A tireoide é uma glândula localizada no pescoço, na região popularmente conhecida como pomo de Adão ou gogó. É muito comum ela ser comparada ao formato de uma borboleta ou ao de um escudo.

Conhecer mais sobre essa parte essencial do organismo é importante para poder identificar quando tudo não está ocorrendo da forma como deveria.

Quando há alguma desordem nessa glândula, diversas funções do organismo são comprometidas, pois os níveis de hormônios secretados podem variar.

Dessa forma, o funcionamento correto de órgãos vitais, o crescimento e desenvolvimento durante infância e adolescência, o peso, o humor, ciclo menstrual e várias outras funcionalidades do corpo ficam prejudicadas.

Uma das variações que podem ocorrer é o hipotireoidismo, doença em que a tireoide não consegue produzir e liberar hormônios na quantidade ideal.

No texto a seguir, explicamos como isso acontece e quais as causas. Confira!

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é hipotireoidismo?
  2. Como funciona a tireoide?
  3. Qual a diferença entre hipotireoidismo e hipertireoidismo?
  4. Tipos de hipotireoidismo
  5. Causas
  6. Quais os fatores de risco?
  7. Hipotireoidismo engorda?
  8. Hipotireoidismo na gravidez
  9. Quais os sintomas do hipotireoidismo?
  10. Como é feito o diagnóstico do hipotireoidismo?
  11. Tem cura?
  12. Tratamento
  13. Por que tenho que tomar remédio em jejum?
  14. Alimentação: tem dieta para hipotireoidismo?
  15. Complicações
  16. É possível prevenir?
  17. Hipotireoidismo em cães

O que é hipotireoidismo?

O hipotireoidismo, ou tireoide hipoativa, é uma doença em que a tireoide, uma das principais glândulas do organismo, não funciona corretamente. Entre as alterações que acometem a glândula, essa é a mais comum.

Nessa condição, ela acaba produzindo de forma reduzida os hormônios T3 e T4 (triiodotironina e tiroxina), importantes em diversas funções.

Com a produção insuficiente, é como se o organismo estivesse com menos combustível, funcionando de forma mais devagar. Essa lentidão acaba sendo bastante prejudicial à saúde, pois compromete a forma como órgãos vitais trabalham, deixando a frequência cardíaca mais lenta, por exemplo.

Essa resposta do organismo é uma tentativa de poupar as energias, já que ele entende que não há recursos (hormônios) suficientes para manter todas as atividades normalmente.

Dessa forma, o hipotireoidismo pode deixar o paciente com cansaço extremo, sonolência, dores nas articulações e músculos, elevar os níveis de colesterol e até mesmo aumentar os riscos de doenças como a depressão.

Também é uma doença associada ao ganho ou dificuldade de perder peso devido à retenção de líquidos e ao metabolismo, que se torna mais lento, sendo um dos sintomas perceptíveis da condição.

Entretanto, o que provoca o hipotireoidismo é algo que varia bastante. Pode ocorrer por ser uma doença congênita, autoimune, por medicação, por deficiência de iodo e até mesmo decorrente da gravidez.

De modo geral, é uma doença mais comum entre as mulheres, pessoas com mais de 60 anos e em quem tem histórico familiar da doença. No entanto, também pode se manifestar em crianças e adolescentes.

Nessa faixa etária, a causa mais comum do hipotireoidismo é a síndrome de Hashimoto, uma doença autoimune em que o próprio organismo ataca as células da tireoide.

Uma das formas de investigar a doença na infância é através do teste do pezinho, feito ainda nos primeiros dias de vida do bebê. Dessa forma, é possível iniciar o tratamento e reduzir os riscos de complicações.

O diagnóstico do hipotireoidismo é simples, geralmente feito a partir de uma dosagem dos hormônios tireoidianos no sangue. Uma amostra é coletada para medir os níveis de TSH, um hormônio que controla a tireoide.

A partir dele é possível confirmar a doença e avaliar os níveis de T3 e T4. O tratamento é feito com reposição hormonal.

No CID-10, o Código Internacional de Doenças, o hipotireoidismo é encontrado por diferentes códigos, de acordo com a causa, sendo eles os seguintes:

  • E03: Outros hipotireoidismos;
  • E03.0: Hipotireoidismo congênito com bócio difuso;
  • E03.1: Hipotireoidismo congênito sem bócio;
  • E03.2: Hipotireoidismo devido a medicamentos e outras substâncias exógenas;
  • E03.3: Hipotireoidismo pós-infeccioso;
  • E03.8: Outros hipotireoidismos especificados;
  • E03.9: Hipotireoidismo não especificado.

Como funciona a tireoide?

A tireoide é uma glândula que rege diversas funções no organismo, como uma espécie de maestro em nosso corpo. Como uma das maiores glândulas, pesando entre 15g a 25g, interfere no funcionamento de todos os sistemas.

Com a produção dos hormônios T3 e T4, triiodotironina e tiroxina, garante o correto funcionamento dos órgãos e vários processos do organismo.

No entanto, para ela funcionar corretamente, precisa de um estímulo mandando pela hipófise, outra glândula do nosso corpo que fica localizada na região cerebral.

A hipófise é responsável por mandar esse estímulo através da liberação de um hormônio chamado TSH.

Se acontece alguma variação, independente do fator desencadeante, que faz a tireoide funcionar mais devagar, a hipófise entende que é preciso produzir mais TSH.

A maior dosagem do hormônio no sangue é sinal de que a tireoide não está funcionando da maneira de que deveria, o que é caracterizado como hipotireoidismo.

Qual é a diferença entre hipotireoidismo e hipertireoidismo?

O hipotireoidismo e o hipertireoidismo são desordens que acometem o funcionamento da tireoide, sendo doenças diferentes por provocarem efeitos opostos. Enquanto no hipotireoidismo há uma baixa secreção de hormônios, no hipertireoidismo ocorre uma liberação em excesso.

No hipertireoidismo, o paciente tem uma tireoide hiperativa, que torna o metabolismo muito mais acelerado, pois fornece uma quantidade muito superior de hormônios do que o organismo precisa.

Com essa atividade acima do esperado, a doença pode causar um aumento no tamanho da glândula, provocando um inchaço na região do pescoço.

Os sintomas que os pacientes com hipertireoidismo podem ter, como consequência dessas doses hormonais elevadas, envolvem dificuldade para dormir, batimentos cardíacos acelerados, agitação, excesso de energia mesmo com cansaço, suor excessivo, calor, ciclo menstrual irregular e queda de cabelo.

A causa mais comum do hipertireoidismo é uma doença autoimune chamada Doença de Graves.

A principal diferença, portanto, está nas doses de hormônios secretadas pela tireoide, as causas e os sintomas. As duas condições devem ser diagnosticadas e tratadas por um médico endocrinologista.

Tipos de hipotireoidismo

Além de ser dividido pelas causas, o hipotireoidismo é também classificado de acordo com a forma que as glândulas secretam os hormônios, que são do tipo primário, secundário e terciário.

  • Primário: é o hipotireoidismo que ocorre por falência tireoidiana;
  • Secundário: é consequência de alguma disfunção na hipófise;
  • Terciário: acontece por alguma deficiência na hipófise e por falta de TRH, isto é, terapia de reposição hormonal.

Se tratando de uma avaliação laboratorial, a doença pode ser dividida ainda entre hipotireoidismo clássico e subclínico.

Clássico

No hipotireoidismo clássico, o paciente apresenta uma tireoide incapaz de produzir a quantidade de hormônios suficiente para o funcionamento correto do organismo. Dessa forma, ao realizar o exame de sangue, terá níveis baixos do hormônio T4 e níveis altos de TSH.

Os níveis altos de TSH representam uma tentativa da hipófise de fazer com que a tireoide funcione corretamente, mas as doses secretadas não dão conta disso.

Nesses quadros, é comum que a doença seja progressiva. Dessa forma, com o passar do tempo, se não tratado, o risco de complicações é maior.

Subclínico

No hipotireoidismo subclínico, também chamado de pré-hipotireoidismo, o paciente apresenta níveis normais de hormônios tireoidianos (T3 e T4), mas níveis elevados de TSH.

Nesses casos, a tireoide já não está em perfeito estado, mas ainda é capaz de produzir hormônios na quantidade suficiente devido aos níveis altos de TSH.

Congênito

É o hipotireoidismo em que a pessoa já nasce com a disfunção. Pode ocorrer na criança por malformação da tireoide durante a gestação, por problemas na síntese de TSH e excesso ou deficiência de iodo, por exemplo.

Esse tipo é perigoso, pois se não diagnosticado e tratado precocemente pode causar danos às funções cerebrais da criança.

Causas

O hipotireoidismo é uma doença causada pela baixa produção e secreção de hormônios tireoidianos, como o T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). São vários os fatores que podem desencadear a condição, como cirurgias, medicamentos, doenças autoimunes, gestação e malformações no período intrauterino (congênito).

Entenda melhor os principais fatores que provocam essa doença são:

Cirurgia na glândula tireoide

Quando alguma parte da tireoide é comprometida durante um procedimento cirúrgico, é possível que ocorra algum prejuízo na produção e secreção dos hormônios.

Entende-se, nesses casos, que a cirurgia na glândula da tireoide pode causar o hipotireoidismo, o que exige o tratamento de reposição hormonal.

Problemas na hipófise

A hipófise é a glândula responsável por mandar os sinais corretos para que a tireoide funcione corretamente, o que acontece através da liberação dos hormônios estimulantes da tireoide (TSH).

Quando algum distúrbio acomete essa glândula, o sistema endócrino fica prejudicado como um todo.

A presença de doenças autoimunes na hipófise, surgimento de tumores e lesões cerebrais podem causar o hipotireoidismo.

Radioterapia

A radioterapia é um tratamento comumente indicado para os pacientes com algum tipo de câncer. É feito através do uso de radiações para impedir que as células cancerígenas se espalhem ou para destruir um tumor.

Apesar de ser uma terapia que ajuda muitos pacientes, possui muitos efeitos colaterais, sendo possível o desenvolvimento do hipotireoidismo.

Deficiência de iodo

O iodo é um mineral essencial para o organismo, sendo fundamental para a produção de hormônios da tireoide. Por isso, a sua carência pode causar o hipotireoidismo.

No Brasil, felizmente, não é comum a doença ser causada por deficiência de iodo, uma vez que o sal de cozinha já possui o mineral.

Além do sal, o iodo também pode ser consumido através da ingestão de frutos do mar.

Doença congênita

Algumas pessoas apresentam a doença devido a alguma má formação da tireoide durante a gestação. Dessa forma, já nascem com esse prejuízo na produção dos hormônios. Esses quadros são chamados de hipotireoidismo congênito.

A investigação da doença, nessas crianças, pode ser feita através do teste do pezinho. Pode ocorrer de não apresentarem nenhum sintoma depois no nascimento, mas se a doença não for tratada, podem ter complicações sérias no futuro.

Gravidez

A gravidez não causa, necessariamente a disfunção tireoidiana, mas durante a gestação as chances do hipotireoidismo se desenvolver são maiores, porque o organismo da mulher está mais vulnerável às alterações hormonais.

Pode ocorrer ainda uma produção de anticorpos que atacam a tireoide e prejudicam a liberação de hormônios.

A condição, quando não tratada, pode provocar um parto prematuro e aumento da pressão sanguínea na mãe. Além disso, pode afetar também o desenvolvimento do bebê, que pode ter danos cerebrais devido à carência de hormônios da tireoide.

Doenças autoimunes

Nas doenças autoimunes, o próprio sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis do organismo, o que pode acabar afetando também a tireoide. Nesses casos, os pacientes podem desenvolver também o hipotireoidismo.

Tratamento inadequado para o hipertireoidismo

O hipertireoidismo é a condição em que a tireoide produz hormônios em excesso, sobrecarregando as funções do organismo pelas dosagens altas de hormônios.

Nesses casos, o tratamento precisa ser feito com medicamentos que controlem essa produção acelerada, para que o paciente tenha uma remissão dos sintomas.

Contudo, quando esse tratamento não é feito de maneira correta, a situação pode ser invertida, causando uma inibição da tireoide indesejada e provocando o hipotireoidismo.

Síndrome de Hashimoto

A síndrome de Hashimoto é uma doença autoimune em que anticorpos produzidos atacam a tireoide, sendo uma das causas mais comuns de hipotireoidismo.

Na doença, os anticorpos provocam a destruição da glândula ou a redução da sua atividade, o que pode levar ao hipotireoidismo por carência na produção dos hormônios T3 e T4.

Medicamentos

Alguns medicamentos que possuem lítio na composição, como os usados para o tratamento de quadros de depressão e transtorno de bipolaridade, podem provocar uma alteração no funcionamento da tireoide.

O uso pode inibir a secreção dos hormônios da tireoide e aumentar a produção de TSH. Por isso, pacientes que utilizam algum medicamento com essa substância devem realizar exames de rotina.

Quais os fatores de risco?

Apesar de ser uma condição que pode afetar qualquer pessoa, algumas devem ter um cuidado maior. Determinados grupos e fatores são considerados de risco para o surgimento da doença. São eles:

  • Mulheres grávidas ou que pretendem engravidar;
  • Pessoas que fazem uso de medicamentos que interferem no funcionamento da tireoide e na secreção de hormônios;
  • Pacientes que estão em tratamento de radioterapia;
  • Pacientes com doença autoimune;
  • Pessoas acima dos 60 anos;
  • Pessoas com histórico familiar de doença autoimune;
  • Pacientes que já realizaram cirurgia na tireoide.

As mulheres também são consideradas um grupo de risco, pois cerca de 10% das que estão acima dos 40 anos podem desenvolver um problema na tireoide.

Os riscos aumentam ainda mais com o envelhecimento. A partir dos 60 anos, as chances de terem alguma desordem na glândula passa a ser 20% maior.

Hipotireoidismo engorda?

É muito comum relacionarem o hipotireoidismo ao ganho de peso, sendo recorrente que pessoas acima do peso ou com dificuldades em emagrecer busquem investigar se possuem alguma alteração na tireoide.

Então, entender de que forma a doença interfere no metabolismo é um dos passos mais importantes para compreender essa questão dos quilinhos a mais.

Quem tem hipotireoidismo sofre um prejuízo na ação do metabolismo, que se torna mais lento. Com essa função comprometida, é normal acontecer uma variação no peso.

Contudo, quando falamos dessa alteração, estamos nos referindo à condição ainda não diagnosticada e tratada corretamente.

Por isso, é possível dizer que o hipotireoidismo engorda, mas não ao ponto de ser o único fator determinante em um aumento extravagante de peso.

Ou seja, com o metabolismo lento, o paciente com hipotireoidismo não vai conseguir queimar as calorias da mesma forma que uma pessoa que está com o organismo funcionando perfeitamente.

No entanto, com o diagnóstico, medicação correta e uso adequado dos remédios, o organismo deve voltar ao funcionamento normal e ao peso também.

A partir do tratamento iniciado e o sucesso da reposição hormonal, um ganho de peso persistente pode estar relacionado a outros fatores, como os hábitos alimentares, frequência de atividades físicas ou outras condições clínicas.

Por isso, para não engordar, o paciente com hipotireoidismo deve seguir o tratamento prescrito pelo médico, manter uma dieta saudável, dormir bem, praticar exercícios e manter uma rotina de visitas ao endocrinologista.

Hipotireoidismo na gravidez

Durante a gestação, o organismo da mulher passa por diversas variações hormonais. No caso dos hormônios da tireoide, a produção pode aumentar até em 50% para suprir as necessidades da mãe e do bebê.

Contudo, em alguns casos, o organismo da mulher não dá conta de produzir hormônios suficientes para ela e para o feto, o que provoca riscos para a saúde de ambos. Esse é o hipotireoidismo que pode ocorrer durante a gestação.

Quando a gestante não recebe o diagnóstico e tratamento, a doença representa um risco grave à saúde do bebê, que também terá uma deficiência hormonal, uma vez que é dependente das doses de hormônio da mãe.

Ao não recebê-los, especialmente durante os primeiros 3 meses de gestação, o bebê pode ter prejuízos cognitivos, não desenvolvendo bem a fala ou apresentando algum tipo de deficiência intelectual.

Por isso, ao planejar a gravidez, a mulher já deve investigar a doença, fazendo exames para a dosagem do TSH.

No início da gestação também é importante realizar novamente os exames.

Caso seja diagnosticada alguma variação nas dosagens, a gestante deve seguir corretamente a prescrição médica para reposição hormonal, tendo o acompanhamento médico durante o pré-natal.

Quando a mulher desenvolve o hipotireoidismo durante a gestação, é possível que a condição não volte ao normal após o parto. Assim, ela terá que tratar a doença pelo resto da vida.

No entanto, existem quadros em que a alteração é passageira, pois a tireoide acaba normalizando os níveis de produção de hormônios.

De qualquer forma, as mulheres devem ser orientadas a realizar exames periódicos para avaliar o funcionamento da glândula.

Leia mais: O que não é normal durante a gravidez?

Quais os sintomas do hipotireoidismo?

Com a baixa liberação de hormônios tireoidianos, muitas atividades do nosso corpo ficam comprometidas. É como se o organismo reduzisse o ritmo por não ter combustível o suficiente.

Contudo, os sintomas nem sempre surgem no início da doença. Na fase inicial, os pacientes podem ser assintomáticos. Um dos primeiros sinais que podem surgir é o aumento do tamanho da tireoide, o que nem sempre é visível.

A intensidade e gravidade dos sintomas depende do grau de alteração das dosagens hormonais. Por serem pouco específicos, é fundamental que as pessoas realizem exames preventivos para avaliar o funcionamento da tireoide, o que deve ser feito com o acompanhamento de um médico endocrinologista.

Dessa forma, os sintomas isolados não caracterizam um quadro de hipotireoidismo. O paciente com essa doença geralmente apresenta várias dessas manifestações, o que precisa ser confirmado com um diagnóstico laboratorial.

Com a progressão da doença, outros sintomas vão surgindo. São eles:

  • Frio;
  • Pele, cabelo e unhas ressecados;
  • Inchaço nos olhos e no rosto;
  • Queda de cabelo;
  • Dor nas articulações;
  • Sonolência;
  • Ronco;
  • Crescimento lento;
  • Puberdade atrasada;
  • Retenção de líquido;
  • Variação no peso;
  • Constipação;
  • Cólicas;
  • Colesterol alto;
  • Depressão;
  • Palidez;
  • Ritmo cardíaco lento;
  • Cãibras noturnas.

Entenda melhor um pouco dos principais sintomas:

Fadiga e fraqueza

A fadiga ou sensação constante de cansaço é um dos principais sintomas do hipotireoidismo.

É uma consequência das doses hormonais muito baixas, que desempenham um papel fundamental na geração de energia para o organismo. Como efeito colateral, o paciente se sente mais lento e cansado, mental e fisicamente.

Danos cardiovasculares

A falta de hormônios da tireoide na quantidade certa provoca prejuízos ao coração e outros órgãos vitais porque o organismo se torna mais lento e não dá conta de manter o mesmo esforço físico que uma pessoa saudável.

Dessa forma, o ritmo cardíaco fica comprometido e a saúde do coração também é afetada pelo hipotireoidismo porque a doença pode elevar os níveis de colesterol.

Queda de cabelo

Até mesmo os nossos cabelos dependem dos hormônios secretados por essa glândula.

Assim, quando há uma variação nas taxas, como ocorre no hipotireoidismo, o paciente pode ter queda excessiva de cabelos, além de um aspecto mais ressecado, fino e quebradiço dos fios.

Leia mais: Alopecia (queda de cabelo): o que é, tipos, tratamento, tem cura?

Variação de peso

Com o hipotireoidismo, o metabolismo se torna mais lento. Por isso, um dos sintomas da doença é a variação do peso, pois ocorre menor gasto energético e maior retenção de líquidos.

Além disso, a doença provoca maior fadiga, o que reduz as chances do paciente ter uma rotina ativa de exercícios físicos, podendo levar o paciente a engordar mais facilmente.

Período menstrual irregular

É comum que as mulheres sofram algumas variações no período menstrual quando o hipotireoidismo não está totalmente controlado.

Isso acontece devido à influência que os hormônios secretados pela tireoide possuem sobre o ciclo menstrual. Dessa forma, as pacientes podem ter variações nos dias de menstruação e no fluxo.

Como é feito o diagnóstico do hipotireoidismo?

O diagnóstico é feito pelo clínico geral ou endocrinologista, que analisa os sintomas e solicita exames para confirmar a doença.

Alguns grupos de risco, como mulheres mais velhas e gestantes, podem ser orientados a realizar exames rotineiros de prevenção e diagnóstico precoce.

Exame TSH

Normalmente, é preciso que seja realizado um exame de sangue denominado exame TSH para analisar a dosagem dos níveis de hormônios tireoidianos.

Quando o TSH (hormônio estimulante da tireoide) está em níveis altos e os hormônios T4 estão baixos, o hipotireoidismo é confirmado.

Em alguns quadros de hipotireoidismo leve ou inicial (subclínico), o TSH pode estar em níveis mais altos, mas o T4 em níveis normais. Para confirmar o diagnóstico, nesses casos, o médico precisa considerar os resultados do TSH.

Teste do pezinho

Em crianças recém-nascidas, a doença é investigada através do teste do pezinho, uma triagem obrigatória que deve ser feita ainda nos primeiros dias de vida do bebê (entre o 3º e 5º dia após o parto).

Tem cura?

Infelizmente, não. O hipotireoidismo é uma condição crônica que exige que o paciente tenha acompanhamento médico e tratamento com reposição hormonal ao longo da vida.

Em alguns casos, as doses de reposição hormonal são reduzidas aos poucos, mas ainda assim não são quadros considerados como curados.

A boa notícia é que a doença pode ser totalmente controlada. No entanto, interromper o tratamento pode fazer com que os sintomas voltem.

Tratamentos: remédio para hipotireoidismo

O principal tratamento do hipotireoidismo é a reposição hormonal. Após o diagnóstico, o paciente é orientado pelo médico a tomar comprimidos de uso diário para que esses níveis de hormônios estejam normalizados.

O hormônio usado é a levotiroxina, uma versão sintética do tetraiodotironina (T4). Entre as opções estão o Euthyrox, Levoid e Puran T4.

A dose de hormônio necessária para cada paciente é algo determinado pelos níveis de TSH no sangue.

Após indicação do medicamento, é indispensável também o acompanhamento médico para que seja possível avaliar a forma como o organismo do paciente está respondendo.

Quando são acima do necessário, as dosagens podem também causar efeitos colaterais perigosos para a saúde.

Alguns dos sintomas que podem ocorrer diante de doses elevadas incluem insônia, tremores, aumento do apetite e variações na frequência cardíaca.

Doses baixas também podem comprometer o tratamento, fazendo com que os sintomas do hipotireoidismo persistam. De maneira geral, quando o tratamento é encaminhado de forma adequada, o paciente começa a melhorar dentro de uma a duas semanas.

O medicamento usado para o tratamento é oral e deve ser tomado todos os dias pela manhã, em jejum. O ideal é esperar, no mínimo, 30 minutos para tomar o café da manhã, para que o hormônio possa ser absorvido pelo organismo sem interações.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Por que tenho que tomar o remédio em jejum?

A levotiroxina deve ser ingerida em jejum, meia hora antes do café da manhã, para evitar que os alimentos ingeridos interfiram na absorção do medicamento. É uma recomendação para garantir a eficácia da reposição hormonal.

Também é recomendado que outros medicamentos não sejam ingeridos no mesmo momento, sendo necessário esperar por até uma hora após o horário da levotiroxina.

Alimentação: tem dieta para hipotireoidismo?

Não existe uma dieta específica para os pacientes com hipotireoidismo, mas existem algumas recomendações importantes para prevenir a saúde e funcionamento da tireoide.

Por isso, pacientes com essa doença devem ter alguns cuidados com a dieta. No entanto, isso não significa que há um cardápio estabelecido

As principais precauções são:

Consumir pouco sal

O sal, por já ter adição de iodo, deve ser consumido em quantidades pequenas, não só para preservar a tireoide, mas também por ser um risco para o desenvolvimento de outros problemas de saúde.

Em relação ao hipotireoidismo, o consumo em excesso de sal pode acabar agravando quadros já em tratamento ou ainda não diagnosticados, pois o iodo em excesso interfere no funcionamento do metabolismo.

Evitar alimentos bociogênicos

Alguns alimentos podem causar o bócio, condição em que a tireoide tem seu tamanho alterado, por isso devem ser consumidos com moderação por quem tem a doença ou possui histórico familiar.

Entre esses alimentos estão os alimentos à base de soja, o nabo, repolho e couve, por exemplo. O recomendado é que os pacientes consumam de uma a duas vezes por semana.

Consumir alimentos bons para a tireoide

Existem alimentos que apresentam nutrientes benéficos à saúde da tireoide e por isso devem fazem parte da dieta de quem possui hipotireoidismo.

São eles os que possuem iodo, zinco, ômega 3 e selênio. Algumas opções são ostras, peixes, algas marinhas, ovo, feijão, amêndoas, amendoim, carne, abacate etc.

Complicações

O hipotireoidismo é uma doença que pode ser controlada totalmente com o uso de medicamentos para reposição hormonal. Dessa forma, os pacientes com esse diagnóstico podem levar uma vida normal.

No entanto, quando não recebem o diagnóstico e o tratamento, algumas complicações podem ocorrer:

Prejuízos no desenvolvimento físico e mental

O hipotireoidismo congênito, que se desenvolve em crianças ainda durante o período intrauterino, quando não tratado, pode causar danos ao sistema nervoso central do bebê. Nesses casos, a criança pode ter complicações no desenvolvimento mental e físico.

Bócio

O bócio é uma condição caracterizada pelo aumento do tamanho da tireoide, devido ao estímulo constante para que mais hormônios sejam liberados.

Esse crescimento da glândula provoca um inchaço na região do pescoço, o que provoca dificuldade para respirar e engolir.

Mixedema

O mixedema é uma complicação na pele causada pelo hipotireoidismo severo. O paciente nessa condição apresenta um inchaço grave na região do rosto.

Infertilidade

Quando os níveis dos hormônios da tireoide estão baixos, a mulher pode ter dificuldades durante o período de ovulação, tendo sua fertilidade prejudicada.

Danos ao funcionamento do coração

O hipotireoidismo, além de reduzir a frequência dos batimentos cardíacos, também pode elevar os níveis de colesterol. Por esses motivos, quando não tratado, oferece um risco grave à saúde.

É possível prevenir?

De modo geral, não há muito o que possa ser feito para prevenir o hipotireoidismo, pois alguns dos fatores que provocam a doença não podem ser controlados, como o surgimento de doenças autoimunes e quadros de hipotireoidismo congênito.

Mas o hipotireoidismo por deficiência de iodo, no entanto, é um dos casos que podem ser prevenidos com a ajuda de suplementos. Em alguns países, onde a carência desse mineral é comum, essa medida preventiva pode ser realizada.

Na maior parte, o iodo é adicionado ao sal de cozinha, o que ajuda na prevenção da doença. Também está presente em frutos do mar e em alguns tipos de peixes, como bacalhau e cavala.

No entanto, é necessário tomar cuidado com as quantidades. Aproximadamente 150 microgramas de iodo já é o suficiente para a manutenção do funcionamento da tireóide.

Na gestação, o hipotireoidismo não pode exatamente ser prevenido, mas o diagnóstico precoce é decisivo para diminuir os riscos de complicações para a gestante e para o bebê. Por isso, é importante a realização de exames e acompanhamento médico.

Hipotireoidismo em cães

Os cães, assim como os humanos, estão suscetíveis a sofrer com desordens no funcionamento da tireoide. Dessa forma, podem também ter hipotireoidismo.

Por isso, os donos devem prestar atenção aos sinais relacionados ao comportamento dos cachorros. Com o hipotireoidismo, os pets podem apresentar agressividade repentina, fobias e timidez extrema.

Além dos sintomas comportamentais, os cães podem ter sintomas físicos como queda de pelos, dermatites, descamação e opacidade da pelagem. Podem apresentar também sonolência excessiva, apatia e indisposição.

Diante de alguma dessas mudanças, o cachorro deve ser levado ao veterinário assim que possível, para receber um diagnóstico. Para isso, um exame de sangue deve ser feito para avaliação da dosagem de hormônios.

O tratamento do hipotireoidismo em cães é feito também através de reposição hormonal, com comprimidos via oral de uso diário.

Existem várias causas dessa doença nos cães e, infelizmente, também não há uma forma de prevenção. Por isso, a melhor medida é prestar atenção aos sinais que o cachorro dá e levá-lo com frequência no veterinário.


Realizar exames preventivos e conferir como está a produção desses hormônios é fundamental para controlar a doença e evitar complicações. Assim, quem sofre com alterações da tireoide pode levar uma vida normal, graças ao tratamento medicamentoso que garante um controle da produção da tireoide.

Agora que você já sabe o que é o hipotireoidismo, conhece os sintomas e como a doença ocorre, que tal compartilhar essas informações com mais pessoas? Além disso, quando foi a última vez que você se consultou com um endocrinologista? Obrigada pela leitura!

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 27/02/2019

Fontes consultadas

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18 comentários

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  1. Excelente! Tenho e trato há mais de 20 anos o hipotiroidismo. O meu, foi desenlvolvido durante minha última gravidez.
    Muito explicativo.

  2. Gostei do artigo sobre hipotireoidismo, foi muito explicativo e me ajudou bastante, continuem com o ótimo trabalho e ajudem outras pessoas como eu, abraços.

  3. Obrigado por me ajudar com seu artigo, mais eu queria saber mais sobre as frutas que
    eu deva ou não comer, por favor dar pra você me ajudar.?

    1. Olá!

      No geral, todas as frutas são liberadas e devem ser consumidas regularmente para garantir uma alimentação saudável. Algumas opções são mais benéficas para pessoas com hipotireoidismo, como o abacaxi, laranja e frutas vermelhas (mirtilo, framboesa e amora), pois são ricas em antioxidantes. De qualquer maneira, é importante que você converse com seu médico e/ou nutricionista para obter uma dieta de acordo com as suas necessidades.

  4. Muito bom e esclarecedor o artigo, mas penso que o médico mais apropriado para cuidar e tratar desta doença seria o: Endócrinologista.
    Eu me consultei com um clínico geral e fui encaminhada para este especialista, já fazem 9 anos.

    1. Olá Judite!

      Faltou mesmo citar o endocrinologista, que é o médico especialista em doenças que afetam o sistema endócrino. Fizemos a correção no artigo. Obrigada pelo comentário!

  5. Excelente artigo e comentários. Acabei de receber um comunicado de uma Amiga de 40 anos. Ela foi diagnosticada com hipotireoidismo. Está muito preocupada e gostaria de ajuda-la. Gostaria de receber via email alguma orientação adicional de alguém que tem esse problema e de médicos da área, para passar para ela melhores esclarecimentos obrigado. Nelson.

  6. Muito bom e eesclarecedor. Recebi a notìcia ontem de hipotiroidismo e entendi o porque de estar perdendo tanto cabelo, e estar com minha mente muito lenta e querer dormir sempre mais que outras pessoas. Jamais podia imaginar que fosse pelo tiroidismo. Fiquei perplexa e sem saber o que estava acontecendo e o que vai acontecer. Obrigada por esclarecer pessoas como eu que nao sabia nada sobre hipotireodismo.

  7. Oi eu tenho hipo há uns três meses eu perdi 5 quilos é normal eu tomo pura t4

    1. Olá Vania!

      A perda de peso é mais comum em pessoas que têm hipertireoidismo. Ainda assim, o emagrecimento não costuma ser elevado. Se não há motivo aparente para essa perda (mudanças na dieta, por exemplo), procure um médico para que ele possa te ajudar a identificar a real causa. Alguns sintomas associados, como perda de apetite, podem estar relacionados a outras condições.

  8. Estou em tratamento há 1-ano estou atualmente usando Syndhroid 50-mg entrei em depressão estou sem apetite e quando como muita azia e refluxo o que devo fazer.

    1. Olá, José!

      As alterações no apetite podem estar relacionadas ao quadro de depressão. É importante que você consulte um psiquiatra para que ele possa fazer o diagnóstico e indicar a melhor alternativa de tratamento (caso seja necessário). Lembre também de consultar regularmente o endocrinologista para verificar os níveis de hormônio no sangue. Alterações na tireoide podem provocar sintomas semelhantes à depressão, por isso o acompanhamento médico é essencial.

  9. Os remedios para tireoide cortam o efeito da injeção ?( A injeçao de anticoncepicional ) Obg

    1. Olá, Carolayne.
      Não há indicação dos fabricantes ou laboratórios de que haja interação entre os medicamentos. Por isso, você deve continuar o uso medicamentoso e a injeção anticoncepcional normalmente, sempre avisando os médicos responsáveis sobre o uso de remédios ou outros tratamentos.

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