Arritmia Cardíaca: o que é, sintomas, tratamento, tem cura?

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O que é arritmia?

Qualquer alteração no ritmo cardíaco normal é chamada de arritmia. A condição ocorre quando os impulsos elétricos do coração não funcionam da maneira correta, provocando batimentos acelerados (taquicardia), lentos (bradicardia) ou até mesmo irregulares.

Para ser considerada normal, a frequência cardíaca deve girar em torno de 60 a 100 batimentos por minuto.

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Comumente, as arritmias não geram sintomas, sendo consideradas benignas e inofensivas à saúde. Porém, os casos mais graves provocam sensações, como desmaio e dor no peito, além de risco de morte. Nessas situações o tratamento pode incluir medicamentos antiarrítmicos, procedimentos médicos e até mesmo cirurgia.

Índice — neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é arritmia?
  2. Como acontecem os batimentos cardíacos?
  3. Frequência cardíaca normal: o que isso significa?
  4. Tipos
  5. Arritmia em crianças
  6. Arritmia benigna ou maligna?
  7. Causas
  8. Fatores de risco
  9. Sintomas
  10. Quando devo procurar um médico?
  11. Diagnóstico
  12. Cura e tratamento
  13. Medicamentos
  14. Procedimentos médicos
  15. Dispositivos implantáveis
  16. Cirurgia
  17. Tratamento caseiro
  18. Convivendo
  19. Perguntas frequentes
  20. Complicações
  21. Prevenção

Como acontecem os batimentos cardíacos?

Para compreender melhor a doença, é importante entender como se dá o funcionamento do sistema elétrico do coração. Por meio dele é possível controlar a taxa e o ritmo dos batimentos cardíacos. Tal processo permite o bombeamento do sangue para todas as partes do corpo, garantindo oxigênio e nutrição para um organismo em perfeita harmonia.

Os batimentos cardíacos envolvem uma série complexa de eventos, no qual as câmaras do coração (átrios e ventrículos) relaxam e se contraem. Esse ciclo envolve também a abertura e o fechamento das válvulas de entrada e saída das câmaras inferiores do coração.

Em corações saudáveis, cada batimento começa e é controlado pelo nó sinusal (SA), um marcapasso natural que produz impulsos elétricos. Em seguida, esses impulsos viajam pelos átrios e, posteriormente, para os ventrículos, garantindo assim o sistema de bombeamento do sangue.

Frequência cardíaca normal: o que isso significa?

A frequência cardíaca ou pulso se dá pelo número de sinais que o nó sinusal produz por minuto, determinando o ritmo dos batimentos do coração. Quando esse valor varia entre 60 a 100, dizemos que o coração do indivíduo está funcionando perfeitamente.

Em indivíduos mais condicionados fisicamente, como no caso de atletas, essa frequência pode ser mais lenta e ainda assim ser considerada normal. Além disso, os valores podem variar em situações de repouso ou esforço físico.

Tipos

Basicamente, as arritmias podem ser classificadas entre: supraventriculares, ventriculares, prematuras (extra) e bradiarritmia (bradicardia).

Arritmias supraventriculares

Essas alterações atingem a parte superior do coração (átrios) e são consideradas taquicardias, ou seja, frequências cardíacas aceleradas. Também podem iniciar-se no nó atrioventricular, um grupo de células localizadas entre os átrios e ventrículos.

Fibrilação atrial

Bastante frequente, a fibrilação atrial é o tipo mais comum de arritmia grave. Comumente, atinge idosos e se caracteriza pelo batimento irregular das câmaras atriais. Nesses casos, as contrações são rápidas e podem gerar uma frequência superior a 300 batimentos por minuto.

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Diferentemente dos corações saudáveis, na fibrilação atrial os sinais elétricos não começam no nó sinsual e sim em outras partes dos átrios ou veias pulmonares próximas.

Esse tipo de alteração é considerado grave pois favorece o surgimento de coágulos sanguíneos, que podem evoluir para um acidente vascular cerebral.

Flutter atrial

Semelhante a fibrilação atrial, o flutter também produz sinais elétricos nos átrios em um ritmo acelerado. Nesse caso, porém, o processo ocorre de maneira irregular. Apesar de menos comum, também pode ser considerada uma condição séria.

Taquicardia supraventricular (TSV)

A TSV caracteriza-se por um ritmo cardíaco regular e acelerado. Nesses casos, o paciente notará batimentos rápidos que se começam e terminam repentinamente, podendo durar segundos ou horas. É comum que a frequência esteja entre 160 e 200 batimentos por minuto.

Outras arritmias supraventriculares incluem:

  • Taquicardia atrial;
  • Extra-sístole atrial;
  • Síndrome de Wolff-Parkinson-White.

Arritmias ventriculares

As arritmias ventriculares são aquelas iniciadas na parte inferior do coração (ventrículos). Essas alterações tendem a ser mais perigosas e comumente estão relacionadas à problemas cardíacos.

Fibrilação ventricular

A fibrilação ventricular provoca ritmo irregular, com contrações rápidas e não-coordenadas. Tal condição faz com que os ventrículos não bombeiem o sangue de maneira adequada. Por isso, a alteração é considerada uma arritmia grave, podendo resultar em parada cardíaca súbita e morte do paciente.

Existem alguns tipos de fibrilação ventricular, entre elas a Torsade de Pointes, uma condição rara detectável por meio de eletrocardiograma.

Taquicardia ventricular

Caracterizada pela batida rápida e regular dos ventrículos, a taquicardia ventricular pode apresentar durações variadas. Em situações que duram mais tempo, é possível que a alteração se desenvolva para uma arritmia mais grave, como a fibrilação ventricular.

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Arritmias prematuras (extra-sístoles)

Esse tipo de arritmia é o mais comum, sendo provocado por batimentos prematuros, que são inofensivos e não costumam gerar sintomas. Porém, quando os sinais ocorrem, o paciente pode sentir apenas palpitações. Sendo assim, na grande maioria das vezes, o tratamento é desnecessário.

Essas arritmias são assim chamadas pois geram batimentos extras, fora do ritmo normal. Geralmente ocorrem de maneira natural, porém sua causa pode estar relacionada à doenças cardíacas, estresse e excesso de cafeína/álcool.

Podem ser diferenciadas entre contrações atriais prematuras (CAP) e contrações ventriculares prematuras (CVP).

Bradiarritmia (Bradicardias)

A bradicardia acontece quando um batimento cardíaco está lento e registra menos de 60 batidas por minuto. Porém, é comum que pessoas com alta aptidão física apresentem taxas mais baixas. Sendo assim, essas arritmias somente representam um problema quando o coração apresentar um defeito e não bombear sangue suficiente ao organismo.

Arritmia sinusal

Originada no nó sinusal, esse tipo de arritmia é bastante comum em crianças, mas também pode atingir adultos. Caracteriza-se pela alteração na frequência cardíaca durante a respiração, ou seja, trata-se da aceleração dos batimentos ao inspirar e diminuição ao expirar.

A arritmia sinusal é involuntária e não costuma apresentar sintomas ou requerer tratamento.

Arritmia em crianças

O coração de um recém-nascido costuma bater entre 95 a 160 vezes por minuto. À medida em que a criança vai crescendo, essas taxas vão diminuindo.

Assim como nos adultos, as causas para quadros de arritmias pediátricas podem estar relacionadas à defeitos no coração, que surgem desde o nascimento. Em outros casos, a condição pode surgir ao longo da infância.

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Arritmia benigna ou maligna?

Na maioria dos casos, a arritmia é benigna. Para que seja considerada uma condição mais grave, geralmente a doença está relacionada a pacientes que sofrem com alguma alteração no coração, como a insuficiência cardíaca.

Causas

Basicamente, a arritmia é provocada pela interrupção ou mau funcionamento dos impulsos elétricos que controlam os batimentos cardíacos. Suas causas podem estar relacionadas a problemas cardíacos e outras condições.

Problemas cardíacos

  • Insuficiência cardíaca;
  • Ataque cardíaco (infarto);
  • Cicatrização do tecido cardíaco após um infarto;
  • Artérias bloqueadas no coração (doença arterial coronariana);
  • Alterações na estrutura do coração, como a cardiomiopatia.

Não-cardíacos

Vale ressaltar que, em alguns casos, as causas são desconhecidas.

Fatores de risco

As chances de desenvolver um quadro de arritmia são maiores em casos de:

  • Problemas cardíacos: artérias estreitas, ataque cardíaco, válvulas cardíacas com funcionamento anormal, cirurgia cardíaca prévia, insuficiência cardíaca, cardiomiopatia e demais danos podem provocar arritmias;
  • Pessoas idosas: a velhice contribui para o surgimento de doenças cardíacas;
  • Hipertensão: a pressão alta aumenta o risco de desenvolver doença arterial coronariana, bem como outros problemas cardíacos;
  • Diabetes: nos casos não controlados, há maior chance do surgimento de doença arterial coronariana;
  • Apneia do sono: a respiração interrompida durante o sono pode fazer com que o coração não receba oxigênio suficiente;
  • Disfunção da tireoide: o hipertireoidismo aumenta as chances de arritmia;
  • Alcoolismo: o abuso de álcool regularmente pode afetar os impulsos elétricos no coração;
  • Desequilíbrio eletrolítico: a alta ou baixa presença de eletrólitos no sangue pode afetar o funcionamento do coração;
  • Uso de alguns medicamentos: incluem alguns remédios contra tosse e resfriado, como os broncodilatadores, bem como certos medicamentos prescritos;
  • Excesso de cafeína e/ou nicotina: estimulantes podem aumentar a frequência cardíaca e favorecer o surgimento de arritmias graves;
  • Doença cardíaca congênita: defeitos presentes desde o nascimento que afetam o funcionamento do coração;
  • Obesidade: aumenta o risco de hipertensão arterial e, consequentemente, arritmia;
  • Drogas ilegais: anfetaminas e cocaína podem causar fibrilação ventricular e outras arritmias.

Sintomas

Em muitos casos o paciente não sentirá qualquer sintoma da doença. Isso porque batimentos cardíacos anormais podem surgir e desaparecer rapidamente. Porém, nas situações em que a arritmia for mais grave e durar tempo suficiente para afetar o funcionamento do coração, podem surgir os seguintes sinais:

  • Palpitação;
  • Fadiga;
  • Tontura;
  • Desmaio ou sensação de desmaio;
  • Palidez;
  • Falta de ar;
  • Batimentos muito acelerados ou muito lentos;
  • Sudorese;
  • Dor no peito;
  • Suor excessivo;
  • Visão turva.

Quando devo procurar um médico?

É importante buscar ajuda médica sempre que notar alterações em sua frequência cardíaca ou sentir qualquer um dos sintomas descritos anteriormente, especialmente em situações de confusão mental, desmaios e dor no peito. Isso vale em casos de pacientes com suspeita de arritmia ou já em fase de tratamento.

Na arritmia denominada fibrilação ventricular, o paciente poderá entrar em colapso em poucos segundos, devido a falta de circulação sanguínea. Nesses casos é importante ligar para a emergência imediatamente e, se possível, realizar uma ressuscitação cardiopulmonar (RCP).

Diagnóstico

O diagnóstico da arritmia pode ser feito por um cardiologista ou clínico geral. Inicialmente, o médico deverá conversar com o paciente sobre sintomas, problemas de saúde, estilo de vida e histórico familiar. Além disso, poderá realizar um exame físico que inclui ouvir a frequência dos batimentos cardíacos, medir o pulso e verificar a presença de inchaços nas pernas ou pés.

Alguns exames complementares também podem ser solicitados pelo médico. São eles:

Eletrocardiograma (ECG)

Pequenos eletrodos são colocados no peito, braços e pernas, a fim de detectar a atividade elétrica do coração do paciente. Rápido e indolor, esse é o teste mais comum no diagnóstico de arritmia. O exame é capaz de medir o tempo e a duração de cada fase elétrica dos batimentos cardíacos. Contudo, o ECG não consegue detectar arritmias que acontecem fora do período do teste.

Holter 24 horas

O Holter 24 horas trata-se de um dispositivo portátil de ECG, que deverá ser utilizado pelo paciente durante 1 ou 2 dias. Por gravar os sinais elétricos do coração por mais tempo que o eletrocardiograma, permite diagnosticar quadros esporádicos de arritmia.

Monitor de eventos eletrocardiográficos

Assim como o Holter 24 horas, o monitor de eventos eletrocardiográficos ou Loop Event Recorder registra os sinais elétricos do coração durante as atividades cotidianas. Porém, o registro só ocorre em determinados momentos, já que o paciente deverá acionar o aparelho somente quando sentir os sintomas. Assim, será possível verificar o funcionamento do coração durante tais episódios.

O monitor de eventos é portátil e pode ser mantido por dias, semanas ou até o surgimento dos sintomas. Seus resultados geralmente são captados por meio de um sistema computadorizado e podem ser avaliados a distância, sem a necessidade da ido do paciente ao hospital ou clínica.

Ecocardiograma

Método não invasivo, o ecocardiograma avalia o coração e as válvulas cardíacas por meio de ondas sonoras (ultrassom). O teste é capaz de fornecer informações sobre o tamanho e formato do órgão, bem como seu funcionamento. Nesse tipo de exame, um dispositivo portátil é colocado no peito do paciente.

Cateterismo cardíaco (angiografia coronária)

Exame invasivo, com anestesia local, o cateterismo cardíaco insere tubos finos e flexíveis (cateteres) nos vasos sanguíneos dos braços, virilha ou pescoço do paciente. Com o auxílio de um equipamento de raio-X, esses tubos serão guiados até o coração, a fim de analisar o interior das artérias coronárias ou avaliar o funcionamento das válvulas e músculo cardíaco.

Durante o procedimento, o médico irá injetar contraste iodado nos cateteres para facilitar a captação de imagens das artérias, câmaras e válvulas cardíacas. Isso ajudará o profissional a encontrar obstruções que podem provocar um ataque cardíaco.

No caso do exame em crianças, a anestesia geral será utilizada, a fim de evitar a agitação.

Exame de sangue e de urina

Os exames laboratoriais podem ser solicitados para verificar o nível de algumas substâncias específicas no sangue, como o potássio e hormônio da tireoide. A detecção de níveis anormais pode favorecer o surgimento de arritmias e ser a causa da doença.

Estudo eletrofisiológico

Esse procedimento invasivo é utilizado para avaliar casos graves de arritmia. Também costuma ser utilizado quando outros métodos não foram capazes de diagnosticar a doença. Nele, cateteres com ponta de eletrodos que vão até o coração são inseridos em veias da virilha ou braços do paciente. A partir desse momento, o médico poderá mapear a propagação de impulsos elétricos.

Além disso, é possível que durante o exame o profissional estimule uma arritmia cardíaca e administre medicamentos, a fim de verificar sua eficácia no tratamento.

Teste de inclinação (tilt test)

Em casos de pacientes que sofrem com tonturas e desmaios, o teste de inclinação costuma ser indicado. O exame monitora a frequência cardíaca e pressão arterial quando o paciente está em diferentes posições.

O procedimento é realizado sobre uma maca basculante motorizada, conhecida como mesa de inclinação. Após um período de repouso, o paciente será submetido a mudanças de posição por meio de inclinações progressivas do equipamento. O médico então irá observar como o organismo responde a cada mudança de ângulo. Em seguida, é possível que o profissional administre medicamentos para verificar as reações do paciente.

Testes de estresse

Alterações nos batimentos cardíacos podem ser desencadeadas por exercícios. Por esse motivo, os testes de estresse são utilizados para analisar a capacidade do coração ao realizar esforço e bater mais rápido.

Existem vários tipos de teste de estresse, sendo o mais comum o que envolve a prática de exercícios em uma bicicleta ou esteira, enquanto a frequência cardíaca e pressão arterial são monitoradas. Em casos em que o paciente é impossibilitado de se exercitar, o médico poderá administrar um medicamento para estimular o coração.

Looper implantável

Solicitado nos casos em que os sintomas acontecem com rara frequência e não têm origem esclarecida, o looper implantável é utilizado para detectar ritmos cardíacos anormais, em períodos que podem incluir até 3 anos.

Nesse procedimento, um implante subcutâneo é realizado no paciente por meio de cirurgia simples, sem a necessidade de internação. O dispositivo costuma ser colocado na região torácica anterior com o uso de anestesia local.

Arritmia cardíaca tem cura? Qual o tratamento?

A arritmia é um problema que tem cura, podendo ou não requerer tratamento. Somente em casos que geram sintomas mais graves ou se existe risco de complicação é que o médico irá solicitar alguns procedimentos. As medidas podem incluir o uso de medicamentos, procedimentos médicos, dispositivos implantáveis e até mesmo cirurgia.

Medicamentos para arritmia

Os medicamentos comumente utilizados no tratamento de arritmias são conhecidos como antiarrítmicos, e têm como função controlar os batimentos do coração, diminuindo sua velocidade e normalizando um ritmo anormal remédios capazes de acelerar uma frequência cardíaca lenta, como no caso da bradicardia, ainda não são considerados confiáveis.

Tais medicamentos incluem bloqueadores dos canais de cálcio (relaxam os vasos sanguíneos) e betabloqueadores (retardam a frequência cardíaca e diminuem a pressão arterial):

Além disso, algumas arritmias, especialmente a fibrilação atrial, podem ser tratadas por meio do uso de medicamentos que diluem o sangue (anticoagulantes), a fim de diminuir o risco da formação de coágulos sanguíneos e acidentes vasculares cerebrais. Entre eles estão:

É possível haver efeitos colaterais, que inclusive podem piorar um quadro de arritmia ou desenvolver uma nova alteração. Por esse motivo, é de extrema importância que seja feito um acompanhamento médico durante todo o tratamento.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Procedimentos médicos

Ablação por cateter

A ablação é utilizada para eliminar áreas doentes do miocárdio, por meio da inserção de cateteres que são enviados até o coração. Pode ser realizada com energias de crioablação (frio) ou radiofrequência (calor), que destroem as pequenas porções danificadas do tecido cardíaco, responsáveis por quadros de arritmia.

Essa técnica minimamente invasiva possui alta taxa de eficácia. Antes de ser realizada, é possível que o médico solicite um ecocardiograma transesofágico, com o objetivo de excluir a possibilidade da existência de um coágulo de sangue nos átrios.

Cardioversão elétrica

Se os medicamentos não surtirem efeito para controlar um ritmo cardíaco irregular persistente, é possível que o médico realize uma cardioversão. O procedimento consiste na aplicação de um choque no tórax do paciente sedado, capaz de afetar os impulsos elétricos e restaurar o ritmo normal do coração.

Dispositivos implantáveis

Marcapasso cardíaco

Os pequenos dispositivos colocados em procedimento cirúrgico sob a pele do tórax ou abdômen do paciente são chamados de marcapassos. Esses aparelhos ajudam a controlar os ritmos cardíacos anormais, pois possuem sensores capazes de detectar a atividade elétrica do coração. Assim que notam um ritmo anormal, enviam impulsos elétricos para induzir batimentos normais.

Cardioversor desfibrilador implantável (CDI)

Nas arritmias mais graves (com risco de morte), como a fibrilação e taquicardia ventricular, pode ser solicitada a implantação do CDI, um dispositivo semelhante ao marcapasso capaz de monitorar os batimentos cardíacos continuamente e, se necessário, enviar choques elétricos ao coração, que corrigem a pulsação de maneira instantânea.

Cirurgia

A cirurgia será recomendada somente em casos extremos, quando não houve melhora por meio do tratamento clínico. Ela também pode ser utilizada em situações em que o paciente já estiver realizando-a para corrigir outros problemas.

Comumente, dá-se preferência para métodos minimamente invasivos, com tempo de recuperação menor. Os mais utilizados são:

  • Procedimento do labirinto: são realizadas incisões no tecido cardíaco, a fim de interromper a propagação de impulsos elétricos desorganizados. Esta cirurgia costuma ser indicada em casos de fibrilação atrial.
  • Cirurgia de bypass coronariano: indicada em pacientes que também possuem doença arterial coronária grave, com o objetivo de melhorar o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco.

Tratamento caseiro

Algumas medidas podem ser adotadas em casa pelo próprio paciente, a fim de evitar quadros de arritmia. São elas:

  • Parar de fazer atividades ao perceber que elas desencadeiam uma arritmia com mais frequência;
  • Parar de fumar;
  • Limitar o uso de álcool, não excedendo uma dose por dia;
  • Limitar ou parar de usar cafeína;
  • Não utilizar remédios contra tosse e resfriado que contenham estimulantes verifique sempre com o médico ou farmacêutico;
  • Monitorar os batimentos cardíacos, medindo o pulso.

Manobras vagais

Em alguns tipos de arritmia, é possível também que o paciente realize as chamadas “manobras vagais”. Esse tipo de tratamento pode ser utilizado para diminuir os batimentos acelerados (taquicardia).

Por meio de exercícios que irão afetar os nervos vagos (estruturas que ajudam a regular os batimentos cardíacos), os impulsos elétricos são desacelerados, fazendo com que a frequência cardíaca volte ao normal em poucos minutos.

As manobras podem incluir ações que vão desde tossir a colocar uma bolsa de gelo no rosto. É importante que antes de iniciar quaisquer medidas como essas, o paciente converse com o médico responsável pelo tratamento.

Convivendo

Algumas medidas podem favorecer o tratamento de arritmias e facilitar o convívio do paciente com a doença. Os cuidados incluem:

Dicas para o uso de medicamentos

  • Crie uma rotina para tomar os medicamentos, respeitando sempre a prescrição médica;
  • A maioria dos medicamentos cardíacos deve ser tomada a longo prazo, mesmo que haja melhora nos sintomas. Portanto, jamais deixe de tomar um medicamento sem consentimento médico.
  • É possível sentir efeitos colaterais que incluem tontura. Nestes casos, sente-se ou deite-se por alguns minutos. Em seguida, levante lentamente. Se os sintomas persistirem, avise seu médico.
  • Não modifique a medicação a fim de economizar. Converse sempre com o profissional de saúde antes de tomar qualquer medida.
  • Informe o médico se estiver tomando ou planeja tomar um novo medicamento, incluindo ervas e vitaminas algumas substâncias podem interferir no tratamento.
  • Antecipe-se com as prescrições, a fim de evitar que a medicação acabe e você não tenha uma nova receita em mãos.

Cuidados com os dispositivos implantáveis

Nos tratamentos em que o paciente utiliza dispositivos implantáveis, como o marcapasso, o paciente deve estar atento para alguns eventos que podem interferir em seu funcionamento:

  • Desfibriladores externos portáteis podem provocar disfunção temporária, permanente ou interrupção da estimulação;
  • A exposição à doses cumulativas de radiação pode prejudicar a bateria ou modificar a função principal do aparelho;
  • Pode haver interferência no marcapasso quando o telefone celular é colocado diretamente sobre o gerador.

Como monitorar o pulso?

Siga o passo a passo para identificar os batimentos cardíacos de maneira correta:

  1. Coloque os dedos indicador e médio no pulso, logo abaixo da linha do polegar. Deixe a mão do braço que está sendo utilizado para medir virada para cima.
  2. Sinta o pulso e, em seguida, conte o número de batidas durante 1 minuto cheio.
  3. Anote o valor, juntamente com o dia, hora e sintomas que sentiu no momento da medição.

Perguntas frequentes

Palpitação sempre é sinal de arritmia?

Embora seja o sintoma mais comum, a palpitação não garante o diagnóstico de arritmia. Muitas vezes a sensação de coração falhando ou de ritmo cardíaco alterado, relatado pelo paciente, é apenas sinal de ansiedade.

Arritmia cardíaca pode matar?

Em casos graves, a arritmia pode sim resultar na morte do paciente. O risco ocorre porque a alteração na frequência cardíaca pode fazer com que o coração não seja capaz de bombear sangue suficiente para o corpo.

Quem tem arritmia pode fazer exercícios físicos?

A prática regular de atividades físicas de baixa intensidade pode trazer benefícios para um coração com problemas. Portanto, é comum que pacientes com arritmia façam exercícios, embora seja indispensável a recomendação e orientação de um cardiologista antes de iniciar qualquer atividade.

Esforço físico durante o sexo pode provocar arritmia?

Assim como os exercícios de intensidade leve ou moderada, o ato sexual não é capaz de provocar uma arritmia. Porém, é possível que ele agrave casos em que a doença não foi tratada de maneira adequada.

Pessoas que sofrem de ansiedade têm mais chances de ter arritmia?

Pessoas ansiosas ou portadoras de outros tipos de transtorno costumam relatar palpitações, que geralmente não passam de sensações desencadeadas pelo quadro psicológico, sem apresentar qualquer relação com arritmia.

Complicações

Em poucos casos a arritmia será considerada preocupante. Contudo, especialmente nos quadros mais graves, como as fibrilações, existe o risco da alteração provocar um dano maior. Entenda:

Acidente vascular cerebral (AVC)

Quadros de arritmia podem provocar coágulos sanguíneos que, ao se romperem, podem chegar ao cérebro e bloquear o fluxo sanguíneo, privando-o do recebimento de oxigênio. O AVC pode provocar danos irreversíveis nos pacientes, já que células mortas do cérebro não podem ser substituídas.

Insuficiência cardíaca

Especialmente nos casos de fibrilação atrial, o bombeamento ineficaz do coração por um longo período pode causar insuficiência cardíaca. Essa condição prejudica o bom funcionamento do organismo, interferindo na qualidade de vida do paciente.

Ataque cardíaco

O ataque cardíaco ou infarto do miocárdio se trata da morte do tecido do músculo cardíaco, provocado pela falta de circulação sanguínea, sem resultar necessariamente na morte do paciente.

Morte súbita

Instantânea e repentina, a morte súbita ocorre devido ao comprometimento da função cardíaca do paciente. Na grande maioria dos casos, acontece fora do ambiente hospitalar, em pessoas que possuem problemas no coração ou já sofreram paradas cardíacas.

Se houver atendimento adequado, a morte súbita pode ser revertida. Isso é possível por meio da aplicação de um choque elétrico no peito do paciente (desfibrilação). Porém, essa ressuscitação deve ocorrer rapidamente, já que o cérebro começa a sofrer danos a partir de 3 minutos.

Prevenção

As medidas preventivas contra a arritmia são as mesmas utilizadas para evitar o surgimento de problemas cardíacos. É importante também controlar os fatores de risco e realizar o check-up regular com um médico cardiologista. As dicas incluem:

  • Manter uma alimentação equilibrada, com baixa ingestão de sal e gorduras;
  • Não ingerir ou exceder o consumo de álcool e cafeína;
  • Praticar atividades físicas regularmente;
  • Não fumar;
  • Controlar a pressão arterial;
  • Controlar os níveis de colesterol;
  • Evitar o sobrepeso.

As arritmias na maioria das vezes não são sinal de preocupação. Porém, casos graves podem provocar a morte súbita do paciente. Compartilhe as informações desse texto para que todos possam conhecer a condição que atinge milhares de brasileiros todos os anos!

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21 Comentários

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  1. Pois fui fazer exames e a medica disse que eu estava com arritimia confusas,parou pois a pressão foi nas alturas ,cheguei lácom 12×08 e derrepente ficou 20×08,mas tenho que fazer outros exames para ver o que vai acontecer comigo
    hoje em dia tem tratamento para tudo ,espero que tenha pra mim

  2. Ótimo, tenho a bendita arritimia ha mais de 30 anos, primeiro disseram que era extracistole, depois arritimia, passei por dois maiores especialista do Brasil em rítimo cardíaco, ela continua, não me da sossego, não tenho tonturas e nem desmaios, mas, incomoda absurdamente, tem hora que penso em ficar louco, tenho vergonha das pessoas que me rodeiam, pois, dizem que é psicológico, que é de minha cabeça, pois, as vezes não passa de minutos, outras vezes que denomino “crises” dura dias semanas, e até mês. Tomava nadolol, resolvia em partem, sumiu do mercado, hoje tomo “ritmonorm” de 300 e sotalol de 80, já nem sei se resolve ou não, pois se não tomo tenho crise se tomo tenho crise. Ando desesperado, alguém pode me dizer alguma coisa mais concreta? Grato.

    • o meu caso é igual o seu e tem quase o mesmo tempo em 2002 2003 dava fibrilaçao fiz 4 ablações a fibrilação parou mas agora com a idade i extra todo dia toda hora a meses durmo sentado no sofá porque se deitar é pior remedios ritmonorm, sotalol escitalopram, aprazolan , atorvastatina e para pressão também, e mesmo assim a infeliz persiste, desculpe não poder te animar, a proposito o ano passado cheguei até a mesa de cirurgia do incor mas na hora o danado não falhou e a medica disse que esse tipo de arritmia não tem parâmetros para mexer

  3. Muito bom o artigo. Ajudou-me a esclarecer a respeito desse problema que me apareceu semana passada. Procurei o cardiologista, fiz exames e estou tomando a medicação. Ele falou que ainda vou sentir mesmo após estar tomando a medicação mas que vai desaparecendo gradativamente. Daqui a um ano tenho que voltar lá.

  4. Excelente texto. O melhor que encontrei na Net. Também fui surpreendida essa semana por uma forte arritmia. Estou com medo de tomar o Sotalol. Obrigada

    • Eu tbm estou com esse problema e meu médico recomendou sotalol… hoje é o terceiro dia que estou tomando… o que estou achando estranho os 2 primeiros fez logo efeito passei o dia inteiro sem ter o problema… hoje no terceiro dia parece que não fez efeito. Mas é como dizem, o efeito só se tem com a continuidade do medicamento. Eu tbm estava com medo de tomar criei coragem e estou tomando. Boa sorte!! Beijos

  5. Felicito pela clareza de informação e riqueza do conteúdo. Entre outras publicações sobre o tema esta é, sem duvida, a mais esclarecedora. Parabéns!

  6. Estou em fase de acompanhamento e tratamento da primeira arritmia que senti. O artigo foi importante para o esclarecimento de muitas dúvidas. Grato

    • Poderia me responder por favor como se dá esse acompanhamento? TIve arrtimia semana passado ontem a noite comçeou novamente e hj fui para uma UPA. De ontem pra hoje foi horrível pensei que iria desabar mal conseguia falar

  7. Realmente minha maior preocupação com a minha idade 68 anos,ex~fumante,e toda a minha vida de trabalho,sem descanso de ferias.E com problema de diabete e pressão alta redobro meus cuidados com minha saúde com medicamentos e atividade física

  8. O que devo fazer quando eu estou nessa situação? Batimentos acelerados, tontura e dor no peito, sempre tomo água.

    • Olá Mateus!

      Ao sinal de qualquer sintoma suspeito, é importante procurar ajuda médica imediatamente. Recomendamos que busque o auxílio de um profissional de saúde, pois apenas ele está apto para fornecer um diagnóstico preciso de acordo com suas condições de saúde e indicar, se necessário, o melhor tratamento.

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