Leishmaniose: sintomas, tratamento, o que é, cura e mais

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O que é a leishmaniose?

Leishmaniose é uma doença causada por um protozoário e é uma antropozoonose. Isso quer dizer que esta doença é própria de animais, mas pode ser transmitida de maneira acidental para seres humanos.

No caso da leishmaniose, o protozoário parasita é transmitido entre animais (cães, roedores) através da picada de certos tipos de mosquito. Quando o mosquito infectado pica um ser humano, a doença é transmitida para o homem.

A doença pode se manifestar de 3 maneiras diferentes e ser causada por até 30 tipos de protozoários do gênero leishmania.

Em ambientes urbanos o animal mais afetado pela doença é o cachorro, que também serve de principal hospedeiro do parasita.

No Brasil a maior parte dos casos acontece no norte e nordeste, mas todo o país corre risco. Em março de 2018, diversos casos foram noticiados no interior de São Paulo, aos poucos surgindo mais próximos da capital.

A doença é considerada extremamente negligenciada. De acordo com a DNDi (Drugs for neglected diseases) — ou Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas, em português — afirma que isso acontece pois a leishmaniose tem prevalência em regiões pobres e não há interesse da indústria farmacêutica em investir em novos medicamentos.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é a leishmaniose?
  2. Tipos
  3. Causas
  4. Transmissão
  5. Grupos e fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Leishmaniose em animais
  8. Como é feito o diagnóstico?
  9. Leishmaniose tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Medicamentos para leishmaniose
  12. Prognóstico
  13. Complicações
  14. Como prevenir?

Tipos

Existem 3 tipos diferentes de leishmaniose. São eles:

Leishmaniose cutânea

Este tipo da doença afeta a pele. Ela forma feridas e úlceras na pele, e é a versão mais comum da leishmaniose, sendo causada por quase 20 dos protozoários do gênero leishmania. As feridas podem ser grandes e doloridas.

Leishmaniose mucocutânea

Parecida com a versão cutânea, a leishmaniose mucocutânea afeta com úlceras, além da pele, as mucosas e cartilagem. A boca e o nariz são afetados e esse tipo da doença pode causar sérias deformações faciais, podendo praticamente devorar os lábios, orelhas ou nariz por inteiro.

Leishmaniose visceral

A versão visceral da leishmaniose também é conhecida como calazar. Está versão é a mais rara, mas a mais perigosa das três. Ela causa úlceras nos órgãos internos do paciente. O baço, o fígado e a medula óssea são afetados e, se não tratada, esta condição leva a morte.

Causas

Através da picada do mosquito-palha infectado, o parasita causador da leishmaniose é transmitido para o ser humano ou animal e a doença se instala.

O parasita é do gênero leishmania e 30 tipos diferentes dele podem causar a doença em humanos.

Como funciona

Os parasitas da leishmaniose podem sobreviver ao processo de fagocitose. É através da fagocitose que as células fagocitárias do sistema imunológico destroem agentes infecciosos. Estas células envolvem o agente da infecção e utilizam ácidos para eliminá-lo.

A leishmania é capaz de sobreviver ao ácido. Suas principais vítimas são os macrófagos, grandes células fagocitárias do sistema imunológico.

Ao sobreviver à fagocitose, o parasita contamina o macrófago e usa sua energia para se reproduzir, finalmente matando a célula e liberando mais parasitas que irão contaminar outras células.

Na maioria dos casos, o sistema imunológico é capaz de destruir os macrófagos contaminados através de uma resposta imunológica citotóxica. Esta resposta é chamada de Th1 e libera compostos capazes de matar células. Nesses casos, os sintomas são apenas cutâneos.

Entretanto, em alguns casos, a resposta imunológica é a produção de anticorpos (chamada Th2). Nestes casos, apesar de as leishmanias livres no sangue serem eliminadas, a infecção prossegue já que os parasitas dentro dos macrófagos estão protegidos.

Quando isso acontece, a leishmaniose evolui para o tipo mucocutâneo (na maioria dos casos) ou para leishmaniose visceral (quando a contaminação é pelo L. donovani, L. chagasi ou L. infantum).

Transmissão

O meio mais comum de transmissão da leishmaniose é a picada de mosquitos flebótomos, notadamente o mosquito-palha. Estes mosquitos são pequenos, capazes de passar pela malha de muitos mosquiteiros e telas. São encontrados em lugares úmidos, escuros e com plantas próximas. Se um desses mosquitos pica um mamífero contaminado e consome sangue com o parasita, a leishmania passa a se reproduzir no intestino do inseto.

Depois de alguns dias, ele passa para a saliva do mosquito, por onde contamina novos hospedeiros mamíferos, fechando o ciclo.

A doença afeta principalmente cachorros, mas pode afetar gatos, gado, roedores e outros mamíferos. Recomenda-se acompanhar o estado de saúde de cães para evitar que a doença se espalhe.

Grupos e fatores de risco

Alguns grupos são mais propensos a desenvolver versões sérias da doença. São eles:

HIV Positivo

Devido aos problemas imunológicos causados pelo vírus HIV, o parasita consegue infectar livremente as pessoas que sofrem de AIDS. O sistema imunológico incapaz de lidar com a doença permite que sua evolução seja rápida e perigosa.

Desnutrição

A desnutrição enfraquece o sistema imunológico, que pode encontrar mais dificuldades em eliminar os parasitas, tornando pessoas desnutridas um grupo que pode facilmente desenvolver a doença.

Comprometimento do sistema imunológico

Qualquer doença que comprometa o sistema imunológico abre o caminho para que uma leishmaniose cutânea evolua em mucocutânea ou calazar.

Regiões desmatadas

Pessoas que moram em regiões recentemente desmatadas sofrem risco de contaminação, já que os mosquitos que viviam na área de floresta podem viver na região.

Florestas

Visitas a regiões de florestas tropicais, como a Amazônia, podem expor as pessoas ao parasita leishmania, aumentando as chances de contração e evolução da doença.

Regiões pobres

Regiões mais pobres possuem maior número de casos de leishmaniose devido ao menor controle da população de mosquitos e dificuldade do acesso ao tratamento da infecção parasitária, o que facilita a continuação do ciclo do protozoário.

Sintomas

Os sintomas da leishmaniose variam de acordo com o tipo da doença.

Leishmaniose cutânea

A versão cutânea da doença apresenta apenas úlceras na pele. Se o sistema imunológico consegue eliminar as células fagocitárias infectadas, estes sintomas podem ser leves ou nem aparecer. Entretanto, caso não a doença consiga passar para a próxima fase, as úlceras podem ficar grandes no processo.

Leishmaniose mucocutânea

Quando a leishmaniose torna-se mucocutânea, ela é capaz de afetar o nariz, a boca e as demais mucosas. Os sintomas da versão cutânea tornam-se muito mais graves.

Deformação facial

O rosto pode ficar deformado devido a destruição de tecido cartilaginoso. O nariz inteiro pode ser consumido por úlceras, assim como lábios, orelhas e pedaços do rosto.

Leishmaniose visceral

Nesta versão da doença, os órgãos internos são afetados. Ela é transmitida apenas pela Leishmania donovani, a Leishmania infantum e a Leishmania chagasi, três versões do parasita a causar leishmaniose.

A versão da doença também é chamada de calazar e diversos sintomas podem surgir. Estes sintomas costumam se manifestar em torno de 4 a 8 meses depois da infecção, mas podem levar até 2 anos para sua aparição. Nos casos em que o paciente é imunocomprometido, alguns dias podem bastar.

Os sintomas são:

Descamação de pele

A doença se manifesta, inicialmente, através de descamação da pele, especialmente no nariz, queixo, boca, orelhas e couro cabeludo. É frequente que haja confusão com caspa neste último caso.

Calombos no couro cabeludo

Os calombos causados pela leishmaniose costumam surgir no couro cabeludo. Devido a coceira do paciente, podem se tornar feridas, mas nem sempre acontece.

Febre

A infecção pelo parasita pode causar febre. Ela é intermitente (pode ir e voltar em intervalos indefinidos) e pode durar semanas.

Esplenomegalia (Aumento do baço)

Os órgãos que apresentam grande quantidade de macrófagos são especialmente afetados. Isso se aplica ao baço, que é um órgão especialmente importante para o sistema imunológico. O aumento do baço pode ser resultado de uma leishmaniose.

Hepatomegalia (Aumento do fígado)

Assim como o baço, o fígado também é um órgão cheio de macrófagos e de extrema importância no sistema imunológico. Quando está infectado pela leishmaniose, ele pode inchar e ocupar mais espaço dentro do corpo.

Redução da imunidade

Devido a ação do parasita nas células do sistema imunológico e nos órgãos que trabalham com ele, a imunidade do paciente fica reduzida. Infecções se tornam mais perigosas e mais fáceis de se contrair, especialmente nos casos de tuberculose e malária.

Fraqueza

Em fases mais avançadas da doença, a infecção pode causar fraqueza no corpo do paciente.

Diarreia

Devido ao efeito que a doença tem nos órgãos internos, a diarreia pode surgir no paciente de calazar.

Sangramento na boca e intestinos

Sangramentos podem ocorrer na boca e nos intestinos. O sangramento na boca é fácil de identificar, mas o intestinal fica perceptível quando existe a presença de sangue nas fezes.

Caquexia

A caquexia é uma condição em que o corpo enfrenta fraqueza e perda de peso extremas. É uma das principais causas de morte de pacientes de câncer, além de afetar pessoas desnutridas.

Leishmaniose visceral avançada pode causar caquexia.

Palidez

Se não tratada, a doença pode chegar ao estado de causar palidez na pele e mucosas como nariz e boca.

Leishmaniose em animais

A leishmaniose é uma doença mais frequente em animais do que em humanos. Nas cidades, é especialmente comum em cães, enquanto em áreas silvestres, a doença afeta principalmente raposas e marsupiais.

Cães

Apesar de a doença poder ser curada em humanos, infelizmente não existe cura garantida da leishmaniose para cães. O tratamento mais frequente da doença faz com que ela fique dormente, mas nem sempre curada, e o cão segue como reservatório para o parasita.

É frequente que seja realizada a eutanásia em cães infectados, já que eles se tornam hospedeiros da doença e ajudam a espalhar o parasita. Entretanto, não se deve esquecer que eles são as vítimas aqui, já que o vetor da leishmaniose é o mosquito.

No ano de 2016 foi liberado no Brasil um medicamento que demonstra resultados satisfatórios em cães. O medicamento, chamado Milteforan, consegue curar o animal por completo, mas durante toda a vida o cão deve acompanhar seu estado para saber se não houve um retorno da infecção ou se ele não foi infectado novamente.

O medicamento deve ser usado durante 28 dias, sem interrupção.

Como é feito o diagnóstico?

A suspeita da leishmaniose costuma surgir devido a descamação e úlceras na pele. A doença, especialmente na versão visceral, pode passar despercebida por meses, e é comum que seus sintomas sejam confundidos com outras doenças como a malária, a febre tifóide e a doença de chagas.

Para diagnóstico preciso é necessário realizar alguns testes.

Leishmanioses cutâneas

As leishmanioses cutâneas são mais fáceis de serem diagnosticadas. As úlceras são bem visíveis e é possível coletar o material diretamente delas, através de uma raspagem, que então pode ser analisado no microscópio para a identificação do parasita.

Leishmaniose visceral

Quando se lida com o calazar, o diagnóstico pode ser mais difícil. Muitos de seus sintomas são parecidos com outras doenças, portanto a suspeita pode demorar a surgir.

Para estes exames podem ser usados materiais extraídos da medula óssea, do baço ou o soro sanguíneo, dependendo do exame.

O soro sanguíneo é extraído do sangue por centrifugação. Ele é a parte do sangue sem os glóbulos vermelhos. É nele que encontramos os anticorpos criados pelo sistema imunológico.

Reação de imunofluorescência indireta

Este teste usa o soro sanguíneo do paciente e busca encontrar antígenos específicos. Antígenos são substâncias que, quando introduzidas no corpo, fazem com que sejam produzidos anticorpos contra elas. Os protozoários do gênero leishmania são antígenos.

Para realização do exame, é feita, em laboratório, a cultura do antígeno que se busca. Em seguida, o soro sanguíneo do paciente é adicionado ao antígeno. Caso haja anticorpos para aquele antígeno específico no soro do paciente, eles irão se ligar. A mistura é lavada para que anticorpos que não se ligaram a nenhum antígeno sejam retirados.

Em seguida, são adicionados anticorpos marcados com fluorocromo, uma substância fluorescente. Estes anticorpos marcados são chamados de conjugados. Os conjugados procuram se ligar com os anticorpos que estão ligados ao antígeno. A mistura então é lavada novamente para a remoção de anticorpos que não se ligaram a nada.

Por fim, observa-se a amostra em um microscópio de fluorescência, que possui filtros que permitem que a fluorescência do fluorocromo seja vista.

Caso haja fluorescência na imagem do microscópio, quer dizer que o soro do paciente possui anticorpos para aquele antígeno estudado, no caso, a leishmania, portanto pode-se assumir que o protozoário está presente no corpo do paciente, já que o corpo só produz anticorpos quando há infecção do antígeno.

Ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA)

O teste ELISA (do inglês Enzyme Linked ImmunoSorbent Assay) é um teste imunoenzimático. Isso quer dizer que ele detecta reações entre antígeno e anticorpo através de enzimas.

Existem vários jeitos de realizar este exame, mas o mais comum funciona assim:

Em uma placa de poliestireno, o antígeno puro (no caso a leishmania) é depositado. Sobre a placa, é colocado o soro do paciente. Da mesma forma que no a imunofluorescência, caso o paciente esteja infectado, o soro sanguíneo irá ter anticorpos específicos para a leishmania e eles se ligam.

São adicionados os conjugados, anticorpos que reagem a imunoglobulinas e que são ligados a um catalisador. Catalisadores são substâncias que aceleram reações químicas. Os anticorpos inicialmente adicionados ao teste são imunoglobulinas e se ligam ao conjugado quando fizeram conexão com o antígeno.

Depois, é adicionada uma substância química que dá coloração junto de uma que reage com o catalisador. Se houver anticorpos para aquele antígeno no soro do paciente, a reação acontece e a cor pode ser vista no microscópio.

Hemograma

O hemograma não é usado para o diagnóstico direto da doença, mas para descobrir sua gravidade através da contagem de glóbulos brancos e plaquetas.

Reação de Montenegro

A reação de Montenegro é um teste imunológico que busca identificar alguns tipos de infecções, entre elas a leishmaniose. Ele serve inclusive para identificar se o paciente já foi infectado pela leishmania no passado.

Para o teste, através de uma injeção debaixo da pele, são inseridos antígenos (o protozoário) inativos ou pedaços deles misturados em uma solução salina. Caso o paciente já tenha tido aquela infecção antes, o corpo terá anticorpos preparados e a reação será violenta. No local da aplicação, haverá inchaço e endurecimento da pele. Podem aparecer pequenas ulcerações.

Quando o paciente nunca teve a infecção, a reação é pequena e fraca. Os antígenos inativos não fazem mal e não criam uma infecção.

O teste não é definitivo. Se a reação surge forte, é um sinal de que o protozoário já infectou o paciente, mas não necessariamente significa que a infecção está em curso. Isso acontece pois, depois de uma infecção ser vencida, o corpo mantém alguns anticorpos que podem combater aquele antígeno, estando preparado para a possibilidade de uma nova infecção.

Também é possível que não haja reação forte mesmo que a infecção esteja em curso, já que, se ela estiver no começo ou o paciente for imunodeprimido, a reação será fraca.

Leishmaniose tem cura?

Na maioria dos casos, a leishmaniose humana tem cura. Nem sempre, entretanto, é possível se livrar completamente da doença e ela pode apenas ficar inativa.

Com os animais o oposto acontece: em alguns tipos de tratamento a cura é possível, mas ela é bastante difícil.

Nos casos em que o sistema imunológico do paciente reage da maneira correta ao parasita, eliminando as células fagocitárias, a pessoa torna-se imune a leishmaniose.

Qual o tratamento?

O tratamento, tanto em humanos quanto em animais, é feito através de medicação antimonial pentavalente.

Esse tratamento é agressivo e pode causar diversos efeitos colaterais, como dores de cabeça, alterações hepáticas e edemas faciais, entre outros, mas quando o paciente se cura, o que leva em torno de 30 dias de injeções diárias do medicamento, costuma ficar imune.

Medicamentos para leishmaniose

Os medicamentos comumente usados para a cura da leishmaniose em humanos, também disponíveis pelo SUS, são:

Estes medicamentos são usados em conjunto dependendo de qual versão da doença está presente.

Em animais a cura é mais complicada. Frequentemente, quando o diagnóstico é feito em cães, a eutanásia é recomendada. Isso acontece porque os tratamentos podem não fazer efeito e o cão, além de sofrer com a doença quando ela se manifesta, se torna um hospedeiro permanente da doença devido a dificuldade de cura.

No ano de 2016, foi liberado no Brasil o medicamento Milteforan para cães. Apesar de caro, ele demonstrou resultados com curas completas dos animais.

Vacina

Existe uma vacina para leishmaniose sendo desenvolvida no Brasil pelo departamento de parasitologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela já pode ser comercializada no Brasil e visa impedir que o cachorro seja um transmissor da doença, mesmo estando doente.

Na Europa, outra vacina, produzida pela Virbac, é utilizada desde 2011. Ela deve ser administrada anualmente e não protege o cão em 100%, mas ajuda a reduzir as chances de infecção.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

Os casos mais graves da doença podem levar a morte, mas com tratamento adequado, nos humanos, as chances de cura são elevadas.

Nos casos de calazar existe a chance de a doença evoluir para a leishmaniose dérmica pós-calazar. Essa condição pode aparecer até vinte anos depois da infecção e, apesar de nenhum organismo causador de calazar levar à doença, ela é frequentemente ligada a L. donovani. É comum em países como o Sudão e a Índia e aparece como eritema facial, nódulos ou pápulas.

Complicações

Algumas complicações podem surgir em decorrência da doença, tanto em humanos quanto em animais.

Infecções

Devido a ação do parasita nos macrófagos, o sistema imunológico do paciente fica comprometido, o que pode deixá-lo mais suscetível a infecções como a malária, a tuberculose, entre outras.

Transmissão

Qualquer pessoa ou animal contaminado por qualquer versão da leishmaniose se torna um vetor da doença. Isso quer dizer que se um mosquito que não está infectado picar esse paciente, o parasita irá se espalhar para aquele mosquito, que poderá então infectar mais pessoas ou animais com essa condição séria.

Leishmaniose mucocutânea

A deformação facial é a principal preocupação nestes casos. A leishmaniose mucocutânea afeta e destrói a pele e a cartilagem, podendo causar severas deformações, eliminando partes inteiras do rosto do paciente. Isso deixa aberturas que facilitam infecções que podem levar à morte.

Leishmaniose visceral

A calazar, se não for tratada, evolui e pode causar dores fortes, hemorragias internas, emagrecimento severo e morte. Tratar a leishmaniose é de suma importância.

Como prevenir

A prevenção da leishmaniose é feita através de alguns meios para evitar a contaminação. São eles:

Coleiras repelentes

Coleiras que liberam repelentes no animal podem afastar os mosquitos. Elas podem ser compradas em pet shops e clínicas veterinárias e, apesar de não serem especialmente baratas, deixam seu animal e os humanos a sua volta protegidos da doença.

Uso de inseticidas

Matar o inseto que transmite a doença impede que o ciclo do parasita continue.

Redes para mosquitos

Bloquear as janelas com redes para mosquitos impede que eles entrem nas casas onde as pessoas moram, dificultando que a doença se espalhe. As redes podem conter inseticidas para eliminar o inseto.

Tratamento de infectados

Tratar os infectados — tanto humanos quanto animais — reduz a disseminação da doença através dos insetos que a transmitem.


A leishmaniose é uma doença grave, que mata até 90% dos pacientes que não a tratam caso os sintomas se manifestem. Porém, a cura é possível. Cães, principais vítimas da doença, possuem uma chance menor de cura e precisam ser protegidos das picadas dos insetos.

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27 Comentários

  1. Acho que estou com essa doença, estou arrasada e muito preocupada comigo. Até os médicos não sabem muito bem como proceder… Fiz sorologia , demora 20 dias p o resultado ficar pronto. Li a matéria perfeita que publicaram.

    • Eu tive a doença a trinta anos atrás. Sofri demais com o tratamento, é muito complicado. Minha mãe não aguentou o tratamento com Glucantime, ela tinha problemas cardíacos. Quem for cardíaco tenha cuidado, todos que conheci morreram. Não estão preparados para tratar essas pessoas.

  2. Nossa parabéns! Muito bem escrito, nunca li nada sobre o assunto que fosse tão esclarecedor! Muito importante pra saúde pública! Obrigada!

  3. Muito bom o artigo, bem completo. Me ajudou muito na busca de informações pro meu trabalho sobre a doença. Obrigada =)

  4. O medo de infecção em humanos é o complicado. Quando se fala em vetor transmissor imagino que qualquer outro mosquito posso dissiminar a doença. Estamos fazendo um tratamento alternativo no cão. Existe melhora clara mas quando suspendemos o cão fica péssimo e deprimido. Em casa queimamos citronela de todas as formas e o custo com repelentes subiu bastante. Mas é preciso se não quiser sacrificar o cão…Acalma a mente um pouco!

  5. Trabalho na area da saúde preventiva e realizo testes em cães para saber se estão ou não com suspeita da doença,Achei o texto muito interessante,com muita informação bem fundamentado,gostei muito.

  6. Olá, meu cachorro tem essa doença, mas depois que descobri esse medicamento, graças a Deus meu fufu está curado, e caro mas vale a pena Vc ver seu animal correndo pela casa e voltar sua vida normal.

  7. Existe SIM tratamento para os cães. Precisam rever e atualizar urgente esse artigo. Passar informações equivocadas pode causar sérias consequências.

    • Olá Lucivânia!

      Sim, existe tratamento para cães. Atualmente este texto está com diversas informações faltando, por isso está sendo refeito no momento. Em alguns dias a versão atualizada dele deve ser postada.

      Obrigado pelo comentário!

  8. Conheço um cão raça labrador que teve e agora é saudável e só que sua ração é específica e toma um medicamento de uso contínuo. Não foi preciso fazer eutanásia.

    • Olá Raquel,

      A eutanásia nem sempre é necessária, pois diversos cães conseguem se recuperar e viver bem com o tratamento contínuo. No entanto, o parasita não deixa o organismo do cão e, assim, se um mosquito picá-lo, ele pode transmitir o parasita para outros cães e pessoas. Por isso, muitas famílias preferem sacrificar o animal do que viver com medo de ser infectado.

    • Olá Carlos.

      Este texto está sendo refeito no momento e logo será atualizado já que falta um pouco de clareza e algumas informações. Entre elas, a possibilidade de tratamento dos cães.
      Existe, sim, um tratamento com um medicamento liberado em 2016 chamado milteforan. É um medicamento caro, difícil de encontrar e que nem sempre resolve o problema, mas diversos estudos mostraram que ele pode realizar a cura completa dos animais. Lembre-se de não medicar seu animal sem a orientação de um médico veterinário já que só o profissional pode indicar um medicamento adequado.

      Infelizmente, além de caro, o medicamento não possui 100% de eficácia. O motivo do sacrifício dos cães com leishmaniose é que, mesmo sem apresentar sintomas, se for ele picado por um mosquito-palha (o vetor da doença) ele pode contribuir para a disseminação da condição que é grave e pode afetar humanos.

      Obrigado pelo comentário, Carlos, e se seu cãozinho estiver com a doença, nós do Minuto Saudável desejamos sorte.

      • E quando o ser humano é “curado” (não apresenta mais sintomas), ele continua sendo “reservatório” do protozoário? Nas entrelinhas do texto, entendi que sim (“As provas sorológicas não são indicadas para seguimento do paciente.”). Se um mosquito pica o humano infectado e depois pica uma pessoa saudável, pode transmitir a doença? Alguém vai começar a sugerir a “eutanásia” também em seres humanos com sorologia positiva, mesmo que assintomáticos?

        • Olá Verônica!

          Depois da cura do paciente humano ele deve ser acompanhado por até um ano por outros exames para garantir que os protozoários foram eliminados, mas ele não fica sendo reservatório. Diferente dos cães, a cura em humanos é mais fácil, o que é triste para os animais. Entretanto existem maneiras de curar a doença mesmo nos cães.

          Em alguns dias este texto será substituído por uma versão revisada e mais completa.

        • Muito bom o seu questionamento. Se tudo resolverem com eutanásia, fariam em todas as pessoas que tivessem HIV, hepatites, meningites etc.

      • Olá Rosi!

        Sim, você está certa. O artigo já está em processo de atualização e nos próximos dias a nova versão, revisada e mais completa, deve ser postada.
        Obrigado pelo comentário!

  9. Agora mesmo perdi um cão com essa doença, demorou para o veterinário descobri, e estou muito preocupada pois tenho filhos pequeno, o que devo fazer? tem vacina também para humano e posso dá aos meus filhos para prevenir?

    Grata,

    • Olá Dulcinéia,

      Nos cães, a leishmaniose não tem cura, e a maior parte deles acaba morrendo pela doença. Já no caso dos humanos, ela pode ser curada desde que o tratamento adequado seja feito. Por isso, se você suspeita que seus filhos tenham sido infectados, leve-os ao médico e discuta isso com ele. Contudo, a doença não é transmitida diretamente de cães para seres humanos, então a probabilidade de infecção não é muito alta.

  10. Parabéns, muito bem explicado e de fácil compreensão.
    Tenho uma cadela de 08 anos que foi diagnosticada hoje com leishmaniose, vou busca tratamento.

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