11 dicas para prevenir o câncer e combater os fatores de risco

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Revisado por: Dr. Elio Tanaka (CRM/PR 6842) – Oncologista

Já diz o velho ditado: prevenir é o melhor remédio. E quando falamos em câncer, a premissa é verdadeira em muitos casos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que somente em 2018 a doença será responsável por cerca de 9,6 milhões de óbitos. As pesquisas recentes ainda indicam que aproximadamente um terço das mortes por câncer são provocadas por maus hábitos alimentares e comportamentais.

Isso quer dizer que existem fatores de risco modificáveis, ou seja, que podem ser combatidos a fim de diminuir as chances do surgimento de um tumor maligno. Esta lista inclui sedentarismo, dieta pouco saudável e outros hábitos muitas vezes relacionados a centenas de outras doenças — quando associados, os fatores aumentam ainda mais os riscos de câncer.

É fato que também existem aqueles fatores dos quais não temos controle, como idade e histórico familiar. Esses são considerados não modificáveis. Mas a boa notícia é que, segundo a OMS, 30% a 50% dos cânceres podem ser prevenidos.

Confira então dicas que podem te ajudar a prevenir diversos tipos de câncer:

Não fume e fique longe da fumaça do cigarro

O tabagismo é o maior fator de risco do câncer, sendo responsável por 22% das mortes pela patologia. Isso é o que diz um estudo de 2015 do Global Burden of Disease (Carga Global de Doenças, em tradução livre), um programa que reúne estatísticas mundiais sobre prevalência, fatores de risco e danos provocados por doenças.

O hábito de fumar regularmente ainda traz mais um número alarmante: está relacionado a pelo menos 12 tipos de câncer, além de várias outras doenças. Esses danos são provocados pelas milhares de substâncias tóxicas presentes no cigarro.

Fumantes têm 20 vezes mais chances de ter câncer de pulmão. Ao largarem o vício, os números vão diminuindo.

De acordo com a Divisão de Controle ao Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer, para alguém que está há 10 anos sem fumar, o risco de neoplasia no pulmão é aproximadamente 50% menor se comparado ao de uma pessoa que ainda fuma.

Entre os outros órgãos e áreas que podem ser afetados pelo tumor, estão: boca, laringe, faringe, estômago, esôfago, pâncreas, rim, fígado e bexiga. O tabagismo ainda pode aumentar o risco de câncer do colo do útero em mulheres infectadas pelo HPV, além de algumas leucemias.

As complicações também atingem os fumantes passivos, pois o ato de inalar a fumaça do cigarro alheio os expõe às mesmas doenças. Então, que tal parar de fumar agora mesmo?

Leia mais: Como e por que parar de fumar?

Controle seu peso

A obesidade é o segundo principal fator de risco para o câncer. Ter um peso saudável pode ajudar a prevenir tumores no esôfago, estômago, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama (mulheres na pós-menopausa e homens), ovário, endométrio, tireoide e próstata.

Quando há excesso de gordura no corpo, acontece um processo inflamatório que aumenta a produção de hormônios capazes de danificar as células. Esse efeito pode acabar provocando ou acelerando o surgimento do tumor.

Então, quer diminuir efetivamente as chances de ter câncer? Fique de olho na balança, mais precisamente no seu Índice de Massa Corporal (IMC). Essa é uma medida padrão, utilizada para classificar se o peso de uma pessoa está acima ou abaixo do recomendado para sua altura.

Considerando o IMC, uma pessoa pode ser classificada com sobrepeso ao apresentar valores entre 25 e 29. Já a obesidade é definida quando o cálculo revela números a partir de 30. Consulte um endocrinologista para te ajudar nessa avaliação!

Leia mais: Como emagrecer com saúde: dieta, exercícios, remédios, cardápio

Siga uma dieta equilibrada

Aquela famosa expressão “você é o que você come” nunca fez tanto sentido. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a alimentação e nutrição inadequadas estão na lista das principais causas de câncer que podem ser prevenidas.

Os alimentos são importantes para a obtenção de muitos dos nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo. Isso já é um ótimo motivo para seguir uma dieta balanceada — que prevê um cardápio rico em frutas, verduras, legumes e cereais, bem longe dos alimentos ultraprocessados.

Na prevenção do câncer, esse equilíbrio se torna ainda mais fundamental. A alta ingestão de carne vermelha e carne processada, por exemplo, estão associadas ao aumento das chances de câncer colorretal em 28% a 35% e 20% a 49%, respectivamente.

Outros estudos sugerem que os homens que consomem grandes quantidades de cálcio (através de alimentos ou suplementos) podem ter um risco maior de desenvolver câncer de próstata.

Pratique exercícios físicos

A relação entre os exercícios físicos e o câncer, em alguns casos, é um pouco mais indireta. Ser uma pessoa ativa pode ajudar a eliminar um dos fatores-chave para o surgimento de um tumor: a obesidade.

É claro que fugir do sedentarismo traz inúmeros benefícios já reconhecidos para a saúde. E quando associamos essa prática ao controle do peso — juntamente com uma dieta saudável —, fica mais evidente sua contribuição na prevenção do câncer.

Mas nunca é exagero lembrar. Além de atuar na manutenção do peso ideal, a atividade física ajuda a manter o organismo em equilíbrio ao regular os hormônios, favorece o bom funcionamento do intestino e fortalece as defesas do corpo. Todos estes benefícios também contribuem para manter o organismo protegido do câncer.

O segredo aqui não está na intensidade ou na quantidade de tempo, mas sim na regularidade. Portanto, fazer uma atividade de poucos minutos diariamente pode trazer os mesmos resultados positivos para sua saúde do que passar horas na academia.

Leia mais: Exercícios para perder barriga: como fazer, aeróbicos e abdominais

Não abuse do álcool

No caso do álcool, existe uma relação de proporção bastante simples: quanto menos álcool você bebe, menor é o risco de câncer.

De acordo com o INCA, o etanol é fator de risco para os cânceres de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, intestino (cólon e reto) e mama (pré e pós-menopausa). Uma pesquisa recente publicada na Nature (revista científica britânica) ainda revelou o motivo desse risco aumentado: o álcool em excesso danifica células-tronco do sangue, o que favorece o desenvolvimento de tumores.

É importante saber também que não há distinção entre o tipo de bebida. Portanto, seja destilada ou fermentada, o risco é o mesmo.

Leia mais: Alcoolismo: o que é, sintomas, tratamento, medicamentos, tem cura?

Vacine-se

Se engana quem pensa que as vacinas só servem para nos proteger de certas doenças infecciosas. A contaminação pelo vírus do HPV (infecção sexualmente transmissível ou IST), especificamente, pode provocar alguns tipos de câncer. Nesse caso, a vacina é a melhor prevenção.

Leia mais: Vacina HPV: para que serve, idade, doses, preço, efeitos colaterais

Quando se fala no câncer de colo do útero — o quarto mais comum entre as mulheres —, mais de 95% dos casos estão ligados ao HPV. Mulheres vacinadas contra esse vírus também ficam mais protegidas dos cânceres vaginal, anal e de vulva.

Por outro lado, homens também devem se vacinar para se protegerem de outros tipos de câncer relacionados ao HPV: pênis, garganta e ânus.

Mas é preciso destacar que nem toda pessoa infectada pelo vírus terá um tumor maligno, pois ele costuma se apresentar como uma complicação da IST.

Outra doença que pode ser evitada por meio de vacina é o câncer de fígado, que está associado com a hepatite B.

Pratique sexo seguro

A importância do uso de preservativo no combate às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) já é bastante esclarecida. Mas, o que talvez pouca gente saiba, é que o sexo protegido é capaz de prevenir certos tipos de câncer. Isso porque alguns dos vírus transmitidos pelo contato sexual têm potencial carcinogênico.

Nesta lista estão o HPV (cânceres de colo do útero, vulva, vaginal, anal, pênis e garganta); HTLV (leucemias e linfoma de linfócitos T); vírus Epstein-Barr (câncer de nariz e garganta); e vírus da hepatite B (câncer de fígado).

Em pessoas com AIDS, a infecção pelo HIV associada a outros tipos de vírus pode provocar sarcoma de Kaposi (câncer nos vasos sanguíneos), além dos cânceres de língua e de reto.

Leia mais: Como colocar camisinha masculina, feminina e os erros mais comuns

Evite a exposição solar prolongada

Aquela pele dourada no verão pode parecer encantadora, mas muitas vezes ignora os riscos da exposição solar prolongada. O excesso de contato com os raios ultravioleta (UV) e as câmaras de bronzeamento artificial (já proibidas pela ANVISA) são o maior fator de risco ambiental para o câncer de pele.

O tumor do tipo não melanoma é o mais comum entre homens e mulheres. Ao mesmo tempo, as crianças são o grupo mais vulnerável aos efeitos nocivos do sol. Quando expostas de maneira frequente e excessiva, apresentam uma maior chance de sofrer com a doença na fase adulta ou na velhice.

Vale lembrar que os cuidados de proteção não se restringem apenas aos dias mais quentes e ensolarados. A obrigatoriedade do uso do protetor solar vale para todas as estações! Não se esqueça também de evitar a exposição nos horários mais perigosos, entre as 10h e 16h.

Avalie os riscos da reposição hormonal

A menopausa, fim da fase reprodutiva, é um período de diversas mudanças no organismo feminino. Com ela, a mulher passa a sofrer com intensas alterações hormonais e, geralmente, alguns sintomas bastante incômodos.

Dentre os tratamentos disponíveis está a terapia de reposição hormonal (TRH), que utiliza medicamentos à base de estrogênio puro ou associado à progesterona.

A medida é um tanto polêmica. De acordo com estudos já comprovados, o uso cumulativo de hormônios para a TRH aumenta o risco de câncer de mama, assim como o de útero e o de ovário.

Por isso, a reposição hormonal passou a ser contraindicada em alguns casos, por exemplo quando há histórico familiar de câncer de mama. Em contrapartida, esse tipo de tratamento pode ser bastante benéfico a muitas mulheres.

O importante é sempre avaliar junto ao médico a melhor forma de tratamento para as suas condições de saúde.

Leia mais: Remédios para menopausa e riscos da reposição hormonal

Avalie o uso de certos medicamentos

Aqui temos mais um fator controverso. Alguns — poucos e raros — cânceres podem ser induzidos pelo uso de medicamentos. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), há 23 medicamentos (ou combinações de agentes) considerados carcinogênicos para humanos.

Fazem parte desta categoria os remédios utilizados para tratar o câncer, os imunossupressores e os que são feitos à base de hormônios.

No caso dos imunossupressores (usados em pessoas transplantadas, por exemplo), o risco acontece pois esses medicamentos reduzem a capacidade do corpo de detectar e combater células cancerígenas ou até mesmo de combater infecções que podem causar câncer.

Para evitar a doença induzida por medicamento, deve-se avaliar a relação entre os riscos e benefícios do uso da substância. Essa análise cabe ao médico responsável pelo tratamento do paciente.

Evite a exposição a radiações

Antes de mais nada, você sabe o que são radiações? Elas se referem à propagação de energia através de ondas ou partículas. Em nosso dia a dia, podemos encontrá-las nos aparelhos de raios-X dos consultórios e até mesmo em casa, no micro-ondas.

Sabe-se que a exposição moderada ou elevada à radiação aumenta de maneira considerável os riscos de câncer. As chamadas radiações ionizantes (presentes na radiografia, tomografia, mamografia e radioterapia) são capazes de danificar o DNA e gerar um tumor. Entre as áreas com mais chances de serem afetadas estão a tireoide, mamas, ossos, pulmão e cólon.

Vale dizer que os riscos relacionados a estes procedimentos são pequenos e cumulativos, ou seja, dificilmente um único exame será capaz de danificar suas células e seria necessário um grande número deles para haver prejuízos à saúde. Além disso, no geral, os benefícios costumam compensar. Se você tem dúvidas, converse com seu médico.

No caso dos raios-X presentes nos aparelhos de micro-ondas, não há perigo algum em relação ao câncer.

Quando falamos em radiações, o risco maior talvez esteja relacionado à exposição ao radônio, um gás natural considerado a segunda maior causa de câncer de pulmão.

O radônio pode ser encontrado em solos ricos em urânio, presente em regiões de minério, comuns em algumas partes do Brasil. Ao ser liberado no ar, esse gás costuma ficar concentrado em locais fechados, como residências. Apesar de ser imperceptível, é possível se proteger dele mantendo os ambientes bem ventilados.


Agora que você já sabe que muitos comportamentos de risco para o câncer podem ser revertidos, que tal colocar as dicas em prática? Essas medidas não só ajudam a evitar a doença, como trazem diversos outros benefícios para a saúde.

Pratique o estilo de vida saudável e acompanhe as mudanças positivas no seu organismo!

Fonte consultada

Dr. Elio Tanaka (CRM/PR 6842), graduado em Medicina pela UFPR. Especialização em Cirurgia Geral e Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado – RJ. Fellow em Cirurgia Oncológica Pediátrica em Memphis (EUA) e em Kobe Hyogo (Japão). Diretor de Relações Interinstitucionais na International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research (ISPOR). CEO da TNK – Assessoria em Gestão de Saúde.

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