Breno H. M. (Minuto Saudável)
01/04/2019 07:50

Botulismo (infantil): o que é, sintomas, transmissão, em bovino

A toxina botulínica é usada frequentemente para o tratamento estético, o conhecido botox. Milhares de pessoas a injetam em sua pele todos os dias.

Mas ela também é a substância mais tóxica conhecida pelo ser humano.

A intoxicação por toxina botulínica é conhecida por botulismo e é uma doença extremamente perigosa. Leia mais para aprender sobre ela!

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é botulismo?
  2. Formas de botulismo
  3. Causas: qual a bactéria do botulismo?
  4. Transmissão do botulismo
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas da doença botulismo
  7. Como é feito o diagnóstico do botulismo?
  8. Botulismo tem cura?
  9. Qual o tratamento para botulismo?
  10. Medicamentos para botulismo
  11. Convivendo
  12. Prognóstico
  13. Complicações
  14. Botulismo tem prevenção?
  15. Botulismo bovino
  16. Posso desenvolver botulismo com aplicação de botox?

O que é botulismo?

O botulismo é uma doença causada pela toxina botulínica, que é uma neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum durante sua reprodução.

Esse agente é comum no chão, água e em alguns alimentos, como no mel. Quando ele está em um ambiente oxigenado, não é capaz de produzir a toxina.

Entretanto, se entrar em contato com feridas ou caso se encontre em um intestino com a flora intestinal pouco desenvolvida para lidar com a bactéria, a sua esporulação (produção de esporos) pode se iniciar.

A esporulação é o método de reprodução de certos seres vivos e quando ela acontece, além de a bactéria se multiplicar, ela libera pequenas quantidades da toxina botulínica.

O meio mais comum de contrair o botulismo é através da ingestão de alimentos contaminados pela toxina.

Por exemplo, conservas (como as de palmito) caseiras, que não necessariamente passam por processos de higienização adequados e podem criar um ambiente propício para a esporulação da bactéria.

O botulismo é raro, mas frequentemente fatal.

Isso porque a toxina destrói proteínas envolvidas em processos biológicos importantes de neurotransmissores e isso pode causar paralisia muscular.

A toxina botulínica se liga às extremidades nervosas e as danifica. Isso impede que os nervos se comuniquem com os músculos, causando paralisia.

Em casos graves, a paralisia alcança o diafragma, impedindo a pessoa de respirar, o que a leva ao óbito.

A toxina fica ligada aos nervos por alguns dias, até ser eliminada pelo organismo, mas o dano nervoso não se reverte com esse processo. Assim, a regeneração nervosa pode demorar vários meses para ser concluída, podendo levar até um ano inteiro para a recuperação total.

Apesar de sua letalidade, a toxina é usada na indústria farmacêutica, para tratar espasmos musculares, e pela indústria estética, como na aplicação de botox, que nada mais é do que a toxina botulínica usada de maneira controlada para reduzir rugas.

O código do botulismo no CID-10 é o A05.1.

Formas do botulismo

A doença causada pela intoxicação por toxina botulínica é invariavelmente a mesma e suas manifestações clínicas também. Entretanto, pode-se separar o botulismo em 3 diferentes formas, que variam na forma de transmissão.

Essa doença não é transmissível e só é contraída em casos específicos. São eles:

Botulismo alimentar

A forma mais comum do botulismo é a alimentar, contraída principalmente por meio de alimentos em conserva feitos em casa.

Apesar de casos em marcas comerciais serem possíveis e já terem acontecido antes, os alimentos industrializados costumam passar por rigorosas inspeções e seguem padrões de higiene que impedem a contaminação.

Já quando alguém faz conservas em casa, nem sempre a pessoa segue um padrão de higiene adequado. Com isso, no tempo em que a conserva repousa, se ela estiver contaminada, a bactéria se reproduz e pode liberar toxina botulínica no alimento, que então é ingerido.

A doença é de notificação obrigatória e qualquer um que tenha comido os mesmos alimentos que a pessoa intoxicada deve ficar atento aos sintomas.

Botulismo intestinal (infantil ou do lactente)

O botulismo intestinal acontece quando a bactéria vai para o intestino e se reproduz, liberando a toxina já dentro do corpo do paciente. Em casos extremamente raros pode acontecer em adultos, mas é mais comum em crianças com menos de 1 ano.

Quando se come uma substância com a bactéria Clostridium botulinum, ela vai para o intestino. Na maioria dos casos, a flora intestinal não permite que o ambiente seja adequado para a sua reprodução e, por isso, ela é eliminada.

Entretanto, como a alimentação de crianças com menos de um ano tende a ser exclusivamente o leite materno (o que é o adequado e saudável), o ambiente intestinal se mostra propício para a proliferação da bactéria, que então começa a produzir a toxina.

A maior parte dos casos é espontânea e não se sabe de onde a bactéria veio, já que ela pode estar presente em qualquer lugar. Entretanto, sabe-se que alimentos com mel são comumente habitados pela bactéria ou seus esporos, e diversos casos foram atribuídos à ingestão do alimento pelos bebês.

Por isso, não se recomenda alimentar com mel crianças com menos de um ano de idade.

Botulismo das feridas

O botulismo das feridas acontece quando a bactéria entra em contato com cortes, ralados ou ferimentos em geral. Geralmente dentro de feridas não há oxigenação e esse ambiente é propício para a reprodução da Clostridium botulinum.

O resultado é a produção da toxina botulínica, que, por sua vez, desencadeia o botulismo ao cair na rede sanguínea.

Causas: qual a bactéria do botulismo?

O botulismo é causado pela toxina botulínica, produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Essa bactéria, por si só, não causa mal ao ser humano, mas quando começa a reproduzir-se em um ambiente anaeróbico (sem oxigênio), libera a toxina botulínica.

Existem 8 tipos diferentes identificados de toxina, que são os A, B, C (que é dividido em C1 e C2), D, E, F, G e H.

A toxina desnatura (processo que faz com que moléculas biológicas percam suas propriedades) depois da exposição por alguns minutos a temperaturas acima de 80º C.

Os tipos A e B frequentemente estão em conservas de carnes ou vegetais enquanto a do tipo E costuma estar relacionada a conservas de peixe. Estes 3 tipos causam o botulismo em seres humanos, sendo o tipo A o mais tóxico deles.

Mas é o H consegue ser ainda mais tóxico, sendo conhecido como a substância mais tóxica do mundo devido ao seu baixíssimo LD50.

LD50 da toxina botulínica

O LD50 é a dose letal mediana de uma substância. Trata-se da quantidade necessária de uma substância para matar 50% da população em testes, normalmente realizados com ratazanas.

Por exemplo, a dose letal da cafeína é de 192mg para cada kg de massa corporal.

Uma pessoa de 70kg precisa de 13,4g de cafeína pura para morrer (uma xícara de café tem entre 95mg e 200mg, então seriam necessárias aproximadamente 90 xícaras para levar uma pessoa de 70kg à morte em uma “overdose” de cafeína).

A dose letal da toxina botulínica é de aproximadamente 2 nanogramas por kg. Isso significa que enquanto a cafeína precisa de 13g para matar uma pessoa de 70kg, a toxina botulínica precisa de 0,00000014 gramas para matar a mesma pessoa. Isso são 6 zeros depois da vírgula.

O tipo H da toxina é ainda mais letal e apenas 2 nanogramas (não por kg, só 2 nanogramas mesmo) injetados na veia podem matar uma pessoa adulta.

Felizmente, a produção da toxina pelas bactérias é minúscula e contrair a doença não é uma sentença de morte concreta. Entretanto, não se deve esquecer que ela é extremamente letal.

Transmissão do botulismo

A transmissão do botulismo varia de acordo com a forma contraída. A doença em si não muda, mas sim o modo de transmissão.

Alimentos

O método mais comum de contaminação do botulismo é por meio de alimentos. Tanto a forma alimentar quanto a intestinal são causadas ao ingerir comida contaminada.

No caso do botulismo alimentar, o paciente ingere a toxina em si, comumente encontrada em alimentos em conserva que não passaram por procedimentos adequados de higiene, o que permite que as bactérias se reproduzam dentro da conserva.

Já no caso do botulismo intestinal, normalmente a vítima é um bebê. O sistema digestivo da criança não está tão preparado quanto o de um adulto para lidar com contaminações que possam ser nocivas.

Mesmo que não haja toxina, se um bebê engole as bactérias, existe uma chance de elas começarem a se reproduzir no intestino da criança, o que libera a toxina diretamente no organismo.

Feridas

Outra maneira de contrair o botulismo é através do contato da bactéria com feridas. Um corte pode ser o meio para entrar no organismo, onde o agente começa a reproduzir-se e a liberar toxina botulínica, causando assim a doença por meio de uma infecção de ferida.

Fatores de risco

A doença é rara, mas existem pessoas que estão em maior risco de contaminação do que outras. Os principais fatores são:

Menos de um ano de idade

A bactéria está presente em todo o mundo. Crianças com menos de um ano de idade têm a flora intestinal menos desenvolvida e por isso estão no grupo de risco para desenvolvimento de botulismo infantil ou intestinal.

Ingestão de alimentos mal conservados

Caso o procedimento de conserva de um alimento tenha sido feito sem os devidos cuidados com a higiene, a toxina botulínica pode estar presente, causando assim o botulismo. Lembre-se de sempre tomar cuidado com conservas feitas em casa e de lavar bem os alimentos.

Ferimentos expostos

Caso tenha algum ferimento, lembre-se de protegê-lo e mantê-lo limpo para evitar que a bactéria entre em contato com ele e comece a se reproduzir, causando assim a produção da toxina e por sua vez, o botulismo.

Sintomas da doença botulismo

Todos os sintomas do botulismo são consequência da impossibilidade de comunicação neuronal que a toxina causa, levando a problemas do sistema nervoso. São eles:

Constipação

A constipação é um dos primeiros sintomas, frequentemente associado à paralisia dos músculos intestinais.

Paralisia muscular progressiva descendente

A intoxicação pela toxina botulínica causa a paralisia, que é o principal sintoma.

Ela é progressiva e costuma começar pelo rosto, frequentemente causando a paralisia lateral inicial. Em seguida, espalha-se para outros músculos, como os da boca, braços e pernas, e finalmente leva a paralisias respiratórias.

O comprometimento da fala e da locomoção são característicos desta doença, mas ela também pode ser confundida com outras condições de sintomas parecidos, o que pode atrasar o tratamento adequado.

Ptose palpebral

A ptose palpebral é uma paralisia da pálpebra, que pode ficar caída. É um dos primeiros sinais da paralisia facial.

Fotofobia

Fotofobia é caracterizada pela aversão à luminosidade. Os olhos se tornam sensíveis à luz e a pessoa pode se sentir mais confortável no escuro quando sofre de botulismo.

Visão dupla

A visão dupla, também chamada de diplopia, pode ser um sintoma indicativo de intoxicação pela toxina botulínica.

Dificuldade de deglutição

A paralisia dos músculos da garganta e da boca pode deixar o paciente com dificuldades para engolir alimentos sólidos e líquidos, o que pode representar um risco para a sobrevida do paciente.

Problemas de fala

Quando a língua e outros músculos da boca do paciente intoxicado são afetados pelo botulismo, pode haver dificuldades de articulação, causando a chamada disartria, que é a dificuldade de fala devido a problemas nervosos.

Paralisia respiratória

O sintoma mais sério e letal do botulismo é a paralisia do diafragma, o músculo que controla a entrada e saída de ar dos pulmões. Com o diafragma paralisado, nosso corpo não é capaz de respirar, o que leva ao óbito.

Como é feito o diagnóstico do botulismo?

O diagnóstico do botulismo pode ser feito através de testes toxicológicos, que buscam a toxina, ou ao encontrar a bactéria se reproduzindo.

Depois de um exame clínico, que consiste em uma análise médica que levanta a suspeita da doença, outros exames são realizados.

O médico responsável por este diagnóstico pode ser o clínico geral, o infectologista e o toxicologista.

Algumas maneiras de conseguir estes resultados são:

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial é realizado para diferenciar uma doença de outra com sintomas parecidos, para que o tratamento adequado seja realizado.

No caso do botulismo, isso é extremamente importante já que, devido à letalidade da doença, o diagnóstico rápido é urgente e existem outras doenças com sintomas parecidos.

O botulismo pode ser confundido com o síndrome de Guillain-Barré, miastenia grave, esclerose amiotrófica lateral e outras.

Por isso, o diagnóstico diferencial é feito por eliminação, buscando encontrar detalhes exclusivos de cada doença.

Exame de sangue

Através do exame do soro do sangue é possível encontrar a toxina botulínica. A identificação dela confirma o diagnóstico.

Exame de fezes

O exame de fezes pode encontrar tanto a toxina quanto a bactéria, caso ela esteja no intestino do paciente.

Cultura de amostra de feridas

Quando existe suspeita de um caso de botulismo por feridas, uma amostra da ferida pode ser retirada e a cultura bacteriológica realizada. Se for confirmado que na ferida existe a bactéria Clostridium botulinum, o diagnóstico pode ser fechado.

Botulismo tem cura?

Apesar do elevado nível de letalidade do botulismo, a doença pode ser curada. A toxina que se liga aos nervos permanece conectada a eles por vários dias, mantendo os sintomas e criando riscos, mas depois de algum tempo os nervos se regeneram.

O tratamento visa manter o paciente vivo até que a regeneração aconteça, além de eliminar a toxina que está circulando no organismo da pessoa intoxicada.

Qual o tratamento para botulismo?

O tratamento para botulismo é realizado com antitoxinas específicas — caso o tipo exato possa ser identificado — ou polivalentes, que funcionam em mais de um tipo de toxina botulínica.

Esse tratamento busca eliminar toxina do organismo, mas não é capaz de remover aquela que já se ligou aos nervos.

A partir deste ponto, o objetivo é manter o paciente vivo até que a recuperação aconteça.

Antitoxina

A antitoxina é um medicamento feito com imunoglobulina humana para botulismo. A substância elimina a toxina do organismo, evitando que os sintomas sigam se espalhando.

Em alguns casos, especialmente quando já houve muito tempo desde o início da doença, pode não ser eficaz, o que pode causar sequelas ou até a morte.

É importante que o tratamento com a antitoxina seja iniciado o quanto antes, portanto, caso haja suspeitas de botulismo, o medicamento deve ser introduzido mesmo antes da confirmação laboratorial, já que os resultados podem demorar alguns dias e isso pode ser muito perigoso.

Lavagem gástrica

A lavagem estomacal é realizada para eliminar alimentos que possam estar contaminados com a toxina e que ainda não foram digeridos. Dessa forma, evita-se que mais toxina vá para a corrente sanguínea.

Para a realização desse procedimento, é inserida uma sonda no estômago do paciente, que faz a irrigação e aspiração dos conteúdos.

Enemas

Um enema é a inserção de água no ânus com o intuito de lavagem. Ele pode ser realizado para a eliminação da toxina que pode estar presente no intestino do paciente.

Hospitalização

A hospitalização é realizada para garantir que o paciente sobreviva. Caso haja paralisia do diafragma, a respiração precisa ser realizada através de equipamentos hospitalares para que o paciente fique estável.

Antibióticos

No caso de botulismo das feridas, antibióticos podem ser usados para eliminar as bactérias, mas o mesmo não se aplica à versão intestinal.

Na grande maioria dos casos de botulismo intestinal, o paciente é um bebê, o que significa que seu corpo é pequeno e frágil.

A morte da bactéria por antibióticos pode causar um aumento momentâneo da disponibilidade da toxina botulínica. Quando a bactéria está em uma ferida em um adulto, isso não costuma ser problema, mas em bebês esse aumento pode se perigoso.

É por isso que, no caso do botulismo intestinal, não se costuma usar antibióticos, já que o próprio corpo costuma ser capaz de eliminar a bactéria.

Medicamentos para botulismo

O tratamento para botulismo utiliza alguns medicamentos. O principal deles é a antitoxina que serve para evitar que mais danos sejam causados aos nervos. Os antibióticos, por sua vez, não podem ser usados em todos os casos, mas podem eliminar a bactéria nas situações em que isso é necessário.

Os medicamentos para botulismo são:

Antitoxina

A substância usada para eliminar a toxina botulínica do organismo humano é a imunoglobulina anti-botulínica humana.

Essa substância neutraliza a toxina do organismo afetado. Ela não é capaz de eliminar o veneno quando ele já se ligou aos nervos, nem reverter os danos, portanto os sintomas continuam, mas sua progressão desacelera ou até para.

Também existe a antitoxina heptavalente equina, que é produzida com o soro sanguíneo de cavalos e, da mesma forma que a imunoglobulina humana, pode neutralizar as toxinas que ainda não se ligaram à nervos.

Esses medicamentos, quando usados muito tarde, podem não ter o efeito esperado.

A antitoxina para botulismo pode ser encontrada aqui:

Antibióticos

Nos casos em que a doença é contraída através de feridas, os medicamentos antibióticos podem ser necessários para eliminar a bactéria e fazer com que ela pare de produzir a toxina.

Lembrando que eles não são indicados para crianças com menos de 1 ano de idade.

Os antibióticos contra a bactéria Clostridium botulinum são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

O botulismo deve ser acompanhado de perto por uma equipe médica e, por isso, durante o tratamento, é importante que o paciente fique hospitalizado.

Isso garante que caso a doença progrida para a paralisia respiratória, os médicos possam agir rápido para salvar a vida da pessoa.

A alimentação nasogástrica (através de um tubo que entra pelo nariz e vai até o estômago) pode ser necessária caso haja impossibilidade de deglutição devido à doença. Esse tipo de alimentação é preferível à parenteral (pela veia) já que pela nasogástrica o intestino continua funcionando.

Após a recuperação, a fisioterapia pode ser necessária para o paciente que ficou muito tempo paralisado.

Prognóstico

O paciente que contrai o botulismo precisa ser tratado rápido, para evitar que a doença avance e leve a pessoa a óbito. A letalidade é alta e muitas vezes o diagnóstico é difícil. Entretanto, com cuidados médicos e início rápido do tratamento, a cura é possível.

Complicações

O dano causado pela toxina aos nervos não é desfeito quando ela é eliminada do corpo.

A recuperação depende da regeneração dos nervos, o que pode levar até 12 meses. Dependendo de quais nervos forem afetados, isso pode significar meses no hospital. As principais complicações são:

Paralisia respiratória

A grande causa de morte devido ao botulismo é a paralisia do diafragma, que é o músculo que realiza os movimentos de respiração. Quando isso acontece, a respiração por máquinas se torna necessária.

Paralisia muscular

As paralisias de vários músculos podem causar sérios problemas, desde dificuldades de locomoção até a atrofia muscular por falta de movimento prolongado. A fisioterapia pode ser necessária após o fim da recuperação, que pode levar meses.

Infecções hospitalares

Devido ao longo período que o paciente pode ter que ficar internado, infecções hospitalares são uma preocupação.

Botulismo tem prevenção?

Existem algumas maneiras de reduzir as chances de contrair botulismo. São elas:

Evite alimentos mal conservados

Caso vá comer alimentos em conserva ou enlatados, tenha certeza de verificar a validade e de analisar a lata, para garantir que ela não está amassada ou violada. Se a conserva tiver sido feita em casa, ferva por cinco minuto em água para desnaturar a toxina.

Também é importante conhecer os métodos de preparo das conservas para ter certeza de que a higiene empregada foi adequada.

Limpe ferimentos

Quando houver ferimentos, lembre-se de tratá-los e higienizá-los adequadamente para evitar que bactérias como a do botulismo entrem nas feridas.

Outras bactérias também podem causar infecções, portanto a limpeza de ferimentos não previne só contra botulismo, mas contra diversas outras doenças.

Não dê mel para crianças com menos de 1 ano

Estima-se que 8% do mel produzido tenha a bactéria Clostridium botulinum. Para um adulto, isso não é um problema, já que o sistema digestivo e a flora intestinal podem eliminar o agente antes de ele começar a produzir a toxina.

Entretanto, o sistema de um bebê pode não estar tão preparado.

Por isso, evite dar mel para crianças pequenas para reduzir as chances de elas entrarem em contato com a bactéria.

Botulismo bovino

O botulismo no gado é uma grande preocupação da indústria pecuária, já que da mesma forma que em humanos, a doença tem alta taxa de letalidade. A infecção, nesse caso, costuma estar relacionada a falta de fósforo na dieta dos animais.

A deficiência de fósforo faz com que o bovino busque a substância em outros lugares, frequentemente através da osteofagia, que é a ingestão de ossos de outros animais encontrados no pasto.

Infelizmente, as carcaças de animais são ambientes ideais para que a bactéria Clostridium botulinum se reproduza, liberando nela a toxina botulínica. Quando o boi ou a vaca come o osso da carcaça para suprir sua necessidade de fósforo, pode ocorrer a intoxicação.

Da mesma forma que em humanos, pode ocorrer paralisia e levar o animal à morte.

A prevenção é o melhor jeito de impedir a contaminação bovina por botulismo.

Suplementar a dieta do gado com fósforo pode impedir que os animais comam ossos. Incinerar carcaças de animais também é um método adequado para evitar a contaminação.

Posso desenvolver botulismo com aplicação de botox?

É possível, mas as chances são pequenas. A quantidade normalmente utilizada é baixa e normalmente a toxina fica contida no local da aplicação.

O que o botox faz é justamente paralisar uma região propositalmente, impedindo que haja contração muscular que enruga a pele.

Entretanto, é importante saber que há riscos. Caso a dose aplicada seja muito grande ou em um lugar onde a toxina pode ir para outras partes do corpo, pode haver o perigo de desenvolver botulismo. Tenha certeza de realizar a aplicação em locais confiáveis.


O botulismo é uma doença rara, mas muito letal, causada pela toxina botulínica, a substância mais tóxica conhecida pela humanidade.

Compartilhe esse texto com seus amigos para que eles aprendam sobre o botulismo!

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 01/04/2019

Fontes consultadas

01/04/2019 09:05

Breno H. M. (Minuto Saudável)

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