Tipos de anemia: ferropriva, perniciosa, megaloblástica e faciforme

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A anemia pode ser dividida em alguns tipos conforme a causa:

Anemia Ferropriva (carência de ferro)

A anemia ferropriva é causada pela falta de ferro no organismo, um nutriente fundamental para a realização de várias funções básicas do organismo.

A hemoglobina, principal componente das hemácias, é uma proteína que necessita de ferro para ser formada, sendo responsável também pelo transporte de oxigênio para o corpo. Dessa forma, quando ocorre uma deficiência de ferro, acontece uma falta de matéria-prima, digamos assim, para que essas hemácias sejam produzidas e desempenhem sua função.

Por isso, toda vez que os estoques de ferro do organismo estão muito baixos, a anemia ferropriva ou anemia por carência de ferro se desenvolve.

Muitos fatores podem provocar essa carência, tais como alimentação inadequada, hemorragias, menstruação com fluxo intenso ou má absorção de ferro pelo organismo.

Em gestantes, devido ao aumento da quantidade de ferro necessária durante esse período,  esse tipo de anemia também pode acontecer.

Anemia Falciforme

É uma anemia genética e hereditária, conhecida também por anemia drepanocítica. Acontece por uma alteração do cromossomo 11 (uma estrutura que carrega o DNA). Para que esse tipo de anemia ocorra, são necessários 2 genes defeituosos.

Nesses casos, normalmente, a mãe e o pai são portadores, cada um portando 1 gene defeituoso, mas sem manifestação da doença ou de sintomas. No entanto, ao receber essa herança genética dos pais, o filho recebe a combinação genética (ou seja, 2 genes) para desenvolver a condição.

Quando o paciente apresenta apenas 1 gene defeituoso ele é identificado apenas como portador de traço falciforme.

Nesse tipo da doença, as hemácias do sangue ficam em forma de foice, quando normalmente deveriam apresentar um formato mais arredondado.

Por essa variação de formato, as células sanguíneas possuem maior dificuldade em realizar o transporte de oxigênio na quantidade necessária.

Além disso, essas hemácias falciformes apresentam uma duração inferior às hemácias normais e não sobrevivem por muito tempo. A medula óssea, responsável por produzir essas células, por outro lado, não consegue acompanhar o ritmo.

Por isso, o sistema sanguíneo fica prejudicado. Sem essa reposição, várias complicações podem acontecer, tais como acidentes vasculares cerebrais (AVC), uma vez que as hemácias são responsáveis pelo transporte do oxigênio e sua ausência pode causar a morte dos tecidos.

Existem alguns fatores que podem desencadear uma crise de falcização, tais como estressefebre e outras infecções. Essa crise é caracterizada pela manifestação de sintomas como fortes dores nos ossos, na região torácica e abdominal.

No entanto, a anemia falciforme pode apresentar ainda uma grande variabilidade clínica, ou seja, se manifestar de forma grave em alguns pacientes — podendo levar a complicações mais sérias e frequentes —  ou representar uma condição clínica leve e até mesmo assintomática.

O diagnóstico acontece logo no nascimento, no teste do pezinho. O tratamento deve ser feito desde então, com o acompanhamento de uma junta médica.

Em alguns casos, pode ser necessário, durante o tratamento, o transplante de medula óssea, para conseguir substituir a medula que não está conseguindo produzir as hemácias saudáveis.

Esse tipo de anemia é mais comum em pessoas descendentes de populações do norte da África e do Mediterrâneo. No Brasil, é muito mais comum na população negra.

Anemia megaloblástica

A anemia megaloblástica acontece quando as hemácias (glóbulos vermelhos) apresentam um tamanho maior do que o normal, pois o citoplasma não se divide corretamente, geralmente pela falta de nutrientes necessários, devido à deficiência de vitamina B12 ou vitamina B9 (ácido fólico)

Além da variação do tamanho, também são menos resistentes e acabam morrendo antes do tempo esperado.

Esse tipo de anemia se instala no organismo do indivíduo devido ao prejuízo que a deficiência dessas vitaminas provoca, pois sem elas o corpo não é capaz de realizar corretamente a síntese de timina.

Assim, os cromossomos não conseguem se duplicar e não há o processo de divisão celular (mitose).

Pessoas nessa condição podem apresentar sintomas como dor de barriga, cansaço, queda de cabelo, feridas na boca, além dos sintomas comuns da anemia, como tontura, fraqueza, ressecamento das mucosas e palidez.

Anemia perniciosa

anemia perniciosa é um tipo de anemia megaloblástica, que ocorre quando há ausência de fator intrínseco (uma substância produzida pelo estômago que auxilia na digestão dos alimentos e na absorção de B12 no intestino).

Sem a vitamina, os glóbulos vermelhos são produzidos incorretamente, morrendo precocemente, configurando o quadro anêmico.

Fatores autoimunes, uso excessivo de antiácidos, cirurgias bariátricas ou alterações gástricas podem ser responsáveis pela manifestação do tipo pernicioso.

Anemias hemolíticas

Existem diferentes formas de anemia hemolítica, mas ela é caracterizada pela dificuldade da medula óssea em produzir glóbulos vermelhos que, por motivos diferentes, estão sendo destruídos antes do tempo adequado.

Isso pode acontecer devido a determinadas doenças infecciosas, autoimunes, genéticas ou hereditárias, como a esferocitose hereditária (formato anormal dos glóbulos vermelhos) e a deficiência de Glicose 6 Fosfato Desidrogenase ou G6PD (que facilita o rompimento das hemácias), por exemplo.

No caso da anemia hemolítica autoimune, o próprio sistema imunológico do paciente entende os glóbulos vermelhos como invasores. Assim, produzem anticorpos que os atacam e os destróem antes do tempo.

Nesse tipo, o tratamento depende da causa. Na manifestação autoimune, por exemplo, pode ser necessário o tratamento com medicamentos que inibem o sistema imunológico.

Anemia do recém-nascido

Recém-nascidos também podem sofrer com a anemia. A principal causa desse tipo de problema é uma doença chamada eritroblastose fetal, ou incompatibilidade de Rh.

O Rh, ou fator Rh, é um antígeno presente no sangue, que recebe classificação positiva ou negativa.Quando alguém possui o antígeno naturalmente ele é considerado Rh+ (positivo). As pessoas que não apresentam esse fator Rh naturalmente são classificadas como Rh- (negativo).

Quando o Rh positivo do bebê entra em contato com o Rh negativo da mãe, o sistema imunológico da gestante pode acabar produzindo anticorpos para se defender desses antígenos do feto, ao entendê-los como corpos estranhos.

Essa reação do sistema de defesa recebe o nome de sensibilização Rh.

Por causa desse conflito entre os antígenos da mãe e do bebê, o recém-nascido pode sofrer com a anemia, pois os anticorpos podem atravessar a placenta até o feto, provocando a destruição das hemácias.

Para se defender dessa anemia, o organismo do recém-nascido reage produzindo hemácias imaturas, denominadas eritroblastos. Essa é uma condição que pode trazer sérios riscos para a saúde do bebê.

Raramente essa incompatibilidade de Rh provoca problemas durante a primeira gestação. No entanto, por ficar mais sensibilizada, os riscos em gestações futuras é maior.

Anemia por doenças crônicas

Pode ser provocada pela presença de doenças autoimunes, câncer, doenças infecciosas, insuficiência renal crônica e outras patologias como o HIV/AIDS, artrite reumatoide e doença de Crohn.

Nessas condições, os pacientes correm um risco maior de apresentarem uma baixa produção de glóbulos vermelhos.

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