Esclerose múltipla: o que é, sintomas iniciais, tratamento, tem cura?

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O que é esclerose múltipla?

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que ataca a bainha de mielina, uma camada protetora dos neurônios, dificultando as sinapses e causando diversos problemas para os seus portadores, como transtornos cognitivos e problemas de equilíbrio e coordenação motora.

É uma doença que atinge o Sistema Nervoso Central (SNC) como um todo, afetando tanto o cérebro quanto a medula espinhal e os nervos, tendo, por isso, proporções sistêmicas.

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Cerca de 2.5 milhões de pessoas ao redor do mundo sofrem de esclerose múltipla. Exemplos conhecidos são das atrizes brasileiras Claudia Rodrigues, de A Diarista, e Ana Beatriz Nogueira, famosa por muitas novelas globais, que sofrem de esclerose múltipla.

A doença ainda não tem cura e é progressiva, isto é, seus sintomas pioram com o decorrer do tempo. Apesar disso, inúmeras pesquisas têm sido feitas nos últimos anos, o que pode ser uma “luz no fim do túnel” para os seus portadores.

O tratamento, até o presente momento, busca diminuir a progressão da doença e recuperar o paciente dos ataques causados pela doença. Com isso, os pacientes que sofrem de esclerose múltipla podem se beneficiar e levar uma vida com mais qualidade, tendo uma expectativa de vida de 5 a 10 anos a menos do que a população não afetada pela doença.

Na Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10), a esclerose múltipla pode ser encontrada através do código G35.

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Aprenda mais sobre o que é a esclerose múltipla, seus sintomas e como ela age no organismo no texto a seguir!

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é esclerose múltipla?
  2. O que é bainha de mielina?
  3. O que são os surtos?
  4. Tipos
  5. Causas
  6. Fatores de risco
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico?
  9. Tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Medicamentos
  12. Convivendo
  13. Prognóstico
  14. Complicações
  15. Como prevenir
  16. Perguntas frequentes

O que é a bainha de mielina?

Para explicar o que é bainha de mielina, antes precisamos falar um pouco dos neurônios. Simplificando um pouco a explicação para propósitos didáticos, podemos dizer que o neurônio é composto por 2 partes essenciais: o corpo celular, onde se localizam o núcleo e alguns receptores, e outra parte mais alongada e fina, chamada de axônio.

O axônio é como se fosse uma perninha do neurônio e tem como função conduzir os impulsos elétricos que saem do corpo celular até outro local mais distante, como um músculo ou outro neurônio. Podemos compará-lo com um fio de cobre, que transmite correntes elétricas.

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Essa estrutura é bastante frágil e não funciona com sua máxima potência sozinha. É para cumprir justamente essas funções que existe a bainha de mielina. Ela deixa o axônio mais protegido, além de acelerar a velocidade dos impulsos nervosos. É como se fosse o isolante em volta do fio de cobre.

Trata-se de uma série de dobrinhas em espiral que ficam em torno do axônio. São um tecido adiposo essencial para o bom funcionamento dos neurônios.

Quando uma pessoa desenvolve esclerose múltipla, a bainha de mielina fica comprometida e o axônio fica desmielinizado. Isso causa o comprometimento dos impulsos nervosos, a principal causa das complicações da doença.

O que são os surtos?

Os surtos de esclerose múltipla, ou seja, quando há incidência grande de desmielinização, são identificáveis a partir do momento que há o surgimento de um novo sintoma neurológico ou então a piora significativa de um sintoma antigo, com duração mínima de 24 horas.

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São observados, principalmente, a perda de força de um ou mais membros, dormências e/ou formigamentos nos pés e mãos, também chamados de distúrbios de sensibilidade, e alterações no cerebelo, como vertigem (tontura), que pode vir associada a náusea, vômitos, tremores, alterações na fala, dificuldade de caminhar e desequilíbrio.

Uma grande parte dos pacientes apresenta um quadro de neurite óptica, isto é, uma redução na visão e dor ocular, com piora na movimentação dos olhos. Mais raramente, acontecem alterações nos nervos cranianos, como paralisia do movimento ocular (ou dificuldade para mover o olho) ou nevralgia do trigêmeo (dor forte, como um choque no rosto).

Depois de diagnosticado, existe um intervalo mínimo de aproximadamente 30 dias entre um surto e outro.

O quadro clínico de cada surto varia de paciente para paciente, sendo que em muitos casos há a presença de mais de um sintoma associado. A recuperação também é individual, sendo que alguns pacientes apresentam remissão completa dos sintomas e outros permanecem com sequelas.

Muitos pacientes podem apresentar piora clínica com febre, calor, fadiga, hiperventilação, exercício físico, tabagismo e estresse emocional. A piora, nessas situações, geralmente é transitória.

Entretanto, há de se ressaltar que sempre existe a necessidade que se descarte a presença de infecções que podem agravar o quadro sintomático.

Tipos

Existem, essencialmente, 4 subtipos diferentes de esclerose múltipla. Existe ainda um quinto tipo, que é menos comum que os demais, chamado de síndrome clinicamente isolada (primeiro ataque).

É muito importante identificar em qual subtipo de EM que o paciente se encontra para que as decisões terapêuticas adequadas sejam tomadas pela equipe médica.

Confira a diferença entre esses 4 subtipos de EM:

Síndrome clinicamente isolada (SCI)

A síndrome clinicamente isolada é o primeiro ataque, ou recaída, causada por inflamação e desmielinização do sistema nervoso central. Este episódio, por definição, deve durar ao menos 24 horas e possui características da EM. Entretanto, somente ele não é suficiente para que se chegue a um diagnóstico conclusivo de esclerose múltipla.

Quando a SCI vem acompanhada de lesões no cérebro, um exame de ressonância magnética é feito para avaliar se elas são similares àquelas que a EM causa. Se as características forem parecidas, as chances de o paciente sofrer de esclerose múltipla são maiores. Já se o incidente não causou lesões cerebrais, as chances da pessoa possuir EM são bem menores.

Esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR)

O subtipo remitente-recorrente, também chamado de recidivante remitente, pode ser descrito como a fase inicial da doença.

Ele se caracteriza por episódios de ataques recorrentes e imprevisíveis, seguidos por um período de meses ou anos de tranquilidade (renitência) sem sintomas ou atividades da doença.

Os danos neurológicos que esse subtipo pode causar ocorrem durante os episódios de ataque e podem desaparecer por conta própria ou então deixar sequelas permanentes.

É mais comum que as sequelas permaneçam com o paciente, pois o tempo de renitência, ou seja, de espaçamento entre os ataques, foi muito grande, tornando o ataque mais traumático para o organismo.

Cerca de 80% dos indivíduos com EM são diagnosticados primeiramente com essa variação da doença.

Quando os danos neurológicos desaparecem por conta própria, esse subtipo pode ser denominado de Esclerose Múltipla Benigna. Apesar disso, à longo prazo, o indivíduo que sofre da doença vai apresentar progressão.

Esclerose múltipla secundária-progressiva (EMSP)

A esclerose múltipla secundária-progressiva pode ser categorizada como a evolução da da remitente-recorrente.

No início, o paciente apresenta surtos e remissões bem distintas entre si. Porém, a doença começa a ficar mais séria e aumentar em gravidade, piorando de forma lenta e gradativa, sem a presença de surtos necessariamente.

Esclerose múltipla primária-progressiva (EMPP)

Nessa variação, o paciente não apresenta surtos, mas a doença piora progressivamente desde o seu diagnóstico e a pessoa desenvolve sintomas e até sequelas progressivamente por causa da doença.

Ou seja, este subtipo de esclerose múltipla é caracterizado pela piora progressiva das funções neurológicas, sem a presença de relapsos anteriores nem mesmo remissões.

Ela pode ser caracterizada como ativa, quando acontecem relapsos ocasionais, não ativa, ou então com progressão, quando há evidência da piora da doença.

Esclerose múltipla recidivante progressiva (EMRP)

Essa é a forma menos comum da doença. Nela, os ataques são menos comuns, mas ainda acontecem de vez em quando e os sintomas continuam e pioram entre as recaídas.

Este tipo de EM é muito raro. Os médicos não sabem muito bem sobre essa variação da doença e, provavelmente, somente cerca de 5% das pessoas que sofrem de EM possuem esta forma.

Causas

Infelizmente, até hoje, não se sabe a causa da esclerose múltipla. O que se sabe é como ela age no organismo e que se trata de uma doença autoimune, isto é, quando o corpo cria anticorpos contra ele mesmo.

No caso da EM, essa falha no organismo ataca a bainha de mielina, um protetor dos neurônios, que, em outras palavras, é como se fosse o material isolante que protege um fio de cobre, por exemplo.

Quando a bainha de mielina fica danificada, o nervo fica exposto e as correntes elétricas soltadas pelos neurônios ficam comprometidas, o que pode gerar sintomas como disfunção motora, problemas cognitivos ou perda de sensibilidade em algumas regiões.

Fatores de risco

A esclerose múltipla provavelmente é uma doença autoimune. Isto é, como o lúpus ou a artrite reumatóide, o corpo cria anticorpos contra ele mesmo, danificando o próprio organismo, especialmente na bainha de mielina, a cobertura dos nervos.

Existem alguns fatores de risco que podem aumentar as suas chances de desenvolver esclerose múltipla. Um deles, por exemplo, é ser do sexo feminino, já que as mulheres possuem muito mais chances de desenvolver a doença. Confira:

Idade

A esclerose múltipla pode acometer alguém em qualquer idade, entretanto ela se faz mais presente em pessoas que se encontram na faixa etária entre 15 e 60 anos.

Sexo

Mulheres possuem aproximadamente 2 vezes mais chances de desenvolver esclerose múltipla do que homens.

Histórico familiar

Se você possui algum familiar que tenha desenvolvido esclerose múltipla, suas chances de desenvolver a doença são maiores do que as das outras pessoas.

Raça

Pessoas brancas, especialmente de etnia nórdica, possuem riscos muito maiores de desenvolver esclerose múltipla. Pessoas com descendência asiática, africana ou nativa-americana possuem chances menores.

Climatológica

A esclerose múltipla é muito mais comum em países de clima temperado, como o Canadá, o norte dos EUA, Nova Zelândia, sul da América do Sul e Europa.

Doenças autoimunes

Pessoas que sofrem de problemas na tireóide, diabetes tipo 1 ou doença inflamatória intestinal possuem chances maiores de desenvolver EM.

Anomalias vasculares

Em 2008, o cirurgião Paolo Zamboni levantou a hipótese de que a EM envolve o estreitamento de veias que drenam o cérebro, processo também conhecido como insuficiência venosa crônica cérebro-espinal.

No seu estudo, ele descobriu que todos os seus pacientes com EM tinham esse tipo de anomalia vascular. O interessante é que, após corrigir esse problema em seus pacientes, aproximadamente 73% deles apresentaram melhora.

Isso chamou bastante a atenção de pacientes com EM ao redor do mundo, mas Zamboni se mantém cético, reiterando que nenhum tipo de teste controlado ou cego ainda foi feito, e que assumir algum tratamento similar para pacientes com EM ainda não é recomendado.

Tabagismo

Fumantes que viveram algum evento sintomático que levou à suspeita de EM possuem chances muito maiores de desenvolverem a doença do que não-fumantes.

Exposição a certos tipos de vírus

Algumas pesquisas têm mostrado que pessoas que desenvolvem EM possuem anticorpos para o vírus Epstein-Barr, causador da mononucleose, no organismo. Isso significa que elas foram expostas à esse vírus. Os pesquisadores acreditam que quem ficou doente graças a esse vírus possui chances maiores de desenvolver esclerose múltipla.

Além disso, suspeita-se que a exposição aos vírus varicela-zoster e aqueles presentes na vacina da hepatite também podem ter uma relação com a esclerose múltipla.

Entretanto, nenhuma dessas hipóteses foi confirmada.

Fatores hormonais

Nos últimos anos, evidências têm sugerido que hormônios, incluindo os sexuais, podem afetar e ser afetados pelo sistema imune. A testosterona, o estrogênio e a progesterona, por exemplo, podem atuar suprimindo a atuação do sistema imunológico.

Uma das evidências que levou a essa hipótese é o fato de mulheres com EM terem menos atividade da doença durante os períodos de gravidez, quando os níveis de progesterona e estrogênio estão altos.

Outra evidência é a baixa incidência em homens, que possuem índices mais elevados de testosterona. Apesar disso, esses fatores hormonais, isoladamente, não são suficientes para explicar a maior prevalência da doença em mulheres.

Sintomas

Existem alguns sintomas característicos que podem indicar a presença da esclerose múltipla. Fique atento a eles se você estiver em algum grupo de risco e não hesite em procurar um médico sempre que tiver alguma suspeita.

Os sintomas variam de intensidade conforme a progressão da doença e atingem diferentes regiões do corpo. As especialidades os dividem, de modo geral, em sintomas primários, secundários e terciários. Confira:

Sintomas primários

Os sintomas primários são reações diretas do organismo aos processos de desmielinização. Como dito anteriormente, esses processos dificultam a transmissão de sinais nervosos entre o cérebro e o resto do corpo, causando todos esses sintomas.

Como veremos a seguir, problemas intestinais, de equilíbrio e sensibilidade e variam muito de acordo com a pessoa e das fibras nervosas que foram desmielinizadas.

Basicamente, se as fibras nervosas sensoriais sofrem a desmielinização, ocorrem problemas sensoriais; por outro lado, se as fibras desmielinizadas forem as que transmitem sinais para os músculos, problemas de mobilidade (motores), vão aparecer e assim por diante. Conheça eles mais de perto:

Lhermitte

Trata-se de um sintoma bem peculiar: uma sensação de choque elétrico, que irradia pelas costas e para as pernas quando o pescoço é flexionado. É um sinal de lesão do nervo que pode ser visto quando o pescoço está numa posição de flexão e os nervos correspondentes  estão esticados.

Recebeu esse nome por causa do médico francês que o descobriu, Jean Lhermitte, e é bastante associado à EM. Entretanto, não é considerado um diagnóstico, pois pode ter diversas outras causas, como compressões medulares, trauma medular, deficiência de vitamina B12 e outras.

Dor

A dor é um sintoma relativamente frequente em pacientes com esclerose múltipla. De modo geral, se apresenta com intensidade moderada e é desencadeada por uma irritação das vias sensoriais que levam estímulos para o cérebro.

Pode ocorrer como sintoma da neurite óptica (dor ao movimentar os olhos para os lados), na nevralgia trigeminal (uma dor intensa em um dos lados da face), ou por conta de espasmos e problemas musculares gerais que conduzem à dor músculo-esquelética.

É classificada de duas maneiras:

  • Dor neuropática: quando é decorrente do próprio nervo;
  • Dor nociceptiva: quando é de origem músculo-esquelética.

Com relação a duração, pode ser classificada como aguda ou crônica. A dor aguda é mais intensa, de curta duração ou intermitente e pode se iniciar e terminar rapidamente. Já a crônica dura longos períodos, às vezes mais de 1 mês, possui início gradual, flutua em intensidade e, muitas vezes, não desaparece por completo.

Intolerância ao calor

Esta é uma queixa de praticamente todos os os pacientes com EM. Ela é tão comum que, no passado, se utilizavam de um teste chamado “teste do banho quente” para diagnosticar pessoas com esclerose múltipla.

Nesses testes, a pessoa mergulhava numa banheira quente e testava-se para ver se os sintomas neurológicos apareciam ou pioravam. Isso porque o aumento da temperatura tende a diminuir a velocidade da transmissão nervosa. Como a mielina já está danificada, um aumento na temperatura, então, tendia a piorar os sintomas.

Esses efeitos podem ser causados com muita facilidade por uma mudança na temperatura corporal de muito menos de 1 grau de diferença.

Ao ser exposto ao calor, o paciente com EM pode experienciar embaçamento da visão, fadiga, tremor e queixas cognitivas. Vale lembrar que, apesar do calor aumentar os sintomas da EM, esse agravamento é temporário e nenhum dano tecidual acontece de fato.

Beber líquidos para evitar a desidratação, de preferência água ou suco de frutas diluído, é muito recomendado. Procurar ambiente com ar condicionado e tomar banhos frios também podem ajudar.

Alterações fonoaudiológicas

Estes sintomas surgem normalmente no início da doença, mas podem se estender conforme os sintomas gradativamente pioram. Estão normalmente ligados à deglutição e à fala, como:

  • Fala lentificada (mais lenta);
  • Palavras arrastadas;
  • Voz trêmula;
  • Disartria (dificuldade na reprodução de fonemas);
  • Fala escandida (pronúncia lenta);
  • Disfagia (dificuldade para engolir líquidos, pastosos e sólidos).

Transtornos cognitivos

Transtornos cognitivos também são comuns em pacientes com EM. Problemas de memória podem aparecer durante qualquer momento da doença, independente dos sintomas físicos.

As funções cognitivas que são mais comumente afetadas pela esclerose múltipla são o processamento de memória e a execução de tarefa. Quem sofre desses problemas normalmente reclama de levar mais tempo para memorizar as tarefas e possuem dificuldades na execução delas.

Tontura

Pessoas que sofrem de EM podem sentir tontura, mas ela normalmente não vem acompanhada de vertigem ou da sensação de que o quarto está girando.

Tremores

Mais ou menos metade das pessoas que tem EM sofre de tremores. Eles possuem diferentes intensidades e podem afetar as atividades diárias.

Espasticidade

A espasticidade é caracterizada como a rigidez de um membro ao movimentar-se. Ela acomete, principalmente, os membros inferiores, trazendo problemas de mobilidade.

Parestesia

A parestesia, uma dormência no corpo que compromete a sensação tátil, também é um dos sintomas que pode surgir, trazendo a sensação de queimação ou formigamento em alguma parte do corpo.

Transtornos visuais

A degradação da bainha de mielina pode afetar os sentidos, como a visão. Ela pode ficar embaçada ou mais clara. As pessoas perdem, principalmente, a habilidade de enxergar quando olham para frente (visão central). A visão periférica é, de modo geral, menos afetada.

Além disso, outros problemas podem surgir, como:

  • Oftalmoplegia internuclear: ocorre quando as fibras que coordenam a movimentação horizontal (de um lado para o outro) são lesionadas. Um dos olhos, por exemplo, pode perder a habilidade de girar para dentro, o que causa visão dupla ao olhar para o lado oposto do olho afetado. O olho não afetado pode, também, começar a se mover muito rapidamente de maneira involuntária, problema denominado nistagmo.
  • Neurite óptica (inflamação no nervo óptico): nesses casos, pode ocorrer a perda parcial da visão de um dos olhos e causar dor na hora de mover o olho.

Problemas com o equilíbrio e coordenação

A doença pode trazer problemas motores, causando sintomas como:

  • Perda de equilíbrio;
  • Tremores;
  • Instabilidade ao caminhar (ataxia);
  • Vertigens e náusea;
  • Falta de coordenação;
  • Debilidade (pode afetar as pernas e o andar);
  • Fraqueza geral.

Fadiga

Não confunda a fadiga com a preguiça. A fadiga é um cansaço debilitante que impede a pessoa de cumprir suas tarefas normais do dia a dia. É um sintoma debilitante de instalação imprevisível e desproporcional, sendo um dos mais incapacitantes.

É muito comum quando os pacientes se expõem ao calor ou quando faz exercícios físicos muito intensos.

Alterações na bexiga e no intestino

A esclerose múltipla pode dificultar a transmissão de mensagens entre o cérebro e a bexiga ou intestino, fazendo com que problemas nesses órgãos sejam mais comuns em pessoas acometidas pela doença.

Uma interrupção entre os sinais cérebro-bexiga/intestino pode resultar tanto na ausência de necessidade de ir ao banheiro, como em sensações de urgência extrema.

Sexualidade

Nos homens, a esclerose múltipla pode causar disfunção erétil, enquanto nas mulheres diminui a lubrificação vaginal. Também diminui a sensibilidade do períneo (região da genitália), o que compromete o desempenho sexual.

Sintomas secundários

Os sintomas secundários são aqueles que vêm acompanhados ou em decorrência dos sintomas primários. Um exemplo claro diz respeito à infecções urinárias. Como os pacientes com EM têm mais dificuldade para esvaziar a bexiga por completo, eles ficam mais susceptíveis a contrair infecções urinárias.

Naturalmente os médicos tratam dos sintomas secundários, mas o objetivo do tratamento de EM, de modo geral, é evitar que eles sequer aconteçam e, para isso, foca-se sempre no tratamento dos sintomas primários.

Sintomas terciários

Já os sintomas terciários são os sintomas sociais, psicológicos e relacionados ao trabalho e ao convívio com a esclerose múltipla. A EM pode fazer com que o ato de dirigir se torne muito difícil e trabalhoso, por exemplo, ou então dificultar a realização do seu trabalho.

Esses sintomas são tratados com apoio de um psicólogo ou assistente social, que vai ajudar o paciente a conviver melhor com a doença e melhorar o seu dia a dia apesar dos desafios proporcionados pela condição.

Contudo, por ser uma doença que varia muito de acordo com cada paciente, o melhor a fazer é não se comparar com outros pacientes também diagnosticados com EM. Os sintomas são diferentes para cada um e, por isso, o tratamento também é. A maior parte das pessoas com a doença aprende a administrar os próprios sintomas e volta a viver uma vida normal.

Como é feito o diagnóstico?

Para se diagnosticar corretamente a esclerose múltipla, primeiramente, em casos de suspeita, é preciso procurar o médico correto, que, nesse caso, é o neurologista.

Isso porque existe uma grande variedade de doenças inflamatórias e infecciosas que podem ter os mesmos sintomas da esclerose múltipla. O mais importante, nesses casos, é levar tudo em consideração: desde o histórico médico do paciente, o histórico familiar e complementar tudo isso com exames físicos, neurológicos e laboratoriais.

É muito comum que as pessoas subestimem ou supervalorizam os sintomas do doença, o que faz com que ou elas se preocupem de menos, ou demais. Existem casos de falso negativo e falso positivo e, por isso, é sempre aconselhável repetir os exames.

Para que se diagnostique a EM, alguns critérios têm de ser estabelecidos e cumpridos, como:

  • Evidência de múltiplas lesões no sistema nervoso central;
  • Evidência (clínica ou para-clínica) de pelo menos 2 episódios de distúrbio neurológico.

Os principais exames pedidos pelos médicos para diagnosticar a doença, são:

Ressonância magnética

A ressonância magnética é um exame que serve para enxergar o interior do corpo humano através do mapeamento de moléculas de água, que existem em diferentes densidades e tecidos ao redor do corpo.

O aparelho cria um campo magnético que realinha o núcleo dos átomos de hidrogênio, fazendo com que eles se tornem pequenos imãs que serão posteriormente mapeados, formando uma imagem que poderá ser observada pelos médicos.

No exame, o médico vai analisar a condição do crânio e da coluna em níveis cervical, toráxico e lombar. Esse exame pode ser realizado repetidamente durante um tempo para que se faça o acompanhamento da doença.

Punção lombar

A punção lombar nada mais é do que a coleta do líquido (liquor) cefalorraquidiano na medula espinhal. O médico coloca uma agulha entre as vértebras e recolhe uma amostra que será posteriormente analisada em laboratório.

Como é um exame que pode trazer bastante desconforto e dor para o paciente, ele é feito com a aplicação de uma anestesia local.

Potencial evocado

Trata-se de um teste indolor que verifica a saúde das vias nervosas. Ele vai avaliar o funcionamento da medula espinhal, dos nervos periféricos e também das vias ópticas e das vias auditivas.

Ele é objetivo, isto é, não depende da resposta do paciente. Utiliza-se de sinais elétricos, sonoros ou de luz para registrar as respostas do organismo e verificar a integridade funcional das estruturas analisadas.

Existem, de forma aplicável, 3 tipos de potencial evocado. Confira:

Potencial evocado visual (PEV)

Nesse teste, coloca-se um eletrodo na região posterior do couro cabeludo (lobo occipital) e se estimula a visão de cada olho separadamente através de uma tela quadriculada que passa em uma tela de computador.

A resposta obtida com o exame é o potencial evocado visual. Sua principal indicação é a detecção de lesões assintomáticas da via visual em pacientes com esclerose múltipla.

Potencial evocado auditivo (PEA)

Assim como no PEV, eletrodos são colocados no couro cabeludo, mas dessa vez na região lateral (lobo temporal) e uma série de estímulos auditivos, cliques, são emitidos por um fone de ouvido para analisar cada orelha separadamente.

A resposta obtida com o exame é o potencial evocado auditivo. A principal indicação é no estudo de lesões do nervo coclear com perda auditiva, como pode ocorrer na síndrome de Meniere.

Potenciais evocados somatossensoriais (PESS)

São testados colocando-se eletrodos na região nas laterais da cabeça, no couro cabeludo (lobo parietal) e estimulando-se as fibras sensoriais somáticas dos nervos mediano (braço) e tibial (perna) de cada lado, separadamente, através de pequenos choques elétricos de baixa intensidade.

A resposta obtida neste exame é o potencial evocado somatossensorial. Sua principal indicação é no estudo de lesões do cordão posterior da medula que podem estar presentes em mielopatias de diversas etiologias, incluindo a esclerose múltipla.

Tem cura?

Infelizmente, a esclerose múltipla não possui cura. Ainda não se sabe nem o que causa a EM, então achar uma cura para a doença se torna ainda mais difícil.

Entretanto, no início de 2018, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Northwestern, em Chicago, identificaram, através de experiências com ratos, uma molécula cuja produção está ligada à testosterona e que parece proteger o organismo da esclerose múltipla.

Os roedores, geneticamente modificados para terem uma doença similar a que afeta os humanos, tiveram melhora significativa dos sintomas da doença depois de serem tratados com a substância descrita no estudo.

Apesar da importância da descoberta, o melhor a fazer é continuar cético e manter as expectativas baixas, já que o experimento foi feito somente com animais e o resultado pode não ser o mesmo com humanos.

Qual o tratamento?

Como não existe cura para esclerose múltipla e os ataques podem trazer sérios problemas para o paciente, o tratamento normalmente é focado na recuperação do paciente dos danos sofridos nos ataques, em diminuir a progressão da doença e na manutenção dos sintomas.

Algumas pessoas têm sintomas tão leves que, muitas vezes, nenhum tipo de tratamento é necessário.

Portanto, os tipos de tratamento para a doença pode ser dividido pelo seu propósito. Entenda:

Tratamento para recuperação dos ataques

Os ataques de esclerose múltipla podem deixar diversas sequelas em quem sofre da doença. Por isso, esse tipo de tratamento é mais imediato e busca reverter essas sequelas.

Corticoesteroides

Esses medicamentos são utilizados para ajudar a reduzir a inflamação dos nervos.

Plasmaferese

Esse tratamento envolve a utilização de uma máquina que filtra o sangue para remover elementos nocivos do plasma sanguíneo. É um procedimento muito parecido com a hemodiálise, mas o processo é diferente.

Enquanto a hemodiálise realiza as funções renais, a plasmaferese serve mais como um outro tipo de limpeza que, ao contrário de filtrar nutrientes em excesso do sangue, busca diminuir a incidência de agentes patológicos.

Tratamento para retardar a progressão da doença

Como o nome já diz, este tipo de tratamento visa diminuir e desacelerar a progressão da doença, evitando o surgimento de relapsos severos e, consequentemente, sequelas graves. Através desses tratamentos, é possível diminuir os danos sobre a bainha de mielina.

Entretanto, eles não são indicados para qualquer um com EM. Eles só são prescritos para pessoas com esclerose múltipla remitente-recorrente ou esclerose múltipla secundária-progressiva e que se encaixam em alguns critérios, como o número de relapsos que tiveram desde o diagnóstico da doença.

Pessoas que não sofrem dos ataques da EM raramente vão se beneficiar desses tratamentos e ainda podem sofrer com os efeitos colaterais, sendo, por isso, desnecessário e desaconselhável a realização desse tipo de tratamento.

Confira as opções de tratamento para diminuir a progressão da EM:

Interferons

Os interferons atuam no organismo controlando as atividades do sistema imunológico, além de possuir função antiviral. Eles funcionam retardando o processo de da esclerose múltipla, reduzindo o número de crises e complicações.

Imunomoduladores

Trata-se de um tipo de proteína que tem o objetivo de reduzir o número de crises. Ainda não se sabe exatamente como ele age no organismo, mas acredita-se que ele é capaz de inibir o ataque do sistema imunológico contra a mielina.

Moduladores de receptores esfingosina-1-fosfato

Essa classe de medicamentos foi descoberta recentemente e age aprisionando seletivamente os linfócitos (células brancas) doentes nos gânglios linfáticos para evitar que eles ataquem a mielina do sistema nervoso central.

Tratamento para os sintomas

Esses tipos de tratamento buscam recuperar o paciente das crises e trazer mais qualidade de vida. Inclui o uso de relaxantes musculares, que ajudam a controlar a dor causada pela rigidez dos músculos e outros medicamentos que melhoram a fadiga muscular.

Além disso, existe a fisioterapia, em que exercícios alongamento e fortalecimento muscular ajudam o paciente a realizar melhor as tarefas do dia a dia. Ela pode ajudar a melhorar a fadiga e outras sequelas causadas pelos ataques.

Medicamentos

Os medicamentos para o tratamento de EM normalmente buscam diminuir as crises, aumentado o tempo entre as ocorrências. Dentre esses medicamentos, temos:

Betainterferona

É administrada de forma subcutânea ou intramuscular diariamente, uma vez por semana ou 3 vezes por semana, dependendo do tipo de medicamento escolhido.

Entretanto, esse medicamento pode causar uma série de efeitos colaterais indesejados, como:

  • Sintomas semelhantes à gripe, como fadiga, calafrios, febre, dores musculares e sudorese durante as semanas iniciais do tratamento;
  • Reações no local da injeção, como inchaço, vermelhidão, descoloração e dor;
  • Tristeza, ansiedade, irritabilidade e sentimentos de culpa, o que faz com que pessoas com histórico de depressão necessitem de um acompanhamento mais cuidadoso;
  • Dificuldades para dormir e comer.

Ocrelizumabe

Este é o único tipo de medicamento modificador da doença aprovado pela FDA para tratar esclerose múltipla remitente-recorrente. Isso porque sua descoberta é recente e ainda não se sabem os efeitos colaterais dessa medicação.

O que se sabe, entretanto, é que ela é muito eficaz e pode aumentar o espaço de tempo entre os episódios em até 12 semanas.

Acetato de glatirâmer

É uma proteína que busca reduzir o número de crises fazendo com que o sistema imune pare de atacar a mielina, reduzindo o processo autoimune da doença.

Ele é injetado sobre a pele, por via subcutânea, uma vez por dia. Alguns efeitos colaterais raros desse medicamento são:

  • Dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação;
  • Dor ou aperto no peito;
  • Palpitações cardíacas;
  • Ansiedade;
  • Rubor;
  • Dificuldade para respirar.

Ele é distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Fumarato de dimetila

Outro tratamento relativamente novo, o fumarato de dimetilo age no organismo através da sua ação anti-inflamatória e citoprotetora. Tem se mostrado um ótimo tratamento para esclerose múltipla nos últimos anos e, ao que tudo indica, é bem tolerado pelos pacientes, sendo que seus efeitos adversos são raros e incluem:

  • Rubor;
  • Problemas gastrointestinais.

Fingolimode

Trata-se de um imunossupressor que reduz o número de relapsos. É necessário, nas 6 primeiras horas após a primeira dose, monitorar a frequência dos batimentos cardíacos, pois ele pode desacelerar o coração.

Outros efeitos colaterais incluem dor de cabeça, aumento da pressão arterial e visão embaçada.

Teriflunomida

Não se sabe exatamente como esse medicamento funciona, mas ele é capaz de reduzir os surtos causados pela EM.

Seus efeitos colaterais incluem problemas no fígado, queda de cabelo, além de ser contraindicado para grávidas, já que a afeta a formação do feto.

Natalizumabe

Este medicamento aparentemente bloqueia a ação de células brancas que atacam a bainha de mielina e causam a esclerose múltipla. Pode ser considerado a primeira opção de tratamento para pessoas com EM em estágio severo.

Entretanto, ele aumenta os riscos de infecção viral no cérebro, também chamado de leucoencefalopatia multifocal progressiva.

Alentuzumabe

Trata-se de um medicamento antineoplásico, isto é, é utilizado para destruir os neoplasmas ou células malígnas, evitando, entre outras coisas, o crescimento e disseminação de tumores.

Apesar de seus efeitos benéficos, ele pode aumentar o risco de infecções.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Conviver com a esclerose múltipla é um desafio, especialmente por causa das complicações da doença. Por isso, separamos algumas dicas de como lidar melhor com a doença e seus sintomas. Confira:

Foque em ser positivo

Ter resiliência e se manter positivo mesmo diante das situações mais difíceis é uma tarefa árdua. Mesmo assim, é importante não baixar a guarda e tentar se esforçar para não deixar a doença te botar pra baixo emocionalmente.

Previna a fadiga

Um dos sintomas da esclerose múltipla é a fadiga, o cansaço extremo. Uma forma de prevenir que esse sintoma aconteça é descansar bastante, o suficiente para se sentir energizado, e evitar o calor, pois ele pode piorar essa situação.

Busque apoio emocional

Por mais que a gente se esforce, muitas vezes é difícil manter a positividade por conta própria. A tristeza e o desânimo batem e fica difícil enfrentar as situações. É nessas horas que você deve procurar ajuda. E existem muitas formas de fazer isso!

Você pode buscar auxílio dos seus parentes e dos seus amigos próximos. Eles podem te ajudar a conviver melhor com a doença e te dar o apoio emocional que você precisa.

E se isso não for o suficiente, você ainda pode buscar um psicólogo, psiquiatra ou outro profissional de saúde. Eles são profissionais que estudaram formas de ajudar as outras pessoas a lidar melhor com os próprios problemas e podem ser de imensa ajuda em momentos em que não conseguimos mais ver solução.

Ainda existem os grupos de apoio para pessoas com esclerose múltipla. Ir nas reuniões desses grupos pode te ajudar a lidar melhor com a sua condição, pois lá você vai encontrar pessoas que sofrem do mesmo problema que você e vão ter empatia, vão saber o que você sente e poder te aconselhar sobre como resolver os problemas que você vem enfrentando.

Tenha disciplina

O tratamento de esclerose múltipla pode ser bastante chato. Ninguém gosta de tomar remédios todos os dias, mas é de extrema importância que você mantenha sua disciplina e siga todas as recomendações médicas rigorosamente para evitar o surgimento de mais algum surto.

Garanta acessibilidade

Muitas vezes a esclerose múltipla pode trazer problemas de locomoção. Então, é muito importante que você se assegure da acessibilidade dos locais que você frequenta.

Em casa, você pode fazer modificações estruturais para facilitar sua vida. No trabalho, você pode buscar conversar para que o ambiente se torne mais confortável para pessoas que sofrem de debilidades motoras. Não tenha vergonha. É um direito seu o de ir e vir.

Busque atividades de lazer

É sempre bom desligar a mente e se focar em algo que você gosta. Atividades como ler um livro, assistir filmes, jogar videogames, ir a um museu e estimular hobbies, como a pintura, a escrita ou a música; todas essas são atividades que vão te ajudar a “desligar”, a deixar a realidade um pouco de lado e viver, por alguns momentos, algo diferente.

Realizar esse tipo de atividade é muito bom para aumentar a qualidade de vida. Não porque a realidade é algo terrível, mas porque é bom deixar os problemas de lado, nem que seja por algumas horas.

Cuide da sua saúde

Muitas vezes, pessoas com esclerose múltipla precisam tomar medicamentos imunossupressores. Por isso, é muito importante estar com a saúde em dia, pois os riscos de se contrair uma doença são muito maiores, então deve ser do seu interesse se manter saudável.

Por isso, praticar exercícios e manter uma dieta saudável são uma boa pedida. A sua saúde vai agradecer!

Tenha empatia pelos seus familiares

Conviver com uma pessoa que tem esclerose múltipla não é fácil. Mas lembre-se que a culpa não é sua. A culpa não é de ninguém, na verdade. A EM é algo que acontece e é inevitável. O que se pode fazer é aprender a conviver com ela da melhor forma possível. E isso pode ser muito difícil, tanto para você quanto para as pessoas ao seu redor.

Como a esclerose múltipla afeta a vida cotidiana, sentimentos como o desesperança, ansiedade, depressão e outros são comuns não só no paciente como nos familiares.

Ainda existe a crença de que a esclerose múltipla é uma doença que vai causar morte e sofrimento intenso em um período curto de tempo, o que não é verdade, já que pessoas que sofrem de EM tendem a viver, em média, somente de 5 a 10 anos a menos que a população não afetada pela doença.

Portanto, tente ter empatia pelas pessoas ao seu redor. Elas também sofrem, especialmente por causa da possibilidade de ver sofrer ou perder um ente querido. Novamente, isso não é culpa de ninguém. É algo que acontece. E uma maneira de contornar essas situações é através da conversa e da informação.

Converse sempre com seus familiares e amigos próximos. Abra seus sentimentos e peça para que eles façam o mesmo. Apesar de ser uma tarefa difícil, ela vai fazer bem a todos.

Prognóstico

Apesar de ser uma doença grave, o prognóstico das pessoas que sofrem de esclerose múltipla é bom. Entretanto, há uma série de variáveis que são associados à um prognóstico mais favorável da progressão da doença, como o sexo do paciente, o subtipo da doença, os sintomas neurológicos e, sobretudo, o início da doença.

Isso porque a doença progride no decorrer de várias décadas, passando por períodos de melhora e piora. Estima-se que a esperança de vida de pessoas com EM é de 5 a 10 anos inferior em relação à pessoas normais, entretanto, cerca de 40% dos portadores chegam até a sétima década de vida.

Ainda assim, embora a maior parte dos portadores venha a perder as capacidades de locomoção nos estágios finais da doença, 90% ainda são capazes de caminhar depois de 10 anos do aparecimento dos sintomas e 75% 15 anos depois.

Complicações

Complicações motoras

Conforme a esclerose múltipla avança, complicações motoras começam a acontecer. Os movimentos podem se tornar trêmulos, irregulares e ineficazes. Além disso, as pessoas podem ficar parcial ou completamente paralisadas.

Músculos fracos podem se contrair de maneira involuntária (espasticidade), causando, muitas vezes, cãibras doloridas. A fraqueza e a espasticidade do músculo podem interferir no andar e até mesmo impossibilitá-lo, mesmo com o auxílio de um andador ou aparelho.

Pessoas que não podem caminhar por causa da esclerose múltipla ainda tem mais chances de desenvolver osteoporose (densidade óssea diminuída).

Complicações cognitivas

Em muitas pessoas, a esclerose múltipla causa perda de memória, déficit de atenção e redução da velocidade do processamento de informações no cérebro, o que deixa o raciocínio mais lento.

Em casos mais graves, a EM pode até mesmo acabar levando à demência. Portanto, o quanto antes esses tipos de problemas forem identificados melhor, pois as chances de reverter o quadro diminuem conforme o tempo passa e o número de lesões aumenta.

Complicações respiratórias

Complicações respiratórias podem acontecer porque a esclerose múltipla, muitas vezes, está relacionada à redução da força muscular. Isso contribui para ocorrência de alterações pulmonares, fazendo com que essas complicações sejam causas frequentes de óbito em pacientes.

Entretanto, as funções respiratórias são raras e só acometem o paciente nos estágios finais da doença. Além disso, os músculos respiratórios desempenham um papel importante no desenvolvimento da fadiga em pacientes com EM.

Uma das maneiras de tratar essa complicação é através de exercícios expiratórios e inspiratórios que, com o tempo, vão melhorar ou ajudar a manter as condições dos músculos responsáveis por essa função.

Como prevenir

Apesar de se tratar de uma doença genética e de não se saber exatamente as causas da esclerose múltipla, existem algumas formas de tentar prevenir o surgimento da esclerose múltipla. Confira:

Suplementação de vitamina D

Alguns estudos recentes demonstraram que indivíduos que se expõem mais ao sol no início e no decorrer da vida têm menores chances de desenvolver esclerose múltipla.

Se isso ocorre porque o corpo sintetiza mais vitamina D ou porque o sol está relacionado à outros fatores, ainda não se sabe, mas os níveis de deficiência ou insuficiência de vitamina D nas populações atuais ainda é grande, atingindo cerca de 70% da população.

Por isso, apesar de não ser exatamente um método 100% eficaz e comprovado, é uma boa manter os seus níveis de vitamina D saudáveis. Não só por causa da esclerose múltipla, mas também por outros problemas que a deficiência dessa vitamina pode acarretar.

Prevenir a obesidade na infância e adolescência

Um fator de risco ambiental modificável para o desenvolvimento da esclerose múltipla é a obesidade infantil e nos jovens (até 20 anos). Estudos associaram a obesidade infantil com o risco aumentado de esclerose múltipla em ambos os sexos.

Apesar de não existir uma correlação clara entre as duas coisas, também é uma boa manter a saúde e a boa forma para a saúde de modo geral.

Tabagismo

O tabagismo é outro fator de risco para o desenvolvimento da esclerose múltipla. Além disso, existem evidências de que o hábito de fumar piora a progressão da doença.

Por isso, se você fuma, pare. Não somente por causa da esclerose múltipla, mas também por causa de todos os outros problemas que o tabagismo pode causar, como o câncer e o enfisema pulmonar.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas possuem EM?

Aproximadamente mais de 2,3 milhões de pessoas sofrem de esclerose múltipla ao redor do mundo. Mais de dois terços dessas pessoas são mulheres e essa diferença entre os sexos vem crescendo nos últimos 50 anos.

A EM causa paralisia?

Não. A paralisia é diferente dos sintomas da esclerose múltipla. Na paralisia, a pessoa não consegue mais mover os músculos voluntariamente, enquanto no caso da esclerose múltipla a pessoa sente grande dificuldade em mover os músculos por causa do sistema nervoso comprometido.

Outro dado bastante tranquilizador é que a maior parte das pessoas que têm esclerose múltipla nem chega a ficar com sérios problemas motores. Aproximadamente dois terços das pessoas com a doença continuam conseguindo andar depois do diagnóstico, apesar de muitas precisarem de alguma ajuda, como muletas, e algumas vão optar pela cadeira de rodas por causa da fadiga.

Por que é tão difícil diagnosticar EM?

O que acontece é que os sintomas iniciais da esclerose múltipla são bastante comuns em outras doenças, fazendo com que as possibilidades de diagnóstico sejam muito grandes. Os sintomas iniciais vem e vão muito rapidamente e pode acontecer deles facilmente passarem despercebidos pela equipe médica.

A esclerose múltipla é uma doença fatal?

Infelizmente, sim. Por se tratar de uma doença progressiva, ao longo dos anos ela vai piorando até chegar em um momento em que causa, invariavelmente, a morte.

Entretanto, a expectativa de vida das pessoas com esclerose múltipla tem crescido com o decorrer dos anos, conforme os tratamentos avançam. Hoje em dia, uma pessoa diagnosticada com esclerose múltipla vive, em média, de 5 a 10 anos menos do que uma pessoa que não possui a doença, o que não é uma diferença tão grande.

A EM leva a demência?

A maior parte dos sintomas da EM são físicos, entretanto, algumas pessoas também sofrem de problemas de cognição. Então, podemos dizer que sim, em alguns casos, a esclerose múltipla pode levar a demência.

Não tão raramente, a esclerose múltipla causa perda de memória, déficit de atenção e redução da velocidade de processamento de informações no cérebro, deixando o raciocínio mais lento.

Quando esse tipo de problema é identificado no começo da doença, as chances de reverter o quadro são maiores, porém, conforme o tempo passa e o número de lesões aumenta, a recuperação total se torna gradativamente mais difícil.


A esclerose múltipla é uma doença complicada, de difícil tratamento e que progride com o passar dos anos, sendo que a expectativa de vida para os seus portadores é de 5 a 10 anos menor do que para pessoas que não tem a doença.

Apesar disso, tratamentos estão sendo estudados e pode ser que, dentro dos próximos anos, o tratamento seja mais eficiente e a qualidade de vida dos portadores de esclerose múltipla melhore.

E você? Tem esclerose múltipla? Conhece ou convive com alguém que tem? Que tal contar para gente a sua experiência? Se quiser, deixe sua opinião sobre os problemas como acessibilidade e preconceito. Ah, e não se esqueça de compartilhar o texto para que as pessoas se conscientizem mais sobre a doença!

Referências

https://www.webmd.com/multiple-sclerosis/multiple-sclerosis-symptoms#1
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/multiple-sclerosis/symptoms-causes/syc-20350269
https://www.nationalmssociety.org/What-is-MS/Types-of-MS
https://www.nationalmssociety.org/What-is-MS/MS-FAQ-s
https://www.cdc.gov/
https://www.ninds.nih.gov/Disorders/All-Disorders/Multiple-Sclerosis-Information-Page#disorders-r2
Abigail E. Russi, Mark E. Ebel, Yuchen Yang and Melissa A. Brown – Male-specific IL-33 expression regulates sex-dimorphic EAE susceptibility (2018) (http://www.pnas.org/content/early/2018/01/25/1710401115)
Fernanda Machado Taveira; Antônio Lúcio Teixeira; Renan Barros Domingues – Respiratory Complications in Multiple Sclerosis (2011) (http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2012/v47n4/a2943.pdf)
GUYTON, Arthur C.; Fisiologia Humana – 6ª edição, pg. 85-90 e pg. 98-108
Ministério da Saúde – Relatório de Recomendação – Fumarato de dimetila no tratamento da esclerose múltipla remitenterecorrente após a 1ª falha terapêutica  (2016) (http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2016/Relatorio_Fumarato_EM_CP12_2016.pdf)

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