O que é Toxoplasmose, na gravidez, sintomas, tratamento, tem cura?

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O que é a toxoplasmose?

Toxoplasmose é a infecção causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii e pode ser conhecida também por “doença do gato”, pelo fato do animal ser o hospedeiro definitivo do patógeno.

Cerca de 80% a 90% das pessoas infectadas não apresentam sintomas, ou, quando apresentam, assemelham-se aos da gripe. Porém, quando a doença é adquirida durante a gravidez ou por alguém que tenha sua imunidade comprometida, os sintomas podem ser mais graves, podendo até levar a pessoa à morte quando não diagnosticada precocemente.

O Toxoplasma gondii foi descoberto na Tunísia, em 1908, por Nicolle & Manceaux e era conhecido como Ctenodactylus gondii. Um ano depois, isto é, em 1909, o pesquisador diferenciou esse protozoário do causador da Leishmaniose e, então, o deu o nome que traz até hoje.

O agente causador da doença está presente nos quatro cantos do mundo, mas a doença em si possui taxas de incidência bem distintas dependendo do país. De acordo com o International Journal for Parasitology, uma pesquisa composta por 99 estudos, realizados em 44 países diferentes, constatou que a porcentagem de prevalência da doença é a seguinte:

  • América Latina:50% a 80%;
  • Europa Central e Oriental:20% a 60%;
  • Oriente Médio: 30% a 50%;
  • Partes do sudeste da Ásia: 20% a 60%;
  • Partes da África: 20% a 55%.

No mês de março de 2018 começou um surto de toxoplasmose na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Em três meses, mais de 569 casos foram confirmados e outra centena estava em investigação.

Existem suspeitas de que o método de contágio tem sido através da água e dos alimentos mal lavados. Mais de 50 gestantes já tiveram a doença confirmada e outras 145 possuem sintomas sendo investigados, o que pode causar sérios problemas para a gravidez.

Índice — neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é a toxoplasmose?
  2. Ciclo do parasita
  3. Tipos de toxoplasmose
  4. Causas da toxoplasmose
  5. Transmissão da toxoplasmose
  6. Fatores de risco
  7. Sintomas da toxoplasmose
  8. Pacientes imunocomprometidos
  9. Toxoplasmose na gravidez
  10. Como é feito o diagnóstico da toxoplasmose?
  11. Toxoplasmose tem cura?
  12. Qual o tratamento para toxoplasmose?
  13. Medicamentos para toxoplasmose
  14. Quem já teve toxoplasmose fica imune?
  15. Convivendo
  16. Prognóstico
  17. Complicações da toxoplasmose
  18. Como prevenir a toxoplasmose?
  19. Perguntas frequentes

Ciclo do parasita

O ciclo de vida do parasita começa nos felinos. O Toxoplasma gondii vive no intestino dos gatos e libera oocistos (que podem ser chamados de ovos do parasita), que ficam nas fezes do gato. Em um ambiente úmido, os oocistos podem sobreviver por até cinco anos a espera do hospedeiro intermediário.

Este hospedeiro intermediário pode ser quase qualquer animal que consuma os oocistos de alguma forma, seja um porco se alimentando das fezes do gato, seja por aquele solo ser usado em plantações ou através do contato direto. Caso os oocistos estejam em um sofá, por exemplo, um humano pode entrar em contato com eles e os levar à boca.

A partir deste consumo, os oocistos tentam infectar o hospedeiro, se transformando em taquizoítas. É nesse momento que o paciente passa pela fase aguda da doença, que nem sempre se manifesta através de sintomas.

Os taquizoítas se espalham pelo corpo do hospedeiro, mas o sistema imunológico os força a se transformarem em bradizoítas, que formam pequenos cistos para se proteger do sistema imunológico.

Quando um felino se alimenta deste animal — por exemplo um leão comendo gado infectado ou um gato doméstico comendo um rato infectado — os cistos microscópicos são ingeridos.

No intestino do felino, os parasitas concluem seu ciclo de vida. Os bradizoítas amadurecem e viram o Toxoplasma gondii, para começar novamente o ciclo através de oocistos que serão despejados nas fezes.

Quando os cistos não são consumidos pelo gato, eles ficam no tecido do hospedeiro intermediário, normalmente inertes, já que o sistema imunológico costuma mantê-lo dessa forma por longos períodos.

Ratos zumbis

Uma pequena curiosidade: quando o Toxoplasma gondii infecta os ratos, ele pode causar danos no cérebro do roedor que fazem com que ele perca o medo de gatos e da luz do dia. Isso faz com que o rato entre em contato com gatos com maior facilidade, sem fugir, facilitando o ciclo do parasita.

Tipos de toxoplasmose

Existem, de modo geral, 5 tipos de toxoplasmose, que se diferenciam por conta da fase de infecção, contexto e local. Entenda:

Toxoplasmose aguda

A toxoplasmose aguda é a parte ativa da doença. No ciclo do parasita, é o momento em que os cistos estão se formando nos tecidos. Pessoas com sistemas imunológicos fortes (imunocompetentes) podem ter poucos ou nenhum sintoma nessa fase, que em algumas semanas, evolui para a toxoplasmose latente.

Os sintomas dessa fase afetam apenas de 10% a 20% dos pacientes imunocompetentes contaminados. Existem riscos para pessoas com imunidade comprometida, como pacientes portadores de HIV e pessoas fazendo tratamento para doenças autoimunes, por exemplo.

Toxoplasmose latente

A toxoplasmose latente ocorre após a fase aguda, depois que os cistos se instalam nos tecidos e ficam no aguardo de um felino consumí-los. O sistema imunológico ativo garante que eles fiquem onde estão e normalmente, a partir daí, não há mais consequências para o corpo, que, inclusive, se torna imune a novas infecções.

Toxoplasmose ocular

A toxoplasmose ocular acontece quando o parasita afeta os olhos, podendo ser tanto na íris quanto na retina. É um tipo de toxoplasmose mais comum quando ocorre a infecção congênita, mas em raros casos pode afetar adultos imunocompetentes também.

Este tipo de toxoplasmose pode causar visão turva, dor ocular, sensibilidade à luz e eventualmente levar a perda da visão.

Toxoplasmose congênita

A toxoplasmose congênita é a contraída pelo bebê através da mãe. Uma das grandes preocupações com a toxoplasmose é a infecção de gestantes, já que o parasita pode infectar o feto através da placenta.

Isso só acontece quando a mãe está na fase aguda da contaminação durante a gravidez. Existem exames que detectam e diferenciam a condição e é possível saber se a mãe já foi contaminada ou não durante a vida antes da gravidez.

Quando houve contaminação anterior, não há preocupação, já que a mãe não irá desenvolver a fase ativa da doença novamente, o que significa que a criança não será infectada.

Entretanto, caso a mãe nunca tenha sido infectada, cuidados devem ser tomados para que isso não aconteça durante a gravidez, já que o feto, por não possuir um sistema imunológico bem formado, pode apresentar sintomas graves.

Toxoplasmose Cutânea

Por mais que seja rara, a toxoplasmose cutânea pode ocorrer e causar lesões na epiderme. Essas lesões possuem um tamanho tão ínfimo que, para serem identificadas, é necessário um microscópio eletrônico.

Causas da toxoplasmose

A toxoplasmose é causada exclusivamente pelo protozoário Toxoplasma gondii, que é um parasita que habita o intestino de gatos, mas usa outros animais para crescer e chegar até o felino que será o hospedeiro definitivo.

Transmissão da toxoplasmose

Dependendo da região analisada, a taxa de adultos infectados pode ser incrivelmente alta já que o Toxoplasma gondii é bastante difundido na natureza. O estado de São Paulo, por exemplo, possui mais de 70% da população já infectada pela doença em algum ponto do passado e a França alcança quase 100% da população com cistos latentes nos músculos e outros tecidos.

No geral, a toxoplasmose não é contagiosa entre humanos. Isso quer dizer que uma pessoa não pode passar a doença para outra pessoa. A transmissão da doença para pessoas pode se dar de algumas maneiras diferentes. Confira:

Contato direto com fezes de gato que contenham o parasita

Às vezes, de forma acidental, você pode ingerir o parasita quando toca a boca após a jardinagem, limpeza da caixa de areia do animal ou tocar qualquer objeto que teve contato com as fezes.

Ingestão de água ou alimentos contaminados

Carnes cruas ou mal passadas podem ser suscetíveis à transmissão do parasita ao corpo humano. Alimentos não pasteurizados também podem apresentá-lo ocasionalmente. Isso acontece porque é possível que, em uma fazenda com gatos, os animais sejam contaminados.

Ingestão de frutas ou vegetais não lavados

É recomendável sempre lavar bem as frutas e vegetais antes de consumi-los. Caso o gato defeque próximo de uma plantação, o parasita pode acabar na comida.

Uso de utensílios contaminados

Utensílios de comida que entram em contato com carne crua contaminada também podem ser um meio de transmissão. Mais uma razão pra você obedecer sua mãe e dar um jeito naquela pilha de louça suja na pia.

Transmissão placentária

A toxoplasmose pode ser transmitida da mãe para o filho através da placenta durante a gestação.

Transplantes de órgãos ou transfusões de sangue

Em casos raros, a transfusão de sangue e o transplante de órgãos também podem ser um meio de transmissão da doença e esta é a única maneira de um humano pegar a doença de outro humano.

Pombos

A transmissão da toxoplasmose através de pombos é possível já que, caso infectados, eles podem liberar o parasita através dos fluidos dos olhos. Entretanto, por ser necessário um contato muito próximo com o pássaro, esta é uma maneira rara de contaminação.

Fatores de risco

Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver a toxoplasmose. Alguns grupos, entretanto, estão em risco maior, tanto do contágio, quanto do desenvolvimento de sintomas. São eles:

Conviver com gatos

Possuir gatos, especialmente os que têm permissão para sair de casa, é um fator de risco, afinal, esses animais vão caçar quando estão na rua e podem entrar em contato com o protozoário com mais facilidade.

Quando eles não podem sair de casa para caçar, as chances de contaminação são menores, mas ainda é possível que peguem a doença através da alimentação caso os donos deem carne não cozida, da mesma forma que humanos.

Visitar casas com gatos também aumenta as chances de contaminação caso você nunca tenha sido contaminado antes, mas é importante lembrar que os gatos não são os vilões da história.

Os oocistos do parasita só são excretados durante aproximadamente duas semanas após o gato ser contaminado e depois disso, dificilmente haverá nova excreção já que, assim como humanos, os gatos desenvolvem imunidade à infecção.

Comer carne mal passada

Apesar de os gatos serem o hospedeiro definitivo da toxoplasmose, a carne mal passada é a principal maneira de contaminação. A França possui quase 100% da população adulta com toxoplasmose pregressa pois a carne de carneiro é muito consumida por lá e este é um animal que frequentemente está infectado.

O sul do Brasil tem quase 90% da população adulta infectada devido ao alto consumo de carne.

Ser portador de HIV

Pessoas que possuem o vírus HIV têm o sistema imunológico comprometido. Uma infecção por toxoplasmose nestas pessoas tem muito mais chances de ser sintomática.

Realizar quimioterapia

Por afetar o sistema imunológico do paciente, o corpo dos pacientes que fazem quimioterapia não consegue combater as infecções que eventualmente podem se alastrar no organismo.

Dessa forma, uma infecção pelo Toxoplasma gondii pode desenvolver sintomas.

Tomar esteróides ou outros tipos de drogas imunossupressoras

Da mesma maneira que acontece com a quimioterapia, esses tipos de medicamentos enfraquecem o sistema imunológico, impossibilitando o paciente de combater infecções. Estes medicamentos são utilizados para reações alérgicas, doenças autoimunes, além de no caso de transplantes de órgãos, para combater a rejeição.

Sintomas da toxoplasmose

Os sintomas da toxoplasmose raramente se manifestam. Apenas em torno de 10% a 20% dos pacientes contaminados apresentam sintomas, mas quando o fazem, podem lembrar uma gripe. São eles:

Gânglios linfáticos avolumados

Os gânglios linfáticos podem ser localizados atrás das orelhas, na nuca, axilas e regiões inguinais (entre o quadril e a coxa). Em alguns casos de toxoplasmose sintomática, estes gânglios podem aumentar de volume e ficar sensíveis e doloridos.

Gravidez

Adquirir a toxoplasmose durante a gravidez por ser um problema. O parasita pode afetar o feto, causando deformações e consequências para a gestação.

Embora a paciente possa não apresentar nenhum sintoma da infecção, a toxoplasmose pode aumentar os riscos de:

  • Aborto espontâneo: perda da gravidez durante as 23 primeiras semanas;
  • Morte fetal: nascimento do bebê após 24 semanas sem sinais vitais.

Toxoplasmose congênita (em bebês)

Quando a doença é transmitida de mãe para filho, alguns sintomas podem atingir a criança. Eles variam de acordo com a data em que a mãe foi infectada e costumam ser mais severos do que os dela. Entenda:

  • Caso a mãe seja infectada pela primeira vez antes ou durante a gravidez, a doença pode ser transmitida de forma congênita, mesmo que não apresente sintomas da mesma.
  • Caso a mãe seja infectada no terceiro trimestre de gravidez, maior é o risco de transmissão da doença para o bebê. Se ela for infectada logo no primeiro trimestre, esses riscos são menores, porém, caso aconteça, os efeitos da doença no feto serão mais graves.

Quando o bebê não sofre de aborto espontâneo ou nasce natimorto, ele pode nascer com sérias complicações, tais como:

  • Convulsões;
  • Aumento do fígado e baço;
  • Amarelamento da pele e dos olhos (icterícia);
  • Infecções oculares graves.

Muitas vezes, esses sintomas não aparecem nas crianças até a sua adolescência. Porém, em uma pequena parcela, isso acontece, então é importante ficar atento a qualquer sinal diferente na criança.

Pacientes imunocomprometidos

Um dos casos em que a toxoplasmose pode apresentar risco é quando o paciente é imunocomprometido, como portadores do HIV, pacientes em tratamento de quimioterapia e transplantados.

O sistema imunológico destas pessoas não é capaz de conter os cistos e o parasita não encontra barreiras no corpo. O tratamento destas condições deve ser rápido para evitar maiores danos.

As toxoplasmose em pacientes imunodeprimidos pode trazer problemas como:

Encefalite grave

Danos no sistema nervoso central podem ser causados por encefalite decorrente da toxoplasmose. Quando os cistos não são corretamente contidos pelo sistema imunológico, eles podem afetar o cérebro e causar a inflamação dele.

Dependendo da área afetada, os sintomas podem variar de paralisia a alucinações, passando por dores de cabeça, problemas de linguagem, sonolência, confusão mental, entre diversos outros.

Como o cérebro controla o corpo todo, uma inflamação nele pode causar uma variedade enorme de sintomas que podem ser especialmente perigosos.

Pneumonite

Uma pneumonite é uma infecção parasitária dos pulmões. Da mesma forma que na encefalite, esta doença é causada pela toxoplasmose quando o sistema imunológico está enfraquecido demais para conter os parasitas no cisto. Diferente de uma pneumonia, a pneumonite costuma afetar áreas mais extensas do pulmão.

Miocardite

O coração também é um músculo e pode ter cistos localizados nele. Se o sistema imunológico está enfraquecido, o parasita pode causar inflamação cardíaca, aumentando os riscos para o paciente.

Coriorretinite

A coriorretinite pode afetar pessoas imunocompetentes na fase aguda da toxoplasmose, mas raramente é percebida pois costuma ser discreta e passar logo. Entretanto, em pacientes imunocomprometidos, esta inflamação ocular pode ficar grave e levar à cegueira do olho afetado. É um problema mais comum em casos de toxoplasmose congênita.

Toxoplasmose na gravidez

A toxoplasmose costuma ser uma preocupação frequente de gestantes, já que, apesar de na maioria dos casos não afetar a mãe, a doença pode causar sérios problemas para o bebê e para a gestação.

A gravidade da condição é diferente com base na fase do desenvolvimento fetal em que a doença é contraída. Como o ciclo em que ela fica ativa dura apenas algumas semanas, é nesse momento que existe preocupação.

Um dos mais importantes exames pré-natais é o da toxoplasmose. Ele visa descobrir se a mãe tem ou já teve a condição. Caso ela já tenha sido infectada pelo Toxoplasma gondii no passado, os cistos podem estar presentes, mas não são uma preocupação e não existe risco para o bebê.

Caso a mãe nunca tenha sido infectada, ela deve tomar precauções para que isso não aconteça durante a gravidez. Evitar o contato com felinos, por exemplo, é importante, além de ter certeza de que os alimentos estão sendo bem cozidos para eliminar qualquer chance de contaminação.

O problema está no caso de a mãe ser infectada durante a gravidez. Quando a toxoplasmose entra em sua fase ativa durante uma gestação, o bebê pode ser infectado através da placenta e é aí que mora o perigo.

As consequências desta infecção dependem da época da gravidez em que ela acontece.

Primeiro trimestre

Curiosamente, quanto mais cedo na gravidez acontece a infecção da mãe, menores as chances de ela passar para o feto, mas maiores os danos caso isso aconteça. Raramente o bebê é infectado no primeiro trimestre, mas quando acontece, os danos são tão devastadores que a maioria dos casos acaba em aborto espontâneo.

Caso não haja aborto espontâneo, a malformação do feto é possível e severa, podendo resultar em um bebê natimorto, que é quando o parto acontece, mas a criança não sobrevive.

Segundo trimestre

Quando a mãe é infectada no segundo trimestre as chances de transmissão para o feto são maiores, mas os danos ficam menores. Os principais órgãos afetados são os olhos e o cérebro. O bebê pode apresentar problemas de visão, convulsões e malformação, o que também pode levar à morte do feto antes do nascimento.

Terceiro trimestre

Quando a mãe contrai a doença no terceiro trimestre de gravidez as chances de contaminação do feto são consideravelmente maiores, mas os danos são reduzidos. As malformações são menores, podendo se apresentar apenas na adolescência na forma de convulsões, problemas de atenção, visão reduzida, entre outros.

Devo deixar de conviver com gatos durante a gestação?

Não abandone seu gatinho. A gestante não precisa se afastar dele se já teve a doença antes. Caso nunca tenha sido contaminada, pode ser uma boa ideia se afastar do felino durante aqueles nove meses. Entretanto, ao invés de abandonar, doe o bichano ou peça para que alguém cuide dele durante a gestação. É uma opção mais humana.

Como é feito o diagnóstico da toxoplasmose?

Na esmagadora maioria dos casos, a toxoplasmose sequer apresenta sintomas, portanto é difícil saber que a condição está presente. Os exames costumam ser realizados em gestantes para analisar os riscos da gravidez, mas caso haja suspeita, pode-se buscar pelo parasita em qualquer paciente.

Como os sintomas não são indicativos da doença, o jeito mais fácil de se descobrir o protozoário é através do exame de sangue.

O diagnóstico é frequentemente feito pelo médico infectologista e, em alguns casos, pelo oftalmologista, já que o único sintoma que costuma causar problemas em pacientes imunocompetentes é ocular.

Exame de sangue (IgG e IgM)

O exame de sangue para diagnóstico da toxoplasmose não busca encontrar os protozoários. Ele examina as células do sistema imunológico.

Quando algum microorganismo nos infecta, o corpo produz dois tipos de células para combater essa infecção. A primeira delas é chamada de Imunoglobulina M (IgM). Ela é um tipo de célula que começa a batalha contra os microorganismos e costuma estar presente na fase aguda de uma doença infecciosa desde o início.

Quando o exame de sangue encontra células IgM é possível saber que a fase aguda de uma doença infecciosa está acontecendo ou acabou há pouco tempo.

Este exame de sangue também procura pela segunda célula que o sistema imunológico cria, a Imunoglobulina G (IgG). Esta célula também aparece durante a fase aguda da doença, mas não é uma resposta imediata e só começa a ser produzida depois de alguns dias de infecção.

Diferente da IgM, a IgG é específica para o microrganismo em questão. Nosso corpo possui diversos tipos diferentes de IgG, um para cada tipo de infecção que já enfrentamos e vencemos.

A IgG segue sendo produzida pelo corpo em pequenas doses e, caso a mesma infecção nos ataque novamente, essa produção aumenta e vencemos a infecção antes de ela conseguir fazer qualquer coisa. É assim que se cria imunização.

Quando o exame de sangue encontra células IgG específicas para o Toxoplasma gondii, mas não as IgM, é possível saber que o paciente já teve a doença em algum momento do passado e está imune.

Gestantes

O mesmo exame do sistema imunológico é feito em gestantes. Caso se encontrem células IgG específicas para o Toxoplasma gondii, a mulher está imune e não precisa se preocupar com novas infecções pelo protozoário.

Caso nenhuma IgG seja encontrada, ela deve tomar cuidados e, quando as células IgM são localizadas, é importante descobrir se o bebê está infectado para que seja realizado o tratamento.

Diagnóstico fetal

O diagnóstico fetal é pode ser feito após a décima oitava semana de gestação. Ele é feito através de punção de líquido amniótico através de uma fina agulha que atravessa a placenta para a coleta do material.

Este exame é delicado e apresenta um pequeno risco de aborto, mas é necessário para saber se o feto está ou não infectado já que o tratamento é diferente quando isso acontece.

Toxoplasmose tem cura?

Sim. A toxoplasmose tem cura. O tratamento só é necessário quando o paciente é imunodeprimido ou gestante, mas pode ser usado mesmo em pessoas imunocompetentes para acelerar a recuperação quando a fase aguda da doença apresenta sintomas.

Este tratamento, por si só, não cura a doença, apenas a fase aguda. Os cistos do protozoário ficarão latentes, contidos nos tecidos do paciente por alguns anos. Estes cistos podem ficar vivos por lá durante muito tempo, dependendo da espécie hospedeira, mas eventualmente morrem e são eliminados do corpo.

Qual o tratamento para toxoplasmose?

Como os cistos estão protegidos e bem escondidos, medicamentos não são o bastante para eliminá-los, mas é possível acelerar o processo de contenção deles. Tanto pessoas imunodeprimidas quanto pacientes imunocompetentes podem usar de medicamentos específicos para a supressão do protozoário.

Gestantes podem tomar outro medicamento, menos agressivo, para conter o protozoário antes que ele afete o bebê, reduzindo as chances de danos causados pela infecção.

Caso o diagnóstico do bebê seja positivo, o tratamento deve ser feito com medicamentos potencialmente tóxicos e fortes. O risco deve ser medido pelo médico.

Medicamentos para toxoplasmose

Os medicamentos que podem ser usados para o tratamento de toxoplasmose sintomática são:

Pacientes imunodeprimidos

Pacientes imunodeprimidos devem tomar os mesmos medicamentos descritos acima, porém até que a imunidade seja restabelecida ou os cistos sejam eliminados. Além disso, para evitar infecções sérias nos pulmões e no cérebro causadas pela toxoplasmose, outro medicamento pode ser adicionado.

  • Sulfametoxazol + Trimetoprima (Bactrim).

Gestantes

Gestantes infectadas devem tomar um antibiótico específico para lidar com o protozoário, evitando danos ao feto. O diagnóstico fetal ainda é necessário.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Quem já teve toxoplasmose fica imune?

Um ponto importante para se destacar é o fato de que a maioria da população que já foi infectada pelo protozoário fica imune à doença. Porém, mesmo diante disso, o parasita permanece no corpo do indivíduo por algum tempo, só que de forma inativa a não ser que ele adquira uma doença que prejudique o seu sistema imunológico.

Convivendo

Normalmente, não existe dificuldade em conviver com a doença. Na grande maioria das vezes ela passa despercebida e o paciente nunca descobre que já teve toxoplasmose. Mesmo nos casos em que sintomas são apresentados, eles podem ser confundidos com gripe e ignorados.

No caso de pacientes imunodeprimidos, a convivência envolve tratamento medicamentoso para a eliminação do protozoário. Pacientes afetados pela toxoplasmose congênita podem precisar de atendimento psicológico, psiquiátrico, neurológico, fisioterapia, tratamento ocular e outros, dependendo da gravidade das sequelas causadas pela doença.

Prognóstico

Em pacientes imunocompetentes, a fase aguda da doença passa em algumas semanas. O parasita fica nos tecidos, em formato de cisto, por algum tempo (podendo variar de 1 a 5 anos, dependendo da espécie) até ser eliminado.

Durante este tempo, a toxoplasmose fica latente e não há sintomas ou consequências para a saúde, desde que o sistema imunológico não seja comprometido. O paciente se torna imune a novas infecções por toxoplasmose.

No caso de pacientes gestantes, o tratamento reduz em 60% as chances de contaminação do feto. Para a gestante imunocompetente existe o mesmo prognóstico do paciente com sistema imunológico funcional.

Já pacientes imunodeprimidos podem ter recorrências da fase aguda da doença, assim como podem ser infectados novamente. Medicamentos para a toxoplasmose devem ser tomados até que a imunidade seja restabelecida ou os cistos sejam eliminados pelo corpo em alguns anos.

Complicações da toxoplasmose

As consequências mais sérias da toxoplasmose são raras, mas acontecem, especialmente nos casos de pessoas imunodeprimidas ou gestantes. São elas:

Perda de visão

Os cistos podem aparecer nos olhos, o que pode levar a perda de visão com o desenvolvimento do protozoário. É a complicação mais comum entre pessoas imunocompetentes já que mesmo nessas pessoas, os olhos são razoavelmente mais sensíveis a toxoplasmose.

A perda de visão é especialmente comum em bebês nascidos com toxoplasmose congênita.

Danos cerebrais

Quando cistos localizados no cérebro não são apropriadamente controlados pelo sistema imunológico eles podem causar inflamações cerebrais, o que leva a danos no sistema nervoso central e em outras partes do cérebro. Isso pode ocasionar perdas motoras e intelectuais.

O paciente pode morrer em decorrência destes danos.

Problemas cardíacos

Da mesma forma que os danos cerebrais, danos cardíacos podem acontecer caso cistos localizados nos músculos do coração não sejam controlados. Estes danos também podem levar a morte do paciente.

Complicações na gravidez

A complicação mais famosa da toxoplasmose envolve o contato do protozoário com o feto. A doença ativa pode causar malformação fetal, aborto espontâneo, morte fetal e outras consequências.

Como prevenir a toxoplasmose?

A toxoplasmose é uma infecção tão difundida que é provável que você já tenha sido contaminado e até esteja imunizado. Entretanto, ainda existem pessoas que nunca a tiveram antes.

Especialmente no caso de gravidez, após fazer o exame e constatar que você nunca teve a doença, preveni-la é muito importante. Confira as principais atitudes que você pode tomar para se prevenir da doença:

Lave bem os alimentos

Vegetais como um todo devem ser bem lavados para evitar oocistos que possam ter sido depositados neles ainda na plantação. Água corrente deve ser usada para esta limpeza.

Cozinhe e asse bem a carne

A carne mal passada e mal cozida pode conter cistos do protozoário ainda vivos, e dessa maneira eles podem infectar alguém. É uma das maneiras mais comuns de contaminação pela toxoplasmose.

Evite a convivência com felinos

Caso você esteja grávida e não tenha sido contaminada com a doença até o momento, evitar locais com gatos pode ser uma boa ideia. Apesar de a contaminação com eles só se dar pelas fezes, é possível que o ambiente onde eles se sentam fique com oocistos.

Lave bem as mãos

É especialmente necessário lavar bem as mãos caso evitar o convívio com gatos não seja possível, mas também é importante mesmo sem a convivência com felinos. Lavar bem as mãos garante que a contaminação não vai passar delas para sua boca, por exemplo.

Perguntas frequentes

Cães podem transmitir toxoplasmose?

Assim como qualquer animal, cães podem contrair a doença, mas não transmiti-la. Apenas os felinos podem liberar os oocistos do parasita através das fezes. Desde que você não coma a carne de seu cão, não há motivo para se preocupar.

O mesmo se aplica a qualquer outro animal. Eles podem se contaminar, mas não transmitir a doença.

Como saber se meu gato está contaminado?

Os gatos não costumam apresentar sintomas da contaminação e a única maneira de saber é fazendo os exames. Da mesma forma que humanos, os felinos desenvolvem imunidade à doença depois da primeira vez que são contaminados e os cistos ficam nos tecidos como músculos, cérebro, coração, mas sem causar nenhum dano.

Posso amamentar com toxoplasmose?

A toxoplasmose não é transmitida através da amamentação, portanto não há riscos em fazer a amamentação. Se você contraiu toxoplasmose logo após o parto, não precisa se preocupar, pois o bebê não vai se contaminar através do leite materno.

Como manter o gato saudável?

Tente manter o gato dentro de casa! Gatos caseiros possuem muito menos chance de se contaminar, já que não matam animais selvagens que podem ter o parasita, nem entram em contato com fezes de outros gatos que possam ter a doença.

Um gato dentro de casa também tem a vantagem de não se envolver em brigas e conseguir outras doenças e ferimentos. Gatos que saem para a rua possuem uma expectativa de vida de aproximadamente 5 anos enquanto os felinos mais caseiros podem alcançar até 20!


A toxoplasmose é uma doença comum, que grande parte da população já contraiu e se tornou imune por isso. Ela pode trazer consequências graves para pessoas imunodeprimidas ou gestantes, mas no geral é silenciosa e não causa problemas. Compartilhe este texto com seus amigos para que eles aprendam mais sobre ela!

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18 Comentários

Atenção: os comentários abaixo são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

  1. Bom dia.
    Minha noiva está grávida, estamos preocupados pq os exames indicam que ela ainda não teve a toxoplasmose, ou seja, corre o risco de se infectar na gestação e transmitir ao bebe.
    Minha dúvida é com relação aos cuidados, não temos contato com gatos, mas, com relação aos alimentos, carnes bem cozidas, assadas e alimentos bem lavados eliminam toda possibilidade de contaminação, ou mesmo tomando esses cuidados há riscos? Existe algum percentual de contaminação em gestantes? Vi que algumas grávidas, mesmo infectadas, tomaram os remédios e deu tudo certo.
    Parabéns pelo artigo e pelos esclarecimentos.
    Grato

    • Olá Washington!

      De fato, mesmo após a infecção de grávidas, existe tratamentos que podem proteger o bebê, mas é sempre bom prevenir. A lavagem bem feita e o cozimento adequado dos alimentos protege muito bem sim! O calor mata o protozoário enquanto a lavagem remove o micro-organismo da comida. Não é impossível que a contaminação aconteça através de situações das quais vocês não possuem controle, mas fazendo o possível, as chances são realmente mínimas.

      A toxoplasmose é uma doença comum e não é difícil ser infectado, mas se até hoje sua esposa não foi contaminada, os cuidados extras que vocês devem estar tomando devem bastar para evitar a contaminação. Consulte seu médico e faça os exames regularmente para ter certeza.

      Muito obrigado pelo seu comentário!

  2. Olá, estou grávida de 3 meses e sou ativa a toxoplasmose… estou muito preocupada… tenho um cachorrinho que sempre viveu dentro de casa desde os 3 meses de idade e é vacinado anualmente, corro algum risco com ele? Tenho que me preocupar com animais de rua? É verdade que a toxoplasmose é transmitida pelas fezes secas de qualquer animal? Obg.

    • Oi, Kássia!

      Se você já está com a doença ativa, você não corre mais nenhum risco com outros animais. Entretanto, como você está no terceiro mês de gravidez, existe um risco real da doença ser transmitida para o bebê. Procure um médico imediatamente e busque fazer o diagnóstico fetal. Se o bebê não contraiu a doença, o tratamento pode impedir que isso aconteça. Nos primeiros meses de gravidez é mais difícil que a mãe transmita a doença para o filho, mas essa é uma possibilidade real e, caso aconteça, as consequências podem ser mais graves.

      Quanto a dúvida sobre a toxoplasmose ser transmitidas pelas fezes seca de qualquer animal, isso não é verdade. O único animal que tem a capacidade de transmitir a toxoplasmose através das fezes são os felinos.

  3. Olá eu estou gravida e estou com toxoplasmose só q ainda não sei se meu bebê está contaminado .caso ele seja existe consequência de ele nascer com alguma deficiência.

    • Olá!

      Infelizmente, caso haja infecção, existem chances de sequelas. Nos tópicos “Gravidez” e “Toxoplasmose congênita (em bebês)” deste artigo você pode encontrar informações mais detalhadas. Porém, não deixe de consultar o seu médico e fazer o acompanhamento pré-natal.

  4. Ótimo! Amei o conteúdo
    Tenho uma amiga que descobriu agora recente que está com a doença e está gestante de 3 meses. A mesma já foi orientada por um infectologista.

  5. Oi eu tive toxoplasmose na minha primeira gravidez tomei os remédios direitinho e não teve nada com a minha filha graças a Deus ,caso eu engravide de novo eu corro o risco de perder ou passar pro meu bebê?

    • Olá Juliana!

      Normalmente, uma pessoa que já contraiu a doença está imune a ela durante toda a vida, pois o parasita permanece inativo no organismo. Porém, quando há um comprometimento do sistema imunológico, é possível que a doença retorne durante a gestação e assim existe chance de transmissão para o feto. É importante que você converse com seu médico para esclarecer suas dúvidas.

  6. Eu tive na minha primeira gravidez minha bebê tbm tem pq peguei durante a gravidez. Será que corre o risco do meu próximo filho ter?

    • Olá Nathalia!

      Normalmente, uma pessoa que já contraiu a doença está imune a ela durante toda a vida, pois o parasita permanece inativo no organismo. Porém, quando há um comprometimento do sistema imunológico, é possível que a doença retorne durante a gestação e assim existe chance de transmissão para o feto. É importante que você converse com seu médico para esclarecer suas dúvidas.

  7. Eu gostei porque eu não sabia e fui pesquisar se gravidas podem ter coelhos, e fiquei lendo tudo, muitíssimo importante quem esta gravida para saber disso, gostaria que respondessem nesse momento, se e de risco ter coelho dentro de casa e eu gravida tenho que limpar a sujeira e ter contato com o pano da urina dele, ele é da minha filha.

    • Olá Maria!

      A toxoplasmose só pode ser adquirida por seres humanos por meio da ingestão de carne mal cozida de animais infectados ou pelo contato com as fezes de gatos (hospedeiros definitivos da doença). Portanto, coelhos vivos, mesmo que infectados, não podem transmitir a doença.

  8. Quem Ama Cuida. O protozoário que causa a toxoplasmose, pode trazer consequências muitos perigosas e o não tratamento adequado, poderá levar o doente a morte. Se cuidem, abraços. Pedro Poeta, o Amigo da Hora Certa.

  9. Olá, tomei os medicamentos que a doutora passou corretamente, só que continuo com caroços no pescoço menores. Eles desaparecem ou ficam permanentes?

    • Olá Victor!

      A eficácia do tratamento deve ser discutida com seu médico, pois somente ele conhece suas condições de saúde. Ao sinal de qualquer sintoma suspeito, é importante procurar aconselhamento com este profissional.

  10. Informação totalmente incorreta. Os hospedeiros fixos da toxoplasmose são as pombas de cidade.
    Falar que são os gatos é algo totalmente ultrapassado e de extrema ignorância.
    O maior índice de contágio por toxoplasmose se dá por pessoas que NUNCA tiveram contato com gatos.

    • Olá Sofia.

      Os gatos são os hospedeiros definitivos do parasita. Isso não quer dizer que eles são a única maneira de transmissão, mas que eles são importantes para a reprodução sexuada do Toxoplasma gondii e uma das maneiras de ser contaminado pela doença.
      O contato com o parasita se dá fora do corpo do felino, mas não se pode esquecer de que ele pode sim transmitir a doença, assim como os pombos contaminados e a ingestão de alimentos em que o parasita pode estar. É importante lembrar de cuidar dos bichinhos e, caso haja suspeita de contaminação do seu gatinho, levá-lo ao veterinário é o melhor a se fazer.

      Obrigado pelo seu comentário!

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