31 de Maio. Dia Mundial sem Tabaco: como e por que parar de fumar?

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O dia 31 de maio é marcado pelo incentivo à informação antitabaco. A data foi criada pela OMS – Organização Mundial da Saúde em 1987, e visa combater o tabagismo e seus desdobramentos danosos à saúde, sociedade e meio ambiente.

Segundo a ANVISA, o consumo da substância é responsável por aproximadamente 7 milhões de mortes anuais no mundo e até 200 mil no Brasil, sendo a principal causa de morte evitável.

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Consumir derivados do tabaco causa dependência química, emocional e comportamental, trazendo riscos à qualidade de vida individual e coletiva.

São associadas até 50 doenças ao tabagismo, envolvendo, principalmente, infartos, câncer e doenças respiratórias obstrutivas, que compõem as causas mais recorrentes de morte por doença no Brasil.

Além disso, estudos apontam que até 90% dos casos de câncer de pulmão está relacionado ao consumo de tabaco, sendo que a o câncer pulmonar é o tipo da doença que mais mata no Brasil.

Medidas graduais são tomadas para reduzir o consumo de tabaco, como a proibição da publicidade de cigarros em mídia e a obrigatoriedade de alertar sobre os riscos do cigarro nas embalagens.

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Nos últimos anos, a redução do consumo do produto estagnou na maioria dos países com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) médio e alto. O Brasil apresenta uma das maiores quedas da taxa de fumantes, mas ainda assim fica em 8ª posição no ranking de habitantes que fumam.

Uma das grandes preocupações se centraliza no aumento do consumo de tabaco pelos jovens, sobretudo em países com IDH baixo.

Estudos observam a retomada do consumo de tabaco em países como a África subsaariana, que apresenta baixo IDH, como uma possível tendência aos demais países pouco desenvolvidos.

No que se refere aos números nacionais, apesar de estudos apontarem que mais de 52% dos brasileiros que fumam pretende largar o cigarro, o percentual ainda é baixo, se considerarmos os impactos à saúde e ao ambiente.

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Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é o Dia Mundial sem Tabaco?
  2. O que é o tabaco?
  3. Como o tabaco age no organismo?
  4. O que é a nicotina?
  5. Cigarro eletrônico e e-cigarretes
  6. Consumo do tabaco
  7. Tabagismo na gravidez
  8. A popularização do tabaco
  9. Publicidades de cigarro antigas
  10. A queda do tabaco
  11. Tabagismo
  12. Tipos de dependência
  13. Efeitos e consequências do tabaco
  14. Políticas públicas
  15. Lei antifumo
  16. Por que parar de fumar?
  17. O que fazer no dia 31 de maio?
  18. Estratégias para largar o cigarro

O que é o Dia Mundial sem Tabaco?

Nos últimos anos, o dia 31 de maio é marcado por ações que visam estimular a redução do consumo de tabaco em todo o mundo.

A campanha pretende levar informação aos fumantes e dependentes de tabaco, bem como conscientizar sobre os malefícios da substância.

Por meio de ações que visam colocar em prática iniciativas políticas e acessibilizar as políticas públicas para redução do tabagismo, a campanha pretende atingir não só a sociedade consumidora ou não de tabaco, mas também de agricultores e comerciantes.

A ideia é que, na data, toda a sociedade não faça uso de nenhuma substância derivada de tabaco. Mas as 24 horas de abstinência atuam como uma primeira ação para o abandono total da droga.

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Entre as ações promovidas pelo Dia Mundial sem Tabaco, encontram-se a veiculação da campanha em mídias diversas – como TV, rádio, site institucional e redes sociais – distribuição de informativos sobre os malefícios do consumo e onde procurar tratamento para abandonar o vício, mobilizações, palestras e atendimentos gratuitos à comunidade.

O que é o tabaco?

O tabaco possui registros históricos bastante antigos, sendo que seu consumo – fumado ou mascado – faz parte de algumas tradições. Há indicações históricas que a planta era usada em práticas indígenas e foi apresentada aos europeus já em 1492.

Os levantamentos apontam que o tabaco foi uma das plantas que mais teve seu consumo disseminado, tanto em questões temporais quando geográficas.

A presença da planta no percurso histórico das sociedades pode ter favorecido os índices de consumo atual, que, mesmo com os diversos estudos sobre os riscos que a substâncias traz à saúde, ainda se mantém alto.

Em média, o tabaco pode produzir até 500 substâncias diferentes quando é queimado. Porém, devido aos processos industriais que visam acentuar comercialização da droga, outras substâncias são adicionadas ao cigarro, tornando o consumo mais prazeroso.

A nicotina é considerada uma substância psicoativa, pois é capaz de alterar o estado de consciência, as sensações ou o estado emocional da pessoa. Entre os componentes presentes no tabaco, ela é o mais ativo, sendo também responsável pela dependência.

Como o tabaco age no organismo?

O modo de utilizar o tabaco pode promover efeitos diferentes no organismo. Há diversas formas de consumir a planta, mas os danos à saúde estão presentes em todas.

Cigarro Industrializado

O pulmão absorve rapidamente a nicotina. Em média, demora apenas 8 segundos para que a substância comece a agir no cérebro e desencadear uma série de respostas, como:

  • Aumento da pressão arterial;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Diminuição da temperatura da pele;
  • Tontura;
  • Alteração da taxa respiratória.

A fumaça do cigarro possui 5315 substâncias. Em média, 4,7 mil delas são nocivas à saúde e 69 são comprovadamente cancerígenas.

Mas não para por aí, se forem consideradas as substâncias presentes no tabaco e os aditivos industriais, a número pode chegar a 8622 elementos presentes em um único cigarro.

Em geral, são adicionados componentes para dar sabor, amenizar a irritação das mucosas e regular a ação da nicotina.

Em contato com o organismo, a nicotina pode agir tanto como um estimulante, quando o fumante está com sono, quanto um relaxante, promovendo a redução imediata da ansiedade.

Os cigarros são acrescidos de diversas substâncias cancerígenas e nocivas à saúde, mas ainda assim as taxas de tabagismo são altas.

Cigarro de palha

O produto é produzido artesanalmente, sendo presente em hábitos e tradições brasileiras mais antigas.

Apesar não não ser acrescido de outras substâncias tóxicas, o cigarro de palha não possui filtro, fazendo com que a fumaça inalada seja mais concentrada e, portanto, mais nociva à saúde.

Folha de tabaco

A planta pode ser consumida através da mastigação também. Apesar de ser livre de tóxicos industrializados, a folha da planta possui altas concentrações de zinco, chumbo e polônio, que incidem em riscos à saúde.

Além disso, a nicotina entra em contato direto com a mucosa da boca, podendo acentuar os riscos ao tecido e aumentar os índices de gengivites graves, redução de paladar e câncer de boca.

O que é a nicotina?

A nicotina é a principal substância presente no tabaco. Sua absorção pelo organismo ocorre independente da forma em que a planta é consumida – pode ser pelo fumo, mastigação e até através da pele.

Quimicamente, o componente é um alcalóide básico. Ao ser extraída ou isolada, a substância tem aspecto líquido e que apresenta uma tonalidade amarela, que pode apresentar concentrações entre 0,6% e 3,0% do tabaco seco.

Ela é a principal responsável pela dependência química do tabaco. Quando inalada ou em contato com as mucosas, o nicotina chega rapidamente ao cérebro e inicia alterações no organismo. Por isso, é chamada de droga psicoativa.

Entre as mudanças que ela pode promover estão o relaxamento ou o estímulo mental, alterações na percepção dos sentidos (aumentando ou diminuindo), aumento da frequência cardíaca e respiratória, por exemplo.

Isso ocorre porque, ao entrar chegar ao cérebro, a nicotina começa a agir igual à acetilcolina, um neurotransmissor natural responsável por diversas funções em todo o organismo, principalmente no sistema cardiovascular, sistema excretor, sistema respiratório, sistema muscular e no cérebro.

A nicotina ainda aumenta os níveis de dopamina, que é um hormônio neurotransmissor relacionado às sensações de prazer e bem-estar. O sistema de recompensa faz com que o cérebro deseje novamente o consumo da droga para obter a sensação de bem-estar.

Muita gente acha que o malefício está apenas no consumo do cigarro, devido às dezenas de substâncias tóxicas adicionadas.

No entanto, a nicotina causa redução do apetite, aumento dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial e da frequência respiratória, além de favorecer a formação de coágulos.

Então, mesmo que a tradição de mascar folhas de tabaco seja antiga, ela é perigosa e acarreta danos à saúde.

Cigarro eletrônico e e-cigarettes

Os cigarros eletrônicos surgiram como uma alternativa para quem deseja parar de fumar. Já que o produto não queima o tabaco e oferece ao organismo doses controladas de nicotina, o seu uso ajudaria a diminuir gradualmente o tabagismo.

No entanto, a nicotina em si já é responsável por malefícios ao organismo e está presente no cigarro eletrônico.

Inventado em 2003 por Hon Lik, farmacêutico chinês, o produto pretende imitar o cigarro comum, mas de maneira menos tóxica. Assim, seria uma alternativa sobretudo para as pessoas que possuem a dependência comportamental do cigarro.

Existem diversas opções que incluem sabores, como menta e chocolate que, controversamente, podem incentivar e estimular o consumo de acordo com especialistas contrários ao consumo.

Estudos publicados pela revista científica PLoS One, em 2013, mostram que a substância pode modificar a expressão de genes celulares, favorecendo o aparecimento de câncer.

Consumo do tabaco

A ONG americana Vital Strategies, em parceria com a Sociedade Americana do Câncer, realizou um estudo mundial sobre o consumo do tabaco. Os dados resultaram no Tobacco Atlas, que traz informações de diversos países e hábitos de plantio, consumo e comercialização da planta.

Os resultados apontam que em 2016 aproximadamente 5,7 trilhões de cigarros foram consumidos em todo o mundo.

Porém, considerando os números mais recentes, houve uma redução mundial no consumo de tabaco nas últimas décadas.

Apesar dos números absolutos serem mais favoráveis, países com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixo, estão apresentando um aumento no consumo, associando o tabagismo às condições sociais precárias.

O Tobacco Atlas mostra que aproximadamente 80% das pessoas viciadas em tabaco se concentram em 24 países, e dois terços deles possuem baixa e média renda.

Estima-se que, mundialmente, 1 em cada 4 homens fume e, entre as mulheres, essa proporção é de 1 para cada 20.

Apesar das políticas educativas serem bastante abrangentes e o acesso à informação ser ainda mais intenso nas camadas sociais elevadas, quase metade das mulheres fumantes vivem em países com IDH alto ou muito alto.

O dado que pode ser indicado pela histórica associação do cigarro com o status e glamour.

No últimos 25 anos, o Brasil apresentou redução nos índices de tabagismo. As leis antifumo, o preço do cigarro e as políticas de intervenção auxiliam a compor uma redução de 17% de fumantes homens e 9% de fumantes mulheres.

Mesmo sendo considerado um país com altas políticas preventivas e informativas antitabaco, o Brasil estampa o título de oitavo país no ranking de números de tabagistas.

Tabagismo na gravidez

O periódico inglês Addiction publicou uma pesquisa que aponta dados bastante preocupantes: 87% das mulheres não param de fumar durante a gestação.

Além das que permanecem fumando durante os 9 meses, cerca de 7% interrompe o uso da droga, mas retorna após o parto.

Os principais malefícios ocorrem a exposição do bebê à nicotina, logo que a circulação sanguínea de mãe e filho é compartilhada. A substância favorece a malformação congênita e complicações respiratórias e digestivas.

O cigarro ainda pode resultar em dificuldades em manter a gravidez e aborto.

Além disso, após o nascimento, o bebê que fica exposto à fumaça, tornando-se um fumante passivo, fica mais sensível às infecções nas vias aéreas, redução da capacidade respiratória e riscos aumentados de morte súbita.

A popularização do tabaco

Por volta de 1498, com a descoberta da planta pelos europeus, o tabaco marchou em ascensão mundial. Em 1542, o tabaco já se espalhava inclusive por países árabes, onde a rigidez era bastante grande (sequer o álcool era permitido à época).

Historicamente, o tabaco foi um dos primeiros produtos distribuídos com marcas comerciais.

Ao ser lançado no comércio com logomarcas, embalagens personalizadas e slogans atrativos, o produto começou a ser percebido com outros olhos pela população. Junto com as propagandas, os cigarros viraram moda e conquistaram clientes.

Não demorou para que a publicidade enxergasse o promissor mercado do tabaco e investisse em embalagens personalizadas e slogans.

É como se, hoje, a pessoa tivesse que escolher entre uma camiseta branca, simples, sem grandes diferenciais, e outra produzida e estilizada pela Nike. Ainda que as duas sejam uma roupa com a mesma finalidade (vestir e pessoa), a de marca soa mais interessante para a maioria.

Isso porque não é apenas o tecido, a mão de obra e a peça em si que o consumidor escolhe, mas também o status atrelado a ele. Na época, as publicidades e o cinema construíam imagens bastente sedutoras, elegantes e sofisticados para o tabaco, fazendo com que o consumidor quisesse adquirir isso também.

Em 1880, James Buck Duke, um americano vendedor de tabaco, aproveitou a recente invenção da máquina de produzir cigarros e dominou o mercado, fazendo o consumo da planta aumentar 50% no final do século 19.

Após a primeira guerra mundial, o público consumidor ganhou um novo perfil, composto também pelo sexo feminino.

Como as mulheres passaram a ter poder de compra devido à inserção no mercado de trabalho, a indústria começou a destinar publicidades a elas. Por volta de 1924, a indústria do cigarro viu nas mulheres um mercado promissor.

Em 1924, Phillip Morris lançou o Marlboro para mulheres, um produto que, segundo as publicidades da época, era mais suave e leve. Além do slogan, as publicidades do lançamento eram todas voltadas às mulheres, visando atrair mais consumidoras.

Além disso, noções de sensualidade, glamour e sedução foram fortemente atreladas às pessoas que fumavam, fazendo o consumo continuar crescendo.

A fabricante da Lucky Strike, marca de cigarro, viu a oportunidade iniciada pela Marlboro e investiu da mesma maneira, conquistando 38% do mercado de mulheres fumantes.

Depois veio o cinema e uma grande chance da indústria do cigarro ganhar ainda mais visibilidade.

Em uma época que o cinema ainda era uma novidade, tudo que os filmes mostravam tinham grandes chances de ser bem aceito pelo público. Então as marcas de tabaco fizeram parcerias e exibiam os produtos nos filmes.

O resultado foi que a indústria cinematográfica se tornou bastante responsável por reforçar o status elegante que o cigarro tinha na época.

Para promover a venda, as indústrias fabricantes de cigarro investiram grandes quantias em filmes, atrizes e atores para que as cenas estampassem suas marcas.

Publicidades de cigarro antigas

Diversas campanhas, que hoje soariam bastante absurdas, circularam na época. Mais do que divulgar o tabaco e promover o consumo da droga, as publicidades estampavam frases que podiam enganar o consumidor quanto aos efeitos do cigarro, como o famoso caso da Camel e seu slogan “Médicos fumam Camel”.

Além disso, embalagens com crianças, papai Noel e até mesmo os personagens do Flintstones circularam incentivando e promovendo o consumo da droga.

Winston e Os Flintstones

A marca Winston era patrocinadora do desenho e apresentou cenas em que Barney e Fred fumavam cigarros. Mesmo que, a princípio, Os Flintstones tenha sido produzido para o público adulto, a associação com os desenhos e animações era bastante atrativa às crianças e adolescentes.

Camel e o espírito natalino

“Feliz natal para todos os fumantes” era apenas uma das propagandas distribuídas pelas marcas de cigarro. Diversas outras estampavam o papai Noel, ceias de natal, presentes e confraternizações.

Philip Morris e a conquista do mercado jovem

Anunciando que a marca é “popular entre os jovens fumantes”, a publicidade promete que o cigarro é “Suave, mais delicado no sabor… para aqueles com gostos jovens e apetitosos”.

Até as crianças!

Marlboro estampou embalagens com bebês e crianças aprovando o consumo de cigarros. A campanha divulgou diferentes cartazes estampando diálogos entre mãe e bebê como:

“Nossa mamãe, você gosta mesmo do seu Marlboro”. E a mãe responde: “Sim, você nunca sente que fumou demais. É o milagre do Marlboro!”.

Ou “Sim, você nunca sente que fumou demais… esse é o milagre do Marlboro”.

Os famosos cowboys da Marlboro

A marca Marlboro lançou o personagem do cowboy fumante. Criada por Leo Burnett Worldwide, a campanha é uma das mais reconhecidas e famosas publicidades de cigarro.

A queda do tabaco

Com a realização de estudos indicando os danos à saúde causados pelo tabaco, sobretudo o cigarro, que é amplamente comercializado, as organizações de saúde começaram a intervir com ações informativas.

Como houve muita publicidade positiva da droga, sem alertar sobre os danos à saúde, há diversos processos jurídicos movidos contra a indústria de tabaco, devido aos danos físicos e emocionais que a droga causou.

Mas o poder econômico era tão grande que os processos se estendiam por anos ou, quando resolvidos, as indenizações nunca eram recebidas pelos pacientes fumantes.

A retirada da publicidade, a obrigação das empresas em informar sobre os malefícios e toxicidade da substância, além dos altos impostos auxiliam na redução dos índices de tabagismo.

Além disso, a busca por mais qualidade de vida, associada à disseminação das informações e estudos quanto ao consumo de tabaco, têm reduzido o consumo ou, ao menos, aumentado a conscientização quanto aos malefícios de fumar. Isso se reflete no aumento do desejo por parar de fumar.

Medidas visando reduzir o consumo de tabaco começaram a ser implantadas em todo o mundo. No Brasil, em 15 de julho de 1996, a Lei nº 9.294, determinou em seu artigo 3º a proibição de propaganda comercial de cigarros, charutos, cachimbos ou produtos associados ao fumo, derivados ou não do tabaco.

No entanto, a publicidade nos locais de venda ainda era permitida, por exemplo, com a colocação de displays da marca no ambiente comercial.

A situação foi alterada em 2014, quando ficou vedada toda e qualquer propaganda, além da obrigatoriedade em dispor informativos visíveis sobre os malefícios do cigarro.

Em 2011, o faturamento dos produtores de fumo cresceu cerca de 33%. Em 2013, o crescimento foi mais moderado, porém se manteve alto, com 9%.

Mas em 2015 a Associação de Fumicultores do Brasil (AFUBRA), que representa os produtores de fumo e tabaco, registrou uma redução de quase 20% no faturamento.

Tabagismo

A necessidade física e mental do tabaco é classificada como doença, listada pelo CID 10 com o código F17.2 – Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo – síndrome de dependência.

Seja por mastigação da folha ou fumando um cigarro, a nicotina exerce o mesmo efeito no cérebro, pois ela é uma substância orgânica contida na folha do tabaco.

Quando inalada, o componente chega aos pulmões e se difunde pelos vasos sanguíneos até atingir o cérebro. Se for mastigada, a nicotina é transportada pelo sangue.

Ao chegar no cérebro, a substância ativa sistemas de recompensa. Ou seja, há uma manifestação de bem-estar e relaxamento promovidos pelo tabaco. Além disso, há liberação de de hormônios que reduzem e inibem as sensações de dor.

Em média, 80% da nicotina é metabolizada em 15 minutos pelo fígado. Ao reduzir a percepção de bem-estar, o corpo tende a acionar novamente os mecanismos de prazer, ou seja, o desejo de fumar retorna rapidamente.

Tipos de dependência

Atualmente, diz-se que há 3 formas de classificar a dependência do tabaco:

Física

O uso continuado da nicotina produz alterações químicas no organismo. O estímulo de bem-estar promove o vício devido ao efeito da substância.

Psicológica

O bem-estar é causado mais pelo efeito emocional e redução da ansiedade. Como fumar também pode diminuir aspectos de agitação, o hábito se torna uma medida alternativa ao controle emocional.

Além disso, a associação e o reforço do produto com a autoestima, elegância e charme podem impactar as percepções emocionais, fazendo a pessoa se sentir mais confiante.

Comportamental

Nesse caso, há uma necessidade criada e reforçada habitualmente com o cigarro. Por exemplo, a pessoa acostuma a fumar quando consome álcool ou café, desenvolvendo um padrão comportamental.

Portanto, toda vez que beber café, o hábito naturalmente despertará o desejo do cigarro.

Efeitos e consequências do tabaco

Não é somente a saúde do paciente que fuma e de pessoas próximas que fica comprometida.

Além das diversas substâncias nocivas à saúde, o tabaco causa desequilíbrios econômicos e ambientais.

Saúde

Doenças respiratórias, cardiovasculares, hipertensão, aneurismas cerebrais e aórticos, derrames cerebrais, úlceras gástricas, problemas de pele, trombose, impotência, problemas de visão e envelhecimento precoce são apenas alguns dos problemas associados ao tabagismo.

Além das diversas manifestações diretas causadas pela exposição e consumo do tabaco e demais substância tóxicas, há índices mais elevados de aposentadoria precoce e afastamento do trabalho.

O hábito ainda pode afetar a saúde de quem convive com a pessoa fumante. Nesse caso, os fumantes passivos correm os mesmo riscos de saúde devido à inalação da fumaça.

Quando liberada pelo cigarro aceso, a fumaça possui 3 vezes mais nicotina e monóxido de carbono, e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas. Isso ocorre devido à ativação das propriedades pelo calor.

Os números também são bastante alarmantes, pois, segundo o Instituto de de Estudos de Saúde Coletiva (INCA), cerca de 2655 pessoas não fumantes, ou seja, fumantes passivos morrem devido aos danos da fumaça todos os anos apenas no Brasil.

Doenças relacionadas ao tabaco

A principal doença relacionada ao tabagismo é o câncer de pulmão, com 90% dos diagnósticos relacionados. Em geral, é uma das primeiras consequências atribuídas ao consumo do tabaco.

Até 30% das mortes por outros tipos de câncer, como boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, fígado, rim, bexiga e colo do útero, são relacionadas ao fumo.

Cerca de 25% das doenças vasculares e, também, 25% dos casos de angina e infarto do miocárdio se associam ao consumo de tabaco.

Mas a lista de doenças relacionadas ao fumo é enorme:

Economia

Os malefícios e danos ao organismo são a longo prazo, fazendo com que haja uma redução do tempo de vida dos pacientes, necessidades de intervenções e atendimentos médicos mais recorrentes e afastamento do trabalho devido às más condições de saúde.

O Ministério da Saúde divulgou que o gasto nacional médio com despesas relacionadas ao consumo de tabaco é de R$57 bilhões.

Desse valor, quase R$35 bilhões são com custos médicos diretos, sendo o restante causado pela redução de produtividade no trabalho, morte ou incapacitação do trabalhador fumante.

Em média, 80% do valor total dos cigarros é fruto dos impostos. Isso confere ao governo uma média de arrecadação de 12,9 bilhões de reais.

Portanto, o saldo econômico resulta negativamente, trazendo atrasos e deficiências à economia e ao desenvolvimento social como um todo.

Ambiente

O meio ambiente também não sai ileso. Organizações ambientais afirmam que o cigarro possui substâncias tóxicas que prejudicam a atmosfera, além dos filtros e embalagens que são jogadas no chão, bueiros e rios, favorecendo enchentes e destruição ambiental.

Mas não é somente o descarte incorreto que deve ser avaliado. Estudos realizados apontam que os malefícios ambientais se iniciam já no cultivo e manufatura da substância, que favorecem o envenenamento de solos, água e poluem o ar.

Os dados apontam que são gerados até 680 milhões de quilos de resíduos de tabaco anualmente. Em grandes cidades, somando com embalagens, esses restos representam até 40% do total de lixo coletado.

No cultivo da planta, é necessário empregar agroquímicos e substâncias reguladoras de crescimento, que prejudicam e alteram o solo, auxiliando no desmatamento.

O consumo energético e hídrico também é bastante alto, logo que é preciso recorrer a grandes quantidades de água e energia para a produção e colheita do tabaco.

Por fim, a emissão de fumo libera substâncias tóxicas e cancerígenas, além de gases de efeito estufa, nocivos à saúde e ao ambiente.

Impacto social

A indústria do tabaco interfere também no desenvolvimento social, deixando sobretudo mulheres e crianças à margem da vulnerabilidade.

Cerca de 860 milhões de adultos fumantes se concentram em países de baixa e média renda. Nesses casos, estima-se que o valor destinado à compra de tabaco pode chegar a 10% do total econômico das famílias.

Muitas vezes, o consumo resulta em abstinências educacionais e até alimentares, pois a dependência faz com que gastos em alimentos ou educação sejam cortados para manter a compra da droga.

No que se refere ao cultivo de tabaco, estudos apontam que famílias de baixa renda utilizam o trabalho dos filhos como recurso.

O resultado é que cerca de 14% das crianças perdem aulas devido ao trabalho na lavoura. Há também uma grande participação de mulheres nos trabalhos de cultivo, podendo chegar a 70% das tarefas de colheita de tabaco.

Devido à necessidade de utilizar compostos químicos de elevada toxicidade, os riscos à saúde são bastante elevados.

Políticas públicas

O governo aplica políticas públicas a fim de reduzir os índices de tabagismo, bem como a produção do tabaco. O produtor que deseja mudar seu tipo de plantação, trocando o tabaco por outros cultivos, recebe estímulo do governo.

Segundo a secretaria de Agricultura Familiar Desenvolvimento Agrário, entre 2009 e 2015, houve uma redução da área de plantio da planta, indo de 374 mil hectares para 308,2 mil hectares (redução de 17,6%).

Além disso, os impostos elevados sobre o cigarro visam desestimular a compra. No entanto, alguns levantamentos recentes têm apontado a relação entre a alta taxação e o contrabando e consumo de cigarros falsificados.

Campanhas de saúde e conscientização, como o Dia Mundial sem Tabaco, atuam como medidas preventivas também, disseminando informações e proporcionando atendimento aos interessados em parar de fumar.

Essas medidas são fruto de investimento da saúde para a promoção do bem-estar social, visando reduzir doenças relacionadas ao tabaco e, consequentemente, os custos ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, no dia 29 de agosto é datado como o Dia Nacional de Combate ao fumo. Outra data que se destina a levar informações e atendimento à sociedade.

Criado em 1986, pela Lei Federal 7.488, a data pretende reforçar a necessidade de combater o tabagismo, diminuindo os malefícios à saúde, ao ambiente e à sociedade e economia.

Lei antifumo

A Lei Antifumo nº 12.546/2011 proíbe o ato de fumar em locais totalmente ou parcialmente fechado.

Isso significa que qualquer ambiente que tenha um dos lados da parede fechados, com divisórias, toldos ou teto é englobada. Áreas comuns, como marquises, condomínios e clubes também estão incluídos.

Estabelecimentos que descumprirem as normas podem ser advertidos, multados e interditados. O valor da punição pode chegar a R$1,5 milhão.

Por que parar de fumar?

A campanha traz números impactantes dos efeitos do cigarro nas esferas sociais, familiares e de saúde.

Em média, 428 pessoas perdem a vida por dia no Brasil por causas diretas ou indiretas relacionadas ao tabagismo. Esse número representa 12,6% do total de mortes que ocorrem no país.

No Brasil, por ano, mais de 156 mil mortes poderiam ser evitadas sem o cigarros. O INCA ainda apresenta que o tabagismo reduz, em média, 6,71 anos de vida das mulheres e 6,12 anos dos homens.

Os malefícios são tantos que, mesmo largando o cigarro, uma ex-fumante tem 2,45 anos de vida a menos que a média, enquanto um homem reduz 2,66 anos.

Benefícios de parar de fumar agora

  • Após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal;
  • Após 2 horas, não há mais nicotina circulando no sangue;
  • Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza;
  • Após 12 a 24 horas, os pulmões já funcionam melhor;
  • Após 2 dias, a percepção de cheiros e sabores é melhorada;
  • Após 3 semanas, dificuldades de respiração são amenizadas e o sangue circula melhor;
  • Após 1 ano, o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido pela metade;
  • Após 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.

Os benefícios se estendem por toda a vida. As atividades rotineiras são facilitadas, por exemplo, caminhadas, corridas e idas à academia se tornam menos cansativas devido à melhora respiratória.

A pele sofre menos com ressecamento, sobretudo em períodos frios. Além disso, o cabelo e as unhas ficam com aspectos mais saudáveis.

O que fazer no dia 31 de maio?

Mantenha-se longe de situações que despertem o desejo de fumar e evite ter carteiras ou cigarros em casa.

Os primeiros momentos são sempre mais delicados. O corpo sente falta da nicotina e pode iniciar processos ansiosos. Por isso, manter-se ocupado, realizando atividades prazerosas é o mais indicado.

Praticar alguma atividade física pode reduzir a tensão, liberar endorfina e amenizar a vontade fumar.

Quem fuma há bastante tempo, em geral, pode apresentar hábitos que se associam ao cigarro. Por exemplo, fumar após tomar café ou ingerir álcool. Então, é preciso cuidar e, se possível, evitar as atividades que despertam a dependência comportamental.

Bebidas alcoólicas também têm um efeito negativo em quem está parando de fumar. Isso ocorre porque o álcool possui um efeito depressivo do sistema nervoso e a nicotina atua como um estimulante.

Ou seja, beber pode despertar ou remeter mais facilmente ao cigarro. Então o ideal é evitar atividades que se vinculem ao tabaco.

Use a data também para se informar. Diversas medidas e iniciativas acontecem no dia, levando informação e atendimento a quem deseja largar o tabaco.

Desde 2002 o Ministério da Saúde juntamente com as secretarias estaduais e municipais de Saúde ofertam tratamento gratuito aos interessados em largar o tabaco.

O paciente que deseja parar de fumar não precisa, necessariamente, passar pelo processo sozinho, pois além das diversas intervenções, há grupos de ajuda a fim de proporcionar a troca de experiências e o apoio mútuo entre os participantes.

Pode, ainda, ser indicado associar remédios antidepressivos, para a redução da ansiedade, e repositores de nicotina, quando houver sintomas de crise de abstinência. Além disso, é preciso realizar acompanhamento e receber auxílio de amigos e familiares.

Estratégias para largar o cigarro

Alguns especialistas sugerem que parar gradualmente pode ser uma alternativa menos difícil para quem possui altos níveis de dependência. No entanto, estudos publicados no Annals of Internal Medicine, sugerem que a redução gradual nem sempre gera resultados tão promissores.

Entre os participantes avaliados, aqueles que pararam drasticamente tiveram 25% a mais de sucesso em se manter longe da droga após 6 meses do início do tratamento.

Indiferente da medida adotada – drástica ou gradual -, algumas mudanças podem auxiliar nos bons resultados:

  • Mantenha-se ocupado com atividades prazerosas;
  • Invista em atividades físicas;
  • Busque auxílio de especialistas e profissionais;
  • Conscientize a família e os amigos sobre a sua decisão;
  • Evite situações associadas ao cigarro;
  • Evite o consumo de outras drogas, como o álcool;
  • Melhore a alimentação;
  • Reduza dos níveis de estresse.

O dia 31 de maio incentiva se manter 24 horas longe do tabaco. Mas essa é apenas uma brecha para que o abandono da droga seja efetivado.

O tabagismo tem tratamento ofertado gratuitamente pelo SUS e pode promover mudanças em diversas esferas da vida paciente. Além disso, diminuir o consumo de tabaco reflete em diversas mudanças sociais, econômicas, políticas e ambientais.

Entre nessa campanha e compartilhe mais saúde!

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