Segundo o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), da Universidade de São Paulo, em cerca de 650 nascimentos realizados uma criança é diagnosticada com fenda palatina.

Essa condição é decorrente da má formação, quando o bebê está ainda no útero. Por meio da ultrassonografia é possível ver uma fissura no lábio do bebê,  é comum de aparecer mais em meninos do que em meninas e suas causas são multifatoriais.

Por mais que a fenda palatina cause preocupações nas futuras mães, essa condição possui tratamento. Conheça melhor sobre a fenda palatina:

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é fenda palatina?
  2. Tipos de fenda palatina
  3. Qual a diferença entre lábio leporino e fenda palatina?
  4. Fissura labial é igual fenda palatina?
  5. O que causa a fenda palatina?
  6. Quais são os fatores de risco para fenda palatina?
  7. Sintomas
  8. Diagnóstico
  9. Fenda palatina é grave?
  10. Cuidados com o bebê com fenda palatina
  11. Tem cura?
  12. Qual o tratamento?
  13. Cirurgias para a fenda palatina
  14. Onde fazer a cirurgia?
  15. Convivendo
  16. Prognóstico
  17. Complicações
  18. Como prevenir a fenda palatina?
  19. Fotos
  20. Perguntas frequentes

O que é fenda palatina?

A fenda palatina consiste em uma malformação facial, que surge antes do nascimento do bebê. Uma em cada 650 crianças nasce com a alteração.

Nesses casos, o bebê nasce com o céu da boca aberto, com uma espécie de fenda, e também falta um pedacinho na região dos lábios da criança.

Ela ocorre quando não houve tecido suficiente no desenvolvimento da região da face, o que pode dificultar a alimentação do bebê e exige cuidados.

Existem diferentes tipos de fenda palatina, como a fissura palatina bilateral, unilateral, labial e palatal, que podem ser:


  • Uma divisão que atinge o céu da boca (palato) e no lábio, em que pode afetar um ou os dois lado do rosto do bebê;
  • Uma pequena divisão no lábio, mas que se pode se estender até a gengiva, passando no palato (céu da boca) e também atinge a base do nariz;
  • Uma divisão apenas no céu da boca, que não chega aos lábios  e que não afeta a aparência do rosto.

Pode ocorrer da fenda palatina não atingir o lábio, nem gengiva ou nariz, passando despercebida pela mãe e pelo médico. Em que os músculos da boca conseguem esconder a fenda, não sendo diagnosticada logo no procedimento de ultrassonografia ou nascimento.

Sua causa intriga os especialistas, pois ainda não há um motivo exato, mas sim fatores que somados resultam na malformação. Entre eles estão: questão genética, uso de álcool e cigarro durante a gravidez, histórico de diabetes, uso de certos medicamentos, falta de ácido fólico ou contato com radiação.

Se não tratada, a fenda palatina, independente do tipo, pode dificultar a vida da criança durante seu crescimento, provocando dificuldade na hora de mamar e engolir, tanto sólidos quanto líquido, infecção do ouvido constantemente, voz anasalada, entre outros.

Por isso, além da questão estética, há também a nutricional, respiratória, dentária e emocional, exigindo um tratamento multidisciplinar, que envolve a realização da cirurgia de correção.

Após realizado o procedimento, são necessários cuidados para a readequação do paciente..

É possível encontrar a fenda palatina na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID 10), pelos códigos:

  • Q37 – Fenda labial com fenda palatina;
  • Q37.0 – Fenda do palato duro com fenda labial bilateral;
  • Q37.1 – Fenda do palato duro com fenda labial unilateral;
  • Q37.2 – Fenda do palato mole com fenda labial bilateral;
  • Q37.3 – Fenda do palato mole com fenda labial unilateral;
  • Q37.4 – Fenda dos palatos duro e mole com fenda labial bilateral;
  • Q37.5 – Fenda dos palatos duro e mole com fenda labial unilateral;
  • Q37.8 – Fenda do palato com fenda labial bilateral, não especificada;
  • Q37.9 – Fenda do palato com fenda unilateral, não especificada.

Quais os tipos de fenda palatina?

A fenda palatina surge no céu da boca da criança, como uma espécie de abertura. Ela pode aparecer sozinha ou em conjunto de outra malformação facial, como uma fissura nos lábios do lado direito ou esquerdo, e possui tipos mais leves até mais graves. Dependendo do local em que se encontra e do tamanho, ela recebe uma classificação:

Fissura lábio palatina bilateral

Nesse tipo de caso a fissura ocorre nos dois lados do lábio e também no palato (céu da boca). Em geral, cada abertura pode ocorrer logo abaixo das aberturas da narina.

Fissura lábio palatina unilateral

A fissura surge de apenas um lado do lábio e atinge o palato (céu da boca). Ou seja, há uma única abertura no lábio.

Fissura labial

Atinge apenas o lábio, independente de que lado, esquerdo ou direito e não chega ao palato (céu da boca)

Fissura palatal

Nesse caso, atinge apenas o céu da boca, conhecido como palato. O lábio ou estrutura externa se forma adequadamente.

Qual a diferença entre lábio leporino e fenda palatina?

A diferença é que o lábio leporino é uma abertura que atinge os lábios e, em alguns casos, pode chegar até ao nariz. Já a fenda palatina consiste na má formação do céu da boca (palato), em que se desenvolve uma espécie de fenda nesse local. Essa fenda pode variar de grau, sendo maior ou menor, assim como o lábio leporino.

Fissura labial é igual fenda palatina?

Mais ou menos, a fissura labial e a fenda palatina são termos que especificam a fissura labiopalatina. Apesar de serem usadas, muitas vezes, igualmente para denominar a condição, algumas pessoas chamam de fissura labial apenas os casos em que o lábio, externamente, apresenta a malformação.

Assim, a fenda palatina pode ser usada para denominar os quadros em que a malformação ocorre no céu da boca.

O que causa a fenda palatina?

A fenda palatina é causada quando os tecidos no rosto e na boca do bebê não se desenvolvem de forma adequada, durante o período de gestação. Geralmente, os tecidos faciais se formam no 2º e 3º mês de gravidez.

No caso de crianças diagnosticadas com fenda palatina, esse desenvolvimento não ocorre adequadamente, deixando uma abertura que atinge o céu da boca.

Em alguns casos ainda não é possível definir a causa exata desta condição, mas pesquisadores acreditam que ela pode ocorrer devido a vários fatores, tanto genéticos como ambientais:

Causas genéticas

Ainda não foi descoberto quais os fatores genéticos que determinam ou predispõem s fenda palatina, mas pesquisas observam que ter histórico familiar da condição é um fator de risco.

Causas ambientais

Ingestão de álcool durante a gravidez, fumar, consumir remédios, como anticonvulsivantes, e fatores ambientais ainda desconhecidos pela comunidade médica podem facilitar ou desencadear a malformação em pessoas predispostas.

Quais são os fatores de risco para fenda palatina?

A fenda palatina surge no período de gestação da mulher, os seguintes fatores podem influenciar no surgimento deste problema:

  • Ter casos na família;
  • Gestantes em idade avançada;
  • Infecções durante a gestação;
  • Uso de álcool e cigarro durante a gravidez;
  • Mães com histórico de diabetes;
  • Mulheres com obesidade;
  • Uso de certos medicamentos, como corticoides e anticonvulsivantes;
  • Falta de ácido fólico durante a gravidez;
  • Contato com radiação.

Sintomas e aspectos

A abertura no lábio ou céu da boca (palato) pode ocasionar algumas situações e provocar alterações na vida e saúde das crianças, como:

Dificuldade na alimentação

A abertura do palato ou do lábio, mesmo que pequena, pode ocasionar a dificuldade na criança quando for hora de amamentar, comer sólidos ou ingerir líquidos.

Devido à boca não poder se fechar completamente, pode acontecer que o leite “vaze”, dificultando ou impedindo a alimentação.

Infecção do ouvido constantemente

Quando há uma fissura labiopalatina, ela causa um problema no céu da boca (palato) que reflete na tuba, parte da estrutura do ouvido.

A tuba acaba não conseguindo funcionar corretamente, alterando a quantidade de ar que passa pelo ouvido e a pressão, causando o acúmulo de líquido e provocando uma inflamação. Bebês e crianças com fenda palatina costumam queixar-se constantemente de dor de ouvido.

Leia mais: Infecções na infância podem aumentar o risco de transtornos mentais

Alteração na voz e fala

Os bebês e crianças que possuem fenda palatina costumam ter a voz “anasalada” ou fanhosa. Isso ocorre devido à fenda fazer com que haja uma fraca pressão intraoral, que perde ar pelo nariz. Esse desajuste faz com que, ao falar, o som saia pelo nariz, alterando o timbre.

Além de alterar o som, a fenda palatina pode influenciar na fala fazendo com que a criança pronuncie palavras de forma errada. Nesses casos o acompanhamento de um fonoaudiólogo pode auxiliar a resolver o problema.

Problemas respiratórios

As fissuras labiopalatinas podem causar problemas respiratórios devido à proximidade com a via nasal, podendo influenciar nas atividades respiratórias.

Problemas auditivos

A fenda palatina pode influenciar no funcionamento da tuba auditiva, por estar interligada ao maxilar e ao nariz. O que pode ocorrer é de haja uma ventilação insuficiente até a orelha, o que faz com que a criança não consiga ouvir direito, causando problemas na audição.

Dificuldades sociais

Conforme a criança for crescendo e adquirindo idade, as fissuras labiopalatinas podem afetar na convivência social. Isso pode levar à vergonha, baixa autoestima e danos ao emocional do paciente.

Diagnóstico

Os casos de fenda palatina podem ser diagnosticados no nascimento e não precisam de um exame específico, pois o caso é bem característico.

Mas, antes mesmo do nascimento, já é possível detectar a má formação por meio de uma ultrassonografia.

Ultrassonografia

A ultrassonografia consiste no exame em que um gel é passado na região que será feita o exame, em seguida, um aparelho é passado por cima da região com o gel em que ondas sonoras são emitidas e transmitidas para um computador, que as transforma em imagens.

Esse tipo de ultrassonografia é realizado para verificar se o bebê está se desenvolvendo corretamente no útero da mãe. Com ele, é possível saber se há um caso de fenda palatina antes do nascimento da criança.

Ela pode ser identificada, pelo exame, a partir da 14ª semana de gestação e também no momento do parto. Geralmente ela aparece como:

Fenda palatina é grave?

Sim, a fenda palatina é grave pois causa dificuldades desde a alimentação, respiração e fala da criança.

Por isso, logo que for descoberta, seja antes do parto, pelo ultrassom, ou no momento do parto, é preciso conversar com o médico obstetra que pode indicar qual o procedimento seguinte.

Cuidados com o bebê com fenda palatina

Alguns cuidados precisam ser tomados em relação ao bebê, quando há o diagnóstico de fissura labiopalatina.

Pode haver episódios de dificuldade de sucção (no caso de amamentação), escape nasal, vômitos em excesso, engasgamento e ingestão insuficiente de alimentos.

A fenda palatina envolve mais que fatores estéticos, mas também fatores funcionais e sociais, por isso, alguns dos cuidados a serem tomados são:

Alimentação

No momento de amamentar, tentar sempre ficar em uma posição que ajude o bebê a sugar o leite. O ideal é estar semi-sentada, de modo que o seio preencha toda a boca do bebê, além da fenda.

Se não for possível amamentar pelo seio, pode utilizar mamadeiras especiais e até bicos que podem ser colocados no seio ou adaptados na mamadeira para facilitar a amamentação.

Leia mais: Alimentação na infância: o que saber

Higiene bucal

É necessário realizar diariamente a limpeza bucal, para remover restos de alimentos nas gengivas, bochechas e língua.

Para isso é possível utilizar hastes flexíveis de algodão, dedeiras especiais para limpeza, gaze embebida de água fervida ou em soro fisiológico, sempre de acordo com o médico.

Esse cuidado evita problemas e mantém a região bucal saudável.

Tem cura?

Sim, a cura para a fenda palatina consiste na realização de uma cirurgia corretiva. Como a malformação pode provocar diferentes alterações no paciente, o tratamento precisa ser realizado em uma abordagem multidisciplinar, ou seja, com a participação de especialistas de diferentes áreas.

Entre elas, os de cirurgia plástica para corrigir a fenda, otorrinolaringologia para avaliar se a respiração funciona normalmente, odontologia para a formação correta da arcada dentária e fonoaudiologia para os processos de fala.

Qual o tratamento?

O tratamento exige uma abordagem multidisciplinar, com foco no objetivo de reabilitar o paciente de forma morfológica, funcional e psicossocial. Os tratamentos são:

Ortopedia pré-cirúrgica

A cirurgia de correção da fenda palatina depende da idade do paciente para ser realizada e, enquanto não se pode realizá-la, outras alternativas são adotadas, como a ortopedia pré-cirúrgica.

Nesse caso, são utilizadas placas moldadas, que mobilizam os ossos palatinos em uma posição melhor, conforme o desenvolvimento da criança. Esse alinhamento promovido pelas placas acaba facilitando a sucção e alimentação da criança.

Cirurgia

As cirurgias de fissura labial podem ser realizadas em média aos 3 meses de idade, enquanto as fissuras do palato só aos 12 meses.

Podem ser feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por hospitais particulares.

Primeiramente são realizadas as chamadas “correções primárias”, em que os tecidos moles são manipulados junto ao músculo e pele, não afetando diretamente os ossos.

Conforme o paciente cresce, as cirurgias secundárias são indicadas para que retoques labiais e correções nasais sejam realizadas.

O processo cirúrgico pode começar aos 3 meses e durar até a fase adulta, até que haja uma estabilização do problema, em que as funções faciais e bucais estejam funcionando em harmonia e saudáveis.

Todo paciente de fissura labiopalatina precisa estar ciente de que, às vezes, é necessário mais de uma cirurgia, para o fechamento da malformação.

O tratamento pode ser finalizado quando o paciente atingir a maioridade (18 anos), devido à formação e desenvolvimento da face se estabilizar. Mas isso não significa que mesmo estando adulto não será feito qualquer outro tipo de tratamento, até mesmo cirúrgico, pois tudo depende de cada caso.

Visitas frequentes ao dentista

A fenda palatina pode provocar problemas nos dentes ainda na fase de crescimento das crianças, o que acaba influenciando no tamanho, formato e posicionamento deles.

Alguns dentes podem não conseguir desenvolver-se da melhor maneira e ocasionar problemas dentários, por isso o acompanhamento com o dentista é fundamental para que o profissional consiga acompanhar a evolução dentária da criança e possa auxiliar na qualidade de vida.

Em algumas malformações pode ser que o paciente precise utilizar o aparelho ortodôntico, para que a região crânio facial e oclusão dos dentes funcione de forma natural.

Fonoaudiologia

O tratamento com fonoaudiologia auxilia desde o período de amamentação, em que o especialista pode ensinar a maneira correta de amamentar o bebê até conforme ele for se desenvolvendo, orientando em outras técnicas.

Entre elas, mexer os músculos da face, estimular a linguagem da forma correta, introduzir exercícios de sopro e respiração, tudo com o objetivo de evitar problemas musculares e desenvolver um bom padrão de fala na criança.

A terapia com fonoaudiólogo deve ocorrer após a realização de cirurgia, mais ou menos depois de um mês, até que a cicatrização do palato esteja boa.

Se a criança apresentar problemas na fala após a cirurgia, é esse o momento para que sejam realizados exercícios que estimulem a pressão da boca.

Assim, a articulação correta do som vai retirando a voz nasalada ou fanhosa e auxiliando na fala de modo correto.

Terapia psicológica

Conforme a criança vai crescendo e o organismo se desenvolve, podem surgir alguns problemas como a aceitação da aparência dependendo do tipo de cirurgia (se deixou marcas, por exemplo).

Problemas na fala podem resultar em atitudes associadas ao bullying por colegas de classe, e isso pode mexer com a autoestima da criança.

Por isso, é importante que os pacientes sejam acompanhados por psicólogos desde a infância.

Cirurgias para a fenda palatina

Entre as possibilidades de cirurgia existem:

Reconstrução da cinta muscular do véu palatino

Neste tipo de cirurgia é feita uma reposição da musculatura, realizando um fechamento no palato (céu da boca), de maneira que haja um desenvolvimento bom na fala da criança.

Também são reconstruídos o assoalho nasal e a mucosa, para que o desenvolvimento entre a boca e nariz não sofra nenhum trauma e ocorra normalmente após cirurgia.

Re-palatoplastia e esfincteroplastia

Essas duas cirurgias têm como objetivo reposicionar a fenda palatina.

A re-palatoplastia visa corrigir e realizar a re-junção palatina, no céu da boca. Já na esfincteroplastia são alterados os músculos da faringe, que são cortados lateralmente e aproximados para resolver o problema.

Retalho faríngeo

Primeiro é realizado um corte na faringe posterior (parte da garganta), como forma de obter tecido. Em seguida, esse tecido é cortado e então suturado (costurado) na região posterior do palato (céu da boca).

Onde fazer a cirurgia?

Para quem não possui recursos para financiar uma cirurgia, mas deseja fazer a correção da fenda palatina felizmente pode contar com o atendimento e cirurgia no Sistema Único de Saúde (SUS) ou em ONG’s que ajudam a realizar a intervenção cirúrgica.

Visando oferecer uma melhor qualidade de vida e saúde, ONG’s como Smile Train e  Operação Sorriso oferece gratuitamente a cirurgia corretiva para quem necessita.

Convivendo

Com alguns cuidados, é possível manter a boa qualidade de vida. Para isso são recomendados:

Uso de bicos e mamadeiras especiais

Assim que a criança nasce e recebe o diagnóstico, pode ser necessária a utilização de bicos e mamadeiras especiais para que ela consiga se alimentar de forma correta.

Consultas frequentes ao dentista

Conforme o bebê vai crescendo, começam a nascer os dentes. Como a fenda palatina pode ocasionar desvios e problemas no tamanho dos dentes, é recomendável consultar o profissional frequentemente.

Assim, é possível  acompanhar o desenvolvimento da arcada dentária, prevenir problemas e outras doenças da região bucal.

Apoio emocional

A fenda palatina envolve não só fatores dentários, respiratórios e nutricionais, mas pode gerar problemas emocionais, sociabilidade e estéticos.

Por isso, ter um apoio emocional é necessário, pode ser da família, amigos ou de um profissional, como o psicólogo. É importante trabalhar a confiança, dependendo do caso para que o paciente conviva bem e com autoestima.

Prognóstico

A fenda palatina é uma doença que pode ser curada, mas para isso exige um tratamento a longo prazo. Desde o nascimento até os 18 anos de idade, que é quando os ossos da região da face se solidificam.

Até chegar a essa idade, é necessário realizar uma abordagem que leve em conta a alimentação, frequência de visitas ao dentista, exercícios com fonoaudiólogo e consulta de rotina para avaliar o estado do paciente.

O apoio da família também é um fator importante, para auxiliar e dar força durante o tratamento até o fim dele.

Complicações

O paciente que possui a fenda labiopalatal, e que não é tratado, pode desenvolver não apenas a alteração estética, mas também complicações que vão prejudicar a nutrição, desenvolvimento e crescimento da criança. Se não tratada a fenda labiopalatal pode gerar:

Problemas de fala e audição

A fissura labiopalatina, se não for tratada, pode afetar a audição causando dores de ouvido constantes e prejudicando as atividades deste órgão. Além de poder prejudicar também a fala, devido à criança não conseguir pronunciar as palavras da maneira correta por causa da fissura.

Desnutrição

A fenda palatina pode ter impacto na correta alimentação do bebê ou criança. Se as devidas precauções e cuidados não forem adotados, pode haver desnutrição, anemia e comprometimento do desenvolvimento.

Problemas emocionais, socialização e autoestima baixa

Os danos psicológicos devido à malformação têm alto impacto no desenvolvimento da criança.

Mesmo quando a condição é tratada cirurgicamente, a infância pode, muitas vezes, ser marcada pelo isolamento ou dificuldades de aprendizado e socialização, que tendem a refletir por toda a vida.

Como prevenir a fenda palatina?

Como esta malformação tem influência genética, nem sempre há uma forma de prevenção. Mas uma possibilidade é evitar os fatores de risco, que pode facilitar a malformação:

  • Não consumir álcool e cigarro na gestação;
  • Realizar o pré-natal indicado pelo obstetra;
  • Consultas frequentes com o médico para avaliações de saúde;
  • Realização de ultrassonografia.

Uso de ácido fólico

Se o obstetra julgar necessário, pode ser importante o uso do ácido fólico para a gestante.

Este medicamento atua na diminuição de risco das lesões no feto e do desenvolvimento de doenças como a fenda palatina e o lábio leporino. Além disso, também ajuda na formação da placenta e no desenvolvimento do DNA da criança.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Fotos

Fenda labial
Fenda que se estende ao palato

Perguntas frequentes

Com quanto tempo depois de nascido posso operar meu filho?

O aconselhável é realizar a cirurgia do lábio, com intervenção na deformidade do nariz, entre 3 a 6 meses de vida. Já a cirurgia para correção do palato pode ser feita antes dos 2 anos de idade — em torno de 1 e meio já pode se realizar.

Meu filho tem fenda palatina. Ele pode mamar no peito?

Sim! O bebê pode e deve mamar no peito normalmente, o que pode ocorrer é uma pequena dificuldade no início.

Para isso a mãe deve se colocar em uma posição mais vertical ou semi-sentada, para que consiga tampar a fenda labial com o seio. Dessa maneira, a criança consegue realizar a pressão que facilita a saída do leite.

Quando há malformação labial ou do palato, alguns cuidados devem ser tomados na hora da alimentação — seja ela sólida ou líquida, incluindo o mamar.

Se mesmo assim a criança não conseguir mamar, o leite deve ser retirado e dado ao bebê em uma mamadeira com bico especial ou seringa. Mas o ideal é insistir no peito materno.


A fenda palatina é uma condição que gera preocupação, mas pode ser curada por meio de uma cirurgia.

Você conhece alguém que possua fenda palatina? Compartilhe esse artigo, ele pode ser útil para o paciente e para mães que receberam o diagnóstico em seus bebês.

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 29/03/2019

Fontes consultadas


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3 comentários

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  1. Boa tarde,
    Eu me chamo Francisco tenho 44 anos e gostaria de compartilhar um pouco do meu “problema”. Eu tenho Fenda Palatina e desde quando eu tenho lembrança da minha infância eu sofri muito com esse defeito no céu da boca. Lembro que toda fase que estudei eu sofri muito com pessoas dando risada de mim, era um pesadelo retornar à escola. Também no bairro que eu morava na época as pessoas tanto adulta, quanto aqueles que diziam ser meus amigos, botavam apelidos em mim, eram varios que me dá nervoso só de pensar. Deixei de conquistar muitas coisas em minha vida como: fazer amizades, de me relacionar, trabalho, estudar nas melhores escolas, de buscar aquilo que eu mais gostava, como catar por exemplo. Já no ensino fundamental, a professora pedia para cada aluno ler uma parte do livro ou cantar o hino nacional ou algo parecido, já perto de chegar a minha vez de ler ou cantar, 5 alunos antes, por exemplo, eu estava suando frio, tremendo com um certo medo que não dá pra descrever, as vistas ficavam turvas, a minha voz fanha sumia, em fim de muitas sensações ruins, como tira a minha própria vida, confesso, eu me sentia como um animal encurralado no canto de uma parede, ou com a impressão de que a sala de aula estivesse vários gigantes a ponto de me pisotear e de me esmagar ou comer-me vivo. Hoje, eu estou terminando a minha faculdade, porém o medo de ir na frente apresentar algum trabalho, ainda me persegue. É como eu escutasse aquelas vozes que riam de mim. Tenho medo de falar em público, tenho complexo. Meus pais tiveram a oportunidade de fazer a cirurgia quando eu era pequeno, porém no tempo da ignorância deles, ficaram com medo de que eu pudesse ficar sem falar. confesso a vocês que eu culpava eles por ter nascido assim. Graças a Deus eu superei esse sentimento e perdoei os meus pais que eu amo muito. Durante esses anos eu tive que me adaptar muito para amenizar as risadas em relação ao meu “problema”. Porém tive e tenho muitos amigos que nunca falaram e se referiram à minha deficiência. Sou divorciado e nessa vida tive duas filhas que eu amo muito, são elas que me fazem seguir quebrando barreiras do medo, da vergonha, da complexidade. Oito anos atrás eu comecei a ler mais sobre a fenda palatina, as causas, o tratamento etc. Gostaria de saber se tem tratamento da Fenda Palatina em pessoas adulta, ou vou ter que aceitar a viver com este “defeito” pro resto da minha vida?

    1. Olá, Francisco!

      Felizmente, a fenda palatina tem cura, mas o tratamento e chances de sucesso sempre variam de caso a caso. Converse com seu médico de confiança. Ele vai saber te orientar para qual profissional procurar.

    2. Parabéns por n desistir… imagino o tamanho da sua dor. Meu filho nasceu recentemente cm esse “problema” me emocionei cm sua história
      Doi só de imaginar alguém fazendo esse tipo de coisa cm ele.

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