Maria (Minuto Saudável)
25/09/2017 08:00

O que é Malária, sintomas, tratamento, transmissão, tem cura?

O que é malária?

A malária é uma infecção causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitida por mosquitos Anopheles, caracterizada por episódios de febre, calafrios e tremedeiras. A presença do parasita leva à destruição das hemácias (glóbulos vermelhos) e consequente anemia.

Trata-se de uma doença ainda muito comum, especialmente em países pobres da faixa tropical do planeta, onde há pouco acesso à medidas preventivas e o tratamento é defasado.

Estima-se que a malária mata cerca de 660.000 pessoas por ano e ainda não existe uma vacina preventiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) possui um programa para melhorar o quadro e, todos os anos, lança um relatório com dados sobre a doença a nível mundial.

A doença é tratada como uma emergência médica, pois a demora para iniciar o tratamento dá margem para que a doença se desenvolva até afetar seriamente órgãos vitais, inclusive o cérebro.

No CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, décima edição), a malária é encontrada pelos códigos B50 até B54, dependendo do tipo de parasita causador da infecção.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é malária?
  2. Causas
  3. Vetores da malária
  4. Ciclo da malária
  5. Outros meios de transmissão
  6. Áreas endêmicas
  7. Fatores de risco
  8. É possível adquirir imunidade contra a malária?
  9. Sintomas
  10. Como é feito o diagnóstico da malária?
  11. Malária tem cura?
  12. Tratamento para malária
  13. Medicamentos para malária
  14. Malária na gravidez
  15. Malária mata?
  16. Complicações
  17. Prognóstico
  18. Prevenção

Causas

A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium, ou seja, existe mais de um microrganismo causador da doença: P. falciparum, P. malariae, P. vivax e P. ovale. No Brasil, encontra-se apenas 3 dessas espécies, e as predominantes são P. vivax e P. falciparum.

Esses microorganismos atacam o fígado e a corrente sanguínea, destruindo os glóbulos vermelhos. É essa destruição que leva aos sintomas da doença.

O Plasmodium é transmitido pela picada das fêmeas do gênero Anopheles, que se alimentam do sangue humano. Existem mais de 400 espécies desse gênero que podem transmitir a doença. O macho não transmite a doença pois se alimenta de seiva e néctares das plantas. Nomes populares para o inseto transmissor são: muriçoca, carapanã, sovela, mosquito-prego e bicuda.

Outra maneira de ser transmitido é por meio do contato com o sangue de uma pessoa infectada.

Vetores da malária

Os mosquitos vetores da malária são as fêmeas do gênero Anopheles, que no Brasil inclui as espécies:

  • An. darlingi;
  • An. aquasalis;
  • An. albitarsis s.;
  • An. marajoara;
  • An. janconnae;
  • An. deaneorum;
  • An. oswaldoi;
  • An. (Kerteszia) cruzii;
  • An. (K.) bellator;
  • An. (K.) homunculus.

Ciclo da malária

A transmissão da malária se dá, geralmente, por meio de um ciclo, ou seja, o microrganismo não afeta diretamente uma pessoa, mas precisa de um vetor para isso. O ciclo da malária se dá da seguinte maneira:

  • Um mosquito não infectado pica uma pessoa infectada. Ao se alimentar do sangue dessa pessoa, ele é infectado pelos protozoários presentes na corrente sanguínea;
  • Ao picar outra pessoa para se alimentar, o mosquito libera uma pequena quantidade dos microrganismos na corrente sanguínea do indivíduo;
  • Os parasitas viajam até o fígado, onde ficam alojados por um tempo até alcançar a maturação — isso pode levar dias, semanas e até mesmo anos, dependendo da espécie do parasita;
  • Quando estão maduros, os parasitas migram para a corrente sanguínea, usando principalmente os glóbulos vermelhos para sua reprodução, que se dá de forma intensa e veloz. Essa multiplicação resulta na destruição dessas células, provocando os sintomas da doença;
  • Nessa hora, se um mosquito não infectado pica o enfermo, ele adquire os parasitas para si, por consumir o sangue cheio de protozoários da vítima. Assim, o ciclo reinicia.

Outros meios de transmissão

A malária nem sempre é transmitida dentro do ciclo. Mais raramente, ela também pode ser transmitida por meio da exposição ao sangue infectado. Isso significa que os protozoários podem ser facilmente transmitidos nas seguintes situações:

  • De mãe para feto: Se o sangue da mãe está infectado, ele passa os protozoários para o feto por meio da circulação placentária;
  • Transfusões sanguíneas: Embora existam muitos testes para evitar a transmissão de doenças na hora de doar ou receber sangue, a transfusão sanguínea ainda é um fator de risco para contração da malária;
  • Compartilhamento de seringas e agulhas: Pessoas infectadas podem passar os protozoários para outras caso usem as mesmas seringas ou agulhas. Isso tende a acontecer mais frequentemente em usuários de drogas, visto que, em hospitais, é costume descartar tais materiais após o uso.

Áreas endêmicas: onde a malária ocorre com mais frequência?

São chamadas áreas endêmicas aquelas nas quais há registros contínuos de casos da malária durante todo o ano. Ou seja, áreas onde, independente da época do ano, o número de casos se mantém mais ou menos estável.

Ao todo, são 88 países onde há endemia da doença, sendo que a maior parte se concentra perto do Equador, sendo classificados como países tropicais.

Os países africanos abaixo do deserto do Saara são os mais afetados e também onde há o maior número de mortes. Outros países que são grandes áreas de transmissão da malária são:

  • Países da América Central;
  • Caribe;
  • Países do centro, sul e sudeste da Ásia;
  • Oriente Médio;
  • Extremo Oriente (China);
  • Papua Nova Guiné;
  • Ilhas Salomão e Vanuatu;
  • Paraguai;
  • Brasil;
  • Bolívia;
  • Peru;
  • Equador;
  • Colômbia;
  • Venezuela;
  • Guiana;
  • Suriname;
  • Guiana Francesa.

Vale lembrar que, no Brasil, as áreas mais afetadas são os estados da Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, oeste do Maranhão, noroeste do Tocantins e norte do Mato Grosso. No entanto, há registros também ao longo da Mata Atlântica na região sudeste e no Vale do Rio Paraná.

Regiões mais altas levam sorte: o mosquito não costuma viver em altitudes maiores de 1500 metros do nível do mar. De fato, para sobreviver, ele precisa estar em um local com uma média de temperatura mínima superior a 15º C. Além disso, ele só consegue atingir uma população de mosquitos numerosa o suficiente para transmitir a doença em ambientes com alta umidade e temperaturas médias entre 20 e 30º C.

Fatores de risco

Qualquer pessoa pode ser infectada, mas existem alguns fatores de risco que aumentam as chances de encontrar os mosquitos vetores. São eles:

  • Viver ou visitar áreas onde a doença é endêmica, ou seja, há uma grande quantidade de casos por ano;
  • Viver perto de rios, lagoas e locais onde a proliferação do mosquito é mais fácil;
  • Não ter acesso à informação, serviços médicos de qualidade ou condições financeiras para prevenir e tratar a doença;
  • Não tomar os devidos cuidados antes de se expor ao ar livre.

Além disso, existem alguns grupos que sofrem mais consequências quando contraem a doença. São eles:

  • Bebês e crianças pequenas;
  • Viajantes de áreas onde não há malária;
  • Gestantes.

É possível adquirir imunidade contra a malária?

Pessoas que vivem em áreas onde há maior exposição ao Plasmodium tendem a sofrer menos quando contraem a doença. Por quê?

Basicamente, a exposição frequente ao protozoário é capaz de criar uma imunidade parcial, o que melhora o prognóstico da doença, embora não impeça novas infecções. Ou seja, o paciente ainda poderá ser infectado novamente, mas os sintomas e complicações não tendem a ser tão graves quanto em pessoas que nunca foram infectadas.

No entanto, essa imunidade parcial não é para sempre: ela dura apenas enquanto ainda houver muito contato com o parasita. Caso a pessoa se mude para uma área onde não há a propagação da doença, ela pode perder essa imunidade, e, ao entrar em contato com o protozoário novamente, sofrer consequências tão graves quanto outras pessoas.

Vale lembrar, também, que nunca foi registrado nenhum caso de imunidade total. Assim sendo, mesmo pessoas que foram infectadas muitas vezes ainda não conseguem adquirir proteção total contra a doença.

Sintomas da malária

Os sintomas da malária costumam aparecer entre 1 e 2 semanas após a infecção, pois o protozoário precisa amadurecer no fígado antes de ser liberado na corrente sanguínea. Esse tempo silencioso é chamado de período de latência e sua duração depende da espécie de Plasmodium presente no organismo. Em alguns casos, esse período pode durar até mesmo anos.

Em todos os casos, as primeiras manifestações da doença são muito parecidas com uma gripe:

  • Dor de cabeça;
  • Febre;
  • Calafrios e ataques de tremedeira;
  • Dores articulares;
  • Náusea e vômito;
  • Suor intenso;
  • Dor abdominal;
  • Diarreia;
  • Falta de apetite;
  • Tonteira;
  • Fadiga.

Em muitos casos, esses sintomas não são contínuos: costumam ir e vir a cada 48 ou 72 horas. Ou seja, os sintomas são episódicos, ainda que a doença não esteja sendo tratada.

Além disso, conforme vai progredindo, a doença pode acometer outros órgãos — inclusive o cérebro —, causando outros sintomas ainda mais graves, como:

  • Dificuldade para respirar;
  • Insuficiência renal;
  • Icterícia (devido à maior presença de bilirrubina, resultado da degradação das hemácias);
  • Fraqueza intensa;
  • Pressão baixa;
  • Convulsões.

Como é feito o diagnóstico da malária?

Com sintomas muito parecidos com outras condições, pode demorar até que o médico suspeite da malária, especialmente em áreas onde a ocorrência da doença não é comum.

Por se tratar de uma emergência, é de extrema importância que o paciente informe o médico se esteve em alguma área onde a malária é endêmica ou se expôs a alguma situação em que poderia ter sido picado por um mosquito do gênero Anopheles.

O profissional capaz de diagnosticar e tratar a malária é o infectologista, médico de emergência e, muitas vezes, o médico de viagem.

Ao constatar a suspeita da doença, o médico pode pedir exames de sangue cujos objetivos são:

  • Detectar microrganismos causadores da malária;
  • Identificar o protozoário específico que infectou o paciente;
  • Verificar se o parasita é resistente aos medicamentos;
  • A possibilidade de anemia e danos a outros órgãos.

Para isso, alguns exames podem levar pouco tempo (cerca de 15 minutos), enquanto outros demoram dias para que o resultado saia.

Vale lembrar, no entanto, que o diagnóstico pode ser um pouco dificultado em locais onde a malária não é uma doença comum, como nos estados mais ao sul do país. Nessas localidades, os médicos não estão familiarizados com a doença, podendo suspeitar outras causas para os sintomas.

É de extrema importância que, nesses casos, o paciente deixe claro que esteve em uma área onde a malária é endêmica e que pode ter sido picado por um mosquito do gênero Anopheles.

Gota espessa

No Brasil, o método diagnóstico oficial da malária é o chamado gota espessa. Esse teste consiste em submeter uma amostra de sangue paciente a observação por microscópio com um corante vital (azul de metileno e Giemsa).

Esse corante permite visualizar o parasita e diferenciá-lo de acordo com a sua morfologia (forma), além de permitir ter uma noção de concentração de parasitas na corrente sanguínea. Ajuda, ainda, a determinar qual o tipo de Plasmodium que está causando a infecção.

Por conta do ciclo, a quantidade de parasitas no sangue pode variar. Isso faz com que, dependendo do estágio da doença, o exame não seja capaz de localizar o parasita, resultando em um falso negativo. Nesses casos, deve-se repetir o teste a cada 8 ou 12 horas durante 4 dias.

Pesquisa de antígenos (tira reagente)

Antígeno é qualquer substância que o corpo entende como ameaça e estimula a produção de anticorpos. Bactérias, parasitas, vírus e fungos são cheios dessas substâncias.

Esse exame é feito colocando uma amostra de sangue em uma tira reagente que, então, detecta a presença dessas substâncias. Ela não é capaz de diferenciar os diferentes tipos de Plasmodium, mas é um dos exames mais rápidos para se confirmar o diagnóstico de malária.

Reação em cadeia polimerase (PCR)

Em casos nos quais os resultados são duvidosos, pode-se usar da PCR para detectar o DNA do parasita. Isso pode ser necessário quando há uma infecção mista (causada por mais de um tipo de parasita) ou quando a análise microscópica é imprecisa.

Testes de sensibilidade

Visto que alguns parasitas são resistentes aos medicamentos, há laboratórios que coletam uma amostra do sangue do paciente e cultivam os microrganismos em contato com quantidades crescentes de medicamento.

Esse exame é útil para identificar até que ponto o Plasmodium consegue resistir — às vezes, a pessoa pode simplesmente precisar de uma dose um pouco maior —, ou para identificar os genes responsáveis pela resistência desenvolvida.

Pesquisa de anticorpos (serologia)

Não se trata de um método para diagnosticar a malária no momento em que acontece, mas sim verificar a existência de anticorpos específicos contra o Plasmodium.

Esse tipo de exame é mais utilizado em estudos epidemiológicos, a fim de identificar pessoas que já foram infectadas pelo parasita, ainda que não apresentem mais a doença.

Malária tem cura?

Felizmente, sim, a malária pode ser curada. No contexto dessa doença, a cura significa a eliminação total do parasita no organismo. Deste modo, o corpo se recupera e a pessoa volta a levar uma vida saudável.

Hoje em dia, existem medicamentos efetivos contra os parasitas do gênero Plasmodium.

Contudo, a má utilização de tais medicações está criando protozoários mais fortes e resistentes aos medicamentos. Nos próximos anos, novas drogas devem ser desenvolvidas para combater o problema, visto que a transmissão de microrganismos resistentes podem acabar tornando a doença intratável com os remédios atuais.

Curar-se da malária, entretanto, não significa nunca mais ser infectado novamente. Como dito anteriormente, algumas pessoas podem até criar uma imunidade parcial, mas qualquer um pode ser infectado sucessivas vezes pelo parasita.

Tratamento da malária

O tratamento da malária deve começar assim que ela é diagnosticada, a fim de evitar complicações graves. Geralmente, ele é definido de acordo com alguns critérios. São eles:

  • Qual o parasita presente no organismo (pode haver mais de um);
  • Severidade dos sintomas;
  • Idade do paciente;
  • Se há gravidez ou não.

A partir destes fatores, o médico pode prescrever medicamentos antimaláricos.

Medicamentos para malária

Os principais medicamentos antimaláricos são:

Infelizmente, alguns destes medicamentos deixaram de ser efetivos em determinadas áreas (como a cloroquina), principalmente por conta da má administração do tratamento, que permite a criação de resistência pelo parasita.

No entanto, a busca por medicamentos antimaláricos não acabou e existem diversas pesquisas focadas em encontrar novas substâncias.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Malária na gravidez

Qualquer doença que se apresenta durante a gravidez pode ser prejudicial para o desenvolvimento do bebê. O cuidado deve ser ainda redobrado com as condições infecciosas, visto que o parasita pode viajar até a placenta através da corrente sanguínea da mãe.

Em locais onde a malária é endêmica, a mãe pode ser infectada e não demonstrar sintomas por causa da “imunidade parcial” obtida. No entanto, o parasita ainda assim chega até o feto e pode trazer consequências para a gestação.

Já onde a malária não é comum, a futura mamãe tem maiores chances de desenvolver um grau mais severo da doença, visto que seu corpo concentra forças para gerar uma vida.

Sintomas e diagnóstico na gravidez

Na mãe, os sintomas da malária podem ser diferentes, especialmente a partir do segundo trimestre de gestação. A febre, principal característica da doença, pode estar ausente ou ainda ser mais alta, mas não seguir o padrão de diminuir e reaparecer alguns dias depois.

A gestante pode apresentar tosse, diarreia, dores musculares, dor de cabeça e mal-estar geral, mas o principal sintoma que levanta a hipótese de se tratar de malária é o desenvolvimento de anemia.

Para piorar, o diagnóstico durante a gravidez pode ser dificultado, visto que os parasitas tendem a desviar para a placenta, ao invés de percorrer o caminho normal. Deste modo, alguns exames de sangue podem não ser capazes de detectar o Plasmodium.

Consequências da malária durante a gravidez

Caso uma gestante seja infectada pelo Plasmodium, existem algumas consequências para a mãe e o bebê. Algumas delas são:

  • Anemia na mãe e no bebê;
  • Baixo peso do bebê ao nascer;
  • Aborto espontâneo;
  • Nascimento prematuro;
  • Morte do bebê ainda dentro do útero (natimorto).

A redução do peso do bebê, no caso de P. falciparum, costuma ser de ⅔ (dois terços) do peso de um bebê normal, independente se é a primeira gravidez ou se a mãe já teve outros filhos. Já nas infecções por P. vivax, a redução do peso tende a ser maior em gestações posteriores.

Grávidas podem tomar remédios para malária?

Existem poucos dados sobre o uso de medicamentos anti-maláricos em gestantes, visto que há um risco de danificar o feto durante pesquisas. No entanto, o Ministério da Saúde tem recomendações gerais para o tratamento de mulheres grávidas, dependendo do período gestacional:

1º trimestre e crianças menores que 6 meses Pode-se administrar quinina associada à clindamicina
2º e 3º trimestres Combinações de artemeter + lumefantrina ou artesunato + mefloquina
Medicamentos contra-indicados Doxiciclina, primaquina
Casos especiais Caso a mãe esteja em risco de vida iminente, pode-se administrar derivados de artemisinina

Malária mata?

Infelizmente, sim, a malária pode matar. De fato, a taxa de mortalidade da doença é de 20% em casos graves, mesmo com tratamento. As principais causas de morte por malária são complicações como anemia e falência de órgãos.

Complicações

Caso a doença não seja tratada, demore para ser diagnosticada ou seja resistente aos tratamentos, ela pode resultar em uma série de desdobramentos. São eles:

Anemia

Por conta da destruição dos glóbulos vermelhos (hemácias), a malária pode causar anemia grave.

Hipoglicemia

Por ajudar no transporte de carboidratos (açúcar) no sangue, a destruição das hemácias diminui a quantidade de glicose na corrente sanguínea, situação chamada “hipoglicemia”.

Edema pulmonar

Não se sabe exatamente o porquê, mas em alguns tipos de malária, como a causada pelo P. falciparum, há uma grande incidência de edema pulmonar. Acredita-que se isso acontece porque toxinas liberadas pelo protozoário danificam os alvéolos, tornando-os mais permeáveis.

Falência de órgãos

A destruição dos glóbulos vermelhos causa a liberação de um composto de ferro, denominado grupo heme, que dificulta o funcionamento dos rins, do fígado e de outros órgãos vitais. Pouco a pouco, os órgãos vão perdendo sua função, resultando na falência de órgãos.

Malária cerebral

Células de sangue cheias de parasitas podem acabar bloqueando os pequenos vasos sanguíneos do cérebro, levando a uma falta de suplementação sanguínea aos tecidos. Isso pode levar a inchaço do órgão e danos cerebrais, resultando em sequelas cognitivas.

Coma

Diversas das complicações trazidas pela malária podem resultar em coma, como a hipoglicemia e a malária cerebral.

Prognóstico

O prognóstico da malária é positivo quando ela é tratada de maneira adequada, visto que o parasita é, então, expulso do organismo. No entanto, casos de malária grave podem matar rapidamente ou deixar marcas mesmo após a cura.

Quando a doença atinge o cérebro, não é raro que o indivíduo fique com sequelas, como deficiência intelectual e cognitiva, além de epilepsia. Há relatos, também, de atraso no desenvolvimento a longo prazo de crianças que sofreram com malária grave.

Em pessoas infectados por parasitas resistentes, o prognóstico é bem pior: as infecções podem ocorrer mais vezes, assim como novas complicações podem aparecer a medida em que o tempo vai passando.

Como prevenir a malária?

A malária pode ser prevenida, sendo que a melhor maneira envolve medidas de proteção individual. Algumas coisas que você pode fazer para evitar ser infectado são:

  • Em áreas de transmissão, mantenha-se distante de criadouros naturais de insetos, como beiras de rios e áreas alagadas;
  • Evite a exposição ao ar livre entre o final da tarde e o amanhecer, pois são os horários em que os mosquitos estão mais ativos;
  • Utilize calças e camisas de manga comprida quando estiver ao ar livre, pois isso limita a área em que o mosquito pode picar;
  • Use repelentes à base de DEET numa concentração de 30 a 35% para proteção por até 5 horas;
  • Gestantes e crianças pequenas podem utilizar repelentes à base de Icaridina;
  • É necessário reaplicar o repelente de tempos em tempos, visto que sua eficácia tende a diminuir após algumas horas;
  • Os repelentes são produtos químicos tóxicos e, por isso, deve-se utilizar de acordo com as orientações do fabricante para evitar transtornos;
  • Utilize cortinas e mosquiteiros com inseticida sobre a cama ou rede quando for dormir;
  • Telas em portas e janelas ajudam a manter os mosquitos fora dos ambientes internos.

Uso correto de repelentes

Muita gente já passou por isso: aplicar o repelente pela manhã e, no final da tarde, estar cheio de picadas mesmo assim. Isso é um sinal de que o produto não foi utilizado adequadamente, o que acontece com mais frequência do que gostaríamos de admitir.

Em primeiro lugar, é preciso garantir que o repelente possui uma concentração de, pelo menos, 20 a 35% de dietiletiltoluamida (DEET). Embora existam outros, esse tipo de repelente é o mais indicado para espantar os Anopheles.

O problema é que, no Brasil, não existe uma lei que determina que os fabricantes devem colocar a concentração da substância ativa nos rótulos dos repelentes. Assim sendo, muitas vezes, compramos repelentes mais fracos do que o ideal. Eles protegem mesmo assim, mas por um tempo consideravelmente mais curto.

Tendo em vista que, na maioria das vezes, não sabemos o tempo de eficácia do repelente, recomenda-se a reaplicação do produto a cada 4 horas. No entanto, dependendo da região, reaplicar de 4 em 4 horas não é o suficiente. Fatores como umidade e transpiração podem “gastar” o repelente antes do prazo e, por isso, a recomendação é de reaplicar a cada 2 horas.

Além disso, sempre é preciso reaplicar o repelente após nadar ou molhar o corpo.

O repelente deve ser aplicado em todas as áreas expostas do corpo, inclusive na nuca e nas orelhas, partes que costumam ser esquecidas. No entanto, ao aplicar o produto no rosto, deve-se evitar passar na área dos olhos e na boca.

Por fim, deve-se ter em mente que o repelente deve estar em contato direto com o meio externo para funcionar. Sendo assim, se você precisa aplicar, também, um protetor solar, faça isso antes de passar o repelente. Caso contrário, o repelente será “tampado” pelo protetor e não fará efeito.

Vacina

Muito se fala sobre uma possível vacina para a malária, mas ela ainda está em desenvolvimento. Atualmente, há testes com resultados promissores que se aproximam mais de uma solução.

Em 2018, os países Gana, Quênia e Malawi pretendem implantar um programa piloto para testar uma vacina preventiva bastante promissora em bebês de 5 a 17 meses. Eles esperam, com isso, verificar a possibilidade de estender o uso da vacina.

Enquanto ela ainda não está disponível para todo o público, é imprescindível se cuidar de outras maneiras.

Quimioprofilaxia

A quimioprofilaxia é a utilização de medicamentos antimaláricos para prevenir a malária, sendo usada apenas em casos de risco elevado. Ou seja, para viajar para áreas endêmicas dentro do Brasil, nem sempre se faz necessário o uso da quimioprofilaxia.

Ao consultar o médico antes de uma viagem, ele pode receitar os medicamentos para evitar que a doença evolua caso a pessoa venha a ser infectada. Sendo assim, não se trata de uma maneira de prevenir, de fato, a infecção, mas sim a doença e suas complicações.

Não há garantia alguma que, fazendo a quimioprofilaxia, o paciente estará livre de picadas de insetos, de infecção e até mesmo do desenvolvimento dos sintomas e complicações (lembra que, em algumas áreas, os parasitas ganharam resistência?).

Além disso, ao parar com os remédios após a viagem, uma pessoa infectada pode apresentar os sintomas, porque a única coisa que o medicamento fez foi impedir que o parasita se multiplicasse na corrente sanguínea, não livrando o paciente da infecção em si.

Medidas de controle

Como a malária é transmitida por mosquitos, o controle dos vetores é uma das melhores maneiras de combater a doença. Por isso, existem diversas políticas públicas para implantar ações que controlam a proliferação dos insetos. Isso geralmente é feito por meio da eliminação de criadouros dos insetos ou medidas que erradicam aqueles já crescidos.

Alguns exemplos dessas práticas são:

  • Drenagem de áreas alagadas;
  • Saneamento básico;
  • Controle da vegetação aquática;
  • Melhorias nas condições de moradia de pessoas em áreas endêmicas;
  • Uso racional da terra: a maneira com que o Estado utiliza suas terras podem aumentar a população de mosquitos. Em Tucuruí (Pará), por exemplo, houve uma epidemia de malária após a instalação da hidrelétrica local e a consequente formação de um lago;
  • Controle químico com borrifação intradomiciliar (dedetização), nebulização espacial e mosquiteiros impregnados com inseticidas de longa duração.

Embora muito conhecida e facilmente prevenida, a malária continua sendo preocupação para as autoridades da saúde, especialmente porque depende de todos nós tomar os cuidados para que a doença seja erradicada. Previna-se sempre!

Caso tenha qualquer dúvida, pode perguntar que responderemos com prazer!

Referências

http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/malaria
http://www.fiocruz.br/ioc/media/malaria%20folder.pdf
http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/malaria/symptoms-causes/dxc-20167987
http://www.healthline.com/health/malaria#complications5
http://www.who.int/malaria/en/
http://www.who.int/malaria/areas/high_risk_groups/pregnancy/en/

17/01/2019 17:52

Maria (Minuto Saudável)

Psicóloga dramática, fã de gatinhos, metamorfa capilar e esquecida. Meu sonho era cantar, mas a vida me fez escrever.

Ver comentários

  • adorei a reportagem! eu e meus amigos usamos-a para fazer um trabalho de escola. tchau!

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  • Muito bom Conteúdo, ajudou bastante em meu trabalho da Faculdade! Obrigado!

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  • muito bom, parabéns pela atençao e de nôs orientar! obrigada!

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  • Muito esclarecedor, obrigado.

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  • Parabéns pelo conteúdo👏

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  • Nem li tudo, mas o que eu li tava muito fácil de entende, obrigado!

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  • Muito bom, esclareceu muito bem e me ajudou bastante no meu trabalho. Obrigado!

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  • Muito obrigado pela dica aprendi muita coisa que não sabia

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