Dores durante a gravidez podem ser frequentes. Conforme o bebê cresce, o corpo da gestante se modifica, o peso da criança aumenta e o corpo da mãe é quem tem que carregá-lo, o tempo todo.

Nessas horas, pode ser fácil se voltar para a caixinha de remédios e pegar aquela conhecida amiga de quem tem dor: a dipirona.

A dipirona sódica é um medicamento muito eficaz contra a dor e a febre. Dentre seus nomes comerciais, estão: Novalgina, Anador, Difebril e Nofebrin.

Ela pode ser comprada sem receita, é é muito fácil encontrá-la em qualquer farmácia ou na maioria das gavetas de medicamentos dos brasileiros.

Mas quando se está esperando um bebê, é importante saber o que se está tomando.

Como a dipirona age no organismo?

A dipirona age inibindo a prostaglandina, um sinal químico parecido com hormônios mas que age apenas em um grupo pequeno de células. Este sinal possui diversas funções. Entre elas está a de sinalizar dor e ativar o sistema imunológico quando necessário, causando febre.

Leia a bula completa da dipirona!

Outros efeitos da prostaglandina podem ocorrer durante a gestação. Nestes casos, o sinal químico é utilizado para causar as contrações que fazem o bebê nascer.

Usar dipirona na gravidez é seguro?

A resposta é sim e não. Tudo depende da época da gestação e das condições de saúde da mulher. No geral, por segurança, o uso da dipirona não é indicado para grávidas, já que é sabido que a substância atravessa a barreira placentária.

Especialmente no primeiro e no terceiro trimestre da gravidez, deve-se evitar o medicamento.

Já durante o segundo trimestre (meses 4, 5 e 6), a dipirona pode ser tomada. Mas lembre-se, com indicação médica. Só o médico pode dizer se em seu caso específico é ou não perigoso usar um medicamento durante a gravidez.

Leia mais: O que é automedicação, causas e quais são as consequências?

Para a farmacologista Dra. Francielle Tatiana Mathias, “a dipirona não é a primeira opção de medicamento para grávidas. Existem estudos que demonstram a possibilidade de alterações sanguíneas, principalmente nas células de defesa. Dentro das categorias de risco de uso durante a gravidez, o fármaco demonstra evidências de risco ao feto e portanto o uso deve ser avaliado pelo médico, para verificar se os benefícios compensam o possível risco.”

Categorias de risco na gravidez

A Food and Drug Administration (FDA), agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos (de maneira semelhante à ANVISA aqui no Brasil), classifica os medicamentos em 5 categorias de acordo com o risco do uso na gravidez. As categorias de risco são A, B, C, D e X. A dipirona está na categoria D.

O trecho abaixo, relacionado a cada uma das categorias, foi retirado do “Regulamento técnico que estabelece frases de alerta para princípios ativos e excipientes em bulas e rotulagem de medicamentos”, publicado pela ANVISA. Entenda as diferenças:

  • Categoria A: em estudos controlados em mulheres grávidas, o fármaco não demonstrou risco para o feto no primeiro trimestre de gravidez. Não há evidências de risco nos trimestres posteriores, sendo remota a possibilidade de dano fetal;
  • Categoria B: os estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas também não há estudos controlados em mulheres grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram riscos, mas que não foram confirmados em estudos controlados em mulheres grávidas;
  • Categoria C: não foram realizados estudos em animais e nem em mulheres grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram risco, mas não existem estudos disponíveis realizados em mulheres grávidas;
  • Categoria D: o fármaco demonstrou evidências positivas de risco fetal humano, no entanto, os benefícios potenciais para a mulher podem, eventualmente, justificar o risco, como, por exemplo, em casos de doenças graves ou que ameaçam a vida, e para as quais não existam outras drogas mais seguras;
  • Categoria X: em estudos em animais e mulheres grávidas, o fármaco provocou anomalias fetais, havendo clara evidência de risco para o feto que é maior do que qualquer benefício possível para a paciente.

Portanto, antes de fazer uso de qualquer medicamento durante a gravidez, leia a bula e converse com o médico.

Dipirona na gravidez prejudica o bebê?

O uso durante o primeiro trimestre pode ser perigoso por existir o risco de causar malformações fetais, enquanto no último trimestre, a dipirona pode fazer com que o ducto arterial se feche antes da hora.

O ducto arterial é um canal sanguíneo pequeno existente nos fetos, que desvia o sangue venoso dos pulmões, que ainda não são usados pelo bebê não nascido. Quando este ducto se fecha antes da hora, o bebê sufoca já que sem os pulmões nem o ducto arterial, ele não é capaz de respirar.

Leia mais: Gravidez semana a semana: sintomas, fases e formação do bebê

Qual remédio grávida pode tomar?

Gestantes podem dar preferência à medicamentos para dor que não incluam a dipirona. Durante a gestação, são comuns as queixas de dor de cabeça e dor de dente, duas situações em que os medicamentos podem ser um grande alívio.

Nesses casos, o paracetamol pode ser uma alternativa, pois é um medicamento que está classificado como nível de risco B, sendo um dos menos prejudiciais para o feto. Mas atenção, sempre consulte seu médico antes de tomar um medicamento. O risco da utilização de medicamentos varia de grávida para grávida e diversos fatores podem aumentar este risco.

Por exemplo, o paracetamol não é indicado para pessoas com problemas no fígado. Outros fatores como a pressão arterial também influenciam os riscos. Não deixe de falar com seu médico.

Comercialização da dipirona em outros países

Alguns locais, como os Estados Unidos e países do Reino Unido, proíbem a venda da dipirona. O veto se deve aos possíveis riscos associados ao medicamento, especialmente com relação a agranulocitose — condição que provoca uma queda nos níveis de granulócitos (glóbulos brancos) no sangue e que pode ser fatal.

Porém, os estudos que correlacionam esses efeitos ao uso da substância são controversos. Tanto que, assim como no Brasil, o fármaco é vendido em alguns países da Europa. Em um painel de avaliação desenvolvido para esclarecer os riscos da dipirona, divulgado em 2001, a ANVISA (agência reguladora do Ministério da Saúde) chegou a algumas conclusões:

  • Os riscos atribuídos à utilização da dipirona em nossa população são baixos, e os dados científicos disponíveis apontando a ocorrência destes
    riscos não são suficientes para indicar uma alteração do status regulatório (venda sem prescrição);
  • Os riscos da dipirona são similares, ou menores, que o de outros analgésicos/antitérmicos disponíveis no mercado;
  • A mudança de regulamentação atual da dipirona incorreria em aspectos negativos para a população, aumentando os riscos de utilização de outros fármacos indicados para a mesma finalidade terapêutica.

Esses resultados tiveram papel importante na decisão de manter a regulamentação do medicamento no Brasil.


Se você está grávida, mesmo que seja no segundo trimestre de gravidez, fale com seu obstetra antes de usar a dipirona. Lembre-se também de avisar ao seu médico de uma gravidez ou se existe a possibilidade de você estar grávida.

Caso esteja no primeiro ou no terceiro trimestre, fique longe do medicamento e prefira outras opções que um especialista pode indicar.

Leia mais: Como saber se estou grávida? Sintomas de gravidez e diagnóstico

Fontes consultadas

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8 comentários

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  1. Gostaria que se fizesse um adendo a essa matéria, comentando acerca da proibição DIPIRONA em outros países e o porquê dessa proibição.

    1. Olá André!

      Incluímos esta informação em nosso texto. Espero que tenha lhe ajudado a esclarecer o assunto 🙂 Obrigada pelo comentário!

    1. Olá, Paulo!

      As informações referentes aos riscos na gravidez podem ser encontradas na bula do medicamento, no campo de precauções. Lá você vai poder conferir se a substância pode ser usada durante a gestação e quais os possíveis riscos ao feto. As categorias de risco, por serem informações técnicas, são informadas na bula profissional de fármaco. Se você tem dúvidas, o indicado é consultar seu médico ou farmacêutico.

      Obrigada pelo comentário!

  2. Bom dia
    Foi no hospital com minha esposa reclamando de muida dor de cabeça avisei a médica que minha esposa estava grávida de 2 meses e ela receitou dipirona 500ml ela tomou um comprimido isto pode afetar que ela perca o bebê.

    1. Olá, Fabiano.
      O uso de qualquer medicamento na gestação deve ser avaliado com cuidado. Em geral, havendo orientação médica e sob observação, como foi o caso da sua esposa, os riscos são controlados e o(a) profissional julgou que os benefícios compensam os riscos.

  3. estou gravida de 10 semanas tenho 39 anos sinto terriveis fortes dores de cabeça.posso tomar dipirona.não aguento mais parece que minha cabeça vai explodir me ajude por favor.obg

    1. Olá, Simone!

      O uso da dipirona é contraindicado nos primeiros meses de gravidez. Existem outras alternativas de fármacos, como o paracetamol, que podem ser consideradas mais seguras. Lembre-se que a automedicação pode trazer inúmeros riscos à sua saúde e a do bebê. Por isso, <strong>é fundamental que haja acompanhamento médico e que o uso de remédios seja feito sob prescrição</strong>.

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