Hiponatremia: o que é, sintomas neurológicos e tratamento

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O que é Hiponatremia?

A hiponatremia é um distúrbio metabólico causado por um desequilíbrio no organismo que leva a uma concentração muito baixa de sódio no sangue. Em outras palavras: ou há água em excesso, ou há deficiência de sódio no organismo.

Ela pode ser leve, causando sintomas desconfortáveis, ou então severa, podendo levar ao coma e até a morte.

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Felizmente, a doença tem cura. Seu tratamento pode envolver mudanças na dieta, diminuição da ingestão de água ou uso de medicamentos diuréticos, em casos mais severos. Vale lembrar, porém, que a hiponatremia não pode ser tratada simplesmente com soluções caseiras ou com uma ingestão maior de sódio na dieta. É sempre preciso, antes de qualquer coisa, buscar orientação profissional.

É o distúrbio hidroeletrolítico mais comum em pacientes hospitalizados. Ela está associada a uma série de problemas, como necessidade de internamento em unidade de terapia intensiva e hospitalização prolongada e de maior custo.

Se diferencia em 5 variações, indo da menos sintomática até a mais sintomática. Suas complicações mais severas podem envolver problemas no cérebro e nas transmissões neurais, causando sintomas como parkinsonismo.

Entretanto, ela é facilmente identificável e, nas suas versões menos severas, pode ser facilmente tratada. Por isso, leia o texto até o final e fique atento aos sinais que podem indicar a presença dessa doença.

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Índice – neste artigo você irá encontrar

  1. O que é Hiponatremia?
  2. O que é a pressão osmótica?
  3. Tipos
  4. Causas
  5. Qual a função do sódio no organismo?
  6. Fatores de risco
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico de Hiponatremia?
  9. O que esperar durante a consulta médica?
  10. Hiponatremia tem cura?
  11. Qual o tratamento?
  12. Medicamentos para Hiponatremia
  13. Convivendo / Prognóstico
  14. Complicações
  15. Como prevenir a Hiponatremia?

O que é a pressão osmótica?

As células do nosso corpo são compostas por água e outros elementos. Para se regular e garantir o próprio funcionamento, é preciso que cada célula controle os níveis de água dentro dela.

A célula faz esse controle através de um processo denominado “osmose”. Nesse processo, a água passa de uma solução menos concentrada para uma mais concentrada (ou menos diluída), equilibrando, dessa forma, os níveis de água dos dois lados (no caso do corpo humano, os compartimentos extracelular e intracelular).

O problema é que, se a osmose ocorre em excesso, tanto para um lado quanto para o outro, a quantidade de água na célula fica desbalanceada, podendo fazer com que célula até mesmo estoure, ou então “murche”.

É aí que entra a pressão osmótica: ela é a pressão que deve ser exercida sobre um sistema para evitar que a osmose ocorra em excesso.

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Osmolalidade e osmolaridade

Tanto a osmolalidade quanto a osmolaridade são termos que buscam designar a quantidade de moléculas osmoticamente ativas em uma solução. A diferença entre elas é que a osmolalidade se refere ao número de miliosmoles por litro de solução, enquanto a osmolaridade se refere aos níveis de miliosmoles por quilo de água.

Tipos

De modo geral, existem 5 tipos de hiponatremia. Com exceção da pseudohiponatremia e da hiponatremia hipertônica, a doença ocorre porque há mais água do que sódio no organismo, o que faz com que a água fique em excesso, tanto no compartimento intracelular quanto no extracelular, diluindo o sódio no organismo.

Os tipos de hiponatremia se diferenciam, basicamente, pela maneira como se manifestam. Confira:

Hiponatremia euvolêmica

A hiponatremia euvolêmica ocorre quando os níveis totais de água no organismo se encontram acima do normal e, em contrapartida, os níveis de sódio continuam os mesmos.

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Nesses casos, há um aumento modesto no volume de líquido extracelular, mas não o suficiente para causar edemas (inchaço por líquido acumulado). Normalmente são assintomáticas.

Hiponatremia hipervolêmica

A hiponatremia hipervolêmica ocorre quando tanto os níveis totais de água quanto de sódio estão maiores do que o normal, mas os da água são maiores que os de sódio.

Nesse caso, o volume de líquido extracelular se encontra acentuadamente aumentado, causando edema.

Hiponatremia hipovolêmica

A hiponatremia hipovolêmica ocorre quando o corpo perde água e sódio, mas os níveis de perda de sódio são maiores que os de água.

Hiponatremia hipertônica (redistributiva)

A hiponatremia hipertônica, ou redistributiva, se caracteriza por níveis de água e sódio inalterados no organismo. O que acontece é que a pressão osmótica aumenta na camada extracelular, fazendo com que a água se desloque do compartimento intra para o extracelular, diluindo o sódio no organismo.

Essa variação da doença pode ser facilmente observada em casos de hiperglicemia e pode ser fatal.

Pseudo-hiponatremia

Na pseudo-hiponatremia, um excesso de lipídios ou de proteínas dilui a fase aquosa do compartimento extracelular e os níveis de sódio diminuem. Os níveis de água e sódio no organismo permanecem inalterados e não há o deslocamento de líquidos entre os compartimentos.

Causas

O sódio é um componente encontrado mais comumente fora das células. Ele é um eletrólito muito importante para manter o bom funcionamento do organismo, para regular a pressão sanguínea e para que os neurônios, músculos e outros órgãos do corpo funcionem corretamente.

A hiponatremia ocorre quando os níveis de concentração do sódio no organismo ficam muito baixos. Por isso, pessoas que enfrentam vômitos e diarréia crônica são as mais comumente afetadas pelo problema: durante essas condições, o corpo perde muito sódio, diminuindo sua concentração nos compartimentos extracelulares.

Quando a concentração de sódio fora da célula diminui muito, por exemplo, o corpo tenta balancear esse desnível enviando água para dentro das células, o que pode fazer com que elas inchem e até mesmo estourem. As células neuronais são as mais afetadas por esse fenômeno.

A quantidade de sódio normal do organismo varia entre 135 e 145 mEq/L (mEq = miliequivalente). Abaixo disso é considerado um caso de hiponatremia.

Diversos são os fatores que podem levar a hiponatremia. Pessoas que têm problemas no coração, como insuficiência cardíaca, estão mais sujeitas a adquirir o problema, assim como pessoas que possuem insuficiência renal, cirrose, e que fazem uso de diuréticos ou vasopressinas.

Isso porque tais doenças podem estar relacionadas a um déficit de sensibilidade nos receptores presentes no tórax, rins e vasos sanguíneos, os principais responsáveis pela detecção da queda de sódio no plasma.

Quando esse déficit acontece, a precisão na produção do Hormônio Antidiurético (ADH) fica comprometida na neuro-hipófise, o que leva à desregulação nos níveis de sódio no organismo.

Pessoas que sofrem da Síndrome da Secreção Inapropriada do Hormônio Antidiurético (SIADH) estão mais sujeitas a apresentar casos de hiponatremia.

A SIADH acontece quando há uma liberação excessiva de ADH no organismo.

Além disso, outras doenças que causam alterações hormonais no corpo, como a Doença de Addison, afetam a capacidade das glândulas adrenais de produzir hormônios que ajudam a manter o equilíbrio ideal de sódio no organismo, causando hiponatremia.

A ingestão de água em excesso é outra causa para o problema. Ao ingerir muita água, os níveis de sódio ficam desbalanceados. O mesmo ocorre com casos de desidratação, mas pela razão contrária, ou seja, a perda de água e eletrólitos.

Hiponatremia hipovolêmica

Como dito anteriormente, nessa variação da doença, há uma diminuição nos níveis totais de água no organismo, com redução relativamente maior de sódio.

Ela é causada por:

  • Perdas gastrointestinais, causadas por diarréias ou vômitos, por exemplo;
  • Perdas no terceiro espaço, como queimaduras, pancreatite, peritonite, rabdomiólise e obstrução do intestino delgado;
  • Perdas renais, como uso de diuréticos, deficiência de mineralocorticóides, diurese osmótica, nefrite intersticial, doença medular cística, obstrução parcial do trato urinário etc.

Hiponatremia euvolêmica

Nesses variação, há um aumento significativo nos níveis totais de água no organismo, sendo que os níveis totais de sódio permanecem quase inalterados.

Suas causas são:

  • Uso de drogas, como diuréticos, barbitúricos, carbamazepina, clorpropamida, clofibrato, opióides, vincristina, sendo mais comumente associada a ciclofosfamida, AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteróides) e ocitocina;
  • Alterações no organismo, como insuficiência adrenal, doença de Addison, hipotireoidismo e a Síndrome da Secreção Inapropriada de ADH;
  • Aumento na ingestão de líquidos;
  • Aumento da liberação de ADH, que pode ser causada por estresse emocional, dor e estados pós-operatórios.

Hiponatremia hipervolêmica

Essa variação ocorre quando há um aumento dos níveis totais de sódio no organismo, com um aumento relativamente maior de água.

Ocorre por causa de:

  • Doenças extra-renais, como a cirrose e a insuficiência cardíaca;
  • Doenças renais, como insuficiência renal aguda, nefropatia crônica e síndrome nefrótica.

Qual a função do sódio no organismo?

A principal função do sódio no organismo é de regular a quantidade de líquido extracelular, bem como o volume de plasma sanguíneo. Além disso, ele atua na condução de impulsos no sistema nervoso e no controle da contração muscular.

Quando a quantidade de sódio se encontra em menor nível do que o normal, sintomas como hipotensão (tensão arterial baixa), cãibras, desidratação, secura da boca e vômitos podem se fazer presentes, pois a quantidade de água nas células aumenta, podendo trazer sérios riscos à saúde.

Fatores de risco

Todos os seres humanos precisam consumir bastante água no dia-a-dia para manter o corpo saudável. Entretanto, os níveis de ingestão de água devem ser verificados para que se equilibrem e não causem nenhum tipo de problema.

Entretanto, existem alguns fatores que podem fazer com que os níveis de sódio no organismo se desregulem. Dentre eles, estão:

Idade

Pessoas mais velhas são mais propensas a ser afetadas pela hiponatremia. Especialmente as que possuem insuficiência cardíaca. Isso porque elas têm elevação do hormônio peptídeo natriurético atrial, produzido pelas células do coração. Quanto maior os níveis desse hormônio, maior é o índice de excreção de sódio.

Além disso, os idosos possuem uma quantidade menor de vasopressinase, uma enzima que corta a ação do ADH e regula os níveis de sódio no organismo, o que faz com que tenham de tomar vasopressinas, que pode ser uma das causadoras da doença.

Por isso, essas pessoas devem, naturalmente, de tomar mais remédios, têm mais probabilidade de desenvolver uma doença crônica que altere o equilíbrio de sódio no corpo.

Medicamentos e drogas

O uso de certas medicações, como diuréticos, antidepressivos e analgésicos pode aumentar o fluxo de urina e suor, os dois principais responsáveis pela perda de sódio do organismo.

Além disso, o uso recreativo de ecstasy também provoca queda nos níveis de sódio no organismo, pois seu uso causa bastante sede. Quando a pessoa se encontra sob a influência dessa droga, toma mais água, o que diminui a concentração de sódio no organismo.

Atividade física intensa

Pessoas que praticam atividade física intensa sofrem com a perda de eletrólitos, como o sódio, o tempo todo através da transpiração. Isso causa muita sede, o que faz com que a pessoa consuma muita água, levando à hiponatremia.

É muito importante que, durante as atividades físicas intensas, se consuma bebidas especificamente feitas para reposição de eletrólitos.

AIDS

Pacientes com AIDS também correm um risco maior de serem afetados pela doença. Para se ter uma noção, a hiponatremia é relatada em mais de 50% dos pacientes hospitalizados com AIDS.

Isso porque a insuficiência adrenal tem se tornado cada vez mais comum em pacientes com AIDS, o que pode levar a SIADH e piorar ainda mais a condição das pessoas afetadas pelo vírus.

Sintomas

Quando os níveis de sódio na porção extracelular diminuem, a água entra nas células, fazendo com que elas inchem. Se isso ocorrer no cérebro, edemas cerebrais podem se fazer presentes.

O edema cerebral é muito perigoso, pois o cérebro fica confinado dentro do crânio, sem espaço para se expandir. Esse inchaço pode causar danos cerebrais conforme a pressão intracraniana aumenta.

Os sintomas neurológicos são bem genéricos e podem incluir:

  • Dor de cabeça;
  • Confusão;
  • Convulsões;
  • Inquietação e irritabilidade;
  • Confusão;
  • Diminuição da consciência, que pode levar ao coma e à morte.

Além disso, outros sintomas que podem ocorrer são:

  • Náusea;
  • Vômito;
  • Fadiga muscular;
  • Espasmos;
  • Cólicas.

Como é feito o diagnóstico da Hiponatremia?

Existem três exames laboratoriais que podem ser feitos para diagnosticar a hiponatremia. Quando feitos em conjunto com a análise do histórico do paciente e o exame físico padrão, eles são eficientes na detecção da doença e ajudam a tratá-la quando está na sua fase inicial.

A doença pode ser diagnosticada por diversos tipos de especialidades médicas. Um clínico geral pode detectar a doença, assim como hematologistas, endocrinologistas, neurologistas e cardiologistas.

Teste de osmolalidade urinária

É como um teste de urina normal. Nele, é analisado uma amostra estéril de urina. Para fazê-lo, as mulheres devem higienizar a vulva e a uretra, e os homens, a glande. Basta liberar o jato de urina no recipiente dado pelo laboratório até que ele encha e levar a amostra para ser analisada.

Resultados normais variam de 500 a 850 milimoles por quilo de urina, mas pode ficar um pouco acima dessa faixa. Caso você tenha feito restrição de líquidos em um período de 12 a 14 horas antes do teste, o resultado provavelmente ultrapassa os 850 milimoles.

Teste de osmolalidade sanguínea ou osmolalidade sérica

O exame é simples: basta que o paciente permita que um profissional de saúde recolha uma pequena amostra de sangue. Ele mede a quantidade de várias substâncias no soro (parte líquida do sangue), dentre elas o sódio.

De modo geral, normalmente é preciso ficar em jejum por 6 horas antes do exame. Alguns medicamentos, como o manitol, podem interferir nos resultados e, por isso, o paciente deve informar o médico se está fazendo uso de qualquer medicamento.

Os resultados normais ficam entre 275 e 303 milimoles por quilograma de soro. Os padrões exatos para resultados normais podem variar de acordo com o médico e com o laboratório. Em caso de dúvida, o médico sempre deve ser consultado.

Teste do nível de sódio urinário

O teste de nível de sódio urinário é feito para verificar o estado de hidratação do paciente e também para avaliar a função renal.

Existem dois tipos de teste: um teste aleatório em uma única amostra de urina, e um teste de 24 horas, que examina o sódio urinário durante todo o dia.

Assim como no teste de osmolalidade urinária, basta recolher uma amostra de urina em um recipiente estéril e levá-la para o laboratório para análise posterior.

No teste de 24 horas, o paciente deve urinar em um recipiente especial toda vez que for urinar.

O que esperar durante a consulta médica?

Caso você esteja com suspeita de hiponatremia, procure auxílio médico imediato. O quanto antes você souber da doença, mais fácil será tratar seus sintomas e menor serão suas chances de desenvolver um quadro severo.

Durante a consulta médica, fale das suas suspeitas e descreva seus sintomas se estiver sentindo dor de cabeça, náuseas, fraqueza ou cólicas.

Não se esqueça de falar do seu histórico e qualquer informação que pode ajudar o médico a diagnosticar hiponatremia. Liste os medicamentos, vitaminas, suplementos e todos os outros remédios, naturais ou farmacológicos, que você esteja tomando.

Se você estiver se sentindo confuso por causa dos sintomas da doença, peça ajuda para algum amigo próximo ou familiar. Eles saberão seguir os passos anteriores com mais eficiência do que você por conta própria.

Hiponatremia tem cura?

Felizmente, a hiponatremia tem cura. Seu tratamento normalmente não é muito complicado e envolve a reposição de sódio no organismo.

Qual o tratamento?

Em linhas gerais, há abordagens diferentes para cada tipo de hiponatremia.

Hiponatremia hipovolêmica

Na hiponatremia hipovolêmica, o paciente pode ser tratado com a diminuição de ingestão de fluídos.

Além disso, ajustes na dieta, estilo de vida e nos medicamentos podem ajudar. Acrescentar mais sódio à dieta, por exemplo, é uma das recomendações que o médico pode dar para prevenir o aparecimento do problema. Beber menos água e parar de ingerir diuréticos também podem melhorar a saúde do paciente.

Entretanto, existem alguns tipos de tratamento específicos para pessoas com casos mais severos de hiponatremia. As opções, nesses casos, incluem a aplicação de fluídos intravenosos com solução rica em sódio, a fim de elevar os níveis da substância na corrente sanguínea.

Nos casos mais graves, que podem envolver o surgimento de convulsões e outras complicações, uma solução salina a 3% pode ser administrada.

O uso de alguns medicamentos como analgésicos para dor de cabeça e anticonvulsivos podem ser indicados.

Hiponatremia euvolêmica

Em casos de euvolemia, o tratamento é diretamente dirigido à causa do problema. Se ela for causada por hipotireoidismo, por exemplo, trata-se o hipotireoidismo ao invés da hiponatremia em si. Caso não seja possível tratar a causa direta do problema ou não seja possível privar o paciente de líquidos, o uso de certos medicamentos pode ser necessário.

Hiponatremia hipervolêmica

Já em casos de hipervolemia, o uso de medicamentos que aumentam os níveis de sódio no organismo podem ser indicados, como no caso da hipovolemia, em que soluções intravenosas fazem parte do tratamento.

Privação de água e injeção intravenosa de fluídos

Esse tratamento consiste em administrar soluções salinas isotônicas para repor o volume intravascular. É possível que, além da reposição de sódio, haja uma reposição de potássio, que também é uma substância osmoticamente ativa.

Para pacientes euvolêmicos, restrição de água pode ser uma opção. Nesse tratamento, deve-se restringir a ingestão de água para menos de 1L por dia.

Tratamento farmacológico

Em pacientes com hipervolemia e euvolemia, são indicados antagonistas da vasopressina, que são utilizados em administração intravenosa. Esses medicamentos são contraindicados para pacientes hipovolêmicos, pois induzem a diurese da água e do sódio, o que não é bom para pacientes que estão com falta de água no sangue (justamente o caso da hipovolemia).

Medicamentos para Hiponatremia

Nos casos mais comuns de hiponatremia, que são menos graves, o uso de medicamentos não se faz tão necessário. Entretanto, para tratar casos mais severos, o uso de certas drogas pode ser indicado. Elas incluem:

  • Demeclociclina;
  • Lítio;
  • Vaptans: Tolvaptan, Conivaptan, Satavaptan, Lixivaptan;
  • Furosemida.

Demeclociclina e lítio

Tanto o lítio como a demeclociclina são medicações que tem como efeito colateral se opor à ação do ADH, hormônio responsável por impedir a diurese, o que aumenta a excreção urinária da água livre.

Vaptans

Os vaptans são inibidores dos receptores V2 de vasopressina. São capazes de promover a diurese de água livre de eletrólitos, como o sódio. Podem ser administrados por via oral (Tolvaptan) ou endovenosa (Conivaptan, Satavaptan e Lixivaptan).

Essas drogas elevam o sódio sérico em pacientes com hiponatremia hipervolêmica, fazendo com que a osmolaridade das células se regule e volte ao normal.

Por enquanto, só estão disponíveis para uso clínico nos EUA, pois os estudos clínicos mostram que estes medicamentos melhoram os sintomas, mas não reduzem a taxa de mortalidade da doença.

Furosemida

A furosemida, assim como os outros medicamentos, está na classe dos diuréticos, e ajuda o organismo a se livrar do excesso de água sem que ocorra a excreção de eletrólitos como o sódio, melhorando a osmolaridade das células.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo / Prognóstico

Depois de diagnosticar hiponatremia, talvez seja necessário realizar algumas mudanças no estilo de vida.

Se você come alimentos com baixo teor de sódio, por exemplo, pode valer a pena começar a adicionar mais sal à sua dieta. Lembrando que não é pra exagerar, também, pois o sal em excesso pode provocar inúmeros problemas de saúde.

A ingestão de água pode ser diminuída. Se você é uma dessas pessoas que bebe muita água, fique atento, pois o líquido em excesso pode fazer mal, pois diluem demais o sódio presente no sangue.

Uma dica é consumir frutas ricas em água, como melancia ou melão. Elas ajudam a matar a sede e são ricas em nutrientes que fazem bem à saúde!

Complicações

Edema cerebral

Quando a osmolaridade das células neurais ficam desreguladas, as células do cérebro podem começar a inchar, causando edemas cerebrais e fazendo com que o espaço intracraniano fique cada vez mais apertado.

Esse inchaço do cérebro pode trazer problemas sérios, como tumores, abscessos, hematomas, anóxia (falta de oxigênio), meningites, encefalites e intoxicações. A pressão intracraniana também fica maior, aumentando o risco de hérnias cerebrais e outras complicações.

Quando as concentrações de sódio diminuem muito rapidamente dentro de um período de 24 a 48 horas, os edemas cerebrais ficam mais graves, levando à hérnia do tronco encefálico, parada respiratória e morte.

Síndrome desmielinizante osmótica

A principal e mais temida complicação causada pela hiponatremia é a síndrome desmielinizante osmótica (antigamente denominada de mielinólise pontina). Ela pode acontecer como consequência do tratamento da doença e afeta profundamente as células do Sistema Nervoso Central (SNC).

Ocorre quando o tratamento é muito abrupto, fazendo com que as células do SNC se adaptem de forma a diminuir as osmolaridade do meio intracelular, para que ele se torne semelhante ao do meio extracelular.

Isso faz com que danos à bainha de mielina, estrutura responsável por auxiliar nas transmissões neurais, fique danificada, o que pode trazer sérias complicações, como:

  • Tetraparesia espástica (paralisia cerebral);
  • Paralisia pseudobulbar (problemas na deglutição, fala e espasmos);
  • Agitação;
  • Labilidade emocional (mudanças repentinas de humor);
  • Paranoia;
  • Coma;
  • Ataxia (falta de coordenação dos movimentos musculares e perda de equilíbrio);
  • Parkinsonismo;
  • Incontinência urinária.

Para evitar que esses problemas aconteçam, a reposição de sódio deve ser gradual e lenta, sendo muito importante manter esse ritmo compassado durante as primeiras 24 horas do tratamento.

Entretanto, em casos de sintomas mais graves relacionados a hiponatremia, o ritmo pode ser maior durante as primeiras horas de tratamento, justamente para evitar complicações mais sérias relacionadas à doença em si.

Como prevenir a Hiponatremia?

Existem muitas maneiras de prevenir a hiponatremia. Se você sofre de doenças que causam baixa de sódio no sangue como, por exemplo, insuficiência da glândula adrenal, é importante ir ao médico e cuidar dos sintomas.

Saber quais os sintomas da hiponatremia já é um grande passo para se prevenir. Tomar cuidado na hora de consumir produtos diuréticos, por exemplo, é uma boa pedida.

Se for fazer atividades físicas intensas, é bom ficar atento ao que você consome para repor a água. Existem duas maneiras confiáveis de saber quanta água tomar: a sua sede e a cor da sua urina. Se você não sente sede e se a sua urina possui uma cor amarelada, porém quase transparente, provavelmente não precisa tomar mais água.

Além disso, é uma boa perguntar para o seu médico se você deve beber isotônicos ao invés de água quando praticando exercícios físicos. Essas bebidas possuem altas quantidades de eletrólitos e podem ajudar a manter os níveis de sódio no seu organismo estáveis.

Entretanto, se você não está se exercitando com intensidade ou por longas durações, é provável que você não precise dessa reposição.

Também é muito importante aumentar o consumo de água se:

  • O clima está muito quente;
  • Você se encontra em um lugares de grande altitude;
  • Você está grávida ou amamentando;
  • Você está vomitando;
  • Você está com diarreia;
  • Você está com febre alta;

Você não deve beber mais de 1L de água por hora. Não se esqueça que beber água demais em um curto período de tempo pode fazer mal para a sua saúde.

Caso você seja um atleta, o ideal é que se consuma 150mL de água para cada hora de exercício.


A hiponatremia é uma doença curável, mas que pode trazer complicações severas. Por isso, é muito importante estar atento à dieta e à ingestão de água. Não se preocupar com esses fatores pode até mesmo levar à morte, então fique esperto!

Dúvidas e sugestões sobre o tema? Coloque-as nos comentários! Vamos ficar felizes em respondê-las!

Referências

https://www.webmd.com/a-to-z-guides/what-is-hyponatremia#3
http://www.scielo.br/pdf/jbn/v33n2/a22v33n2.pdf
https://emedicine.medscape.com/article/242166-treatment
https://emedicine.medscape.com/article/242166-overview
https://www.healthline.com/health/hyponatremia#causes3
https://www.medicinenet.com/hyponatremia/article.htm
http://brasil.bestpractice.bmj.com/best-practice/monograph/57.html

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