O que é Hipertireoidismo, sintomas e mais: emagrece? Tem cura?

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O que é hipertireoidismo?

Hipertireoidismo é uma condição na qual a tireoide, uma glândula em formato de borboleta presente no pescoço, está anormalmente ativa, causando disfunções no metabolismo.

A tireoide produz dois hormônios que ajudam a regular o metabolismo, que sofre consequências quando há um funcionamento anormal.

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Os hormônios secretados pela tireoide são chamados tetraiodotironina (T4), ou tiroxina, e triiodotironina (T3). Quando há hipertireoidismo, a produção e secreção desses hormônios é elevada. O aumento pode ocorrer em apenas um dos hormônios ou nos dois ao mesmo tempo.

A principal consequência do hipertireoidismo é um aumento no metabolismo, que resulta em perda de peso rápida e sem explicação, ritmo cardíaco rápido ou irregular, sudorese, nervosismo e irritabilidade.

Mesmo sendo uma doença grave quando não tratada, a maior parte das pessoas diagnosticadas respondem bem ao tratamento, indicando um prognóstico positivo na maioria dos casos.

A condição começa a se manifestar entre os 20 e 50 anos, sendo 2 vezes mais comum em mulheres do que em homens.

O ser humano não é o único que sofre com essa condição: o hipertireoidismo é comum em gatos idosos e afeta cerca de 2% dos gatos com mais de 10 anos de idade. Nesses casos, o problema é causado por um tumor benigno na tireóide felina.

Na Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10), o hipertireoidismo é encontrado pelo código E05.

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Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é hipertireoidismo?
  2. Funções do T3 e T4
  3. Como os hormônios se regulam no organismo?
  4. Causas
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Hipertireoidismo ou hipotireoidismo?
  8. Como é feito o diagnóstico do hipertireoidismo?
  9. Hipertireoidismo tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Medicamentos para hipertireoidismo
  12. Prognóstico
  13. Complicações
  14. Convivendo
  15. Como prevenir o hipertireoidismo?
  16. Perguntas frequentes

Funções do T3 e T4

O hormônios secretados pela tireoide são de extrema importância para o funcionamento do organismo. Sem eles, as coisas simplesmente não funcionam. Dentre várias outras funções, esses dois hormônios:

  • Realizam a manutenção do ritmo em que o corpo utiliza as gorduras e carboidratos (queima as calorias);
  • Ajudam no controle da temperatura corporal;
  • Influenciam o ritmo cardíaco;
  • Auxiliam a regular a produção de proteínas.

Já deu pra perceber que esses hormônios são bem importantes, né? Mas isso tudo só funciona direito quando eles estão em equilíbrio; o que, infelizmente, não é o caso do hipertireoidismo.

Como os hormônios se regulam no organismo?

A maneira com a qual os hormônios da tireoide são regulados no corpo pode parecer confusa em um primeiro momento, mas calma que vamos explicar tudo!

No cérebro, existe uma grande central de controle chamada hipotálamo. Essa estrutura cuida da regulação de processos metabólicos e atividades autônomas, como respiração, controle do sangue, entre outras.

Quando o hipotálamo detecta que há pouco T3 e T4 no sangue, ele manda uma mensagem para uma glândula chamada hipófise, conhecida como glândula mestra por ser quem regula o funcionamento de todas as outras glândulas no corpo.

A hipófise entende que os hormônios da tireoide estão em falta e libera TSH, o hormônio estimulante da tireoide. A quantidade desse hormônio que é liberada é inversamente proporcional à quantidade de T3 e T4 no sangue, ou seja, quanto mais T3 e T4, menos TSH é secretado.

A glândula tireoide, por fim, recebe o TSH e regula a produção de hormônio de acordo com a quantidade de estimulação que foi enviada pela hipófise.

Pessoas com a tireoide em funcionamento normal possuem TSH no sangue, mas seus níveis são saudáveis, sem que a concentração desse hormônio seja demais ou esteja em falta. Isso ajuda na hora de diagnosticar o problema, como veremos em “Como é feito o diagnóstico de hipertireoidismo?”.

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Causas

A hipertireoide é, normalmente, causada por outra doença. Contudo, existem outras situações que podem desencadear uma produção exagerada de T3 e T4.

Algumas condições que causam a hipertireoide são:

Doença de Graves (bócio difuso)

A doença de Graves é uma condição autoimune na qual os próprios anticorpos atacam as células da tireoide e estimulam uma maior produção dos hormônios T3 e T4.

Trata-se da principal causa de hipertireoidismo e afeta mais mulheres do que homens. Histórico familiar da doença é um fator de risco para o desenvolvimento, o que leva a acreditar que se trata de um problema com algum componente genético.

Excesso de iodo

O iodo é um mineral importante para a síntese de T3 e T4. Sua falta pode levar ao mal funcionamento da tireoide e, por isso, muitos alimentos tem iodo adicionado — o sal de cozinha é um deles.

Contudo, esse iodo extra pode ser prejudicial quando os níveis de iodo no sangue são muito altos, pois provoca um aumento da secreção dos hormônios da tireoide.

Tireoidite

Inflamações na tireoide, conhecidas como tireoidite, podem fazer com haja uma maior liberação dos hormônios, mesmo que não haja necessidade.

Essas inflamações podem ser causados por vírus (tireoidite subaguda), por infiltração de células brancas do sistema imunológico na tireoide (tireoidite linfocítica) ou até mesmo se iniciar após a gravidez sem motivos aparentes (tireoidite pós-parto).

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Medicamentos e suplementos

Existem diversos medicamentos e suplementos que podem conter T4 em sua composição. Muitas vezes, o uso inadequado desses remédios pode levar a episódios de hipertireoidismo.

Tumores

Tumores benignos da tireóide e da hipófise (glândula mestra que comanda a atividade de todas as outras) podem causar descompensações, levando a um aumento do T4 e T3 no organismo.

Outros tipos de tumores que podem causar um aumento na secreção de hormônios tireoidianos são câncer de ovário e testículo. Isso porque o aumento da massa dessas duas glândulas provoca o aumento de um hormônio chamado hCG (sim, o mesmo hormônio da gravidez), que tem ação parecida com o TSH, e estimula a produção de T3 e T4 na tireoide.

Um tipo específico de câncer do ovário, inclusive, é caracterizado pela presença de uma massa de tecido tireoidiano nos ovários. Nesse caso, esse tecido secreta os hormônios tireoidianos da mesma forma que a tireoide, mas sem obedecer os sinais da hipófise, causando um aumento dos níveis desse hormônio na corrente sanguínea.

Adenomas (nódulos)

Um adenoma se forma quando uma parte da glândula se isola, formando nódulos benignos (não cancerosos), que podem acabar aumentando o tamanho da tireoide.

Nem sempre os adenomas causam hipertireoidismo, mas podem ser a principal causa de secreção excessiva de hormônios em alguns casos.

Bócio multinodular tóxico

Em idosos, pode haver o surgimento de nódulos na tireoide, que levam a um aumento na quantidade de hormônios secretados. Essa condição é chamada bócio multinodular tóxico e acomete, principalmente, mulheres na terceira idade.

Fatores de risco

Embora o hipertireoidismo possa acometer qualquer um, ele é mais comum quando há determinados fatores de risco. São eles:

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  • Ser mulher: A doença acomete mais mulheres do que homens;
  • Histórico familiar de hipertireoidismo: Ter um familiar que sofre com a doença é um fator de risco para seu desenvolvimento, sugerindo uma certa hereditariedade;
  • Fumar: Por razões desconhecidas, a doença de Graves é duas vezes mais comum em pessoas que fumam do que não-fumantes. O tabagismo também piora os sintomas em quem já tem o problema e prejudica a resposta ao tratamento.

Sintomas

O hipertireoidismo causa uma grande diversidade de sintomas, que podem ser confundidos com outras doenças. Com sintomas tão difusos, é possível que os médicos errem o diagnóstico numa primeira tentativa.

Entre os principais sintomas estão:

Perda de peso repentina

A hipertireoide aumenta a velocidade do metabolismo, alterando sua intensidade em até 4 vezes, por conta dos altos níveis de tiroxina no organismo. Esse hormônio faz a queima dos carboidratos ingeridos muito rapidamente e, em seguida, reduz as reservas de gordura.

Com isso, as gorduras já presente vão diminuindo e a alimentação, mesmo que em maior quantidade, não é capaz de criar novas reservas.

Alterações nos batimentos cardíacos

O paciente com hipertireoidismo pode sentir palpitações, pois o coração pode aumentar a frequência de seus batimentos cardíacos. Pode haver, também, arritmia cardíaca.

Isso acontece porque a doença tem uma ação direta e indireta nesse órgão.

Em um primeiro momento, a intensificação do metabolismo faz com que os tecidos do corpo necessitem de nutrientes mais rapidamente e, com isso, há uma dilatação dos vasos sanguíneos.

O coração, então, precisa mandar um volume maior de sangue para suprir essa demanda.

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Por outro lado, a própria tiroxina tem efeitos diretos no coração, aumentando a frequência dos batimentos e a contração do músculo cardíaco (o coração “se aperta” mais na hora de bombear o sangue).

Apetite aumentado

Por conta do metabolismo aumentado, a pessoa digere tudo que comeu muito rapidamente, e metaboliza os nutrientes rápido demais. Isso impede que haja sensação de saciedade por muito tempo.

Nervosismo, ansiedade e irritabilidade

A tiroxina tem efeitos bastante peculiares no sistema nervoso central: ela aumenta a atividade cerebral de maneira muito acentuada. Dessa forma, há maior grau de vigília, que está relacionado aos sentimentos de ansiedade, irritabilidade e nervosismo.

Tremores

Ainda no sistema nervoso central, a tiroxina causa outro efeito interessante: um tremor contínuo nos músculos. Não é algo muito acentuado, é leve e geralmente só é notado na região dos dedos e das mãos, mas ainda é um tremor que não para.

Mudanças nos padrões intestinais

Pessoas com hipertireoidismo podem ter diarreias e evacuações frequentes. Isso ocorre porque a tiroxina aumenta a motilidade de todo o tubo digestivo, incluindo os intestinos. Além disso, intensifica o fluxo dos sucos digestivos, o que acelera todo o processo de digestão.

Fadiga

A fadiga ocorre por conta do metabolismo acelerado, que aumenta a velocidade de digestão, absorção de nutrientes e metabolização dos mesmos.

Após a metabolização dos nutrientes, eles não ficam mais disponíveis para o corpo aproveitar. Como isso ocorre muito rapidamente, nada do que é ingerido é aproveitado pelo organismo.

Dessa forma, o corpo não consegue fazer reservas de energia, e o paciente sofre, então, de um cansaço extremo.

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Suor e sensibilidade ao calor

Pacientes com hipertireoidismo podem ter suor sem motivos aparentes e uma maior sensibilidade ao calor.

Isso acontece porque a maior intensidade no metabolismo promove o aquecimento corporal, o que, por sua vez, é bastante útil em temperaturas frias, mas é desagradável em temperaturas amenas ou em dias mais quentes.

Em pessoas saudáveis, é até normal um aumento do metabolismo durante o inverno ou dias frios, justamente para ajudar a manter o corpo aquecido.

Dificuldade para dormir

Lembra que a tiroxina deixa o sistema nervoso central em estado de vigília? Isso significa estar alerta o tempo inteiro e, além de todos os sentimentos ruins que essa condição traz, ela também dificulta na hora de pegar no sono.

Mudanças no ciclo menstrual e infertilidade

Como a tireóide também produz e regula os hormônios sexuais, ela tem grande influência no ciclo menstrual das mulheres. O desequilíbrio hormonal pode tornar os ciclos irregulares, estimular a ovulação fora de hora e até mesmo impedir a ovulação em si, o que causa infertilidade.

Desenvolvimento de mamas em homens

Condição conhecida como ginecomastia, o crescimento de mamas em homens pode ocorrer por conta de um desequilíbrio nos hormônios sexuais.

Isso acontece porque a grande quantidade de hormônios da tireoide no organismo aumenta a produção de proteínas que se ligam ao principal hormônio masculino, a testosterona, diminuindo sua quantidade livre no organismo.

Como se isso já não fosse o bastante, há também o aumento dos hormônios femininos, o que aumenta as glândulas mamárias, fazendo com que as mamas se desenvolvam, mesmo nos homens.

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Outros sintomas

Outros sintomas comumente observados são:

  • Espessamento da pele;
  • Cabelos frágeis e quebradiços;
  • Problemas nos olhos, como desconforto;
  • Aumento da glândula tireoide (bócio), que aparece como um inchaço no pescoço.

Em adultos na meia idade, os sintomas podem ser mais fracos ou até mesmo imperceptíveis. Eles também podem ser mais brandos em gestantes e idosos.

Vale lembrar, também, que medicamentos da classe dos bloqueadores beta-adrenérgicos (para hipertensão e outros problemas cardiovasculares) podem mascarar os sintomas.

Oftalmopatia de Graves

Nos casos em que a doença é causada pela doença de Graves, os olhos podem ficar “para frente”, saindo de sua órbita, condição chamada de exoftalmia. Isso acontece porque os tecidos por trás dos olhos ficam inchados em consequência da tireoide hiperativa.

Essa condição traz diversos problemas para os olhos, que ficam ressecados e sensíveis à luz. Alguns sintomas dessa condição são:

  • Olhos esbugalhados, saindo de suas órbitas;
  • Vermelhidão e inchaço nos olhos;
  • Lacrimejamento excessivo e desconforto nos olhos;
  • Fotofobia (sensibilidade à luz);
  • Visão dupla ou borrada;
  • Inflamação nos olhos;
  • Redução dos movimentos oculares.

Hipertireoidismo ou hipotireoidismo?

Por conta do nome, essas duas condições são frequentemente confundidas, mas elas são, basicamente, o oposto uma da outra.

Enquanto a hipertireoide secreta hormônios em demasia e causa um aumento no metabolismo, a hipotireoide não produz hormônio o suficiente, o que leva a uma baixa na velocidade do metabolismo.

Apesar dessas diferenças, as duas tem alguns sintomas em comum, como a fadiga e o inchaço da glândula.

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Como é feito o diagnóstico do hipertireoidismo?

Existem diferentes exames para auxiliar no diagnóstico do hipertireoidismo. Alguns são para ajudar a detectar a doença, outros focam mais em encontrar a causa do problema.

O médico capaz de diagnosticar o hipertireoidismo é o endocrinologista. Entre os exames que ele pode pedir, estão:

Histórico médico e exame físico

Essa é a primeira etapa do diagnóstico, que consiste em ouvir as queixas do paciente e tentar determinar quais as possibilidades. Para isso, o médico precisará saber se o paciente possui outras doenças, quais medicamentos faz uso, hábitos alimentares e de sono, entre outros.

No exame físico, o médico irá procurar por sinais de hipertireoidismo, como um leve tremor nas pontas dos dedos, reflexos exagerados, alterações oculares e pele quente e húmida.

Outro ponto que o médico irá examinar é se a tireoide está inchada, o que muitas vezes pode ser visto através de um inchaço no pescoço. O pulso pode ser medido para checar se está rápido, outro sinal de uma tireoide hiperativa.

Exames de sangue

Os exames de sangue servem para medir a quantidade de hormônios da tireoide (principalmente T4) e estimulantes (TSH) na corrente sanguínea. Caso o nível de TSH seja muito baixo ou quase inexistente, pode-se ter um diagnóstico de hipertireoidismo.

Um lipidograma também pode ser pedido. Esse exame mostra a quantidade de triglicérides e colesterol circula no sangue, e níveis baixos podem indicar um metabolismo acelerado — principal característica da hipertireoide.

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Vale lembrar que, durante a gravidez, o diagnóstico do hipertireoidismo pode ser dificultado. Mulheres grávidas já tem, naturalmente, os níveis de TSH mais baixos no sangue.

Isso acontece porque, durante a gravidez, há o aumento de um hormônio chamado hCG, que suspende a ovulação e garante que tudo no organismo fique certo para o desenvolvimento do bebê no útero. O problema é que, na tireoide, ele tem ação parecida com o TSH, estimulando a produção de T3 e T4.

Dessa forma, a hipófise detecta mais T3 e T4 no organismo e compensa isso liberando pouco TSH, para que não haja hormônios tireoidianos demais circulando pela corrente sanguínea.

Teste de absorção de iodo radioativo

Apesar do nome assustador, esse exame não provoca nenhum desconforto. Basta engolir uma pequena dose de iodo radioativo e o médico tira cintigrafias — uma imagem gerada a partir da detecção da radioatividade — após algumas horas (geralmente 2, 6 e 24 horas), para avaliar o quanto do iodo foi absorvido pela tireoide durante esse tempo.

Se a absorção for grande, é um sinal de que há muito T3 e T4 sendo produzidos, o que indica a presença da doença de Grave ou de nódulos hiperativos (adenomas).

Já quando a absorção é baixa, pode ser um sinal de que os hormônios T3 e T4 estão “vazando” da glândula, o que pode ser causado por uma inflamação, como a tireoidite.

Vale lembrar que esse exame expõe o paciente a uma certa dose de radiação e, por isso, é contraindicado para gestantes e lactantes.

Escaneamento da tireoide

Nesse exame, o paciente recebe uma injeção de uma substância radioativa e permanece deitado em uma maca, com o pescoço esticado, enquanto uma câmera especial produz imagens da tireoide em uma tela.

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Esse exame ajuda a visualizar a glândula como um todo, auxiliando a determinar se a causa da hipertireoide é um tumor ou adenomas, por exemplo.

O pescoço pode ficar em uma posição desconfortável durante o exame e o paciente será exposto a uma pequena quantia de radiação. Sendo assim, esse exame também não é muito indicado para gestantes e lactantes.

Hipertireoidismo tem cura?

Mais ou menos. A cura do hipertireoidismo depende da causa do problema.

Quando a causa está numa alimentação rica em iodo, que promove uma maior produção de hormônios da tireoide, abster-se de tais alimentos pode resolver o problema.

Se for o caso de uma tireoidite, assim que a inflamação passar, a tireoide volta ao seu funcionamento normal. Em tumores, basta retirar o tumor para obter a cura. Contudo, há chances de recidivas.

Já no caso de doença de Graves, não existem relatos de cura, uma vez que se trata de uma doença autoimune.

Qual o tratamento?

Felizmente, na grande maioria das vezes, o tratamento do hipertireoidismo não é nada complicado. Ele consiste na ingestão de medicamentos e, em casos raros, procedimentos cirúrgicos para remoção da tireoide. Entenda:

Iodo radioativo

Esse tratamento consiste na ingestão de isótopos de iodo radioativo em doses específicas que podem ajudar a destruir células hiperativas da tireoide. Essa técnica é usada há mais de 60 anos e tem se mostrado segura e eficaz na maior parte dos utilizadores.

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Alguns efeitos colaterais podem ser boca e olhos secos, dor de garganta e alterações no paladar. É necessário tomar cuidado ao utilizar esse método de tratamento para evitar exposição exagerada à radiação.

Outro problema é que, eventualmente, esse método pode acabar levando à hipotireoidismo, uma condição na qual a tireoide não produz hormônios o suficiente, o que também é prejudicial à saúde.

Medicamentos antitireoidianos

Existem alguns medicamentos próprios para o tratamento de hipertireoidismo, chamados antitireoidianos. Eles combatem a doença prevenindo que a tireoide produza hormônios em excesso.

Em geral, os sintomas começam a desaparecer após 12 semanas desde o início do uso desses medicamentos, mas o tratamento deve continuar por 1 ano ou mais.

Os antitireoidianos conseguem erradicar o problema completamente para algumas pessoas, enquanto outras vivenciam recaídas após a retirada do medicamento.

Riscos relacionados ao uso desses medicamentos incluem danos graves ao fígado e alergias, que causam erupções cutâneas, urticária, febre e dores nas articulações. Além disso, eles podem prejudicar o funcionamento do sistema imunológico, deixando o usuário mais suscetível a infecções.

Medicamentos para hipertensão

Os bloqueadores beta-adrenérgicos são usados para hipertensão, mas podem mascarar os sintomas do hipertireoidismo. Eles não agem diretamente na causa do problema, mas podem acabar com sintomas tipo palpitações, ritmo cardíaco acelerado, tremores e ansiedade, enquanto o problema não é corrigido.

Tiroidectomia

Em último caso, quando o problema não é resolvido por meio de medicamentos, o paciente pode ser submetido a um procedimento cirúrgico de retirada total ou parcial da tireoide.

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Pacientes que passam por esse procedimento precisam tomar suplementos dos hormônios da tireoide para prevenir o hipotireoidismo.

Os riscos dessa cirurgia envolvem dano às cordas vocais e glândulas paratireoides, que são 4 pequenas glândulas em volta da tireoide que ajudam no controle dos níveis de cálcio no sangue.

Oftalmopatia de Graves

Em pacientes que desenvolvem a oftalmopatia de Graves, pode ser necessário uma cirurgia de descompressão orbital, cuja finalidade é remover um osso que fica atrás do olho e permite colocar os globos oculares no lugar certo.

Caso a cirurgia seja um sucesso, o olho pode voltar a funcionar normalmente. Entretanto, podem ocorrer complicações, como visão dupla persistente pós-cirurgia.

Outra cirurgia que pode ajudar é feita nos músculos oculares, a fim de cortar músculos encurtados que prejudicam a posição do olho e provocam visão dupla.

Medicamentos para hipertireoidismo

Alguns medicamentos frequentemente usados no hipertireoidismo são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

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Prognóstico

O prognóstico do hipertireoidismo está intimamente ligado à causa. Num geral, os pacientes podem levar uma vida normal, porém é possível que eles precisem fazer o uso da medicação a vida inteira.

Complicações

Quando não tratado, o hipertireoidismo pode trazer algumas complicações graves. São elas:

Problemas cardíacos

Como os hormônios da tireoide afetam o ritmo cardíaco, eles podem acabar levando a doenças cardíacas graves, como fibrilação atrial, que provoca uma frequência cardíaca irregular e má circulação sanguínea.

Esse problema circulatório pode levar à insuficiência cardíaca, uma condição na qual o coração não consegue bombear sangue o suficiente para o corpo inteiro.

Caso o tratamento seja rápido e adequado, esses problemas podem ser revertidos a tempo. Do contrário, o paciente pode ir a óbito.

Osteoporose

Hormônios da tireoide em excesso pode prejudicar a absorção de cálcio pelo organismo, e os ossos dependem desse mineral para se manterem firmes e fortes. Sem ser tratado, o hipertireoidismo pode levar, então, a ossos fracos e quebradiços.

Problemas oculares

Pacientes com doença de Graves podem sofrer com a oftalmopatia, que traz diversos problemas oculares, incluindo a perda de visão caso a condição não seja tratada.

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Inchaço cutâneo e vermelhidão

Especialmente no caso da doença de Graves, os pacientes podem desenvolver uma dermopatia, isso é, uma doença de pele, que afeta principalmente a pele dos pés e das pernas, causando vermelhidão e inchaço.

Aumento da probabilidade de aborto

Em gestantes com hipertireoide, a probabilidade de um aborto espontâneo é maior do que em outras gestantes.

Crise tireotóxica

Também chamada de “tempestade tireoidiana”, essa condição é caracterizada por um aumento repentino dos sintomas, o que causa febre, batimentos cardíacos acelerados e até mesmo delírios.

Trata-se de uma situação emergencial que precisa de ajuda médica o mais rápido possível. Não deixe de contatar o médico se você desconfia que isso esteja acontecendo contigo ou alguém conhecido.

Convivendo

O diagnóstico de hipertireoidismo pode tirar alguém dos eixos, especialmente se a pessoa conhece pouco sobre a doença. Contudo, existem várias dicas para uma melhor convivência com o problema. Algumas delas são:

Suplementos de cálcio e vitamina D

Por conta da fragilidade óssea que o hipertireoidismo pode causar, é possível que o médico ou nutricionista receite suplementos de cálcio e vitamina D.

O cálcio é o principal mineral que compõe os ossos e é o que o torna forte e resistente. Já a vitamina D é essencial para que o organismo possa absorver e utilizar bem o cálcio. Por isso, a suplementação desses nutrientes geralmente é feita em conjunto.

Dieta balanceada

Uma dieta balanceada é importante para qualquer pessoa, mas para pacientes com hipertireoidismo, pode ser ainda mais valiosa. Ter uma dieta focada em cálcio e sódio é importante para melhorar a qualidade dos ossos, e as proteínas são essenciais para auxiliar na força e resistência dos músculos.

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Exercícios

Assim como uma dieta balanceada, os exercícios são bons para todos, mas tem uma importância vital em pacientes de hipertireoidismo. Isso porque eles ajudam a fortalecer os músculos, e isso inclui o sistema cardiovascular, o que auxilia na prevenção de problemas cardíacos.

Levantamento de peso também pode ser uma boa pedida para esses pacientes, visto que auxiliam a manter a densidade dos ossos.

Atenção!

Como as atividades físicas estão intimamente relacionadas ao metabolismo, é de extrema importância consultar o médico antes de iniciar uma nova rotina de exercícios, a fim de evitar aqueles que possam trazer algum perigo para pacientes com hipertireoidismo.

Técnicas de relaxamento

Um fator de risco para uma crise tireotóxica é o estresse (principalmente físico), que eleva os níveis de cortisol no organismo.

Por mais que não haja provas de que o estresse emocional aumenta as chances de uma crise, vários médicos relatam casos de pacientes em momentos estressantes da vida com complicações do hipertireoidismo.

Por isso, é de extrema importância manter-se calmo e relaxado em diversos momentos e, assim, uma boa ideia seria aprender técnicas de relaxamento. Elas podem trazer calma e paz tanto para a mente quanto para o corpo, evitando tempestades tireoidianas.

Cuidados com a higiene

Infecções são outro fator que pode desencadear uma tempestade tireoidiana. Por isso, manter os cuidados com a higiene é de extrema importância.

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Lave sempre as mãos com água e sabão, não compartilhe talheres e outros objetos de uso pessoal e utilize sempre repelentes quando estiver ao ar livre. Essas medidas são importantes para evitar o contato com germes e vírus que podem causar problemas.

Compressas geladas nos olhos

Quando o paciente sofre, também, da oftalmopatia de Graves, uma compressa gelada nos olhos pode aliviar os sintomas desagradáveis e auxiliar na hidratação, evitando olhos secos.

Óculos de sol

Caso os olhos estejam protusos (saindo da órbita), eles ficam mais suscetíveis aos raios ultravioleta do sol e das diferentes fontes de luz, tornando os olhos mais sensíveis (fotofobia).

O uso de óculos de sol pode ajudar no alívio desses sintomas, protegendo do sol e do vento.

Colírios

Converse com seu oftalmologista sobre o uso de colírios, que podem ajudar muito no caso de oftalmopatia. Os colírios ajudam na lubrificação dos olhos, aliviando a sensação de secura.

Se as pálpebras não forem capazes de cobrir os olhos inteiramente ao fechá-los, pode ser necessário usar um gel lubrificante para impedir que a córnea resseque durante a noite.

Atenção!

É importante não usar colírios que removem a vermelhidão, pois eles tem uma indicação diferente.

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Eleve a cabeceira da cama

Dormir com a cabeça elevada pode ajudar a diminuir o inchaço dos olhos e aliviar a pressão.

Cremes para a pele inflamada

Existem vários cremes sem prescrição que podem ser usados para aliviar os sintomas da pele inflamada no caso de dermopatia de Graves. Eles contém hidrocortisona, um corticoide que combate processos inflamatórios, aliviando o inchaço e a vermelhidão.

Antes de fazer o uso desses cremes, no entanto, consulte seu dermatologista, pois ele saberá indicar qual o mais adequado para o seu caso.

Como prevenir o hipertireoidismo?

Infelizmente, não existe nenhuma maneira comprovada de prevenção ao hipertireoidismo na maioria dos casos.

Pacientes com hipotireoidismo que fazem suplementação de tiroxina (T4) devem consultar o endocrinologista frequentemente para prevenir um aumento exagerado dos níveis de hormônio no sangue.

Os medicamentos para hipotireoidismo não devem ser usados para acelerar o metabolismo a fim de emagrecer. Fazer isso pode levar a um episódio de hipertireoidismo, então uma maneira de prevenir isso é ficar longe desses medicamentos e procurar outras formas de emagrecer.

A ingestão de iodo também deve ser equilibrada. Vale lembrar que muitos alimentos são enriquecidos com iodo, como é o caso do sal de cozinha, para prevenir o hipotireoidismo.

Por isso, procure fazer um cardápio equilibrado para balancear essa quantia extra que alguns alimentos trazem.

Perguntas frequentes

Hipertireoidismo pode matar?

Infelizmente, sim, o hipertireoidismo pode levar à morte. Isso acontece principalmente por conta da desregulação do ritmo cardíaco, que pode levar a problemas sérios como insuficiência cardíaca.

Se tratado a tempo, é possível reverter a situação. Contudo, se a assistência não for imediata, o paciente pode vir a óbito.

Hipertireoidismo engorda ou emagrece?

Por conta do aumento na velocidade do metabolismo, o hipertireoidismo causa a perda de peso rápida e inexplicada. Existe uma confusão se essa condição acaba engordando ou emagrecendo por conta de outro problema que acomete a tireoide: o hipotireoidismo.

Trata-se de uma condição que faz exatamente o contrário da hipertireoide: os hormônios da tireoide são escassos na corrente sanguínea e isso causa uma lentidão no metabolismo, o que faz com que o paciente ganhe peso e tenha dificuldade em perder.


O hipertireoidismo pode ser assustador em um primeiro momento, mas é importante lembrar que ele pode ser controlado e a qualidade de vida pode ser alta, mesmo com esse problema.

Você tem ou conhece alguém que sofre de hipertireoidismo? Conte-nos sua história! Qualquer dúvida, comente que responderemos com prazer!

Referências

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/hyperthyroidism/symptoms-causes/syc-20373659
https://www.healthline.com/health/hyperthyroidism
https://www.thyroid.org/hyperthyroidism/
https://en.wikipedia.org/wiki/Thyroid_storm
https://www.everydayhealth.com/thyroid-conditions/how-stress-affects-thyroid-problems.aspx
https://www.verywell.com/cigarette-smoking-and-thyroid-disease-3231732

Besemer, B., Mann, K., Horger, M., & Müssig, K. (2009). 31-year-old male patient with testicular mass and hyperthyroidism. Der Internist, 50(6), 740-747. http://dx.doi.org/10.1007/s00108-008-2281-y
Guyton, A. (1984). Fisiologia Humana (6ª ed., pp. 467-470).

Negai, K., Yoshida, H., Katayama, K., Ishidera, Y., Oi, Y., Ando, N., & Shigeta, H. (2018). Hyperthyroidism due to struma ovarii: Diagnostic pitfalls and preventing thyroid storm. Gynecology And Minimally Invasive Therapy, 6(1), 28-30. https://doi.org/10.1016/j.gmit.2016.05.002

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8 Comentários

  1. Gostei muito do conteúdo, tirou muito minhas dúvidas já que fui diagnosticada e não conhecia detalhes da doença.

  2. Olá, tinha hipertireoidismo, não sei se curou, pois comecei uma alimentação adequada, e engordei! Ia ao medico e sempre pedia para repetir os exames, e os resultado sempre era de melhora! E nunca receitava medicamentos. Então como comecei a engordar parei de ir ao médico, porque sempre repetia os exames e eu engordando. Gostaria de saber se é normal hipertireoidismo curar sozinho?
    Obrigada

    • Olá Priscilla!

      O hipertireoidismo é uma doença crônica, que requer um tratamento contínuo para manter os níveis de hormônio dentro dos valores adequados. Se você possui essa doença, é importante que faça um acompanhamento médico regularmente para que este profissional indique qual o melhor tratamento de acordo com suas condições de saúde.

  3. Olá boa noite eu tenho hipoteriodismo foi descoberto agora esse mês preciso tomar remédio pro resto da vida?

  4. Tenho Hipertiroidismo. Sou hiper ativa 18 hs por dia. Sou atleta. Pego muito peso. Tenho hiper apetite. Sou extremamente magra. Ultrapasso meus limites. Tenho insônia. Estou muito cansada. Resolvi desacelerar um pouco. Pasmem. Tenho 67 anos. Meu nome é Creusa Freitas Cardoso.

  5. Olá! Gostei bastante do conteúdo 😉
    Tenho hipertireoidismo. Descobri há um ano e meio mais o menos, confesso que no início foi bem assustador. Bagunça demais a vida e é preciso ter bastante jogo de cintura. É uma mistura de emoções tão grande que abala o emocional. Sem contar os efeitos da doença. Hoje está controlado. Levo numa boa. Mas os olhos não voltaram 100% e me traz um grande incômodo. Existe possibilidade do inchaço das pálpebras desaparecerem ?
    Mas posso dizer que passar por essa doença me fez repensar muita coisa.
    Fiquei mais forte 😀 e feliz por saber que todo aquele momento ruim se foi.
    Obrigada pela matéria ! Abraço

    • Olá, Ana!

      Muito obrigado pelo comentário! Ficamos muito felizes de saber que o texto te agradou tanto!

      Quanto ao seu problema, somente um médico poderá dizer. Além de sermos impossibilitados de fornecer conselho médico ou responder a questões médicas e farmacêuticas individuais pela ANVISA, considerando as circunstâncias, temos certeza que um oftalmologista poderá sanar suas dúvidas melhor do que ninguém. Ele é o profissional mais capacitado para fornecer as respostas que você procura!

      Novamente, muito obrigado!

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