O que é Herpes Genital? Sintomas, tratamento, remédios, tem cura?

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O que é herpes genital?

O herpes genital é uma doença sexualmente transmissível (DST), causada pelo vírus Herpes simplex do tipo 2 (HSV-2). Essa infecção é responsável por atacar a pele ou as membranas mucosas dos genitais.

Dessa forma, provoca sintomas como feridas, dores, coceiras e grande desconforto na região.

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Geralmente, o herpes genital é transmitido nos períodos de doença ativa, ou seja, quando há lesões visíveis na região genital.

Porém, mesmo nos períodos de remissão da infecção, quando não existem úlceras ou bolhas visíveis, podem haver vírus nas secreções genitais de homens e mulheres, o que favorece o contágio.

Portanto, mesmo fora das crises, o paciente continua eliminando o vírus de forma intermitente, podendo transmitir o herpes genital para o seu parceiro(a). 70% das transmissões do herpes genital ocorrem na fase assintomática, já que durante as crises o paciente costuma evitar ter relações sexuais.

O uso da camisinha diminui o risco de transmissão, mas não o elimina completamente. A doença também não tem cura, mas tem tratamento. A pessoa contaminada por esse vírus terá ele pelo resto de sua vida.

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O vírus tem um período de incubação que varia de 10 a 15 dias após a relação sexual, se levado em conta a existência de portadores em estado de latência (sem manifestações) que podem, a qualquer momento, manifestar a doença.

A frequência de eliminação do vírus vai se tornando menor conforme os anos passam em relação à primeira aparição do herpes. A eliminação fora das crises é maior nos primeiros três meses após a infecção primária.

Após 10 anos de infecção, a transmissão fora das crises vai se tornando cada vez menos comum.

Pacientes portadores do vírus HIV que também tenham herpes genital são o grupo que mais apresentam transmissão durante a fase assintomática.

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 417 milhões de pessoas com idade entre 15 a 49 anos possuem a infecção causada pelo vírus HSV-2.

Quando se trata do herpes genital provocado pelo HSV-1, os números também são significativos. Em 2012, a OMS analisou que a prevalência de casos da doença no mundo foi de 140 milhões de pessoas infectadas, na mesma faixa etária de 15 a 49 anos.

Pelo vírus Herpes simplex tipo 1, a maioria dos casos ocorre nas Américas, Europa e Pacífico Ocidental. Na África, por outro lado, as infecções de herpes genital por esse vírus ocorrem, na maioria, durante a infância, antes do início da vida sexual.

No caso do vírus HSV-2, a prevalência da doença é maior na África (31,5%), sendo também bastante comum nas Américas (14,4%).

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Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o herpes genital é encontrado pelo código A60.0.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é herpes genital?
  2. Outros tipos de herpes
  3. Causas
  4. O que acontece quando o vírus entra no organismo?
  5. Como acontece a transmissão?
  6. Grupos de risco
  7. Herpes genital na gravidez
  8. Sintomas e fases
  9. Como é feito o diagnóstico?
  10. Exames
  11. Herpes genital tem cura?
  12. Qual o tratamento?
  13. Tratamento caseiro
  14. Medicamentos
  15. Convivendo
  16. Prognóstico
  17. Complicações
  18. Como prevenir?
  19. Perguntas frequentes

Outros tipos de herpes

As duas formas mais comuns do herpes são as condições provocadas pelo vírus simplex do tipo 1 e do tipo 2. Eles são responsáveis por provocar o herpes genital, o herpes oral ou labial e o herpes-zóster.

Herpes oral

O herpes oral é provocado pelo vírus herpes simplex  tipo 1, caracterizado pela presença de sintomas como vermelhidão, pequenas bolhas com líquido e ardência na região dos lábios ou na parte interna da boca.

Em 90% dos casos, esse vírus se instala no organismo do paciente provocando uma infecção assintomática, sendo o diagnóstico possível apenas quando ocorre a identificação dos anticorpos específicos.

Quando ocorre uma manifestação sintomática da infecção, normalmente o primeiro sintoma a surgir é a gengivoestomatite ou estomatite herpética, condição que ocorre quando o organismo entra em contato com o vírus.

A estomatite herpética se manifesta com o aparecimento de manchas vermelhas na superfície da mucosa da boca e da garganta, podendo se espalhar para as bochechas, língua, amígdalas e lábios.

O vírus herpes simplex tipo 1 costuma causar lesão apenas na boca, mas pode ser transmitido para os órgãos genitais em caso de sexo oral. Uma vez contaminados, os pacientes com herpes genital pelo tipo 1 transmitem a doença do mesmo modo que os pacientes contaminados pelo tipo 2.

A diferença é que as crises pelo tipo 1 costumam ser mais brandas e menos frequentes, e a transmissão fora das crises é menos comum.

Herpes-zóster

O herpes-zóster, condição conhecida também por cobreiro, é uma doença causada pelo vírus da catapora (varicela), o varicela-zoster. Apesar do nome e do fato de causar lesões na pele, essa doença não é semelhante ao herpes genital ou oral, por alguns aspectos.

Primeiramente, pelo fato da infecção inicial acontecer com maior frequência durante a infância, através do contato com secreções orais. Assim, depois dessa infecção, a criança acaba apresentando o quadro típico da catapora, em que lesões avermelhadas se espalham pelo corpo e formam pequenas bolhas com líquido claro, provocando coceira e dor.

Da mesma forma que o vírus simplex, o vírus da varicela também apresenta o mesmo comportamento de latência em neurônios. Isso significa que o vírus pode permanecer inativo durante determinado tempo, podendo se reativar anos depois. Quando acontece essa ativação, trata-se do herpes-zóster.

Quando o vírus começa a se manifestar, surgem sintomas como dor ou formigamento em determinada parte do corpo. Poucos dias depois, aparecem vesículas cheias de líquido na região, semelhante a catapora, acompanhando o caminho do nervo afetado.

Às vezes, essas vesículas surgem de forma tão numerosa e próximas umas às outras que a impressão que o paciente tem é de que se trata de uma única lesão.

No entanto, a vermelhidão, dores e bolhas ficam mais restritas a região do nervo afetado, não se espalhando pelo corpo como acontece na catapora. Com o tratamento, as lesões devem passar pelo processo de cicatrização normalmente, sendo que as cascas vão saindo ao longo desse tempo, durando em média 7 dias.

O tratamento dessa doença é feito com o uso de medicamentos antivirais, para ajudar a acelerar a cicatrização das bolhas e reduzir a dor. Contudo, em algumas pessoas o quadro se torna mais complicado, podendo sofrerem dores permanentes e de difícil controle, mesmo com o tratamento.

Nesses casos mais graves, o paciente pode apresentar dores por meses ou anos, mesmo após as feridas se cicatrizarem.

Diferente do herpes genital ou oral, o herpes-zóster pode ser prevenido através da vacinação. As pessoas recebem a dose, normalmente, quando estão na faixa etária de 50 anos, idade em que a condição é um risco maior.

Pessoas que já tiveram a doença também podem receber a vacina para prevenir que ela retorne. Em algumas condições, as pessoas estão mais vulneráveis a doença, por apresentarem um sistema imunológico mais enfraquecido, como no caso de pacientes em tratamento quimioterápico ou pessoas que estão sob estresse intenso, por exemplo.

Normalmente, essa doença é mais branda em crianças e jovens, em que a remissão dos sintomas ocorre de forma espontânea. Em pessoas mais velhas, no entanto, a dor é mais forte e prolongada, sendo necessário muitas vezes a orientação de medicamentos mais fortes.

Não é comum, mas o herpes-zóster pode acometer os nervos do rosto. Quando isso acontece, o paciente corre o risco das lesões provocarem uma infecção na córnea, condição chamada de ceratite, que pode causar problemas graves de visão quando não tratado corretamente.

A transmissão do herpes-zóster não acontece por via-respiratórias, mas pode acontecer pelo contato com as lesões, pelo risco das bolhas que se formam estourarem e liberarem o líquido. Por isso, é preciso tomar cuidado com as lesões, higienizar muito bem as mãos, tomar cuidados com as roupas e produtos pessoais e buscar o tratamento o quanto antes.

Causas

O herpes genital é causado normalmente pela infecção do vírus Herpes simplex tipo 2, conhecido por HSV-2. Pode ser provocada também pelo vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1), que geralmente causa herpes labial. A transmissão pode ocorrer durante as crises ou nos períodos de remissão.

O vírus pode entrar no organismo da pessoa através de suas membranas mucosas, normalmente pela boca, nariz e genitais.

Esses dois vírus pertencem à mesma família, a Herpesviridae. Existem dentro desse grupo oito tipos diferentes, chamados de herpesvírus.

O nome Herpesviridae tem origem na palavra grega herpein, que significa rastejar. É uma referência ao comportamento do vírus e as infecções que provoca, devido ao fato de serem recorrentes e apresentarem uma característica de latência.

Esse grupo de vírus é bem comum entre os seres humanos. Estima-se que 90% das pessoas já tiveram contato com ao menos um dos vírus do grupo.

O que acontece quando o vírus entra no organismo?

Existem algumas características do vírus do herpes que permitem diferenciá-lo de outros tipos de vírus, como seu aspecto conhecido como latência.

Isso é dito para se referir ao modo como o Herpes Simplex e outros herpesvírus conseguem criar uma pequena, mas permanente, colônia no organismo da pessoa infectada.

Essa colônia, em alguns casos, permanece completamente adormecida (inativa), sem provocar sintomas, sendo os seres humanos os únicos hospedeiros nos quais os herpesvírus se mantêm com o aspecto infectivo por toda a vida.

Como sabemos, não é em todos os pacientes infectados que o vírus apresenta esse comportamento inativo, se tornando sintomático de tempos em tempos.

Ao entrar no organismo, o HSV se fixa em determinado espaço e começa a criar cópias de si mesmo, ou seja passa a se espalhar. Ao se movimentar, pode acabar provocando desde sinais sutis não reconhecíveis a sintomas mais graves.

Para conter esses sintomas, o sistema imunológico se arma e tenta inibir a disseminação do vírus. De certa forma, o que acontece é uma brincadeira de esconde-esconde, em que o vírus sai ganhando. Isso porque ele é capaz de se esconder do sistema de defesa ao recuar ao longo das vias nervosas, em uma região chamando gânglio.

No herpes genital, o vírus permanece inativo no gânglio sacral, localizado na base da coluna. No caso do herpes oral ou labial, o vírus busca se alojar no gânglio trigêmeo, no topo da coluna.

Nesses esconderijos, permanece adormecido e o paciente volta para uma condição assintomática. Por quanto tempo permanecerá inativo, não é possível determinar.

Por esse comportamento, essa característica conhecida como latência é muitas vezes comparada ao ciclo do sono.

No entanto, diferente do sono, em que temos a certeza de acordar todos os dias, não é fácil saber quando o vírus vai despertar novamente, podendo levar dias, meses ou anos.

Um consenso comum entre os surtos era de que todos eram marcados pela presença de irregularidades na pele, considerando sinais até mesmo como espinhas ou coceira, por exemplo.

Mais recentemente, pesquisadores descobriram que o vírus poderia se tornar ativo sem causar sintomas visíveis, característica chamada por derramamento assintomático, reativação assintomática ou derramamento subclínico.

Para que a condição seja considerada um derramamento assintomático é necessário que as seguintes características tenham ocorrido:

  • Quando as lesões são negligenciadas por se manifestarem em locais mais escondidos ou pouco notados;
  • Quando os sinais são confundidos com outras condições, como um pelo encravado;
  • Quando os sinais não são perceptíveis a olho nu.

Dessa forma, podemos dizer que o vírus não tem um comportamento padrão em todas as pessoas, podendo passar despercebido até mesmo quando ativado.

Até mesmo em pessoas que estão cientes dos sintomas e sinais da doença, pode ser difícil em alguns surtos perceber que se trata do vírus acordando.

Como acontece a transmissão?

A principal forma de transmissão do herpes genital acontece através do contato em relações sexuais sem proteção, pois os vírus HSV-1 ou HSV-2 podem estar presentes nos fluidos corporais da pessoa infectada, como na saliva, sêmen e secreções vaginais.

Quando se trata do herpes genital provocado pelo vírus HSV-1, a transmissão pode acontecer durante o sexo oral. Dessa forma, as pessoas podem ser infectadas pelo vírus no sexo vaginal, oral e anal.

A forma mais comum de transmissão acontece quando alguém saudável tem contato direto com a pele de uma pessoa infectada que apresenta lesões visíveis, como bolhas ou erupções, ou seja, durante uma crise sintomática.

No entanto, também é possível contrair herpes a partir do contato com uma pessoa infectada quando ela não apresenta lesões visíveis, pois na maioria dos casos as pessoas não apresentam sintomas e não têm o conhecimento de que estão infectadas. 70% das transmissões acontecem nesse período assintomático.

Assim, as principais formas de transmissão acontecem da seguinte forma:

  • Pelo contato direto com feridas durante crises do herpes;
  • Pela saliva, se o seu parceiro tiver herpes oral;
  • Por secreções genitais, se o parceiro tiver herpes genital;
  • Pelo contato com a pele na área onde a infecção aconteceu, sendo genital ou oral;
  • Por compartilhar brinquedos sexuais com alguém infectado pelo vírus.

As chances de transmissão se elevam em todo episódio em que o paciente apresenta uma crise. Conforme o tempo passa desde a última crise, os riscos se tornam menores.

Como evitar a transmissão?

Além do uso de camisinha, outros cuidados devem ser tomados para que a transmissão do vírus não ocorra, como uma atenção maior com o uso de objetos pessoais e higiene.

É recomendável que copos, batons ou qualquer protetor labial, lâminas de barbear ou de depilação e toalhas de banho não devem ser compartilhados, principalmente durante crises.

Em algumas situações o vírus do herpes genital não é considerado um risco de transmissão, como ao usar vasos sanitários, pelo contato com roupas de cama de alguém infectado e piscinas.

Grupos de risco

Qualquer pessoa corre o risco de ser infectado pelo vírus do herpes, independente do gênero ou idade. No caso de herpes genital, o risco é maior para quem possui uma vida sexual sem o uso de proteção.

No entanto, alguns grupos e comportamentos são considerados mais propensos a contrair o herpes genital:

  • Pessoas com múltiplos parceiros sexuais que não fazem sexo com proteção (preservativos masculinos ou femininos);
  • Populações mais carentes e com menos acesso a princípios básicos de saúde e higiene;
  • Pessoas que estão iniciando a vida sexual e que não possuem uma educação sexual de prevenção de DSTs;
  • Pessoas que possuem outras infecções sexualmente transmissíveis;
  • Pessoas que estão com o sistema imunológico enfraquecido;
  • Mulheres.

Um estudo publicado em 2009 na revista New England Journal of Medicine constatou que homens circuncidados correm menos risco de contrair o vírus do herpes genital. Entretanto, o fato da circuncisão não garante proteção total contra o vírus e não substitui o uso de preservativos durante as relações sexuais.

Outra pesquisa, feita pelo Instituto Carlos Chagas junto ao Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo, observou que a prevalência do HSV-2 aumenta de forma significativa em pessoas que estão começando a vida sexual.

Portanto é de extrema importância que exista um aconselhamento maior por parte de profissionais de saúde para que os adolescentes tenham mais informações sobre o vírus e para que saibam os comportamentos de risco.

Dessa forma, seria possível evitar a transmissão e complicações causadas pela doença, assim como infecções simultâneas por HSV-1, bem como o herpes neonatal (transmitido da mãe infectada para o bebê).

Segundo a OMS, o herpes genital também é mais recorrente em mulheres. Em 2012, estima-se que o número de mulheres infectadas era de 267 milhões, enquanto 150 milhões de homens viviam com o vírus.

O motivo dessa diferença ocorre pelo fato da transmissão de homens para mulheres ser mais comum do que de mulheres para os homens.

Herpes genital na gravidez

O vírus se comporta de forma semelhante nas mulheres grávidas e não grávidas. O grande problema do herpes na gravidez é o risco de transmissão para o bebê. Quando isso acontece é chamado de herpes neonatal, condição que pode ser grave e até mesmo letal para a criança.

Essa transmissão, chamada de transmissão vertical, ocorre durante o parto quando o bebê tem contato com secreções contaminadas no canal vaginal. Mesmo quando a gestante não apresenta sintomas, o risco de transmissão existe.

O risco maior ocorre quando a mulher se contamina perto da data do parto, ou seja, quando a infecção primária surge nas últimas semanas de gravidez.

Isso acontece porque durante esse momento, quando recém-infectada, a mulher não possui anticorpos o suficiente para conseguir inibir o vírus, não permitindo que ela seja capaz de causar proteção ao bebê durante o parto.

Raramente o herpes pode ser transmitido dentro do útero, durante a gravidez, não sendo uma infecção que costuma causar problemas de má formação para o feto.

Porém, quando se trata de um caso grave de herpes genital, durante os primeiros meses de gestação há um risco, ainda que pequeno, da mulher sofrer um aborto espontâneo.

No entanto, quando o bebê é infectado no momento do parto, o vírus pode causar sérios problemas, como danos permanentes no sistema nervoso central, retardo mental e morte.

Quando a mulher é infectada pelo vírus antes da gestação, as chances de transmissão para o bebê são mais reduzidas, pois o seu organismo já é capaz de produzir anticorpos para os vírus que são temporariamente transmitidos para o bebê quando ele está na placenta.

Assim, mesmo que a mulher tenha uma crise do herpes genital no momento do parto, os anticorpos passados para ele o ajudarão nesse momento.

A cesariana diminui bastante o risco de transmissão do herpes, sendo a forma mais indicada de parto para as mulheres contaminadas. Contudo, não elimina 100% as chances de contágio do bebê.

Por isso, a melhor forma de prevenção do herpes neonatal é o tratamento adequado da gestante, cujo uso de medicamentos antivirais deve ser feito. O medicamento mais usado é o Aciclovir, podendo ser administrado independente da semana de gestação em que a mulher se encontra.

O herpes genital não é hereditário e o vírus não afeta a fertilidade nem é transmitido pelo esperma do homem ou pelo óvulo da mulher. As mulheres com herpes genital podem ter uma gravidez segura e um parto vaginal normal, exceto:

  • Quando se trata de um episódio inicial de herpes genital grave durante os primeiros 3 meses de gravidez, que pode ocasionar um aborto espontâneo, o que é muito raro, mas pode ocorrer com outros tipos de infecção viral;
  • Quando se trata de um episódio inicial nos 3 últimos meses de gravidez, devido ao grande número de vírus presentes e tempo insuficiente para que a mãe produza anticorpos para proteger o feto, podendo a doença ser transmitida ao feto, provocando o herpes neonatal.

Mulheres grávidas sem histórico de herpes genital cujo parceiro tem a doença, devem usar preservativos durante toda a gravidez para evitar adquirir a doença neste período. Os cuidados devem ser mantidos durante uma gestação ou não.

Se o parceiro tiver histórico de herpes na área da face, deve ser evitado também o sexo oral. O herpes genital, em qualquer um dos pais, em geral não afeta os filhos e existe pouco risco de transmissão desde que se tenha hábitos normais de higiene.

Contudo, os pais devem estar cientes de que o vírus do herpes pode ser transmitido pelas lesões orais através do beijo, podendo causar infecção grave e disseminada no recém-nascido.

Ainda que o herpes neonatal seja uma doença muito grave para o bebê, ela também é considerada rara. De acordo com a American Sexual Health Association (ASHA), nos EUA, menos de 0,01% dos bebês nascidos são infectados pelo vírus no parto. No entanto, 25% a 35% das gestantes são portadoras do vírus.

Esse é um dado importante para entender que, apesar do risco que o bebê corre, é possível sim ter um parto saudável e sem complicações.

Sintomas e fases

Na maioria da vezes, o indivíduo não sabe que foi infectado com o vírus do herpes genital, porque é comum que a doença não manifeste sinais ou sintomas. Inclusive, a maioria das pessoas que se infecta com o vírus Herpes simplex tipo 2 não desenvolve a doença, permanecendo assintomáticas e sem ter conhecimento do contágio.

Há estudos que sugerem que até 90% dos pacientes contaminados não desenvolvem sintomas. Em alguns casos, os sinais passam despercebidos ou são confundidos com outras doenças ou condições, como picadas de insetos, infecção por fungos (candidíase, por exemplo), micose, acnes, espinhas e pelos encravados.

Levando em consideração que os sinais do herpes genital podem variar muito de pessoa para pessoa, é importante que cada indivíduo busque se consultar com o médico para investigá-los. Assim, será possível tirar a dúvida e começar o tratamento o quanto antes, independente da condição clínica.

O tempo em que os sintomas podem levar para surgir também é diferente em cada paciente. Pode levar poucos dias após o contato com o vírus, meses ou anos, assim como pode nunca despertar.

Os sintomas mais conhecidos dessa doença são as feridas que surgem na região genital. Na literatura científica, essas feridas, também chamadas por vesículas ou úlceras, são chamadas de lesões, o que abrange qualquer ruptura ou irregularidade na pele do paciente.

A aparência dessas lesões se assemelha a pequenas espinhas ou bolhas na pele, que apresentam um líquido dentro algumas vezes. Elas podem levar de 2 a 4 semanas para cicatrizar completamente.

Algumas características que podem estar presentes nesses períodos de surto do herpes incluem:

  • Cascas que se formam quando as úlceras cicatrizam;
  • Dores e irritação que surgem de 2 a 10 dias após o contágio;
  • Manchas vermelhas e pequenas bolhas esbranquiçadas que costumam surgir dias após a infecção;
  • Úlceras na região dos genitais, que podem chegar a sangrar e causar dor ao urinar;
  • Pequenos agrupamentos de bolhas e feridas;
  • Formigamento, coceira e queimação ao redor dos genitais (são comuns ligeiramente antes de um surto);
  • Ardor ao urinar caso as bolhas estejam perto da uretra;
  • Ardor e dor ao defecar, caso as bolhas estejam próximas do ânus;
  • Ínguas na virilha.

Esses sintomas podem acontecer no pênis, saco escrotal, coxas e na uretra, além da vagina, vulva e colo do útero. Eles também podem aparecer na boca, nádegas e ânus.

Nos primeiros dias após o contágio, a pessoa infectada pode apresentar sintomas muito parecidos com os da gripe, tais como:

  • Apetite reduzido;
  • Febre;
  • Mal-estar geral;
  • Dores musculares na parte inferior das costas, nádegas, coxas ou joelhos;
  • Cansaço.

Herpes genital primária

Infecção primária é o nome dado a primeira vez que as lesões do herpes genital surgem após o doente ter sido infectado. Pode durar de 2 a 3 semanas, sendo, geralmente, a fase mais difícil e dolorosa da infecção.

Os sintomas do herpes genital tendem a se desenvolver dentro de 3 a sete 7 após a relação sexual responsável pela infecção, mas em alguns casos pode demorar até 2 semanas.

O principal sinal do herpes genital são pequenas bolhas agrupadas nos órgãos genitais. Normalmente, as bolhas surgem e logo em seguida se rompem formando úlceras. Na infecção primária estas lesões tendem a ser muito dolorosas, podendo haver também comichão no local.

Além da lesão típica do herpes, a infecção primária costuma vir acompanhada de outros sintomas, como febre, mal-estar e dores no corpo.

Podem surgir linfonodos (gânglios linfáticos) na região da virilha e, se as úlceras estiverem próximas à saída da uretra, pode haver dor intensa ao urinar.

Nos homens, as feridas de herpes genital geralmente aparecem no pênis ou próximo a ele. Nas mulheres, as lesões podem ser visíveis fora da vagina, mas elas geralmente ocorrem no seu interior, onde ficam escondidas.

Quanto às lesões internas, os únicos sinais de doença podem ser corrimento vaginal e/ou desconforto durante o ato sexual.

As lesões do herpes genital também podem surgir em qualquer ponto do períneo e em torno do ânus dos pacientes que praticam sexo anal.

Herpes genital recorrente

Após a infecção primária, as lesões do herpes genital desaparecem, permanecendo silenciosas por vários meses. Na maioria dos pacientes a infecção ressurge de tempos em tempos e, em alguns casos, mais de uma vez por ano.

Uma vez no organismo, seguindo através de um nervo da área afetada, o vírus do herpes genital se instala num gânglio nervoso, próximo à coluna vertebral, onde permanece em estado latente.

A reativação ocorre quando o vírus se multiplica no gânglio neural e as partículas virais migram pelo nervo para o local da infecção primária na pele ou nas mucosas (bucal ou genital).

Após o surto inicial, a pessoa acometida pela doença pode desenvolver anticorpos que mantêm a infecção inativa indefinidamente e assim nunca chegam a apresentar uma reativação.

Outras pessoas, em certos momentos, apresentam novos surtos da infecção, que representam uma reativação viral, com sintomas mais brandos que os da infecção inicial.

Os fatores que desencadeiam esta reativação variam de pessoa para pessoa. Entre eles estão o esgotamento físico, outros processos infecciosos, menstruação, ingestão excessiva de álcool, exposição solar intensa, condições que debilitam o sistema imune e estresse emocional.

A fricção ou traumatismos repetidos no local da lesão como, por exemplo, durante a relação sexual, também podem levar ao surgimento de reativações em algumas pessoas.

No entanto, existem casos de recorrências em que não é possível identificar nenhum fator desencadeante.

90% dos pacientes apresentam a primeira recorrência em um intervalo de 18 meses após a infecção primária, sendo que alguns podem ter mais de 10 recorrências no intervalo de um ano.

Os retornos da crise são frequentes naqueles que tiveram uma infecção primária prolongada, com lesões iniciais do herpes durando mais de 1 mês. Com o passar dos anos, as crises vão ficando mais fracas e menos frequentes.

Alguns dias antes das lesões aparecerem, o paciente pode sentir alguns sintomas de aviso, como coceira nos grandes lábios, formigamento, ardência, dormência no pênis e formigamento na região genital.

Dessa forma, muitos pacientes conseguem identificar que um novo surto do herpes genital está a caminho e assim conseguem se preparar para o tratamento e cuidados das lesões.

Em outros casos, o paciente pode não desenvolver sintomas de infecção primária logo após a contaminação, vindo a apresentar as úlceras apenas anos depois, após algum evento que reduza a sua imunidade.

Nestes casos, apesar de ser a primeira aparição das feridas, a doença se comporta mais como uma recorrência do que como infecção primária, sendo mais curta e menos dolorosa. Também não são comuns sintomas como febre e mal estar.

Como é a primeira aparição das feridas, muitos pacientes tendem a crer que foram contaminados recentemente, e isso costuma causar problemas em casais com relacionamento estável há anos.

Nestas situações é muito difícil estabelecer com precisão quando o paciente foi infectado e quem o infectou.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do herpes normalmente é feito por um médico clínico geral, urologista ou ginecologista. A partir de uma consulta com esses especialistas, existem duas formas principais de identificar o herpes genital: por exames físicos ou laboratoriais.

O exame físico acontece por avaliação dos sintomas e das feridas, quando estas se manifestam.

Geralmente, um exame físico basta para o diagnóstico, mas o médico poderá solicitar alguns exames para confirmar o diagnóstico, como quando as lesões não são muito típicas.

Nesses casos, o médico pode colher amostras das úlceras para identificação do vírus por meio de exames laboratoriais como a cultura celular, exame de sangue, sorologia, PCR e pelo método de Tzanck.

Além do uso para o diagnóstico do paciente, as sorologias também são importantes para diagnosticar os(as) parceiros(as) dos pacientes infectados, sendo um exame capaz de identificar a infecção pelo vírus HSV-1 e HSV-2.

A detecção de anticorpos contra o herpes através de exame de sangue, no entanto, não é tão eficiente, pois não é capaz de definir o local da infecção pelo vírus, auxiliando apenas quando há suspeita da infecção.

Se o exame de sangue for positivo, o médico pode solicitar a coleta de material quando surgirem novas lesões para a confirmação do diagnóstico. Outros exames podem ser solicitados, dependendo do paciente, caso o médico suspeite de uma infecção por outras doenças sexualmente transmissíveis.

Além disso, vale ressaltar que os exames conseguem identificar o vírus, mas não fornecem informação sobre quando o paciente foi infectado.

De qualquer forma, se o diagnóstico para herpes genital for positivo, o parceiro ou parceira deverá ser informado pelo paciente, para que também realize os exames.

Exames

Quando o diagnóstico do herpes genital não é possível apenas através do exame físico, alguns exames laboratoriais precisam ser realizados para confirmar se é realmente essa doença e por qual vírus foi causada. Os exames feitos são os seguintes:

Método de Tzanck

Esse é um método bastante utilizado para o diagnóstico de infecção do herpes, apesar de não ser tão preciso na distinção dos dois tipos do vírus. Por isso, é mais recomendado para pacientes que possuem casos atípicos ou em pacientes imunocomprometidos.

Basicamente, o exame consiste no raspado da base da lesão na pele para coletar uma amostra de células gigantes multinucleadas. O resultado do exame, geralmente, leva de 7 a 10 dias.

Cultura viral

A cultura viral acontece em sequência do método de Tzanck, pois é nessa situação em que o material coletado é semeado em meio de cultura, normalmente em células pulmonares embrionárias.

Esse processo em que o vírus é colocado junto a outras células tem como objetivo proporcionar uma multiplicação desses microrganismos, para que possam ser identificados e diferenciados para o diagnóstico da doença em específico.

No caso do herpes genital, a  partir desse procedimento, é possível visualizar as alterações citopáticas, isto é, os danos que o vírus provocou nas células. Esse processo leva entre 24 a 48 horas de incubação para que seja possível observar as alterações através da microscopia.

Esse é um exame muito mais sensível em relação a precisão do resultado, pois permite que seja possível identificar a tipagem da cepa, ou seja, revelar se o herpes genital foi causado pelo HSV-1 ou HSV-2.

PCR

O PCR, ou exame de reação de polimerase em cadeia, faz um esboço do DNA do paciente por meio da análise de uma pequena amostra da ferida presente na genitália. A partir deste DNA, o médico poderá dizer se há presença de vírus causador do herpes ou não.

Sorologia

A sorologia é um exame do estudo do soro sanguíneo, específico para descobrir a presença de anticorpos no sangue, sendo os anticorpos buscados a Imunoglobulina M (IgM) e a Imunoglobulina G (IgC).

É feito através de uma coleta de sangue comum. A identificação dos anticorpos pode ser feita pelo próprio sangue ou no soro, obtido após a coagulação e centrifugação.

Esse exame é especialmente indicado para pessoas que não apresentam lesões, mas possuem desconforto na região genital ou labial.

Exame de sangue

Os resultados deste exame mostram se há presença ou não de anticorpos contra os vírus do herpes genital, indicando se houve infecção no passado. Não é o mais indicado por não identificar qual o tipo de vírus que causou a infecção.

Herpes genital tem cura?

Não, o herpes genital (ou oral) não tem cura. No entanto, os pacientes diagnosticados com a doença podem receber tratamento com o uso de medicamentos que ajudam a prevenir e a reduzir os surtos.

Há medicamentos anti-herpes que devem ser tomados diariamente, o que reduz as chances da transmissão do vírus durante relações sexuais.

Qual o tratamento?

O herpes genital é uma doença que não tem cura, mas que possui tratamento para evitar a ocorrência de surtos, amenizar os sintomas e para diminuir as chances de transmissão e complicações.

Médicos dermatologistas também são responsáveis por fazer um acompanhamento desses pacientes.

Certos cuidados locais podem ser tomados para o tratamento das lesões. Para isso, alguns medicamentos são aplicados diretamente sobre as feridas, para ajudar na cicatrização e evitar a autocontaminação.

Isso deve ser feito pois o contato com o líquido das feridas pode provocar lesões em outras partes do corpo, como quando o paciente encosta a mão sobre a lesão e acaba, sem querer, “transferindo” o vírus para outra região do seu corpo.

Quem deve receitar as pomadas ou produtos específicos para esses cuidados é o médico, pois a automedicação pode acabar piorando a situação da lesão ou prolongando seu tempo de cura.

O tratamento é feito basicamente por meio de medicamentos antivirais (em comprimidos ou pomadas), que aliviam a dor e o desconforto causados durante uma crise, curando as lesões com maior rapidez, impedindo complicações e reduzindo o risco de transmissão para outros.

As pessoas que têm muitas crises podem tomar esses medicamentos diariamente durante um tempo. Isso pode ajudar a evitar crises e a diminuir sua duração.

Para crises recorrentes, o paciente deve tomar o medicamento assim que o formigamento, queimação ou a coceira começar, ou assim que iniciar o aparecimento de bolhas.

O médico pode ainda recomendar o uso de pomadas ou geis anestésicos para serem aplicados na região genital durante o surgimento de bolhas e outros sintomas.

Antivirais

O primeiro episódio de herpes genital é geralmente tratado por 7 a 10 dias por medicamentos via oral. Se não houver melhora das úlceras, o tratamento pode ser estendido por mais 1 semana.

O tratamento funciona melhor se iniciado nas primeiras 72 horas de sintomas. Na ocorrência de outras crises, o tempo de tratamento é reduzido, podendo ser feito por 5 dias, em média.

Quando se trata de pacientes com histórico de crises frequentes, é aconselhável que mantenham em casa os medicamentos antivirais por precaução. Assim, poderão iniciar o tratamento logo aos primeiros sinais da doença.

Se o paciente apresenta raramente crises ou com poucos sintomas, pode não haver necessidade de tratamento com antivirais, principalmente se o indivíduo não tiver um parceiro sexual no momento que possa ser infectado.

Terapia episódica

Esse tipo de tratamento é feito com o uso de medicamentos antivirais quando um paciente apresenta o primeiro sinal de um surto. É uma estratégia utilizada durante poucos dias, em que o paciente recebe o medicamento para acelerar a cicatrização dos ferimentos ou para evitar que o surto ocorra totalmente.

No entanto, é preciso entender que cada paciente terá uma manifestação diferente dos sintomas e de surtos, por isso a terapia episódica pode não ser necessária em todos os casos.

Ela é mais indicada para pacientes que apresentam surtos com uma janela muito grande de dias e com sintomas mais intensos. Esse tratamento pode encurtar entre 1 a 2 dias do surto, em média.

É mais eficiente quando iniciado no primeiro sinal da doença ou do surto. Quando as lesões já estão presentes, o tratamento episódico pode oferecer poucos benefícios para o paciente.

Terapia supressora diária

Pacientes diagnosticados com o herpes genital podem verificar com o médico especialista a necessidade de realizar o tratamento de terapia supressiva diária, que é basicamente a administração de medicação antiviral diariamente.

Assim como o tratamento com medicamentos de forma episódica, essa terapia também busca reduzir as chances de surto e deixar a doença sobre controle, tornando menor os riscos de sintomas.

Para pacientes que apresentam surtos recorrentes, entre 6 ou mais por ano, esse tratamento ajuda a reduzir em até 75% as chances de crises quando comparado a pacientes que não recebem o medicamento diariamente, podendo evitar totalmente os surtos em alguns casos.

Não está claro por quanto tempo a terapia supressiva deverá ser mantida. Alguns especialistas recomendam fazer uma pausa do tratamento periodicamente (a cada poucos anos) para determinar se a terapia supressiva ainda é necessária. Se os surtos retornarem, a terapia supressiva pode ser reiniciada.

A terapia supressiva também pode ser indicada em casos de parceiros sexuais com sorologias discordantes, ou seja, um deles infectado pelo herpes e o outro não.

Esse método reduz em mais de 50% o risco de transmissão. Quando associada ao uso de camisinha, o risco de transmissão do herpes genital torna-se pequeno.

Tratamento caseiro

Além dos medicamentos antivirais, alguns tratamentos caseiros podem ser usados para aliviar os sintomas de um surto de herpes genital.

O que deve ser feito é manter a área sempre limpa e seca, se possível, permitindo que a região genital receba ar, o que ajuda a evitar o processo de cicatrização.

Por isso, é importante que as roupas e peças íntimas não sejam muito justas, pois a fricção com as lesões pode impedir que a ventilação melhor aconteça, além de poder causar maior desconforto e dor na região.

No entanto, antes de arriscar alguma receita caseira é necessário verificar a possibilidade com um médico, para evitar complicações. Sabendo que não há riscos, é possível seguir em frente com os tratamentos e cuidados caseiros. Algumas dicas são:

  • Tomar banho de assento com água fria, para diminuir temporariamente a dor causada pelas feridas;
  • Usar o banho de assento ou aproveitar o banho em chuveiro com água morna para conseguir urinar, principalmente no caso de mulheres que apresentam dor ou muito desconforto ao urinar;
  • Evitar o uso de sabão na região genital ou banhos de espuma durante as crises;
  • Manter a área genital bem higienizada e seca;
  • Evitar roupas íntimas, calças e shorts muito apertados;
  • Evitar o uso de cremes e pomadas que não foram prescritos pelo médico;
  • Verificar a possibilidade do uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios para reduzir dores.

Medicamentos

De acordo com a organização Food and Drug Administration (FDA), existem três antivirais principais usados no tratamento do herpes genital, sendo eles o Aciclovir, o Valaciclovir e o Fanciclovir.

Esses medicamentos antivirais são receitados, normalmente, quando o paciente apresenta o primeiro episódio (ou crise) de herpes genital ou em terapia episódica e supressiva.

Medicamentos como a Lidocaína ou Xylocaina também podem ser indicados para amenizar a dor e hidratar a pele, reduzindo assim o desconforto causado pela doença quando ela está sintomática.

Conheça um pouco mais sobre os medicamentos antivirais:

Aciclovir

Esse é o medicamento antiviral mais antigo usado para o tratamento do herpes, disponível desde 1982. Inicialmente, era comercializado apenas em forma de pomada, para aplicação direta na pele. Em 1985, a venda passou a ser feita também como medicamento em forma de comprimido. Atualmente está disponível em ambas as apresentações.

É um medicamento considerado seguro para os pacientes, até mesmo para os que realizam a terapia supressiva por até 10 anos seguidos.

Além de ser utilizado para o tratamento de infecções causadas pelo vírus herpes simplex, o Aciclovir pode também ser usado em alguns casos de herpes-zóster.

Alguns dos nomes comerciais do Aciclovir são:

Valaciclovir

O Valaciclovir é um medicamento utilizado, frequentemente, para o tratamento de herpes-zóster. Após a ingestão do comprimido, o medicamento é convertido na substância aciclovir, que atua combatendo a ação do vírus no organismo.

Pode ser mais eficiente no tratamento, pois o organismo consegue absorver grande parte do medicamento, o que reduz a necessidade de tomar várias doses ao dia.

Além de contribuir para o tratamento do herpes genital, labial e herpes-zóster, o Valaciclovir é usado para inibir a ação de vários tipos de herpesvírus, tais como o citomegalovírus (CMV), o vírus Epstein-Barr (VEB) e o herpesvírus humano tipo 6 (HVH-6).

Esse medicamento apresenta os nomes comerciais Herpstal e Valtrex, disponíveis em comprimido.

Fanciclovir

Esse princípio  ativo é usado para impedir que o HSV se reproduza. Assim como o Valaciclovir, o Fanciclovir é bem absorvido, o que o ajuda a persistir no organismo por mais tempo, não sendo necessário doses altas.

Os nomes comerciais são o Fanclomax (comprimido) e o Penvir (creme e comprimido).

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Receber o diagnóstico de uma doença como o herpes genital pode desencadear uma série de problemas emocionais no paciente. É comum que se sintam, inicialmente, com vergonha, raiva, frustrados ou depressivos com a situação.

Esses sentimentos negativos, normalmente, estão associados ao fato de se tratar de uma doença sexualmente transmissível. Nessa condição, pode ser que o paciente tenha de enfrentar também um preconceito atribuído a doença.

Contudo, o herpes genital é uma doença bastante comum, sendo que na maioria dos casos os portadores do vírus nem sabem que o possuem. Por isso, por mais difícil que seja conviver com a doença, é preciso aceitá-la.

Mesmo que as pessoas entendam a situação como algo ruim, é preciso que o paciente não seja tão cruel consigo mesmo. Os sentimentos ruins sentidos nesse momento de descoberta tendem a passar, os sintomas podem ser controlados e a transmissão prevenida.

Alguns cuidados básicos também podem ajudar o paciente a lidar melhor com a doença, curar as lesões mais rapidamente e impedir sua recorrência, como:

  • Não usar meias calças, roupas íntimas ou calças de nylon ou de outros materiais sintéticos;
  • Usar roupas de algodão confortáveis;
  • Lavar a região suavemente com água e sabonete neutro;
  • Tomar banhos mornos para aliviar a dor (depois do banho, mantenha as bolhas secas).

Além disso, outras mudanças e dicas que podem ajudar no convívio são:

Se informe

Após receber o diagnóstico, o paciente pode se ver em uma situação em que se sente perdido ou assustado. A falta de informação sobre a doença pode ajudar a tornar esse momento ainda mais complicado.

Por isso, é fundamental que o paciente busque informações sobre o que é herpes genital e como será o convívio com a doença dali pra frente.

Converse com seu parceiro sexual

Ter uma conversa com o seu parceiro sobre o herpes pode ser difícil, mas é inevitável. Esse diálogo deve acontecer para a sua saúde, para a dele e para o relacionamento continuar ou começar de forma saudável e honesta.

Não existe uma receita de como deve ser essa conversa, mas é importante que o paciente saiba que contar para o parceiro a sua condição também é um sinal de confiança. Tão importante quanto, informar o parceiro sobre a DST é reduzir as chances de transmissão da doença.

Dessa forma, é possível investigar também se o parceiro foi infectado pelo vírus. Se não for o caso, as medidas de prevenção devem ser iniciadas. Caso o parceiro tenha sido infectado, ou já estiver, ele também deve começar o tratamento.

O fato de não saber em que momento se foi infectado pelo vírus pode ser um dos pontos mais negativos da doença, pois pode acabar causando desconfiança entre o casal. Por isso é tão importante que haja esse tipo de conversa, para que tudo fique esclarecido.

Como visto, o vírus pode se manifestar após meses ou anos, às vezes não se manifesta nunca. Isso, no entanto, não elimina o risco de transmissão. Dessa forma, além da conversa, conhecer outras pessoas e casais que passaram por isso pode ajudar.

Siga corretamente o tratamento

Seguir o tratamento prescrito pelo médico é fundamental para evitar complicações e para prevenir a transmissão do vírus.

Portanto, o paciente deve respeitar as orientações em relação aos medicamentos e cuidados, principalmente durante as crises e surgimento de lesões. O uso de preservativos durante relações sexuais deve ser feito, sempre.

Mantenha o sistema imunológico fortalecido

Quando o organismo está com seu sistema imunológico enfraquecido, as chances de surtos do herpes genital aumentam. E é durante as crises que o risco de transmissão se torna ainda maior.

Por isso, o recomendado é que o paciente mantenha uma vida com hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, exercícios, estresse controlado e qualidade de sono.

Tenha cuidado com os sintomas durante os surtos

Quando o paciente apresenta lesões, os cuidados devem ser redobrados. É importante tomar cuidado com os produtos utilizados, como sabonetes íntimos e cremes, que podem acabar irritando ainda mais as feridas e prolongando a cicatrização. O uso de pomadas e cremes só deve ser feito com orientação médica.

Além disso, devem se atentar caso passem a mão sobre as feridas, pelo risco do contato com o líquido presente nas lesões. Assim, podem acabar transferindo o vírus de lugar e provocando lesões em diferentes partes do corpo.

Prognóstico

Uma vez que um indivíduo é infectado, o vírus permanece no corpo para o resto da vida. Algumas pessoas têm somente uma crise, e outras têm crises frequentes.

Em pessoas com um sistema imunológico normal, o herpes genital permanece como uma infecção localizada e incômoda, mas raramente provoca risco de morte.

O herpes genital, apesar de não ser uma DST com grandes riscos em pessoas com sistema imunológico estável, é muito comum e preocupante, pois mesmo assintomática é capaz de ser transmitido. Além disso, a infecção por esse vírus aumenta as chances de adquirir e transmitir o vírus HIV.

Complicações

O herpes genital é uma condição comum, que pode ser controlada com medicamentos e cuidados com a saúde. No entanto, em alguns pacientes com sistema imunológico mais debilitado e em pessoas que não recebem o tratamento adequado, as chances de complicações crescem.

Veja em quais condições o herpes genital pode evoluir para quadros mais graves:

Outras DSTs

Pacientes com herpes genital possuem um risco maior de contrair outras doenças sexualmente transmissíveis, por isso podem ter como complicações infecções como a do vírus HIV.

Dessa forma, além do tratamento feito para controlar o herpes, o paciente terá que tomar cuidados adicionais para evitar a transmissão de outros vírus, incluindo o fato de poder sofrer sintomas mais graves.

Danos no feto

Essa é uma complicação bastante preocupante que pode acontecer quando a gestante transmite para o bebê o vírus do herpes genital. Essa transmissão é rara, conhecida como transmissão vertical. Não acontece quando o bebê está na barriga da mãe, mas sim durante o parto.

O contágio de herpes por bebês recém-nascidos pode resultar em danos cerebrais, cegueira e pode levar até mesmo à morte em casos mais severos.

Problemas de bexiga

O herpes genital pode provocar feridas na região da uretra, o que acaba obstruindo a saída de urina. Nesses casos, o paciente pode precisar fazer uso de um cateter para fazer a drenagem da bexiga.

Meningite

A meningite é uma inflamação que acontece nas meninges, membranas responsáveis por proteger e revestir o cérebro e medula espinhal. Pode ser provocada por diversos agentes infecciosos, incluindo o vírus do herpes. É uma doença grave que pode levar o paciente à morte.

Retite

É uma inflamação que ocorre no reto, normalmente provocada por doenças sexualmente transmissíveis. É causada, na maioria das vezes, pelo ato sexual sem uso de preservativos.

Os principais sintomas dessa condição são hemorragias indolores e secreção de muco. No caso da retite causada por herpes, o paciente pode apresentar fortes dores na região.

Infecções mais graves

Algumas pessoas podem desenvolver infecções muito graves por herpes que acometem o cérebro, olhos, esôfago, fígado, medula espinhal ou pulmões.

Essas complicações normalmente se desenvolvem em pessoas com um sistema imunológico enfraquecido, como aquelas que estão passando por quimioterapia, radioterapia ou que tomam doses altas de cortisona.

Como prevenir?

A única forma 100% garantida de não se contrair nenhum tipo de DST é não manter relações sexuais. Contudo, quando as pessoas possuem uma vida sexual ativa esse “método” já não serve.

Por isso, a melhor forma de prevenção dessa e de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) é fazendo o uso de preservativos durante os atos sexuais.

Se o parceiro ou parceira estiver infectado com herpes, é melhor evitar qualquer tipo de contato sexual até que a doença esteja sob controle, principalmente durante a manifestação dos sintomas.

Sendo assim, é importante ter uma comunicação aberta com o seu parceiro para evitar qualquer forma de contágio.

O uso de camisinha reduz a chance de transmissão, mas não a elimina completamente, uma vez que as lesões do herpes podem surgir em áreas da região genital que não ficam cobertas pelo preservativo.

Por exemplo, uma lesão de herpes na bolsa escrotal continua exposta mesmo com o uso apropriado da camisinha.

O vírus não sobrevive muito tempo fora do corpo humano, por isso a transmissão ocorre apenas pelo contato entre pessoas, não sendo possível se contaminar em banheiros, com toalhas e outros objetos.

No caso de gestantes infectadas pelo vírus, para prevenir a transmissão para o bebê, é necessário um acompanhamento médico e a orientação para um tratamento com antivirais, principalmente nos primeiros e nos últimos 3 meses de gestação.

Perguntas frequentes

O herpes genital é uma doença sexualmente transmissível bastante comum e que desperta várias dúvidas para as pessoas infectadas ou não. Veja as mais frequentes:

Existe alguma relação entre o herpes genital e o HIV?

Sim. A infecção provocada pelo vírus do herpes pode provocar cortes na pele da boca e da região genital, o que pode facilitar a entrada do vírus HIV no organismo.

De acordo com estudos feitos pelo Instituto Carlos Chagas junto ao Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo, a presença do HSV-2 aumenta o risco de aquisição, excreção e transmissão do HIV.

A presença do vírus HSV-2 também pode acelerar a progressão da doença em pacientes com HIV.

Ainda posso ter relações sexuais normalmente se tiver herpes?

Pacientes com herpes genital não estão destinados a uma vida de castidade só porque foram diagnosticados com a doença, no entanto precisam saber que os cuidados devem ser redobrados.

O primeiro passo para conseguir manter uma vida sexual sem riscos de infecção para o parceiro é conversando e deixando claro a condição para a outra pessoa.

Com o tratamento feito com medicação antiviral supressiva e com o uso de preservativos, o risco de transmissão é reduzido, mas não é nulo. Por isso, é importante ter um acompanhamento médico para que a doença não atrapalhe a vida sexual do paciente.

Além disso, é importante ressaltar que se deve evitar relações sexuais quando o paciente está durante um surto da doença, pois é nesse período em que o risco de transmissão é maior.

O que acontece se eu não receber o tratamento?

Não receber um tratamento pode ser perigoso para pacientes com herpes genital. Isso porque a doença pode provocar feridas genitais dolorosas e outras complicações para a saúde.

Essas complicações, inclusive, são um risco ainda maior para pessoas que apresentam sistema imunológico debilitado.

Se a gestante tiver herpes, o parto vaginal é seguro?

Depende. O risco de transmissão é maior quando a gestante foi infectada pelo vírus durante a gravidez, entre os 3 primeiros ou 3 últimos meses de gestação. Nesses casos, o parto normal pode ser um risco maior para o bebê.

Isso porque o organismo da mãe não teve tempo suficiente de produzir os anticorpos necessários para proteger o bebê. Contudo, o tratamento com antivirais pode ajudar a diminuir o risco, sendo a primeira opção de tratamento para tornar o parto seguro. Quando isso não é possível, o parto cesáreo se torna uma opção.


O herpes genital é uma DST bastante comum e sem cura. O tratamento pode ajudar a controlar a doença e a reduzir as chances de transmissão, mas ainda não é suficiente para eliminar 100% os riscos.

Torna-se cada vez mais importante enfatizar a relevância de uma boa educação sexual, para que as pessoas saibam a importância do uso de preservativos para reduzir os riscos de doenças como esta.

Buscamos neste artigo esclarecer todos os riscos do herpes genital e mostrar formas de tornar essa doença sobre controle.

Se você possui ou conhece alguém com essa doença, deve saber o quanto é importante que as pessoas tenham acesso às formas de prevenção. Por isso, não se esqueça de compartilhar com mais pessoas essas informações. Obrigada pela leitura!

Referências

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