Disartria: o que é, tipos, causas e tratamento

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O que é disartria?

Disartria é a dificuldade de articulação da fala causada por motivos neurológicos. A pessoa não consegue movimentar a boca da maneira correta para entoar as palavras, que não se formam.

Por ser uma doença motora, a doença afeta apenas a articulação e a fala do paciente e não a linguagem. Sua capacidade de compreensão e escrita são preservadas.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é disartria?
  2. Tipos
  3. Causas
  4. Transmissão
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Como é feito  o diagnóstico de disartria?
  8. Disartria tem cura?
  9. Qual o tratamento?
  10. Medicamentos para disartria
  11. Prognóstico
  12. Convivendo
  13. Complicações
  14. Como prevenir a disartria?

Tipos

Diferentes tipos de disartria são causados por diferentes tipos de lesões ou doenças. Os sintomas variam de tipo para tipo e podem ter fala arrastada, rápida, entre dentes, muito alta ou baixa, entre outros. Os tipos são:

Disartria flácida

Causada por lesão no neurônio motor inferior, esse tipo de disartria é frequentemente acompanhada por voz rouca e diminuição da força da voz. Outras características são consoantes soando imprecisas e voz anasalada, além de perda de controle da frequência vocal e da entonação de acentos.

Disartria espástica

Esta versão é causada por lesão no neurônio motor superior. Assim como a versão flácida, ela vem com a voz anasalada e consoantes imprecisas, mas traz diferenças.

As vogais soam distorcidas, a voz fica estrangulada e existe exagero na força da voz por parte do paciente. Além disso, essa versão costuma estar acompanhada de reflexos musculares anormais e espasmos.

Disartria hipocinética

A chamada disartria hipocinética é acompanhada por voz trêmula e rouca, pouca acentuação das palavras e uma dificuldade geral com a articulação, o que envolve tremor de lábios e língua, velocidade da fala alterada e rigidez. Pode ser causada por alterações nos gânglios da base, partes do cérebro que estão relacionadas ao movimento.

Disartria hipercinética

Como resultado da disartria hipercinética, a voz do paciente se torna áspera, as vogais são articuladas de maneira distorcida e há interrupção da articulação das palavras. As entonação de acentos fica alterada e há pouco controle da frequência vocal. Uma das principais causas são lesões nos gânglios da base do cérebro.

Disartria atáxica

Na versão atáxica, a disartria causa aspereza da voz, variações na entonação dos acentos, voz de intensidade e altura estáticas, fala arrastada, lenta e tremor dos lábios e língua. É a versão da doença cuja fala da pessoa parece com a de alguém alcoolizado.

Disartria mista

Na disartria mista, existem alterações de dois ou mais tipos de disartria no mesmo paciente.

Causas

Danos no tronco cerebral ou nas fibras que ligam a camada externa do cérebro ao tronco cerebral são causas da disartria, assim como problemas na comunicação entre músculos faciais e os nervos. Diversas condições podem causar esse tipo de dano ou falha. Algumas delas são:

Acidente vascular cerebral (AVC)

Um AVC acontece quando o fornecimento sanguíneo do cérebro é interrompido. Isso pode acontecer por conta de um entupimento e bloqueio ou rompimento de vasos sanguíneos no cérebro. Ambos podem causar danos cerebrais que podem resultar em disartria.

Traumatismo crânio encefálico (TCE)

Traumatismos crânio encefálicos são lesões cerebrais causadas por impacto. Costumam acontecer em esportes ou acidentes e resultam, por definição, em danos cerebrais que podem causar a alteração da fala.

Mal de Parkinson

O mal de Parkinson é famoso pelos espasmos que causa. Estes espasmos musculares podem causar a disartria hipocinética, que é caracterizada por espasmos e tremores.

Miastenia gravis

Esta doença é causada por uma falha na comunicação entre nervos e músculos e é comum que ela afete e crie dificuldades para a fala do paciente.

Hidrocefalia

Hidrocefalia é o acúmulo de líquor, o líquido que protege o cérebro e a medula de impactos, na cavidade craniana. Se houver muito líquido, há um aumento da pressão cerebral, o que pode causar diversas doenças.

Coreia

Coreia, ou choreia, não é uma doença, mas um sintoma ou característica de algumas doenças. É uma discinesia, que são movimentos musculares anormais, involuntários, excessivos, diminuídos ou ausentes.

Exemplos de outras discinesias são tiques, tremores ou as pernas inquietas. A coreia é característica de doenças como a doença de Huntington, a doença de Wilson, da neuroacantocitose, entre outras.

Os movimentos criados pela coreia são breves, irregulares, semi-rígidos e desritmados, podendo resultar em disartria.

Narcóticos ou tranquilizantes

Medicamentos que afetam o sistema nervoso central (SNC) são capazes de causar disartria temporária ou crônica.

Tumores cerebrais

Tumores cerebrais são capazes de afetar qualquer área do cérebro e cada uma afeta o corpo de maneira diferente. Caso o tumor cresça na área motor, ele pode causar disartria, além de outros problemas motores.

Esclerose lateral amiotrófica (ELA)

Essa condição ganhou destaque depois do desafio do balde de gelo em 2014, que buscava promover a conscientização sobre a doença. Ela afeta o sistema nervoso central (SNC) e causa fraqueza progressiva dos músculos.

O astrofísico Stephen Hawking possui a doença e, antes de perder por completo a fala para uma pneumonia grave que levou a traqueostomia de emergência, enfrentou a disartria causada pela ELA.

Esclerose múltipla

Esta doença pode causar a desmielinização — a perda da bainha de mielina dos neurônios — dos nervos cranianos, além de no tronco encefálico. Esse dano pode causar as dificuldades motoras que levam a disartria.

Infecções

Infecções que afetam o sistema nervoso central (SNC) podem ser causa da disartria e de outros problemas neurológicos.

Paralisia cerebral

A paralisia cerebral é resultado de um desenvolvimento anormal do cérebro e pode ser causa de uma disartria.

Transmissão

Disartria não é uma doença que possa ser transmitida de pessoa para pessoa. Qualquer um pode contraí-la a qualquer momento, basta que uma lesão na parte correta do cérebro aconteça para que a dificuldade motora de fala se instale.

Fatores de risco

Os fatores de risco da disartria incluem:

Abuso de álcool e outras drogas

O abuso de álcool e outras drogas pode levar a doenças neurológicas, muitas das quais são causas da disartria. A falta de controle no uso de substâncias coloca qualquer pessoa no grupo de risco da disartria e de diversas outras doenças neurológicas.

Doenças neuromusculares

Doenças como a miastenia gravis, que causam problemas na comunicação entre os nervos e os músculos, são fatores de risco para a disartria.

Doenças neurodegenerativas

Doenças neurodegenerativas como a esclerose múltipla evoluem aos poucos, afetando diversas regiões do sistema nervoso central. A disartria é causa pelo alcance da doença ao SNC, que acaba por causar a disartria.

Tumores cerebrais

É possível que um tumor evolua para um quadro que afeta a área motora do cérebro, o que pode levar a disartria.

No grupo de risco para AVC

Diabetes, histórico de AVC, hipertensão, tabagismo, obesidade, tumores cerebrais, excesso de bebidas ou drogas, idade avançada, estresse e qualquer outra coisa que possa colaborar com um acidente vascular cerebral também é fator de risco para a disartria.

Sintomas

Entre os sintomas da disartria estão:

Fala distorcida

Distorções da fala são o principal sintoma da disartria. A fala pode ter diversas modificações como som rouco, fala muito lenta ou acelerada, murmurada, alta demais, sussurrada, vogais e consoantes distorcidas, variações na entonação de acentos e falta de articulação das palavras.

Cada tipo de disartria tem suas próprias variações de sintomas de fala, mas no geral elas são impedimentos e dificuldades na entonação e articulação. O som sai da boca do paciente de acordo com as palavras que se quer dizer, porém a articulação, a parte muscular, não permite que as palavras fiquem claras e se formem corretamente.

Baba

Por falta de controle os músculos faciais, a baba é um sintoma comum da disartria.

Dificuldade de mastigação e deglutição

É possível que o paciente não consiga mastigar e engolir corretamente os alimentos por conta da fraqueza ou falta de controle dos músculos da boca.

Dificuldade de movimentação muscular facial

Os músculos do rosto podem ter dificuldade de movimentação por causa da comunicação prejudicada dos nervos faciais com o cérebro.

Como é feito o diagnóstico da disartria?

O diagnóstico da disartria é feito por um clínico geral, fonoaudiólogo ou neurologista. Identificar a disartria é fácil, mas o médico pode pedir ao paciente que realize algumas tarefas para medir a intensidade da disartria. Ele pode:

  • Pedir que o paciente faça sons diferentes;
  • Pedir para o paciente recitar os dias da semana ou ou contar;
  • Falar sobre um assunto qualquer;
  • Realizar leitura em voz alta.

Durante todos estes exames, ele irá observar o movimento muscular da boca e da laringe.

Apesar de diagnosticar a disartria não ser difícil, o que importa mesmo neste diagnóstico é descobrir sua causa. A disartria jamais vem do nada e sua causa é a chave para entender porque ela está acontecendo e o que se deve fazer quanto a isso.

O médico pode pedir os seguintes exames para encontrar a causa:

Eletroencefalograma

Este exame mede a atividade elétrica no cérebro e é capaz de identificar que parte dele está causando os sintomas de um paciente.

Ressonância magnética e tomografia computadorizada

Estes exames são conhecidos como exames de imagem e podem criar uma imagem detalhada do cérebro, permitindo que partes danificadas sejam identificadas.

Punção lombar

A punção lombar pode ser utilizada para identificar patógenos que estejam afetando o cérebro, além de poder ser usada em conjunto com avaliação neuropsicológica.

Avaliação neuropsicológica

Identificam quais funções cerebrais (entender a fala, compreensão de leitura e escrita, velocidade de raciocínio) estão preservadas ou alteradas, além de dizer quais áreas do cérebro podem estar causando sintomas. Avaliações neuropsicológicas são aplicadas por neuropsicólogos.

Biópsia do cérebro

Se houver suspeita de um tumor, o médico pode pedir uma amostra de tecido cerebral para realizar um teste.

Estudo de condução nervosa

Este tipo de exame mede a velocidade e força dos sinais elétricos dos nervos para os músculos.

Exame de sangue e urina

Estes exames podem encontrar infecções e contaminações que possam estar causando a disartria.

Descoberta a causa, o tratamento pode ser sugerido.

Disartria tem cura?

Dependendo da causa, a disartria pode ser curada. Em alguns casos, ela é permanente e pode apenas ser tratada para que seus sintomas sejam aliviados.

Como a disartria sempre é causada por alguma outra doença ou condição, a cura do problema depende da possibilidade de cura da causa.

Qual o tratamento?

Tratar a disartria é tratar a causa da doença. Após realizar os exames e ter os resultados, pode-se saber o que é necessário fazer.

Cirurgia

Algumas doenças que causam a disartria podem ser resolvidas com cirurgia. É o caso de tumores, que podem ser retirados e parar de afetar certas áreas do cérebro.

Medicação específica para a causa

O mal de Parkinson, por exemplo, pode causar a disartria. Medicamentos que aliviam seus sintomas, assim como os de outras doenças, podem ser usados para reduzir as falhas de comunicação.

Tratamento fonoaudiológico

Em qualquer um dos casos de disartria, é possível fazer exercícios de linguagem que visam corrigir a fala. Não há garantias de que eles irão corrigir os problemas de fala do paciente, mas é uma opção que pode dar resultados satisfatórios. Quem aplica esses exercícios é o fonoaudiólogo.

Exercícios de fala

Os exercícios de fala podem se em diversas áreas, baseado no tipo de disartria existente. As áreas são:

  • Fonação:Busca melhorar a qualidade da voz;
  • Ressonância:Para corrigir a nasalidade da fala;
  • Prosódia e ritmo da fala:Busca corrigir a entonação e acentuação da fala, além do ritmo;
  • Articulação e inteligibilidade da fala:Eles buscam fortalecer os músculos necessários para a atividade de fala, como os lábios e a língua, e ajudar o paciente a ser capaz de usá-los com eficiência, assim como outros órgãos motores como a mandíbula e o palato;
  • Respiração:Ajuda com a respiração apropriada para o melhor aproveitamento e utilização do ar durante a fala.

Meios alternativos de comunicação

Tabuleiros com letras, gestos, placas e equipamentos eletrônicos podem ser recomendados para a comunicação em casos mais graves de disartria.

Tratamento psicológico

A falta da fala pode trazer consequências psicológicas para o paciente. O acompanhamento por um psicólogo pode evitar ou tratar consequências como a depressão.

Medicamentos para disartria

Os medicamentos usados para a disartria variam muito, dependendo de sua causa, que são numerosas. Alguns medicamentos, como o haloperidol, podem ser usados para alguns tipos de disartria por tratar de movimentos involuntários, mas ao mesmo tempo ser contraindicado em outros tipos, como a causada pelo mal de Parkinson ou por lesão nos gânglios da base.

Já que a disartria é causada por diversas doenças diferentes, medicamentos que podem funcionar para uma causa podem entrar em conflito com outras causas ou outros medicamentos. Por isso, apenas um médico pode dizer que tipo de medicamento cada caso de disartria pode tomar.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

Cada caso é um caso e dizer se existe ou não uma cura para cada disartria específica é um tiro no escuro. As causas da condição podem ser tratáveis ou não. As dificuldades de fala podem desaparecer de uma hora para outra ou durar a vida toda e tudo isso depende do tipo de lesão, do tipo de doença, do tratamento aplicado e de diversas variáveis.

Acompanhamento fonoaudiológico, entretanto, é uma das opções mais seguras. Apesar das diversas dificuldades enfrentadas pelo paciente de disartria, pesquisas da Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição, aproximadamente dois terços dos adultos com doenças neurológicas conseguem aumentar sua capacidade de fala depois de tratamento com fonoaudiólogo.

A recuperação não é necessariamente completa, mas o aumento é real e a capacidade de comunicação pode ser recuperada. O médico e o fonoaudiólogo podem ter as informações necessárias para cada caso.

Convivendo

Ter disartria dificulta a comunicação, mas existem coisas que aqueles que convivem com a doença podem fazer para facilitar a vida. É um esforço conjunto, daquele que fala e daquele que escuta, para que a mensagem seja passada.

Reduzir ruídos

Televisão, rádio, o que quer que esteja fazendo ruídos externos à conversa pode atrapalhar a compreensão. Se for possível, reduza os ruídos ao máximo.

Falar de frente

Posicionar-se frente a frente com a pessoa que está falando facilita a compreensão.

Utilizar outros tipos de comunicação

A compreensão textual de um paciente de disartria não está necessariamente alterada. O uso de textos é possível e extremamente valioso. Além disso, é possível utilizar gestos para facilitar a compreensão do interlocutor.

Evitar apontar erros e pedir correções

Este comportamento não é útil, apenas causa frustração na pessoa que não consegue falar corretamente as palavras. Lembre-se, o importante é passar a mensagem.

Auxílio de fala

Nos casos mais graves, é possível que seja necessário um auxílio para a fala. Tabuleiros de letras e computadores com vozes eletrônicas, como o usado por Stephen Hawking, são exemplos de auxílios para a comunicação que podem ser utilizados por aqueles que possuem disartria grave.

Complicações

Deixar a disartria não tratada não tem nenhuma consequência biológica. Não será a falta de tratamento que irá causar piora, por exemplo. Contudo, ela traz diversas complicações psicológicas.

Dificuldade de comunicação

Com a dificuldade de fala, vem a dificuldade de comunicação. Conviver sem poder falar de maneira compreensível pode ser um desafio. A interação social fica afetada e a pessoa pode se isolar socialmente.

Depressão

Não poder falar pode ser frustrante. Com o tempo, a frustração, o isolamento social e desafios com a falta de comunicação podem evoluir em uma depressão. Por isso, é importante que haja acompanhamento psicológico para o paciente.

Como prevenir a disartria?

Nem sempre é possível evitar a disartria, mas você pode reduzir os fatores de risco. É importante usar equipamentos de proteção pessoal quando necessário, para evitar lesões na cabeça.

Também é recomendado limitar o álcool, parar de fumar, controlar a diabetes e o colesterol e fazer exercícios são algumas das possibilidades para se evitar doenças que acompanham a disartria e outras consequências ainda mais graves.

Manter uma alimentação saudável, dormir bem e evitar o estresse também podem ser bons caminhos para manter a saúde neurológica e do corpo como um todo.


A disartria é uma condição que impede a fala articulada através de dificuldades motoras. Ela pode trazer diversos problemas de comunicação, além de quase sempre estar acompanhada de outras doenças mais sérias. Caso perceba dificuldade em sua fala, procure um médico. Não esqueça de compartilhar este texto com seus amigos para que eles aprendam um pouco mais sobre a disartria!

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