Redação Minuto Saudável
30/06/2017 14:33

Coqueluche: sintomas, vacina, o que é, causas, tratamento e mais

O que é Coqueluche?

A coqueluche é também conhecida como “Pertussis” (devido ao nome da bactéria causadora), “tosse comprida” ou “tosse convulsa”. É uma doença infecciosa aguda e transmissível, responsável por acometer o aparelho respiratório (traquéia e brônquios). A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis, ou “bacilo de Bordet-Gengou”, que produz uma toxina que faz com que os sintomas de tosse convulsa, constipação e outros se manifestem. Além dessa bactéria, cerca de 5% a 20% dos casos de coqueluche podem ser causados por um outro tipo mais grave, a Bordetella parapertussis.

A coqueluche foi descrita pela primeira vez em 1578, mas a B. pertussis só foi isolada em 1907 por Jules Bordet e Octave Gengou. A vacina foi desenvolvida em 1926 e o genoma da bactéria foi sequenciado em 2002.

Esta doença é extremamente grave para lactantes e crianças pequenas que não foram vacinados, principalmente recém-nascidos com menos de 2 meses de idade que ainda não receberam a primeira dose da vacina.

As crianças recém-nascidas têm as vias respiratórias muito finas e que podem ser facilmente obstruídas pelo muco produzido na infecção. Por conta disso, elas podem até correr o risco de não conseguirem respirar.

Além de ser altamente contagiosa, sua duração é de 6 a 10 semanas. Em vários países desenvolvidos (Europa, América do Norte ou Japão, por exemplo) a cobertura de vacinas é muito alta e são poucos os casos de coqueluche, bem como morte da criança.

Contudo, nos países em desenvolvimento, até mesmo em países emergentes, como o Brasil, a coqueluche continua causando danos e várias mortes. Isto ocorre devido à cobertura vacinal de adultos muito baixa eles podem transmitir a doença para bebês ou crianças pequenas.

Em setembro de 2013, no Texas (EUA), ocorreu uma epidemia de coqueluche e foram registradas pelo menos duas mortes. A baixa imunização de adultos foi a principal causa, porque a maioria dos recém-nascidos e crianças pequenas foi contaminada por adultos, apenas 12% destes adultos estavam imunizados.

No Brasil, devido à manutenção das altas coberturas de vacinação, notou-se uma variação da incidência de casos de coqueluche, cerca de 0,32 casos para 100 mil habitantes em 2010 contra 0,72 para cada 100 mil habitantes em 2004; no país a notificação é compulsória.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é Coqueluche
  2. Causas
  3. Os sintomas da Coqueluche
  4. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  5. Qual o tratamento para Coqueluche?
  6. Vacinação contra Coqueluche
  7. Grupos e fatores de risco
  8. Complicações
  9. Como prevenir? É transmissível?

Causas

A doença é causada pela infecção das bactérias Bordetella pertussis ou Bordetella parapertussis, as quais afetam a garganta (faringe) e  causam um incômodo nela, provocando as tosses (principal sintoma da Coqueluche).

Um indivíduo infectado pela bactéria, ao espirrar ou rir, faz com que as pequenas partículas da saliva ou muco sejam lançados no ar. Isto pode infectar outros que respirem o mesmo ar e que não estejam imunes contra a doença.

Período de incubação

Quando o corpo entra em contato com as bactérias da coqueluche, ele demora cerca de 7 a 14 dias para o paciente apresentar os primeiros sintomas.

Os sintomas da Coqueluche

Os sintomas variam de paciente para paciente, sendo que nos adultos eles ocorrem de forma mais leve (cerca de 1/3 é assintomático), enquanto que nas crianças com menos de 6 anos de idade podem ser fatais.

A coqueluche se desenvolve em 3 fases sintomáticas sucessivas, são elas:

Fase catarral

Tem início com manifestações respiratórias e sintomas leves, os quais podem ser confundidos com a gripe. O sintomas podem durar algumas semanas e deixam o paciente extremamente cansado. Ele poderá sentir:

  • Febre ligeira;
  • Olhos lacrimejantes;
  • Coriza;
  • Rinorreia: nariz escorrendo muco;
  • Mal-estar;
  • Tosse seca e, em seguida, contínua, com duração de 2 a 4 semanas. A tossida da criança com a Coqueluche leva de 20 a 30 segundos sem parar e, depois, há a dificuldade para respirar;
  • Lábios e unhas podem ficar azulados durante as crises de tosse, que geralmente ocorrem mais à noite.

A multiplicação da bactéria causa a tosse convulsa, por conta da diminuição do funcionamento da traqueia e brônquios. Assim, a tosse pode ser uma consequência ou um sintoma do problema.

Fase aguda

  • As crises de tosse cessam, devido à inspiração forçada e prolongada;
  • Vômitos, fazendo com que o paciente tenha dificuldade de beber, comer e respirar.

Fase grave ou convalescença

Na fase grave, as crises de tosse desaparecem, voltando à tosse comum.

Bebês menores de 6 meses são os mais propensos a apresentarem formas graves da doença, que podem causar:

Recém-nascidos podem apresentar apneia e demais problemas respiratórios sem tosse presente.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O clínico geral, o pneumatologista ou o pediatra, quando crianças. O barulho típico de um “assobio” que a criança faz ao respirar fundo entre os acessos de tosse é característico da Coqueluche. O diagnóstico poderá ser realizado por:

  • Observação dos sinais clínicos: tosse durante vários dias e semanas, em particular com acessos de tosse, etc.
  • Diagnóstico de confirmação: feito por um teste de laboratório para identificar as bactérias que causam a doença. Quando a coqueluche está em seu início, as chances de identificá-la são de 80% a 90%.
  • Espirometria: medição da capacidade inspiratória e expiratória do paciente.
  • Exames de sorologia.
  • Raio-x do tórax.

Ao examinar, o médico precisará diferenciar a Coqueluche de doenças como gripe e tuberculose, pois possuem sintomas semelhantes.

Qual o tratamento para Coqueluche?

O principal tratamento é medicamentoso, por antibióticos, que são bastante eficazes contra as infecções bacterianas. São escolhidos pelos médicos de acordo com as necessidades de cada paciente, especialmente os macrolídios, como a Azitromicina.

O objetivo de tomá-los é para reduzir o contágio da doença, ajudando a acelerar a recuperação.

Atenção!
Os medicamentos (bem como xaropes) para tosse não são recomendados para tratar a Coqueluche por terem pouco ou nenhum efeito.

Nas crianças pequenas e bebês, a coqueluche pode ser potencialmente muito grave, por isso, o médico poderá recomendar o tratamento da doença em hospitais, para monitorar melhor o estado do paciente. Ele também isolará o paciente, para evitar a contaminação de outras pessoas.

Os pacientes também devem adotar os seguintes hábitos:

  • Evitar agentes irritantes no ar, como fumaça de cigarro ou de lareiras.
  • Evitar o contato com pessoas saudáveis, de modo a evitar infectá-las também.
  • Manter o doente afastado de outras pessoas, para evitar possível contaminação em pessoas não imunizadas, durante a fase de transmissão.
  • Não acredite em receitas caseiras para curar a Coqueluche.
  • Higienize bem as mãos ao entrar em contato com pacientes da doença.
  • Fazer refeições pequenas, para evitar o vômito.
  • Manter-se hidratado: seja com água, sucos naturais ou água de coco.
  • Relaxar e manter-se em repouso.
  • Se possível, usar umidificador de ar no quarto, para ajudar a diluir as secreções pulmonares.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Vacinação contra Coqueluche

A vacinação é uma das formas mais seguras de prevenir a transmissão da coqueluche. Por ser uma vacina combinada, garante a proteção não só a essa patologia, mas também a doenças como difteria e tétano.

A dTpa , a vacina tríplice bacteriana acelular, é a vacina distribuída durante o Calendário Nacional de Vacinação. Essa é a versão mais segura e atualizada da vacina DTP, utilizada antigamente.

É possível que a vacina tríplice bacteriana seja apresentada também junto a outras vacinas, como a tetra, penta e a hexa, que previnem doenças como hepatite B, poliomielite, meningite e pneumonia.

As reações que podem acontecer após o paciente receber a vacina incluem sintomas como febre, vermelhidão, calor, dor e endurecimento no local onde foi aplicada.

Em vacinas que utilizam células inteiras, no entanto, as reações podem ser mais sérias, podendo provocar sintomas como febre alta, convulsões, tremores e hipotonia dentro das 48 horas após a vacina.

No entanto, apesar de necessitarem de atenção médica e cuidados adicionais, esses efeitos colaterais não excluem a necessidade da vacinação.

Veja como funciona a vacina para os diferentes grupos:

Grávidas e recém-nascidos

Gestantes e recém-nascidos possuem um reforço em relação à proteção da coqueluche. Desde novembro de 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina acelular dTpa  em seu Calendário Nacional de Vacinação.

Essa distribuição da vacina pelo sistema público de saúde tem o objetivo de diminuir as mortes causadas por essa e outras doenças em recém-nascidos.

Quando a gestante recebe a vacina, por consequência acaba possibilitando proteção indireta para o bebê por até os primeiros meses de vida.

As mães podem receber essa vacina a partir da 27ª semana até a 36ª semana de gestação, tendo como limite máximo 20 dias antes da previsão do parto. No entanto, o ideal é que recebam a vacina o quanto antes após a 27ª semana.

A dTpa também pode ser administrada em mulheres que estão no puerpério, período de 45 dias após o parto, para evitar que a mãe possa transmitir a doença para o bebê.

Crianças

As crianças devem receber cinco doses da vacina dTpa , nas idades de 2 meses, 4 meses, 6 meses, 15 a 8 meses e entre 4 a 6 anos.

Em algumas condições, as crianças não devem receber a vacina. Em casos de doenças graves, por exemplo, deve-se esperar a recuperação total da criança para aplicar a vacina.

A vacina também não deve ser aplicada em crianças que apresentaram reação alérgica grave em doses anteriores ou que sofreram alguma doença cerebral que tenha afetado o sistema nervoso central.

Adultos e profissionais da saúde

A vacina também é uma medida preventiva segura para os adultos. Estes devem recebê-la para evitar a transmissão para os bebês, grupo de risco quando se trata dessa doença.

Profissionais da área da saúde, especialmente os que trabalham em maternidades e UTIs neonatais, devem receber a vacina a cada 10 anos.

No entanto, essa vacina é a Tdap, chamada tríplice bacteriana acelular para adolescentes e adultos. É semelhante a dTap, mas contém uma quantidade menor de bacilo diftérico e bacilo da coqueluche.

Uma única dose de Tdap é o suficiente para garantir a imunização de pessoas na faixa etária de 11 a 64 anos. A vacina Td (dupla do adulto), que protege contra difteria e tétano, pode ser aplicada a cada dez anos.

Grupos e fatores de risco

As crianças e os bebês são os mais acometidos pela coqueluche. Ainda estima-se que os pais de crianças menores de 6 meses estão particularmente preocupados com relatos de coqueluche grave, principalmente com as complicações, como pneumonia e risco de vida (são casos raros, mas podem ocorrer).

Entre outros grupos e fatores de risco estão:

  • Recém-nascidos com menos de 2 meses que não foram vacinados.
  • Adultos que não foram vacinados quando crianças.

Complicações

As complicações da Coqueluche são raras, contudo, se houver elas poderão ser:

  • Costelas machucadas ou rachadas;
  • Convulsão;
  • Desidratação;
  • Hérnias abdominais e umbilical;
  • Hemorragia ocular;
  • Infecções de ouvido;
  • Pneumonia;
  • Parada respiratória;
  • Pneumotórax;
  • Prolapso retal;
  • Lesão cerebral;
  • Vasos sanguíneos da pele ou olhos estourados.

Entre as complicações mais comuns estão as do tipo respiratórias. Lactantes têm um risco maior de lesão, por causa da falta de oxigênio depois dos períodos de apneia ou dos episódio de tosse.

Se ocorrer complicações nas crianças, elas sempre terão maior gravidade do que nos adultos, podendo a coqueluche levar à morte (casos raros) se não for tratada.

Como prevenir? É transmissível?

A forma mais eficaz de prevenção é receber a vacina dTpa com o mínimo de 3 doses. Quem a tomou não corre o risco de ser infectado com a doença.

A Coqueluche é transmissível de pessoa para pessoa. Esta transmissão ocorrerá pelo contato direto do paciente com uma pessoa suscetível, ou seja, não vacinada, através de:

  • Gotículas de saliva expelidas por tosse;
  • Espirro ou ao falar;
  • Contato com objetos contaminados pelas secreções do doente.

A presença ou ausência de imunidade específica em uma pessoa é a única característica individual conhecida que a ‘auxilia’ ser infectada. Os programas de vacinação do país ajudaram a diminuir em grande número a ocorrência de casos de coqueluche, a qual atingiu cerca de 36 mil casos notificados por ano, entre 1981 e 1991. Após esses programas, a doença vem sendo reduzida.


Agora que você já sabe os riscos da Coqueluche, compartilhe este artigo para que mais pessoas também sejam informadas!

08/01/2019 16:24

Redação Minuto Saudável

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Ver comentários

  • Vejo do texto um artigo bem completo; merece o carinho para ser estudado!

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  • Texto bastante esclarecedor, e completo.

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  • Boa noite essa doenca é. Muito grave

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  • Bom dia!
    Por favor verifiquem o calendário vacinal, pois as informações contidas nesta matéria a respeito de vacina estão totalmente erradas.

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    • Olá, Tatiane

      Atualizamos nosso artigo para completar as informações sobre a vacina contra a coqueluche. Obrigada pela observação e pela leitura!

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  • Esclarecedor, simples e direto. E deixa claro que temos que procurar o médico , mesmo lendo esse texto. Uma coisa importante é ver as referências bibliográficas.

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