O que é Doença de Crohn, sintomas, tratamento, tem cura?

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O que é Doença de Crohn

A doença de Crohn é uma inflamação crônica intestinal que afeta todo o sistema digestivo (da boca ao ânus), mas acomete especialmente o íleo terminal (parte inferior do intestino delgado) e o cólon. Também conhecida por Ileíte, enterite regional ou colite, dependendo qual região afeta.

Esta doença é invasiva, comprometendo todas as camadas da parede intestinal: mucosa, submucosa, muscular e serosa. Tem início com maior frequência na segunda e terceira décadas de vida, mas pode afetar qualquer faixa etária.

É provocada por diversos fatores ambientais, imunitários e bacterianos combinados em uma pessoa geneticamente predisposta. Essas características provocam um distúrbio inflamatório crônico.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é Doença de Crohn
  2. Causas
  3. Sintomas da Doença de Crohn
  4. Como a Doença de Crohn se desenvolve?
  5. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  6. Doença de Crohn tem cura?
  7. Tratamento da Doença de Crohn
  8. Grupos e fatores de risco
  9. Dieta para a Doença de Crohn
  10. Complicações e Prognóstico
  11. Como prevenir? É transmissível?
  12. Perguntas frequentes

Causas

Sua causa é desconhecida. Contudo há algumas hipóteses que possam desenvolver a doença, são elas:

Desregulação do sistema imunológico:

Que é responsável pelo sistema de defesa do organismo. Vírus ou bactérias podem provocar a doença de Crohn, então quando o sistema imunitário do paciente tenta lutar contra eles, acaba respondendo de modo anormal. Tal ação faz com que o sistema imune ataque também as células do sistema digestivo.

Fatores genéticos, ambientais, dietéticos ou infecciosos:

A Doença de Crohn frequentemente ocorre em pessoas que têm algum familiar com a mesma doença. Devido a isso, os genes fazem com que o indivíduo se torne mais suscetível. Entretanto, a maioria das pessoas não pertencem a famílias em que há outros pacientes com a doença.

Sintomas da Doença de Crohn

Geralmente, os sintomas tem variação, podendo ser leves ou graves, desenvolvem-se de forma gradual e subitamente. Entre os mais comuns da doença estão:

  • Artrite: as articulações (joelhos e tornozelos) correm o risco de inchar, causando dor e endurecimento; afeta cerca de 30% dos pacientes de Crohn e apenas 5% das pessoas com retocolite ulcerativa. Desaparece quando a inflamação intestinal é controlada.
  • Aftas/feridas na boca: seu desenvolvimento ocorre, geralmente, durante os períodos de inflamação ativa do intestino, aparecendo feridas que só sumirão após o tratamento da inflamação.
  • Dor abdominal (geralmente no quadrante inferior direito) associada à diarreia (com ou sem sinais de muco e sangue).
  • Febre: indica alguma inflamação, bem como é comum durante o aparecimento dos sintomas. Mas, ela pode durar semanas ou até meses antes do aparecimento dos sintomas de Crohn. Desaparecendo quando a inflamação intestinal é tratada.
  • Feridas na boca.
  • Fadiga: o paciente pode sentir-se cansado ou ter baixo consumo de energia.
  • Perda de peso e de apetite: as dores abdominais juntamente com a cólica fazem o paciente perder o paciente e, com isso, ele acaba perdendo bastante peso, pois afeta a sua capacidade de digerir bem o alimento.
  • Diarreia: um sintoma bastante comum para os pacientes de Crohn, a diarreia intensifica as cólicas intestinais e provoca fezes moles.
  • Sintomas de pele: aparecem erupções cutâneas ou doenças fúngicas, as quais provocam dor e vermelhidão nas pernas; melhora com o tratamento.
  • Cólicas e dor abdominal: o que leva o paciente a sentir cólicas é a inflamação e a ulceração, pois afeta o movimento normal dos conteúdos que passam pelo sistema digestivo.
  • Fezes com sangue: é comum, também, o paciente de Crohn apresentar sangue nas fezes, de cor vermelha ou mais escura, e até mesmo sangramento que o paciente pode não conseguir visualizar.
  • Enfraquecimento, por causa da dificuldade para absorver os nutrientes.
  • Sintomas oculares: os olhos ficam avermelhados, feridos e sensíveis à luz (fotofobia), costumam aparecer antes da doença se agravar, também desaparecem quando inicia-se o tratamento.
  • Doença perianal: pode haver dor ou drenagem perto ou ao redor do ânus por causa da inflamação de um túnel na pele (fístula).

Entre alguns sintomas mais raros, poderão aparecer:

  • Inflamações: da pele, olhos, articulações e dos ductos biliares do fígado.
  • Atraso no crescimento ou desenvolvimento sexual nas crianças.

Alguns casos da Doença de Crohn, só o último intestino delgado (íleo) é afetado, enquanto que em outros indivíduos a doença apresenta-se no cólon (parte do intestino grosso).

Como a Doença de Crohn se desenvolve?

Evolução da Doença de Crohn

Seu desenvolvimento é imprevisível, há pacientes assintomáticos, até haver um surto ou começar as reclamações, estas vão mudar ao longo de um período de tempo.

A doença de Crohn não tem progressão igual em todos os pacientes, ela desenvolverá de modo diferente em cada um, o que também tornará difícil o diagnóstico e o controle dos sintomas.

Mas, a doença pode ser classificada em 3 fases, vejamos:

1. Leve a moderada

É a fase na qual o paciente tem diarreia frequente e dor abdominal, mas pode caminhar e comer normalmente; não ocorre desidratação nem há febre alta. Além de não haver dor abdominal forte, obstrução ou perda de peso superior a 10% do peso do paciente.

2. Moderada a grave

O paciente chega nesta fase quando as anteriores (leve a moderada) não foram eficientes no tratamento. Com isso, ele também poderá apresentar sintomas como:

  • Febre.
  • Perda de peso significativa.
  • Dor abdominal ou sensibilidade.
  • Náusea.
  • Vômitos intermitentes.
  • Anemia significativa.

3. Fulminante

O paciente passa por um tratamento adequado, mas os sintomas persistem, podendo sentir:

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O médico responsável por diagnosticar a Doença de Crohn é o gastroenterologista ou enterólogo. Para efetuar o diagnóstico, ele poderá realizar:

  • Exame clínico.
  • Levantamento do histórico do paciente.
  • Solicitação de exames de sangue.

Contudo, como esta doença pode comprometer todo o aparelho digestivo e desenvolver sintomas semelhantes aos de outras moléstias gastrintestinais, é extremamente importante localizar as áreas afetadas.

Para isso, o médico poderá solicitar também alguns exames de imagem para auxiliarem no diagnóstico diferencial:

  • Endoscopia digestiva.
  • Colonoscopia.
  • Raios X do trânsito intestinal (enema opaco).
  • Tomografia.
  • Ressonância magnética.

Doença de Crohn tem cura?

Ainda não foi descoberta a cura para a doença de Crohn. Contudo há tratamento e o paciente consegue viver bem. O tratamento é feito de acordo com a fase da doença (leve, moderada e grave) e objetiva reduzir a inflamação que desencadeia os sintomas.

Tratamento da Doença de Crohn

Os médicos costumam usar um dos desses métodos: iniciando o tratamento com medicamentos leves ou com medicamentos fortes, ambos têm o efeito citado.

O tratamento é realizado para:

  • Retroceder o processo inflamatório.
  • Aliviar os sintomas.
  • Prevenir as recidivas.
  • Corrigir as deficiências nutricionais.
  • Intervenção cirúrgica: apenas para os quadros graves de obstrução intestinal, doença perineal, hemorragias e fístulas.

Na fase aguda, pode ser necessário administrar corticosteroides via oral, para os casos que não respondam a esse tratamento, o médico poderá indicar drogas imunossupressoras que induzem períodos de remissão clínica, contudo podem ter efeitos colaterais adversos.

Como tratamento medicamentoso, o especialista poderá indicar:

  • Infliximabe: específico para esta doença no nível moderado ou grave, quando outros medicamentos não surtiram efeito. Ele reduz os sintomas.
  • Anti-inflamatórios: geralmente o paciente iniciará o tratamento da doença com eles, os quais incluem corticosteroides e “5-aminosalicylates”, estes são bastante úteis no tratamento quando a doença atinge o cólon.
  • Corticosteroides: a Prednisona, que ajuda a reduzir a inflamação. E ela funciona para todos os tipos de pacientes da Doença de Crohn. Mas não são todos que funcionam para todos os pacientes da doença! Não são para uso a longo prazo, mas podem ser usados ​​para a curto prazo (de 3 a 4 meses) melhorando os sintomas e induzindo a remissão. Também são utilizados com um supressor do sistema imunitário, induzindo a remissão, enquanto os supressores do sistema imune pode ajudar a mantê-lo.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Grupos e fatores de risco

A doença de Crohn acomete tanto os homens quanto as mulheres, entre outros grupos e fatores de risco estão:

  • Pessoas que possuam parentes próximos com a doença.
  • Pessoas entre 20 e 40 anos.
  • Tabagistas.
  • É um fator de risco para o câncer de intestino.
  • Etnia: afeta mais as pessoas de origem judaica.
  • Hereditariedade.
  • Medicamentos não-esteroides anti-inflamatórios.
  • Indivíduos que moram em áreas urbanas.
  • Mulheres.

Dieta para a Doença de Crohn

O paciente precisa ter uma dieta equilibrada, seguindo as seguintes recomendações:

  • Dividir as refeições em pequenas porções.
  • Evitar alimentos gordurosos como manteiga, maionese, frituras e carnes gordas.
  • Frutas, legumes e verduras devem ser diversificados (alimentos ricos em vitaminas).
  • Beber muitos líquidos não-alcoólicos.
  • Controlar a quantidade de fibras ingeridas (caso evacuar seja um problema).
  • Evitar: produtos com lactose, álcool, café, frutos do mar ou especiarias, pois é comum pacientes da doença terem alguma intolerância alimentar.

Complicações e Prognóstico

O paciente poderá apresentar sintomas decorrentes de complicações à distância, como:

  • Dores articulares, artrite.
  • Aftas.
  • Anemia.
  • Rash cutâneo.
  • Inflamação.
  • Úlceras.
  • Fadiga.
  • Lesões de pele: pioderma gangrenoso (ferida com a aparência de um vulcão) e do eritema nodoso (nódulos dolorosos e avermelhados na subepiderme).
  • Inflamação dos olhos (uveíte).
  • Pedras nos rins e na vesícula.

As complicações mais graves são:

  • Obstrução intestinal.
  • Presença de fissuras e fístulas, ou seja, de perfurações no intestino que podem drenar para a região perineal, para a vagina e para a bexiga,ocorre em 30% dos casos.

A doença de Crohn é mais comum no íleo terminal e cólon, provocando uma formação de granulomas e inflamação em partes distintas, intercalados de forma bem delimitada por outros completamente saudáveis (ao contrário das lesões difusas na colite ulcerosa-CI).

Alguns períodos dos sintomas são interrompidos por outros períodos assintomáticos, que é a fase de progressão da doença, podendo continuamente causar deterioração das lesões, ou ser não progressiva, com regeneração das regiões atingidas entre as crises.

50% dos pacientes apresenta lesões tanto no íleo quanto no cólon, enquanto 25% apresentam nas limitadas ao cólon. A maioria dos casos leves e moderados são controlados com medicação e dieta.

A taxa de mortalidade é de 15% para pessoas que estão há 30 anos com a doença. No entanto pode ser muito debilitante para outros pacientes, e complicações como desnutrição, desidratação, anemia e fístulas são comuns.

O paciente de Crohn precisa readequar sua alimentação e seu estilo de vida para ter períodos de vivência saudáveis.

Como prevenir? É transmissível?

Entre as formas de prevenção para a Doença de Crohn estão:

  • Não fumar.
  • Praticar atividade física moderada.
  • Identificar os alimentos que fazem mal e evitá-los, pois podem agravar os sintomas.
  • Controlar o peso.
  • Evitar, na medida do possível, situações de estresse.
  • Reduzir a ingestão de alimentos gordurosos de origem animal e de alimentos ricos em fibra.
  • Verificar o aspecto das fezes sempre que utilizar o vaso sanitário. Caso tenha sinais de sangue e alterações sem justificativa aparente nos hábitos intestinais, é preciso informar o médico.

Perguntas frequentes

1) O que são a Ileíte e a Colite?

Doenças inflamatórias que ocorrem nos intestinos. Vejamos:

  • Colite Ulcerativa: afeta o intestino grosso, em linguagem médica é mencionada pela sigla RCUI, ou seja, Retocolite Ulcerativa Inespecífica.
  • Retocolite: acomete, também, o reto, e é inespecífica porque sua causa é desconhecida.
  • Ileíte (Doença de Crohn): afeta a parte final do intestino delgado (íleo), pode atingir, também, o intestino grosso e outras partes do trato digestivo.

2) Os termos Doença de Crohn, Ileíte e Enterite Regional são a mesma coisa?

O termo “Ileíte” quer dizer “inflamação do íleo”, a porção distal (final) do intestino delgado.

No ano de 1932, quando o Dr. Burril B. Crohn e seus colegas identificaram pela primeira vez a Ileíte como doença, eles a denominaram “Ileíte Regional”. “Regional” significa simplesmente que nessa enfermidade há áreas doentes de intestino que se alternam com áreas sãs.

Já, o termo “Enterite Regional” foi dado depois para descrever esta inflamação, quando ela se apresenta em outras áreas intestinais, não somente no íleo.

Contudo, já se sabe que essa doença pode afetar também o cólon (intestino grosso), dando lugar a uma condição conhecida como “Colite Granulomatosa” (granuloma são lesões microscópicas que se encontram na parede intestinal de pacientes de Crohn.

Com isso, o nome Doença de Crohn pode ser usado para descrever a doença, qualquer que seja o lugar em que se apresente.

3) A Colite Ulcerativa e a Colite Espástica são a mesma coisa?

Não. A “Colite Espástica” é um termo incorreto usado para descrever o distúrbio da motilidade do intestino, a “Síndrome do Cólon Irritável”.

Esta síndrome não apresenta inflamação e não tem relação com as DII (doenças inflamatórias intestinais).

4) Qual a incidência das Doenças Inflamatórias Intestinais?

Estima-se que existam mais de 2 milhões de pacientes de DII nos Estados Unidos. Os homens e as mulheres são afetados igualmente. Apesar de a Doença de Crohn e a RCUI (Retocolite Ulcerativa Inespecífica) atingirem indivíduos de todas as idades, ela predomina nos jovens, e quase todos os casos são diagnosticados antes dos 30 anos.

Só nos Estados Unidos, há pelo menos 200 mil crianças com menos de 16 anos que sofrem dessas doenças.

5) Quais são os sintomas iniciais da RCUI e da Doença de Crohn?

Os primeiros sintomas da RCUI são evacuações de diarreia que, com frequência, terão sangue, o desejo urgente de evacuar e odor fétido.

A diarreia pode se desenvolver de forma lenta ou então, começar de maneira súbita, causando no paciente dor nas articulações e lesões na pele.

A dor abdominal e a diarreia da doença de Crohn frequentemente aparecem após as refeições.

São bastante comuns dores articulares (dores nas juntas), falta de apetite, perda de peso e febre. Outros sintomas precoces da doença de Crohn são lesões da região anal, incluindo hemorroidas, fissuras, fístulas e abcessos.

6) Que exames são feitos para diagnosticar essas doenças?

Não existe exame específico para identificar as DII, mas os pacientes podem ser submetidos a radiografias com bário (que é a parte alta – trânsito intestinal ou da parte baixa – enema opaco).

Ou então a retossigmoidoscopia ou a colonoscopia (um tubo iluminado introduzido pelo ânus).

7) Qual a causa da Doença de Crohn e da RCUI?

Não se conhece a exata causa das DII, mas elas não são transmissíveis e, também, provocam alterações das defesas do corpo nos seus pacientes, que desencadeia o processo inflamatório.

8) São hereditárias essas doenças?

Os pesquisadores não encontraram qualquer gene específico que possa “transmitir” essas doenças. Portanto, elas não são consideradas genéticas/hereditárias. Contudo, sabe-se que têm tendência a se apresentarem com mais frequência em membros de famílias que já possuem registros dessas doenças.

9) A tensão emocional pode desencadear uma Doença Inflamatória do Intestino?

Sabemos que o corpo e a mente estão relacionados, e a tensão emocional pode influenciar no desenvolvimento da Doença de Crohn, da Colite Ulcerativa ou de qualquer doença.

Assim, mesmo com os conflitos emocionais ocasionalmente precederem o surgimento ou a recidiva de uma DII, não significa, necessariamente, que eles foram a causa.

É bem provável que a angústia que os pacientes da DII sentem seja uma reação aos sintomas dolorosos e às limitações decorrentes da enfermidade.

10) Quais medicamentos são utilizados para tratar estas doenças?

Os medicamentos mais utilizados são a sulfassalazina, a mesalazina e os corticoides, todos com o intuito de reduzir a inflamação. A sulfassalazina é usada para tratar sintomas leves e moderados de ambas as enfermidades e para tentar impedir a recidiva deles, uma vez que se tenha obtido a remissão (diminuição da intensidade).

Já os corticoides são administrados quando os sintomas são mais severos; e a dose é diminuída lentamente até ser descontinuado quando da melhora dos sintomas.

Entre outros medicamentos utilizados são:

São drogas imunossupressoras que tentam reduzir os sintomas, fechar as fístulas e diminuir ou eliminar a dependência de algumas pessoas aos corticoides. Ainda, o medicamento metronidazol tem sido útil para o tratamento das complicações perianais da doença de Crohn.

No caso dos antibióticos, são usados para combater infecções locais. Desde 1999 para doença de Crohn e desde 2005 para colite ulcerativa. Enquanto os anti-TNFs, medicamentos biológicos, vêm sendo usados com resultados excelentes em vários pacientes que tenham indicação específica.

11) Essas medicações causam efeitos colaterais?

Sim, como todas as medicações. A sulfassalazina pode causar náuseas, dor de cabeça, vômitos, anemia, outras alterações do sangue e erupções da pele. Com isso, é o especialista quem deve observar o paciente e vigiar quanto a aparição destes efeitos, para poder decidir pela continuidade ou não do medicamento.

Já o corticoide pode causar acne, aumento do apetite, inchaço no rosto, aumento de peso e aumento de pêlos no corpo. Sendo que raramente podem ocorrer problemas ósseos, diabete, hipertensão, problemas digestivos e mudanças de personalidade.

Esses efeitos secundários geralmente diminuem com a redução da dose e, desaparecem quando da descontinuação do medicamento.

Os efeitos colaterais causados pelo uso prolongado de azatioprina, 6-mercaptopurina e metronidazol são menos conhecidos já que não têm sido usada por muito tempo em pacientes com estas enfermidades.

No caso da azatioprina e a 6-mercaptopurina podem causar náuseas, redução dos glóbulos brancos do sangue e inflamação do pâncreas (pancreatite). O medicamento metronidazol pode causar náuseas, dor de cabeça, desconforto abdominal, escurecimento da urina, gosto metálico, formigamento das mãos e pés.

12) A cirurgia pode curar a Doença de Crohn ou a Colite Ulcerativa?

Ela pode ser necessária na Doença de Crohn quando o tratamento clínico é ineficiente no controle dos sintomas ou quando há uma complicação tal como obstrução intestinal.

Permitindo também que o pacientes permaneça livre dos sintomas, mas não objetiva a cura da enfermidade, já que a recidiva é muito frequente no próprio local ou na proximidades de onde ela foi realizada (anastomose).

Na Colite Ulcerativa a eliminação cirúrgica de todo o cólon e do reto (proctocolectomia total) proporciona uma cura definitiva. Afinal, na maioria dos casos deve-se realizar uma abertura artificial do íleo na parede abdominal (ileostomia), pela qual o excremento sai e é coletado em uma bolsa aderida à pele.

13) Se a cirurgia for necessária para tratar a Colite Ulcerativa, a Ilestomia é inevitável?

Recentes tipos de cirurgias, nas quais se cria uma bolsa de íleo no interior do abdome para coletar as fezes, existem. Com elas, torna-se desnecessário o uso da bolsa.

Uma delas consiste em uma ileostomia “continente”, na qual se constrói uma bolsa de íleo dentro da parede do abdome, devendo ser esvaziada regularmente através de um pequeno tubo que ultrapassa a “válvula”.

A anastomose íleo-anal é outro tipo de cirurgia, nela se conserva o reto (elimina-se apenas a capa de mucosa interna), que passa a ficar unido a uma bolsa feita com íleo.

Isto permite ao paciente evacuar normalmente, preservando o uso dos músculos retais.

14) Dieta é importante na Doença de Crohn e na Colite Ulcerativa?

A boa nutrição é essencial em qualquer enfermidade crônica, mas especialmente nessas doenças em que se observam a redução do apetite, diarreia e às vezes má absorção de alimentos.

Esses fatores que prejudicam a assimilação de fluidos, nutrientes, vitaminas e minerais pelo corpo, porém, mesmo que a alimentação não seja a causa dessas doenças, deve cuidar da dieta.

As comidas suaves e brandas são menos agressivas do que a as comidas condimentadas ou ricas em fibras, quando a doença está na fase ativa para o organismo.

Com exceção da restrição ao leite em pacientes com intolerância a lactose. Muitos gastroenterologistas tendem a ser liberais nas dietas de pacientes portadores dessas doenças.

15) Podem as pessoas com DII desenvolver câncer?

O câncer do cólon e reto é frequente na população mundial. Estudos até mostram que pessoas que pessoas que tenham tido Colite Ulcerativa que atinja todo o cólon e, por períodos não menos que 8 a 10 anos correm um risco significativo de desenvolver câncer.

Já os pacientes de Proctite Ulcerativa não parecem ter risco aumentado de câncer. Mesmo que estudos em pessoas com Doença de Crohn do cólon não serem numerosos ou completos, acredita-se que o risco de câncer nesses pacientes é menor que na Colite Ulcerativa.

Nos dois casos (colite Ulcerativa e Doença de Crohn), o risco de câncer parece estar associado à doença de longa duração que acomete o cólon em geral.

O câncer do intestino delgado, em geral, é extremamente raro. Apesar do risco de seu aparecimento nos casos de longa duração da Doença de Crohn, o número de casos é muito pequeno.

16) O que se pode fazer para detectar o câncer de cólon?

É ideal realizar um enema-opaco e/ou uma colonoscopia, mesmo com a doença inativa, em intervalos regulares de 1 ou 2 anos.

Durante a colonoscopia, pequenos fragmentos de mucosa devem ser removidos para serem examinados por um patologista (biópsia). Este procedimento ajuda a detectar alterações microscópicas na estrutura celular, que podem ser pré-malignas (displasia epitelial).

Caso seja observada uma displasia epitelial acentuada, existe uma forte possibilidade de desenvolvimento de câncer em algumas partes do cólon. É por essa razão que muitos médicos recomendam a proctocolectomia.

17) É possível viver uma vida normal sendo portador de uma DII?

Sim, pois mesmo que sejam enfermidades crônicas, as DII não são consideradas doenças fatais. A maioria dos pacientes que padecem dessas enfermidades podem ter vida útil e produtiva.

Porém, alguns dos pacientes precisam de hospitalização nos períodos de maior atividade da doença. Nos períodos de exacerbação da moléstia, muitos pacientes sentem-se confortáveis, ficando relativamente livres dos sintomas e levando uma vida totalmente normal.


A doença de Crohn é mais comum em pessoas caucasianas, fato que faz ter maior frequência na Inglaterra, EUA e países escandinavos. Nos EUA, é mais comum nos judeus do que nos não-judeus. A prevalência da doença nos Estados Unidos é de 7 casos por 100 mil indivíduos, na Europa, na África do Sul e na Austrália a prevalência encontra-se em torno de 0,9 a 3,1 casos por 100 mil indivíduos, e na América do Sul e na Ásia a prevalência fica em torno de 0,5-0,8 casos por 100.000 indivíduos.

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Referências

http://abcd.org.br/sobre-a-doenca-de-crohn/
http://www.minhadii.com.br/saiba-mais-sobre-dii/o-que-e-doenca-de-crohn
https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_de_Crohn
https://drauziovarella.com.br/dependencia-quimica/tabagismo/doenca-de-crohn-2/
https://www.bio.fiocruz.br/index.php/doenca-de-crohn-sintomas-transmissao-e-prevencao
https://www.abcdasaude.com.br/gastroenterologia/doenca-de-crohn
http://www.proctos.pt/Tratamentos/Doen%C3%A7adeCrohn/tabid/93/Default.aspx
http://www.fleury.com.br/saude-em-dia/dicionarios/doencas/pages/doenca-de-crohn.aspx
http://www.criasaude.com.br/N5557/doencas/doenca-de-crohn.html

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10 Comentários

  1. Oi meu nome é Andrea, tenho doença de crohn há 21 anos. Sofro muito com essa doença, estou tomando todas as medicações que existe para o crohn e mesmo assim não estou conseguindo melhorar, sou uma pessoa muito nervosa, acho que isso pode ser um dos motivos que não consigo melhorar, mais tenho fé em Deus que um dia vou conseguir controlar essa doença.. Gostei muito das informações, parabéns!!

  2. Descobri a doença de Crohn em julho 2016. Faço tratamento com Dr. Fabiano. Estou em remissão clínica e laboratorial. Faço uso do medicamento imfliximabe 100mg, infusão de 8/8semanas. O meu médico vai aumentar para 6/6meses a infusão. Graças a Deus faço jiu-jitsu, trabalho como agente de segurança publica. Sei que o estresse é meu inimigo. Faço o possível e impossível para não estressar. Caminho e pratico artes marciais. Engordei uns 8 kilos, agora vou entrar na dieta. Não tenho restrições alimentares, mas evito gorduras, manteigas, carnes de boi e sem condimentos. Graças a Deus minha esposa só usa alho e eu adoro. E muito legumes cozidos e feijão batido e pouco sal e óleo de girassol e bastante azeite. Como biscoito integral e pão de forma integral, frutas que não prendam o intestino e bastante água. Não bebo e fumo, graças a Deus. Que o Senhor abençoe meu médico.

  3. Meu irmão descobriu a doença do crohn aos 21 anos de idade mas antes passou por vários especialistas que não sabiam dizer ao certo que doença ele tinha.A doença veio agressiva passou meses internado.Saia e voltava do hospital e assim se passou 12 anos com essa doença fez cirurgias o uso da colostomia e mesmo assim em 02/12/2008 veio o falecer aos 33 anos deixando seus filhos um com 3 anos e um com 7 meses.Hoje ja se passarão 10 anos mas não a um dia se quer que eu me esqueça de tudo que ele passou e passamos juntos com ele.Por isso digo quem tem essa doença faça as recomendações médicas e hoje está tudo mais esclarecido do que a 10 anos atrás e como eu disse nem sabia ao certo oque ele tinha,somente depois de um bom período e equipes médicas juntos chegarão a esse diagnóstico.Mas hoje para os portadores da doença do crohn existem muitos recursos e mais conhecimento.Quero deixar claro aqui que esse meu desabafo não foi para magoar ninguém foi para dizer que eu tive alguém com a doença de crohn na família e que não tínhamos nenhuma informação sobre a doença.

  4. Oi meu nome é Evelyn ,tenho 36 anos …descobri a doença de Crohn desde 2010 ,no decorrer do crohn eu fiquei cega ,tive várias crises ,uma das médicas que passou em minha vida ,me disse que tenho 10 anos de vida (isso em 2010) ,hj estou a oito anos com essa doença ,estou bem,porém apareceu fístula no meu intestino,tenho vida super ativa ,trabalho,tenho filhos e sinceramente não sei o que fazer !!!
    Estou confiante ,minha esperança é a única que morrerá pq não quero em hipotese alguma colocar bolsa de colostomia ,isso pra mim seria a morte . 🙁

  5. Eu tenho doença de Crohn há sete anos e gostaria de saber se ele interfere na absorção do anticoncepcional? Lembrando que estou tendo uma recindiva no momento. Desde já agradeço a atenção.

    • Olá!

      As interações entre medidas de tratamento devem ser esclarecidas com seu médico. Existem diversos tipos de anticoncepcionais, com diferentes princípios ativos, por isso é importante que você busque auxílio e esclareça suas dúvidas com o profissional responsável pelo seu acompanhamento.

  6. Nossa muito bem explicado…com um texto de termos fácil de se entender …muito obrigada…eu tive síndrome do cólon irritável quando pequena ,será que com o tempo pode virar síndrome do crown ?pois tive várias recaídas parecidos com esses sintomas da síndrome do crown…se puderem me responder desde já agradeço a gentileza…E achei muito importante o que vocês frisaram que não se deve fazer a automedicação ,pois isso na verdade omite a verdadeira causa de uma doença ainda não diagnosticada …Assim a autofará um tratamento inútil e arriscado por prejudicar outros órgãos …O que é bom pra um ,não é o mesmo caso de outros…um simples remédios para alívio da dor esconde o que a realmente causa…muito obrigada 🙏

    • Olá!

      Muito obrigado pelo comentário! Entretanto, por questões legais, não podemos fornecer conselho médico individual. Procure um gastroentrerologista ou um enterólogo para um diagnóstico. Ele é o profissional mais habilitado para avaliar seu caso.

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