O que é fissura anal?

A fissura anal é caracterizada por um pequeno corte ou rachadura no revestimento do ânus, que provoca dor e/ou sangramento durante os movimentos intestinais. Essa é uma condição comum e de autodiagnóstico na maioria dos casos.

Os sintomas podem se apresentar em quadros agudos ou crônicos. No primeiro caso, a cura acontece em curto prazo (quatro a seis semanas) com a ajuda de alguns cuidados em casa. Já em situações de fissura anal crônica, um tratamento médico ou até mesmo uma cirurgia podem ser necessários.

Qual a relação entre prisão de ventre e fissura anal?

As pessoas que sofrem de constipação intestinal ou prisão de ventre apresentam maiores chances de desenvolver a doença. Isso porque as fezes endurecidas ou muito grandes no momento da evacuação podem causar um trauma na mucosa do ânus, resultando em uma fissura anal.

Índice — neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é fissura anal?
  2. Qual a relação entre prisão de ventre e fissura anal?
  3. Tipos de fissura anal
  4. Causas da fissura anal
  5. Grupos de risco
  6. Sintomas
  7. Qual a diferença entre hemorroida e fissura anal?
  8. Quando devo procurar um médico?
  9. Como é feito o diagnóstico da fissura anal?
  10. Fissura anal tem cura? Qual o tratamento?
  11. Medicamentos para fissura anal
  12. Pomadas para fissura anal
  13. Convivendo
  14. Complicações
  15. Como prevenir a fissura anal?

Tipos de fissura anal

Os fatores que diferenciam os tipos de fissura anal são basicamente o tempo de cicatrização da ferida e a evolução do quadro.

Veja a seguir quais são os tipos da doença:

Fissura anal aguda

Esses casos são os mais comuns e podem se desenvolver em qualquer idade. Para ser considerada aguda, a fissura anal é representada por um corte superficial e doloroso ao toque. Sua cicatrização costuma ocorrer em no máximo oito semanas.

Fissura anal crônica

Nos casos crônicos a fissura se torna uma úlcera que pode ser facilmente observada pelo médico. A lesão se mostra profunda e com bordas endurecidas. Há também o surgimento de plicoma sentinela (excesso de pele na região anal) e, em alguns casos, papilite (inflamação de glândulas no canal anal).


Os quadros de fissura anal crônica apresentam um longo histórico e maior tempo de evolução.

Causas da fissura anal

As fissuras anais são provocadas por traumas no ânus ou no revestimento anal e ocorrem geralmente em um movimento intestinal.

Em homens e mulheres, as feridas geralmente estão localizadas na linha mediana posterior do canal anal, parte mais próxima da coluna vertebral. Isso ocorre devido à configuração do músculo que envolve o ânus (esfíncter anal). Por possuir um formato oval, a parte posterior desse complexo muscular é mais frágil. Já as feridas localizadas na parte anterior costumam ocorrer nas mulheres devido à localização da vagina em homens a probabilidade é de apenas 1%.

As causas mais comuns da doença são:

  • Constipação (prisão de ventre) ou tensão durante a evacuação;
  • Evacuação de fezes duras e muito grandes;
  • Diarreia frequente;
  • Inserção de termômetro retal, ponta de enema, endoscópio ou sonda de ultrassom (para examinação da próstata);
  • Sexo anal;
  • Inflamação da área retal, provocada pela doença de Crohn ou outra doença inflamatória intestinal como a retocolite ulcerativa;
  • Esforço durante o parto o traumatismo da pele entre a vagina e o ânus (períneo) pode provocar uma fissura;
  • Pós-operatório de cirurgias da região anal (hemorroidas, fístulas, etc).

Se a ferida está localizada em uma região diferente da linha média posterior ou anterior, é possível que a causa da doença esteja relacionada à outro problema.

Em casos mais raros, a ferida pode ser decorrência de:

  • Doenças sexualmente transmissíveis (sífilis, herpes, aids, cancro mole etc.);
  • Leucemia;
  • Tuberculose;
  • Câncer do canal anal.

Grupos de risco

Existem alguns grupos mais propensos a desenvolver a fissura anal. São eles:

  • Crianças (especialmente durante o primeiro ano de vida);
  • Idosos (adultos mais velhos possuem uma circulação mais lenta, o que resulta em uma diminuição do fluxo sanguíneo para a área retal);
  • Pessoas que sofrem de prisão de ventre (a constipação provoca o endurecimento das fezes, o que pode causar traumas no revestimento do ânus);
  • Parturientes (o esforço durante o parto pode provocar fissuras anais);
  • Pessoas com doença de Crohn (a inflamação no revestimento intestinal torna o tecido ao redor do ânus mais propenso a rasgar).

Sintomas

Os principais sintomas da doença são a dor e o sangramento. É comum o paciente se queixar de dores intensas durante e após a evacuação. Além disso, pode haver também o surgimento de sangue no vaso sanitário ou no papel higiênico.

Outros sintomas da fissura anal são:

  • Desconforto anal ao sentar;
  • Coceira e ardência após evacuar;
  • Pequena rachadura visível na pele ao redor do ânus;
  • Comichão ou irritação ao redor do ânus;
  • Um pequeno caroço ou marca de pele ao redor da fissura;
  • Prurido anal.

O sangramento decorrente de uma fissura anal possui um aspecto vermelho brilhante. Caso a coloração do sangue seja mais escura e misturada às fezes, o problema pode ser considerado mais grave. Busque ajuda médica imediatamente.

Qual a diferença entre hemorroida e fissura anal?

Alguns sintomas da fissura anal podem ser facilmente confundidos com hemorroida. Mas apesar das duas doenças se manifestarem no canal anal, existem condições que podem diferenciá-las.

Primeiramente, é preciso entender o que são hemorroidas: vasos sanguíneos dilatados localizados no revestimento do ânus. Já a fissura anal, como dito anteriormente, se trata de uma rachadura no tecido cutâneo da região. Ambas as patologias podem provocar sangramento e dor na evacuação, mas casos de dor recorrente costumam se tratar de fissura anal crônica.

Outras condições anorretais como o prurido, abscesso e fístula podem apresentar sintomas semelhantes. A melhor maneira de diferenciá-las é por meio do exame físico. Portanto, busque ajuda médica para um diagnóstico e tratamento correto.

Quando devo procurar um médico?

Procure ajuda médica sempre que tiver dor ou sangramento durante ou após a evacuação. Mesmo que a cicatrização da fissura aconteça espontaneamente, é importante buscar orientação casos os sintomas persistam.

Como é feito o diagnóstico da fissura anal?

O diagnóstico da doença pode ser feito a partir da análise dos sintomas e da observação da área ao redor do ânus, já que o corte ou rachadura é, na maioria das vezes, visível. Em alguns casos, o médico — geralmente, um proctologista — poderá solicitar um exame retal para confirmar o diagnóstico. Entretanto, esse método pode ser evitado por ser bastante doloroso ao paciente em algumas situações.

A partir da localização da fissura, o médico poderá encontrar as possíveis causas da doença. Se a rachadura aparece ao lado da abertura anal, existe uma maior chance de que o paciente esteja com uma condição subjacente. Nesse caso, o profissional pode solicitar os seguintes exames:

  • Colonoscopia: exame que insere um tubo flexível no reto para inspecionar o cólon e verificar a presença de doença inflamatória intestinal, como a doença de Crohn.
  • Sigmoidoscopia: exame que insere um tubo fino e flexível pelo reto, para analisar a parte     inferior do cólon.
  • Gastrointestinal Superior (UGI): teste de raio-x utilizado para examinar as seções superior e médio do trato gastrointestinal.
  • Eletromanometria anorretal: exame que analisa o funcionamento da musculatura ao redor do ânus, usado para auxiliar o diagnóstico de fissura anal como manifestação     de doença inflamatória.

Fissura anal tem cura? Qual o tratamento?

A fissura anal é uma doença tratável, que tende a desaparecer sozinha em um período de quatro a seis semanas. Na maioria dos casos (fissuras anais agudas), o tratamento é feito sem a necessidade de intervenção cirúrgica.

Tratamento clínico

Inicialmente, o tratamento é feito de maneira clínica com a ajuda de alguns métodos caseiros:

  • Banho de assento com água morna;
  • Ajuste da dieta com maior ingestão de fibras e líquidos;
  • Consumo temporal de laxantes (sob recomendação médica).

É possível ainda que o especialista recomende a aplicação de um anestésico injetável na zona retal para facilitar a cicatrização. Esses métodos conservadores costumam apresentar uma taxa de 90% de cura.

Em último caso, injeções de botox podem ser aplicadas para paralisar temporariamente os músculos da região. Entretanto, vale ressaltar que esse método apresenta a incontinência fecal como complicação mais comum.

Como fazer banho de assento para fissura anal

Para fazer um banho de assento você vai precisar de:

  • Banheira, bacia rasa ou assento sanitário;
  • Água morna (temperatura entre 30 e 40 ºC);
  • Sal ou bicarbonato de sódio (opcional, verifique com seu médico).

Siga os passos a seguir:

  1. Encha a banheira, bacia ou assento sanitário com a água morna e adicione o sal ou bicarbonato de sódio, se for o caso. A quantidade de água deve ser suficiente para cobrir as nádegas e o quadril.
  2. Encaixe o recipiente sobre o vaso sanitário para que fique mais confortável. Se não for possível, coloque-o no chão.
  3. Sente-se com as pernas para fora e os pés apoiados no chão. Permaneça nessa posição por 15 a 30 minutos.
  4. Ao terminar o banho de assento, seque a área dando batidinhas com uma toalha limpa de algodão.

Esse procedimento pode ser feito de 2 a 4 vezes ao dia.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia de fissura anal é chamada de esfincterotomia anal. Esse procedimento consiste no corte de uma pequena porção do músculo de revestimento anal, com o intuito de reduzir o espasmo e a dor, e promover a cura.

De acordo com estudos, o tratamento cirúrgico é muito mais eficaz do que qualquer outro. Em contrapartida, essa cirurgia pode acarretar em incontinência fecal e levar à incapacidade de controle na saída de gases, escape fecal leve e até mesmo perda de fezes sólidas.

Em que casos é preciso de cirurgia?

Em quadros de fissura anal crônica, em que não houve cicatrização após tratamento clínico, a cirurgia pode ser recomendada.

Quando o paciente sofre de outras doenças anais, como a hemorroida, existe também a possibilidade de indicação de tratamento cirúrgico.

Medicamentos para fissura anal

Alguns tipos de medicamentos costumam ser combinados com cremes anestésicos para facilitar a cicatrização e diminuir a dor, são eles:

  • Esteroides: ajudam a reduzir a inflamação e são recomendados especialmente antes de um movimento intestinal.
  • Nitroglicerina: provoca o relaxamento do esfíncter anal interno e diminui a pressão de repouso anal.
  • Bloqueadores de canais de cálcio: auxiliam a relaxar os músculos do esfíncter interno e a aumentar o fluxo sanguíneo na região anal.

Pode haver ainda a prescrição de laxantes para favorecer a eliminação das fezes e analgésicos (como o Paracetamol e Ibuprofeno), em casos de dor prolongada.

Pomadas para fissura anal

As pomadas comumente indicadas por especialistas para o tratamento das fissuras são:

As pomadas com propriedades cicatrizantes como a Bepanthene, Bepantol ou Hipoglós também podem ser utilizadas no tratamento.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Confira algumas dicas e medidas para aliviar os sintomas da doença e acelerar o processo de cicatrização.

  • Insira fibras na sua dieta! Alimentos como as frutas, legumes e cereais integrais ajudam a regular o intestino e evitar a constipação. A ingestão diária recomendada de fibras está entre 20 e 40 gramas.
  • Beba bastante água! Juntamente com as fibras, a hidratação ajuda a amolecer as fezes. O ideal é beber entre 1,5 a 2 litros de água por dia.
  • Não force a evacuação e não tenha pressa na hora de evacuar! O esforço pode provocar novas fissuras. Aumente a quantidade de fibras e líquidos para facilitar a evacuação.
  • Pratique exercícios físicos regularmente! Alguns minutos de atividade todos os dias ajudam a favorecer os movimentos intestinais e aumentar o fluxo sanguíneo em todas as partes do corpo.
  • Substitua o papel higiênico por lenços umedecidos! Os lenços são menos agressivos à pele ferida.

Complicações

Em algumas situações, o paciente pode apresentar:

  • Falha na cicatrização (fissuras anais que não são curadas dentro de seis semanas são consideradas crônicas, o que pode acarretar na necessidade de intervenção cirúrgica);
  • Recorrência (ao desenvolver uma fissura anal, a chance de ter a doença novamente é maior);
  • Extensão da ferida até os músculos adjacentes (isso torna a fissura mais difícil de curar, o que pode desencadear um ciclo de desconforto e a necessidade de cirurgia).

As fissuras anais podem provocar câncer de cólon?

As fissuras anais não aumentam o risco e nem causam o câncer de cólon. Entretanto, alguns sintomas semelhantes da doença podem ser provocados por condições mais graves. Por esse motivo, os casos de sangramento retal devem ser bem investigados.

Como prevenir a fissura anal?

Para diminuir o risco da doença, você deve evitar os fatores desencadeantes, como a constipação (prisão de ventre). Alguns hábitos e comportamentos podem ajudar:

Tenha uma alimentação equilibrada e rica em fibras

Uma vez que as fibras ajudam a regular o intestino e são a melhor maneira de evitar a constipação, é importante que elas estejam presentes na sua alimentação regularmente.

Para combater a prisão de ventre de forma efetiva, dê preferência aos alimentos com fibras insolúveis, como: ervilha, amendoim, lentilha, feijão, aveia, cevada, laranja, batata doce, abacate, semente de linhaça, entre outros.

Evite frituras e alimentos ricos em gordura

A gordura presente nos alimentos dificulta a digestão e tende a causar a sensação de estômago pesado. As frituras são pobres em fibras e ricas em gorduras, e por isso também devem ser evitadas.

Evite o excesso de açúcar e sódio na alimentação

Refrigerantes (em todas as versões), xaropes, bolachas e biscoitos devem ser evitados. Esses alimentos costumam ser ricos em açúcar e/ou sódio e podem prejudicar o funcionamento do intestino.

Beba bastante água

Beber de 1,5 a 2 litros de água por dia juntamente com a ingestão de fibras permite que as fezes fiquem mais volumosas e menos endurecidas. Isso vai facilitar o processo de evacuação.

A quantidade de água recomendada por dia depende de alguns fatores, como: nível de atividade física, peso, metabolismo, dieta, consumo de álcool. Consulte seu médico para uma avaliação correta.

Consuma iogurte diariamente

Os iogurtes contêm bactérias probióticas benéficas à saúde que atuam no equilíbrio da flora intestinal e em disfunções, como a diarreia e a constipação. É importante que o consumo seja feito juntamente com fibras para que o efeito de ambos seja potencializado.

Mastigue os alimentos corretamente

Ao mastigar os alimentos lentamente, a digestão e a absorção de nutrientes é favorecida. Isso faz com que os alimentos cheguem até o estômago e, posteriormente, ao intestino de forma mais leve. Esse hábito pode evitar o surgimento de diversos distúrbios como os gases e o desconforto abdominal.

Pratique exercícios regularmente

Os movimentos intestinais são favorecidos quando praticamos uma atividade física regularmente. A prática de exercícios durante 30 minutos por dia pode manter o bom funcionamento do intestino e evitar a constipação.

Trate imediatamente um caso de diarreia

Os casos de diarreia prolongada podem promover a irritação ou lesão da mucosa anal. Isso facilita o surgimento das fissuras. Outras lesões anorretais como as hemorroidas também podem provocar a doença.

Mantenha a área anal seca

Procure deixar a região do ânus sempre limpa e seca. Essa recomendação é importante, pois ajuda a evitar o surgimento de outros distúrbios anorretais. Utilize um pedaço de algodão para evitar a umidade e evite o uso de toalhas ásperas.

Fissura anal em crianças

Para evitar o surgimento das feridas nos bebês, troque as fraldas regularmente. Esse processo ajudará a manter a região limpa e seca, além de prevenir assaduras.


Uma alimentação equilibrada aliada à prática regular de atividades físicas pode diminuir os riscos de desenvolver a fissura anal. Procure sempre manter hábitos saudáveis e, no caso de surgimento da doença, siga corretamente o tratamento.

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