Anti-inflamatório: o que é e classes de remédios anti-inflamatórios

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Revisado por: Dra. Francielle Tatiana Mathias (CRF/PR 24612) – Farmacologista

O que é anti-inflamatório?

Os anti-inflamatórios, ou antiflogísticos, são remédios que tratam inflamações dos tecidos e seus sintomas decorrentes (dor e febre). No geral, eles podem ser divididos entre não esteroidais (AINEs) e esteroidais (corticoides).

Alguns destes medicamentos podem ser vendidos livremente nas farmácias, mas muitos exigem prescrição médica — especialmente os AINEs, que costumam ter tarja vermelha. Já no caso dos corticoides, por exemplo, é ainda mais rigoroso. Todos possuem tarja vermelha e por isso exigem prescrição para a venda.

O uso descontrolado de anti-inflamatórios pode trazer sérios riscos à saúde, como problemas gastrointestinais, cardíacos, renais e até mesmo hepáticos. Por isso, é muito importante que se tome cuidado na hora de fazer uso desses medicamentos e que sempre o faça com indicação médica.

Neste artigo, vamos tratar especificamente dos AINEs. Saiba mais sobre suas indicações, contraindicações e efeitos colaterais no texto a seguir! Boa leitura!

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é anti-inflamatório?
  2. Qual a diferença entre anti-inflamatórios, antibióticos e analgésicos?
  3. Para que serve?
  4. Classes de anti-inflamatórios
  5. Como age no organismo?
  6. Nomes: quais são os medicamentos anti-inflamatórios não esteroides?
  7. Anti-inflamatórios de acordo com o local inflamado
  8. Como tomar?
  9. Efeitos colaterais
  10. Contraindicações
  11. Grávidas podem tomar anti-inflamatório?
  12. Interação medicamentosa e alimentícia
  13. Onde encontrar?
  14. Tratamentos complementares
  15. Anti-inflamatórios naturais
  16. Alimentos que podem aumentar a inflamação no organismo
  17. Anti-inflamatório para cachorros
  18. Perguntas frequentes

Qual a diferença entre anti-inflamatórios, antibióticos e analgésicos?

A diferença é simples e pode ser facilmente notada pelo próprio nome de cada substância.

Os anti-inflamatórios, como vimos, possui 3 funções, sendo que a sua principal é a anti-inflamatória, enquanto a analgésica e a antitérmica são coadjuvantes.

Por outro lado, o antibiótico é um medicamento que busca combater infecções causadas por bactérias. Como dito anteriormente, é possível notar a sua função no próprio nome: anti (que significa “contra” em grego) e biótico (que significa “ser vivo” em grego). Ou seja, um medicamento antibiótico é um medicamento “contra um ser vivo”.

Já os analgésicos são medicamentos que diminuem ou interrompem as vias de transmissão nervosa no intuito de reduzir a percepção da dor. O nome deriva do grego “an”, que significa “sem” e “álgos”, que significa “dor”. Ou seja: analgésico é igual a “sem dor”.

 

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Para que serve o anti-inflamatório?

Além de usados para o tratamento de inflamações, esses medicamentos ajudam na redução dos sintomas e sinais causados pelo processo inflamatório, por terem, normalmente, ação analgésica e antitérmica. Se diferenciam entre si especialmente por causa da potência de cada um desses efeitos no organismo.

Os anti-inflamatórios são indicados principalmente para aliviar os sintomas de febre alta, inflamação e dor. Além disso, podem ser utilizados para o tratamento de diversas doenças, como:

Classes de anti-inflamatórios

Existem diversos tipos de anti-inflamatórios. Eles se dividem entre os não esteroidais (AINEs) e os esteroidais (corticoides). Entenda a diferença:

Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs/NSAIDs)

Os anti-inflamatórios não esteroidais se diferem dos corticoides, principalmente, pelo seu mecanismo de ação. Enquanto os corticoides impedem a produção de hormônios e sinalizadores inflamatórios, os AINEs impedem a ativação dessas substâncias.

Principalmente, os AINEs atuam sob uma enzima chamada ciclo-oxigenase (COX), inibindo sua ação. Por essa razão, recebem o nome de inibidores da ciclo-oxigenase.

Existem 2 tipos de ciclo-oxigenases, a COX-1 e a COX-2.

A COX-1 atua na produção de prostaglandinas, provocando no organismo a manutenção do fluxo sanguíneo, homeostase ou equilíbrio vascular e proteção gástrica. A COX-2, por outro lado, possui ação concentrada nos processos inflamatórios.

Por essa razão, existem 3 tipos de AINEs: os inibidores não seletivos de COX, os inibidores seletivos de COX-2 e os inibidores altamente seletivos de COX-2. Descubra a diferença:

Inibidores não seletivos de COX

Esses AINEs, por outro lado, não atuam especificamente sobre algum tipo de COX. Ao contrário, afetam as duas enzimas, tanto a COX-1 quanto a COX-2.

Um dos principais exemplos desse tipo de AINE é o piroxicam.

Inibidores seletivos de COX-2

Diferentemente dos outros AINEs, este tipo de medicamento possui sua ação concentrada principalmente nas COX-2. Age, ainda que pouco, em enzimas COX-1, mas sua ação é mais focada nas COX-2.

Podem causar menos efeitos colaterais que os inibidores não seletivos, mas ainda assim podem provocar reações adversas como problemas cardiovasculares.

O principal exemplo desse tipo inibidor seletivo é a nimesulida.

Inibidores altamente seletivos de COX-2

Assim como os inibidores seletivos de COX-2, esses AINEs atuam diretamente nas moléculas de COX-2. A diferença, que está evidenciada no nome, é que esses são altamente seletivos, isto é, atuam quase que exclusivamente sobre as COX-2.

O principal exemplo desse tipo de AINE é celecoxibe.

Entretanto, vale lembrar que não existe nenhum AINE que seja totalmente seguro e que evite totalmente os riscos de complicações.

Corticoides

Os corticoides, por sua vez, possuem efeitos anti-inflamatórios que podem ser benéficos para o tratamento desse sintoma.

Apesar de serem efetivos contra a inflamação, os corticoides devem ser utilizados em situações específicas, somente com prescrição médica, pois apresentam diversos efeitos colaterais e interações com outros medicamentos.

Este artigo, entretanto, não vai focar suas explicações nos corticoides, mas sim nos anti-inflamatórios não esteroidais. Se você quiser saber mais informações sobre os corticoides, suas funções, indicações, contraindicações e mecanismos de ação, clique aqui.

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Como o anti-inflamatório age no organismo ?

Como dito anteriormente, os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) agem no organismo diminuindo os sintomas da inflamação, da dor e da febre. Mas como ele faz isso? Qual o seu mecanismo de ação?

Essas são perguntas um pouco difíceis de responder, mas podemos começar a explicação por uma molécula simples, um ácido graxo essencial da família do ômega-6 amplamente presente no nosso organismo: o Ácido Araquidônico (AA).

O ácido araquidônico sofre a ação de uma outra molécula, uma enzima denominada ciclo-oxigenase (COX), e é oxidado por ela, se transformando em outra substância: a prostaglandina (PG).

As prostaglandinas são sinais químicos similares à hormônios e agem no organismo como uma espécie de sinal. Dentre suas diversas funções, ela é responsável por induzir um processo inflamatório.

Parece estranho que o nosso organismo produza uma molécula que cause um processo inflamatório naturalmente, mas isso é essencial para que o corpo combata infecções e lesões.

É preciso que o espaço entre as células se alargue para que os macrófagos — uma espécie de célula de defesa responsável por matar corpos estranhos e limpar restos — possam passar e realizar suas funções.

Mas, como saber quando devemos recorrer aos medicamentos anti-inflamatórios, sem atrapalhar o processo natural de cura?

A resposta depende da causa do problema — que pode ser um microrganismo ou uma ruptura de tecido (corte) — e seus sintomas. Por exemplo, a presença de febre pode ser um sinal de alerta e indicar a necessidade da medicação. Para avaliar o quadro, é importante sempre consultar o especialista.

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Então, resumindo: o ácido araquidônico é transformado em prostaglandina através da ação de uma enzima chamada ciclo-oxigenase.

É aí que os AINEs entram em ação. Quando você toma um comprimido de anti-inflamatório, as moléculas do medicamento vão competir com as enzimas COXs por seus respectivos receptores, impedindo a oxidação do AA e, consequentemente, a síntese de PGs.

É como se o anti-inflamatório fosse um carro que pega o lugar da ciclo-oxigenase no estacionamento. As COXs não conseguem estacionar nas suas vagas e isso impede a transformação de ácido araquidônico em prostaglandinas.

Ainda assim, é válido lembrar que, além de servir como indutor de processos inflamatórios, as prostaglandinas são variadas e possuem outras funções, como, por exemplo, proteger a parede do estômago dos danos do ácido estomacal, dentre outras.

Por isso, o uso indiscriminado e prolongado de anti-inflamatórios não esteroides pode trazer sérias consequências para o organismo, trazendo problemas gastrointestinais e até mesmo afetando órgãos importantes, como o coração e os rins (veja mais no tópico “Efeitos colaterais”).

Nomes: quais são os medicamentos anti-inflamatórios não esteroides?

Os anti-inflamatórios não esteroidais são divididos em diferentes categorias devido ao seu mecanismo de ação e efeitos no organismo. Confira:

Inibidores não seletivos de COX

Inibidores seletivos de COX-2

Estes medicamentos inibem preferencialmente a enzima COX-2:

  • Meloxicam;
  • Etodolaco;
  • Nimesulida.

Inibidores altamente seletivos de COX-2

  • Celecoxibe;
  • Parecoxibe;
  • Etoricoxibe;
  • Lumiracoxibe.

Anti-inflamatórios de acordo com o local inflamado

É comum as pessoas buscarem por um anti-inflamatório de forma específica para o que precisam, de acordo com o local onde ocorre a inflamação. No entanto, não há uma diferença entre a ação ou o tipo de medicamento dependendo do lugar inflamado.

Dessa forma, tanto uma pessoa com inflamação muscular quanto outra com inflamação na garganta podem ter a mesma prescrição de medicamento.

As diferenças estão na dosagem e na forma como o medicamento é administrado, podendo ser utilizado em forma de comprimido, colírio, spray ou tópico (creme ou pomada). Estas determinações dependem da avaliação médica.

Sabendo disso, veja algumas das opções recomendadas de acordo com cada caso:

Anti-inflamatório para garganta

São recomendados para ajudar a tratar a inflamação no local e para alívio da dor. Devem ser tomados após às refeições. Algumas opções que podem ser prescritas pelo médico incluem:

  • Ibuprofeno;
  • Diclofenaco;
  • Cetoprofeno;
  • Cloridrato de benzidamina.

Anti-inflamatório para o dente

Normalmente, os anti-inflamatórios indicados para inflamações dentárias também possuem ação analgésica e antitérmica, tais como:

  • Nimesulida;
  • Ibuprofeno;
  • Naproxeno.
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Anti-inflamatório para os músculos, joelho e coluna

Nesses casos, além dos comprimidos, os anti-inflamatórios podem ser usados também em forma de spray e pomada, para aplicação direta no local. Algumas opções incluem:

  • Nimesulida;
  • Naproxeno;
  • Ibuprofeno.

Anti-inflamatório para hemorroidas

Para hemorroidas, o mais comum é a prescrição de pomadas com ação anti-inflamatória, que ajudam também no alívio de sintomas como dores e coceira.

Leia mais: Remédio para hemorroida (interna, externa): comprimidos e pomadas

Anti-inflamatório para pele

Alguns dos anti-inflamatórios tópicos recomendados para inflamação da pele são os medicamentos produzidos a partir dos princípios ativos valerato de betametasona e hidrocortisona, ambos corticoides.

O valerato de betametasona, por exemplo, pode ser indicado para o tratamento de condições como acne vulgar, dermatite, rosácea, prurido, eczema e outras patologias.

O hidrocortisona é mais recomendado em condições em que o paciente apresenta dermatite seborreica, eczema e queimadura solar.

Para o caso de batidas ou torções leves, uma opção de AINE é o diclofenaco de dietilamonio.

Colírio anti-inflamatório

Podem ser utilizados para ajudar na redução de dor ocular, ardência, lacrimejamento, fotofobia e após cirurgia na córnea, por exemplo.

Assim como todos os outros anti-inflamatórios, também devem ser usados somente quando há prescrição médica. Nesse caso, é necessário consultar o oftalmologista. Um dos exemplos é o trometamol cetorolaco.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Como tomar?

A grande maioria das pessoas acredita que os medicamentos devem ser tomados em jejum, pois assim existe uma maior absorção e melhor aproveitamento da medicação por parte do organismo. Entretanto, isso não vale para os anti-inflamatórios não esteroides.

Os AINEs podem provocar um efeito sistêmico, pois, como explicado nos tópicos anteriores, eles inibem a ação de uma enzima chamada ciclo-oxigenase 1 e, consequentemente, as prostaglandinas, que fazem a proteção da mucosa gástrica contra o ácido presente no estômago.

Por causa disso, o uso indiscriminado ou em longo prazo, como no caso de alguns pacientes idosos, dos AINEs pode resultar em efeitos bastante negativos, como úlceras gastrointestinais e hemorragias graves.

Portanto, evite tomar AINEs em jejum. É muito importante que você sempre ingira anti-inflamatórios com um copo cheio de água, no mínimo, ou então em conjunto com algum alimento, mesmo que isso reduza a absorção do medicamento pelo organismo.

Se não for possível se alimentar antes de tomar o medicamento, faça questão de tomá-lo com um copo cheio de água.

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Efeitos colaterais

A maior parte das pessoas não costuma sofrer de efeitos colaterais quando faz uso de anti-inflamatórios não esteroides. Entretanto, especialmente em pessoas que tomam esses remédios com frequência para aliviar a dor, alguns problemas podem ocorrer.

Uma única pílula afeta o organismo por completo, não somente a parte que está doendo ou inflamada. Portanto, mesmo que os AINEs possam ter um efeito positivo sobre a dor e outros incômodos, ele ainda pode afetar (negativamente) outras partes do seu corpo.

Alguns dos efeitos colaterais que podem surgir em decorrência do uso de anti-inflamatórios incluem:

  • Diarreia;
  • Prisão de ventre;
  • Perda de apetite;
  • Dispepsia (indigestão);
  • Vômitos;
  • Sonolência;
  • Dor de cabeça;
  • Tontura;
  • Retenção hídrica;
  • Irritação na pele;
  • Chiado no ouvido;
  • Visão turva;
  • Erupção cutânea.

Ainda assim, efeitos mais graves podem ocorrer, especialmente devido ao uso indiscriminado desses medicamentos. Confira:

Problemas gastrointestinais

O problema mais comum com o uso dos AINEs são úlceras e outros problemas no esôfago, estômago e intestino delgado, causando náuseas, vômitos e desconforto abdominal.

Isso porque eles impedem a produção de prostaglandinas, substâncias similares aos hormônios que são as responsáveis pelo inchaço e dor provenientes da inflamação. Os AINEs funcionariam muito bem se as prostaglandinas tivessem somente essa função, mas não é o caso.

Na realidade, existem diferentes tipos de prostaglandinas no nosso organismo. Algumas, por exemplo, são responsáveis por proteger a mucosa gástrica da acidez da região.

Como o anti-inflamatório não consegue diferenciar uma da outra e inibir a produção das prostaglandinas que estão causando a dor somente, ele acaba tendo efeito em todas elas, mesmo as não “nocivas”. E é por essa razão que o uso prolongado pode trazer diversos prejuízos para o organismo.

Durante o uso eventual dos AINEs, recomenda-se tomar o medicamento acompanhado do almoço ou do jantar.

Aumento da pressão sanguínea e danos renais

As prostaglandinas são substâncias que ajudam os rins a funcionar normalmente, pois causam vasodilatação dos vasos sanguíneos renais e com isso garantem um fluxo adequado.

No entanto, quando os AINEs provocam uma inibição das prostaglandinas, uma redução do fluxo sanguíneo nos rins pode acontecer, o que prejudica a capacidade de filtragem do sangue feita pelo órgão.

Essa má filtração pode ativar sistemas no organismo que podem favorecer a retenção de água, sódio e vasoconstrição. Todos esses efeitos somados podem causar um aumento de pressão arterial.

Em pessoas saudáveis, esses efeitos colaterais são considerados raros e reversíveis após o fim do uso do medicamento. Contudo, em pessoas que apresentam predisposição para doenças renais e pressão alta,  o uso contínuo e sem prescrição médica pode ser mais perigoso.

Reações alérgicas

Os anti-inflamatórios não esteroides também podem causar reações alérgicas severas, especialmente em pessoas que sofrem de asma.

Ainda não se sabe exatamente o porquê disso, mas sabe-se que os AINEs, ao inibirem a COX, podem favorecer a atividade de uma enzima chamada lipo-oxigenase, uma enzima que age na formação de leucotrienos, mediadores presentes no processo asmático causando inflamação nos pulmões e broncoconstrição.

Por isso, a recomendação é que pessoas que sofrem de asma fiquem longe dos anti-inflamatórios não esteroidais, mais ainda se tiverem problemas como sinusite ou pólipo nasal.

Hepatite medicamentosa

A hepatite medicamentosa já foi registrada como decorrente de mais de 900 medicações diferentes e os AINEs não escapam dessa lista. Isso porque anti-inflamatórios como o ibuprofeno podem fazer com que ocorram inflamações no fígado.

Não é possível saber se o uso desses medicamentos em um paciente necessariamente evoluirá para uma hepatite. Por isso, é extremamente importante evitar a medicação desnecessária e a auto-medicação.

Portanto, antes de começar o tratamento com qualquer medicamento, consulte um médico.

 

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Contraindicações

Os anti-inflamatórios devem ser usados com cuidado em pessoas idosas e pessoas alérgicas aos AINEs. Ou seja, pessoas que tiveram algum episódio de asma, angioedema, urticária ou rinite causado pelo uso desses medicamentos não devem tomá-los.

Pessoas com história de úlcera ou hemorragia digestiva devem tomar precauções maiores antes de fazer uso do medicamento, assim como pacientes com hipertensão e outros problemas relacionados à pressão arterial.

Seu uso também deve ser controlado durante a gravidez e lactação, devendo-se consultar um médico antes de iniciar a administração dos medicamentos.

Além disso, ele é contraindicado para as seguintes pessoas:

  • Pacientes com insuficiência renal;
  • Pacientes com insuficiência cardíaca;
  • Pacientes com cirrose;
  • Pessoas que consomem, em média, mais de 3 doses de álcool por dia;
  • Pacientes medicados com varfarina;
  • Pacientes com risco de hemorragia.

Grávidas podem tomar anti-inflamatório?

O uso de anti-inflamatórios na gravidez e durante o período de amamentação deve ser feito somente com prescrição médica, como visto no tópico de contraindicações.

E mesmo quando liberados, a restrição é bem maior, devido aos riscos que podem provocar. Por exemplo, algumas substâncias podem “passar” para o leite materno ou para o bebê, ainda durante a gestação.

As complicações no uso inadequado de anti-inflamatórios para as gestantes implicam no risco de aborto. Para o feto, podem surgir fenda palatina (lábio leporino), anomalias ou insuficiência cardíaca, hemorragia intracraniana e gastrointestinal e disfunção dos rins, por exemplo.

Para ajudar em processos inflamatórios nesse período, as gestantes podem optar também pela ingestão de alimentos e chás anti-inflamatórios, para fortalecer o sistema imunológico. Vale destacar que algumas ervas têm potencial abortivo, por isso é importante consultar um médico antes da ingestão.

Em casos mais graves, o médico deverá aconselhar sobre o uso de medicamentos, na dose correta e pela quantidade de dias necessários.

É importante também estar atenta a qual categoria de risco na gravidez pertence o medicamento — informação contida na bula.

Leia mais: Grávida pode tomar dipirona? Prejudica o bebê?

Interação medicamentosa e alimentícia

Os AINEs podem apresentar interações com alguns medicamentos, já que sua ação é bastante diversa, não afetando somente a produção de prostaglandina.

Eles podem reduzir a eficácia de certos medicamentos, como os que são utilizados para tratar a hipertensão, já que eles podem ter como efeito colateral um aumento da pressão arterial, devido às alterações  nas funções renais.

É exatamente por esse mesmo motivo que pacientes que fazem o uso de lítio devem ficar mais atentos quando forem tomar anti-inflamatórios. Os AINEs podem reduzir a eliminação dessa substância, bem como do metotrexato, encontrado em remédios como Metrexato.

Além disso, os AINEs também podem interferir na ação dos diuréticos, pois provocam uma redução das prostaglandinas, presentes no processo de homeostase renal.

Medicamentos como a varfarina também podem trazer algumas consequências. Eles possuem ação no organismo que impede a formação de coágulos, o que é benéfico para a prevenção de doenças como infartos e AVC.

No entanto, os AINEs também apresentam ação anticoagulante, especialmente os não seletivos. Por isso, quando usados juntamente aos medicamentos com ação anticoagulante como a varfarina podem provocar complicações como sangramentos e hemorragias.

É sempre bom ressaltar que, enquanto você estiver fazendo uso de algum AINE, você não deve ingerir álcool, pois o risco de irritação no estômago aumenta.

 

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Onde encontrar?

Você pode encontrar anti-inflamatórios em farmácias espalhadas por todo o Brasil, alguns com preços acessíveis, outros mais caros.

Para se ter uma ideia do quão contrastante os preços de remédios podem ser, um levantamento do Instituto de Ciências Tecnológicas e Qualidade Industrial (ICTQ), de 2016, revela que a variação do preço de um medicamento referência para um genérico pode chegar a 700%!

Por isso, o melhor a fazer é conversar com o seu médico sobre a alternativa mais adequada para você e, para achar a melhor opção para o seu bolso, utilizar-se de um comparador de preços!

Tratamentos complementares

Existem alguns tratamentos complementares para ajudar a combater as inflamações. Entretanto, vale lembrar que eles não substituem o uso de anti-inflamatórios. Confira:

Fisioterapia

A fisioterapia é uma ótima maneira de combater as inflamações. Entretanto, ela só vai resolver processos inflamatórios em regiões delimitadas, como músculos, tendões, ligamentos, nervos e ossos.

Nos casos de tendinites e inflamações musculares, a principal causa é o uso excessivo do músculo ou do tendão. Acontece um excesso de fadiga nessas regiões, o que ocasiona um processo inflamatório no local.

Além disso, a inflamação pode muitas vezes ser dolorosa, pois afetam os nervos. E como os nervos se estendem em muitas direções, às vezes a região inflamada nem é aquela que está doendo realmente.

A fisioterapia tem um papel importante na redução desses efeitos, pois ela pode ajudar a aliviar a tensão sobre os nervos e sobre os músculos e tendões inflamados. Entretanto, ela não substitui o uso de anti-inflamatórios.

Anti-inflamatórios naturais

Existem muitos alimentos com potencial anti-inflamatório também. Eles possuem essa ação devido a presença de substâncias como ômega 3, vitamina C e alicina. Para obter esse benefício, deve-se adotar ao cardápio opções variadas de peixes, cereais, frutas, temperos, verduras e legumes.

Manter uma dieta anti-inflamatória é importante para prevenção e tratamento de doenças, pois contribui para o fortalecimento do sistema imunológico.

Além disso, esses alimentos ajudam a acelerar processos de cicatrização, no controle do peso e colaboram na prevenção de doenças cardiovasculares, artrite e outras patologias.

Confira algumas das principais alternativas naturais que podem ajudar a reduzir os efeitos da inflamação crônica.

  • Frutas: uva, abacate, limão, maçã, abacaxi, coco, manga, caju, açaí, guaraná;
  • Temperos: alho, gengibre, pimenta, alecrim, açafrão-da-terra, sálvia, orégano, cravo, canela, louro;
  • Verduras e legumes: brócolis, pimentão vermelho, cebola, tomate, abóbora, beterraba, espinafre, rúcula, batata doce, manjericão;
  • Cereais e leguminosas: lentilha, ervilha, feijão, aveia, cevada, centeio, cereais de milho, amendoim, arroz (preto, vermelho e integral), soja;
  • Peixes: atum, sardinha, salmão.

Chás anti-inflamatórios

É comum as pessoas terem uma receita para ajudar a combater inflamações, unindo os ingredientes anti-inflamatórios em uma bebida prática e fácil de fazer, como é o chá.

Pensando nos ingredientes anti-inflamatórios listados, separamos as seguintes opções de chás para te ajudar a combater e se prevenir de inflamações:

  • Chá de limão e gengibre;
  • Chá de cravo-da-índia e gengibre;
  • Chá de erva-doce, semente de mostarda e canela.

Alimentos que podem aumentar a inflamação no organismo

Existem alimentos benéficos no combate à inflamação, mas existem também os que contribuem para esse processo no organismo.

No entanto, não devem necessariamente serem vistos como vilões, mas sim como itens a serem consumidos com moderação. Afinal, uma alimentação saudável tem como princípio o equilíbrio e bom senso.

Para se prevenir de inflamações é importante consumir uma quantidade proporcionalmente maior de alimentos anti-inflamatórios e menor dos itens abaixo:

  • Carnes vermelhas: em excesso, a carne vermelha pode favorecer o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, por induzir no fígado a produção de substâncias que provocam inflamação nas artérias. As carnes processadas, como salsicha, mortadela, salame e outros embutidos também devem ser evitados;
  • Gordura trans: o consumo desse tipo de gordura não deve ultrapassar 2g por dia, por isso é importante evitar doces, caldo de carne, bolachas, sorvetes e pães industrializados;
  • Refeições prontas: frango empanado, peixes, nuggets, sopas ou qualquer refeição pronta que possua a presença de realçadores de sabor, corantes, aromas artificiais e conservantes;
  • Sal;
  • Álcool em excesso;
  • Refrigerantes e sucos industrializados.

Anti-inflamatório para cachorros

O ideal a se fazer, ao notar seu animal de estimação doente — seja ele cachorro ou outro bicho — é levá-lo até um veterinário. Assim como nós devemos buscar um médico para o melhor diagnóstico, o mesmo vale para os pets.

A automedicação é um risco para nós e também não deve ser uma prática adotada para os animais de estimação. Dar um medicamento sem prescrição para o cachorro pode acabar agravando ainda mais sua condição de saúde, sem contar nos efeitos adversos.

Isso porque o organismo dos animais pode ser ainda mais sensível aos medicamentos se comparado aos humanos, sendo bastante perigoso a administração de doses erradas. Em casos graves, sobretudo se tratando de animais mais idosos, o uso de anti-inflamatórios de forma inadequada pode causar a morte do animal de estimação.

Em relação aos medicamentos, não há uma grande diferença entre os prescritos para humanos e para os cães, no ponto de vista farmacológico. O que é diferente, na maioria das vezes, é a dosagem.

Por isso é tão importante não dar nenhum medicamento para o seu animal de estimação sem antes consultar um profissional.

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Perguntas frequentes

Anti-inflamatórios atrapalham o processo de recuperação de lesões?

Essa dúvida surge justamente por causa do modus operandi dos anti-inflamatórios. Como dito anteriormente no artigo, a inflamação é uma manifestação benéfica do organismo. Ela serve para deixar que o organismo combata a razão de uma infecção ou lesão e que limpe eventuais células mortas e “restos”.

Aí é que surge a dúvida: se a inflamação é um processo benéfico, interrompê-la não afetaria a recuperação do organismo?

A resposta é: depende.

Os anti-inflamatórios possuem um uso bem específico. Devem ser usados somente se a inflamação estiver causando dor e desconforto e, de preferência, sob indicação médica. Se usados indiscriminadamente, podem acabar mascarando sintomas de infecções que precisam do uso de antibióticos para serem eliminadas, por exemplo.

Portanto, só use os anti-inflamatórios quando for estritamente necessário. E nada de se automedicar. A indicação médica é de extrema importância para uma recuperação saudável e sem grandes complicações.

O uso excessivo de anti-inflamatórios pode fazer mal para a saúde?

Claro que sim! Como todos os medicamentos, os-anti-inflamatórios não esteroidais também possuem efeitos benéficos e colaterais que podem fazer mal para o organismo.

Como vimos no tópico “Efeitos colaterais”, o uso abusivo desses medicamentos pode causar problemas gastrointestinais, aumento da pressão sanguínea, danos renais, reações alérgicas e até mesmo causar hepatite medicamentosa!

Então tenha muito cuidado quando for tomar anti-inflamatórios. Nunca use-os sem a prescrição médica. Seu corpo e sua saúde agradecem!

É saudável tomar anti-inflamatórios antes de fazer exercícios?

Definitivamente não! Esse é um hábito que muitos atletas amadores cultivam para deixar de sentir dor e desconforto durante a prática de exercícios físicos.

Entretanto, o que precisa ser esclarecido é que essa dor é boa! Ela é um sinal da natureza de que algo está está acontecendo, podendo ser um indicativo de problemas. Querer se livrar dela sem saber o que a iniciou pode ser muito perigoso e piorar possíveis lesões!

Vale lembrar, ainda, que o uso abusivo ou desnecessário de anti-inflamatórios pode trazer uma série de problemas gastrointestinais, cardíacos e hepáticos!

Então, se você tem esse hábito, deixe essa bobeira de lado, passe a ter mais atenção com os sinais que o seu organismo te dá e não deixe a saúde de lado!

Ibuprofeno é anti-inflamatório?

Sim. O ibuprofeno é um anti-inflamatório, mas também possui ação antitérmica e analgésica, por isso ajuda no alívio temporário de dores de cabeça, febre, gripes e resfriados, dores musculares, dor de dente e cólica menstrual.

Dorflex é anti-inflamatório?

Não exatamente. O dorflex é um relaxante muscular usado para o tratamento de contraturas musculares, inclusive dor de cabeça e tensão.

Porém, em sua composição, apresenta dipirona monoidratada, um tipo de anti-inflamatório. Além disso, contém citrato de orfenadrina e cafeína anidra.

No geral, o Dorflex não apresenta ação sobre inflamações presentes no organismo, apenas atua no alívio de dores.


Os anti-inflamatórios são remédios bastante eficazes e a facilidade de acesso à eles não deve ser motivo para o abuso. Isso porque seu uso indiscriminado pode trazer sérias consequências. Antes de se automedicar, sempre consulte um médico.

Gostou do texto? Compartilhe com seus amigos! E se você teve experiências com anti-inflamatórios, conte-nos nos comentários!

Publicado originalmente em: 29/03/2018 | Última atualização: 14/11/2018

Fontes consultadas

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6 Comentários

Atenção: os comentários abaixo são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

  1. Ótimo artigo, parabíns. Entretanto, só não achei uma informação que procurava. Todas as inflamações causam dor e desconforto, então seria necessário tomar em todos os casos. Agora, é evidente que eles atrapalham o processo de cura natural do corpo, então até que ponto esse processo de inflamação é normal? Esses são os pontos que faltaram no artigo.

    • Olá, Carlos!

      Obrigada pelo comentário! De fato, existem algumas condições para que haja necessidade de tomar um anti-inflamatório. No geral, depende da causa do problema — que pode ser um microrganismo ou uma ruptura de tecido (corte) — e seus sintomas. Por exemplo, a presença de febre pode ser um sinal de alerta e indicar a necessidade da medicação. Mas para avaliar o quadro, é importante sempre consultar o especialista.

      Acrescentamos essa informação em nosso texto e esperamos ter esclarecido sua dúvida! 🙂

    • Olá, Sheila!

      Realmente, cometi um erro ao dizer que antibióticos funcionam contra fungos. Apesar de haver algumas substâncias antibióticas que podem afetar os fungos indiretamente, a classe de medicamentos antibióticos só serve para atacar as bactérias.

      Muito obrigado pelo correção!

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