade na infância e, quando acometem os pequenos, são bastante semelhantes aos adultos, causando febre alta, vômitos, cansaço e dores de cabeça.

Porém, vale destacar que há alguns tipos de meningites que têm alta incidência em crianças menores de 5 anos.

Como há dificuldade da criança relatar o que está sentindo, outros sinais devem ser observados para levantar as suspeitas da infecção. Assim como nos adultos, os sintomas se manifestam repentinamente.

Isso ocorre sobretudo naquelas que ainda são bebês. Por isso, é importante observar sinais como sonolência, irritação sem motivo, choro constante, cansaço e mudanças no comportamento (como deixar de brincar ou perda de apetite).

Em crianças maiores, o relato de dores de cabeça junto com a percepção do estado febril é um sinal de alerta.

O procedimento é o mesmo para tratar os adultos, baseando-se sobretudo na administração de antibióticos e acompanhamento do estado clínico.

Em média, 35% dos recém-nascidos que são infectados podem sofrer com convulsões. Esse número é menor em crianças maiores, sendo de 20% o risco de ocorrer uma crise convulsiva.

O prognóstico tende a variar de acordo com a bactéria e a idade da criança. Entre 5% e 25% dos recém-nascidos vão a óbito e, entre os que sobrevivem, até metade deles podem sofrer com danos irreversíveis ao cérebro (como redução da audição ou perdas cognitivas).

O que é doença meningocócica?

Doença meningocócica é um termo usado para se referir às infecções e manifestações causadas pela bactéria Neisseria meningitidis, também chamada de meningococo.

Esse tipo específico de agente pode infectar o corpo e permanecer localizado, desencadeando uma meningite (inflamação das meninges) ou se espalhar pelo corpo (sepse), condição chamada de meningococcemia.

Meningococcemia: qual a diferença para meningite?

A meningococcemia é uma condição agravada da infecção bacteriana por Neisseria meningitidis. Ela é chamada também de doença meningocócica e é caracterizada pela disseminação do agente pelo organismo.

Quando ocorre, os sintomas são, normalmente, mal-estar súbito e intenso, febre alta, calafrios e lesões na pele, como hematomas (equimoses) e manchas vermelhas (petéquias).

As condições podem estar associadas, ou seja, ocorrem juntas (meningite + meningococcemia) ou isoladas (inclusive, pode ocorrer sepse sem haver meningite). Podem ocorrer:

  • Meningite meningocócica: presença de bactérias nas meninges;
  • Meningococcemia: presença de bactérias na corrente sanguínea;
  • Meningite meningocócica e meningococcemia: presença de bactérias nas meninges e na corrente sanguínea.

O que causa a meningite bacteriana?

A causa da meningite bacteriana é a infecção por bactérias. Apesar de várias poderem desencadear a meningite, são as Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae, Mycobacterium tuberculosis ou Haemophilus influenzae as mais frequentes.

A disseminação pode ocorrer quando a pessoa portadora do agente tosse, espirra, compartilha objetos ou beija outra pessoa sadia.

Em média, o tempo de transmissão, depois que a pessoa é infectada, é de cerca de 24 horas, pois somente enquanto o agente está na região da orofaringe (parte da garganta onde passam ar e alimento) é que pode ser disseminado nas secreções e saliva.

Lembrando que é, geralmente, a pessoa assintomática que tem mais chances de transmitir o agente.

Ou seja, o paciente que tem sintomas é uma via menos provável de transmissão se comparada a alguém que tem a bactéria mas não sabe ou não manifestou sintomas.

Transmissão: como pega meningite bacteriana?

Segundo a Agência Fiocruz, são poucos os episódios em que a transmissão é decorrente do contato com a pessoa doente — ou seja, aquela que está evidentemente mal — a não ser em casos em que há beijo ou troca de fluidos corporais. É mais provável que a disseminação do agente ocorra por meio de alguém sem sintomas.

A transmissão acontece porque a bactéria está alojada na parte da garganta. Por isso, as formas de contágio podem ocorrer das seguintes formas:

  • Gotículas de saliva;
  • Beijo;
  • Tosse e espirros;
  • Respiração;
  • Compartilhamento de objetos íntimos.

O tempo que a bactéria pode ser transmitida varia tanto pelo agente (ou seja, qual o tipo de bactéria) e do estágio da infecção.

Outras formas menos comuns de ser infectado incluem:

  • Bactérias que invadem feridas abertas na cabeça ou próximas às meninges;
  • Bactérias que infectam cortes após cirurgias cerebrais ou da medula espinhal;
  • Quando o paciente utiliza drenos para a redução da pressão cerebral e ocorre a infecção do acessório.

Fatores de risco

Algumas condições podem favorecer a incidência da meningite bacteriana. Alguns deles são:

Idade

Apesar de poder afetar qualquer pessoa, a meningite bacteriana é mais comum em crianças menores de 5 anos e idosos. Isso porque a capacidade imunológica (ou seja, as defesas do corpo) podem ser menores nessas faixas etárias.

Baixa imunidade

Pessoas portadoras de doenças capazes de afetar a imunidade (como diabetes, câncer ou AIDS) são mais suscetíveis à infecção. Isso ocorre pela baixa imunidade, que é menos eficaz em combater agentes externos e danosos ao organismo.

Locais com aglomeração

Pessoas que trabalham ou habitam locais aglomerados, com grande circulação e concentração de pessoas, também estão em maior risco.

Mesmo sem outros fatores associados, a maior exposição a possíveis secreções infectadas favorece o contágio.

Locais mal ventilados, empresas com ar condicionado (e sem ventilação natural), aeroportos, transportes públicos, restaurantes e escolas são locais de maior incidência.

Tabagismo

Seja para o fumante ativo ou passivo, estar em contato com o cigarro eleva as chances de infecção.

Nesse caso, há dois mecanismos envolvidos: a maior exposição às gotículas de saliva (ao inalar a fumaça de outras pessoas, por exemplo) e, também, o comprometimento da mucosa oronasal.

O cigarro pode irritar e afetar a funcionalidade das defesas da garganta, facilitando a infecção.

Sintomas

Em geral, as meningites bacterianas iniciam com um mal-estar geral, febre e vômitos. Podem surgir dores no pescoço e garganta — condição que pode ser confundida com outras doenças, como uma gripe. Mas em poucas horas o quadro evolui, debilita o organismo e agrava as manifestações, que podem afetar também a pele.

Os principais sintomas incluem:

Febre

A febre se manifesta rapidamente e tende a ser alta. É um sintoma característico tanto em crianças como em adultos, como resposta da inflamação e infecção.

Vômitos

Náuseas, alterações do apetite e vômitos em jato podem ocorrer, sendo condições geralmente comuns em adultos e crianças.

Dor de cabeça

Dores de cabeça são sinais frequentes entre as manifestações da meningite. Além disso, podem ocorrer obstruções nos vasos que drenam os líquidos do cérebro, o que provoca o acúmulo de fluidos na região.

Sensibilidade à luz

Chamada também de fotofobia, a sensibilidade à luz é um sinal comum da manifestação da meningite. Na presença da dor de cabeça, a exposição à claridade pode aumentar a sensibilidade e intensificar as dores e incômodos.

Rigidez no pescoço

A meningite pode causar a rigidez na nuca, um sinal clássico de irritação meníngea. A condição é caracterizada pela resistência à movimentação da cabeça.

Ou seja, quando o paciente tenta movimentar a cabeça, sente o pescoço endurecido.

Quando a condição está associada à dor de cabeça e à sensibilidade à luz, considera-se essa tríade como os sintomas clássicos de meningismo.

Apesar de comum, a rigidez na nuca pode não afetar crianças menores.

Erupções cutâneas e sangramento

Na meningite meningocócica, como ocorre uma alteração da permeabilidade dos vasos sanguíneos, o sangue começa a vazar para a superfície da pele.

Com isso, podem surgir manchas vermelhas ou roxas que se intensificam, formando placas extensas. Podem ocorrer sangramentos e erupções cutâneas também.

Quando as manchas e erupções surgem, elas decorrem da grande quantidade de bactérias circulando na corrente sanguínea (condição denominada septicemia).

Redução das capacidades mentais e físicas

Em pouco tempo, a meningite bacteriana pode afetar as capacidades mentais, bem como as físicas. Assim, podem ocorrer sonolência, prostração (abatimento), lentidão, redução do raciocínio, dificuldade de fala, tremores, desequilíbrio, dificuldades de movimentar-se, entre outros.

Sinal de Brudzinski

Crianças em idade escolar (maiores do que 5 anos) tendem a apresentar o sinal de Brudzinski, que é a movimentação ou flexão involuntária das pernas quando o pescoço é movimentado.

Sinal de Kernig

Assim como o sinal de Brudzinski, pode ocorrer também limitação de movimentos nos pacientes com essa doença.

Quando o paciente está deitado de barriga para cima e tem as pernas flexionadas em um ângulo de 90º, por exemplo, pode ocorrer limitação ao tentar estender ou alongar as pernas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito com base no estado clínico do paciente, levando em consideração a presença dos sintomas e sinais. Quando há suspeitas, o médico recorre aos exames para confirmar o diagnóstico e identificar o agente causador, auxiliando na escolha da terapia farmacológica.

O profissional responsável pela avaliação é o clínico geral, pediatra ou infectologista.

Exame físico

O médico avalia a pele do paciente, buscando manchas e erupções características da meningite bacteriana. Além disso, é feita a movimentação da nuca, em busca de sinais de rigidez.

Exame de sangue

Uma pequena amostra de sangue é coletada por meio de um exame comum. Com isso, é possível identificar a presença de bactérias.

Punção lombar

Uma pequena agulha, extremamente fina, é introduzida na região da coluna vertebral para realizar a coleta de uma substância chamada líquido cefalorraquidiano.

Em seguida, as análises da substância auxiliam a determinar o tipo de meningite, de acordo com a presença de proteínas, glicose e glóbulos brancos na amostra.

O líquido tem aparência límpida, mas quando há a presença da infecção pela meningite, ele se apresenta turvo, com contagem de leucócitos, proteínas e glicose alterada.

Exame microscópico do líquido cefalorraquidiano

As análises ainda investigam a presença de bactérias na amostra de sangue por meio da aplicação de substâncias corantes (coloração de Gram).

Outros exames

Se necessário, o médico pode solicitar outros exames de laboratório para determinar o tipo específico de bactéria, como o Bacterioscopia, que permite identificar a meningococcemia.

Além disso, procedimentos de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, também podem ser solicitados para analisar se há danos à região cerebral.

Tem cura?

Sim. A meningite bacteriana pode ser curada, mas depende da rapidez do diagnóstico e do início do tratamento.

Quanto mais demorada intervenção, maiores os riscos à vida do paciente.

Qual o tratamento?

Em geral, a meningite bacteriana necessita de internamento e isolamento do paciente. A terapia visa combater e eliminar o agente infeccioso por meio de antibióticos, além de reduzir os sintomas por meio de reidratação e terapia analgésica à base de corticoides.

Medicamentos

A conduta adotada no tratamento da meningite bacteriana consiste na administração medicamentosa de:

Antibióticos

A aplicação de medicamentos antibióticos é a principal forma de intervenção, que é feita por via intravenosa durante, pelo menos, 7 a 14 dias. Em alguns casos, pode ser mantida por mais tempo, de acordo com o quadro do paciente.

Muitas vezes, a detecção da bactéria é demorada, o que pode atrasar o início da terapia.

Nesses casos, é possível que sejam aplicadas substâncias de baixa toxidade capazes de atacar as bactérias mais comuns.

Para isso, o médico leva em consideração os sintomas e a prevalência de cada grupo de bactérias para escolher a melhor opção terapêutica.

As opções incluem:

  • Crianças menores de 2 meses: Ampicilina + Aminoglicosídeo (Gentamicina ou Amicacina);
  • Entre 2 meses e 5 anos: Ampicilina + Cloranfenicol;
  • Acima de 5 anos: Penicilina G. Cristalina + Ampicilina.

De acordo com o agente infeccioso, os medicamentos podem ser:

  • Neisseria meningitidis (meningocócica): Penicilina G. Cristalina ou Ampicilina;
  • Haemophilus influenzae: Cloranfenicol ou Ceftriaxona;
  • Streptococcus pneumoniae: Penicilina G. Cristalina;
  • Staphilococcus: Oxacilina ou Vancomicina;
  • Enterobactérias: Ceftriaxone ou Sulfametaxazol + Trimetropim;
  • Pseudomonas: Ceftaridima + Amicacina ou Carbenicilina + Amicacina.

Leia mais: Mau uso de antibióticos cria superbactérias que podem matar

Corticoides

Entre as possibilidades, a mais frequente é a Dexametasona, administrada cerca de 15 minutos antes do antibiótico. Isso porque, no geral, a região cerebral já se apresenta inchada. A condição pode se agravar com a ação do antibiótico.

Com a ação do corticoide, evitam-se riscos ao paciente.

Reposição e controle

Podem ser administrados soros para a reposição de líquidos e sais minerais perdidos devido aos vômitos.

Outras condições, decorrentes do agravamento da meningite bacteriana, podem ser controladas com medicamentos e suporte para respiração (ventilação).

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

Se o tratamento é rapidamente iniciado, o curso da infecção tende a ser bom. Os pacientes em condição não agravadas, em geral, respondem bem aos medicamentos e a bactéria é eliminada, resultando no alívio dos sintomas.

Em geral, a evolução do tratamento depende também de fatores como idade e estado imunitário do paciente.

Porém, a demora na percepção dos sintomas pode fazer com que a doença só seja percebida tardiamente, o que favorece uma evolução mais agressiva.

Nesses casos, é possível que a meningite bacteriana seja curada, mas deixe complicações irreversíveis, como perda de visão, ou leve à morte.

Complicações: meningite bacteriana pode deixar sequelas?

Sim. A meningite bacteriana pode agravar-se rapidamente se não for tratada, colocando o paciente em risco. Entre as possíveis complicações estão:

Coágulos sanguíneos

A inflamação pode acometer os vasos sanguíneos na região cerebral, fazendo com que ocorra formação de coágulos sanguíneos. Em decorrência, pode haver riscos de acidente vascular cerebral (AVC).

Edema ou inchaço cerebral

A inflamação pode gerar inchaços no tecido do cérebro, provocando danos à estrutura. Como resultado, podem ocorrer inchaços, que são chamados de edema, com a presença de sangramentos ou não.

Aumento da pressão no cérebro

As inflamações podem bloquear canais de drenagem dos fluidos cerebrais. Por vezes, esse líquido pode acumular-se e pressionar internamente o cérebro.

Além disso, os inchaços, se forem muito graves, podem provocar a herniação do cérebro, que decorre da alteração da estrutura. Simplificando, como se o cérebro fosse deslocado devido à mudança de tamanho.

Inflamação dos nervos

As inflamações podem afetar os nervos do cérebro. Esses nervos são responsáveis pela recepção e emissão de sinais relacionados aos sentidos e controle corporal, como visão e olfato.

Em casos graves, a inflamação pode afetar permanentemente esses sistemas, provocando surdez, cegueira ou redução do controle muscular, por exemplo.

Meningococcemia

Se as bactérias se espalham pelo organismo, a condição é caracterizada como meningococcemia, uma sepse decorrente do meningococo.

Podem ocorrer, por exemplo, queda brusca e grave da pressão (choque séptico), além de formação de coágulos por todo o corpo, provocando sangramentos e hemorragia.

Morte

Quando o tratamento é tardio ou ineficiente, a meningite bacteriana pode levar à morte. Se não tratada, a meningite meningocócica acomete rapidamente o paciente, sendo, portanto, fundamental o diagnóstico precoce.

Aspectos epidemiológicos no Brasil

Em geral, a meningite bacteriana é mais predominante no inverno, segundo o Ministério da Saúde. Entre os agentes causadores, o principal relacionado às possibilidades de epidemia é o N. meningitidis.

No Brasil, o histórico da doença é marcado por diversas ocorrências, em diferentes regiões. Nas décadas de 1970 e 1980, os tipo A, B e C foram bastante presentes. Mas, a partir dos anos 1990, a incidência do tipo B decaiu, enquanto o tipo C apresentou mais diagnósticos.

A partir dos anos 2000, a vacina contra o H. influenzae foi colocada na cartilha de vacinação do SUS, fazendo com que os casos da doença caíssem drasticamente.

Lembrando que além da meningite, esse agente também é responsável pela pneumonia, pericardite e osteomielite, por exemplo.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2001 e 2006, a meningite pneumocócica teve uns dos mais altos índices de letalidade, acometendo até 30% dos pacientes.

Atualmente, a meningite meningocócica e a pneumocócica são os tipos que mais preocupam.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em levantamento realizado em 2018, apontou que a meningocócica, mesmo quando diagnosticada precocemente e tratada, resulta entre 8% e 15% de mortes em até 48 horas após a manifestação dos sintomas.

Na ausência de tratamento ou início tardio, a doença leva a óbito até metade dos pacientes e deixa danos cerebrais ou limitações em até 20% dos que sobrevivem.

Em 2018, o Ministério da Saúde registrou 1072 casos da doença, com 2018 mortes.

Para o ministério, a doença é considerada endêmica, o que significa que são esperados casos durante todo o ano, com picos de ocorrência.

Como prevenir?

As dicas para a prevenção da meningite incluem cuidados básicos com a higienização e circulação de ar nos ambientes, bem como ter a carteira de vacinação em dia.

Higienize as mãos e os objetos

Alguns cuidados de higiene são importantes para evitar riscos de infecções causadas por bactérias e vírus.

Higienizar as mãos, sobretudo antes de levá-las aos olhos e boca, não compartilhar objetos de uso íntimo (como maquiagem e talheres), e evitar compartilhar objetos é bastante importante.

Evite aglomerações

Ambiente fechados, com pouca circulação de ar ou com aglomeração de pessoas pode ser bastante favorável à disseminação da doença.

Vale lembrar que a transmissão ocorre com maior predominância enquanto o paciente não apresenta estar doente, por isso, nem sempre é fácil identificar quem é portador da bactéria.

Alimente-se bem

O estado imunológico também é determinante na manifestação da doença. Isso porque quando o corpo está enfraquecido, lutar contra bactérias e invasores fica bem mais difícil.

Uma das melhores maneiras de garantir a boa resistência do corpo é por meio da alimentação adequada. A alimentação balanceada, rica em nutrientes e diversificada é um modo simples de proteger a saúde.

Vacinação

A melhor forma de prevenção é por meio da vacinação. Lembrando que há vários agentes capazes de causar a meningite e, por isso, há vacinas diferentes para alguns deles.

Contra os tipos mais comuns, com maior incidência, a vacinação é ofertada pela rede pública de saúde para crianças e adolescentes, além de adultos que tenham indicação médica (como portadores de doenças crônicas).

Outras, menos comuns, podem ser encontradas em redes privadas, sendo que, para a grande parte da população, a indicação ocorre apenas em situações de surto ou quando há fatores que tornam o indivíduo vulnerável à infecção.

Vacinas contra a meningite

Existem vacinas para os tipos específicos das bactérias mais comuns, que são as meningites meningocócica, pneumocócica e por influenzae (Hib). Para isso, estão disponíveis as doses:

Pentavalente

A vacina oferece imunização contra o H. influenzae tipo B, além de proteger contra a difteria, tétano, coqueluche, hepatite B.

São administradas 3 doses, em crianças com até 1 ano de idade, com 60 dias entre cada aplicação (o ideal é que sejam feitas aos 2, 4 e 6 meses).

BCG

A vacina protege contra a tuberculose, que pode acometer as meninges. A vacinação é feita logo que a criança nasce, ainda na maternidade e não precisa de outra dose ou reforço.

Haemophilus influenzae B (Hib)

A dose isolada da vacina, ou seja, somente a Hib, é encontrada em centros de vacinação privados. Na rede pública de saúde, ela faz parte na dose da pentavalente.

O imunizante confere proteção contra a bactéria Haemophilus influenzae e deve ser oferecida, em 3 doses, às crianças entre 2 e 6 meses de idade, com 2 meses entre cada aplicação.

Pneumocócica (VPC) 10-valente conjugada

Oferece proteção contra a bactérias S. pneumonia, sendo capaz de imunizar contra 10 tipos da bactéria pneumococos (1, 4, 5, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19F, 23F).

São aplicadas 2 doses, aos 2 e 4 meses, com um reforço aos 12 meses de idade.

Pneumocócica (VPC) 13-valente

A dose Pneumocócica (VPC) 13-valente também está disponível apenas em centros privados de imunização. Sua ação protege contra 13 tipos da bactéria pneumococo, que são os 1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F.

A dose pode ser tomada por crianças a partir dos 2 anos, com 1 reforço após os 5 anos. Para adultos acima dos 50 anos, são ofertadas duas doses com um intervalo de 6 meses entre cada uma.

Pneumocócica 23-valente

A dose é capaz de proteger o organismo contra 23 bactérias, senso disponibilizada em centros privados de vacinação.

A recomendação é que seja dada às crianças a partir de 2 anos de idade que tenham algum fator de riscos para a infecção, e para idosos acima de 60 anos que convivam em lares compartilhados (como casas de repouso) ou que estejam internados.

Meningocócica C (conjugada)

Protege contra infecções da N. meningitis C. e oferece imunização à meningite meningocócica C.

Devem ser aplicadas 2 doses, aos 3 meses e 5 meses, com 1 reforço aos 12 meses.

Nos adolescentes não vacinados, é feita uma dose única entre 11 e 14 anos.

Meningocócicas ACWY (conjugada)

Esta vacina não consta no calendário de vacinação da rede pública, mas pode ser obtida em clínicas e centros de vacinação particulares.

A dose protege contra os tipos A, C, W e Y, ou seja, confere imunidade aos 4 sorotipos da infecção.

É recomendada para crianças a partir dos 2 ou 3 meses de idade, sendo que a quantidade de doses depende do fabricante da vacina.

Meningocócica B (recombinante)

A vacina contra a meningite B só pode ser encontrada em redes privadas de saúde. Ela é indicada para pessoas com idade entre 2 meses e 50 anos, e a quantidade de doses varia entre 2 ou 3, de acordo com a faixa etária do paciente.

As opções para meningite B e as quadrivalente ou conjugadas estão disponíveis na rede privada de saúde. Elas protegem contra as meningites B, A, C, W e Y.

Perguntas frequentes

Posso ter meningite bacteriana mais de uma vez?

Sim, mas, se ocorrer novamente, a infecção é causada por outro agente. Ou seja, quando alguém é infectado por uma bactéria, o corpo desenvolve imunidade somente àquele tipo específico da infecção.

Então não será possível adquirir novamente o mesmo tipo de meningite. Porém, há diversas outras bactérias que podem causar a meningite, fazendo com que seja possível ter outra manifestação da doença.

Quanto tempo leva para se manifestar a meningite?

O tempo de incubação da bactéria é de aproximadamente 2 a 10 dias, com tempo média de 4 a 5 dias.

Após esse período, os sintomas têm início.

Por quanto tempo a meningite é transmissível?

No geral, a possibilidade de transmissão ocorre enquanto as bactérias estão alojadas na nasofaringe (região que permeia o trato respiratório).

O tempo de incubação é, em média, de 2 a 10 dias. Após esse período, os sintomas aparecem e as chances de transmissão são menores, pois as bactérias já migraram para outros tecidos do corpo.

Após iniciada a medicação antibiótica, leva cerca de 24 horas para que o agente não possa mais ser transmitido.

O que é o teste do copo para meningite?

O teste do copo ou teste de Tumbler é um processo simples que pode indicar se as manchas e lesões na pele podem ser decorrentes da meningite.

Basicamente, é preciso pressionar ou comprimir um copo de vidro transparente sobre as lesões.

Se elas sumirem ou ficarem mais esbranquiçadas, possivelmente são causadas por alergias, picadas de inseto ou outras condições.

Vale destacar que mesmo que as erupções e manchas permaneçam avermelhadas, não significa que o paciente está com meningite. De qualquer forma, não é um teste que dispensa um diagnóstico feito pelo médico.

Qual a diferença da meningite viral e bacteriana?

Ambas ocasionam inflamação nas meninges, mas a viral é causada por vírus e a bacteriana é ocasionada por alguma bactéria. No geral, as virais costumam ser mais brandas e menos perigosas do que as bacterianas.

Como os sintomas podem ser bastante semelhantes, somente os exames podem indicar o agente infeccioso.

Além dessas duas causas, há ainda as meningites provocadas por fungos (meningite fúngica) e aquelas não infecciosas, que podem ser causadas por traumas (como lesões ou acidentes envolvendo a cabeça) ou uso de medicamentos.


A meningite é uma condição bastante frequente, sobretudo na infância — devido à baixa imunidade das crianças.

Há diversas causas para a inflamação, mas as que ocorrem por infecções bacterianas estão entre as mais comuns e também entre as mais agressivas.

O melhor modo de reduzir os riscos de infecção é por meio da vacinação. As doses podem ser encontradas nas unidades de saúde públicas e privadas, sempre conforme recomendação do calendário de imunização e do médico.

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Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 18/03/2019

Fontes consultadas

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