Redação Minuto Saudável
26/02/2018 08:00

O que é Hipocondria, sintomas, tratamento, tem cura, como superar?

Revisado por: Dr. Emerson Rodrigues Barbosa (CRM/PR 25901) – Psiquiatra

O que é hipocondria?

A hipocondria, também conhecida como “mania de doença”, é um transtorno mental caracterizado pelo medo constante de estar doente ou desenvolver uma doença séria. Pacientes com hipocondria acreditam que sintomas comuns são sinais de doenças graves e visitam o médico com uma frequência exacerbada, podendo até mesmo realizar diversos exames desnecessários.

Trata-se de uma doença psicossomática (ou somatoforme), na qual conflitos psíquicos levam a sintomas reais. Apesar de não haver uma doença orgânica por trás, os sintomas do hipocondríaco são reais, o que torna o diagnóstico e tratamento muito difícil. O paciente não finge seus sintomas, mas costuma amplificar sintomas normais como uma simples dor muscular.

Para o hipocondríaco, uma dor no peito decorrente de gases presos é um indício certeiro de um infarto. Assim, o indivíduo corre para o hospital, ansioso para salvar sua vida.

Normalmente, ao aparecer no consultório médico, os hipocondríacos se queixam de sintomas em áreas importantes do corpo, como a cabeça, o pescoço e o tronco. A maior parte das queixas é em forma de dor, mas outros sintomas que podem aparecer incluem coceira, diarreia, tontura e febre.

Não se trata de uma condição tão rara assim: cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem com ela todos os dias. Aliás, até mesmo ⅓ dos pacientes que procuram um médico chega a apresentar sintomas sem que haja uma causa física.

As mulheres são as mais atingidas, mas os homens não escapam da condição. Além disso, a hipocondria costuma vir acompanhada de outros transtornos mentais, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou ansiedade.

Outro nome para a condição é nosomifalia, e ela pode ser encontrada na Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10), pelo código F45.2.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é hipocondria?
  2. Significado de hipocondria
  3. Causas: por que alguém se torna hipocondríaco?
  4. Fatores de risco
  5. Quais são as doenças que o hipocondríaco acredita ter?
  6. Hipocondria e o vício em remédios
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico da hipocondria?
  9. Hipocondria tem cura?
  10. Tratamento da hipocondria: como superar?
  11. Medicamentos para hipocondria
  12. Prognóstico
  13. Complicações
  14. Hipocondria na cultura popular
  15. Convivendo
  16. Como prevenir a hipocondria?

Significado de hipocondria

O termo “hipocondria” tem uma história um tanto quanto intrigante.

Hipo vem do grego e significa “abaixo”, enquanto kondria significa “cartilagem do tórax”, ou seja, a origem da doença estaria, para os gregos, abaixo do tórax.

Isso acontece porque, na Grécia antiga, Hipócrates desenvolveu a “Teoria humoral”, na qual o corpo humano é constituído por 4 humores (substâncias) que, quando em desequilíbrio, geram as doenças. São elas o sangue, a fleuma, bílis amarela e bílis negra.

Abaixo do tórax, encontra-se o baço, órgão que seria responsável pela produção de bílis negra (mélas, “negro” + cholé, “bílis”). Quem tinha excesso de bílis negra, vivia triste: eram as pessoas melancólicas.

Os melancólicos eram, também, aqueles que sofriam com diversas enfermidades e se preocupavam exageradamente com a sua saúde. Como o baço se encontra abaixo do tórax, o termo “hipocondria” passou a ser utilizado para denominar aquelas pessoas mais sensíveis às doenças.

Causas: por que alguém se torna hipocondríaco?

Não se sabe, exatamente, o que causa a hipocondria. Assim como na maioria dos transtornos mentais, as causas parecem ser uma variedade de fatores, incluindo genéticos e ambientais.

Algumas hipóteses acerca do porquê alguém desenvolve hipocondria são:

Alterações perceptivas

Acredita-se que algumas pessoas possam sofrer alterações perceptivas que fazem com que elas sintam os sintomas bem mais intensos do que eles realmente são. Para uma pessoa assim, um leve enjôo é interpretado como uma náusea extremamente grave.

Falta de informação

Pessoas com pouco acesso à informação podem não entender direito o que um sintoma significa e, por isso, acreditam estar doentes quando têm um simples sintoma de indigestão (dispepsia), por exemplo.

Crenças

Há quem acredita que merece uma doença como um castigo por conta de alguma coisa que fez no passado. Nesses casos, a pessoa fica a espera da doença, prestando atenção a cada sinal diferente que o corpo dá.

Benefícios

Estar doente tem seus benefícios: atenção, afeto, possibilidade de faltar na escola ou no trabalho… Por isso, há quem acredite que uma das causas da hipocondria pode ser uma espécie de condicionamento, especialmente se ela começa durante a infância.

Uma criança com os pais muito ausentes, por exemplo, pode começar a se sentir mal mais frequentemente para chamar atenção. Nesse estado, a criança recebe mais afeto e cresce com essa ideia gravada em seu inconsciente.

Outros transtornos mentais

Não raramente, a hipocondria está associada a outros transtornos mentais, como a ansiedade e a depressão. Estima-se que de 75 a 85% dos hipocondríacos sofre de outro transtorno. Ela pode ser um sinal de alguma dessas condições, ou pode se desenvolver a partir delas.

Para exemplificar, podemos pensar em uma pessoa ansiosa que perde um familiar para uma doença. Depois de um tempo, ela pode começar a sentir os sintomas dessa mesma doença porque tem medo de desenvolvê-la também, especialmente se a condição for hereditária.

Já alguns pacientes com depressão costumam conviver com sintomas físicos decorrentes de seu transtorno, como fadiga e dores sem explicação.

Fatores de risco

Embora existam muitas hipóteses para as causas da hipocondria, nenhuma delas é certa. No entanto, já foram identificados alguns fatores de risco, como:

  • Histórico familiar de hipocondria;
  • Eventos estressantes recentes, como a morte de um ente querido;
  • Doenças sérias durante a infância;
  • Suspeita médica de uma doença grave que, ao ser diagnosticada, não era tão grave;
  • Histórico de abuso infantil;
  • Superproteção dos pais durante a infância;
  • Personalidade preocupada;
  • Transtornos mentais como ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtornos de personalidade e depressão.

Quais são as doenças que o hipocondríaco acredita ter?

Não existe, especificamente, uma lista das doenças mais comuns que os hipocondríacos poderiam ter. Basicamente, qualquer doença da qual o indivíduo tenha conhecimento pode servir de base para que ele tenha sintomas.

Contudo, há uma predileção pelas doenças graves. Um hipocondríaco não acha que está simplesmente resfriado, mas sim que contraiu a gripe H1N1.

Hipocondria e o vício em remédios

Uma das maiores preocupações dos médicos em relação à hipocondria é a prática da automedicação.

Acreditando portar alguma doença, muitos desses indivíduos fazem um autodiagnóstico e passam a consumir medicamentos sem antes consultar um médico.

Até mesmo porque, se um hipocondríaco fosse consultar um profissional da saúde, muito provavelmente sairia de lá achando que o médico errou no diagnóstico e que ele precisa sim de algum medicamento.

Se precisarem, esses indivíduos podem até mesmo pegar medicamentos prescritos para outras pessoas, visto que eles não teriam como adquirir a receita de um médico.

O problema é que a falta de orientação na hora de tomar os medicamentos pode levar a outras adversidades, como uma intoxicação ou problemas gástricos. Isso tudo apenas com os medicamentos de venda livre!

Já os medicamentos tarjados, em especial aqueles que necessitam da retenção da receita, são muito mais perigosos por conta dos seus efeitos colaterais. Além disso, o paciente não tem a noção de qual medicamento interage com qual e, com isso, pode acabar sofrendo com diversos efeitos adversos.

Um tipo de medicamento que não deve ser tomado sem a indicação expressa de um médico é o antibiótico. Esse tipo de substância ajuda a eliminar bactérias que estejam causando infecções, mas pode ser muito perigoso quando usado sem responsabilidade.

Isso porque as bactérias evoluem muito rapidamente e leva pouco tempo para que elas possam criar resistência aos medicamentos. Com isso, o uso incorreto dos antibióticos favorece para que essas bactérias fiquem intratáveis.

Um outro problema é que os antibióticos também atacam as bactérias boas do nosso corpo, como a flora intestinal ou vaginal. O resultado? Outras doenças, como desequilíbrio intestinal, candidíase etc.

Sintomas

Os sintomas da hipocondria são, em sua maioria, comportamentais. Isso quer dizer que, apesar de o paciente apresentar sintomas físicos, não são eles os verdadeiros sintomas da hipocondria, mas sim o seu comportamento. Alguns sinais de hipocondria são:

  • Preocupar-se constantemente com a possibilidade de ter ou adquirir uma doença séria;
  • Em pacientes mais velhos, a preocupação inclui o medo de perder a memória;
  • Acreditar que sintomas e sensações leves podem ser um sinal de uma doença grave;
  • Ficar alerta em relação ao seu estado de saúde facilmente;
  • Ler sobre alguma condição médica e começar a sentir seus sintomas;
  • Preocupar-se com a possibilidade de possuir doenças graves que não têm sintomas;
  • Não acreditar em resultados de exames negativos ou em um médico que diz que o paciente está saudável;
  • Arranjar desculpas para os resultados negativos como “a doença ainda está no início”, “o médico era muito novo”, “o exame foi mal feito”, entre outras;
  • Preocupar-se excessivamente com a possibilidade de desenvolver uma patologia específica, em especial quando é uma doença recorrente na família;
  • Sentir-se tão estressado por conta da possibilidade de adquirir uma doença que não consegue levar uma rotina normal;
  • Checar seu corpo repetidas vezes em busca de sinais e sintomas de doenças;
  • Marcar consultas médicas com frequência para se assegurar que não tem nada — ou o contrário: evitar visitar profissionais da saúde por medo de receber um diagnóstico de uma doença grave;
  • Evitar pessoas, lugares e atividades que podem trazer risco à saúde;
  • Falar constantemente sobre saúde e possíveis doenças;
  • Medo da morte iminente;
  • Pesquisar frequentemente na internet pela causa de sintomas ou doenças possíveis.

Este último hábito, em específico, é prejudicial pois, muitas vezes, o paciente tenta se autodiagnosticar e não procura ajuda médica especializada. Ou pior: mesmo consultando um médico, ainda acha que sabe mais do que ele e insiste que é portador de determinada doença.

Por isso, é válido frisar que o advento de sites sobre saúde na internet serve apenas para ajudar pacientes já diagnosticados a entender melhor sua doença, ou para ajudar pacientes que desconfiam de alguma coisa a conversar com o médico sobre isso. Contudo, o diagnóstico só pode ser dado pelo médico, assim como o tratamento só pode ser indicado por um profissional de saúde.

Como é feito o diagnóstico da hipocondria?

O diagnóstico da hipocondria pode ser muito difícil, pois o paciente não percebe que se trata de um transtorno mental e costuma procurar um médico que trata somatopatologias (doenças relacionadas ao corpo físico).

No Brasil, não existe a cultura de um “médico da família”, como na Europa. Esse médico é um clínico geral em quem uma família confia e costuma sempre visitar quando tem algum sintoma. Aqui, vamos direto no médico que parece mais conveniente: se o sintoma é na região do coração, já procuramos um cardiologista.

Isso é problemático porque o paciente passa de médico em médico e nenhum deles suspeita de nada. O hipocondríaco acaba fazendo exames e mais exames para, no fim, não ter nenhum problema (físico, ao menos).

Com o tempo, a suspeita se ergue entre os familiares e amigos, que o acompanham de perto e percebem sua preocupação excessiva com a saúde. Nesses casos, são essas pessoas que fazem com que o paciente procure ajuda com um psiquiatra ou psicólogo, especialistas em saúde mental.

Não existe um exame capaz de diagnosticar a hipocondria, então o diagnóstico é feito baseando-se nos sintomas e no histórico do paciente.

Critérios para diagnóstico

Segundo a 4ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), o diagnóstico de hipocondria pode ser feito a partir dos seguintes critérios:

  1. Preocupação acompanhada de medo de ter, ou a ideia de que se tem, uma doença grave com base em interpretação errônea de sintomas corporais;
  2. Preocupação persistente, apesar de avalição médica adequada e reafirmada;
  3. A crença do critério 1 não é de intensidade delirante (como no Transtorno Delirante) e não se restringe a uma preocupação circunscrita com a aparência (como no Transtorno Dismórfico Corporal);
  4. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo nas áreas social, ocupacional ou outras funcionalidades importantes;
  5. A duração do distúrbio é de pelo menos 6 meses;
  6. A preocupação não é relacionada com um Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Síndrome do Pânico, um Episódio de Depressão Nervosa, Ansiedade de Separação ou outro Transtorno Somatoforme.

Hipocondria tem cura?

É difícil dizer se a hipocondria tem cura, especialmente quando ela é desencadeada por outros transtornos mentais, como depressão e ansiedade.

Embora o tratamento possa fazer com que os sintomas entrem em remissão (ou seja, não apareçam mais), eles podem voltar dependendo de diversos fatores, como eventos estressantes ou fase da vida.

Um idoso que trata sua ansiedade faz anos pode voltar a ter sintomas hipocondríacos na terceira idade, visto que várias doenças graves se manifestam nessa fase da vida, por exemplo.

Tratamento da hipocondria: como superar?

Em grande parte, o tratamento da hipocondria é feito com um psicólogo, profissional especialista em saúde mental.

A psicologia traz diversas abordagens que podem ser usadas para elaborar os sentimentos e pensamentos do paciente, tendo um grande impacto na resolução do problema. Uma das mais utilizadas é a terapia cognitivo-comportamental. Entenda:

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

Conhecida como TCC, a terapia cognitivo-comportamental busca auxiliar o paciente a alterar seus comportamentos e pensamentos a partir de uma análise mais elaborada do seu padrão de pensamento e crenças subjacentes.

Ao sentir alguma sensação diferente no corpo, o hipocondríaco tem uma série de pensamentos dos quais não está consciente que alteram a maneira que ele reage a essa sensação.

O papel do terapeuta, nesse caso, é o de ajudar o paciente a reconhecer esses pensamentos automáticos, avaliar seu conteúdo e, a partir daí, conseguir mudar os seus comportamentos.

Vale lembrar que o tempo de tratamento depende muito do comprometimento do paciente. Caso ele não queira se tratar ou tenha dificuldades para comparecer às sessões de terapia, o processo inteiro é prejudicado.

Com a TCC, é possível:

  • Identificar os medos e crenças relacionados ao desenvolvimento de doenças graves;
  • Aprender novos modos de perceber e interpretar as sensações corporais, modificando os pensamentos desagradáveis;
  • Tornar-se mais consciente de como as preocupações e medos alteram o comportamento;
  • Mudar a resposta padrão para sintomas e sensações corporais;
  • Aprender habilidades para lidar melhor com ansiedade e estresse;
  • Reduzir a hesitação em participar de certas atividades por conta de sensações físicas;
  • Reduzir o comportamento de checar o corpo frequentemente em busca de sintomas;
  • Melhorar a funcionalidade no ambiente doméstico, corporativo, em relacionamentos e outras situações sociais;
  • Tratar outros transtornos mentais, como a depressão.

Tratamento psiquiátrico

Além do tratamento com o psicólogo, o paciente também pode acabar precisando de tratamento psiquiátrico. Ele é o médico responsável por diagnosticar o transtorno, tratá-lo com medicamentos e ajudá-lo a identificar qual a melhor abordagem de tratamento.

O psiquiatra pode indicar o tratamento com antidepressivos ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), que aumentam a disponibilidade da serotonina no cérebro.

Esse neurotransmissor é responsável pela regulação do humor, do sono, da libido, entre outras funções, e se mostra bastante eficaz no tratamento da hipocondria.

Outros medicamentos que podem ser receitados são os ansiolíticos, que ajudam a lidar com transtornos de ansiedade, o que não é raro entre hipocondríacos.

De fato, é possível até mesmo que o paciente necessite tomar mais de um medicamento, para mais de um transtorno. Tudo isso vai depender muito dos sintomas, dos transtornos associados e do organismo de cada um.

Medicamentos para hipocondria

Alguns medicamentos que podem ser prescritos para o tratamento da hipocondria são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

A hipocondria é uma condição crônica, ou seja, não é resolvida em pouco tempo. De fato, algumas pessoas terão que conviver com os sintomas hipocondríacos durante o resto da vida, ou eles podem voltar após um longo período de remissão.

Contudo, o tratamento psiquiátrico e a psicoterapia podem ajudar muito a vida do indivíduo hipocondríaco. A partir do início do tratamento, os sintomas vão ficando mais raros, e a remissão dos sintomas é algo comum para muitos pacientes.

Mesmo assim, existe a possibilidade de recaídas e, por isso, é importante que o hipocondríaco siga o tratamento corretamente e não deixe de tomar medicamentos sem antes conversar com o psiquiatra.

Complicações

Por ser um transtorno mental, as complicações relacionadas a hipocondria estão mais ligadas a problemas relacionais. São elas:

Ataques de pânico

Os ataques de pânico são períodos de desconforto intenso, nos quais o paciente é acometido por medo excessivo, ansiedade e uma sensação de morte. Há perda de ar, dores, suor frio intenso, além de outras sensações que levam o paciente ter certeza de que está morrendo.

Em geral, os sintomas que o hipocondríaco sente são mais fracos que o ataque de pânico, visto que este último se caracteriza por sentimentos muito intensos e de breve duração.

Problemas com familiares e amigos

O estresse e o medo excessivo do hipocondríaco podem acabar frustrando aqueles que o amam, especialmente se ele não procura ajuda especializada. Como o paciente está sempre inseguro a respeito de sua saúde, é comum que pergunte incessantemente sobre sintomas e doenças que acredita estar desenvolvendo, o que pode irritar seus próximos.

Problemas no trabalho

As suspeitas de condições médicas fazem com que o paciente acabe faltando muitos dias de trabalho ou tenha dificuldades em cumprir seus horários, especialmente quando os sintomas somáticos são acentuados pelo medo de desenvolver algo grave.

Efeitos colaterais frequentes

Caso o hipocondríaco desenvolva, também, o hábito de se automedicar, os riscos de sofrer com efeitos colaterais frequentes são altos.

Além dos próprios efeitos colaterais de cada medicamento, ele também pode desenvolver uma esofagite por irritação, visto que o uso frequente de remédios por via oral irrita a mucosa gástrica.

Incapacidade

Tanta preocupação, necessidade de cuidados e afirmação pode acabar fazendo com que o paciente seja incapaz levar uma vida produtiva.

Problemas financeiros

Como está sempre visitando um profissional da saúde ou gastando com medicamentos, o hipocondríaco pode arcar com custos maiores do que pode prover.

Mesmo que tenha um plano de saúde, existem exames que não são cobertos pelos planos, o que faz com que o paciente tire dinheiro do próprio bolso para poder realizar alguns procedimentos médicos.

Submeter-se a riscos desnecessários

Todo procedimento médico envolve riscos, seja um simples exame de sangue ou uma radiografia. Portanto, ao realizar exames desnecessários (visto que o paciente não tem nenhuma condição), ele também se expõe a riscos pelos quais não precisaria passar.

Possibilidade de desenvolver uma doença séria e não ser diagnosticado

Por outro lado, os hipocondríacos que evitam o médico podem acabar não sendo diagnosticados a tempo caso estejam desenvolvendo qualquer condição grave.

Isso é prejudicial porque muitas doenças sérias são silenciosas e só demonstram sinais quando já é muito tarde para reverter o quadro.

Possibilidade de desenvolver outro transtorno mental

Viver com dores ou com a crença de que algo muito ruim está acontecendo, mas não receber apoio quando precisa, é um fator de risco para o desenvolvimento de outros transtornos mentais, como a depressão.

Hipocondria na cultura popular

Você muito provavelmente já viu algum personagem em filmes, livros, séries ou até mesmo novelas, que sofre claramente de hipocondria. Alguns exemplos notáveis são:

  • O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: Neste filme, uma empregada da tabacaria chamada Georgette é vista frequentemente tomando alguma coisa para supostas manchas ou inalando algum pó para uma possível doença;
  • Madagascar: Apesar de ser uma animação infantil, a doença está presente aqui também. Melman, a girafa, mostra-se sempre preocupada com sua saúde, buscando prevenir-se sempre, e vive tomando remédios sem motivos aparentes;
  • The Big Bang Theory: O icônico Sheldon Cooper possui sintomas hipocondríacos;
  • Vida Bandida: Neste filme, Terry lida com sua hipocondria ao mesmo tempo em que se torna um dos assaltantes de banco de maior sucesso nos Estados Unidos;
  • Os Miseráveis: Um estudante chamado Joly é sempre descrito como “doente imaginário”;
  • Tudo Pode Dar Certo: Este longa metragem foca em um romance improvável entre uma garota jovem e um idoso hipocondríaco;
  • Le Malade Imaginaire: Esta é a última peça escrita por Molière. Seu nome pode ser traduzido para “O doente imaginário”, e trata de uma relação abusiva entre um médico e um hipocondríaco, que segue à risca todas as ordens do profissional de saúde.

Convivendo

Ter que conviver com uma condição tão estressante é complicado, ainda mais porque o paciente não tem controle algum sobre isso. Algumas dicas para melhorar a qualidade de vida são:

Faça os check-ups anuais

Só porque o hipocondríaco deve parar de ir tanto no médico, isso não quer dizer que ele não deve cuidar de sua saúde, indo ao médico todos os anos.

Essa prática é importante e ajuda a prevenir diversas doenças graves que, caso sejam descobertas no início, possuem um bom prognóstico.

Já os pacientes que têm medo de receber um diagnóstico e evitam o hospital a todo custo precisam, também, cuidar de sua saúde. Até porque é dessa maneira que as doenças perigosas vão ser abordadas precocemente, evitando que a qualidade de vida decaia.

Pratique técnicas de relaxamento

Já falei que a hipocondria é uma condição extremamente estressante? Pois então, nessas horas, é importante cuidar do seu estresse emocional, que é ruim para a saúde do corpo também.

Por isso, apostar em técnicas de relaxamento como meditação pode ajudar bastante o hipocondríaco a manter uma qualidade de vida bacana.

Acupuntura

Em meio a crises, é complicado ficar tomando um monte de remédios, não é mesmo? Por isso, a acupuntura pode ser uma boa opção para lidar com os sintomas que o hipocondríaco sente.

Essa técnica milenar chinesa utiliza pontos de pressão para tratar dores em locais específicos. E melhor ainda: não é apenas crendice! Há vários estudos que comprovam sua eficácia.

Por isso, caso o hipocondríaco já tenha confirmado que suas dores não são produtos de uma condição real, ele pode tratar as dores facilmente marcando uma sessão de acupuntura.

Como prevenir a hipocondria?

Tratando-se de uma condição mental, é muito difícil falar em maneiras para preveni-la, visto que as causas da hipocondria não são muito bem conhecidas.

Sendo assim, o máximo que pode ser feito é dar algumas dicas para minimizar a possibilidade de apresentar o quadro. Algumas dicas são:

  • Tenha hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos. Isso diminui as chances de desenvolver certos tipos de doenças, em especial as crônicas;
  • Caso você tenha sintomas de ansiedade, procure ajuda profissional para evitar que eles fiquem mais fortes e tenham impacto sobre a sua vida;
  • Aprenda a reconhecer seu estresse e como ele afeta seu corpo. Assim, você saberá se é, de fato, algum sintoma psicossomático;
  • Evite o consumo de drogas recreativas como álcool e tabaco, pois elas tendem a piorar os sintomas de transtornos mentais em geral;
  • Evite pesquisar sobre doenças e sintomas na internet sem necessidade, pois isso aumenta as chances de começar a desconfiar de doenças mais graves que possuem sintomas genéricos.

Apesar de muito comum, nem todo mundo entende o que é a hipocondria e, muitas vezes, até mesmo fazem piadas com a condição! No entanto, trata-se de algo grave que deve ser abordado.

Se você conhece alguém que se preocupa constantemente com sua saúde, não deixe de lhe mostrar este artigo e aconselhá-lo para procurar ajuda!

Fontes consultadas

Dr. Emerson Rodrigues Barbosa (CRM/PR 25901), graduado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná. Especialista em Sexualidade Humana e em Estimulação Magnética Transcraniana, ambas pela USP. Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Diretor clínico do Instituto de Psiquiatria do Paraná (IPP)

26/10/2018 15:16

Redação Minuto Saudável

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Ver comentários

  • Eu já havia detectado esse problema em mim, agora tenho certeza, depois que li esse maravilhoso artigo. Vou a procura de ajuda, um profissional vai me orientar a trilhar esse caminho. Estou doente das emoções. Mto grave.

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  • Agradeço imensamente esse texto,foi muito útil pra mim!

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  • Nossa, estou maravilhada com a explicação clara e sucinta desse texto. Aprendi muito, foi muitíssimo útil pra mim. Muito obrigada

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  • Esse texto foi maravilhoso para mim pois pude perceber que sem querer estou virando uma pessoa hipocondríaca e preciso sim de ajudas como histórico familiar de outros transtornos também

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  • obrigado pelo texto maravilhoso

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  • O artigo em geral é muito interessante e objetivo. Apenas quero apontar uma leve contradição. A autora aborda com propriedade a medicina tradicional chinesa, afirmando que não é 'crendice'. Porém, ela descarta 'crenças' dos pacientes sobre a possibilidade da doença ser consequência do passado, esquecendo-se que o Chi ou energia vital é um elemento metafísico, 'espiritual', que na tradição chinesa obedece ao carma ou lei de causa e efeito. É preciso diferenciar as conjeturas do paciente das bases de tradições medicinais, filosóficas ou espiritualistas.

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