Paralisia Cerebral: o que é, tipos, tratamento, tem cura?

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O que é paralisia cerebral?

A paralisia cerebral (PC) é um grupo de sintomas caracterizado por uma dificuldade no controle da postura e do movimento, causados por alguma anomalia ou lesão cerebral entre o estágio fetal e os 2 anos de idade. Os sintomas aparecem quando a criança começa a desenvolver habilidades motoras.

Também conhecida como Encefalopatia Crônica Não-Progressiva, a paralisia cerebral é uma condição neurológica que não tem como causa uma doença degenerativa e, por isso, seus sintomas não pioram com o tempo.

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A PC causa dificuldades motoras, principalmente nos membros. No entanto, quais os membros afetados variam bastante: pode ser apenas um braço, ou dois, uma ou duas pernas, ou todos os membros. Algumas vezes, ela afeta até mesmo o rosto.

Essa condição força os músculos a contrair demasiadamente ou insuficientemente, às vezes os dois ao mesmo tempo. Deste modo, é comum que essas crianças sofram com dificuldades em manter uma postura, visto que a limitação motora faz com que fiquem em posições dolorosas e não saudáveis.

Não apenas o funcionamento dos músculos é afetado: essas crianças podem sofrer, também, com deficiência intelectual, convulsões, problemas visuais e auditivos, entre outros.

Costuma afetar 2 a cada 1000 crianças, sendo mais comum em bebês prematuros, com menos de um quilo e meio ao nascer, por conta de anormalidades no fluxo sanguíneo da placenta ou do útero. Assim sendo, na maioria dos casos, o problema tem origem ainda durante a gestação.

Vale lembrar que, apesar de limitante, a paralisia cerebral não é uma condição de risco. Enquanto, dependendo da gravidade, algumas complicações podem ocorrer, a maior parte das crianças com PC conseguem chegar à vida adulta.

No CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição), a paralisia cerebral é encontrada pelo código G80.

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Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é paralisia cerebral?
  2. Causas
  3. Desenvolvimento do cérebro
  4. Fatores de risco
  5. Tipos de paralisia cerebral
  6. Sintomas
  7. Como é feito o diagnóstico da paralisia cerebral?
  8. Paralisia cerebral tem cura?
  9. Como tratar?
  10. Medicamentos para paralisia cerebral
  11. Convivendo
  12. Prognóstico
  13. Paralisia cerebral mata?
  14. Complicações
  15. Como prevenir a paralisia cerebral?

Causas

A paralisia cerebral é causada por alguma alteração na estrutura do cérebro, geralmente resultado de alguma má formação ou lesão cerebral. Essa alteração ocorre no período pré-natal, perinatal ou pós-natal, e pode ter as mais diversas causas dependendo de quando ocorre.

Os tipos de anomalia que resultam em paralisia cerebral são:

Lesão na substância branca do cérebro (Leucomalácia periventricular)

No cérebro, existe uma massa chamada “substância branca”, que é responsável pela transmissão de sinais de dentro do cérebro para o resto do corpo. Em geral, entre as semanas 26 e 34 de gestação, essa parte do cérebro é mais sensível.

Caso alguma coisa interfira com o desenvolvimento normal do feto, ele pode ser facilmente lesionado, resultando em “furinhos” nessa massa. Esses espaçamentos interferem na transmissão de sinais, podendo levar à paralisia cerebral.

Desenvolvimento anormal do cérebro

Qualquer situação que interfira no processo de desenvolvimento do cérebro do bebê pode causar malformações que interferem na transmissão de sinais. Algumas condições capazes de alterar esse processo são infecções, febres, traumas, entre outras que causam condições não saudáveis no útero.

Outro problema que pode levar ao desenvolvimento anormal do cérebro é uma possível mutação nos genes que coordenam esse processo.

Hemorragias intracranianas

Um sangramento dentro do cérebro pode danificar o tecido em sua volta. Essa hemorragia pode ser resultado de um trombo proveniente placenta que acaba bloqueando o fluxo sanguíneo no cérebro, ou de malformações e enfraquecimento dos vasos sanguíneos do cérebro, que podem se romper com facilidade.

Essas condições são mais comuns quando a mãe tem hipertensão gestacional. Infecções também aumentam as chances de uma hemorragia intracraniana no bebê, em especial aquelas que se dão na pelve da mãe.

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Falta de oxigênio (asfixia)

Caracterizada como a falta de oxigênio no cérebro, a asfixia pode se dar tanto pela ausência da respiração quanto pelo mal fornecimento de oxigênio para o cérebro do bebê. Na verdade, essa condição é normal durante o parto, mas não deve durar muito tempo.

Em partos muito longos, essa condição é estendida e, dessa forma, pode causar uma lesão cerebral conhecida como encefalopatia hipóxico-isquêmica. Nesses casos, há comprometimento do córtex motor (responsável pelos movimentos), assim como outras áreas do cérebro.

Algumas situações que levam à essa condição são: pressão sanguínea da mãe baixa (hipotensão), ruptura do útero, descolamento prematuro da placenta, problemas no cordão umbilical ou traumas severos na cabeça durante o parto.

Traumas e danos pós-natais

Acidentes, quedas, abuso físico e infecções são apenas algumas das condições que podem causar danos pós-natais ao cérebro. Por conta de uma falta de proteção do cérebro durante esses primeiros anos de vida, os traumas têm consequências muito piores nos bebês do que em adultos. Deste modo, o cérebro se enche de “cicatrizes” que comprometem seu desenvolvimento típico, levando à paralisia cerebral.

Genética

Outra possível causa para a paralisia cerebral está na genética: em alguns casos, há evidências — ainda que poucas — de que uma enzima chamada “glutamate decarboxylase-1” tem um papel significativo no desenvolvimento de PC. Cerca de 2% dos casos são herdados.

Desenvolvimento do cérebro

Sabemos que a paralisia cerebral é o resultado de alguma alteração durante o desenvolvimento do sistema nervoso central, causada tanto por anomalias quanto por lesões em alguma parte do cérebro. Por isso, é importante compreender como se dá esse processo de formação.

Embora muitas pesquisas mostrem que o desenvolvimento e a maturação do cérebro duram até pelo menos o final da adolescência, vários médicos consideram que o órgão está completamente formado aos 2 anos de idade. Isso porque, de fato, a maior parte da formação ocorre durante esses primeiros anos de vida e, após esse tempo, o ritmo do desenvolvimento decai drasticamente. Mas como é que esse desenvolvimento se dá desde o início?

Cerca de 3 ou 4 semanas após a concepção, o embrião consiste em 3 camadas que dão origem à diferentes órgãos: cérebro, pulmões, ossos, pele, entre outros. O sistema nervoso vem da ectoderme, uma dessas camadas, que recebe sinais para a formação de uma área achatada chamada “placa neural”.

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Com o tempo, essa placa forma rugas e vai se dobrando, até que suas duas pontas se unem dando origem ao “tubo neural”. No topo desse tubo, há um crescimento de três protuberâncias que dão origem a algumas partes do cérebro.

Nesse ponto, a ectoderme recebe mais sinais para continuar a formação do sistema nervoso central mas, dessa vez, ela se concentra em formar neurônios. Essas células são as responsáveis pela condução de impulsos nervosos que, por sua vez, são o que fazem nosso corpo continuar funcionando, propagando esses impulsos para todos os órgãos e tecidos.

Os neurônios se formam dentro do tubo neural, mas devem ser conduzidos até a parte do cérebro onde vão desempenhar suas funções. Por isso, eles migram, com a ajuda de células nutritivas chamadas neuróglias, e formam conexões durante esse movimento.

Algumas anomalias cerebrais são resultados de quando ocorre um erro nesse processo e os neurônios não conseguem chegar ao seu destino correto. Diversas condições afetam essa migração, como o uso de drogas, álcool, exposição à radiação, entre outras.

No mais, as conexões entre neurônios são feitas por meio de uma espécie de “rabinho” que eles criam, chamado axônio. Esses prolongamentos conseguem percorrer longas distâncias  — para um célula minúscula como um neurônio — para conseguirem conexão com outros neurônios.

Após o nascimento, ocorre um processo chamado mielinização, que é quando os axônios são envoltos por uma substância isolante chamada mielina. Assim, garante-se uma proteção dessas células e melhora na condução dos impulsos nervosos. Essa fase acaba cerca de 2 anos após o nascimento, sendo esse o motivo pelo qual lesões sofridas no cérebro antes dessa idade tem consequências tão desastrosas e podem causar a paralisia cerebral.

Fatores de risco

São várias as condições que podem aumentar as chances de um bebê sofrer paralisia cerebral. Essas condições podem ser relacionadas tanto à saúde da mãe, da criança ao nascer ou à gravidez e parto. Alguns exemplos são:

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Condições médicas

Diabetes, pressão alta e outras doenças crônicas que influenciam no metabolismo da mulher afetam a gestação. Outras condições ligadas a maiores chances de PC são problemas na tireoide, deficiência intelectual, proteína em excesso na urina e convulsões (epilepsia).

Peso, tamanho e parto prematuro

Os riscos de desenvolver PC são maiores em bebês que nascem antes de completar 40 semanas de gestação, que pesam menos de 1,5Kg no momento do nascimento ou que são muito pequenos para a idade gestacional.

Presença de gêmeos

A gestação de mais de um bebê (gêmeos, trigêmeos, etc.) está relacionada a uma maior chance de paralisia cerebral, especialmente em casos nos quais um dos bebês falece ainda no útero.

Infecções

Infecções por vírus como rubéola, citomegalovírus, herpes e toxoplasmose podem ser passadas para o bebê pelo fluxo de sangue até a placenta. Esses vírus são capazes de chegar até o encéfalo do feto, causando lesões.

A corioamnionite é uma infecção bacteriana nas membranas fetais e está relacionada à partos prolongados e complicados.

Além disso, caso o bebê sofra uma infecção logo após o nascimento, esta pode rapidamente chegar ao cérebro e danificar seus tecidos. Exemplos de infecções extremamente perigosas nessa fase são meningite e encefalite.

Exposição à radiação

Embora quantidades baixas de raios ionizantes (raio-X) não sejam prejudiciais ao bebê, a exposição prolongada pode prejudicar os tecidos do feto, incluindo o cérebro. Por isso, exames que utilizam radiação devem ser usados em grávidas apenas nos casos em que não há outra opção.

Uso de substâncias

A utilização de substâncias como álcool, tabaco e outras drogas interfere diretamente na formação do feto, podendo acarretar em malformações cerebrais.

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Fator Rh

O fator Rh é um antígeno presente na corrente sanguínea e, quando o Rh da mãe é incompatível com o do bebê, o sistema imunológico da mãe passa a atacar as células sanguíneas do feto, acreditando ser um corpo estranho possivelmente perigoso.

Síndrome de desconforto respiratório

Quando o bebê tem problemas no funcionamento do pulmão logo após o nascimento, o sangue não é devidamente oxigenado e o cérebro sofre sequelas por isso. Isso pode acontecer tanto por conta de infecções quanto por fenômenos como a síndrome de aspiração de mecônio.

Mecônio é o nome que se dá às primeiras fezes de um bebê, muito diferentes das fezes normais. Ele fica armazenado nos intestinos do bebê até o momento de nascer. No entanto, algumas vezes, o bebê libera o mecônio no líquido amniótico durante o trabalho de parto e, nesse momento, aspira as substâncias para seu pulmão, afetando seu funcionamento.

Hipoglicemia

A falta de glicose na corrente sanguínea afeta o funcionamento do cérebro, o que leva a convulsões que, no caso do recém-nascido, acabam sendo ainda mais prejudiciais, podendo haver lesão cerebral.

Partos complicados e cesariana

Partos que necessitam o uso de instrumentos estão ligados ao desenvolvimento de PC. Além disso, partos complicados costumam demorar mais tempo, o que aumenta as chances de uma asfixia.

Posição do bebê na hora do nascimento

Embora não exista uma posição certa para o bebê na hora do parto, é preferível que ele esteja com a cabeça para baixo (em direção ao canal vaginal, não ao fundo do útero), pois isso facilita muito o parto. Felizmente, essa é a posição que uma grande parte dos bebês assume no útero quando estão prestes a nascer.

Bebês que estão com os pés virados para o canal vaginal ao invés da cabeça tem maiores chances de sofrer de paralisia cerebral. Nesses casos, é comum que os médicos reposicionem o bebê no útero antes de efetivamente realizarem o parto, mas isso não é uma garantia que tudo vai ficar bem.

Baixo Índice de Apgar

O Índice de Apgar é uma escala que avalia a saúde física do bebê assim que ele nasce. Os critérios avaliados são os batimentos cardíacos, respiração, tônus muscular, reflexos e cor da pele.

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A PC é mais comum em bebês que têm baixas pontuações no Índice de Apgar.

Icterícia

Alguns bebês sofrem com icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos) logo ao nascer, um sinal de que a bilirrubina (substância geralmente encontrada no bile) se concentra em demasia, antes que o fígado seja capaz de metabolizar ela.

Isso é prejudicial porque a bilirrubina em excesso viajando pela corrente sanguínea pode chegar até o cérebro e matar células nervosas.

Convulsões

Bebês que sofrem convulsões logo após o parto tem maiores chances de serem diagnosticados como portadores de paralisia cerebral.

Tipos de paralisia cerebral

A paralisia se manifesta de diversas maneiras, dependendo da parte do cérebro afetada. Em alguns tipos, a perda total dos movimentos é a maior característica, enquanto em outras, a criança pode até conseguir andar, ainda que desajeitadamente.

Os tipos de paralisia cerebral são:

Espástico

A PC espástica é caracterizada pela rigidez e fraqueza dos músculos. Essa rigidez pode afetar todos os membros do corpo — braços e pernas —, dando origem à condição chamada de tetraplegia (quadriplegia), ou apenas na parte inferior do corpo (paraplegia). Quando os dois lados do corpo são afetados, trata-se de uma diplegia. Já nos casos em que a paralisia acontece em apenas um dos lados do corpo, fala-se em hemiplegia.

Essas crianças costumam não poder andar mas, quando conseguem, seu jeito de andar é caracterizado pelo “arrastar” de uma perna para a frente da outra, cruzando-as. Esse tipo de marcha é chamado de “marcha em tesoura”.

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Esse tipo de paralisia, em especial nos quadros de tetraplegia, geralmente vem acompanhada de limitações intelectuais (muitas vezes graves), convulsões e disfagia (dificuldade para engolir).

Atetóide ou discinética

No tipo atetóide — também chamado de discinético ou extra-piramidal —, há movimentos involuntários que, mesmo lentos, são espontâneos. Eles podem ser contorcidos, abruptos e espasmódicos, mas tendem a cessar durante o sono. Essas crianças costumam ter inteligência normal, porém dificuldades com a produção e entendimento da linguagem.

Atáxico

Quando se trata do tipo atáxico, vemos crianças com coordenação motora ruim e músculos fracos, mas que ainda conseguem se mover. Em geral, elas apresentam tremores, dificuldade para fazer movimentos rápidos e problemas com a coordenação fina, necessária para a realização de movimentos precisos.

A marcha dessas crianças costuma ser cambaleante, com as pernas bem abertas.

Misto

Algumas crianças podem ter sintomas de dois tipos de PC, sendo o mais comum a combinação entre paralisia espástica e atetóide. Em geral, essas crianças também apresentam limitações intelectuais graves.

Sintomas

Os sintomas e manifestações clínicas da paralisia cerebral variam muito de caso para caso, sendo o único fator em comum as alterações na função motora, ou seja, na capacidade de movimentar o corpo.

A PC funciona como um espectro no qual, de um lado, pode-se ter uma simples dificuldade na motricidade fina (capacidade de realizar movimentos precisos) e, do outro, uma criança com a função motora extremamente prejudicada, sem a capacidade de andar e até mesmo engolir.

Alguns sintomas que podem estar presentes crianças com PC são:

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Capacidade motora

  • Variação no tônus muscular: Os músculos da criança são muito moles ou muito duros;
  • Fraqueza muscular generalizada: Os músculos são incapazes de trabalhar adequadamente, sendo que essa fraqueza por ser leve ou extrema;
  • Dificuldade para respirar: Por conta da dificuldade em movimentar o músculo diafragma, responsável pela capacidade do pulmão “sugar” o ar;
  • Disfunções e atrasos no desenvolvimento motor: Em geral, lá pelos 6 ou 9 meses de idade, as crianças começam a desenvolver sua motricidade grossa — conseguem fazer movimentos mais amplos, ainda que bruscos e imprecisos. Crianças com paralisia cerebral têm dificuldades nesse desenvolvimento;
  • Má coordenação motora: Por outro lado, algumas crianças conseguem realizar esses movimentos mais amplos, porém não conseguem desenvolver essa habilidade a ponto de conseguir fazer movimentos mais precisos (motricidade fina);
  • Utilizar mais um lado do corpo: A criança pode tentar pegar as coisas apenas com uma mão ou engatinhar arrastando uma perna, sinais de que há dificuldade na movimentação do outro lado do corpo;
  • Dificuldades para andar: A marcha das crianças com PC é prejudicada. Não raramente, desenvolve-se uma “marcha em tesoura”, na qual a criança cruza uma perna na frente da outra para conseguir andar. Outra manifestação comum, em especial quando apenas um lado é afetado, é o andar manco;
  • Salivação excessiva (baba): Dificuldades na movimentação dos músculos da região bucal podem fazer com que a salivação não seja contida dentro da boca;
  • Dificuldades para engolir: Problemas nos músculos da garganta prejudicam na hora de engolir. Esse problema também pode piorar a baba, visto que a criança não consegue engolir a própria saliva;
  • Dificuldade para chupar na fase de amamentação: Quando os músculos da boca são afetados, o movimento de sucção impede que o bebê consiga “chupar” o bico do seio da mãe, o que pode acarretar em dificuldades na amamentação;
  • Dificuldades de micção: Embora a micção seja involuntária até certo ponto, existem diversos músculos voluntários relacionados ao processo. Por isso, problemas nesses músculos podem ocasionar dificuldades na hora de fazer xixi, como retenção urinária ou dificuldade em esvaziar a bexiga completamente (precisa-se que os músculos abdominais a comprimam para que as últimas gotas saiam).

Linguagem

Crianças com paralisia cerebral tendem a ter a linguagem defasada, especialmente por conta de uma disartria: condição neurológica na qual há dificuldade em articular as palavras. Isso porque os músculos envolvidos no processo da fala costumam ser prejudicados.

Além disso, os problemas relacionados à fala podem ter ligação com dificuldades respiratórias (já que a voz é, basicamente, a passagem de ar pelas cordas vocais), além de resultado de deficiência intelectual. Nesse último caso, as crianças também têm dificuldades com a escrita. Elas também podem apresentar surdez.

Ossos e articulações

Para que os ossos consigam se desenvolver adequadamente, eles precisam dos impactos da musculatura. Pela falta de movimentação e de exercício, os ossos podem apresentar extremidades (epífises) pequenas e finas, enquanto o centro (diáfise) se mantém “gordinho”.

Pela falta de uso, as cartilagens se atrofia, causando um estreitamento do espaço articular, podendo levar à perda da função. Além disso, problemas relacionados à angulação dessas juntas podem ocorrer.

Os ossos podem encontrar dificuldades no desenvolvimento também por alterações no centro gravitacional da criança, que pode estar extremamente prejudicado quando ela apresenta uma marcha diferente.

Adultos com paralisia cerebral tendem a ser mais baixas do que adultos saudáveis, pois as limitações motoras não deixam os ossos crescerem no seu potencial total. Essas pessoas podem ter, também, ossos mais curtos que outros, dependendo da parte do corpo afetada.

Escoliose

É normal que algumas crianças desenvolvam escoliose — uma deformação na coluna vertebral — antes mesmo dos 10 anos de idade, em especial aquelas com muitas dificuldades na motricidade grossa. Estima-se que 21 a 64% dos pacientes com PC venham a desenvolver a deformidade.

Dores crônicas

Como resultado de deformidades, crianças com PC podem sofrer com dores crônicas, muitas vezes não diagnosticadas em crianças pequenas. Essas dores são causadas, geralmente, por músculos encurtados, postura anormal, articulações enrijecidas, entre outros.

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Sono de má qualidade

Não raramente, crianças com paralisia cerebral têm distúrbios do sono secundários, resultado de fatores físicos e ambientais. Bebês com músculos muito rígidos têm dificuldades para pegar no sono, além de chorar mais frequentemente que bebês saudáveis. Já aqueles com músculos “molengas” apresentam letargia.

Alimentação

Por conta das dificuldades musculares, pessoas com PC têm limitações na hora de se alimentar. Os prejuízos na motricidade fina impedem o preparo de alimentos e o manuseio de pratos e talheres. Além disso, pessoas com os músculos faciais afetados têm dificuldades para mastigar e engolir.

Mesmo pessoas com apenas o tronco acometido também podem ter problemas, visto que a alimentação não é feita apenas com as mãos: muitas vezes movemos, também, o tronco em direção ao talher que estamos levando à boca.

É comum, também, que esses indivíduos apresentem pouca ou muita sensibilidade ao redor da boca.

Deficiência intelectual

Uma grande parte das pessoas com paralisia cerebral apresentam algum grau de deficiência intelectual: de leve à grave, dependendo da área e extensão do cérebro acometida.

Problemas sensoriais como percepções anormais, dificuldades para ver e ouvir, além de transtornos da memória e aprendizagem são apenas alguns sinais de deficiência intelectual.

Convulsões

Alterações cerebrais são um fator de risco para convulsões. Deste modo, não é raro que crianças com paralisia cerebral tenham crises convulsivas.

Outros sintomas

Alguns outros sintomas relacionados à paralisia cerebral são:

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  • Osteoporose;
  • Desnutrição;
  • Transtornos de humor e comportamento, como depressão e ansiedade;
  • Constipação;
  • Vômito;
  • Incontinência urinária e fecal.

Como é feito o diagnóstico da paralisia cerebral?

Não existe um exame capaz de diagnosticar a paralisia cerebral. Para piorar, ela muito provavelmente só será diagnosticada a partir do primeiro ano de idade, quando os pais notam a demora para desenvolver habilidades motoras como andar, a rigidez muscular e a falta de coordenação motora.

Ao levar o bebê ao pediatra, ele irá analisar o histórico médico — tanto do bebê quanto da mãe — a fim de detectar quaisquer anomalias durante a gravidez, nascimento e os primeiros dias de vida que possam ter causado uma lesão cerebral.

Após uma avaliação física e a análise do histórico, pode-se pensar no diagnóstico de paralisia cerebral. No entanto, o médico irá ficar atento para ver se não houve piora dos sintomas com o tempo, pois isso seria sinal de que possivelmente há outro distúrbio causando os sintomas.

A fim de detectar anomalias cerebrais ou descartar a possibilidade de outros distúrbios, o médico pode pedir os seguintes exames:

Ressonância magnética por imagem (IRM)

A ressonância magnética (IRM) é um tipo de exame que utiliza campos magnéticos para criar imagens transversais do cérebro (como se ele tivesse sido cortado) e mostra alterações em sua estrutura.

Ultrassonografia craniana

Por ser mais rápido, pode-se pedir uma ultrassonografia craniana, exame que usa ondas sonoras para criar uma representação visual dos tecidos dentro do corpo. No entanto, as imagens feitas por este exame não são muito confiáveis.

Eletroencefalograma (EEG)

Se a criança apresentar convulsões, o médico pode pedir um eletroencefalograma para detectar o problema. Esse exame consiste em monitorar a atividade elétrica do cérebro.

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Visto que as convulsões são resultado de um desequilíbrio eletroquímico do cérebro, o padrão das ondas mostradas pelo EEG pode apresentar uma alteração, que auxilia no diagnóstico do problema.

Exames adicionais

Caso o diagnóstico seja confirmado, o médico pode pedir outros exames para conferir as habilidades da criança. Estes podem ser: exames oftalmológicos, fonoaudiólogos, habilidades intelectuais, entre outros.

Para verificar a possibilidade de problemas metabólicos ou genéticos, também podem ser pedidos exames de sangue.

Paralisia cerebral tem cura?

Infelizmente, a paralisia cerebral é causada por danos cerebrais irreversíveis. Sendo assim, ela não tem cura, mas também não piora com o tempo. Além disso, existem diversos tratamentos que podem assegurar qualidade de vida para o indivíduo e ajudá-lo a desenvolver sua autonomia na medida do possível.

Como tratar?

Como a PC não tem cura, o tratamento busca maximizar as capacidades motoras e cognitivas a fim de assegurar maior autonomia e qualidade de vida para o indivíduo.

Para isso, o tratamento deve ser feito com uma equipe multidisciplinar composta por médicos especializados. O neurologista é o especialista em condições relacionadas ao sistema nervoso, que compreende a doença e trata problemas como convulsões. Já o fisiatra é o médico responsável por reconhecer os danos e as capacidades motoras do paciente, a fim de traçar um programa de reabilitação.

Outras especialidades que podem estar presentes no tratamento são: ortopedista, pneumologista, gastroenterologista, oftalmologista, fisioterapeuta, psicólogo, pedagogo, fonoaudiólogo, nutricionista, entre outros.

O tratamento tem os seguintes enfoques:

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  • Biomecânico: Foca em princípios do movimento humano para tentar melhorar as atividades da vida diária;
  • Neurofisiológico: Trata-se da porção que cuida do cérebro em si, em especial nos casos em que há convulsões;
  • Sensorial: É feito por meio de técnicas para melhorar as habilidades cognitivas relacionadas aos processos de sensação e percepção do mundo.

Algumas terapias usadas são:

Fisioterapia

Trata-se de uma das terapias mais indispensáveis do tratamento da paralisia cerebral. Geralmente, o tratamento começa bem cedo (assim que se descobre a doença), e consiste na realização de exercícios específicos para melhorar a resistência e força dos músculos, assim como a motricidade grossa e o equilíbrio.

Dessa forma, é possível prevenir contraturas e outros problemas relacionados ao mau funcionamento muscular. Aparelhos ortopédicos podem ser usados para melhorar a mobilidade e alongar os músculos.

No caso da fisioterapia, trata-se de um enfoque biomecânico.

Terapia ocupacional

Com enfoque tanto biomecânico quanto sensorial, a terapia ocupacional trabalha a motricidade fina (precisão dos movimentos), a sensação e a percepção.

Quando a criança apresenta dificuldades sensoriais, um terapeuta ocupacional pode se utilizar de técnicas para melhorar as habilidades cognitivas de sensação e percepção. Isso é especialmente importante para que o aprendizado ocorra de maneira mais adequada.

Além disso, o terapeuta ocupacional ajuda em diversos outros aspectos: tarefas do dia a dia como tomar banho, comer e se vestir podem ser bastante complicadas para pacientes com paralisia cerebral. Adaptações de espaços e rotinas são responsabilidade desse profissional que trabalha para ajudar o paciente a desenvolver o máximo de autonomia possível.

Terapia recreacional

Como parte de uma terapia para melhor de habilidades cognitivas, físicas e sociais, a criança também pode fazer terapia recreacional, que consiste no encorajamento para que a criança participe de eventos culturais e artísticos, esportes, entre outros.

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Esse tipo de terapia ajuda a melhorar a autoestima, a fala e o bem-estar emocional.

Fonoaudiologia

No caso da paralisia cerebral, o papel do fonoaudiólogo vai além de ajudar na fala e na escuta: ele também auxilia em problemas para engolir.

Dispositivos de assistência

A criança pode, ainda, contar com dispositivos de assistência que facilitam o dia a dia.

No âmbito da comunicação, alguns exemplos desses equipamentos são sintetizadores de voz, programas de computador, livros de imagens, entre outros. O objetivo desses dispositivos é auxiliar a comunicação no caso de pessoas com problemas de fala.

Outros tipos de dispositivos que podem ser usados são as órteses — que auxiliam nas limitações físicas —, óculos, lupas, aparelhos auditivos, entre outros.

Cirurgias

Quando necessário, um ortopedista pode realizar cirurgias para melhorar as habilidades do paciente. Algumas cirurgias são:

Cirurgia ortopédica

Essas cirurgias buscam corrigir problemas físicos como deformidades e marcha atípica, a fim de diminuir a dor e preservar a função das estruturas, em especial as articulações. Um exemplo é a cirurgia de estabilização de articulações, que permite movimentos mais precisos no caso de pacientes que conseguem controlar seus movimentos parcialmente.

Rizotomia seletiva dorsal

Essa cirurgia consiste em pequenos cortes nos nervos da coluna para reduzir a espasticidade. É recomendada apenas quando tratamento conservadores como fisioterapia e medicação não foram capazes de ajudar no problema.

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Tratamento neurofisiológico

Esse tratamento cuida do cérebro em si, em especial nos casos em que há convulsões. O neurologista pode receitar medicamentos anticonvulsivantes para que tentar melhorar esse aspecto.

Caso a criança apresente também distúrbios comportamentais e de humor, isso pode ser tratado com um psiquiatra e psicólogo.

Tratamento alternativo e complementar

Não é raro que algumas crianças e adolescentes com paralisia cerebral façam algum tipo de terapia alternativa. No entanto, muitas dessas técnicas não têm qualquer evidência de efetividade, ou seja, não se pode afirmar que elas auxiliam no tratamento da doença.

Alguns exemplos de terapias alternativas são o uso de roupas especiais para fazer exercícios de resistência, estimulação elétrica, oxigenoterapia hiperbárica, entre outros.

Além disso, muitos também fazem o uso de suplementos alimentares ou com ervas que levam a fama de ter efeitos medicinais. Vale lembrar que esse tipo de tratamento pode trazer interações medicamentosas/alimentares ou efeitos colaterais, o que pode ser prejudicial para a saúde.

Consulte sempre o médico antes de iniciar qualquer tipo de tratamento alternativo ou complementar.

Terapia com células tronco

As células tronco são células “em branco” cuja função é formar novas células específicas do corpo — pele, nervos, ossos, entre outros. Essas células são programadas por meio de vetores virais que contém material genético para a formação de células especializadas.

Há estudos que avaliam o uso dessa tecnologia para tentar formar células nervosas a fim de reparar o cérebro danificado. No entanto, essas pesquisas ainda são pouco desenvolvidas e pode demorar até que se possa ter certeza que esse tratamento é seguro e efetivo.

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Medicamentos para paralisia cerebral

Os medicamentos usados no tratamento da paralisia cerebral dependem muito, sendo que não existe nenhum específico para o problema. Em geral, eles buscam melhorar a espasticidade e ajudar em outros sintomas da doença, como convulsões e salivação excessiva.

Espasticidade

Quais os medicamentos para espasticidade vão depender muito de como ela se manifesta. Quando se trata de uma espasticidade localizada, o mais comum é o uso da toxina botulínica (Botox) em forma de injeções diretamente no músculo ou nervo.

Para a espasticidade generalizada, ou seja, no corpo inteiro, alguns medicamentos frequentemente indicados são:

Redução da salivação

Para controlar a baba, alguns medicamentos são:

Anticonvulsivantes

No caso de convulsões, os medicamentos usados são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Quando a criança recebe o diagnóstico da paralisia cerebral, muitos pais logo se desesperam pensando que seu filho não terá futuro. Isso não é verdade. Crianças que sofrem com disfunções motoras podem muito bem levar uma vida digna e cheia de significado, desde que os devidos cuidados sejam tomados.

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Em casa

Dependendo da gravidade da situação, pode ser que a criança precise de cuidados durante a vida toda. Para que a necessidade de outras pessoas seja um pouco menor, ela poderá contar com o auxílio de um terapeuta ocupacional, profissional responsável pela melhoria de aspectos do dia a dia para que haja maior integração e autonomia de pessoas com limitações.

Para que a criança possa se desenvolver bem dentro de suas limitações, os pais não devem pensar que seu filho é incapaz. Se, desde o começo, os pais acreditarem nisso e tomarem para si tarefas que ele mesmo poderia aprender, a criança acreditará que não pode fazer nada por si mesma e será desestimulada a desenvolver suas próprias habilidades, condição chamada desamparo aprendido.

Para ajudar a criança, os pais podem e devem ajudá-la a planejar seu futuro. Embora a doença não vá progredir (piorar), as limitações podem fazer com que a perspectiva de uma carreira seja descartada. No entanto, dependendo das habilidades intelectuais e motoras, crianças com paralisia cerebral podem crescer e se tornar bem sucedidos no trabalho.

Na escola

Mesmo com as limitações, a educação não pode parar, certo? Por isso, a escola deve ser, também, um ambiente adaptado para a criança. Se ela tiver condições intelectuais de estudar em uma escola para crianças saudáveis, será melhor que ela o faça, até mesmo por questões de integração com a sociedade.

No entanto, essa escola deve estar preparada para lidar com suas limitações físicas. Permitir o acesso de cadeira de rodas é o primeiro passo.

Além disso, os professores podem adaptar as carteiras para que haja melhor aproveitamento das habilidades motoras da criança: uma carteira inclinada facilita a mobilidade e a escrita, canetas e lápis mais grossos envoltos em espuma e presos à mesa por um elástico podem ser de grande ajuda. Papéis fixados com uma prancheta também costumam ser melhores do que cadernos.

A localização na sala de aula também é importante. Crianças com paralisia cerebral não devem sentar nos fundos, visto que ali a comunicação é dificultada e ela pode ter problemas para conseguir acompanhar a matéria.

O professor pode preferir dar aulas escrevendo com letras maiores no quadro negro, facilitando a leitura caso a criança tenha problemas sensoriais. Caso a criança precise de algo ou tenha uma convulsão, por exemplo, o socorro é muito mais fácil quando ela já está perto do professor responsável.

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Quando a criança apresenta também dificuldades com a linguagem, pode-se usar de “plaquinhas” com símbolos para que haja comunicação. Essas placas podem conter desenhos ou fotos que ilustram o que a criança pode estar pensando ou sentindo: um copo d’água para “sede”, um prato de comida para “fome” e um vaso sanitário para “vontade de ir ao banheiro”. O professor pode ir mostrando as plaquinhas até que a criança identifique e sinalize o que precisa no momento.

Apoio psicológico

Durante a adolescência e a vida adulta, é normal que o indivíduo com paralisia cerebral tenha dificuldades psicológicas, especialmente quando a condição é muito limitante. Adolescentes em especial costumam ter bastante problemas em serem diferentes dos outros colegas e, por isso, o acompanhamento psicológico é muito importante nessa fase.

Participar de grupos de apoio é uma boa medida para a troca de informações e experiências, além de promover uma conexão maior com outras pessoas passando pela mesma situação. Essa prática pode ser benéfica tanto para o filho quanto para os pais.

Prognóstico

O prognóstico da PC depende muito do tipo e gravidade da paralisia. Enquanto a maior parte das crianças consegue sobreviver até a idade adulta, aquelas que sofrem com disfunções motoras muito graves podem não conseguir sobreviver por muito tempo, em especial crianças cuja capacidade de engolir foi afetada.

Progressão dos sintomas

Muito embora o dano cerebral não piore com tempo (visto que a paralisia cerebral não é uma doença progressiva), os sintomas podem acabar piorando com o tempo. Isso acontece porque o mal funcionamento e pouca utilização dos músculos leva à atrofia, que piora seu funcionamento, sendo um ciclo vicioso.

No entanto, crianças que recebem cuidados desde muito cedo têm maiores possibilidades de conseguir uma melhora significativa nas habilidades motoras. Já quando os ossos e músculos estão mais estabilizados, pode haver a necessidade de cirurgias.

Problemas intelectuais

Em geral, problemas intelectuais não são percebidos antes que a criança comece a escola, e a severidade dessas limitações varia muito de pessoa para pessoa. Entre as pessoas com PC, há gênios e há pessoas com QI verdadeiramente baixo. Por isso, especialistas defendem que não se deve subestimar as capacidades intelectuais dessas pessoas e que elas devem ter oportunidade de estudar e aprender como todo mundo.

Autonomia

No que tange a capacidade de ser se cuidar sozinho em indivíduos com paralisia cerebral, pode-se dizer que depende muito de diversos fatores.

Num geral, pessoas com as habilidades motoras mais prejudicadas podem precisar de cuidadores na vida adulta, mas, algumas vezes, pessoas com habilidades motoras boas (na medida do possível) podem ter limitações intelectuais tão acentuadas que precisam de ajuda para muitas coisas também.

Enquanto isso, há também aqueles que nunca precisam de auxílio, pois conseguem se cuidar sozinhos.

Indivíduos com os membros superiores não afetados têm maiores chances de ter uma boa autonomia, visto que muitas das atividades do dia a dia dependem principalmente dos braços e mãos. No entanto, apenas 50% dos casos de paralisia cerebral não afeta os membros superiores.

Puberdade e sexualidade

Pessoas com paralisia cerebral podem entrar na puberdade mais cedo ou mais tarde que o normal. Os atrasos, no entanto, parecem estar ligados a complicações como desnutrição.

Falando de sexualidade, não há evidências de que a PC afeta a fertilidade, mas existem algumas condições secundárias que podem exercer um efeito na performance e desejo sexual. Exames ginecológicos podem ser dificultados por conta da espasticidade e o autoexame para câncer de mama também pode ser impossibilitado nas mulheres. Muitas vezes, quem as examina é uma pessoa próxima.

Alguns homens podem, antes dos 21 anos, experienciar criptorquidia, que é a subida de um ou ambos os testículos para a cavidade abdominal, onde eles normalmente ficam quando o bebê ainda está no útero.

Expectativa de vida

Muitas vezes, a paralisia cerebral pode reduzir consideravelmente a expectativa de vida de uma pessoa, em especial nos casos mais graves em que há crises convulsivas e deficiência intelectual. Acredita-se que 5 a 10% das crianças com PC morrem ainda durante a infância.

Condições relacionadas a uma melhor expectativa de vida são a habilidade de andar, rolar e se alimentar sozinho.

Produtividade

A produtividade de uma pessoa com PC tende a variar muito, dependendo das habilidades que ela tem. Crianças com muitos limites físicos podem ter dificuldade para brincar com as outras — tarefa considerada produtiva durante a infância.

Já na escola, algumas crianças podem ter dificuldade para escrever, tanto por questões motoras quanto intelectuais. Muitas das que conseguem escrever demoram mais tempo do que o normal e sua caligrafia pode não ser compreensível para os professores.

Outra dificuldade que a criança pode encontrar na escola está relacionada à comunicação, uma vez que várias pessoas com PC têm dificuldades na fala.

Lazer

Momentos de lazer são importantes para qualquer pessoa e podem ajudar um indivíduo com paralisia cerebral a lidar melhor com a sua condição. Nem todas as atividades são próprias para pessoas com limitações, mas existem muitas que podem ser feitas sem maiores dificuldades.

Dependendo do nível de limitação, a criança pode participar em jogos e torneios esportivos como para-atleta, por exemplo.

Participação e barreiras

Infelizmente, a participação do indivíduo com paralisia cerebral nas atividades cotidianas não depende apenas dele, visto que o mundo está cheio de barreiras.

Essas barreiras podem ser pessoais, sociais e até mesmo políticas. Um exemplo de barreira pessoal é a falta de confiança em si mesmo para tentar fazer novas amizades. Já barreiras sociais incluem o preconceito e falta de apoio da família, amigos e comunidade em geral.

No que tange a política, faltam serviços e produtos que tornem as tarefas do dia a dia mais acessíveis para pessoas debilitadas. Um exemplo é a falta de elevadores e rampas em prédios com muitos andares, impedindo que pessoas desabilitadas consigam chegar nos andares mais altos.

Idade

Por ser uma doença não progressiva, muitas pessoas com paralisia cerebral conseguem viver por bastante tempo. No entanto, o avanço da idade é mais complicado do que em pessoas saudáveis, pois elas começam a ter problemas comuns da terceira idade já durante os 30 anos.

Aqueles que conseguem caminhar podem vivenciar dificuldades para continuar andando logo cedo. Além disso, o risco de obesidade é maior em pessoas com PC. Algumas condições desagradáveis que o paciente pode ter são:

  • Aumento nas dores, principalmente crônicas;
  • Redução da flexibilidade;
  • Mais espasmos e contraturas;
  • Aumento na fadiga.

Paralisia cerebral mata?

As causas mais comuns de morte por paralisia cerebral são problemas respiratórios. No entanto, quando esses indivíduos chegam a idades mais avançadas, as causas mais comuns são problemas cardiovasculares e neoplasias.

Complicações

Além da própria imobilidade, a paralisia cerebral pode causar uma série de desdobramentos. São eles:

Contraturas e deformidades

Quando há espasticidade (rigidez muscular), o músculo pode encurtar. Esse processo se chama contratura e pode impedir o crescimento de ossos, fazer com que eles fiquem envergados, além de resultar em deformidades ósseas, articulares e deslocamentos.

Desnutrição

Crianças com problemas para engolir podem acabar sofrendo com desnutrição, o que pode inviabilizar o crescimento saudável e resultar em ossos mais fracos. Para que a nutrição seja adequada, algumas crianças podem precisar de alimentação via tubo.

Problemas pulmonares

Os problemas musculares podem afetar a respiração, de modo que haja maiores chances de desenvolver problemas pulmonares.

Osteoartrite

Devido a pressão nos ossos e nas articulações, pode ocorrer o desgaste dessas estruturas com o tempo, resultado em uma doença degenerativa dos ossos chamada osteoartrite.

Osteopenia

Falta de mobilidade, desnutrição e uso de antiepilépticos são fatores que podem contribuir para baixa densidade óssea (osteopenia), que torna os ossos mais frágeis e propensos à fraturas.

Obesidade

Pela falta de movimentação, a obesidade pode se desenvolver mais facilmente em pessoas com paralisia cerebral.

Problemas nos músculos oculares

Os olhos se movem por conta de um conjunto de músculos. Alterações no tônus desses músculos podem causar problemas para fixar ou movimentar o olhar.

Aspiração

Pacientes com problemas para engolir podem aspirar a comida, levando a um engasgo, que pode ser fatal.

Convulsões violentas

Por conta de problemas nas estruturas cerebrais, os pacientes podem sofrer com convulsões violentas que podem levar à morte por afogamento na própria saliva, sangue ou vômito.

Como prevenir a paralisia cerebral?

Nem sempre é possível prevenir a paralisia cerebral, uma vez que ela acontece por diversos fatores e nem todos eles estão ao nosso controle. No entanto, algumas dicas para evitar que seu filho venha a sofrer com o problema são:

  • Evite o consumo de álcool, tabaco e outras drogas durante a gestação. Se precisar tomar algum medicamento, entre em contato com seu obstetra para se informar dos riscos;
  • Mantenha condições como diabetes e pressão alta controladas, pois ambas podem trazer muitos riscos para o bebê além da paralisia cerebral;
  • Lave sempre as mãos com água e sabão tanto durante a gravidez quando após o nascimento quando for pegar o bebê, a fim de evitar a contração de doenças infecciosas que podem levar a lesões cerebrais;
  • Cuidado com a moleira do bebê! Ao nascer, os bebês não têm o crânio inteiramente formado e fechado, por isso existem alguns pedaços “moles” na cabeça do bebê: são as fontanelas. Evite tocá-las ou batê-las em algum lugar, visto que isso poderia afetar diretamente o cérebro;
  • Esteja sempre atento à saúde do bebê e leve-o ao médico sempre que suspeitar que ele possa estar doente;
  • Tome cuidado com impactos na cabeça do bebê, pois estes podem causar um traumatismo craniano.

Apesar de ter um nome muito conhecido, pouca gente sabe o que realmente é a paralisia cerebral. Compartilhe este texto para que mais pessoas possam entender essa condição!

Caso tenha qualquer dúvida, entre em contato conosco que responderemos.

Referências

http://paralisiacerebral.org.br/saibamais05.php
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paralisia_cerebral
http://www.apc-coimbra.org.pt/?page_id=65
http://www.infoescola.com/neurologia/paralisia-cerebral/
http://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/paralisia-cerebral-pc/paralisia-cerebral-pc
https://novaescola.org.br/conteudo/1788/o-que-e-paralisia-cerebral
https://www.news-medical.net/health/Development-of-the-Nervous-System.aspx
https://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/cerebro-humano-fica-em-formacao-ate-final-da-adolescencia-diz-pesquisa-641418.html
http://www.probebe.org.br/articles/quando-acaba-o-desenvolvimento-do-sistema-nervoso
http://www.cerebralpalsy.org/about-cerebral-palsy/definition
http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/cerebral-palsy/home/ovc-20236549
https://www.gestacaobebe.com.br/efeitos-da-radiografia-na-gravidez/
https://en.wikipedia.org/wiki/Cerebral_palsy
https://www.ninds.nih.gov/Disorders/Patient-Caregiver-Education/Hope-Through-Research/Cerebral-Palsy-Hope-Through-Research
https://ipscell.com/o-que-sao-celulas-tronco/

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1 comentário

  1. Obrigada por escrever esse artigo. Estou realizando um sobre as contribuições pedagógicas na vida de um jovem com paralisia cerebral e o seu artigo foi muito bom para eu esclarecer algumas coisas sobre PC.

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