Breno H. M. (Minuto Saudável)
13/10/2018 08:00

Grávida pode tomar dipirona? Prejudica o bebê?

Revisado por: Dra. Francielle Tatiana Mathias (CRF/PR 24612) – Farmacologista

Dores durante a gravidez podem ser frequentes. Conforme o bebê cresce, o corpo da gestante se modifica, o peso da criança aumenta e o corpo da mãe é quem tem que carregá-lo, o tempo todo.

Nessas horas, pode ser fácil se voltar para a caixinha de remédios e pegar aquela conhecida amiga de quem tem dor: a dipirona.

A dipirona sódica é um medicamento muito eficaz contra a dor e a febre. Dentre seus nomes comerciais, estão: Novalgina, Anador, Difebril e Nofebrin.

Ela pode ser comprada sem receita, é é muito fácil encontrá-la em qualquer farmácia ou na maioria das gavetas de medicamentos dos brasileiros.

Mas quando se está esperando um bebê, é importante saber o que se está tomando.

Como a dipirona age no organismo?

A dipirona age inibindo a prostaglandina, um sinal químico parecido com hormônios mas que age apenas em um grupo pequeno de células. Este sinal possui diversas funções. Entre elas está a de sinalizar dor e ativar o sistema imunológico quando necessário, causando febre.

Leia a bula completa da dipirona!

Outros efeitos da prostaglandina podem ocorrer durante a gestação. Nestes casos, o sinal químico é utilizado para causar as contrações que fazem o bebê nascer.

Usar dipirona na gravidez é seguro?

A resposta é sim e não. Tudo depende da época da gestação e das condições de saúde da mulher. No geral, por segurança, o uso da dipirona não é indicado para grávidas, já que é sabido que a substância atravessa a barreira placentária.

Especialmente no primeiro e no terceiro trimestre da gravidez, deve-se evitar o medicamento.

Já durante o segundo trimestre (meses 4, 5 e 6), a dipirona pode ser tomada. Mas lembre-se, com indicação médica. Só o médico pode dizer se em seu caso específico é ou não perigoso usar um medicamento durante a gravidez.

Leia mais: O que é automedicação, causas e quais são as consequências?

Para a farmacologista Dra. Francielle Tatiana Mathias, “a dipirona não é a primeira opção de medicamento para grávidas. Existem estudos que demonstram a possibilidade de alterações sanguíneas, principalmente nas células de defesa. Dentro das categorias de risco de uso durante a gravidez, o fármaco demonstra evidências de risco ao feto e portanto o uso deve ser avaliado pelo médico, para verificar se os benefícios compensam o possível risco.”

Categorias de risco na gravidez

A Food and Drug Administration (FDA), agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos (de maneira semelhante à ANVISA aqui no Brasil), classifica os medicamentos em 5 categorias de acordo com o risco do uso na gravidez. As categorias de risco são A, B, C, D e X. A dipirona está na categoria D.

O trecho abaixo, relacionado a cada uma das categorias, foi retirado do “Regulamento técnico que estabelece frases de alerta para princípios ativos e excipientes em bulas e rotulagem de medicamentos”, publicado pela ANVISA. Entenda as diferenças:

  • Categoria A: em estudos controlados em mulheres grávidas, o fármaco não demonstrou risco para o feto no primeiro trimestre de gravidez. Não há evidências de risco nos trimestres posteriores, sendo remota a possibilidade de dano fetal;
  • Categoria B: os estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas também não há estudos controlados em mulheres grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram riscos, mas que não foram confirmados em estudos controlados em mulheres grávidas;
  • Categoria C: não foram realizados estudos em animais e nem em mulheres grávidas; ou então, os estudos em animais revelaram risco, mas não existem estudos disponíveis realizados em mulheres grávidas;
  • Categoria D: o fármaco demonstrou evidências positivas de risco fetal humano, no entanto, os benefícios potenciais para a mulher podem, eventualmente, justificar o risco, como, por exemplo, em casos de doenças graves ou que ameaçam a vida, e para as quais não existam outras drogas mais seguras;
  • Categoria X: em estudos em animais e mulheres grávidas, o fármaco provocou anomalias fetais, havendo clara evidência de risco para o feto que é maior do que qualquer benefício possível para a paciente.

Portanto, antes de fazer uso de qualquer medicamento durante a gravidez, leia a bula e converse com o médico.

Dipirona na gravidez prejudica o bebê?

O uso durante o primeiro trimestre pode ser perigoso por existir o risco de causar malformações fetais, enquanto no último trimestre, a dipirona pode fazer com que o ducto arterial se feche antes da hora.

O ducto arterial é um canal sanguíneo pequeno existente nos fetos, que desvia o sangue venoso dos pulmões, que ainda não são usados pelo bebê não nascido. Quando este ducto se fecha antes da hora, o bebê sufoca já que sem os pulmões nem o ducto arterial, ele não é capaz de respirar.

Leia mais: Gravidez semana a semana: sintomas, fases e formação do bebê

Qual remédio grávida pode tomar?

Gestantes podem dar preferência à medicamentos para dor que não incluam a dipirona. Durante a gestação, são comuns as queixas de dor de cabeça e dor de dente, duas situações em que os medicamentos podem ser um grande alívio.

Nesses casos, o paracetamol pode ser uma alternativa, pois é um medicamento que está classificado como nível de risco B, sendo um dos menos prejudiciais para o feto. Mas atenção, sempre consulte seu médico antes de tomar um medicamento. O risco da utilização de medicamentos varia de grávida para grávida e diversos fatores podem aumentar este risco.

Por exemplo, o paracetamol não é indicado para pessoas com problemas no fígado. Outros fatores como a pressão arterial também influenciam os riscos. Não deixe de falar com seu médico.

Comercialização da dipirona em outros países

Alguns locais, como os Estados Unidos e países do Reino Unido, proíbem a venda da dipirona. O veto se deve aos possíveis riscos associados ao medicamento, especialmente com relação a agranulocitose — condição que provoca uma queda nos níveis de granulócitos (glóbulos brancos) no sangue e que pode ser fatal.

Porém, os estudos que correlacionam esses efeitos ao uso da substância são controversos. Tanto que, assim como no Brasil, o fármaco é vendido em alguns países da Europa. Em um painel de avaliação desenvolvido para esclarecer os riscos da dipirona, divulgado em 2001, a ANVISA (agência reguladora do Ministério da Saúde) chegou a algumas conclusões:

  • Os riscos atribuídos à utilização da dipirona em nossa população são baixos, e os dados científicos disponíveis apontando a ocorrência destes
    riscos não são suficientes para indicar uma alteração do status regulatório (venda sem prescrição);
  • Os riscos da dipirona são similares, ou menores, que o de outros analgésicos/antitérmicos disponíveis no mercado;
  • A mudança de regulamentação atual da dipirona incorreria em aspectos negativos para a população, aumentando os riscos de utilização de outros fármacos indicados para a mesma finalidade terapêutica.

Esses resultados tiveram papel importante na decisão de manter a regulamentação do medicamento no Brasil.


Se você está grávida, mesmo que seja no segundo trimestre de gravidez, fale com seu obstetra antes de usar a dipirona. Lembre-se também de avisar ao seu médico de uma gravidez ou se existe a possibilidade de você estar grávida.

Caso esteja no primeiro ou no terceiro trimestre, fique longe do medicamento e prefira outras opções que um especialista pode indicar.

Leia mais: Como saber se estou grávida? Sintomas de gravidez e diagnóstico

Fontes consultadas

09/05/2019 16:23

Breno H. M. (Minuto Saudável)

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Ver comentários

  • Gostaria que se fizesse um adendo a essa matéria, comentando acerca da proibição DIPIRONA em outros países e o porquê dessa proibição.

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    • Olá André!

      Incluímos esta informação em nosso texto. Espero que tenha lhe ajudado a esclarecer o assunto :) Obrigada pelo comentário!

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