Quando bate aquela dor nas costas depois de um dia longo ou depois do treino na academia, muitas pessoas recorrem aos relaxantes musculares para se verem livres desse desconforto.

O problema, entretanto, é que existem riscos associados ao uso contínuo desse medicamento, que pode ter, inclusive, potencial aditivo, ou seja, viciar.

Saiba mais sobre os relaxantes musculares no texto a seguir!

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é relaxante muscular?
  2. Espasmos musculares versus Espasticidade
  3. Qual a diferença entre relaxante muscular e anti-inflamatório?
  4. Para que serve o relaxante muscular?
  5. Como agem no organismo?
  6. Nomes de remédios com ação relaxante muscular
  7. Relaxante muscular infantil
  8. Como tomar?
  9. Efeitos colaterais
  10. Riscos
  11. Contraindicações
  12. Interação medicamentosa
  13. Preço e onde encontrar
  14. Relaxante muscular natural
  15. Chá relaxante muscular
  16. Perguntas frequentes

O que é relaxante muscular?

Os relaxantes musculares são medicamentos utilizados para prevenir e reduzir espasmos, contrações musculares e espasticidade.

Os espasmos ocorrem quando há alguma contração involuntária de algum grupo de músculos. Nesse momento, os músculos geralmente se contraem de repente, causando dor.

Já a espasticidade ocorre quando alguns músculos se contraem firmemente, se tornando rígidos e mais difíceis de movimentar.


Esses medicamentos também podem ser utilizados para outras condições, como no tratamento da ansiedade ou da dificuldade de dormir (insônia).

Podem ser utilizados, ainda, como uma pré-medicação antes de uma cirurgia, especialmente em operações que causam ansiedade ou desconforto.

Além disso, são úteis para tratar convulsões, pois podem vir em apresentações de fácil administração e com efeito rápido.

A maior parte dos relaxantes musculares estão disponíveis em comprimidos, cápsulas ou gotas. Alguns medicamentos administrados via injeção durante cirurgias também são conhecidos como relaxantes musculares.

Nesse caso, podem receber o nome de “bloqueadores neuromusculares” e são utilizados para deixar os músculos relaxados durante um procedimento cirúrgico. Entretanto, esses são medicamentos completamente diferentes dos relaxantes musculares mais comuns.

Espasmos musculares versus Espasticidade

Os espasmos musculares nada mais são do que contrações involuntárias dos músculos, que causam dor e rigidez localizada.

Eles são um mecanismo de proteção do músculo e ocorrem em resposta a uma lesão, inflamação ou estiramento, podendo durar de segundos a vários minutos.

A espasticidade, por sua vez, é um distúrbio do controle muscular que deixa os músculos tensos ou rígidos, incapazes de serem controlados. Além disso, os reflexos podem permanecer por muito tempo e ser muito fortes, causando muita dor e desconforto.

Ela normalmente é resultado de um desequilíbrio de sinais a partir do sistema nervoso central para os músculos.

Algumas das condições que podem causar espasticidade são lesões cerebrais, AVC, esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica (ELA) e outras doenças.

Qual a diferença entre relaxante muscular e anti-inflamatório?

A diferença os dois medicamentos está no propósito com o qual são utilizados e seus efeitos no organismo.

Enquanto os relaxantes musculares buscam combater as dores causadas por lesões, torções ou por doenças, como a esclerose múltipla, o anti-inflamatório serve para, como o nome já diz, combater a inflamação de tecidos.

Os anti-inflamatórios, de modo geral, visam reduzir o inchaço e a dor que aparecem em um órgão ou tecido inflamado do corpo.

Na inflamação da garganta, por exemplo, o inchaço não é visível, mas é perceptível por alterações na voz (que pode até sumir) e pelo desconforto.

Nenhum dos dois medicamentos visa combater infecções. Esses papéis estão resguardados aos antibióticos e antivirais. Eles têm em comum o fato de combater a dor, mas os mecanismos de ação são bem diferentes.

Enquanto a maioria dos relaxantes musculares age diretamente no Sistema Nervoso Central (SNC), os anti-inflamatórios agem localmente, nos tecidos do corpo, impedindo a inflamação de acontecer.

Mesmo assim, muitos relaxantes musculares possuem anti-inflamatórios em suas fórmulas, pois a ação anti-inflamatória potencializa o efeito do medicamento, trazendo mais alívio para o paciente.

Para que serve o relaxante muscular?

O relaxante muscular é um medicamento que tem como objetivo aliviar em pouco tempo as dores nos músculos causadas por torções ou doenças, como a fibromialgia. Esses medicamentos fazem com que os músculos se tornem menos tensos ou rígidos, o que reduz as sensações de dor e desconforto.

Podem ser usados para tratar:

  • Lombalgia (dor comum na parte inferior da coluna, conhecida como dor lombar);
  • Torcicolo (condição em que os músculos do pescoço se contraem de forma dolorosa);
  • Fibromialgia (doença que causa dor e fraqueza generalizada);
  • Periartrite escapuloumeral (dor e limitação dos movimentos do ombro);
  • Cervicobraquialgia (dor na região cervical que se irradia para o braço);
  • Dor crônica;
  • Esclerose múltipla (doença neurológica em que o sistema imune destrói a cobertura protetora dos neurônios);
  • Mielopatia crônica (distúrbio do sistema nervoso);
  • Acidentes cerebrovasculares;
  • Paralisia cerebral;
  • Soluço intratável.

Como agem no organismo?

Existem, de maneira geral, 2 tipos de relaxante muscular. Enquanto alguns medicamentos atuam no cérebro e na medula espinhal, outros atuam direto no músculo.

Os que atuam no Sistema Nervoso Central (SNC) são os Relaxantes Musculares de Ação Central, enquanto os que atuam diretamente na musculatura são chamados de Bloqueadores Neuromusculares. Entenda:

Relaxantes musculares de ação central (antiespasmódicos)

Os relaxantes musculares de ação central atuam principalmente no Sistema Nervoso Central, aliviando espasmos musculares dolorosos e a espasticidade que acontece em distúrbios musculoesqueléticos ou neuromusculares, como bursites, artrite e fibromialgia.

Espasmos musculares podem ser definidos como contrações involuntárias dos músculos e são um mecanismo de proteção do músculo após lesões, inflamações ou estiramento no próprio músculo ou tecidos próximos, como ossos e ligamentos.

Ainda não é compreendido por completo o exato mecanismo de ação dessas drogas, mas as hipóteses mais aceitas apontam para a atividade depressora do SNC desses medicamentos como o principal facilitador dos efeitos relaxantes musculares.

De maneira geral, podemos dizer que esses medicamentos atuam dentro do organismo reduzindo a tensão na musculatura, diminuindo os espasmos e, consequentemente, as dores.

Uma vez que essas substâncias entram no organismo, especialmente aquelas que contêm o princípio ativo carisoprodol, produzem outra substância chamada meprobamato, que age como tranquilizante.

Apesar de fazer parte do funcionamento desses medicamentos, é possível que justamente por conta desse mecanismo os pacientes desenvolvam adicção (vício) nessas substâncias, pois a droga os deixa mais relaxados.

Os relaxantes de ação central são normalmente aqueles mais facilmente encontrados nas farmácias e têm um uso mais popular, sem que seja necessário receita para adquiri-los.

Alguns dos principais medicamentos que se encontram nessa categoria são:

  • Dorflex;
  • Tandrilax;
  • Trilax;
  • Coltrax;
  • Mirtax;
  • Torsilax.

Bloqueadores neuromusculares

Os bloqueadores neuromusculares são medicamentos que interrompem a transmissão do impulso nervoso na junção neuromuscular.

Eles são mais utilizados em cirurgias, quando o paciente precisa de uma anestesia geral.

Também são úteis na eletroconvulsoterapia (passagem de uma corrente elétrica pelo corpo para tratar condições psiquiátricas como a depressão) para evitar traumatismos e fraturas, já que as convulsões causadas propositalmente nesse tratamento podem levar à esses problemas.

Explicando a ação deste medicamento de um jeito mais simples, o que acontece é que essas substâncias impedem os nervos de comunicarem com os músculos, o que, por sua vez, impossibilita temporariamente a transmissão de sinais de dor.

A preferência desses medicamentos em situações cirúrgicas se dá principalmente porque eles propiciam o relaxamento adequado de músculos do abdome e diafragma. Além disso, relaxam as cordas vocais, o que facilita o trabalho dos médicos caso o paciente precise ser intubado.

Por essa razão, não são facilmente encontrados nas farmácias e têm um uso mais restrito.

Nomes de remédios com ação relaxante muscular

Existem diversos medicamentos relaxantes musculares. Vamos dividí-los a seguir a partir do princípio ativo:

Carisoprodol + Fenilbutazona + Paracetamol

O medicamento com esse princípio ativo recebe o nome comercial de mioflex e é indicado para alívio da dor, inflamação e para o relaxamento da musculatura esquelética.

Também se faz útil no tratamento da espondilite anquilosante, artrite reumatoide, osteoartrose e formas agudas de reumatismo extra-articular em adultos.

Carisoprodol + Diclofenaco sódico + Cafeína + Paracetamol

A combinação Carisoprodol e diclofenaco sódico é indicada para o tratamento de reumatismo e problemas associados, como a lombalgia, osteoartrites, crise aguda de artrite reumatoide etc.

Também é indicada para o tratamento de inflamações graves, como depois de acidentes ou após cirurgias.

Os principais nomes comerciais desse princípio ativo são:

Cloridrato de ciclobenzaprina

O cloridrato de ciclobenzaprina é indicado para o tratamento de espasmos musculares com dor aguda, como lombalgias, torcicolos, fibromialgia, periartrite escapuloumeral (alterações e limitações do movimento do ombro) e no tratamento de cervicobraquialgias (dores na região cervical que irradiam para os membros superiores).

Também pode servir como medicamento coadjuvante de outras medidas para alívio de sintomas, como fisioterapia e repouso.

Pode ser encontrado nas farmácias com os seguintes nomes comerciais:

Dipirona monoidratada + Citrato de orfenadrina + Cafeína

Este princípio ativo é indicado para o alívio da dor causada por contraturas musculares e dores de cabeça tensionais em adultos.

Também pode ser utilizado em forma de adesivo para tratamento da dor e inflamação localizada.

Pode ser encontrado nas farmácias com os seguintes nomes comerciais:

Diazepam

O diazepam é um princípio ativo pertencente à classe dos benzodiazepínicos e possui propriedades ansiolíticas (para diminuir a ansiedade), sedativa (relaxamento e sono), anticonvulsivantes, amnésicos (perda temporária de memória) e relaxante muscular.

Justamente por essa razão, esse medicamento é mais utilizado para o alívio sintomático de transtornos psiquiátricos como a ansiedade, além de servir como coadjuvante para o tratamento de outras desordens psiquiátricas.

Entretanto, esse medicamento também é bastante útil para o alívio de espasmo muscular, podendo ser utilizado de forma bastante pontual no tratamento da espasticidade decorrente de lesões, como a paralisia cerebral e a paraplegia.

Os medicamentos a base de diazepam são controlados, ou seja, só podem ser vendidos com retenção da receita médica, só sendo indicados apenas para o tratamento de desordens intensas, desabilitantes ou para casos de dores extremas.

Os principais nomes comerciais desse princípio ativo são:

Canabidiol

O canabidiol é um medicamento utilizado para o alívio da rigidez muscular associada à esclerose múltipla. No Brasil, é possível encontrar esse medicamento pelo nome Metavyl.

Relaxante muscular infantil

Não existe um relaxante muscular especificamente voltado ao público infantil.

A não ser em casos de rara exceção, não faz muito sentido a criança fazer uso desse tipo de medicamento, já que os músculos delas ainda estão em desenvolvimento e elas não sofrem tanto com dores musculares quanto os adultos.

No caso da criança precisar tomar um relaxante muscular, sempre será necessário ajustar a dose, pois o corpo dela é menor, bem como sua massa corporal. Então, dar uma dose normal poderia ter efeitos indesejados, além de ser bastante perigoso.

Portanto, nunca dê relaxante muscular para o seu filho sem antes consultar um pediatra e verificar se há ou não a necessidade de se utilizar esse tipo de medicação.

Como tomar?

Os relaxantes musculares são remédios que podem ter diversos efeitos colaterais e devem ser tomados somente quando receitados por um médico.

Apesar de muitos não precisarem de receita, não se deve tomar esses medicamentos sem o conhecimento de um profissional de saúde, pois o uso crônico pode trazer riscos.

Idealmente, essa classe de medicamentos só será prescrita quando houver a ocorrência de dor aguda e não crônica.

Eles podem ser uma opção no caso da dor estar atrapalhando o sono, pois alguns deles induzem sonolência e podem ajudar os pacientes a dormir.

De modo geral, a recomendação para adultos e crianças acima de 12 anos é tomar no máximo 1 comprimido, drágea ou cápsula a cada 6 horas. Se os sintomas permanecerem por mais de 5 dias, é necessário consultar um médico.

No caso dos medicamentos em gotas é necessário tomar de 30 a 60 gotas de 3 a 4 vezes por dia pela via oral. Ultrapassar esse limite máximo de gotas (60) é perigoso e nunca deve ser feito.

Entretanto, existem muitas variáveis nesse processo e não é possível recomendar uma dose específica para todas as pessoas. Pacientes com massa corporal maior podem precisar de doses mais altas, assim como o contrário.

Por essa razão, nunca tome este medicamento sem o conhecimento do seu médico.

Efeitos colaterais

O uso de relaxantes musculares pode trazer ainda alguns efeitos colaterais. Confira os principais:

Sonolência

Como os relaxantes musculares têm efeito sobre o corpo todo, normalmente eles causam sonolência. Dessa forma, não é seguro dirigir ou tomar decisões importantes enquanto estiver tomando relaxantes musculares.

O ideal é tomar esses medicamentos à noite justamente por conta desse efeito sedativo.

Boca seca

A boca seca acontece quando as glândulas salivares não produzem saliva suficiente. O uso de diversos medicamentos têm como efeito colateral esse sintoma, que normalmente desaparece depois que o remédio para de fazer efeito.

Vertigem

Por conta do efeito relaxante que esses medicamentos promovem, muitos pacientes podem apresentar tonturas e vertigem, que é uma sensação de movimento ou giratório do próprio corpo ou do entorno.

Fadiga

Não é incomum que o uso de relaxantes musculares deixe o paciente com a sensação de fadiga. O paciente sente-se enfraquecido, desgastado e com falta de energia.

Alterações no fígado

Muitos dos relaxantes musculares contêm doses pequenas de paracetamol. Esse anti-inflamatório, em especial, pode causar danos à saúde e ocasionar lesões no fígado.

Cólicas, náuseas e vômitos

Uma considerável parte dos medicamentos pode ter como efeito colateral o surgimento de cólicas, náuseas e vômitos. Isso ocorre especialmente com aqueles medicamentos de via oral, que são absorvidos pelo estômago e intestino.

Ao entrar no sistema digestivo, a presença do medicamento pode causar irritação nesses órgãos, levando a esses sintomas.

Alterações no ritmo cardíaco e pressão sanguínea

O coração é um órgão muscular de movimento involuntário. Ao tomar um relaxante muscular, isso pode ter efeitos sobre o funcionamento desse órgão e de todo o sistema cardiovascular.

Se, por conta do medicamento, o coração bater com mais ou menos intensidade, a pressão sanguínea pode apresentar alterações, bem como o próprio ritmo cardíaco em si.

Leia mais: Arritmia Cardíaca: o que é, sintomas, tratamento, tem cura?

Portanto, é importante ressaltar novamente que antes de tomar este tipo de medicamento é necessário conversar com um médico ou especialista.

Efeitos colaterais do diazepam

Os efeitos colaterais mais comuns do uso do diazepam são cansaço, sonolência e relaxamento muscular. Eles são sentidos especialmente no início do tratamento.

Geralmente, esses sintomas desaparecem depois de uma administração mais prolongada.

Ainda assim, o diazepam pode ter outras reações adversas, levando a distúrbios do sistema nervoso, como ataxia (desequilíbrio), dificuldade para falar, fala enrolada, dor de cabeça, tremores e tontura.

Além disso, pode acontecer amnésia anterógrada (esquecimento de fatos a partir no início da tomada do medicamento) e outros efeitos amnésicos (de perda de memória).

Também pode gerar reações paradoxais, como inquietação, agitação, irritabilidade, agressividade, delírios, raiva, pesadelos, alucinações, psicose e comportamento anormal. Quando esses efeitos ocorrem, deve-se descontinuar o uso da droga.

Trata-se de um medicamento cujo uso crônico pode causar dependência física mesmo em doses terapêuticas. Por isso a necessidade de retenção de receita.

Outros efeitos colaterais do uso de diazepam podem ser:

  • Náuseas;
  • Boca seca ou hipersalivação;
  • Constipação;
  • Diplopia;
  • Visão turva;
  • Hipotensão (pressão baixa);
  • Depressão circulatória;
  • Frequência cardíaca irregular;
  • Incontinência ou retenção urinária;
  • Vertigem;
  • Insuficiência cardíaca, incluindo parada cardíaca;
  • Depressão respiratória, incluindo insuficiência respiratória;
  • Icterícia (muito raramente).

Efeitos colaterais do canabidiol

O canabidiol é um extrato retirado da folha da maconha e seu uso pode trazer alguns efeitos colaterais.

Dentre eles, estão tonturas, sonolência, excitação, perda de memória, dificuldade de concentração, visão embaçada, dificuldade para falar, aumento ou perda de apetite, boca seca, prisão de ventre ou diarreia, náusea ou vômitos, sensação de embriaguez ou alucinações.

Também pode causar o aparecimento de feridas na boca acompanhadas de sensação de queimação ou dor.

Riscos

Existem alguns riscos relacionados ao uso de relaxantes musculares. Eles podem causar reações alérgicas e até mesmo dependência. Entenda:

Vício

Infelizmente, o uso de relaxantes musculares tem potencial aditivo para algumas pessoas, ou seja, ele pode viciar.

Tomar esses medicamentos sem a indicação expressa de um médico ou tomar mais do que o médico recomendou podem aumentar as chances de adicção nessas substâncias, assim como usá-las por um período prolongado.

Quase todos os casos de adicção e abuso desse tipo de substância se dão com o princípio ativo carisoprodol, encontrado em relaxantes como o Infralax, Trilax, Torsilax e Tandrilax.

A adicção acontece porque esse princípio ativo, uma vez dentro do organismo, produz uma substância chamada meprobamato, que age como um tranquilizante. Dessa forma, as pessoas podem ficar viciadas em carisoprodol porque essa droga as deixa mais relaxadas.

Ainda assim, outros tipos de relaxantes musculares também têm risco de levar à adicção. A ciclobenzaprina, encontrada nos medicamentos como Benziflex e Cizax, também já foi relatada como uma substância de abuso.

O grande problema é que o uso prolongado dessas substâncias pode deixar o paciente fisicamente dependente desses medicamentos. Isso significa que, sem a medicação, o paciente pode apresentar sintomas de abstinência, como insônia, ansiedade e vômitos.

Nos Estados Unidos, outra classe de medicamentos vem causando problemas para a saúde pública: os opióides.

Com uma função parecida à dos relaxantes musculares (de aliviar a dor), esses medicamentos têm sido prescritos de maneira descontrolada no país, gerando uma população gigantesca de pessoas viciadas em medicamentos como a codeína, o que, por sua vez, levou mais de 50 mil cidadãos estadunidenses à morte em 2016.

No caso dos opióides, o problema é ainda maior porque esses medicamentos são todos feitos através da papoula, mesma planta utilizada para fazer a morfina, o ópio e a heroína.

Isso faz com que pacientes viciados em pílulas pulem para drogas mais baratas e acessíveis, como a heroína, gerando uma verdadeira crise de abuso de substâncias e tráfico de drogas no país.

No Brasil, a situação não é tão complicada quanto á dos EUA, mas pode se tornar. Um artigo publicado na American Journal of Public Health intitulado “Tendências na venda de opioides sob prescrição no Brasil Contemporâneo” mostra que houve um aumento de 495% na venda de medicamentos opiáceos no país entre 2009 e 2015.

É preciso tomar cuidado e observar as tendências de outros países para que os problemas que atingem aquelas regiões não se tornem parte, também, do cotidiano do Brasil.

Reações alérgicas

Infelizmente, alguns pacientes podem ser alérgicos a algum dos compostos usados nas fórmulas dos medicamentos mais comuns. Por essa razão, é muito importante conversar com um médico antes de tomar qualquer medicamento.

Dificuldade de diagnóstico

Se uma pessoa toma relaxantes musculares com certa frequência, sempre que sente a menor dor, ela pode estar, na verdade, mascarando um problema maior.

Ela deixa de ir ao médico quando necessário e toma a medicação por conta própria, evitando, assim, a visita ao consultório.

Especialmente os relaxantes musculares de ação central, aqueles que agem diretamente no sistema nervoso, podem alterar a percepção dos pacientes com relação à dor, o que atrapalha a percepção de uma pessoa sobre si mesma, além de deixar o médico com menos informações.

Pode ser, por exemplo, que se o paciente não estivesse sobre o efeito de relaxantes musculares, ele poderia descrever melhor os sintomas, dando os indícios que o médico precisa para saber a urgência e a gravidade da situação.

Contraindicações

Os relaxantes musculares são contraindicados para pessoas:

  • Alérgicas a qualquer um dos componentes das fórmulas;
  • Que sofrem de insuficiência cardíaca, hepática ou renal;
  • Que possuem hipertensão arterial grave;
  • Que apresentam hipersensibilidade a anti-inflamatórios;
  • Grávidas;
  • Lactantes (mulheres que estão amamentando);
  • Que irão fazer ou acabaram de fazer alguma cirurgia cardíaca;
  • Que possuem úlcera estomacal.

Interação medicamentosa

Misturar os relaxantes musculares com substâncias como o álcool, por exemplo, pode ser bastante perigoso, pois o efeito sedativo dessa medicação se intensifica, fazendo com que a combinação tenha potencial fatal.

Além disso, deve-se evitar a combinação de relaxantes musculares com anti-histamínicos (antialérgicos). Um estudo de 2015, publicado na revista BMC Geriatrics, demonstrou que a associação desses medicamentos causa aumento na hospitalização e mortalidade em idosos.

Preço e onde encontrar

É difícil oferecer uma estimativa de preço precisa para os relaxantes musculares, pois eles variam bastante a depender da composição e da dose disponível em cada embalagem.

Você vai encontrar esses medicamentos em farmácias e a maior parte deles não requer prescrição médica.

Levando todos esses fatores em consideração (princípio ativo + dose), podemos dizer que a variação de preço é alta, fazendo com que ele varie de R$ 2,50 para até R$ 45,00.

Para driblar essa enorme variação de preços, você pode usar sites comparadores, como o Consulta Remédios e escolher a opção que mais atende suas necessidades.

No caso dos medicamentos à base de canabidiol e tetra-hidrocanabinol, a aquisição do medicamento pode ser um pouco mais complicada, pois são extraídos da maconha, uma planta que continua sendo ilegal no Brasil, apesar do seu potencial medicinal.

Por essa razão, apenas pessoas autorizadas pela justiça podem comprar esse medicamento.

Relaxante muscular natural

Existem diversas alternativas naturais para se obter o efeito relaxante muscular. É importante lembrar que você não deve fazer uso dessas alternativas sem antes consultar um profissional de saúde. Confira algumas:

Óleo de hortelã-pimenta

O óleo de hortelã-pimenta pode ser utilizado tanto como analgésico, quanto como relaxante muscular natural. Conta com propriedades anti-inflamatórias e anti-espasmódicas que trabalham para aliviar a dor e a inflamação enquanto acalmam espasmos e cãibras.

Como usar?

Para utilizar o óleo de hortelã-pimenta, é necessário aplicá-lo diretamente na região afetada e esperar fazer efeito.

Sal-Epsom

O sal-epsom, conhecido quimicamente pelo nome sulfato de magnésio é fornecido por uma fonte salina localizada em Epsom, na Inglaterra. Tecnicamente, não é um sal, mas um composto natural de magnésio e sulfato que pode ser utilizado como remédio natural.

É possível obter efeitos relaxantes musculares através de banhos com sais de Epsom. Isso acontece, pois esse tipo de sal possui altos níveis de magnésio, o que proporciona o efeito relaxante dos músculos.

Além disso, o magnésio também ajuda a prevenir a dor e facilita o tratamento de condições inflamatórias como a fibromialgia e a artrite.

Como usar?

Adicione ½ (meia) xícara (100g) de sais de Epsom na água de uma bacia e mergulhe a área inflamada por 20 minutos. Sempre procure fazer essa terapia antes de dormir para garantir o descanso dos músculos.

Óleo de menta

O óleo de menta possui propriedades anti-inflamatórias e analgésicas que atuam reduzindo a dor e facilitando a circulação, fornecendo um rápido alívio da região afetada.

Como usar?

Primeiro umedeça as palmas das mãos com uma pequena quantidade de óleo de menta e esfregue sobre os músculos que desejar relaxar. Massageie o local por pelo menos 5 minutos para obter bons resultados.

Valeriana

A valeriana possui efeitos calmantes e anti-inflamatórios, sendo possível utilizar tanto o óleo quanto a infusão desta planta para reduzir o estresse muscular.

O consumo e aplicação direta desse produto ajuda a reduzir os níveis de inflamação, aumentando a circulação e favorecendo o processo de oxigenação.

Como usar?

Consuma até 2 xícaras (500mL) de infusão de valeriana por dia ou então esfregue um pouco de óleo de valeriana sobre a região dolorida e descanse.

Óleo de camomila

A camomila é conhecida por suas propriedades digestivas e emolientes, mas também é uma solução natural que ajuda a reduzir a dor e o inchaço muscular.

Como tem propriedades antiespasmódicas e anti-inflamatórias, ela pode facilitar o relaxamento dos músculos, especialmente quando eles se encontram tensionados devido ao estresse.

Como usar?

Aplique o óleo de camomila em suas mãos e massageie as áreas doloridas.

Óleo de arnica

A arnica é uma planta que contém um composto químico conhecido como timol.

O timol possui ação anti-inflamatória, o que faz dessa substância uma aliada no alívio da dor muscular. A aplicação direta do óleo cria uma sensação agradável de calor e reduz a tensão muscular.

Como usar?

Coloque várias gotas de óleo de arnica sobre os músculos rígidos e faça uma massagem de 5 minutos. Se necessário, repita 2 vezes por dia.

Pimenta-caiena

A pimenta-caiena pode ajudar no combate à dor muscular por conta de uma substância ativa chamada capsaicina, que confere efeitos anti-inflamatórios e analgésicos a esse vegetal.

Como usar?

Adquira o óleo de pimenta-caiena e massageie os músculos cansados. Você também pode adicionar pequenas quantidades da pimenta nas vitaminas e infusões que eventualmente utilizar.

Alecrim

O alecrim é uma especiaria utilizada na cozinha como tempero de muitos pratos, mas também pode contribuir com seu efeito relaxante muscular.

Como usar?

Você pode fazer um banho de imersão, diluindo um pouco de alecrim para aliviar cólicas menstruais ou espasmos musculares. Também é possível utilizar o óleo essencial de alecrim para massagear as articulações.

Compressas quente sobre as áreas doloridas e inflamadas também são uma opção, especialmente para aqueles pacientes que sofrem com os sintomas da artrite.

Passiflora

A passiflora é uma planta conhecida por ajudar a controlar os nervos, mas a verdade é que ela também pode agir como anti-inflamatório e relaxante muscular.

Por conter fitoesteróis e flavonóides, duas substâncias com efeito antioxidante que ajudam a reduzir o estresse oxidativo, essa planta pode ser um aliado na hora de curar as dores musculares.

Além disso, os nutrientes presentes em sua composição podem ajudar a regular a atividade do sistema nervoso e a controlar problemas como ansiedade e insônia.

Como usar?

Você pode preparar uma infusão de passiflora e consumi-la antes de dormir ou, de forma opcional, mergulhar um pano absorvente na infusão quente e aplicá-lo como compressa nas regiões doloridas.

Óleo de Cannabis

Estudos recentes vêm mostrando que os canabinóides podem ser úteis no combate à dor, inibindo a transmissão neuronal relacionada a essa sensação.

O óleo de cannabis tem a capacidade de aliviar a dor crônica e a inflamação, e é por isso que às vezes é usado como tratamento natural para fibromialgia.

Como usar?

No Brasil, o uso (com raras exceções) e o plantio da cannabis ainda é proibido, portanto o produto está vetado aos brasileiros.

Por outro lado, se você mora em outros países falantes da língua portuguesa e que possuem políticas mais flexíveis com relação à cannabis, como Portugal, certifique-se de que o óleo que você comprou é proveniente de uma empresa de renome e que venda óleos puros e testados em laboratório.

Chá relaxante muscular

Além das alternativas naturais citadas acima, que possuem uso mais tópico, é possível utilizar chás para obter o efeito relaxante muscular. Veja alguns:

Chá de valeriana

Como vimos anteriormente, a valeriana é uma planta que possui diversas propriedades que podem proporcionar o efeito relaxante nos músculos.

Uma das formas de aproveitar os benefícios dessa planta é através da infusão, sendo utilizada há séculos por comunidades que a buscavam para o alívio ou redução de tensões no pescoço.

Além disso, a valeriana possui ação sedativa, pode ajudar a combater problemas de ansiedade e distúrbios do sono, sendo altamente recomendada para aqueles que precisam relaxar de uma forma natural.

Chá de Camomila

Não é somente o óleo de camomila que pode ajudar com dor muscular. O chá também pode proporcionar os efeitos de relaxamento muscular, aliviando câimbras, tensões e dores nos músculos.

Chá da flor de maracujá

A flor de maracujá possui ação relaxante e analgésica, ajudando a melhorar os sintomas de pacientes que sofrem com tensões musculares. Além disso, o chá da flor de maracujá pode ajudar a combater a insônia, o estresse e a ansiedade.

Chá de Louro

O louro, também conhecido como loureiro, é uma planta que possui ação relaxante importante.

O consumo do chá de louro, portanto, é indicado para aqueles que sofrem com dores musculares recorrentes, sendo possível usar esse produto para prevenir os problemas e evitar novos episódios de tensões musculares e câimbras.

Além disso, o consumo do louro pode ajudar aqueles que sofrem com má digestão, inflamações ansiedade e dores de cabeça.

Perguntas frequentes

Relaxante muscular dá sono?

Sim. O relaxante muscular, por conta do seu efeito, pode causar sonolência. Por essa razão, recomenda-se que só se tome esses medicamentos durante a noite e que o paciente não dirija após tomar o remédio.

Relaxante muscular atrapalha o efeito da musculação?

Sim, o uso contínuo de relaxantes musculares pode atrapalhar os efeitos da musculação, mais especificamente no processo de recuperação e adaptação do músculo ao exercício.

A dor é resultado de um processo inflamatório causado por conta das microlesões no músculo geradas pelo desgaste do treino. São esses pequenos traumas que levam à regeneração e crescimento muscular.

Como os relaxantes musculares inibem a contração, e com isso, as microlesões, o hábito de tomar esses medicamentos faz com que os resultados de um treino não sejam tão efetivos.

Sentir dor depois de um treino novo ou pesado é comum e o melhor a fazer é dar ao corpo tempo para vencê-la naturalmente.

Afinal, é como diria o rei do fisiculturismo Arnold Schwarzenegger: “No pain, no gain” (“sem dor, sem ganho”).


Relaxantes musculares podem parecer inofensivos, mas uso desregulado pode ser prejudicial para a saúde. Antes de usar esses medicamentos, converse com seu médico.

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Fontes consultadas


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