DPOC (exacerbado): o que é, fisiopatologia, sintomas, tratamento

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27679) – Medicina Preventiva e Social

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, também conhecida como DPOC, foi a 5ª maior causa de morte no Brasil no ano de 2017, atingindo aproximadamente 9,9 milhões de brasileiros. Trata-se de um conjunto de doenças que atingem o pulmão, causando disfunção.

O principal fator de risco para o seu desenvolvimento é o tabagismo e exposição à gases tóxicos, o que faz com que seja uma doença prevenível.

Apesar do alto número de pessoas sofrendo com a doença, somente 12% encontram-se diagnosticados. Destes, apenas 28% são tratados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2020, a DPOC seja a 3ª principal causa de morte no mundo. Entenda mais sobre a DPOC a seguir!

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é DPOC?
  2. Fisiopatologia
  3. Doenças que compõe o DPOC
  4. Causas
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas da DPOC
  7. Qual a diferença entre DPOC e asma?
  8. Como é feito o diagnóstico da DPOC?
  9. DPOC tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Medicamentos para DPOC
  12. Convivendo com a DPOC
  13. Quais são as complicações?
  14. Como prevenir?
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O que é DPOC?

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um conjunto de doenças que levam à disfunção pulmonar, caracterizada pela dificuldade de respirar. Sua principal causa é o cigarro, seguido de inalação de poluição e substâncias químicas.

A DPOC é, geralmente, constituída por bronquite crônica e enfisema pulmonar.

Durante o seu desenvolvimento, ocorre perda progressiva da função pulmonar e, muitas vezes, o paciente nem percebe que está doente, pois confunde os sintomas com reações normais do envelhecimento, uma vez que a doença requer vários anos de tabagismo e exposição à substâncias para se desenvolver completamente.

Quando a doença não é tratada ou até mesmo diagnosticada, o paciente passa a ter falta de ar ao realizar tarefas simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas, tomar banho em pé, entre outros. Em casos extremos, a falta de ar acontece até mesmo quando se está em repouso.

Trata-se de uma doença progressiva que atinge, principalmente, pessoas acima dos 35 anos, fumantes, ex-fumantes, trabalhadores de carvoarias, olarias, pizzarias, entre outros. Raramente, a doença tem causa genética e atinge pessoas mais novas.

Pode ser encontrada no Classificação Internacional de Doenças, o CID-10, através do código J44.1.

Fisiopatologia

Para compreender a doença, é preciso entender como o pulmão funciona. Quando se respira, o ar desce por uma estrutura chamada traqueia, que se liga aos brônquios (tubos respiratórios que levam o ar até os pulmões).

O ar passa por esses tubos e é levado, através dos bronquíolos, aos alvéolos, pequenos “sacos” de ar onde acontece a troca gasosa que garante as taxas de oxigênio no sangue.

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No interior dos pulmões, há estruturas chamadas de “cílios”, responsáveis por fazer uma varredura e limpar o muco acumulado.

Quando alguma substância irritante (como o cigarro) entra nos pulmões, esses cílios ficam danificados, fazendo com que as vias aéreas inchem, o que tem como resultado produção de muco e desenvolvimento de bronquite.

Se a bronquite se tornar persistente, pode se transformar em bronquite crônica, que pode ter como efeito crises temporárias de bronquite aguda.

Uma das principais manifestações da DPOC é o folêgo baixo. Atividades comuns e tranquilas, como subir uma escada, podem fazer com que o paciente já fique ofegante. Isso ocorre porque os pulmões estão produzindo mais muco e os bronquíolos, por estarem inflamados, ficam mais estreitos, dificultando a passagem de ar.

Somando esses dois fatores, menos oxigênio alcança os capilares e participa de trocas gasosas, o que pode ter consequências no sistema circulatório, uma vez que a falta de oxigenação do sangue pode torná-lo mais ácido.

A acidez do sangue, além de piorar os sintomas de falta de ar e causar complicações no sistema circulatório, em casos mais severos, causa a supressão da respiração e desorientação, o que pode levar o paciente a um quadro de coma.

Doenças que compõem a DPOC. Entenda os tipos

A DPOC é composta principalmente pela bronquite crônica e o enfisema pulmonar. Muitos especialistas ainda consideram a asma refratária como parte do grupo.

Entenda cada uma delas:

Bronquite crônica

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A bronquite é uma inflamação dos brônquios (tubos respiratórios que levam o ar até os pulmões) caracterizada por tosse frequente com catarro, além da produção excessiva de muco.

A doença pode ser dividida entre aguda (dura poucos dias ou semanas) e crônica (se estende por, no mínimo, 3 meses). Apenas a última faz parte da DPOC.

Normalmente, a bronquite crônica acontece devido ao consumo excessivo do tabaco ou da forte exposição à poluição, duas substâncias que limitam o funcionamento dos brônquios e do trato respiratório, anatomia que vai desde o nariz até os alvéolos pulmonares.

Enfisema pulmonar

O enfisema é caracterizado pela inflamação e destruição dos alvéolos (pequenos sacos de ar nos pulmões), deixando o pulmão cheio de buracos que retêm o ar.

Assim, a troca de gases é prejudicada, o que contribui para a diminuição da concentração de oxigênio no sangue, ao passo em que o gás carbônico permanece inalterado.

A doença pode surgir de uma complicação da bronquite crônica.

Asma refratária

Também chamada de asma crônica não reversível, é caracterizada pela inflamação das vias aéreas, causando sintomas como falta de ar, produção exacerbada de muco, pieira (ruído na respiração), tosse com agravamento noturno e sensação de aperto no peito.

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Esse tipo da doença é considerado não reversível por não responder aos medicamentos comumente usados no tratamento. Neste caso, o remédio não é capaz de trazer alívio e liberar espaço para o ar dentro dos pulmões.

Causas

O pulmão depende da elasticidade dos brônquios para expulsar o ar do organismo. A perda dessa elasticidade faz com que o ar fique preso nos pulmões, ao invés de serem eliminados naturalmente. Essa perda pode ocorrer por conta das seguintes condições:

Cigarro, fumaça e substâncias químicas

Cerca de 85% dos casos de DPOC são causados pelo tabagismo, ou seja, pelo fumo de cigarros. Entretanto, o número de fumantes a desenvolver DPOC é cerca de 20% apenas.

Deficiência de alfa-1-antitripsina

A DPOC pode ser causada por fatores genéticos que proporcionam deficiência na enzima alfa-1-antitripsina, que auxilia na proteção do pulmão. Assim, essa deficiência torna a pessoa mais suscetível a danos no pulmão e, consequentemente, ao desenvolvimento da DPOC.

Por isso, a doença pode acometer também pessoas mais novas, não-fumantes e que não tenham se exposto prolongadamente às substâncias causadoras da enfermidade.

Exposição à substâncias irritantes

Mesmo quem nunca fumou pode estar sujeito a DPOC. Ficar muito tempo exposto à fumaça de cigarro como fumante passivo ou se expor à gases, pó, fumaça e outras substâncias irritantes pode causar problemas.

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Estima-se que esses fatores sejam responsáveis por 15% dos diagnósticos de DPOC.

Fatores de risco

É possível afirmar que o principal fator de risco para o DPOC é o tabagismo. Entretanto, além dele, alguns outros fatores de risco relacionados à doença são:

  • Exposição passiva à fumaça do cigarro;
  • Histórico de tuberculose;
  • Asma crônica;
  • Exposição à fumaça de carros, chaminés etc.;
  • Uso frequente de lenha para cozinhar sem a ventilação adequada;
  • Recorrência de infecções nas vias aéreas inferiores quando criança.

Sintomas da DPOC

Os sintomas da DPOC começam subitamente, geralmente a partir dos 40 anos, com tosse e falta de ar após a realização de esforços físicos. Esses sintomas são confundidos com os efeitos da idade e, assim, são ignorados.

Por conta disso, o paciente pode só perceber o problema quando já for tarde demais. Cerca de 50% da função respiratória já está perdida no momento da maioria dos diagnósticos.

Por isso, é importante ficar atento aos sintomas e suas intensidades, uma vez que costumam se tornar mais intensos à medida em que o tempo passa.

São sintomas da DPOC:

  • Falta de ar ao realizar tarefas simples do dia a dia, como caminhar ou fazer as tarefas domésticas;
  • Tosse crônica, que dura por muito tempo ou vai e vem frequentemente;
  • Maior produção de muco (catarro), que é expelido pela tosse. Em alguns casos, a tosse pode vir acompanhada de sangue;
  • Fadiga;
  • Facilidade para contração de infecções respiratórias;
  • Pieira (chiado) em temperaturas frias.
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A intensidade dos sintomas depende do tamanho do dano ao pulmão. Caso o paciente continue fumando ou se expondo às substâncias nocivas, o dano aumenta e os sintomas passam a ser mais intensos.

Isso acontece na maioria dos casos, e os sintomas que vem e vão acabam voltando mais fortes do que a última vez que estiveram presentes.

DPOC exacerbada

Uma das características da DPOC são as exacerbações ou agudizações. Esses períodos podem ser definidos como um momento em que há piora repentina dos sintomas, fazendo com que o paciente sofra subitamente de aumento de tosse, aumento na quantidade de escarro e uma falta de ar ainda pior do que a habitual.

Durante essas crises, é importante buscar auxílio médico, pois elas podem contribuir para o desenvolvimento mais rápido da doença.

Qual a diferença entre DPOC e asma?

Alguns sintomas da asma são muito parecidos com aqueles do DPOC e, por isso, muitas pessoas podem acabar confundindo as doenças. Num nível anatômico, as duas doenças são parecidas, porém têm um fator diferenciador de extrema importância: a reversibilidade.

Na DPOC, as vias aéreas são estreitadas permanentemente e medicamentos broncodilatadores ajudam apenas até certo ponto, pois os danos não são reversíveis.

Enquanto isso, a asma é caracterizada pelo estreitamento temporário das vias aéreas, que geralmente acontece quando o paciente se expõe à agentes irritantes, como pó, pólen e fumaça.

No caso da asma, os medicamentos ajudam a abrir as vias aéreas completamente, de modo que o enfermo possa respirar normalmente. Além disso, não há, na asma, a destruição dos alvéolos.

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É importante lembrar, entretanto, que alguns tipos de asma, crônicas e irreversíveis, podem estar dentro do espectro da DPOC.

Como é feito o diagnóstico da DPOC?

Normalmente, o diagnóstico da DPOC é feito através do histórico do paciente e exames físicos.

O médico, geralmente um clínico geral, pode perguntar se o paciente fuma, se trabalha ou trabalhou em locais onde há muita fumaça e substâncias nocivas que podem ter sido inaladas durante muito tempo.

Também pode ser perguntado o histórico de infecções no trato respiratório e história de saúde familiar.

A fim de diagnosticar a DPOC, um clínico geral pode encaminhar o paciente para um pneumologista, especialidade que cuida das doenças do trato respiratório.

Diagnóstico diferencial

Algumas doenças podem ser confundidas com a DPOC, mesmo após a realização de diversos exames e, por isso, muitas vezes são necessários exames posteriores para se ter certeza da condição. Esse processo é chamado de diagnóstico diferencial.

Algumas doenças que podem ser confundidas com DPOC são:

  • Asma;
  • Insuficiência cardíaca congestiva;
  • Bronquiectasia;
  • Tuberculose.
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Exames

Os exames que podem ajudar no diagnóstico da doença são:

Espirometria

Trata-se de um dos principais exames que auxiliam no diagnóstico. Sua função é medir o volume, fluxo e capacidade pulmonar. O exame consiste em inspirar profundamente e expirar, com o boca, o mais forte possível, em um tubo conectado a um aparelho chamado espirômetro.

Ao ser realizada a espirometria, calcula-se:

  • Capacidade Vital Forçada (CVF);
  • Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1).

Os resultados são expressados em porcentagem, de acordo com os valores normais referentes ao sexo, idade e altura do paciente. Assim, a espirometria ajuda a classificar o grau da DPOC em:

  • Grau 0 (Em risco) – Função pulmonar normal, apesar da tosse crônica e expectoração;
  • Grau I (DPOC leve) – Demonstra leve limitação do fluxo aéreo (com VEF1/CVF menor que 70%, porém com VEF1 maior que 80% do previsto). Geralmente apresenta tosse crônica e expectoração. Nesse estágio, o paciente pode não ter noção de que sua função pulmonar está prejudicada;
  • Grau II (DPOC moderada) – A limitação do fluxo aéreo se agrava (com VEF1 maior que 50% e menor que 80% do previsto), causando progressão dos sintomas, como a falta de ar. As exacerbações são, normalmente, notadas a partir desse estágio;
  • Grau III (DPOC grave) – Quando há grande limitação do fluxo aéreo (com VEF1 menor que 30% do previsto), ou a partir da presença de insuficiência respiratória, além de sintomas clínicos de falência ventricular direita. Assim, a qualidade de vida é bastante prejudicada, e as exacerbações podem configurar uma ameaça à vida.

Exames de imagem do tórax

O médico deve pedir radiografias convencionais ou tomografias computadorizadas da região do tórax. Esses exames podem mostrar sinais da DPOC ou de outras condições que podem estar causando os sintomas, sendo importante para se ter certeza de que não se trata de outra doença.

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Gasometria

Pode-se realizar exames de gasometria, como a oximetria, que mede a taxa de gás oxigênio no sangue. Tais testes podem mostrar as taxas dos gases e evidenciar um aumento do gás carbônico, um sinal que colabora com o diagnóstico.

Testes de laboratório

Em geral, não se usa testes de laboratório para diagnosticar a DPOC. Entretanto, em alguns casos, podem ser pedidos exames para ter certeza de que não se trata de outra condição. No caso de pacientes com histórico familiar de deficiência de alfa-1-antitripsina, exames laboratoriais são os responsáveis pelo diagnóstico correto da doença.

DPOC tem cura?

Infelizmente, a DPOC é uma doença que causa danos irreversíveis ao pulmão e, por isso, não tem cura. O tratamento busca aumentar a sobrevida dos pacientes, além de garantir qualidade de vida mesmo com os obstáculos proporcionados pela doença. Saiba mais:

Qual o tratamento?

Como a doença não tem cura, o tratamento do DPOC busca melhorar a qualidade de vida do paciente e ajudá-lo a vencer os obstáculos causados pela doença. Entenda:

Parar de fumar

O primeiro passo para os fumantes é parar de fumar. Existem diversos programas, públicos e privados, que buscam auxiliar na superação do vício. No mercado há, também, produtos que ajudam a parar: chicletes, pastilhas, adesivos, entre outros.

O acompanhamento médico nessa etapa é muito importante, e, dependendo do caso, alguns médicos podem indicar o uso de antidepressivos para auxiliar no processo.

Uso de broncodilatadores

Broncodilatadores são medicamentos que têm como objetivo relaxar os músculos em torno das vias aéreas, o que, por sua vez, ajuda a aliviar a tosse e a falta de ar, facilitando a respiração.

São medidas mais emergenciais, ou seja, servem para quando o paciente está passando por uma crise e não consegue respirar, pois tem efeito imediato de alívio.

Oxigenoterapia

Quando necessário, o paciente pode receber oxigenoterapia, que consiste na aplicação médica de oxigênio. Essa terapia impede a intoxicação por gás carbônico devido aos altos níveis do mesmo na corrente sanguínea.

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Fisioterapia de reabilitação respiratória

Por ter perdido grande parte da função pulmonar, pacientes podem necessitar de fisioterapia para um reabilitação respiratória.

Por conta dos danos irreversíveis, o paciente não irá recuperar a função respiratória completamente, mas a fisioterapia pode contribuir para que ele consiga tirar o máximo proveito da sua capacidade respiratória.

Suporte ventilatório mecânico

Máquinas como CPAP e BiPAP são alternativas para pessoas com insuficiência respiratória severa. Esses aparelhos “empurram” o ar para os pulmões, de modo que a respiração seja facilitada e a troca de gases, para a retirada do gás carbônico do sistema.

Vacinas

Os pacientes com DPOC têm maior facilidade de contrair infecções respiratórias e, por isso, é de extrema importância que sejam vacinados contra a gripe e a pneumonia com frequência, ou seja, anualmente. A contração de tais condições poderiam gerar, para o paciente, complicações graves.

Cirurgia redutora de volume

Em algumas pessoas, pode-se realizar a cirurgia redutora de volume. Tal procedimento consiste em remover as áreas mais afetadas do pulmão, o que auxilia na função das partes mais saudáveis.

Transplante de pulmão

Para um número muito pequeno de pessoas, o transplante de pulmão pode ser uma alternativa. Quando o paciente não melhora com nenhum dos tratamentos e há um pulmão compatível disponível, essa é uma opção a ser considerada.

Medicamentos para DPOC

O tratamento medicamentoso da DPOC depende da gravidade da doença e consiste em broncodilatadores, corticoides (por tempo limitado) e antibióticos durante os ataques agudos (exacerbações).

Os medicamentos podem ser orais, na forma de comprimidos ou cápsulas, ou inalatórios, como um pó seco.

Medicamentos controlados e de emergência

Para o tratamento da DPOC, existem dois tipos de medicamentos: os controlados e os de emergência.

Os medicamentos controlados devem ser tomados todos os dias e não promovem alívio imediato, sendo responsáveis pela manutenção da função respiratória a longo prazo. Já os medicamentos de emergência servem para crises (exacerbações), e desbloqueiam as vias respiratórias em cerca de um minuto.

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Não se deve abrir mão dos medicamentos controlados para tomar os de emergência somente quando necessário, pois isso pode acarretar em ainda mais danos ao sistema respiratório.

Broncodilatadores

Os broncodilatadores podem ser administrados através de inaladores, nebulizadores, nebulímetros (sprays ou “bombinhas”), turbohaler (tipo de bombinha em que se inala um pó seco) ou rotadisks (com formato de disco). Confira os principais:

  • Formoterol;
  • Brometo de Ipratrópio;
  • Brometo de Tiotrópio;
  • Salbutamol;
  • Sulfato de Terbutalina;
  • Fenoterol;
  • Salmeterol;
  • Maleato de Indacaterol.

Corticoides

Os corticoides servem para evitar o agravamento da DPOC. Contudo, eles podem ter efeitos colaterais graves, como ganho de peso, diabetes, osteoporose, cataratas e risco aumentado de infecção. O principal utilizado nos casos de DPOC é:

Broncodilatadores + Corticoides

Certos medicamentos apresentam as duas ações no organismo, como é o caso do Fumarato de formoterol + Budesonida.

Inibidores da fosfodiesterase 4

Esses medicamentos são um tipo anti-inflamatório usado para combater a inflamação dos pulmões e brônquios, reduzindo o número de crises. Seu uso deve ser complementar aos broncodilatadores e nunca deve ser utilizado de forma isolada. São exemplos:

  • Roflumilaste;
  • Cilomilaste.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo com a DPOC

Conviver com a DPOC pode parecer impossível, uma vez que a doença causa inúmeras limitações por falta de fôlego.

Entretanto, existem algumas medidas que podem ser tomadas para evitar que a doença se desenvolva mais rapidamente e diminuir o desconforto causado pelos sintomas. Saiba mais:

Mantenha-se ativo

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É importante não ficar inativo, pois isso pode prejudicar ainda mais sua função respiratória, além de facilmente desencadear distúrbios emocionais como a depressão. Algumas dicas são:

  • Pergunte ao fisioterapeuta o quanto pode caminhar por dia;
  • Aumente o tempo de caminhada pouco a pouco de tempos em tempos, de acordo com a sua capacidade respiratória;
  • Ao sentir falta de ar durante as caminhadas, não converse, pois o ato de falar utiliza mais ar;
  • Expire o ar lentamente pela boca ao caminhar, para que os pulmões estejam vazios quando for inspirar novamente;
  • Não faça exercícios que precisam de uma grande capacidade pulmonar para sua execução;
  • Faça exercícios simples e leves, pois desenvolver a força dos músculos ajuda na capacidade respiratória. Se necessário, consulte seu fisioterapeuta para definir uma rotina de exercícios físicos.

Adaptações na rotina

Para melhorar a qualidade de vida, podem ser necessárias algumas adaptações na rotina, em casa, no trabalho e onde mais for necessário. Confira:

  • Peça ajuda quando precisar, não desperdice o ar desnecessariamente;
  • Evite clima muito quente ou muito frio;
  • Evite conviver com fumantes;
  • Evite churrascos e outras festividades com alta concentração de fumaça;
  • Reduza a poluição do ar em casa, livrando-se de agentes irritantes;
  • Reorganize sua casa para que os ambientes e objetos essenciais sejam de fácil acesso;
  • Planeje seus dias melhor para ter certeza que tem bastante tempo para descansar e recuperar o ar quando necessário.

Respire ar limpo

Ao ter a capacidade respiratória reduzida, não é apenas a quantidade de ar que conta, mas também a qualidade do ar respirado. Por isso:

  • Se você fuma, procure ajuda profissional para parar de fumar;
  • Peça para que outras pessoas não fumem perto de você;
  • Evite a poluição do ar causada por carros;
  • Prefira sempre fazer as caminhadas em parques ou locais com ar limpo, nunca em ruas movimentadas onde passam muitos carros;
  • Se você mora em algum lugar movimentado, feche as janelas e utilize purificadores e umidificadores de ar para garantir a qualidade do ar dentro de casa;
  • Evite sair de casa quando está muito quente ou muito frio.

Coma bem

Uma alimentação adequada é imprescindível para lutar contra qualquer doença, porém pode trazer diversos benefícios aos pacientes com DPOC. Isso porque é a comida que dá a energia que movimenta os pulmões, além de que fatores como obesidade tornam a respiração mais difícil.

Algumas dicas para comer bem tendo DPOC incluem:

  • Coma refeições e lanches pequenos que garantem energia, porém não causam sensação de “estufamento”, pois refeições grandes prejudicam a respiração por um tempo;
  • Beba bastante água durante o dia, pois a ingestão de líquidos auxilia na dissolução e eliminação do muco (catarro);
  • Prefira proteínas saudáveis, como leite, queijo, ovos, carne, peixe e grãos;
  • Tenha preferência, também, por gorduras saudáveis, como óleo de oliva, canola, entre outros;
  • Limite a quantidade de doces, evite bolos, biscoitos e refrigerantes;
  • Se necessário, evite comidas que ajudam na produção de gases, como feijão, repolho e bebidas gaseificadas;
  • Caso você tenha excesso de peso, planeje, juntamente com um fisioterapeuta e nutricionista, uma rotina que ajude a perder peso.
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Durma bem

Dormir bem também é essencial para a manutenção da saúde. Entretanto, a DPOC pode apresentar diversos obstáculos nessa hora, pois provoca a falta de ar (apneia), além de que alguns medicamentos podem causar dificuldade para dormir ou até mesmo requerem doses noturnas.

Algumas dicas seguras para dormir melhor são:

  • Diga ao médico responsável que você tem problemas para dormir. Ele pode adaptar o tratamento para que você possa ter sono de melhor qualidade;
  • Antes de dormir, pratique alguma atividade relaxante, como tomar um banho morno ou ler um livro;
  • Deite-se para dormir no mesmo horário todos os dias;
  • Não utilize medicamentos livres de prescrição que ajudam a dormir, pois eles podem provocar reações adversas, interagir com outros medicamentos e até mesmo piorar a sua respiração.

Cuide da sua saúde mental

Doenças limitantes costumam ter um impacto, também, na saúde mental. Por isso, é importante que você:

  • Não se sinta culpado pela doença;
  • Fale sobre seus sentimentos;
  • Caso necessário, faça psicoterapia;
  • Junte-se a um grupo de apoio para pessoas com DPOC.

Saiba quando contactar o médico

É de extrema importância que você saiba quando deve ir ao médico com urgência. Isso inclui quando você:

  • Não consegue respirar fundo;
  • Precisa se inclinar para frente para respirar mais facilmente;
  • Precisa usar da força dos músculos e costelas para respirar;
  • Sente dores de cabeça com mais frequência;
  • Sente muita sonolência e confusão mental;
  • Tem febre;
  • Libera muco escuro ou em maior volume com a tosse;
  • Apresenta coloração azulada nas pontas dos dedos, lábios e pele ao redor das unhas;
  • Sente a respiração mais difícil e superficial, precisando respirar mais rápido.

Quais são as complicações?

Mesmo quando tratada, a DPOC pode causar diversas complicações que podem colocar a vida do paciente em risco. São elas:

Cor pulmonale

Por conta da doença pulmonar, pode haver a ocorrência de uma insuficiência cardíaca na qual as câmaras do lado direito do coração, o lado responsável por receber sangue venoso e bombeá-lo para os pulmões, estão prejudicadas.

Pneumonia

Por conta dos danos causados pela DPOC, o organismo fica mais suscetível à infecções como a pneumonia, que pode causar inflamações nos sacos de ar de um ou ambos os pulmões, além de deixá-los cheios de líquido.

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Pneumotórax

Também por causa dos danos causados pelo DPOC nos pulmões, pode haver acúmulo de ar na pleura, a membrana que cobre o pulmão, o que diminui a capacidade de expansão desse órgão.

Câncer de pulmão

Como a DPOC está relacionada ao tabagismo, pessoas que sofrem dessa doença também têm chances maiores de desenvolver câncer de pulmão, especialmente se o paciente não tiver parado de fumar.

Perda de peso e desnutrição

Quando há progressão da doença, muitos pacientes podem ter dificuldade em se alimentar, o que pode ter como consequência perda de peso e desnutrição.

Osteoporose

Quando o paciente tem de fazer o uso contínuo de corticoides para controlar os processos inflamatórios e imunológicos, pode ter como consequência o desenvolvimento da osteoporose.

Debilitação

A debilitação pode ser caracterizada pelo enfraquecimento físico e abatimento. Ela costuma acontecer por conta da falta de ar.

Depressão

A debilitação causada pela DPOC pode fazer com que o paciente fique privado de realizar atividades que antes lhe davam prazer, o que aumenta as chances do paciente desenvolver depressão.

Por isso, é importante que o tratamento seja feito em conjunto com algum profissional da saúde mental, psicólogo ou psiquiatra, para prevenir que a depressão seja uma complicação possível.

Como prevenir?

A melhor maneira de prevenir a doença pulmonar obstrutiva crônica é não fumar, ou parar de fumar o quanto antes.

Além disso, pessoas que trabalham em locais onde há muita poluição no ar devem estar atentas à quantidade de poluição inalada e, se necessário, trocar de profissão para manter a integridade física.


A DPOC vem se tornando cada vez maior no mundo. Por isso, é importante que mais pessoas tenham conhecimento dessa doença e saibam como se prevenir.

Compartilhe esse texto com seus amigos e ajude-os em decisões importantes como parar de fumar. Se tiver qualquer dúvida, entre em contato que responderemos!

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 14/11/2018

Fontes consultadas

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14 Comentários

Atenção: os comentários abaixo são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

  1. Foi muito importante para mim meu marido foi diagnosticado com DPOC e estou muito preocupada vou seguir todas as recomendações obrigado

  2. Tenho dpoc a 9 anos; parei de fumar a 9 anos, sinto muito mal estar, meu médico me falou que a doença estaciona quando deixamos de fumar , quase não leio isso nos sites que falam sobre a doença.

  3. nossa tenho isso hoje to mal parece que vai morrer resistência cai pelo antibiótico porque esse inferno vive dando infecção mudança de tempo significa nova batalha contra internação e morte to cansada .e pior estrema falta de grana porque voce mal fica em pé melhor morre.

  4. É verdade essa doença,achava eu que sentia fatiga respiratória atoa mais acredito que as faltas de ar constante que sinto tem que ser investigada,vou fazer isso é procurar um medico e começa e a fazer o meus tratamentos respiratório.

  5. Uma pena não incluir o profissional de Educação Física no tratamento dessa doença. Após passar por um fisioterapeuta a responsabilidade da prescrição dos exercícios é do profissional de Educação Física.

  6. Fiquei esclarecido!. agradeço encarecidamente por tudo.!!.toda essa vossa explicação !! tenho que mentalizar… que não tem cura. fico bastante triste..visto já ter 74 anos, e nunca esperei ter este fim !!??..DESESPERO CONSTANTE..abraço amigo.

  7. Não é só o cigarro; também contribui o seu carro., ônibus, aviões, navios,fábricas, alimentos cheios de venenos de tudo quanto é tipo, falta de dinheiro, empregos ridículos, governos medíocres, falta de lazer, falta de informações verdadeiras, total falta de respeito pelas pessoas,hospitais e postos de saúde abarrotados de doenças ETC!!!!!!!

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