O que é Hiperidrose, tratamento, remédios, cirurgia, tem cura?

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O que é hiperidrose?

Hiperidrose é uma doença caracterizada pelo suor excessivo, mesmo quando não está calor ou a pessoa está deitada. Atinge várias partes do corpo. Suas causas podem ter origem genética ou patológica.

Pode ser causada por uma gama de problemas. O agente causador mais comum é hereditariedade, mas também pode ser ocasionada por fenômenos como menopausa, doenças cardíacas, ansiedade e diabetes, entre outros.

O diagnóstico é feito através de exames de sangue, urina e/ou testes específicos. Já o tratamento pode ser medicamentoso, cirúrgico ou através de procedimentos específicos feitos no consultório médico.

Entre as complicações possíveis, estão micoses, assaduras e infecções.

No índice CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), a hiperidrose corresponde ao código R61.0.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é hiperidrose?
  2. Como o suor funciona?
  3. Tipos
  4. Causas
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Como é feito o diagnóstico da hiperidrose?
  8. Hiperidrose tem cura?
  9. Tratamento da hiperidrose
  10. Remédios para hiperidrose
  11. Convivendo
  12. Complicações
  13. Como prevenir a hiperidrose?

Como o suor funciona?

O suor é um mecanismo do corpo para preservar a temperatura corporal – que, em situações normais, deve ficar em torno dos 36ºC. Assim, o organismo pode executar suas funções vitais de forma adequada.

Para que o suor ocorra, é necessário que o cérebro envie ordens estimulantes para estruturas espalhadas por todo o corpo, chamadas de glândulas sudoríparas.

As glândulas, por sua vez, conduzem o suor por dutos localizados na área externa da pele, fazendo com que o líquido consiga resfriar o corpo.

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O suor é composto por água, sais minerais e alguns compostos químicos naturais. Portanto, não tem cheiro originalmente. O odor que relacionamos a ele é fruto de uma reação química entre o líquido e algumas bactérias que se localizam na pele.

Tipos

Existem dois tipos de hiperidrose, que são definidos de acordo com a origem do problema. São eles:

Hiperidrose primária

A hiperidrose primária é genética, ou seja, geralmente, o indivíduo tem pelo menos uma outra pessoa na família que apresente o problema.

Esse tipo de hiperidrose começa a se manifestar durante a infância ou, no máximo, durante os primeiros anos da adolescência. As áreas mais afetadas são mãos, pés, axilas e rosto.

Os episódios costumam acontecer principalmente durante o dia. Manifestações de hiperidrose primária durante a noite são raras.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que algo entre 2% e 3% da população mundial sofra com hiperidrose primária. A maior parte dessas pessoas, no entanto, não procura por orientação médica.

Hiperidrose secundária

A hiperidrose secundária é adquirida ao longo da vida, como consequência direta de algum agente causador que esteja ocasionando o problema.

As causas mais comuns para hiperidrose secundária são problemas de saúde ou efeito colateral de algum medicamento. A doença também pode ser ocasionada por fenômenos naturais – como a menopausa, por exemplo.

Esse tipo de hiperidrose pode afetar qualquer parte do corpo, a qualquer momento do dia, inclusive durante a noite.

Além disso, a hiperidrose secundária pode afetar pessoas de todas as idades. No entanto, é mais comum em indivíduos adultos.

Classificação por áreas afetadas

Também é possível classificar a hiperidrose como focal, quando afeta somente uma área do corpo, ou como generalizada, quando atinge o corpo todo.

Causas

A principal causa de hiperidrose é uma espécie de hiperatividade das glândulas sudoríparas. Isso significa que algum fenômeno está estimulando exageradamente essas estruturas.

As razões para essa hiperatividade podem ser:

Tendência genética

De acordo com um levantamento da instituição estadunidense Center of Hyperhidrosis, cerca de 50% dos casos de hiperidrose são classificados como hiperidrose primária – ou seja, a doença possui origem hereditária em metade dos pacientes.

Assim, a tendência genética é a principal causa de hiperidrose. A comunidade científica ainda não sabe ao certo como funciona o fator hereditariedade para a doença, mas pesquisadores chineses já conseguiram mapear o gene responsável pelo fenômeno.

Com as pesquisas avançando, é possível que, em algumas décadas, existam tratamentos mais eficientes para a hiperidrose de origem familiar.

Menopausa

Segundo dados do setor de ginecologia do hospital escocês Dumfries and Galloway Royal Infirmary, estima-se que cerca de 85% das mulheres em menopausa sofram de hiperidrose secundária.

O fenômeno acontece porque, na menopausa, há uma queda drástica nos índices do hormônio estrogênio, que é produzido pelo útero.

O estrogênio é um dos principais hormônios femininos, responsável por, entre outras funções, regular a temperatura corporal. Esse processo afeta diretamente a quantidade de suor produzida pelo organismo.

Os episódios de hiperidrose causados pela menopausa podem acontecer de 20 a 30 vezes por dia, em média, e costumam ser mais intensos durante a noite.

Transtornos de ansiedade

A hiperidrose e transtornos de ansiedade estão intimamente relacionadas e funcionam em uma espécie de círculo vicioso.

Crises de ansiedade podem afetar diversas partes do corpo, entre elas uma região do cérebro chamada de hipotálamo, que, por sua vez interfere no estímulo às glândulas sudoríparas.

Essas glândulas são responsáveis por liberar a transpiração. Por isso, é comum que pessoas ansiosas desenvolvam quadros de hiperidrose secundária durante a vida.

O problema é que crises de hiperidrose acabam causando ainda mais ansiedade em possui esse tipo de transtorno.

Ou seja: a ansiedade causa hiperidrose, que causa mais ansiedade, que causa hiperidrose, e assim sucessivamente.

Doenças que acometem o sistema nervoso

Dentro do sistema nervoso central, existe uma espécie de subdepartamento especial chamado de sistema nervoso simpático (também conhecido pela sigla, SNS).

O sistema nervoso simpático é responsável pelas reações do organismo a situações de estresse. É graças ao trabalho do SNS que os seres humanos são capazes de ações instintivas quando estão expostos a perigos – como desferir um soco em um agressor, fugir de uma tentativa de assalto ou iniciar uma discussão com alguém, por exemplo.

Além disso, o sistema nervoso simpático também é capaz de estimular uma outra reação bem comum ao estresse: o suor.

Por isso, algumas doenças que afetam o sistema nervoso podem interferir no trabalho do SNS, e acabar originando um quadro de hiperidrose secundária.

Entre os problemas que podem causar hiperidrose, estão:

Problemas cardíacos

Doenças que afetam as capacidades de funcionamento do coração podem gerar uma sobrecarga do sistema nervoso simpático, que precisa reagir a situação de estresse ocasionada pelo desequilíbrio no sistema cardiorrespiratório.

Essa sobrecarga faz com que o sistema nervoso reaja de forma muito mais intensa que o normal, gerando fenômenos como boca seca, crises de ansiedade e, é claro, hiperidrose.

Entre as doenças cardíacas que podem causar hiperidrose, estão:

  • Insuficiência cardíaca;
  • Insuficiência aórtica;
  • Miocardite;
  • Vasculite;
  • Infarto do Miocárdio.

Hipoglicemia

Glicemia é o nome clínico da quantidade de açúcar concentrada no sangue. Quando esse índice está mais baixo que o normal, dizemos que a pessoa está sofrendo de hipoglicemia.

O fenômeno da hipoglicemia é relativamente comum em pacientes com diabetes, mas pode acometer qualquer pessoa em situações específicas – como passar muito tempo sem comer, estar desnutrido ou tomar remédios para emagrecer, por exemplo.

A resposta do corpo aos baixos índices de açúcar no sangue vem através das glândulas suprarrenais (ou adrenais), que ficam logo acima dos rins. Essas estruturas liberam um hormônio bastante famoso chamado adrenalina.

A adrenalina, por sua vez, tem a função de regular a pressão arterial e a frequência cardíaca. O problema é que, durante esse processo, esse hormônio também causa sintomas muito parecidos com os de um ataque de ansiedade – entre eles a hiperidrose.

Obesidade

A gordura funciona como uma camada de isolante térmico, o que faz com que o corpo retenha calor. Como o suor é um mecanismo termorregulador, é natural que pessoas obesas suem mais.

Diabetes

A hipoglicemia é um fenômeno que ocorre com maior facilidade em indivíduos com diabetes. Consequentemente, diabéticos acabam sendo uma população com maior predisposição a desenvolver hiperidrose.

Acromegalia

Existe, na base do crânio, uma glândula pequenininha chamada hipófise. A função dessa estrutura é produzir e liberar diversos hormônios importantes para várias partes do organismo.

Um desses hormônios produzidos pela hipófise chama-se GH, e é responsável pelo crescimento do indivíduo durante a infância, adolescência e início da idade adulta.

A acromegalia é o nome dado a uma doença caracterizada pela produção exagerada de GH, principalmente durante a vida adulta. O fenômeno faz com que pés, mãos e cartilagens da pessoa afetada aumentem e fiquem deformados.

Como o problema afeta diretamente a hipófise, as consequências da acromegalia se estendem para várias partes do corpo. Um desses desdobramentos é o desenvolvimento de um quadro de hiperidrose secundária.

Hipertireoidismo

A tireoide é uma das glândulas mais importantes do organismo e fica localizada no pescoço. É responsável por liberar hormônios que afetam significativamente o funcionamento de órgãos como cérebro, coração, pulmão, rins e útero, entre outros.

Quando a tireoide produz mais hormônios do que deveria produzir, se estabelece um problema chamado de hipertireoidismo.

Por conta da importância da tireoide, o excesso de hormônios liberados por ela acelera os processos químicos em várias partes do corpo, causando desequilíbrios – entre eles, a hiperidrose.

Medicamentos

A hiperidrose também pode se manifestar como efeito colateral de certos medicamentos. Entre os remédios que podem causar o problema, estão anti hipertensivos, antipsicóticos, antidepressivos, determinados suplementos vitamínicos e alguns antibióticos.

Se você estiver vivenciando episódios de hiperidrose e desconfiar que o motivo pode ser algum medicamento, vale ler atentamente a bula do remédio e discutir o assunto com o médico que o receitou.

Abuso de substâncias

O uso de drogas como ecstasy, metanfetamina e PCP (que, na verdade, atende pelo nome de fenciclidina) pode induzir um quadro de hiperidrose.

Gota

A hiperidrose é um dos principais sintomas de uma doença chamada gota (também conhecida como artrite gotosa). O problema se caracteriza por uma inflamação de várias articulações, causada pelo acúmulo de ácido úrico na corrente sanguínea.

Geralmente, em quadros de gota, as partes do corpo atingidas pelo suor excessivo também doem e adquirem uma coloração avermelhada.

Cânceres e tumores

Ainda não se sabe exatamente porque alguns tipos de câncer e tumores causam hiperidrose. Alguns estudos sugerem a possibilidade de o suor excessivo ser resultado dos esforços do organismo para combater o câncer, mas essa informação ainda habita o campo das hipóteses.

O fato é que, sim, certos tipos de câncer podem causar hiperidrose. Alguns deles são:

  • Leucemias;
  • Câncer no fígado;
  • Câncer nos ossos;
  • Mesotelioma, um tipo de câncer que afeta o tecido que reveste órgãos como coração, pulmão e estômago;
  • Tumores carcinóides, que costumam atingir o sistema digestivo;
  • Linfoma de Hodgkin, que atinge o sistema linfático.

Fatores de risco

Há registros de casos de hiperidrose em qualquer idade, desde bebês até idosos. Segundo dados do Cedars-Sinai Medical Center, um hospital localizado em Los Angeles, estima-se que algo entre 1% e 2% da população adulta dos Estados Unidos tenha ou vá desenvolver hiperidrose ao longo da vida.

Algumas características que podem tornar um indivíduo mais suscetível a desenvolver o problema são:

  • Histórico familiar de hiperidrose;
  • Diabetes;
  • Obesidade;
  • Doenças que afetem o sistema nervoso;
  • Menopausa;
  • Disfunções na tireoide;
  • Problemas cardiovasculares;
  • Uso de drogas.

Sintomas

A hiperidrose é um quadro caracterizado por um único sintoma: o suor excessivo.

Pode ser complicado mensurar o quanto é transpirar demais. De maneira geral, é normal que os seres humanos suem em determinados contextos e situações – quando está calor, durante exercícios físicos ou em situações de estresse e/ou nervosismo, por exemplo.

O suor que caracteriza hiperidrose é, em geral, abundante, a ponto de atrapalhar a qualidade de vida e a autoestima do paciente. Costuma acontecer a qualquer momento do dia, sem que nenhuma atividade ou situação que possa motivar à transpiração esteja acontecendo.

Não há nenhuma diretriz fixa sobre o que seria suar demais – nenhum nível tabelado ou padrão universal. Em geral, o suor excessivo é aquele que provoca tanta vergonha no paciente a ponto de impedi-lo de praticar alguma atividade, como fazer um exercício físico, cumprimentar alguém com um aperto de mão, dar um abraço, dirigir ou usar o teclado do computador, por exemplo.

As partes do corpo que são mais frequentemente afetadas por episódios de hiperidrose são as mãos, os pés, o rosto e a cabeça. No entanto, o suor pode aparecer em qualquer local.

É comum que pacientes com hiperidrose sofram de no mínimo uma crise semanal do problema.

Quando hiperidrose pode significar uma emergência?

Em alguns casos, suor excessivo pode ser um sintoma de alguma urgência médica que exija tratamento imediato.

Procure um hospital o mais rápido possível se, além do suor excessivo, apresentar algum dos seguintes sintomas:

  • Febre acima de 39ºC;
  • Arrepios;
  • Tontura;
  • Fraqueza;
  • Sensação de desmaio iminente;
  • Enjoo;
  • Confusão mental;
  • Dor no peito.

Síndrome do Gatilho da Hiperidrose

A Síndrome do Gatilho da Hiperidrose é um fenômeno comum entre pacientes que sofrem com o problema.

Basicamente, suar excessivamente deixa os pacientes tão nervosos a ponto de experimentarem sintomas de ansiedade. A ansiedade, por sua vez, apenas intensifica ainda mais a hiperidrose, criando um drama interminável durante a crise.

Pessoas que estejam sofrendo de Síndrome do Gatilho da Hiperidrose costumam vivenciar alguns dos seguintes sintomas toda vez que começam a suar:

  • Formigamento nas mãos;
  • Dificuldade para respirar;
  • Sensação de que o coração está batendo mais devagar ou mais rápido que o normal;
  • Pulsação nos ouvidos;
  • Dor de barriga e/ou no estômago;
  • Tensão no pescoço e nos ombros;
  • Sensação de medo e/ou pânico;
  • Insônia.

Como é feito o diagnóstico da hiperidrose?

Para diagnosticar hiperidrose, o profissional mais recomendado, em um primeiro momento, um clínico geral. O médico deverá avaliar as suspeitas sobre a origem da hiperidrose e, só então, encaminhar o paciente a um especialista.

O especialista, por sua vez, pode ser um dermatologista, neurologista ou cardiologista, de acordo com a causa da hiperidrose.

Durante a primeira consulta, o médico provavelmente fará algumas perguntas sobre os sintomas e histórico médico do paciente e, em seguida, irá solicitar alguns exames e testes para chegar à um diagnóstico preciso.

Alguns dos exames que podem ser solicitados estão descritos a seguir:

Exame de sangue

Os exames de sangue são feitos para avaliar se a hiperidrose pode estar sendo causada por alguma condição específica de saúde – como diabetes ou hipoglicemia, por exemplo.

Exame de urina

Assim como no caso dos exames de sangue, os testes de urina são solicitados pelo médico para avaliar se algum problema de saúde está ocasionando a hiperidrose.

Os exames de urina são feitos, principalmente, para descartar que a causa do suor excessivo seja alguma disfunção na tireoide.

Teste do iodo

O teste do iodo (também conhecido como teste do amido-iodo) é um dos exames mais utilizados para diagnosticar hiperidrose.

É feito através da aplicação de tintura de iodo nos locais mais afetados pelo suor. Após algum tempo, é borrifada uma pequena quantidade de amido no local. A reação das duas substâncias deixará os locais afetados pela hiperidrose cobertos por uma coloração azul escura.

Teste do suor

O teste consiste na colocação de um papel específico para a realização do exame sobre a área que costuma ser mais afetada pelo suor durante as crises de hiperidrose.

Após algum tempo, o papel é removido e pesado em uma balança especial para que seja verificado quanto suor ficou concentrado ali.

Hiperidrose tem cura?

Sim, a hiperidrose tem cura.

Geralmente, a hiperidrose secundária desaparece uma vez que a doença que está causando o problema é tratada.

Já a hiperidrose primária pode ser tratada através de alguns procedimentos específicos ou cirurgias.

Tratamento da hiperidrose

O tratamento para hiperidrose pode ser cirúrgico, com medicamentos ou envolver alguns procedimentos específicos que são aplicados em sessões.

São eles:

Procedimentos a longo prazo

Os procedimentos a longo prazo são tratamentos conhecidos por serem comuns na área estética. Geralmente, apresentam resultados após algumas semanas ou meses e precisam ser refeitos de tempos em tempos.

São eles:

Iontoforese

A iontoforese é um procedimento de utiliza impulsos elétricos para aumentar a absorção do suor pela pele através de estímulos.

Para isso, são utilizados dois eletrodos – uma espécie de condutor de correntes elétricos feito em aço. Ambos são conectados à região que será tratada.

Um dos eletrodos é responsável por carregar cargas positivas, enquanto o outro emite cargas elétricas negativas. Combinados, esses dois tipos de corrente conseguem ultrapassar a barreira da pele.

Uma vez que a corrente adentre na pele, conseguirá formar uma espécie de barreira elétrica, que, por sua vez, será responsável por afastar as moléculas de suor.

A iontoforese é aplicada em sessões, que duram, em média, de 15 a 20 minutos. É recomendado que pacientes com hiperidrose façam de 5 a 20 dias consecutivos de tratamento, dependendo da gravidade do caso.

Após esse período, a expectativa é que os níveis de umidade da pele já estejam próximos do normal. A partir daí, a equipe responsável pelo caso recomendará a frequência das sessões de manutenção do tratamento, que costumam acontecer de uma a duas vezes por semana, por períodos que podem durar meses.

Botox

Conhecido por seu papel em procedimentos estéticos, o Botox é uma opção de tratamento para hiperidrose muito popular.

O nome oficial do Botox é toxina botulínica. A substância é produzida por uma bactéria que se chama Clostridium botulinum e é utilizada em uma série de tratamentos médicos e estéticos por conta de suas poderosíssimas capacidades de relaxamento muscular.

Para casos de hiperidrose, o Botox é aplicado em regiões com alta concentração de glândulas sudoríparas, desestimulando a produção de suor e reduzindo consideravelmente a transpiração por períodos que podem chegar até 10 meses.

A aplicação é feita através de injeções, geralmente aplicadas nas mãos, pés ou axilas, dentro do próprio consultório médico. O procedimento leva menos de 20 minutos e deve ser repetido uma vez por semestre.

Cirurgias para hiperidrose

As intervenções cirúrgicas são tratamentos comuns para pacientes que sofrem de hiperidrose primária, ou que têm hiperidrose secundária e não respondem a outros tipos de tratamento menos invasivos.

Em geral, os procedimentos são simples e apresentam baixíssimos riscos pós-operatórios. Entretanto, existe a possibilidade de, após a cirurgia para tratar o suor excessivo em uma parte do corpo, o problema retornar em outra totalmente diferente após algum tempo, em um fenômeno conhecido como hiperidrose compensatória.

Remoção das glândulas sudoríparas axilares

A remoção por aspiração das glândulas sudoríparas é um procedimento cirúrgico que só apresenta resultados para pacientes que sofrem com o suor excessivo na região das axilas.

A cirurgia é relativamente simples: o médico faz dois cortes muito pequenos nas axilas, e, através deles, insere cânulas de hidrossucção. Esses instrumentos, por sua vez, retiram as glândulas sudoríparas da região, aspirando-as.

O procedimento não exige anestesia geral, apenas local, e o paciente pode ser liberado no mesmo dia, sem necessidade de internação. O maior cuidado pós-operatório é passar as 48 horas subsequentes a cirurgia sem levantar ou fazer esforços significativos com os braços.

Simpatectomia torácica

A simpatectomia torácica é um procedimento cirúrgico feito para inibir determinadas reações do sistema nervoso simpático que estimulem a produção exagerada de suor. Pode ser usada para tratar quem sofre com transpiração em excesso em partes do corpo como rosto, pescoço, couro cabeludo, costas, tórax, abdômen, axilas, mãos e pés.

A cirurgia é feita via vídeo, através do uso de um instrumento fino e comprido chamado de toracoscópio, que contém uma câmera acoplada em sua ponta.

O toracoscópio é inserido de um dos lados do tórax e vai até o nervo simpático, localizado próximo a medula espinhal.

Com o auxílio do instrumento cirúrgico, de acordo com o histórico de cada paciente, o cirurgião pode optar por clipar parte do nervo ou dividi-lo em pequenos pedacinhos. A medida deve diminuir o estímulo às glândulas sudoríparas, reduzindo o suor.

O procedimento dura cerca de uma hora e exige anestesia geral. É recomendado que o paciente evite qualquer tipo de esforço físico por duas semanas.

Tratamentos alternativos para hiperidrose

Existem alguns tratamentos caseiros que podem contribuir para diminuir seus níveis de transpiração.

Mas atenção! Esses tratamentos não possuem eficácia comprovada e não devem substituir o tratamento convencional recomendado pelo médico.

Vinagre de maçã

O vinagre de maçã pode ser utilizado para controlar o suor nas mãos, pés e axilas. A substância possui propriedades constritivas que podem ajudar a inibir a excreção de suor pelos poros dessas regiões.

Para apostar no vinagre de maçã como um aliado contra a hiperidrose, siga as seguintes etapas:

  1. Antes de dormir, lave a região afetada com água morna. Em seguida, seque bem com uma toalha de algodão limpa;
  2. Mergulhe uma bola de algodão no vinagre de maçã e aplique bem na região escolhida;
  3. Deixe o vinagre descansar ali durante a noite;
  4. Pela manhã, enxágue com água corrente;
  5. Repita o procedimento pelo menos uma vez por semana.

Suco de limão

O suco de limão funciona como uma espécie de antitranspirante natural. Por isso, é ideal para controlar o suor nos pés, mãos e axilas.

Para utilizar esse tratamento natural para hiperidrose, siga essas etapas:

  1. Esprema um limão fresco pequeno;
  2. Acrescente uma colher (chá) de bicarbonato de sódio ao suco do limão e misture bem, até formar uma pasta homogênea;
  3. Aplique a pasta no local em que você transpira excessivamente;
  4. Deixe agir por 10 minutos;
  5. Enxágue bem com água corrente;
  6. Seque bem;
  7. Repita o procedimento uma vez ao dia.

Terapia

Como a hiperidrose é um problema que afeta diretamente a auto estima do indivíduo, contar com a ajuda de um psicólogo é uma etapa importante do tratamento.

Discuta com seu médico a possibilidade de frequentar um psicoterapeuta para trabalhar suas inseguranças e a forma como você se vê perante o mundo enquanto paciente com hiperidrose.

Remédios para hiperidrose

O profissional responsável pelo seu caso pode optar por prescrever medicamentos que atuem diretamente no controle da atuação das glândulas sudoríparas, como, por exemplo:

Também é possível que o médico recomende alguns outros produtos para seu tratamento, como, por exemplo:

Desodorantes manipulados

Seu médico pode optar por prescrever alguns desodorantes com fórmulas especiais, que só poderão ser produzidos e adquiridos em uma farmácia de manipulação.

Desodorantes especiais

Existem no mercado  algumas linhas de desodorantes específicas para o tratamento e controle de hiperidrose.

O melhor horário para aplicar esse tipo de produto é durante a noite, quando as pessoas tendem a suar menos e o desodorante pode ser melhor absorvido pela pele.

Entre elas, estão produtos como:

Inibidores do sistema nervoso simpático

Os medicamentos com propriedades inibidoras do sistema nervoso simpático podem ajudar significativamente no tratamento de pacientes com hiperidrose primária.

Entre os medicamentos que podem ser receitados pelo seu médico, estão:

Antidepressivos e ansiolíticos

Para ajudar a controlar a ansiedade – que pode estar causando ou sendo causada pela hiperidrose – é comum que médicos prescrevam antidepressivos como parte do tratamento da doença.

Entre os remédios que podem ser indicados pelo profissional de saúde, estão:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

A hiperidrose costuma ser um problema difícil não apenas quanto aos desdobramentos de saúde física, mas, também, nos aspectos psicológicos e sociais.

Infelizmente, é comum que suar demais gere constrangimentos, afete a autoestima do paciente e faça com que a pessoa com hiperidrose pare de praticar determinadas atividades que antes eram prazerosas.

Por isso, além de visitar um especialista que possa te ajudar com as causas e origens de sua hiperidrose, também pode ser importante investir no acompanhamento com psicólogos. A terapia pode ter efeitos positivos sobre os aspectos psicossociais da doença, te ajudando a lidar com as adversidades da melhor forma possível.

Lembre-se de que você é uma pessoa com muitas nuances, subjetividades, talentos, qualidades e características únicas. São essas coisas que te definem, e não sua doença. A hiperidrose é um problema que pode ser controlado, tratado e até mesmo curado, dependendo da causa. Você é muito maior do que uma situação ruim.

Algumas medidas que podem ajudar a melhorar sua qualidade de vida são:

Leve roupas extras

Carregar uma muda de roupa na mochila ou deixar algumas camisetas guardadas no seu armário do trabalho podem ser boas saídas para evitar constrangimentos.

Evite colocar muitas blusas, uma por cima da outra, para tentar amenizar o problema. Abafar o suor só vai piorar o cheiro, o que pode afetar negativamente sua auto estima.

Use roupas dos tecidos certos

Prefira roupas produzidas em tecidos naturais, que absorvem melhor a umidade, evitando manchas e cheiros ruins durante episódios de hiperidrose.

Alguns tecidos que costumam ser adequados para disfarçar a transpiração são algodão, seda, linho e lã.

Alterne seus pares de sapato

Na maior parte dos casos, os pés são partes do corpo muito afetadas pela hiperidrose. O acúmulo de suor nos seus sapatos pode causar odores, que ocasionam constrangimentos.

Uma boa saída é, se possível, ter pelo menos três ou quatro pares de calçados para o dia-a-dia. Assim, você tem uma margem de alguns dias para que seus sapatos sequem adequadamente e não precisa conviver com o famigerado chulé.

Troque as meias

O suor também se acumula em meias, causando desconforto e mau cheiro. Então, é fundamental evitar ao máximo repetir essas peças de roupa.

Se a situação estiver te incomodando muito, vale trocar as meias mais de uma vez por dia, e até mesmo carregar um par extra em sua bolsa ou mochila.

Deixe seus pés respirarem

Na correria da rotina, é normal que passemos muitas horas com os pés abafados em sapatos apertados e/ou que não proporcionem condições adequadas para arejar os pés.

Para evitar o mau cheiro proveniente do acúmulo de suor, é importante reservar algumas horas do seu dia para ficar sem meias e calçados, deixando os pés livres para tomarem um ar.

Vale também usar o intervalo do trabalho, escola ou faculdade para ir até um local em que você possa tirar seus sapatos e meias por alguns instantes.

Grupos de apoio

Encontrar outras pessoas que vivenciem as mesmas dificuldades e situações que você pode ser uma excelente forma de conviver com o problema.

Na internet, é possível encontrar diversos fóruns, grupos, blogs e sites voltados para pessoas que sofrem com hiperidrose. Nesses espaços, quem convive com o problema troca dicas, histórias e relatos que podem ser muito importantes para garantir estabilidade emocional, senso de pertencimento e a sensação de que, no final, vai ficar tudo bem.

Complicações

A hiperidrose que não seja adequadamente tratada pode, a longo prazo, causar algumas complicações que afetam a saúde da pele.

São elas:

Bromidose

Bromidose é o nome clínico do mau cheiro que, acredite, não é natural do suor. O odor desagradável é proveniente da interação do líquido com bactérias da pele – que, em pacientes com hiperidrose, é intensificado pelo grande acúmulo de suor em determinadas regiões.

Assaduras

As assaduras são inflamações na pele, caracterizadas pela coloração vermelha, bem viva. São manifestações conhecidas por serem muito comuns em bebês.

Costumam aparecer principalmente em regiões em que existem dobras, como nas axilas e atrás dos cotovelos e joelhos.

Em adultos com hiperidrose, as assaduras são causadas pelo acúmulo de suor em locais que são zonas de atrito com roupas.

Além de causarem dor, as assaduras também deixam a região em que se estabelecem mais exposta a infecções por fungos e bactérias.

Micose na virilha

A micose na virilha é uma complicação que acomete principalmente pessoas que sofrem com hiperidrose secundária. O problema acontece quando há um acúmulo de umidade na região dos órgãos genitais, nádegas e coxas.

Também conhecida como Tinea cruris, a doença é uma infecção causada por fungos. Embora a micose não cause complicações sérias, o problema provoca coceira intensa e a aparição de grandes manchas vermelhas na região da virilha.

Infecções bacterianas

Juntos, os elementos atrito constante e umidade acumulada tornam a pele mais frágil e suscetível a infecção por microorganismos.

Como prevenir a hiperidrose?

Não é possível prevenir a hiperidrose em si, principalmente em sua forma primária. A melhor forma de evitar à hiperidrose secundária é se prevenir contra as doenças que causam o problema.

No entanto, algumas mudanças simples em seu estilo de vida podem evitar crises de suor excessivo.

Algumas medidas que podem evitar a transpiração em excesso são:

Use antitranspirantes

Criar o hábito de utilizar antitranspirantes é uma etapa importante no processo de prevenir o suor.

Aplique o antitranspirante ao menos duas vezes ao dia – de preferência antes de dormir ou acordar e logo após o banho (mas apenas depois de secar bem a região em que o produto será aplicado!).

Também vale aplicar um antitranspirante spray nos pés (incluindo as solas e entre os dedos), para evitar o acúmulo de suor e consequente mal cheiro na região.

Deixe os pés respirarem

Graças às exigências da rotina por um vestuário mais formal, é comum que não deixemos nossos pés respirarem adequadamente, sempre usando sapatos apertados ou muito fechados.

Separe algumas horas do dia para utilizar somente sandálias, chinelos ou mesmo ficar descalço por um tempo.

Para o dia-a-dia, experimente investir em sapatos fabricados em materiais naturais, como couro, por exemplo, ou com solados absorventes, especialmente pensados para quem sua muito.

Outra saída é investir em tênis com furinhos especiais nas laterais e na frente, desenhados especialmente para que o pé possa ser arejado durante o uso do calçado.

Evite pimenta, cebola e alho

Se você deseja evitar o suor, é importante reduzir a quantidade de pimenta, alho e cebola em sua dieta.

A pimenta aumenta a temperatura do corpo, fazendo com que os níveis de transpiração de quem a ingere regularmente sejam maiores. Já a cebola e o alho tendem a piorar um pouquinho o cheiro do suor.

Evite cafeína

A cafeína é um componente que estimula as glândulas sudoríparas, aumentando significativamente a quantidade de suor.

Por isso, se você deseja evitar a transpiração, é importante não apenas reduzir o consumo de café, mas também de bebidas como chás, energéticos e refrigerantes.

Evite o estresse

Situações de estresse e nervosismo interferem diretamente no sistema nervoso simpático, provocando o suor.

Por isso, para evitar a transpiração excessiva, é importante levar uma vida mais tranquila. Invista em atividades físicas, alimentação saudável, mais tempo com quem se ama e praticando hobbies que são importantes para você.

Tenha uma alimentação saudável

Estudos indicam que o excesso de álcool, gordura e açúcar no cardápio pode afetar negativamente o funcionamento das glândulas sudoríparas. Portanto, ter uma dieta saudável e balanceada pode ser um grande passo para combater os efeitos da hiperidrose.

Beba água

Por incrível que pareça, contrariando o senso comum, quanto mais água você bebe, menos você sua.

Isso acontece porque ingerir líquidos regula a pressão sanguínea e acelera o metabolismo, fazendo com que o corpo absorva nutrientes mais rapidamente. A água também atua na lubrificação de diversas partes do corpo. Todo esse processo faz com que o organismo produza menos suor.


A hiperidrose é um problema que causa muitos incômodos e constrangimentos, mas pode ser facilmente curado com o tratamento adequado.

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Referências

http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/hyperhidrosis/basics/lifestyle-home-remedies/con-20030728
http://hyperhidrosisuk.org/
http://www.webmd.com/skin-problems-and-treatments/common-complications-of-hyperhidrosis
http://www.nhs.uk/conditions/Hyperhidrosis/Pages/Introduction.aspx
http://www.skincareguide.com/article/skin-conditions/other-conditions/risk-factors-for-developing-excessive-sweating
https://www.cedars-sinai.edu/Patients/Programs-and-Services/Hyperhidrosis-Program/Treatment/Hyperhidrosis-Causes-and-Risk-Factors.aspx
http://www.webmd.com/skin-problems-and-treatments/features/dont-sweat-it

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