O que é Síndrome do Pânico, sintomas, tratamento, FAQ, tem cura?

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Revisado por: Dr. Emerson Rodrigues Barbosa (CRM/PR 25901) – Psiquiatra

A ansiedade, o medo e o pânico foram e ainda são sensações importantíssimas para a sobrevivência da espécie humana. Ao se deparar com situações de perigo extremo, um incêndio, por exemplo, é bom que esses sentimentos tomem conta do indivíduo para que ele tema por sua vida e busque fugir da ameaça.

Mas e quando essas sensações se tornam patológicas? E quando começam a acontecer repentinamente e sem motivo aparente, trazendo transtornos e constrangimentos para o indivíduo? O que fazer? Como buscar ajuda? Que médico procurar?

Descubra a resposta para essas e mais questões sobre a Síndrome do Pânico no texto a seguir!

O que é Síndrome do pânico?

A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade caracterizado por crises ou ataques de pânico repentinos e sem razão aparente. Trata-se de uma sensação de medo tão intensa que pode acarretar em sintomas físicos, como taquicardia e falta de ar.

Muitos pacientes, durante os ataques, confunde os sintomas físicos com uma doença física, como um ataque cardíaco ou um AVC.

Se não tratada, pode trazer sérias complicações como o desenvolvimento de fobias, hipocondria e depressão. Pode ser encontrada no CID-10 através do código F41.0.

Segundo dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPq – HCMFUSP), aproximadamente 10% da população pode sofrer crises sem motivo aparente. Cerca de 3,5% dessas pessoas sofrem de ataques repetidos, o que pode ser categorizado como síndrome do pânico.

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Um caso famoso e que ganhou bastante notoriedade pública é o do Padre Fábio de Melo. Diagnosticado com a doença, ele contou, em uma entrevista concedida ao Fantástico,  que suas crises foram tão intensas que, em certos momentos, teve de se esconder debaixo da cama por conta do mal-estar proporcionado pela doença.

Ainda assim, apesar da conscientização estar aumentando, as pessoas que sofrem com a síndrome do pânico ainda têm que conviver com mais uma pedra no caminho: o preconceito.

É comum que a paciente com síndrome do pânico se sinta inferiorizada, pois as pessoas ao redor dizem que é frescura e que não se trata de um problema tão sério, o que é mentira. A síndrome do pânico é um problema real e que pode trazer sérias consequências.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é síndrome do pânico?
  2. Síndrome do pânico na gravidez
  3. Causas
  4. Fatores de risco
  5. Sintomas
  6. Como é feito o diagnóstico
  7. Síndrome do pânico tem cura?
  8. Qual o tratamento?
  9. Medicamentos
  10. Convivendo
  11. Como ajudar uma pessoa com síndrome do pânico?
  12. Prognóstico
  13. Complicações
  14. Como prevenir crises de pânico?
  15. Perguntas frequentes

Síndrome do pânico na gravidez

É muito comum que a ansiedade aumente durante a gravidez, especialmente por causa das alterações hormonais causadas pela gestação e pela preocupação com a criança que está por vir. Isso pode favorecer o aparecimento de crises de pânico, principalmente em mulheres que já tiveram crises anteriores.

Quando não tratada, a síndrome do pânico pode ter sérias consequências para a gestante e para o desenvolvimento da gravidez, como:

  • Aumento do risco de pré-eclâmpsia (pressão arterial elevada);
  • Parto prematuro;
  • Maiores chances de ser necessária uma cesariana;
  • Baixo peso do bebê ao nascer;
  • Diminuição dos movimentos fetais.

Para a segurança da criança, o tratamento nesses casos é principalmente focado na psicoterapia, já que muitos dos remédios podem afetar o desenvolvimento da criança. Ainda assim, existem casos em que o uso de medicamentos é inevitável. Nesses casos, a administração de medicações deve ser feita em baixas doses e sob expressa orientação médica.

Além disso, é de extrema importância que a mamãe siga o tratamento após o nascimento do bebê, pois, durante essa fase, as chances de crises de pânico aumentam.

Causas

As causas em si das crises e da síndrome do pânico ainda são desconhecidas pela ciência. O que os pesquisadores especulam é que ela seja uma doença hereditária. Há também a constatação de que ela afeta muito mais mulheres do que homens e que costuma surgir no final da adolescência e início da vida adulta.

Além disso, é bastante comum que as pessoas experienciem apenas 1 episódio de pânico durante toda a vida. Quando a crise acontece apenas uma vez, isso não caracteriza um quadro de síndrome do pânico, mas o fato dos episódios poderem acontecer com qualquer um dificulta ainda mais o trabalho dos pesquisadores de tentar entender as causas da doença.

Entretanto, existem diversas tentativas de se explicar as razões por trás da desordem. Essas hipóteses levam em conta perspectivas biológicas, cognitivas, genéticas e psicológicas.

Isso não significa que uma vertente exclua a outra. O que é mais provável, no ponto de vista dos profissionais da área, é que a doença seja causada por múltiplos fatores ou uma combinação deles. Entenda:

Possíveis causas biológicas

Algumas pesquisas concluíram, por exemplo, que existe uma atividade irregular da noradrenalina (um tipo de regulador do humor) nas pessoas que têm ataques de pânico.

Além disso, pesquisas recentes também descobriram que o cérebro das pessoas que sofrem com síndrome do pânico funciona de maneira irregular. Partes do cérebro como a amígdala, o núcleo ventromedial e o cerúleo parecem não funcionar corretamente nessas pessoas.

A Amígdala

As amígdalas são partes do cérebro responsáveis por avisar o corpo de que se está em uma situação de perigo e que é hora de ter medo. Elas são estruturas tão importantes que aparecem em todas as espécies de mamíferos, aves e répteis.

Essa função é potencializada de acordo com a capacidade cerebral de cada espécie. Ou seja, animais com maior capacidade cerebral, como os seres humanos, têm mais facilidade de prever situações de risco, e isso faz com que as funções da amígdala sejam ainda mais potentes em nós.

Os outros animais, por exemplo, só ativam o medo quando outro predador aparece. O ser humano, por outro lado, possui um poder antecipatório muito grande, o que faz com que ele seja capaz de temer à morte mesmo sem nenhum inimigo próximo.

Ao contrário do que parece, isso não é algo ruim. Na realidade, foi de extrema importância para a sobrevivência dos primeiros indivíduos da espécie e foi essencial para o desenvolvimento humano.

No passado, quando predadores estavam sempre à espreita, possuir a capacidade de ter medo de maneira precipitada era um grande diferencial. Aqueles que já estavam preparados para correr eram os que conseguiam fugir dos predadores, viver mais e, por consequência, ter mais filhos.

Entretanto, apesar de muito importante, toda essa capacidade antecipatória pode ser ruim. Quando as amígdalas estão desreguladas e não funcionam direito, elas podem induzir quadros de pânico sem motivo aparente.

No momento em que isso acontece sem motivo aparente e de maneira recorrente, temos a síndrome do pânico.

Possíveis causas cognitivas

Teóricos acreditam que pessoas com síndrome do pânico sofrem dos crises porque elas confundem suas sensações físicas com situações de risco. Entenda mais sobre essas sensações físicas da doença no tópico “Sintomas”.

O problema é que os sintomas físicos fazem com que as pessoas se sintam fora do controle da situação, o que as leva a episódios de pânico.

Essa confusão foi nomeada pelos especialistas como ansiedade sensitiva e pesquisas sugerem que pacientes que possuem índices mais altos de ansiedade sensitiva têm até 5 vezes mais chances de ser diagnosticadas com transtorno do pânico.

Possíveis causas psicológicas

Há ainda a possibilidade da síndrome do pânico ser causada por fatores psicológicos, como eventos muito estressantes, transições bruscas na vida e a exposição a ambientes hostis.

Muitas vezes, as primeiras crises são provocadas por altos níveis de estresse e o uso de certos medicamentos. Além disso, pessoas com uma sobrecarga de responsabilidades também desenvolvem uma tendência maior de sofrer de crises de pânico, assim como pessoas que sofrem de estresse pós-traumático.

Fatores de risco

Como não se sabem as exatas causas da síndrome do pânico, também se torna difícil dizer quais os principais fatores de risco. Ainda assim, é possível pincelar alguns deles. Confira:

Idade

A adolescência e o início da vida adulta são os momentos mais propícios para o aparecimento de crises de pânico. Apesar da síndrome do pânico normalmente se desenvolver entre os 18 e 35 anos de idade, é possível que ela ocorra em qualquer momento da vida.

Genética

Já foi constatado que existe forte correlação entre a genética e a síndrome do pânico. Filhos de pais com a doença são muito mais propensos a ter ataques e ser diagnosticados com a síndrome.

Gênero

Mulheres são mais propensas a desenvolver distúrbios ansiosos e depressivos. A síndrome do pânico, em especial, é ainda mais prevalente entre as mulheres. Estima-se que elas possuem até 2 vezes mais chances de apresentar a doença.

Ainda não se sabe o motivo para que isso ocorra, mas existe a hipótese de fatores culturais estejam envolvidos nesses números. Mulheres se sentem muito mais inseguras na sociedade do que os homens por conta da cultura em que vivemos e, portanto, passam por mais situações em que os níveis de ansiedade se elevam.

Um relato muito comum entre as mulheres é o medo de andar na rua sozinha à noite, por exemplo. Essas situações aumentam os níveis de estresse e ansiedade, facilitando o surgimento de transtornos relacionados ao pânico.

Personalidade

Pesquisas demonstram que existe alguma correlação entre crianças com personalidades mais “amedrontadas”, ansiosas e nervosas e o desenvolvimento posterior de síndrome do pânico.

Ambiente familiar

Existem alguns traços familiares que estão relacionados à síndrome do pânico. Pais que são muito exigentes, perfeccionistas e que exigem comportamento e disciplina de forma rígida dos filhos aumentam os riscos da criança desenvolver síndrome do pânico no futuro.

Entretanto, essa correlação não é necessariamente verdadeira, já que há um grande número de crianças que passou por situações similares e não desenvolveu a síndrome, como há pacientes que foram criados em ambientes completamente diferentes, muitas vezes, acolhedores e vieram a desenvolvê-la.

Eventos traumáticos

Já foi constatada a relação entre a síndrome do pânico e o estresse pós-traumático. Transições muito bruscas na vida de uma pessoa, como a morte de um ente querido próximo, a perda de um emprego ou um divórcio podem servir de gatilhos para o desenvolvimento de um quadro de pânico.

Além disso, pesquisas mostraram que passar por situações traumáticas, como sofrer de abuso físico ou sexual, tem uma forte correlação com o desenvolvimento da síndrome do pânico.

Altos níveis de estresse

Existe uma correlação entre o estresse e o transtorno do pânico. Pessoas que são submetidas à muita pressão e que têm responsabilidades excessivas possuem mais chances de ter uma crise.

Abuso de substâncias

O abuso de substâncias é muitas vezes relacionado às crises de pânico. Um estudo publicado na revista científica Addictive Behavior mostrou que 39% das pessoas que sofrem de síndrome do pânico já fizeram uso abusivo de substâncias.

Desses 39%, 63% abusaram do álcool, e 59% relataram ter feito uso excessivo de drogas ilícitas. Nesses casos, o uso de substâncias é anterior ao surgimento de crises de pânico.

Entenda a relação entre as substâncias e as crises de pânico:

Tabaco

Fumar tabaco aumenta os riscos de desenvolver síndrome do pânico e agorafobia (medo de espaços abertos ou com muitas pessoas). Especialmente quando se inicia na adolescência ou no começo da vida adulta, as chances de desenvolver alguma dessas doenças aumentam.

Ainda não se entende completamente a relação entre o fumo e a síndrome, mas algumas hipóteses já foram levantadas. A principal delas diz respeito à capacidade respiratória. Alterações nessa função podem levar a crises de pânico por causa dos sintomas respiratórios.

Essa hipótese surgiu em decorrência de anormalidades respiratórias encontradas em crianças com níveis elevados de ansiedade, o que levou os pesquisadores a acreditar que pessoas com problemas nessa área são mais suscetíveis às crises de pânico.

Além disso, a nicotina é um estimulante e tanto o seu uso quanto a abstinência podem aumentar os níveis de ansiedade, favorecendo o aparecimento da síndrome.

Estimulantes

Um número significativo de estudos mostrou uma correlação forte entre a ingestão de cafeína e síndrome do pânico ou outros distúrbios ansiosos.

Pacientes com síndrome do pânico, por exemplo, são mais sensíveis aos efeitos neuro-estimulantes e “provocadores de ansiedade” da cafeína. Um dos efeitos mais conhecidos da cafeína nessas pessoas é o aumento da frequência cardíaca.

Além disso, alguns remédios para gripe e resfriado que contém descongestionantes podem conter substâncias como a pseudoefedrina, efedrina, fenilefrina, nafazolina e oximetazolina. Essas substâncias também podem aumentar a frequência cardíaca, fazendo com que os riscos de uma crise de pânico seja maior.

Álcool e sedativos

Aproximadamente 30% das pessoas com síndrome do pânico fazem uso de álcool e 17% faz uso de outras substâncias psicoativas. A utilização de álcool e outras drogas recreativas normalmente provoca um agravamento dos sintomas.

Outras doenças

Condições como a depressão e a ansiedade crônica estão relacionadas à síndrome do pânico. Outros problemas que estão relacionados ao transtorno são:

Sintomas

Os sintomas de uma crise de pânico normalmente são mistos e envolvem uma série de sintomas emocionais e físicos que, quando em conjunto, dão a sensação ao paciente de que ele está morrendo ou de que algo muito ruim está prestes a acontecer.

Para os pacientes, especialmente durante um episódio, às vezes pode ser muito difícil constatar que se trata de uma crise de pânico. Entretanto, para terceiros, a tarefa pode ser um pouco mais fácil, uma vez que não estão com o emocional tão fragilizado.

Entretanto, antes de entrarmos nos sintomas propriamente ditos, precisamos estabelecer as diferenças entre crises de pânico e a síndrome do pânico.

Crise de pânico X Síndrome do pânico

Existem diferenças entre crises de pânico para a síndrome do pânico. Muitas pessoas experimentam crises de pânico sem mais episódios recorrentes ou complicações. Nesses casos, o problema não pode ser diagnosticado como Síndrome do pânico.

A síndrome só ocorre quando os episódios são recorrentes, combinados com mudanças intensas no comportamento, como a ansiedade e o estresse persistentes ou a dificuldade de sair de casa por medo de novas crises.

Nesses casos, as crises recorrentes representam um grande peso emocional na vida do paciente. A memória do medo intenso e do terror experienciado durante os episódios pode afetar negativamente a autoconfiança do paciente e causar graves perturbações na vida cotidiana. Nesse caso, a regra é simples: uma única crise de poucos minutos pode deixar cicatrizes duradouras e de difícil tratamento.

Eventualmente, isso pode levar o paciente a sentir:

  • Ansiedade antecipatória: o paciente se sente tenso mesmo em situações em que deveria estar tranquilo. Essa ansiedade normalmente ocorre em decorrência do medo de novas crises. É famoso “medo de ter medo”, e ele pode ser extremamente incapacitante;
  • Evitação fóbica: o paciente pode começar a evitar diversas situações ou ambientes, baseando-se na crença de que a situação que está evitando é a causa da crise de pânico anterior. Outra justificativa é o medo de locais onde a fuga seria difícil ou onde não encontraria ajuda disponível.

Sintomas físicos

Podemos dizer que os sintomas de uma crise de pânico ocorrem porque o corpo está, de certa forma, se preparando para fugir de uma situação de perigo, de uma ameaça real, como um incêndio. Eles ocorrem, principalmente, porque há uma descarga de adrenalina que provoca uma série de alterações físicas no corpo.

Como essas alterações são inesperadas e normalmente não fazem sentido estarem ocorrendo naquele exato momento, a pessoa cria justificativas muitas vezes fora da realidade para tentar lidar com a descarga inesperada de adrenalina.

Confira os principais sintomas:

  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Aumento da frequência respiratória (hiperventilação);
  • Ressecamento da boca;
  • Sensação de falta de ar;
  • Dor no peito ou desconforto;
  • Tremores;
  • Sudorese excessiva;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Tontura leve ou fraca;
  • Parestesia (formigamento ou dormência).

Como a hiperventilação provoca outros sintomas

A hiperventilação é o aumento da frequência respiratória. É um dos principais sintomas presentes em uma crise de pânico e pode desencadear uma série de consequências em várias partes do organismo.

Isso acontece porque, durante a hiperventilação, o corpo humano expele uma quantidade excessiva de gás carbônico, desequilibrando o controle ácido-base do sangue. Quando a diminuição do gás carbônico no organismo ocorre, tem-se como consequência o aumento do pH sanguíneo.

A elevação do pH, por sua vez, se traduz clinicamente na redução de cálcio livre no sistema circulatório, causando sintomas em todo o corpo. Entenda:

Sistema nervoso central:

A falta de oxigênio livre para o cérebro faz com que se acione um sistema de vasoconstrição arterial, o que pode trazer sintomas como:

  • Vertigem;
  • Escurecimento da visão;
  • Sensação de desmaio.

Sistema nervoso periférico

Esses problemas afetam diretamente a transmissão de estímulos pelos nervos sensitivos. Isso faz com que o paciente sinta parestesia (formigamento) em diversas regiões. As parestesias são bastante características: se iniciam da periferia para o centro do corpo.

Ou seja, o indivíduo pode começar a se queixar de formigamento que começa na ponta dos dedos e que se estende para os braços.

Musculatura esquelética

A hipocalemia (níveis baixos de cálcio circulando no sangue) aumenta a excitabilidade muscular. Isso pode ter como consequência:

  • Tremores nas extremidades: o paciente fica com as mãos tremendo;
  • Espasmos musculares: ocorre a contração de pequenos grupos musculares, como as pálpebras, pescoço, tórax e braços;
  • Tetania: mais rara, a tetania é a contração muscular persistente. Nesses casos, é comum que o paciente se queixe de dificuldade para abrir os olhos, dor toráxica alta e sensação de aperto na garganta.

Estresse extremo

Altos níveis de estresse fazem com que os hormônios do corpo fiquem desequilibrados, aumentando a frequência dos batimentos cardíacos e causando sintomas como a náusea. Além disso, esse estresse extremo pode comprimir os órgãos, afetando a respiração e causando uma série de outros sintomas.

Sintomas emocionais

Por conta da surpresa causada pelo surgimento dos sintomas físicos, o paciente pode experienciar uma série de sintomas emocionais que, se não tratados, podem levá-lo a ter crises recorrentes.

Os sintomas emocionais, portanto, ocorrem durante a crise e também nos momentos posteriores, quando os sinais físicos já nem estão mais presentes.

Durante as crises, o paciente pode sentir:

  • Sentimento de bloqueio;
  • Sentir-se excluído ou separado do seu entorno;
  • Medo de perder o controle e “enlouquecer”;
  • Sensação de que vai morrer.

Essas sensações são irreais e não representam algo concreto. Elas acontecem porque a mente está buscando justificativas lógicas para todas as sensações físicas que está presenciando. Entretanto, apesar de assustar, o paciente não vai morrer por causa dos sintomas físicos. Depois de um tempo, eles vão passar e existem técnicas para fazer com que eles sumam com mais facilidade.

Ainda assim, muitos pacientes podem apresentar uma série de outros sintomas depois das crises. A pessoa pode começar a se sentir deprimida por conta das crises, já que os sintomas podem ter um grande impacto na sua autoestima.

O paciente começa a sentir que não serve mais para nada, que é um inútil, que só atrapalha a vida das outras pessoas ou então que é inferior aos demais. Esses pensamentos não são representativos de uma realidade concreta, pois qualquer um pode sofrer uma crise de pânico de repente e se encontrar nessa posição fragilizada.

Por isso, é importante ressaltar que, se esses sintomas emocionais não forem tratados, pode acontecer do paciente acabar entrando nos ciclos do pânico, o que pode fazer com que as crises se tornem crônicas.

Quando isso acontece, isto é, quando ocorrem múltiplas crises de maneira recorrente, podemos dizer que o paciente está sofrendo da síndrome ou transtorno do pânico.

Ciclos do pânico

As pessoas que sofrem de síndrome do pânico muitas vezes acabam ficando presas em um ciclo vicioso e bastante incômodo. Este fenômeno é chamado de Ciclo do Pânico e pode afetar de forma crônica a vida do paciente.

Entenda mais sobre como ele funciona através da imagem acima e da explicação de cada etapa abaixo:

Ansiedade antecipatória

A ansiedade antecipatória acontece quando o paciente se sente muito inseguro com alguma situação que está por vir ou com alguma associação semelhante a um trauma do passado. A pessoa fica ansiosa, com medo de que venha a ter um ataque de pânico novamente. É o famoso “medo de ter medo”.

Nos casos de um trauma passado, por exemplo, a pessoa pode ter passado por uma situação ruim como ter sido atacada por um cachorro. Eis que em algum momento de sua vida, se depara com um outro cachorro parecido com o que a atacou no passado. Esse encontro gera ansiedade na pessoa, que relaciona a cena ao trauma vivido.

Já nos casos de medo do futuro, podemos citar como exemplo o medo de se apresentar em público. O paciente projeta inseguranças e medos para o futuro, gerando ansiedade. Ele acha que vai passar vergonha, cometer alguma gafe e que a plateia vai rir dele. Essa situação pode ser bastante estressante e acabar levando o paciente a um ataque de pânico.

Ataque de pânico

Trata-se da crise do pânico em si. Durante ela, os sintomas característicos aparecem. Ou seja, mãos suadas, tremedeiras, sensação de aperto, hiperventilação e outros.

Nesse momento, o corpo ativa reações de fuga e as sensações de desconforto e morte podem chegar a extremos. Isso acontece porque o corpo está se preparando para fugir. Vale lembrar que eles são mentais e não vão matar o paciente.

Fuga e alívio

É quando a situação que estava trazendo desconforto é superada através da fuga. No caso da apresentação em público, por exemplo, o paciente deixa de cumprir o compromisso.

Os sintomas não necessariamente desaparecem na hora em que a pessoa se livrou do “problema”. Normalmente, ainda demora um tempo para os níveis de adrenalina diminuírem. A respiração diafragmática ajuda bastante na hora de acelerar o processo de diminuição dos sintomas.

Instalação de crenças limitantes (autocrítica e autodesconfiança)

Nesse momento, o paciente começa a se culpar por ter fugido da situação que desencadeou a síndrome do pânico. Pensamentos do tipo “Eu não presto pra nada”, “Só dou trabalho para os meus parentes”, “Ninguém me entende” ou “Se eu passar mal as pessoas vão rir de mim” se instalam na mente do paciente.

Isso pode ser bastante debilitante e frustrante, pois a pessoa sente que não tem mais a liberdade de fazer as coisas ou então se sente inferiorizada. Isso é muito ruim para autoestima e aumenta os níveis de ansiedade.

Esses níveis altos de ansiedade podem se manifestar como ansiedade antecipatória e aí todos o ciclo pode voltar a acontecer.

Como é feito o diagnóstico?

Como vimos no tópico “Sintomas”, muitas pessoas passam por crises ou ataques de pânico em algum momento da vida e não voltam a experienciar os sintomas novamente. Isso não caracteriza um diagnóstico de síndrome do pânico.

Pelo contrário, para que uma pessoa seja diagnosticada com síndrome do pânico, em primeiro lugar, a frequência das crises de pânico deve ser considerada. Ou seja, se elas acontecem muitas vezes com os mesmos sintomas em um determinado espaço de tempo, é provável que o paciente tenha o transtorno do pânico.

A síndrome do pânico não pode ser diagnosticada através de exames clínicos, mas trata-se de um problema real e grave, necessitando de tratamento urgente para que o paciente volte a ter uma vida com qualidade e que retorne às suas atividades cotidianas.

Os profissionais mais capacitados para diagnosticar a síndrome do pânico são os psiquiatras e psicólogos.

Síndrome do pânico tem cura?

Sim, a síndrome do pânico tem cura, desde que o paciente busque o profissional correto. O tratamento tem duração bastante variável e não é o mesmo para todos, mas o auxílio psiquiátrico e psicológico é essencial para que o paciente supere o problema.

Qual o tratamento?

Assim como grande parte dos transtornos psiquiátricos, o tratamento da síndrome do pânico é feito em duas frentes: a medicamentosa e a terapêutica. Entenda mais sobre elas:

Tratamento medicamentoso

Quando a síndrome do pânico é diagnosticada, o médico psiquiatra pode prescrever uma série de medicamentos, como ansiolíticos e antidepressivos para curar o quadro. Esse tipo de tratamento pode demorar até surtir efeito, pois os medicamentos não funcionam da mesma forma para todas as pessoas. Muitas vezes, pode levar até mais de 6 meses para que o paciente comece a notar resultados.

Além disso, antidepressivos e ansiolíticos podem trazer uma série de efeitos colaterais indesejados para os pacientes e, como o tratamento pode demorar até surtir efeito, muitos pacientes desistem de tomar os remédios e voltam ao quadro inicial.

Psicoterapia

Clinicamente, a combinação do tratamento medicamentoso com a psicoterapia tem bons resultados. A psicoterapia, na verdade, pode até mesmo melhorar a efetividade dos medicamentos, além de reduzir as recaídas de pacientes que não seguem o tratamento medicamentoso corretamente.

Dentre as vertentes de psicoterapia, a que tem mostrado mais resultado para o tratamento da síndrome do pânico é a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC).

Terapia cognitivo-comportamental

A TCC é baseada na premissa de que tudo o que o indivíduo pensa afeta o modo como se sente, o que, sucessivamente, afeta suas ações. A partir disso, o método estimula o paciente a reconhecer a irracionalidade do seu medo e dos seus pensamentos negativos acerca das situações sociais que causam ansiedade no seu dia a dia.

A terapia cognitivo-comportamental para tratar a síndrome do pânico é focada em 4 pontos principais:

  • Técnicas de autogerenciamento: visam ensinar o paciente a reconhecer quando está prestes a ter uma crise ou ataque e oferecer técnicas, como a respiração diafragmática, para evitá-los;
  • Exercícios com distorções cognitivas: o psicoterapeuta tenta orientar o paciente a enxergar os pensamentos distorcidos que o levam a crises de pânico, buscando construir, ao longo do tempo, uma visão mais clara, objetiva e positiva das situações sociais que podem disparar um episódio;
  • Técnicas de exposição gradual: o paciente vai ser exposto às situações que lhe disparam a ansiedade de maneira controlada, através de eventos reais ou simulados com o auxílio de role playing (interpretação);
  • Tratamento de traumas associados à condição: paciente e terapeuta vão analisar as situações que disparam as crises de pânico para compreender o que acontece com o paciente e bolar soluções.

Medicamentos

Os medicamentos que normalmente são indicados para o tratamento da síndrome do pânico são ansiolíticos e antidepressivos leves. Confira:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Conviver com a síndrome do pânico é uma tarefa difícil para o paciente. Confira agora algumas dicas para lidar com a doença:

O que fazer durante uma crise de pânico?

Passar por uma crise de pânico é desesperador. Entretanto, existem algumas medidas que o paciente pode tomar para fazer com que os sintomas passem mais rápido. Entenda:

  • Assim que começar a ter os sintomas, procure um lugar fresco no qual se sinta seguro;
  • Não se deve nunca sair correndo. Isso só alimenta ainda mais o desespero causado pela crise;
  • Fique numa posição confortável, sentado ou agachado;
  • Pratique técnicas de respiração diafragmática. Inspire profundamente e solte lentamente pela boca durante alguns minutos;
  • Preste atenção ao seu redor e use os sentidos. Observe o que acontece à sua volta e procure algo para focar sua atenção, como um cheiro, uma textura ou um som;
  • Use os medicamentos prescritos pelo médico.

Respiração diafragmática

Uma das formas de diminuir os sintomas que se manifestam durante um ataque de pânico é através da respiração diafragmática. Ela não necessariamente vai parar a crise, mas pode ajudar a amenizar os sintomas sem que seja necessário o uso de medicamentos.

Funciona assim: quando você identificar que está tendo um ataque de pânico, coloque uma mão no peito e outra no abdômen. Respire de forma a levantar somente a mão que está no abdômen. Esse ato pode ajudar a diminuir a falta de ar e a taquicardia.

Como ajudar uma pessoa com síndrome do pânico

É necessário para quem convive com pacientes portadores da síndrome do pânico bastante paciência, sensibilidade e empatia. Se colocar no lugar do outro, antes de tudo, é essencial. Ainda assim, existem algumas ações que você pode tomar. Entenda:

Nunca menospreze o problema

Não. A síndrome do pânico não é frescura, bobagem ou loucura. Nunca diga para uma pessoa que está em crise que ela não tem nada demais ou que é fraqueza dela. A síndrome do pânico é uma doença real e que traz sérios problemas.

O paciente com síndrome do pânico já sofre o bastante com os sintomas da própria doença. Menosprezar o que ela está sentindo só vai fazer com que ela se sinta mais fraca. É uma atitude cruel e completamente desnecessária. (Então apenas pare)

Não exerça nenhum tipo de pressão

Tenha calma. Se a pessoa com síndrome do pânico diz não conseguir fazer alguma coisa é porque provavelmente não consegue.

Portanto, não adianta ficar insistindo para ela sair ou desencanar. Acredite: esse é o maior desejo de alguém que sofre da síndrome do pânico. Acontece que às vezes mesmo as ações mais pequenas parecem impossíveis. Portanto, a palavra chave é: paciência.

Evite formas de incentivo grosseiras ou agressivas

Pode parecer uma boa ideia ser mais contundente na hora de incentivar uma pessoa com síndrome do pânico. Dar um empurrãozinho ou um chacoalhão para que a ela reaja positivamente também pode parecer uma boa ideia.

Pois é: só parece. Esse tipo de “incentivo” pode ser interpretado erroneamente, pode soar como uma agressão e piorar a situação, pois a pessoa pode se sentir diminuída diante da atitude.

Portanto, gritar ou dizer certas coisas em tom muito entusiástico para provocar uma reação pode mais atrapalhar do que ajudar.

Evite contar histórias trágicas ou de outras enfermidades para o paciente

Como vimos nos tópicos anteriores, muitos pacientes com síndrome do pânico podem desenvolver fobias, como a agorafobia, e até mesmo ficar hipocondríacas. Portanto, esse tipo de conversa pode ativar gatilhos emocionais.

Além disso, durante o período de crises, a pessoa que sofre da síndrome do pânico fica muito mais suscetível a incorporar sintomas às suas crises, tem medo de ter a mesma doença da qual ouviu falar ou de sofrer um acidente de carro como na história trágica que acabou de ouvir.

Mantenha a calma durante as crises

É difícil, mas procure manter a calma nos momentos em que a pessoa estiver em crise. Pense que se pra você já é difícil, pra ela está impossível!

Se você não se abalar, manter a calma e mostrar que está ali para ajudá-la qualquer que seja a situação, provavelmente será mais fácil acalmá-la e ela dificilmente terá outra crise perto de você.

Caso você se envolva no desespero do paciente, dificilmente vai poder ajudá-lo. Muitas vezes, as crises demoram um pouco para passar, mas elas sempre passam.

Evite tratar o paciente como um coitadinho

Tratar o outro com pena faz com que ele se sinta inferiorizado. Cuide da pessoa com confiança em sua recuperação e não como se ela fosse uma criança indefesa.

Jamais indique medicamentos por conta própria

A automedicação é muito perigosa e, para os casos de síndrome do pânico, é expressamente necessário consultar um psiquiatra antes de tomar qualquer remédio.

Seja paciente com a pessoa e consigo

Não é fácil entender o que está passando pela cabeça do outro nessas horas e isso muitas vezes dificulta as ações. Por isso, você pode se sentir impotente ou incapaz de entender ou ajudar. Saiba que isso é muito comum. Você não deve se sentir inútil por não conseguir resolver um problema como esse.

A melhor ajuda que você pode oferecer é estar presente, ao lado da pessoa para o que der e vier. Se for necessário, procure grupos de ajuda. Eles também podem auxiliar as famílias dos pacientes e dar maiores informações sobre a doença.

Prognóstico

O prognóstico dos pacientes com síndrome do pânico tende a ser bastante positivo, apesar da dificuldade de se tratar a doença. O uso da medicação correta e o acompanhamento psicológico ajudam bastante o paciente a retornar às suas atividades cotidianas e levar uma vida com qualidade.

Complicações

A síndrome do pânico pode trazer uma série de complicações para a vida do paciente que sofre da doença. Conheça algumas delas:

Ansiedade basal

A ansiedade basal é um conjunto de sintomas caracterizado por tensão, dores musculares, dificuldade para relaxar (a pessoa se sente sempre alerta, fica à espreita, à espera de uma nova crise), intolerância a barulhos, impaciência, irritabilidade, agressividade verbal, insônia e fadiga no final do dia.

Ansiedade de antecipação

O paciente pode começar a associar suas crises de pânico aos locais em que as teve, criando um condicionamento e sentindo-se ansioso, podendo até ter novas crises ao se confrontar com a mesma situação uma segunda vez.

Evitação fóbica

Muitos pacientes podem desenvolver o quadro de evitação fóbica, que se caracteriza por tentar evitar ao máximo uma situação que possa gerar uma crise.

O problema é que quanto mais tenta evitar a situação, mais receio dela o paciente vai adquirindo, fazendo com que ele possa acabar caindo em um ciclo do pânico, como vimos no tópico “Sintomas”.

Agorafobia

Segundo estudos realizados pelo National Institute of Mental Health, nos Estados Unidos, aproximadamente ⅓ das pessoas com transtorno de pânico se tornam agorafóbicas, apresentando todos os sintomas característicos dessa patologia.

A agorafobia pode ser definida como ansiedade extrema em situações que a pessoa julga serem inseguras ou difíceis de sair. Com isso, a pessoa passa a “ter medo” de ir para espaços abertos, centros comerciais, trânsito e até mesmo situações simples em que a pessoa se encontra fora da própria residência.

Ela está fortemente ligada a crises de pânico. Apesar de existirem casos de agorafobia sem histórico prévio de pânico ou ansiedade, o mais comum é que os dois andem de mãos dadas.

O problema tende a surgir quando a pessoa que sofreu repetidas crises de ansiedade começa a adquirir um medo terrível de que elas se manifestem novamente em outras situações em que será mais difícil ou impossível pedir ajuda.

É possível, por exemplo, que a pessoa com agorafobia tenha crises de pânico ao ir passear no shopping, parque ou ao fazer compras no supermercado.

Todas essas limitações podem dar lugar a sentimentos depressivos, porque o paciente deixa de receber reforços positivos do seu ambiente e pode acabar caindo em um círculo vicioso do humor, tornando-se cada vez mais incapacitado, com baixa autoestima e níveis de ansiedade cada vez maiores.

Desenvolvimento de outras fobias

Além da agorafobia, os pacientes com síndrome do pânico estão mais susceptíveis a desenvolver outros tipos de medo como, por exemplo, medo de dirigir, de voar de avião e usar o elevador.

Esses medos podem estar relacionados direta ou indiretamente às crises anteriores e, como os sintomas não escolhem nem data, nem lugar, nem hora para acontecer, a tendência é que as fobias aumentem progressivamente.

Hipocondria

A hipocondria é uma preocupação excessiva com a saúde física. É um transtorno mental caracterizado pelo medo constante de estar doente ou de desenvolver uma doença séria.

Como a síndrome do pânico provoca sintomas físicos muito intensos, é bastante comum que os pacientes comecem a achar que estão tendo um ataque cardíaco ou um derrame.

Nesses casos, a pessoa acredita que há algo de muito errado com a sua saúde física. Algo tão errado que nem os médicos e exames são capazes de detectar ou então que estão lhe omitindo por alguma razão.

Autodepreciação e desmoralização

As crises e o medo de novas crises podem ser muito limitantes e impor diversas barreiras na vida do indivíduo que sofre da síndrome do pânico. Como esse estado muitas vezes impede o próprio paciente de sair de casa, sentimentos de autodepreciação e desmoralização não são incomuns.

Existe, nos quadros de síndrome do pânico, uma queda bastante acentuada na qualidade de vida do paciente e da família.

O paciente pode se sentir responsável pela doença e sentir-se impotente, fraco ou menor por conta de uma falsa ideia de que lhe “falta de força de vontade” para superar o problema.

Depressão

À medida que a síndrome do pânico vai evoluindo e especialmente se ela for deixada sem tratamento, o paciente pode começar a se ver cada vez mais isolado do mundo exterior. Muitas vezes, o paciente pode perder a vontade de sair da cama.

Esses são sintomas típicos da depressão e é bastante comum que eles apareçam antes, depois ou em conjunto com as crises de pânico.

Os sintomas depressivos normalmente surgem de forma reativa às limitações fóbicas ansiosas impostas à vida do indivíduo pelo transtorno.

Como prevenir crises de pânico?

Como ainda não se sabe exatamente o que causa uma crise de pânico, dizer o que fazer para evitar que elas aconteçam é uma tarefa um pouco difícil. Entretanto, existem algumas dicas que podem ser de extrema valia para quem sofre com o problema. São elas:

  • Praticar atividades que estimulem o relaxamento, como yoga e pilates;
  • Evitar locais com muitas pessoas, como shows, peças de teatro e transporte público;
  • Evitar o consumo de bebidas que estimulam o sistema nervoso, como a cafeína, o chá preto, verde ou mate e bebidas alcoólicas ou energéticas;
  • Sempre que possível, sair na companhia de alguém com que se sinta seguro e confortável;
  • Evitar ambientes que possam ser gatilhos para novas crises.

Vale lembrar que simplesmente evitar o problema não é o mesmo que tratar do problema. Tentar prevenir que as crises aconteçam é interessante para qualquer um que sofre de síndrome do pânico, mas é uma medida paliativa.

Procure um médico especialista para que ele avalie seu quadro e para que vocês, em conjunto, possam trabalhar numa solução.

Perguntas frequentes

Como identificar um ataque de pânico?

Existem alguns sintomas que são característicos de um ataque de pânico. Por isso, fizemos uma lista com os 5 sintomas mais comuns para que você possa conhecê-los e se prevenir caso um ataque ocorra no futuro. Confira:

  • Mudanças repentinas de temperatura: o paciente pode repentinamente começar a sentir muito calor ou então muito frio;
  • Dor no peito: devido ao aumento da frequência cardíaca, é possível que o paciente sinta uma dor no peito, muitas vezes fazendo-o acreditar que está tendo um ataque cardíaco;
  • Náusea e tonturas: é bastante comum que, durante os ataques, a pessoa sinta tonturas e fique com o estômago embrulhado, piorando ainda mais a situação;
  • Sentimentos intensos: as sensações de medo e ansiedade podem chegar aos extremos durante um ataque de pânico;
  • Falta de ar: a soma desses e de todos os outros sintomas pode fazer com que o paciente sinta que não está respirando direito, fazendo-o sentir falta de ar.

Mesmo conhecendo os principais sintomas de um ataque de pânico, ainda pode ser muito difícil identificá-lo, especialmente no momento em que ele está ocorrendo, pois muitas vezes o paciente pode confundir esses sintomas com os de outras doenças, como um ataque cardíaco, por exemplo.

Entretanto, é muito importante tentar manter a calma. Uma das formas de fazê-la é se utilizando das técnicas respiratórias que vimos no tópico “Como prevenir a síndrome do pânico?”.

Ainda assim, se você por acaso achar que os sintomas são mais graves do que os de um ataque de pânico, não tenha vergonha de pedir ajuda. Se achar necessário, vá ao hospital. Os médicos e profissionais do local vão fazer o possível para aliviar o que te aflige, seja um ataque de pânico ou alguma outra doença.

A maconha afeta os pacientes com síndrome do pânico?

Em primeiro lugar, por mais óbvio que pareça, é preciso ressaltar que a maconha é uma droga e que seu uso, como o de qualquer outra, traz riscos à saúde. No caso dos pacientes com transtorno do pânico, os riscos podem ser aumentados.

Isso porque um dos mecanismos de ação da maconha é o estímulo serotonérgico no cérebro. Portanto, a maconha é uma droga alucinógena que, assim como o LSD, está ligada às crises de pânico.

Todos já ouvimos falar sobre a bad trip ou “viagem ruim”. Ela é caracterizada por um mal estar intenso, similar à crise do pânico.

Apesar de existirem relatos sobre o poder relaxante da maconha, é fato que ela pode desencadear crises ansiosas e de pânico, especialmente em pacientes predispostos. Portanto, pessoas que sofrem com a síndrome do pânico não devem fazer uso de maconha e outras drogas.


A síndrome do pânico é um problema sério. Mesmo assim, seus portadores têm que lidar com o preconceito diariamente. Compartilhe este texto para que as pessoas se conscientizem sobre a real gravidade do problema!

Fontes consultadas

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5 Comentários

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  1. Bom dia pessoal, gostaria de compartilhar minha história com vcs!! Há 04 anos fui diagnosticada com Síndrome do Panico e a 04 anos venho tratando. Durante esse tempo tomei remédios, fiz psicoterapia, tomei florais, realizei todo e qualquer tipo de tratamento que pudesse melhorar … Nada, absolutamente nada fazia passar o aperto no peito e a falta de ar…. Depois de ter uma crise forte de tosse, fui levada a procurar um pneumologista…. resultado: DEPOIS DE 04 ANOS, OS MÉDICOS DESCOBRIRAM QUE TENHO ASMA!!!! Fiz o tratamento, e agora não tenho mais nada, não tenho falta de ar, não tenho aperto no peito e não tenho coração acelerado…. durante uma crise de asma é normal a pessoa ficar ansiosa. Eu sofri muito com isso, por isso vim aqui dividir com vcs, investiguem as vezes temos que ir atras e ouvir outras opiniões!!

  2. Esse foi um dos melhores artigos que já li sobre o assunto, explica tudo de uma forma clara. Agradeço imensamente por todo esse conteúdo.

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