Diabetes tipo 2: o que é, causas, sintomas, tratamento, tem cura?

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O que é diabetes tipo 2?

A diabetes tipo 2 é uma doença metabólica que provoca o aumento do nível de açúcar no sangue (hiperglicemia). O paciente que desenvolve essa patologia apresenta incapacidade de produzir insulina suficiente e resistência aos efeitos desse hormônio.

A insulina é responsável por regular a entrada do açúcar (glicose) nas células do corpo. Por esse motivo, pessoas com diabetes possuem diversas restrições na alimentação, a fim de evitar complicações de saúde.

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Apesar de ser considerada uma condição médica grave, o tratamento correto aliado à hábitos saudáveis pode prevenir os efeitos colaterais da doença.

Índice neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é diabetes tipo 2?
  2. Como a insulina funciona?
  3. Hiperglicemia e hipoglicemia: qual a diferença?
  4. Qual a importância da glicose no organismo?
  5. Entenda a diferença entre as diabetes 1 e 2
  6. Causas da diabetes tipo 2
  7. Epidemiologia
  8. Transmissão: a diabetes é contagiosa?
  9. Fatores de risco
  10. Sintomas
  11. Quando devo procurar um médico?
  12. Como é feito o diagnóstico?
  13. A diabetes tipo 2 pode afetar crianças?
  14. Diabetes tipo 2 tem cura? Qual o tratamento?
  15. Tratamento com insulina
  16. Medicamentos
  17. Convivendo
  18. Viagem e diabetes: dicas e cuidados
  19. Perguntas frequentes
  20. Complicações
  21. Como prevenir a diabetes tipo 2?

Como a insulina funciona?

Esse hormônio secretado pelo pâncreas atua diretamente no controle da glicemia no sangue. Ao transportar a glicose para dentro das células, a insulina retira o açúcar da corrente sanguínea. Quando a secreção de insulina não ocorre ou é reduzida, o indivíduo desenvolve a diabetes.

Hiperglicemia e hipoglicemia: qual a diferença?

Para entender a diabetes é importante compreender os termos hiperglicemia e hipoglicemia. Essas condições dizem respeito aos níveis de açúcar no sangue (glicose). Quando há excesso de glicose nas células do corpo, o indivíduo apresenta um quadro de hiperglicemia. Já a hipoglicemia ocorre no processo inverso, quando há baixa de açúcar no sangue.

Em ambos os casos, os diabéticos podem desenvolver quaisquer um dos quadros ao realizar um tratamento com insulina.

Qual a importância da glicose no organismo?

A glicose é um açúcar monossacarídeo considerado a principal fonte de energia para o organismo. Sua entrada nas células do corpo acontece com a ajuda da insulina.

É importante entender também o papel do fígado nesse processo. O órgão é responsável por armazenar glicose sob a forma de glicogênio, de maneira que o libera à medida que o organismo necessita.

Caso seu nível de glicose esteja baixo (hipoglicemia), o fígado entrará em ação e liberará mais glicose para manter seu nível de açúcar normal. Em situações de diabetes tipo 2, esse processo é dificultado, provocando um excesso de glicose na corrente sanguínea (hiperglicemia).

Entenda a diferença entre as diabetes 1 e 2

Os tipos de diabetes se diferem especialmente em relação à secreção de insulina no organismo. No caso da diabetes tipo 1, uma doença autoimune, o mau funcionamento do pâncreas faz com que não haja produção de insulina. Já na diabetes tipo 2, que representa a grande maioria dos casos, ocorre produção insuficiente e resistência ao hormônio.

Os fatores de risco também podem interferir nos tipos de diabetes. No tipo 1, existe a relação genética e o diagnóstico geralmente ocorre durante a infância ou adolescência. No tipo 2, a doença comumente está relacionada à outros fatores, como o sedentarismo e a obesidade.

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Causas da diabetes tipo 2

Em pessoas com diabetes tipo 2, o organismo apresenta níveis insuficientes de insulina produzida pelo pâncreas, além de má assimilação do hormônio pelas células do corpo (resistência à insulina). Isso faz com que os níveis de glicose, ou açúcar no sangue, fiquem elevados.

Os diversos desequilíbrios no organismo acontecem devido às células de gordura dos músculos e do fígado não responderem corretamente à insulina.

As principais causas da doença estão relacionadas ao estilo de vida do paciente, como a má alimentação, sedentarismo e fumo. Em alguns casos, o fator hereditário pode ter influência.

Epidemiologia

Atualmente, a diabetes tipo 2 corresponde a cerca de 90% dos casos de diabetes em todo o mundo. A doença, anteriormente considerada adulta, se mostra cada vez mais comum em jovens e crianças. Somente no Brasil são registrados mais de 2 milhões de casos todos os anos.

A doença é bastante comum em países que possuem altas taxas de obesidade e populações com estilos de vida menos saudáveis. Outro fator contribuinte é a idade. Adultos com 40 anos ou mais são mais propensos a desenvolver a diabetes tipo 2, além do fato da prevalência da doença aumentar com o avanço da idade.

Transmissão: a diabetes é contagiosa?

Esse é um mito que deve ser esclarecido: a diabetes não é uma doença contagiosa! Não existe a possibilidade de contrair a doença por meio do contato direto ou indireto com um diabético. É importante ressaltar, porém, que a doença pode ser recorrência de herança genética, especialmente nos casos do tipo 1.

Fatores de risco

A diabetes tipo 2 pode atingir qualquer pessoa, mas certos fatores aumentam o risco da doença.

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Excesso de peso

A obesidade e o sobrepeso são fatores de risco primários. O excesso de tecido adiposo aumenta a resistência das células à insulina.

Sedentarismo

Além de ajudar no controle de peso, a prática regular de exercícios físicos torna as células mais sensíveis à insulina e usa a glicose como fonte de energia.

Distribuição de gordura

Excesso de gordura localizada no abdômen aumenta o risco de desenvolver a doença.

Histórico familiar

O risco é maior se há casos de diabetes tipo 2 em parentes de primeiro grau. As chances aumentam em 75% se ambos os pais tiverem a doença (British Medical Journal).

Idade

Adultos com mais de 40 anos são os mais atingidos pela diabetes tipo 2. Isso pode ocorrer devido ao sedentarismo, perda de massa muscular e ganho de peso decorrentes do envelhecimento.

Pré-diabetes

Esse são os pacientes que apresentam potencial para desenvolver a diabetes. Como o nível de açúcar no sangue é maior do que o normal nesses casos, é possível que o quadro progrida para uma diabetes tipo 2.

Diabetes gestacional

Se você desenvolver diabetes gestacional durante uma gravidez anterior, as chances de desenvolver o tipo 2 da doença aumentam.

Hipertensão, maus hábitos alimentares, níveis elevados de colesterol e tabagismo também contribuem para o surgimento da doença.

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Sintomas

Os sintomas da doença podem surgir depois de anos, uma vez que os sinais da diabetes tipo 2 se desenvolvem lentamente. Fique atento caso apresente as seguintes condições:

  • Aumento da sede e vontade frequente de urinar;
  • Fome constante;
  • Perda de peso;
  • Cansaço extremo;
  • Visão embaçada;
  • Feridas de cicatrização lenta;
  • Infecções fúngicas frequentes;
  • Manchas escuras na pele, especialmente no pescoço, axila e virilha;
  • Formigamento nos pés e furúnculos;
  • Dor de cabeça;
  • Disfunção erétil (impotência).

Quando devo procurar um médico?

Como os sinais da doença geralmente demoram a aparecer, busque ajuda médica assim que você notar qualquer um dos sintomas acima. Pessoas que fazem parte dos grupos de risco devem ficar mais atentas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da doença é feito por um endocrinologista e pode ser confirmado por meio de exames que irão detectar possíveis alterações na taxa de glicemia do paciente. São eles:

Hemoglobina glicada (HbA1c)

Esse exame de sangue mede a concentração média de glicose ligada à hemoglobina durante dois ou três meses a hemoglobina é uma proteína que age no transporte de oxigênio nos glóbulos vermelhos. O teste dispensa o jejum e apresenta a vantagem de não considerar as flutuações de glicemia que ocorrem de um dia para o outro.

A regra é simples: quanto maior os níveis de açúcar no sangue, maior será a porcentagem de hemoglobina glicada.

Valores de referência:

  •  Entre 5,7 e 6,4%: pré-diabetes.
  •  Acima de 6,5%: diabetes (com confirmação posterior).

Glicemia em jejum

Método mais comum para o diagnóstico da diabetes, o teste mede a taxa de glicose sanguínea após um período mínimo de 8 horas de jejum. É inclusive utilizado em conjunto com o tratamento da doença, para a monitoração dos níveis de açúcar.

Valores de referência:

  • Inferior a 100 mg/dl: normal.
  • Entre 100 a 125 m/dl: pré-diabetes.
  • Igual ou superior a 126 mg/dl: diabetes (com confirmação posterior).

Curva glicêmica (teste oral de tolerância à glicose)

Esse exame é realizado em etapas e serve para medir periodicamente a taxa de glicose no organismo. É necessário um jejum de no mínimo 8 horas para que seja realizada a primeira coleta de sangue. Em seguida, será solicitado ao paciente a ingestão do xarope de glicose (75g) para a retirada de amostras ao longo de 2 horas.

Valores de referência:

  • Inferior a 140 mg/dl: considerado normal.
  • Entre 140 e 199 mg/dl: pré-diabetes.
  • Valor igual ou superior a 200 mg/dl: diabetes (com confirmação posterior).

Teste aleatório de glicose plasmática

Uma coleta de sangue será realizada em um momento aleatório, a fim de medir a concentração de glicose no sangue. Nesse caso, o resultado não considera o que foi consumido durante a última refeição. A doença será confirmada em conjunto com a análise de sintomas do paciente.

Valores de referência:

  •  Igual ou superior a 200 mg/dl: diabetes (com confirmação após exame de glicemia em jejum ou curva glicêmica).

A diabetes tipo 2 pode afetar crianças?

Como dito anteriormente, é cada vez mais comum surgirem casos da doença em crianças. E a principal causa disso está relacionada ao aumento das taxas de obesidade infantil. Ao apresentar excesso de peso, as chances de ter diabetes são duas vezes maiores nas crianças.

Diabetes tipo 2 tem cura? Qual o tratamento?

A diabetes é uma doença que ainda não possui cura definitiva. Seu tratamento requer um acompanhamento multidisciplinar e inclui medidas para manter os níveis de glicose no sangue em taxas normais e evitar qualquer complicação.

Dieta controlada

Muitos pacientes que sofrem com a doença costumam se perguntar o que podem comer, mas ao contrário do que pensam, não existe uma dieta específica para a diabetes. Todos os alimentos são permitidos. É necessário, porém, um cuidado rigoroso na alimentação, especialmente em relação ao índice glicêmico (IG) dos alimentos. Aqueles com baixo IG são absorvidos mais lentamente no organismo e ajudam a controlar o nível de açúcar no sangue. Por esse motivo, devem ser incluídos em maior quantidade nas refeições.

Os diabéticos devem priorizar alimentos ricos em fibra e com baixo teor de gordura, como frutas e vegetais. Além disso, é importante limitar ao máximo os açúcares presentes nos doces e carboidratos simples. Uma dica importante é fazer a contagem de carboidratos por meio de anotações ou aplicativos de celular.

Um nutricionista ou médico nutrólogo poderá auxiliar o paciente no processo de reeducação alimentar e elaborar uma dieta específica de acordo com as necessidades, preferências e estilo de vida de cada um.

Exercício regular

A prática de exercícios físicos regulares ajuda a reduzir as taxas de glicemia, além de favorecer o emagrecimento. Porém, antes de iniciar qualquer atividade, o paciente deve consultar um médico para verificar qual é a opção mais apropriada. A recomendação mínima é de 30 minutos de atividade moderada, três vezes por semana. Pequenas mudanças de hábito, como trocar o elevador pela escada, podem ser uma boa maneira de começar.

Vale ressaltar que a atividade física baixa o açúcar no sangue. Por isso, é importante verificar a taxa de glicemia e fazer um lanche antes de se exercitar, para prevenir um quadro de hipoglicemia.

Controle e verificação da glicemia

Esse procedimento é fundamental no tratamento da doença. A partir do monitoramento da glicemia, será possível entender como o nível de açúcar no sangue responde aos alimentos, exercícios físicos, medicamentos e sintomas. A medição pode ser feita em casa por meio de glicosímetros, sistemas portáteis de monitorização da glicose, que fornecem a concentração exata de açúcar no sangue do paciente. O aparelho deve ser adquirido e utilizado com orientação médica.

Outro fator importante a ser considerado é a meta glicêmica. Ela será determinada durante consulta médica e servirá como referência para identificar taxas altas e baixas de glicose no sangue, antes de causar problemas. Esse valor é individual e varia de acordo com as características fisiológicas, estilo de vida e estado de saúde de cada paciente.

À cada medição, é importante anotar os resultados para levá-los ao médico durante as consultas regulares. Existem também algumas situações que devem ser relatadas ao profissional de saúde:

  • Taxas de glicemia acima de 300 mg/dl por mais de dois dias;
  • Taxas de glicemia entre 70 e 80 mg/dl mais de duas vezes por dia;
  • Quadros de hipoglicemia em que houve necessidade de ajuda de outra pessoa;
  • Recorrência de quadros de hipoglicemia sem explicação na mesma semana;
  • Surgimento de qualquer doença acompanhada de náuseas, vômitos, diarreia ou febre.

Como fazer a verificação com o monitor de glicemia?

  1. Limpe bem o dedo, ou o local escolhido para a medição, com álcool 70%. Deixe secar antes de furar a região.
  2. Para inserir a tira do teste no local indicado, siga as instruções do aparelho.
  3. Coloque a lanceta no lancetador e fure o local de medição.
  4. Coloque uma pequena gota de sangue em uma tira de teste.
  5. Aguarde o tempo necessário até que o medidor faça a leitura do nível de glicose no sangue.

Evite fazer saunas e escalda pés

Por se tratar de uma doença que afeta o metabolismo, o paciente que sofre com a diabetes apresenta problemas de circulação e tem os vasos sanguíneos comprometidos. Por esse motivo, diabéticos devem evitar saunas e escalda pés, já que os possíveis danos da exposição à altas temperaturas e aos choques térmicos podem agravar ou provocar quadros de angiopatias e outros problemas cardíacos.

Pare de fumar

Em diabéticos, o ato de fumar é ainda mais prejudicial. O uso do cigarro em portadores da doença está associado ao aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal, ataque cardíaco, retinopatia diabética e câncer de pulmão. Além disso, a nicotina prejudica a eficácia da insulina, podendo gerar uma resistência ao hormônio, o que pode dificultar o controle da diabetes.

Cuide da higiene bucal

Pacientes com diabetes estão mais sujeitos a desenvolver gengivite e, posteriormente, periodontite, devido à facilidade do surgimento de bactérias propiciada pelas altas taxas de açúcar no sangue. Cuidar da higiene bucal é importante para evitar o acúmulo dessas bactérias na região da boca. No caso de surgimento da doença periodontal, pode haver a necessidade de cirurgia e até mesmo a remoção dos dentes.

Cirurgia bariátrica

Caso o paciente com diabetes tipo 2 apresente índice de massa corporal (IMC) maior que 35, é possível que a cirurgia bariátrica seja considerada. Estudos apontam que os níveis de açúcar no sangue retornam ao normal em 55 a 95% dos casos, dependendo do procedimento realizado.

Os principais tipos desta cirurgia são:

  • Bypass Gástrico: Promove o encolhimento do estômago e encurta o caminho que o alimento percorre no intestino delgado, limitando o número de calorias absorvidas. Essa alteração é permanente.
  • Banda Gástrica Laparoscópica (Lap-Band): Por meio de uma cinta colocada em torno de uma pequena região do estômago, o paciente se sentirá satisfeito após uma ingestão reduzida de alimento. Essa alteração pode ser ajustada ou revertida posteriormente.

Ambos os procedimentos incluem riscos, mudanças no estilo de vida e possíveis complicações a longo prazo. É importante ressaltar que, assim como os outros métodos de tratamento, a cirurgia bariátrica não promove a cura definitiva da doença. Mesmo que os níveis de glicose estejam normalizados, os cuidados devem permanecer, juntamente com o acompanhamento médico.

Tratamento com insulina

Diferentemente da diabetes tipo 1, a aplicação de insulina nem sempre será indicada no tipo 2. Esse tipo de tratamento pode ser necessário para uma correção a curto prazo ou porque os medicamentos não estão sendo suficientes para o controle da doença. A aplicação do hormônio é feita por meio de injeções, com o auxílio de uma agulha e seringa ou com um dispositivo chamado “caneta de insulina”.

O médico poderá solicitar uma combinação de hormônios a partir das necessidades do paciente. A prescrição médica também indicará horários e dosagens específicas. Existem diversos tipos de insulina disponíveis no mercado, que são classificadas de acordo com o tempo de ação e efeito. Entre as principais opções estão:

Como aplicar a insulina

Os pacientes diabéticos precisam fazer a autoaplicação da insulina e, para isso, é necessário seguir algumas recomendações.

Uma delas diz respeito à técnica de aplicação a injeção deve ser aplicada no tecido subcutâneo, camada de gordura localizada logo abaixo da pele. Se aplicada no músculo, o processo será mais dolorido e a insulina será absorvida mais rapidamente.

O ângulo ideal e o local de aplicação podem ser determinados com a ajuda de um profissional de saúde, que irá considerar o perfil do paciente.

Superdose de insulina: o que fazer?

Uma superdosagem de insulina pode provocar um quadro de hipoglicemia no paciente diabético. Os sintomas incluem mãos trêmulas, calafrio, ansiedade, nervosismo, náusea, tontura e confusão mental. Caso apresente esses sinais, siga as seguintes recomendações:

  • Verifique o nível de açúcar no sangue.
  • Faça a ingestão (pequena porção) de um alimento/bebida com alta concentração de açúcar e ação rápida, como refrigerantes, sucos industrializados ou tabletes de glicose.
  • Caso tenha pulado uma refeição, se alimente com uma fonte de 15 a 20 gramas de carboidrato.
  • Após 15 ou 20 minutos, faça novamente a verificação do nível de açúcar no sangue.

Se após 2 horas os níveis se mantiverem baixos e os sintomas não apresentarem melhora, procure ajuda médica.

E em situações em que o paciente apresenta inconsciência, é necessário socorro imediato por meio da administração de glucagon, um hormônio que estimula a liberação de glicose pelo fígado. O glucagon é injetável e deve ser prescrito pelo médico, se houver necessidade. Nesses casos, é importante sempre orientar os familiares sobre como agir em episódios como esse.

Medicamentos

Em alguns casos, é possível que o médico solicite o uso de medicamentos para controlar a doença. Porém, a medicação não dispensa a necessidade da dieta e prática regular de exercícios.

Os remédios serão indicados de acordo com as necessidades e o perfil de cada paciente. No Brasil, estão disponíveis os seguintes antidiabéticos:

Secretagogos de insulina

Servem para aumentar a secreção de insulina pelas células beta do pâncreas.

  • Inibidores de DPP-4 (Vidagliptina, Sitagliptina, Saxagliptina e Linagliptina): Aumentam a ação das incretinas (GLP-1), hormônios que estimulam a secreção de insulina. Administrados por via oral, não provocam ganho de peso e geralmente são associados a outros medicamentos.
  • Sulfonilureias (Glipizida, Glimepirida, Glicazida, Glibenclamida): Auxiliam na produção de insulina e ajudam o organismo a utilizá-la. Têm como possíveis efeitos colaterais a hipoglicemia, coceira, dor de estômago e ganho de peso.
  • Metiglinidas (Repaglinida e Nateglinida): Estimulam a secreção de insulina pelo pâncreas após as refeições. Possuem início rápido de ação e curta duração de efeito no organismo. O uso destes medicamentos pode causar ganho de peso e hipoglicemia.

Sensibilizadores de insulina

Atuam no metabolismo da glicose, diminuindo a resistência das células à insulina.

  • Biguanidas (Metformina): Melhoram a sensibilidade dos tecidos à insulina, fazendo com que o corpo a utilize de forma mais eficaz. Estes medicamentos sozinhos não estimulam a secreção de insulina, por esse motivo não causam hipoglicemia. Efeitos como náuseas e diarreia são comuns no início de uso.
  • Tiazolidinedionas (Pioglitazona): Atuam de forma semelhante à Metformina, facilitando o transporte da glicose para dentro das células. Seus possíveis efeitos incluem ganho de peso e aumento do risco de insuficiência cardíaca. Seu uso também pode reduzir a eficácia da pílula anticoncepcional.

Moduladores da absorção de nutrientes no trato gastrointestinal

Auxiliam na diminuição dos níveis de glicose, retardando a absorção de carboidratos no intestino.

  • Inibidores da alfa-glicosidase (Acarbose): Promovem o bloqueio das enzimas que digerem os amidos. Especialmente após as refeições, esses medicamentos diminuem a velocidade de absorção da glicose proveniente dos alimentos. Os efeitos colaterais incluem diarreia, gases e distensão abdominal.

Injetáveis

Para o tratamento da diabetes tipo 2, existem ainda os medicamentos injetáveis que diminuem a rapidez com que o alimento deixa o estômago e promovem a sensação de saciedade. Alguns também ajudam o pâncreas a produzir insulina, como os análogos do GLP-1.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Ser portador de diabetes requer cuidados constantes, como:

  • Manter uma dieta saudável e equilibrada;
  • Praticar exercícios físicos de maneira regular;
  • Controlar o peso;
  • Utilizar de maneira correta os medicamentos prescritos;
  • Controlar a glicemia de acordo com as metas estipuladas pelo médico responsável;
  • Fazer um autoexame diário nos pés, a fim de evitar o surgimento de lesões e infecções.

Viagem e Diabetes: dicas e cuidados

Assim como qualquer pessoa, o paciente diabético precisa fazer um planejamento antes de viajar. No caso dos portadores da doença, é preciso uma atenção especial a detalhes, como a alimentação, duração da viagem e até mesmo o fuso horário.

Confira algumas dicas e cuidados específicos:

  • Antes de viajar, faça um exame para verificar se a diabetes está controlada.
  • Se estiver viajando de carro, faça paradas para esticar as pernas e fazer o teste de glicemia. Realize esse procedimento também sempre que suspeitar de um quadro de hipoglicemia.
  • Leve consigo uma receita e um relatório médico, contendo todos os medicamentos e insumos que utiliza, além de explicações sobre o tratamento. Em caso de viagem no exterior, fique atento às leis de prescrição do país e leve os documentos traduzidos.
  • Faça uma estimação dos medicamentos e insumos que irá precisar e leve sempre uma quantidade suficiente para dois dias a mais que o tempo total previsto. Lembre-se de levá-los em sua bagagem de mão.
  • Jamais esqueça de levar o medidor de glicose (glicosímetro) com tiras reagentes suficientes, baterias de reserva, dispositivo para punção e lancetas.
  • Ao viajar sozinho, especialmente à outros países, use uma pulseira ou colar de identificação médica.
  • Para evitar um quadro de hipoglicemia, tenha sempre em mãos um suprimento de lanches (bolachas, barras de cereal, sucos de caixinha, tabletes de glicose). Consuma esses alimentos sempre que houver um atraso inesperado nas refeições.
  • Caso faça uso da insulina, mantenha-a em uma temperatura entre 2 a 8º C e evite o congelamento. Se a viagem for de avião, não embarque o hormônio no compartimento de carga.
  • Se for enfrentar fusos horários diferentes, converse com seu médico sobre toda a programação da viagem. Ele irá te auxiliar sobre os momentos adequados de fazer a aplicação da insulina.
  • Se a programação inclui atividades diferentes e você estiver mais ativo do que o habitual, leve lanches durante os passeios e verifique sua taxa de glicemia em pequenos intervalos de tempo.
  • Em caminhadas, use sapatos confortáveis e nunca vá descalço. Verifique os pés todos os dias em busca de bolhas, cortes, vermelhidão, inchaço e arranhões. Ao sinal de infecção ou inflamação, realize os cuidados médicos necessários.
  • Evite ficar muito tempo sentado. Busque assentos no corredor para poder esticar as pernas e, se possível, caminhar um pouco. Se estiver dirigindo, faça paradas ao longo do trajeto.

Perguntas frequentes

A aplicação de insulina causa dependência?

A insulina não causa dependência química ou psíquica. O que acontece é que o paciente com diabetes necessita desse hormônio para sobreviver, já que é por meio dele que a entrada de glicose na célula é permitida.

Quantas vezes por dia preciso monitorar a glicemia?

A frequência e os horários corretos serão determinados pelo médico. Somente em alguns casos a verificação deverá ser feita diariamente. Geralmente, pacientes que fazem uso da insulina precisam realizar esse processo várias vezes no mesmo dia.

Comer muito açúcar causa diabetes?

No caso da diabetes tipo 2, sabe-se que uma de suas causas está relacionada ao estilo de vida do paciente. Estudos apontam uma relação entre o desenvolvimento da doença e o consumo de bebidas açucaradas, como os refrigerantes. Portanto, é importante reduzir a ingestão dessas bebidas, uma vez que apresentam alta concentração de açúcar na composição e favorecem o ganho de peso.

Posso comer frutas à vontade?

Mesmo sendo consideradas alimentos saudáveis, as frutas devem ser consumidas com precaução. Isso porque as taxas de glicemia variam de uma para outra, além de todas serem fontes de carboidratos. É importante conversar com sua equipe multidisciplinar para verificar a quantidade ideal, a frequência e os tipos de frutas permitidos para sua dieta.

Posso consumir mel, açúcar mascavo e caldo de cana?

A sacarose presente nesses alimentos é altamente prejudicial aos diabéticos. O consumo até pode ser feito, mas é importante que o paciente não abuse e compense com equilíbrio na dieta.

Posso evitar a insulina se não ingerir carboidratos?

Em diabéticos, a ingestão de carboidrato deve ser controlada, já que eleva a glicemia com mais rapidez. No caso da diabetes tipo 2, se o nível de glicemia estiver controlado, pode-se parar o uso da insulina. Mas vale ressaltar que somente um médico poderá fazer essa avaliação.

Diabéticos podem ingerir bebidas alcoólicas?

As bebidas alcoólicas são permitidas, desde que hajam alguns cuidados. É aconselhável o consumo moderado e sempre junto a uma refeição a ingestão isolada pode provocar um quadro de hipoglicemia ou dificultar a recuperação de uma crise hipoglicêmica.

O monitoramento de glicemia antes e depois do consumo também é importante. Bebidas fermentadas, como o vinho e a cerveja, possuem alto índice glicêmico e são mais perigosas se comparadas às destiladas.

O estresse prejudica o diabetes?

Independente de ser diabético ou não, um quadro de estresse eleva a taxa de glicose sanguínea. E no caso da diabetes, isso pode trazer problemas.

Complicações

Assim como em outras doenças crônicas, o diagnóstico precoce favorece o tratamento e pode evitar os problemas graves decorrentes da diabetes. Embora existam tipos diferentes da doença, a maioria das complicações são semelhantes em ambas.

Os efeitos incluem problemas microvasculares (afetam os pequenos vasos sanguíneos), macrovasculares (afetam as grandes artérias) e neuropáticos (afetam os nervos). Na grande maioria das vezes, essas complicações têm como fator determinante a hiperglicemia.

Doenças cardiovasculares

O risco de desenvolver doenças cardiovasculares, incluindo angina, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, aterosclerose (endurecimento das artérias) e hipertensão é muito maior em pacientes com diabetes tipo 2.

Os níveis altos de glicemia podem favorecer a deposição de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos e gerar obstrução parcial ou total das artérias.

Nefropatia (doença renal)

A diabetes pode provocar lesões nos vasos sanguíneos dos rins, gerando insuficiência renal ou paralisação total dos órgãos. Um diabético que apresentar infecção urinária deve buscar tratamento imediato, já que a condição também pode gerar danos nos rins.

Retinopatia (doença ocular)

Os vasos sanguíneos da retina também podem ser afetados, gerando dificuldade de visão ou até mesmo cegueira. Outros problemas oculares, como a catarata e o glaucoma, também podem surgir.

Neuropatia (lesão nervosa)

O acúmulo de açúcar no sangue também pode provocar danos nos pequenos vasos sanguíneos dos nervos. Essas lesões nervosas costumam atingir pés e mãos e podem gerar a perda de sensibilidade ou sensação de formigamento, dormência, queimação e dor.

A neuropatia também pode afetar o sistema digestivo, olhos, bexiga, coração, glândulas sudoríparas e bexiga. Ao atingir as funções sexuais, pode haver disfunção erétil (impotência).

Pé diabético

Provocado por uma ferida nos pés que não cicatriza e gera infecção, o pé diabético é causado por problemas circulatórios e mau controle da glicemia. Essa condição forma uma úlcera na região e, em casos graves, pode levar à necessidade de amputação.

Infecções

Os altos níveis de glicose no sangue favorecem o crescimento de bactérias e fungos no organismo e aumentam as chances de infecções.

No caso das infecções que atingem a pele, a causa está relacionada à hiperglicemia, que provoca maiores chances de surgimento de rachaduras na pele. Isso pode facilitar a entrada de fungos e bactérias na região. Os problemas circulatórios decorrentes da diabetes também podem ser determinantes, já que a ação das células de defesa no local de uma lesão é prejudicada.

Acantose nigricans

Essa condição que afeta a pele costuma atingir pessoas que estão muito acima do peso. Trata-se do surgimento de manchas escuras e com textura aveludada em regiões como as axilas, virilha, pescoço, cotovelos e joelhos.

Dermopatia diabética

Ao atingir pequenos vasos sanguíneos, a diabetes pode provocar um quadro de dermopatia. Essa condição provoca manchas claras e escamosas na pele, que costumam se apresentar em formato oval ou circular.

Necrobiose lipoídica

Essa é uma condição rara que também pode ocorrer devido às alterações nos vasos sanguíneos. A necrobiose lipoídica provoca manchas semelhantes às da dermopatia, porém maiores e de maneira mais profunda. A condição pode ser dolorosa e gerar feridas abertas que requerem tratamento.

Xantomatose eruptiva

Uma diabetes fora de controle pode provocar protuberâncias de aspecto amarelado na pele, que costumam surgir nas mãos, pés, braços e pernas. A Xantomatose eruptiva é mais comum em homens portadores da diabetes tipo 1, mas também pode ocorrer no tipo 2.

Granuloma anular disseminado

Relacionado a diabetes, o Granuloma anular disseminado gera erupções em forma de anel ou arco na pele. Podem se apresentar em tons avermelhados ou cor da pele e costumam surgir nos dedos e orelhas.

Osteoporose

Pessoas que apresentam diabetes tipo 2 possuem maior risco de fraturas. A doença afeta o remodelamento ósseo e a formação da matriz de colágeno, tornando a estrutura dos ossos mais frágil e comprometida. Tais problemas na saúde óssea podem aumentar o risco da osteoporose.

Cetoacidose diabética

Os altos níveis de glicose por longos períodos podem provocar cetoacidose. Essa condição acontece quando o corpo passa a produzir cetonas, a fim de fornecer uma fonte alternativa de energia para a glicose (uma vez que não há insulina no sangue).

O quadro pode provocar náuseas e vômitos. Na falta de tratamento, existe o risco de coma, que pode levar à morte.

A cetoacidose é mais comum em casos de diabetes tipo 1, mas, em casos raros, pode afetar diabéticos do tipo 2.

Depressão

As pessoas que possuem diabetes têm duas vezes mais chances de se tornarem depressivas. Isso acontece devido ao tratamento do controle de diabetes ser demorado e, por muitas vezes, estressante. As limitações na dieta e no estilo de vida também podem favorecer um quadro de depressão.

Vale lembrar que essa é uma doença complexa, resultado de inúmeros outros fatores, que vão além do emocional.

Doença Periodontal

Essa doença é caracterizada por uma inflamação na gengiva. Seu surgimento pode estar relacionado aos altos níveis de glicose no sangue, uma vez que a hipergliecemia favorece a manifestação de bactérias.

Se não tratada corretamente, a doença periodontal pode resultar na perda dos dentes.

Distúrbios do sono

Os diabéticos podem apresentar diversos problemas relacionados ao sono, incluindo dificuldade para dormir, sonolência e apneia do sono. Essas complicações podem ser desenvolvidas a partir de outras decorrências e sintomas da diabetes, como a neuropatia periférica e a hiperglicemia.

A obesidade ou o excesso de gordura corporal, dois fatores de risco da diabetes, também estão diretamente associados aos distúrbios do sono. Pessoas nessa situação apresentam maior risco de desenvolver a maioria das complicações da doença.

Como prevenir a diabetes tipo 2?

As principais medidas preventivas para evitar a diabetes tipo 2 se referem à mudanças no estilo de vida. Você deve:

  • Controlar o peso;
  • Adotar bons hábitos alimentares, evitando o consumo excessivo de açúcar e gordura;
  • Consumir grãos e fibras, uma vez que esses tipos de alimentos ajudam a controlar o peso e a glicemia;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Manter-se longe do cigarro;
  • Evitar o consumo de álcool;
  • Controlar os níveis de triglicérides e colesterol HDL.

Aceitar e compreender a diabetes é essencial para que o paciente conviva de maneira tranquila com a doença. Por isso, aproveite as dicas e informações deste texto para compartilhar com os amigos e familiares!

Referências

http://www.diabetes.org.br
http://www.diabetes.org
https://www.bd.com/brasil/diabetes
http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/type-2-diabetes/home/ovc-20169860
http://www.webmd.com/diabetes/type-2-diabetes-guide/default.htm
http://emedicine.medscape.com/article/117853-overview
https://www.onetouchla.com/br/vida-diabetes/conheca-diabetes
https://drauziovarella.com.br/diabetes/o-diagnostico-para-diabetes
https://www.criasaude.com.br/N3778/doencas/diabetes-tipo-2.html
https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-diabetes-e-viagem 

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