Dor de dente: o que é, remédios, como aliviar e o que fazer

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O que é dor de dente?

Dor de dente é um sentimento incômodo produzido pela excitação de terminações nervosas na região dentária. Pode ser o sinal de alguma condição bucal séria, assim como pode ser resultado de lesões e acidentes.

Suas causas vão desde hipersensibilidade até problemas sérios como a gengivite ou periodontite.

Por isso, se você sente dores nos dentes, uma boa ideia é procurar um dentista e averiguar a causa da situação!

Na CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição), a dor de dente pode ser encontrada pelo código K08 – Outros transtornos dos dentes e de suas estruturas de sustentação.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é dor de dente?
  2. Anatomia do dente
  3. Tipos de dor de dente
  4. Causas
  5. Grupos de risco
  6. Dor de dente na gravidez
  7. Dor nos dentes de leite
  8. Sintomas
  9. Dor de dente: o que fazer?
  10. Como é feito o diagnóstico da dor de dente?
  11. Dor de dente tem cura?
  12. Qual o tratamento?
  13. Medicamentos
  14. Remédios caseiros
  15. Prognóstico
  16. Complicações
  17. Como prevenir a dor de dente?

Anatomia do dente

Para compreender um pouco melhor sobre a dor no dente, é importante entender quais são as partes que formam os dentes. Todas essas partes trabalham em conjunto para manter a saúde bucal em alta, ajudando a preservar a capacidade de mastigar os alimentos.

Entenda quais são:

Raiz

Trata-se da maior parte do dente, chegando a ⅔ (dois terços) do seu tamanho! É a parte que está inserida dentro dos ossos maxilares e da mandíbula, conferindo estabilidade ao dente.

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Esmalte

O esmalte do dente é a parte mais externa e dura. Quando você vê um sorriso, você está olhando diretamente para o esmalte de todos aqueles dentes!

É a parte mais mineralizada e dura do corpo humano — mais até que os ossos! —, mas pode sofrer lesões como a corrosão por ácidos liberados por bactérias (cáries).

Dentina

Eis a parte “intermediária” do dente: fica entre o esmalte e a polpa. Ainda é altamente mineralizada e dura, porém menos que o esmalte.

Essa camada possui a função de absorver os impactos externos causados pelos alimentos, prevenindo desgastes. Contudo, ela pode ser bem sensível, visto que é diretamente ligada à polpa, onde fica a parte nervosa do dente.

Polpa

Bem no meio do dente, existe uma estrutura chamada polpa, que é o que mantém o dente vivo. Ela é cheia de vasos sanguíneos, que mantém os tecidos dentais bem nutridos e vivos, e terminações nervosas, que avisam quando tem algo de errado com os dentes (ou seja, provocam dor).

Tipos de dor no dente

Por mais incrível que pareça, é possível que haja mais de um tipo de dor no dente. Isso porque as causas da dor são tão diversas que afetam os nervos de maneiras distintas. Entenda:

Sensibilidade momentânea a comidas quentes ou geladas

Esse é um dos tipos mais comuns de dor dental e não costuma durar muito tempo. Geralmente, é apenas incômodo e não provoca problemas mais graves.

Está associada a uma corrosão leve do esmalte dental ou a uma pequena rescisão da gengiva, que acaba expondo a raiz nervosa do dente.

Sensibilidade a comidas quentes ou geladas após tratamento dental

Os tratamentos dentais têm um lado ruim: muitas vezes, acabam causando a temida sensibilidade às temperaturas extremas. Isso ocorre por causa do inchaço da polpa dentro do dente.

O lado bom é que esse sintoma é temporário e deve passar em algumas semanas.

Dor aguda ao morder

Esse tipo de dor não é tão comum quanto a sensibilidade e geralmente indica um problema estrutural no dente. É causada por corrosões leves no esmalte, dentes um pouco “soltos” ou até mesmo uma rachadura no dente.

A polpa, se danificada, também pode estar envolvida na sensação dolorosa.

Dor duradoura (mais de 30 segundos) após comer alimentos quentes ou gelados

Enquanto a sensibilidade às temperaturas extremas é comum em alguns casos, ela não costuma durar muito tempo.

Quando dura mais do que 30 segundos, pode ser um sinal de que a polpa foi danificada de maneira irreversível por alguma corrosão ou trauma físico. Nesse caso, pode ser necessário um tratamento de canal.

Dor e pressão constante, gengiva inchada e sensibilidade ao toque

Esse tipo de dor é, na verdade, um conjunto de sintomas que indicam uma infecção. Às vezes, pode ser até mesmo um abscesso. Isso pode acontecer em decorrência de uma gengivite não tratada ou uma periodontite.

Dor maçante e pressão na arcada dentária superior

Normalmente, esse tipo de dor vem acompanhada também de dor de cabeça, e é resultado de um ranger dos dentes involuntário, condição chamada de bruxismo.

Causas

Como mencionado anteriormente, as causas da dor de dente podem ser diversas. As mais comuns são:

Cáries

A cárie é uma condição na qual orifícios são formados na superfície dos dentes. Isso acontece porque bactérias que vivem naturalmente na boca liberam ácidos orgânicos que corroem os tecidos dentários, provocando lesões no esmalte.

Uma das principais bactérias responsáveis pela cárie é a Streptococcus mutans, que pode ser facilmente combatida com uma higiene bucal adequada.

O problema é que muita gente não escova os dentes e nem usa o fio dental na frequência necessária para evitar esse tipo de problema. Com o tempo, as bactérias vão se acumulando e formam uma “placa” bacteriana que só pode ser removida no dentista.

A medida em que essas bactérias vão liberando ácidos, a corrosão dos tecidos dentais aumenta e, no fim, acaba gerando buracos facilmente visíveis no esmalte dentário.

Esses buracos vão cada vez mais fundos e podem ultrapassar a dentina, chegando até a polpa dentária, fazendo com que a estimulação dos nervos seja frequente. Geralmente, quem tem cárie costuma sentir muitas dores nos dentes ao comer, principalmente ao ingerir alimentos doces.

Vale lembrar que existem 3 tipos de cárie: coronária, radicular e recorrente. A diferença entre elas está no local em que aparecem e persistência. Entenda:

  • Coronária: Aparece na superfície de mastigação dos dentes, numa região chamada “coroa”;
  • Radicular: É o tipo de cárie que aparece na raiz dos dentes, geralmente nos casos em que há retração gengival e a bactéria tem mais facilidade a acessar essa área, pois não esmalte para proteção;
  • Recorrente: Cáries persistentes, que reaparecem mesmo após restaurações da coroa, são chamadas de recorrentes. Costumam aparecer nas regiões que tendem a acumular placa, como a coroa (ou superfície de mastigação).

Desgaste do esmalte

O desgaste do esmalte é uma das principais razões da dor de dente, visto que a proteção principal do dente contra os agentes externos fica prejudicada. Em geral, o desgaste leva a dores do tipo sensibilidade, mas ele pode causar outros tipos de dores também.

Contudo, esse desgaste não acontece do nada. Algumas razões para isso são:

Alimentação inadequada

Uma série de alimentos possuem propriedades abrasivas que desgastam o esmalte dos dentes. Um belo exemplo são os refrigerantes, amplamente consumidos pelas pessoas.

Além de já auxiliarem o desgaste por si só, essas bebidas também contém muitos açúcares, o que ajuda na proliferação das bactérias que causam a cárie.

Escovação inadequada

Apesar da escovação ser uma das melhores maneiras de prevenir problemas bucais, o hábito pode se tornar inadequado quando feito com excesso ou com os cremes dentais errados.

Escovar os dentes muitas vezes ao dia ou com muita força pode prejudicar as gengivas e o esmalte. Além disso, o uso de cremes dentais abrasivos, como cremes clareadores, só pioram o problema.

Clareamento dental

Processos de clareamento dental podem causar abrasão no esmalte.

Bruxismo

O bruxismo é caracterizado pelo ranger ou apertar de dentes por períodos prolongados. Geralmente, acontece de maneira inconsciente, durante o sono, mas pode ocorrer também em estados de vigília como ao ler um livro ou assistir televisão.

Sua ocorrência está ligada a fatores como estresse, ansiedade, frustração, raiva e até mesmo alimentação incorreta. Pode ser um efeito colateral de certos medicamentos e está relacionado a episódios de apneia do sono.

Outro problema que causa o bruxismo é a má oclusão, condição na qual há alterações faciais que afetam o mecanismo de contato entre os dentes superiores e inferiores.

Retração da gengiva

A gengiva é uma grande protetora da raiz dos dentes e, quando retraída, pode deixar essa parte do dente exposta para que as bactérias façam a festa. Nesse caso, doenças como gengivite e periodontite são as grandes culpadas.

Essas duas condições fazem parte da chamada “doença periodontal”, que não ataca os dentes diretamente, e sim seus mecanismos de suporte: a gengiva e os ossos que dão sustentação aos dentes.

Elas são causadas pela presença de placas bacterianas produtoras do ácido que corrói o esmalte dentário e, ainda por cima, irrita as gengivas, provocando uma reação inflamatória, denominada gengivite.

Quando essas placas não são removidas por muito tempo, elas formam bolsões de bactérias no local onde as gengivas encontram os dentes, dando início à periodontite.

Aos poucos, ocorre a retração gengival e do osso, que expõe a raiz e deixa os dentes “soltos”. Com o tempo, eles podem até mesmo cair.

A dor, nesses casos, se concentra mais perto da raiz do dente e acomete também a gengiva, piorando quando ela é apertada.

Traumas

Rachaduras e quebras acidentais não são raras e podem ser a razão por trás daquela dor que incomoda na hora de morder e mastigar alguma coisa. Às vezes, a lesão é tão minúscula que o paciente pode nem saber que seu dente está danificado.

Esse tipo de dano acaba expondo a dentina ou até mesmo a pulpa, fazendo com que a excitação das raízes nervosas dos dentes seja bem frequente.

Pulpite

Pulpite é o nome dado à inflamação da polpa, parte mais interna e mole do dente. Essa estrutura é cheia de terminais nervosos e não é a toa que a condição seja muito dolorosa.

A pulpite pode aparecer após restaurações e colocação de coroas protéticas, por conta de uma inadequação ao material usado. Também pode se manifestar quando microrganismos chegam até ela, como é no caso da cárie profunda.

Nascimento do dente do siso

Não tem como negar: o nascimento do dente do siso é um ritual de passagem extremamente doloroso. Isso porque ele precisa “rasgar” a gengiva para conseguir abrir seu espaço na arcada dentária, o que, de fato, estimula muito as terminações nervosas locais.

E o problema não para por aí, visto que a dor é tão forte que irradia para os outros dentes. O que parece uma dor nos primeiros molares é, na verdade, uma dor na gengiva por conta do nascimento do último molar!

Aparelhos ortodônticos

Quem já teve que usar sabe que aparelhos ortodônticos podem causar muita dor! Isso porque a tarefa deles é justamente realinhar os dentes, o que implica em empurrar um pouco ali, outro pouco lá… E tudo isso dói, obviamente.

Outras causas

Existem, ainda, muitas outras causas que podem ser responsáveis pelas dores sentidas nos dentes. Você sabia que, durante um infarto, é possível que a dor irradie até a arcada dentária inferior?

Contudo, não precisa se preocupar: dificilmente apenas uma dor de dente é sinal de infarto.

Sinusite

A sinusite é uma doença que causa muitas dores em diversas partes do rosto por conta de uma inflamação causada pelo acúmulo de muco nos seios. Calma, você não leu errado: é nos seios mesmo que isso acontece!

Anatomicamente falando, seios são cavidades cheias de ar, então estamos falando dos espaços cheios de ar encontrados nos ossos pneumáticos da face.

Esses espaços se encontram na testa, atrás do nariz e dos olhos, abaixo dos olhos e na maxila. Em alguns casos, a dor dessa inflamação é tão intensa que acaba refletindo nos dentes, em especial quando o acúmulo é na maxila.

Ínguas

Sabe aqueles inchaços que aparecem no pescoço quando alguém está doente? Eles recebem o nome de ínguas e podem ser uma causa de dor dente.

Comumente, as ínguas são associadas a infecções, mas elas aparecem como uma resposta imunológica a qualquer coisa que o organismo ache suspeito, seja infeccioso ou não.

Às vezes, uma simples inflamação na garganta é o bastante para o surgimento de ínguas que, por sua vez, também doem. Essa dor irradia para a mandíbula, sendo confundida com uma dor de dente.

Grupos de risco

Qualquer um pode ter dores de dente a qualquer momento, mas as crianças são um dos maiores grupos de risco por conta da quantidade de açúcares que ingerem diariamente. Além disso, nessa fase da vida, é comum que elas ainda não estejam familiarizadas com a rotina de cuidados bucais.

Pessoas sem acesso ao saneamento básico também são um grande grupo de risco, pois esse empecilho dificulta a higienização adequada dos dentes.

Dor de dente na gravidez

Dores de dentes são comuns de serem sentidas durante a gravidez e muitas mamães se assustam, questionando-se se aquilo pode fazer algum mal para seu filho.

Essas dores são resultado de um aumento da progesterona, um hormônio em abundância durante a gravidez. Apesar de ele ser indispensável para que a gravidez ocorra bem, um problema é que ele aumenta a sensibilidade da mulher, fazendo com que ela sinta dores mais facilmente.

Também é comum episódios de gengivite durante a gravidez, o que colabora para que as dores sejam sentidas. Sendo assim, muitas mamães se perguntam se há algum problema em fazer tratamento dental durante a gravidez, pois antigamente acreditava-se que não se deveria ir ao dentista quando se espera uma criança.

Hoje em dia, no entanto, já é provado que tratar os problemas dentais só traz benefícios para a mãe e para o bebê. Dependendo do caso, a mamãe pode até extrair um dente, sem precisar esperar o bebê nascer, pois existem diversas anestesias locais que não causam problema nenhum ao feto.

Por isso, se você está grávida e sente dores nos dentes, não deixe de visitar o dentista! Você só tem a ganhar.

Dor nos dentes de leite

Infelizmente, os problemas que acometem os dentes dos adultos também são capazes de acometer os dentes das crianças. Elas são especialmente suscetíveis à cárie por conta da quantidade de açúcares que ingerem diariamente.

Nas crianças, a cárie também pode chegar na polpa do dente e causar estragos massivos. Por isso, é muito importante que os pais fiquem atentos e levem a criança ao dentista assim que elas demonstrarem sinais de dor de dente.

Caso contrário, a infecção do dente de leite pode prejudicar até mesmo os dentes permanentes que estão por vir!

Sintomas

Dor de dente é, por si só, um sintoma. Contudo, existem diversos outros que podem aparecer em conjunto e dar uma noção maior do que está acontecendo. São eles:

  • Sensibilidade ao beber ou comer alimentos quentes ou frios — pode estar relacionada ao desgaste do esmalte;
  • Dor ao morder e mastigar alimentos — sinal de que o esmalte está desgastado, dente rachado ou até mesmo de cárie profunda;
  • Dor pulsante e constante no dente — pode ser sinal de pulpite;
  • Gengivas inchadas e doloridas — sinal de gengivite;
  • Mau hálito — associado a sintomas de gengivite, pode indicar uma periodontite.

Dor de dente: o que fazer?

Ao sentir dor de dente, a primeira coisa a ser fazer é contatar seu dentista, especialmente se você passou por um tratamento dental recentemente.

Enquanto você não consegue agendar uma consulta, existem alguns medicamentos que podem ser tomados para aliviar a dor, como anti-inflamatórios ou analgésicos. Contudo, eles precisam ser tomados sob a supervisão de um médico.

Uma alternativa é tentar alguns métodos caseiros para o alívio da dor. Vários deles estão descritos no tópico “Remédios caseiros”.

Como é feito o diagnóstico da dor de dente?

O único profissional habilitado que sabe dizer qual a razão da sua dor de dente é o dentista. Esse profissional é especialista em saúde bucal e doenças dentais. Para auxiliar no exame, ele pode:

Realizar um exame físico

Nesse exame, o paciente senta na cadeira reclinável e o dentista o pede para abrir a boca. Ele pode, ou não, utilizar uma ferramenta para manter a boca do paciente bem aberta, assim como um babador para evitar molhar as roupas.

Utilizando alguns equipamentos especiais, como pequenos espelhos e luzes, o dentista irá procurar por sinais de lesões nos dentes, cáries ou gengivite.

Muitas vezes, ele consegue determinar a causa do problema apenas com essa observação. Contudo, só isso pode não ser o suficiente.

Pedir um exame de imagem

Os exames de imagem são bastante úteis na odontologia também! Entretanto, não se preocupe, não é nada muito complicado: o mais provável é que o dentista peça uma radiografia panorâmica da maxila e da mandíbula.

Para realizar esse exame, o paciente deve apoiar a cabeça e a testa em algumas estruturas enquanto um radiologista tira as imagens. Não é preciso abrir a boca.

Recomenda-se que quaisquer joia seja tirada, desde piercings bucais até brincos de orelha, para evitar que o metal atrapalhe a visualização da radiografia.

Com esse exame, o dentista pode ver se há algum problema na raiz do dente, a profundidade de algumas cáries, se há alguma inflamação na polpa etc.

Dor de dente tem cura?

Na maioria dos casos, a dor de dente tem cura, sim. Se for o caso de cáries, por exemplo, basta fazer o tratamento de restauração que vai ficar tudo bem!

Contudo, às vezes, o problema demanda tratamentos mais radicais, como a total remoção de um dente. Nesses casos, a dor pode parar, mas o dente também não estará mais lá.

Qual o tratamento?

O tratamento para a dor de dente varia de acordo com a sua causa. Pessoas que sofrem com cáries não terão nenhum benefício caso recebam um tratamento para bruxismo, por exemplo.

Por isso, o recomendado é sempre procurar um dentista para que ele possa indicar qual o tratamento mais adequado para cada caso. Contudo, aqui vão algumas alternativas que o dentista pode sugerir:

Tratamento de obturação

Quando há cáries mais superficiais, o dentista pode fazer um tratamento de obturação, que consiste em usar uma broca para perfurar, abrindo mais o buraco da cárie, e livrar-se de todo o tecido contaminado e danificado. É a tão temida “broca do dentista”!

Depois, esse “buraco” é limpo e o dentista coloca uma “massa” para preencher o espaço e restaurar o esmalte dentário, devolvendo a integridade do dente.

Não é um tratamento muito demorado e não necessita anestesia.

Tratamento de canal

Já no caso de cáries mais profundas, o tratamento é um pouco mais complicado. Na maioria das vezes, é necessário o uso de anestesia, pois, nesses casos, a broca chega até a polpa.

No canal, o dentista “abre” o dente para conseguir tirar a polpa dentária infeccionada. Depois, o local é limpo, desinfetado e, em seguida, preenchido com um material para proteção do dente.

Vale lembrar que o tratamento de canal é bem mais complexo e pode necessitar mais sessões para chegar ao seu término. Tudo depende da extensão das cáries e do comprometimento das raízes.

Tratamentos para gengivite e periodontite

Caso a dor seja causada por essas doenças periodontais, o tratamento é bem mais complicado. Pode envolver soluções cirúrgicas ou não, dependendo do caso.

O paciente deve se submeter a uma limpeza e uma raspagem a raiz do dente para remover e impedir o acúmulo de bactérias na região.

Dentre os tratamento cirúrgicos, está a redução da bolsa periodontal, que consiste em expor as raízes para fazer uma limpeza profunda da área afetada. Depois, realiza-se uma sutura da gengiva no seu devido lugar.

Se houver retração dos ossos na região da gengiva, é possível que seja realizado um enxerto ósseo para preencher o local e evitar a perda do dente.

Esses são apenas alguns dos procedimentos que podem ser feitos para resolver o problema em caso de doença periodontal, mas existem muitos outros.

Restauração

Frequentemente confundida com a obturação, a restauração busca corrigir o dente em casos de quebras e rachaduras. Nesses casos, uma parte maior do dente é substituída com materiais sintéticos, restaurando sua forma original.

Extração dentária

Em último caso, quando o problema é muito profundo, é possível que o dentista sugira uma extração dentária. O dente é cirurgicamente extraído e pode, ou não, ser substituído por uma prótese.

No caso do nascimento dos dentes do siso, esse tratamento é muito comum pois, muitas vezes, esses últimos molares só causam dor e não trazem nenhuma vantagem. Além disso, a limpeza desses dentes é tão difícil que eles frequentemente sofrem problemas periodontais.

Como não são dentes que afetam o sorriso, não costumam ser substituídos por próteses.

Anti-inflamatórios

Enquanto não for possível fazer algum desses procedimentos, pode-se utilizar anti-inflamatórios não-esteroidais para aliviar a dor.

Medicamentos para dor de dente

Os medicamentos mais comumente indicados para aliviar a dor de dente são os anti-inflamatórios não-esteroidais, mas eles só devem ser usados após a avaliação de um dentista.

Isso porque um dos efeitos colaterais dos anti-inflamatórios é a supressão do sistema imune, ou seja, sua capacidade de lutar contra infecções fica reduzida. Caso o problema seja uma infecção, ele tende a piorar com o uso desses medicamentos.

Analgésicos também podem ser utilizados.

Medicamentos comumente usados para aliviar a dor de dente são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Remédios caseiros

A dor de dente pode ser facilmente aliviada com alguns remédios caseiros. Contudo, não existem provas de que esses remédios funcionam ou que eles são seguros, então todo cuidado é pouco!

Não tente nenhuma das receitas abaixo sem antes conversar com seu dentista, pois os resultados podem ser desagradáveis sem as orientações necessárias.

É importante lembrar que esses tratamentos também não são eficazes para a erradicação total do problema, ou seja, não curam a dor de dente! Contudo, podem ser usados para aliviar o problema até a hora de fazer o tratamento correto.

Água morna com sal

Um remédio caseiro comumente indicado em casos de gengivite ou periodontite é o bochecho com água morna e sal. Isso porque o sal tem propriedades antimicrobianas e pode ajudar a aliviar a infecção.

Para isso, basta diluir 1 colher de chá de sal em 1 copo d’água morna, misturar bem e fazer um bochecho de 30 segundos, com cuidado para não engolir a água. Cuspa toda a água fora e repita o bochecho a cada 1 hora.

Óleo de cravo da Índia

O óleo produzido a partir do cravo da Índia tem propriedades analgésicas e antimicrobianas, o que pode ajudar no alívio de infecções e dor.

Basta colocar, com ou sem a ajuda de um cotonete, 2 gotas do óleo diretamente sobre o dente dolorido. Esse procedimento pode ser feito até 3 vezes por dia.

Chá de macela e própolis

Enquanto o própolis tem ação antimicrobiana, o chá de macela tem propriedades calmantes e anti-inflamatórias, podendo auxiliar no dente dolorido.

Uma dica é fazer um bochecho de 30 segundos com a mistura, 2 vezes ao dia. O preparo da mistura é feito da seguinte forma:

  1. Ferva 1 colher de flores secas de macela em uma panela com 1 litro d’água;
  2. Separe uma xícara desse chá e guarde o resto para outros bochechos;
  3. Adicione 5 gotas de própolis à xícara de chá e está pronto para o bochecho!

Gelo

O bom e velho gelo no machucado funciona muito bem aqui também! A temperatura fria contrai os vasos sanguíneos locais, aliviando a inflamação, e pode até desacelerar o processo infeccioso, dependendo da bactéria.

Lembre-se sempre de cobrir um gelo com um pano para não queimar a pele! É importante, também, ficar atento ao tempo: 15 a 20 minutos já é mais do que o suficiente, pois o contato com temperaturas frias durante um tempo prolongado pode trazer consequências desagradáveis.

O processo pode ser repetido a cada 3 horas.

Outra alternativa é chupar o gelo, mas essa técnica pode não funcionar muito bem em caso de sensibilidade às temperaturas.

Vinagre com sal

Uma alternativa ao bochecho com água morna e sal é o bochecho com vinagre e sal. Embora o gosto possa não ser dos melhores, é válido lembrar que o vinagre tem propriedades antimicrobianas e pode potencializar o efeito do sal.

Misture 1 colher (sopa) de sal com 3 colheres (sopa) de vinagre em 1 copo d’água. Ferva a mistura e faça o bochecho quando ela estiver morna.

Pimenta e gengibre

Você sabia que a pimenta possui efeitos analgésicos? Pois bem, para utilizar essa belezura no alívio da dor de dente, basta pegar 1 pitada de pimenta caiena e 1 pitada de gengibre em pó e misturar em um pequeno recipiente.

Adicione água aos poucos, até formar uma pasta. Use um pequeno pedaço de algodão para aplicar um pouco dessa pasta na gengiva inflamada. Deixe por alguns minutos. Evite tocar na gengiva enquanto estiver com a mistura lá.

Chá de erva-cidreira

Com propriedades calmantes, o bochecho com chá de erva-cidreira pode ajudar em casos de inflamação na gengiva. Basta fazer um bochecho com o chá enquanto ele ainda estiver quente.

Prognóstico

Na maioria dos casos, o prognóstico da dor de dente é favorável. Algumas das causas são curáveis, enquanto outras podem apenas ser tratadas e mantidas sob controle.

Em último caso, a extração do dente pode ser necessária, mas a colocação de uma prótese restaura a estética e a função dentária.

Complicações

A dor de dente, em si, não causa nenhuma complicação ao portador do problema. Contudo, as condições que a causam podem trazer diversas consequências.

Uma cárie não tratada pode levar até mesmo a problemas cardíacos, como a endocardite infecciosa, uma infecção da parede interna do coração (endocárdio) ou das válvulas.

A periodontite também pode levar a essa infecção no coração, além da perda dos dentes por conta da retração gengival e do osso.

Já os casos de hipersensibilidade não apresentam consequências muito graves se não forem tratados. Contudo, apenas o incômodo todos os dias já deveria ser o bastante para levar o paciente ao consultório do dentista para resolver a situação.

Como prevenir a dor de dente?

A maneira mais fácil de prevenir qualquer problema bucal é ter uma boa higiene. Contudo, nem sempre isso é o suficiente — existem algumas pessoas que sofrem com essas doenças mesmo cuidando assiduamente de seus dentes.

Nesses casos, só é possível tentar amenizar a situação e prevenir recaídas com as dicas abaixo:

Escovar os dentes

Escove a superfície dos dentes voltada para a bochecha, tanto superior quanto inferior, em movimentos circulares.

Na superfície de mastigação, faça movimentos de vai e vem e, em seguida, faça movimentos semelhantes ao de uma vassoura na superfície interna — varrendo os dentes de dentro para fora.

Inicie sempre pela arcada dentária de cima, pois restos de alimentos podem cair para a arcada de baixo. Caso a escovação seja iniciada pela parte de baixo, os restos de comida podem ficar presos lá.

Não se esqueça de escovar a língua. Recomenda-se usar creme dental com flúor para fortalecer o esmalte.

É importante escovar os dentes ao menos 2 vezes ao dia — ao acordar e ao ir dormir —, mas também é recomendado, se for possível, escová-los sempre após as refeições.

Use fio dental todos os dias

Uma boa dica para prevenir a periodontite é usar fio dental todos os dias, visto que muitas bactérias que atacam as gengivas se acumulam entre os dentes, justamente onde a escova não alcança.

Para passar o fio dental, basta pegar cerca de 30 centímetros de fio e enrolar nos dedos indicadores. Encaixe o fio entre os dentes e faça movimentos de vai e vem. Faça isso com todos os dentes.

Prefira iniciar com a arcada dentária de cima pelo mesmo motivo que na escovação.

Falando em escovação, não existe uma ordem certa para a limpeza. Tem quem prefira usar o fio dental antes de escovar, tem que prefira depois, mas não existe um consenso entre os dentistas sobre qual é a melhor ordem.

Evite alimentos que favorecem o desenvolvimento de cáries

Existe uma série de alimentos que ingerimos todos os dias e que podem auxiliar o desenvolvimento de cáries. Engana-se quem pensa que são apenas as balas e doces que fazem isso: até mesmo sucos e frutas ácidas ou alimentos ricos em carboidratos podem ser transformados no ácido corrosivo responsável pela cárie.

Bebidas alcoólicas, café e chás são ricos em pigmentos e corantes que podem manchar os dentes.

Consumir alimentos que fazem bem aos dentes

Assim como existem alimentos inimigos dos dentes, há outros que são bem amigos. É o caso da maçã e da cenoura, dois alimentos ricos em fibras que necessitam bastante mastigação, o que estimula a produção de saliva e promove a limpeza natural dos dentes.

Queijo é um alimento rico em cálcio e proteínas, que ajudam a fortalecer o esmalte dos dentes, além de aumentar o pH da boca, o que reduz o risco de desenvolver cáries.

Já o iogurte é rico em bactérias boas para as gengivas e, assim como o queijo, é rico em cálcio e proteínas.

Por último, o aipo é um alimento que ajuda a raspar as partículas de comida e bactérias que ficam nos dentes, além de ser fonte de vitaminas benéficas para o seu corpo em geral, como A e C.

Utilizar equipamentos de proteção pessoal sempre que necessário

Ao andar de bicicleta, skate ou realizar qualquer esporte que permita grandes impactos, é importante utilizar os equipamentos de proteção. No caso dos dentes, os protetores bucais podem ajudar a garantir a integridade física dos dentes, impedindo traumas e quebras.

Visitar o dentista regularmente

Por último, uma das melhores maneiras de prevenir problemas bucais é visitar o dentista de 6 em 6 meses. Uma cárie demora cerca de 6 meses para conseguir formar um buraco fundo e, com essa frequência de visitas, você pode se proteger desse problema antes mesmo de ele se tornar algo maior!


Não costumamos dar muita atenção ao nossos dentes, mas, quando eles começam a doer, parece que o dia inteiro é estragado. Por isso, cuide bem dos seus dentes e visite o dentista regularmente!

Você já precisou extrair um dente ou fazer um tratamento de canal? Conte pra nós como foi aí nos comentários!

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6 Comentários

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  1. Minha começou fazer um canal mais a dentista ainda não conseguiu conclui, agora ela está chorando dia e noite com o mesmo doendo, alguém poderia me ajuda, o que posso da pra ela tomar pra desinflamar???

    • Olá, Sônia.
      É ideal conversar com a dentista que está acompanhando o quadro. Somente ela poderá indicar qual o medicamento mais adequado. Lembre-se que a automedicação pode ser prejudicial e implicar em riscos ao tratamento.

  2. Vou contar uma pra vcs e não vai acreditar meu dente 36 quebrou ficou um buraco comecei a fazer canal e parei então o tempo passou semana passada começou a doer muito pingava Dipirona tomava paracetamol ibuprofeno e nada então aqui em casa tinha um remedio de dor de ouvido pinguei e molhei um bolinha de algodão e coloquei fiz duas vezes e adeus dor de dente o nome do remédio e genérico do otosinalar da Golan.

  3. Muito obrigada pelas dicas! Eu estou com muita dor de dente pois a massinha da obituração caiu, e acho que o dente está confeccionado, estou aguardando atendimento pelo SUS, más como sempre esses atendimentos públicos são péssimos e demorados, estou sofrendo muito com dor no dente e na cabeça…😔

  4. Meu marido está com muita dor de DENTE e dor na cabeça ele tá desesperado o que eu faço dentista só semana que vem aonde eu vou me ajudem não sei oque fazer????

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