O que é síndrome de Cushing, causas, sintomas, em cães, tem cura?

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O que é síndrome de Cushing?

A síndrome de Cushing se configura quando há uma exposição prolongada e excessiva aos glicocorticoides, sobretudo ao cortisol.

O estado é definido como uma síndrome, pois se refere à uma série de sintomas e sinais clínicos que podem estar associados a mais de uma causa. Diferente da doença de Cushing, que é caracterizada pela presença de tumores que elevam a produção de cortisol.

Condições externas (exógenas), advindas do uso de medicamentos corticoides, ou condições internas (endógenas), resultado da produção elevada de cortisol, podem ocasionar a alteração no organismo.

Listada pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) E24, a condição também é chamada de hipercortisolismo ou hiperadrenocortisolismo.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente 50 mil pessoas são diagnosticadas anualmente com a síndrome, representando uma condição pouco comum.

Em geral, há um rápido aumento de peso e o principal sinal é o acúmulo acentuado de gordura nas regiões abdominal, na face e no pescoço. Ao contrários dos membros, que normalmente são mais afinados, se comparados às demais regiões, e podem apresentar atrofia da musculatura.

Além disso, estrias largas com cor acentuada, e manchas roxas (chamadas de equimoses), podem aparecer nas pernas, braços e abdômen. Em geral, pode-se manifestar conjuntamente vermelhidão na face, feridas em diversas regiões da pele, redução da massa muscular e alterações de humor, como irritabilidade.

O quadro ainda representa uma condição de difícil diagnóstico, devido à confusão com outras doenças, como a própria obesidade. Quando há suspeitas da síndrome, o diagnóstico é confirmado através de uma série de exames.

Cerca de 70% dos casos da síndrome são causados pela presença de um tumor na hipófise, que é geralmente benigno. Nesse caso, a condição é denominada doença de Cushing.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é Síndrome de Cushing
  2. A hipófise e o ACTH
  3. Tipos
  4. O que causa?
  5. Causas exógenas
  6. Causas endógenas
  7. Ocorrências
  8. Grupos de risco
  9. Sinais e sintomas
  10. Diagnóstico
  11. Tem cura?
  12. Tratamento
  13. Cirurgia
  14. Medicamentos
  15. Convivendo
  16. Prognóstico
  17. Complicações
  18. Como prevenir
  19. Síndrome de cushing em cães

A Hipófise e o ACTH

O ACTH é produzido pela glândula hipófise, conhecida também como pituitária, que se localiza num ponto central da cabeça, logo abaixo do cérebro. A glândula compõe o sistema endócrino, por isso realiza funções de regulação do organismo e produção hormonal.

A hipófise pode ser dividida em 2 partes, que compreendem a adenohipófise, responsável pela sintetização e secreção de hormônios, e a neuroipófise, responsável pelo armazenamento e secreção dos hormônios ocitocina e ADH.

Os hormônios produzidos na adenohipófise são:

  • STH (somatotrofina ou GH), que atua no crescimento;
  • TSH (tireotrofina), que estimula a produção dos hormônios T3 e T4;
  • ACTH (adrenocorticotrófico), que estimula a produção de hormônios corticóides;
  • Hormônio Gonadotrófico: atua nos hormônios gonadotróficos FSH (hormônio folículo estimulante) e LH (hormônio luteinizante);
  • LTH: chamada de prolactina ou lactogênico, que estimula a produção de leite nas glândulas mamárias femininas.

O ACTH, hormônio adrenocorticotrófico, também chamado de corticotrofina, é a substância responsável pelo estímulo de produção do cortisol, que regula diversas funções no organismo.

Na região dos rins, logo acima deles, há as glândulas suprarrenais, que são a córtex suprarrenal (externa) e a medula suprarrenal (interna). A adeno hipófise então estimula a liberação de ACTH que, como resultado da liberação, faz com que a região do córtex produza hormônios esteróides, entre eles o cortisol.

O cortisol, que é um glicocorticóide, atua no equilíbrio da glicose, das proteínas e auxilia na metabolização lipídica, além de manter reguladas a pressão sanguínea e as respostas imunológicas.

O esteróide também age estimulando o processo de glicogênio, em que o organismo sintetiza os nutrientes a fim de obter energia para as funções do corpo.

O cortisol no organismo

A secreção de cortisol, em indivíduos saudáveis, se apresenta maior no período da manhã, com a acentuação da liberação hormonal nos primeiros 30 minutos após o despertar, e tende a reduzir no decorrer do dia.

A quantidade da substância é relativamente constante durante toda a vida adulta, no entanto, alterações emocionais, quadros de depressão ou alterações hormonais ligadas à produção de cortisol podem alterar as taxas.

Situações de estresse, atividades físicas e ações que promovam a liberação de serotonina (popularmente conhecida como hormônio do prazer) podem acarretar na variação dos níveis de cortisol durante o dia.

Em geral, a marcação hormonal pela manhã fica entre 5mcg/dL e 23 mcg/dL. Já à noite, o cortisol basal varia entre 3mcg/dL e 16 mcg/dL.

Quando há elevação da substância, sintomas como alteração da pressão arterial, edemas, concentração de gordura corporal, diabetes ou alterações na glicose, variações de humor e quadros depressivos podem se apresentar.

Estudos apontam que a obesidade tende a estar diretamente relacionada ao aumento do cortisol plasmático, podendo ser causa ou consequência do quadro.

Quando a obesidade antecede o hipercortisolismo, a condição pode desencadear uma ação excessiva do hipotálamo, da hipófise e das glândulas suprarrenais, que resulta na alta liberação de cortisol.

Já o cortisol que advém de fontes externas está presente em medicamentos antialérgicos, imunossupressores e anti-inflamatórios.

Tipos

Apesar de haver, essencialmente, apenas um tipo de síndrome, ela é diferenciada de acordo com o fator causador (tumor na hipófise ou não), além dos hormônios alterados envolvidos.

Síndrome de Cushing

É um quadro caracterizado por diversos sintomas e respostas do organismo à excessiva e prolongada exposição ao cortisol, seja ela ingerido (por medicamentos) ou produzido pelo próprio corpo.

As patologias desencadeadas são bastante diversas, incluindo alterações glicêmicas, lipídicas e na pressão arterial.

Além dos sintomas, a síndrome, em geral apresenta sinais físicos, como acúmulo de tecido adiposo no abdômen e na face, além de estrias e edemas com tons acentuados.

No que se refere à condição endógena, ela pode ser dividida de acordo com sua ligação fisiológica: havendo dependência com o ACTH ou não.

Quando a condição endógena é ACTH-dependente (relacionada ao hormônio), o organismo tende a apresentar concentrações elevadas do hormônio. Já nos casos em que não há interação hormonal, as concentrações de ACTH são baixas ou indetectáveis.

O termo síndrome de Cushing se refere, então, a todas a causas e manifestações causadas pelo excesso de cortisol (hipercortisolismo).

Síndrome de Cushing ACTH-independente

Nesse caso, o excesso de cortisol é causado pelas glândulas adrenais e os níveis de ACTH se mantêm baixos. As principais ocorrências envolvem tumores adrenais e hiperplasias nodulares.

A grande parte dos diagnósticos envolve tumores não cancerígenos (benigno) nas glândulas suprarrenais. O tumor, nesse caso, é constituído pela formação anormal de células na glândula, denominado adenoma adrenal e promovendo a liberação exagerada de cortisol no sangue.

Os tumores não cancerígenos são relativamente comuns, acometendo até 10% da população até os 70 anos de idade. No entanto, poucos casos acarretam na liberação exagerada de cortisol.

A presença de tumores malígnos é bastante rara e pode ser acompanhada de alterações em diversos hormônios conjuntamente. Por isso, a condição apresenta uma evolução rápida dos sintomas.

Já as hiperplasias nodulares são causas raras da síndrome de Cushing independente de ACTH. Em síntese, há mutações celulares que regulam a produção de uma substância denominada 1-alfa da proteína-quinase A. Podendo estar relacionadas a outros tumores.

Síndrome de Cushing ACTH-dependente

A maior prevalência é devido a um adenoma hipofisário, caracterizando a doença de Cushing, ou por tumor neuroendócrino, caracterizando a síndrome de secreção ectópica de ACTH.

A condição acarreta no aumento das glândulas adrenais, acarretando também o aumento de produção hormonal.

A doença de Cushing, em geral, apresenta um tumor pequeno e benigno, sendo denominado de adenomas hipofásicos. A condição ocorre relacionada com a secreção de ACTH, elevando a sua quantidade, e resulta na liberação excessiva de cortisol. Por isso, diz-se que a condição é ACTH-dependente.

A doença de Cushing é a mais comum entre os casos relatados, representando até 70% dos diagnósticos.

Síndrome do ACTH ectópico

A condição é pouco frequente, sendo originada por tumores neuroendócrinos que podem se apresentar em diversas regiões do organismo, que não na hipófise. Essas anomalias alteram a produção de ACTH e a condição é denominada síndrome do ACTH ectópico.

Em média, 50% dos diagnósticos apresentam tumores pulmonares, mas também há observações de tumores na ilhota pancreática, carcinomas na medula tireoidiana e timomas.

Mais raramente, pode haver alteração na secreção do hormônio liberador de corticotrofina (CRH). A substância é responsável pelo estímulo do ACTH.

Quando há mutações em seu funcionamento, ocorrem alterações de ACTH, promovendo o excesso de cortisol. Nesse caso, a condição é denominada Síndrome de Secreção Ectópica de CRH.

O que causa?

O quadro é majoritariamente ocasionado pelo uso de medicamentos derivados de cortisona (causas endógenas).

Além disso, doenças da glândula suprarrenal e disfunções da hipófise podem acarretar na síndrome, além de tumores nas glândulas suprarrenal e hipófise, que são regiões envolvidas na estimulação hormonal.

Casos mais esporádicos podem apresentar alterações e tumores neuroendócrinos.

Causas exógenas

Uso prolongado de altas doses de corticóides podem acarretar na síndrome de origem exógena.

Os corticóides são medicamentos para tratar diversas doenças e condições, sendo ministrados por via oral, injetável ou inalável. As indicações mais recorrentes são para casos alérgicos, inflamatórios e autoimunes, entre eles:

  • Asma;
  • Esclerose múltipla;
  • Alergias, principalmente anafilaxias;
  • Lúpus;
  • Artrite reumatóide;
  • Leucemias e linfomas;
  • Edema cerebral;
  • Sarcoidose;
  • Doença inflamatória intestinal;
  • Doença de Addison (insuficiência adrenal);
  • Doenças de pele de origem inflamatória ou auto-imune;
  • Transplante de órgãos.

Os medicamentos mais comercializados e indicados no tratamento dessas doenças são a prednisona, prednisolona, hidrocortisona, dexametasona, metilprednisolona e beclometasona.

Causas endógenas

Fatores cotidianos, quando são extremamente acentuados, podem desencadear mudanças nos níveis de cortisol. Por exemplo, o estresse e o sono irregular por longos períodos.

No entanto, a condição não representa prevalência nos casos da síndrome de Cushing, em que as causas mais comuns tendem a ser tumores ou disfunções das glândulas renais.

Na síndrome dependente do hormônio ACTH (responsável por até 85% dos diagnósticos), o adenoma hipofisário é o maior causador do distúrbio. A condição é definida por lesões ou formações celulares irregulares, geralmente benignas na região da hipófise, que acarretam em disfunções neurológicas e hormonais.

Além do adenoma, os tumores ectópicos secretores de ACTH podem ser responsáveis pelas disfunções de cortisol. Podendo acometer diversas regiões e tecidos do organismo, esses tumores se apresentam com mais frequência nos pulmões (cerca de 70% dos diagnósticos).

Quando a síndrome é independente do hormônio ACTH, as causas advêm de lesões benignas ou malignas, também caracterizadas como tumores adrenais, e pelas hiperplasias nodulares.

Esses tumores podem ser lesões unilaterais das glândulas adrenais (acometem apenas uma glândula suprarrenal), ou lesões bilaterais (acometendo ambas as glândulas), que estimulam a produção exagerada de cortisol.

Enquanto os adenomas correspondem a cerca de 95% dos diagnósticos, as lesões bilaterais são consideravelmente menos frequentes.

Porém a condição tende a estar associada com outras condições, como a doença nodular pigmentada das adrenais, hiperplasia macronodular bilateral e, ainda mais raramente, adenomas bilaterais.

Esses casos, em geral, são relatados igualmente entre homens e mulheres, com maior prevalência após os 50 anos de idade.

Ocorrências

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 50 mil pessoas por ano são acometidas pela síndrome. Isso indica uma estimativa de 12 casos para cada 1 milhão de pessoas.

Os adenomas hipofisários, que são classificados como a doença de Cushing, representam mais de 70% dos casos em adultos. Já nas crianças, a síndrome com presença de tumor ocorre entre 60% e 70% dos casos diagnosticados.

A prevalência, na doença de Cushing, em geral, acomete mais mulheres do que homens (cerca de 70% dos casos), e prevalece na faixa etária de 20 a 50 anos.

Quando a causa do excesso de cortisol são adenomas adrenais, a condição acomete 4 mulheres para cada homem. Nos casos de carcinomas adrenais, são diagnosticadas 2 mulheres para cada homem.

Grupos de risco

As condições que deixam as pessoas mais susceptíveis à síndrome são bastante amplas. Fatores genéticos e ambientais podem favorecer as alterações de cortisol, mas geralmente a atenção deve ser voltada para:

  • Pacientes que fazem uso de corticóides;
  • Pacientes com obesidades;
  • Pacientes com diabetes;
  • Pacientes com altos e constantes níveis de estresse.

Sinais e sintomas

Pacientes com hipercortisolismo, advindo da síndrome de Cushing, podem apresentar diversos sinais e sintomas físicos e orgânicos.

É possível compilar os sinais com um jogo de palavras, tornando mais fácil a associação sintomática:

  • Cicatrizes roxas no pescoço ou abdômen, colágeno menos resistente, risco de cálculos renais e concentração de gordura;
  • Urina com alta concentração de cortisol e glicose;
  • Sensibilidade da pele e ossos, com cicatrização lenta e degeneração óssea;
  • Hipertensão e hiperglicemia;
  • Imunidade inibida, irregularidade do ciclo menstrual em mulheres ou impotência em homens;
  • Neoplasias na condição se for endógena;
  • Ganho de peso e gordura excessiva na face, pescoço, barriga e costas.

Quando a síndrome é endógena, não advinda do uso de corticóides e não há suspeitas de tumores na hipófise (doença de Cushing), o diagnóstico tende a ser mais demorado, devido à amplitude dos sintomas.

Sinais corporais e externos

Os pacientes com a síndrome de Cushing tendem a apresentam acúmulo de gordura nas regiões do rosto e abdômen. A característica é definida como um dos sinais morfológicos, sendo denominada aparência cushingóide clássica.

O inchaço e acúmulo de gordura tornam o rosto mais arredondado e promovem a obesidade do tronco, com um acentuado acúmulo de gordura na região próxima à clavícula e no dorso (abaixo do pescoço, na região central da coluna).

Normalmente, identifica-se as extremidades mais afinadas nos pacientes, como os braços, pernas e dedos. Também há relatos de fraqueza e diminuição da massa muscular, que tendem a compor os primeiros quadros associados à síndrome.

Os pacientes acometidos geralmente apresentam pele afinada e atrófica, com dificuldade de cicatrização. Devido à sensibilidade do tecido, manchas roxas e lesões são bastante frequentes.

A região abdominal geralmente apresenta estrias largas e em tons arroxeados.

No entanto, há casos em que o excesso de cortisol advindo de tumores malignos ou benignos (ACTH ectópico) apresentam evolução muito acentuada e não manifestam a aparência cushingóide estigmatizada.

Mas, ainda que os pacientes não apresentem a morfologia clássica da síndrome, há alta prevalência de obesidade, hipertensão arterial, diabetes e alterações na constituição óssea.

Alguns ainda podem apresentar pelos excessivos, sobretudo na região facial, e escurecimento da pele, que compõe manchas ou edemas de difícil recuperação.

Sintomas internos

Cerca de 60% dos casos apresenta enfraquecimento muscular, principalmente dos membros inferiores, e fragilização dos ossos, resultado a ação do cortisol no tecido ósseo.

Quadros hipertensivos, disfunções renais, alterações glicêmicas, baixa na imunidade e osteoporose se manifestam com grande frequência nos casos relatados.

A síndrome também pode ter efeitos neuropsiquiátricos, que afetam cerca de 80% dos pacientes, promovendo irritabilidade, depressão, redução da capacidade de concentração e memória.

Há ocorrências de infertilidade, amenorreia, osteoporose, disfunções eréteis e diminuição de libido são associadas também à síndrome, podendo afetar igualmente homens e mulheres.

Também destaca-se a redução de potássio (que afeta as funções renais), problemas cardiovasculares e dificuldade de emagrecimento.

Diagnóstico

As características físicas apontam para a necessidade de investigar a presença da síndrome de Cushing, que é feita através de exames laboratoriais, como testes de urina e sangue auxiliam na medição dos níveis de cortisol.

Além disso, exames de saliva podem auxiliar na aferição das taxas durante o dia, compondo um quadro panorâmico das taxas hormonais.

Exames de imagem podem indicar a presença de tumores ou anomalias nas glândulas hipóficas e adrenais.

O quadro deve ser acompanhado por um profissional endocrinologista.

Concentração de cortisol livre urinário

O procedimento constitui um método simples e, em geral, é o mais recorrido para a avaliação do cortisol, logo que a maioria dos pacientes com a síndrome de Cushing apresenta níveis elevados de cortisol na urina.

No entanto, a alteração urinária também pode estar presente em pacientes com obesidade, síndrome de ovários policísticos ou depressão, sem configurar a síndrome.

A urina é acumulada por um período de 24 horas e deve compreender, ao menos, 3 coletas.

Teste de supressão com dexametasona

O exame é solicitado, geralmente, quando há alteração na concentração de urina livre.

Casos de falso positivo foram relatados em paciente com doença psiquiátrica, alcoolismo, estresse, gestação, uso de estrógeno, resistência aos glicocorticóides, redução da absorção de dexametasona, além do uso uso de drogas como fenobarbital e fenitoína.

O exame consiste na administração de 1mg a 2 mg de dexametasona à noite, aproximadamente às 23 horas, posteriormente seguidos da medição do cortisol plasmático às 9 da manhã.

Em pacientes saudáveis, a administração da substância suprime o cortisol, reduzindo-a drasticamente. No caso dos acometidos pela síndrome, mesmo que haja redução dos níveis, ela se apresenta de modo bastante sutil, ainda permanecendo alta.

Teste de saliva

Através da coleta e avaliação de pequenas amostras salivares, é possível medir as taxas de cortisol. O método tem se mostrado bastante eficiente, sendo um procedimento recente, porém facilitado para o diagnóstico da síndrome de Cushing.

Concentração de ACTH

Após identificada a presença de alterações das taxas de cortisol, o exame de taxa do ACTH é realizado a fim de definir a origem da síndrome (dependente ou independente de ACTH).

Níveis normais ou elevados de ACTH indicam a presença de tumores secretores, já os casos adrenais apresentam níveis baixos da substância.

Exames de imagem

São recorridos na suspeita de tumores ou anomalias suprarrenais, polifásicos e ectópicos. Os exames que podem ser solicitados são:

  • Tomografia computadorizada;
  • Ressonância magnética;
  • Ultrassonografia.

Porém, os tumores geralmente são pequenos e de difícil localização. Por isso, os exames de imagem não devem ser utilizados como única fonte de diagnóstico.

Estudos indicam que até 50% dos casos de doença de Cushing podem apresentar resultados de imagem negativos para a anomalia, compondo um falso negativo.

Tem cura?

Em grande parte dos casos, sim. Nos casos exógenos, é possível cessar rapidamente a oferta excessiva de cortisol através da interrupção do medicamento.

Já nos casos endógenos, a cirurgia pode eliminar o causador da disfunção de cortisol e eliminar os sintomas. Porém, nem sempre o tratamento cirúrgico pode ser realizado ou é completamente eficiente.

Nesses casos, é preciso que as doenças que persistirem ao tratamento (como diabetes ou hipertensão) sejam tratadas continuamente.

Tratamento

O tratamento deve ser iniciado objetivando, sobretudo, resolver a causa primária da alteração. Mas é preciso também restabelecer os níveis normais de cortisol, minimizar os danos causados pela síndrome e, por fim, recobrar o bem-estar do paciente.

Intervenção cirúrgica

As causas endógenas são, majoritariamente, tratadas com procedimentos cirúrgicos. A indicação do tipo de cirurgia depende da localização do tumor.

Radioterapia

Se não for possível realizar a cirurgia ou remover completamente o tumor, os tratamentos com radioterapia são indicados. Muitas vezes, são indicados após a cirurgia.

O procedimento utiliza a aplicação de radiação a fim de destruir as células tumorais e evitar a proliferação do câncer.

Radiocirurgia Estereotáxica

Enquanto os tratamentos de radioterapia envolvem uma média de 40 sessões, a radiocirurgia tem se mostrado bastante eficiente em alguns tipos de tumor. Apesar do nome, o método não é invasivo, ou seja, não há incisões ou perfurações.

A técnica consiste na administração de altas doses de radiação em pontos específicos e bem delimitados. Em geral, o procedimento dura até 5 sessões e pode ser designado para tumores no cérebro, pulmões, fígado, pâncreas e rins.

Estudos apontam a eficácia do tratamento nos casos de adenoma secretor de ACTH. Os resultados apresentam redução dos tumores em 54% dos casos, além de controlar ou estabilizar o crescimento tumoral em 96% dos pacientes com a doença de Cushing.

Medicamentos

Em geral, os medicamentos são indicados para estabilizar o quadro e reduzir os danos da exposição ao cortisol.

Assim, é possível indicar medicamentos antes da cirurgias, a fim de tornar o procedimento mais eficaz ou, ainda, associá-los posteriormente ao tratamento quimioterápico.

Se a síndrome for de origem exógena, ocasionada pelo uso de derivados do cortisol, o tratamento consiste na retirada do gradual do medicamento.

As condições de diminuição e substituição do composto deverão ser determinadas pelo médico, que levará em consideração o quadro clínico do paciente.

Cirurgia

A indicação cirúrgica é a mais recorrida nos casos em que há presença de tumores malignos ou não. Normalmente, os procedimentos de laparoscopia são mais indicados nos casos de adenomas adrenais, enquanto a cirurgia de via aberta é preferível nos casos de carcinomas.

Se o paciente apresentar impossibilidade de realizar a operação, o tratamento através da radioterapia pode ser viabilizado, geralmente, associado a medicamentos que inibem os níveis de cortisol.

Cirurgia Transesfenoidal ou Transcraniana

Realizam a remoção de tumores na região da hipófise (crânio).

Podem ser feitas incisões através do nariz, configurando uma operação minimamente invasiva, ou através do crânio, que é mais indicada nos tumores malígnos, com volume acentuado ou de difícil acesso pela região nasal.

No segundo caso (transcraniana), a operação consiste num método mais invasivo e delicado, em que o corte é feito na parte superior ou lateral da cabeça, dependendo da localização do tumor.

Laparoscopia

Se o tumor estiver localizado na região próxima às glândulas suprarrenais, a cirurgia mais recorrente é a laparoscopia.

O método é minimamente invasivo, pois consiste na incisão de tubos e instrumentos extremamente finos na região abdominal. Através das microperfurações, o cirurgião remove o tumor e investiga as condições dos tecidos próximos.

Medicamentos

Inibidores de cortisol podem ser ministrados, concomitantemente à quimioterapia, antecedendo a cirurgia ou, ainda, ser administrados quando o tratamento cirúrgico não é completamente eficaz.

Para a doença de Cushing, o diaspartato de pasireotida apresenta bons resultados quando a cirurgia hipofisária não é eficaz ou não pode ser realizada.

Nos casos que o paciente apresenta tumores adrenais inoperáveis na região do córtex, a indicação de mitotano se mostra bastante recorrente.

Cetoconazol é ministrado também para o controlar a secreção de cortisol, sendo outra opção medicamentosa.

Em alguns casos, após a cirurgia, é necessário fazer a reposição hormonal. Os medicamentos que, geralmente, são mais recomendados compreendem:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Após o diagnóstico da síndrome, é necessário adotar medidas que visam estabilizar os níveis de cortisol e, consequentemente, reduzir as complicações e sintomas da alteração.

Os pacientes são recomendados à prática de atividades físicas, visando estabilizar quadros de diabetes, obesidade e hipertensão.

Além disso, a alimentação pode ser planejada a fim de trazer melhores resultados na perda de peso, nas taxas de glicemia, colesterol e hipertensão, além de contribuir para diversos sintomas associados, como dores nas articulações (que são acentuadas com o sobrepeso), má circulação, fragilização muscular, entre outros.

Alimentação

A alimentação pode auxiliar a reduzir os níveis de cortisol plasmático (presente no sangue). No entanto, é necessário ressaltar que mudanças alimentares só devem ser realizadas com a indicação e o acompanhamento de profissionais de saúde e nutrição.

Na maior parte dos casos, a alimentação não é capaz de restabelecer os níveis adequados de cortisol, porém ela pode auxiliar o tratamento posteriormente e evitar os riscos à saúde.

A alimentação, portanto, pode amenizar a elevação e os impactos na substância no organismo. As indicações nutricionais podem envolver:

  • Reduzir o sódio;
  • Manter a hidratação;
  • Consumir alimentos ricos em fenilalanina (frango, ovos, arroz integral, brócolis, abóbora);
  • Consumir alimentos ricos em triptofano (arroz integral, soja, oleaginosas, carne, ovos);
  • Reduzir a cafeína;
  • Ingerir alimentos ricos em vitamina B5 (damasco, amêndoa, leite, salmão);
  • Controlar o consumo de potássio.

Atividades físicas

Retomar ou iniciar atividades auxilia o tratamento e a recuperação do paciente. É importante que os exercícios sejam realizados de modo gradual e proporcionem bem-estar e satisfação.

O organismo todo é beneficiado pela prática de atividades, pois além da diminuir a ansiedade e o stress, ela promove o bom funcionamento do organismo, ameniza os quadros sintomáticos, como diabetes e pressão alta, e melhora as condições emocionais do paciente.

Cuide da saúde mental

Todas as alterações e disfunções patológicas podem ocasionar impactos mentais e psicológicos. O sofrimento causado pelo diagnóstico e tratamento pode, portanto, se manifestar de formas distintas, afetando aspectos emocionais.

É preciso cuidar também do quadro mental e, se necessário, realizar acompanhamento terapêutico com um profissional.

Quadros de depressão, irritabilidade, ansiedade, ataques de pânico e paranóia leve advindo da síndrome de Cushing podem ser reduzidos ou interrompidos através dos cuidados com a saúde mental.

Busque alternativas ao desconforto

Existem inúmeros recursos paliativos para controlar possíveis dores e desconfortos, como massagens relaxantes e banhos quentes para amenizar dores, cremes hidratantes para o ressecamento da pele, além de adotar medidas facilitadoras em casos de obesidade, como meios de locomoção dentro de casa ou na rua.

Faça atividades mentais

A síndrome pode acarretar em alterações de memória, aprendizado e concentração. Ainda que, geralmente, seja um aspecto mais delicado de ser tratado, as alterações neurais podem ser amenizadas através de medidas estimulantes.

Ler, escrever, fazer jogos de palavras e memorização, aprender novas atividades e exercer diariamente atividades cognitivas, como o raciocínio lógico e contas matemáticas, podem favorecer bastante a rotina e o bem-estar.

Prognóstico

Os índices de mortalidade em pacientes com a síndrome de Cushing são altos, representando um risco 4 vezes maior do que em pessoas saudáveis.

A condição crônica predispõe o paciente às complicações relacionadas à pressão alta, diabetes, obesidade e cardiovasculares. Sendo que, nesses casos, a mortalidade está mais associada devido aos riscos cardiovasculares.

Estudos de acompanhamento apontam que pacientes que estabilizam quadro de cortisol excessivo, mesmo decorridos 5 anos do tratamento, ainda podem apresentar riscos de desenvolver alterações cardíacas, glicêmicas e arteriais.

Complicações

As complicações são diversas e, em geral, as mais graves se relacionam ao desenvolvimento de doenças, entre elas a diabetes, a hipertensão e a obesidade.

Os pacientes podem manifestar alterações cardiovasculares, problemas nos rins e nos ossos.

A mortalidade é alta devido às complicações das doenças decorrentes, sobretudo no pacientes com obesidade e obesidade mórbida.

Um estudo realizado na Dinamarca acompanhou 166 pacientes durante 11 anos. Entre eles, a taxa de mortalidade nos 8 primeiros anos foi de 16%, sendo que a maioria correu em até 1 ano após o diagnóstico, antes de ser efetuado o tratamento cirúrgico.

Como prevenir

A prevenção da síndrome ocorre através do acompanhamento médico a atenção aos sinais do organismo. Para os pacientes que utilizam medicamentos à base de cortisol, o cuidado deve ser acentuado, sobretudo se a administração for prolongada.

Síndrome de Cushing em cães

A condição foi inicialmente diagnosticada em seres humanos, mas se descobriu que a incidência em cães é bastante frequente. No entanto, a condição é pouco relatada em gatos ou outros animais.

A síndrome se apresenta da mesma maneira: através da liberação excessiva de cortisol no organismo do animal.

Os cachorros, que precisam de quantidades bem pequenas do hormônio, são especialmente afetados pelo estresse.

Em geral, o organismo canino não consegue diferenciar o estresse bom do ruim. Por exemplo, a euforia do cão ao ver um gato ou o nervosismo por ir ao veterinário causam, igualmente, aumento do cortisol.

Com o tempo, o excesso constante pode acarretar na síndrome de Cushing. O tratamento consiste em administrar medicamentos que inibam a produção elevada de cortisol.


A síndrome de Cushing é uma condição que, muitas vezes, é difícil de ser corretamente diagnosticada, sobretudo devido aos sintomas diversos que se apresentam. O acompanhamento médico, a realização de exames preventivos e investigativos auxiliam o diagnóstico e encaminham ao correto tratamento da condição.

Por isso, é importante estar bem informado e conversar com o seu médico sobre dúvidas e suspeitas.

No nosso blog você encontra diversas informações sobre saúde, prevenção e tratamentos!

Referências

Silva, Bárbara C. Carvalho, Baruqui Júnior, Alfredo M., Barbosa, Víctor Eurípedes, Pena, Gil Patrus Mundim, Campos, Marisa Helena de F., Ramos, Adauto Versiani, & Dias, Eduardo Pimentel. (2007). Doença de cushing subclínica: relato de três casos e revisão da literatura. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 51(4), 625-630

Rollin, Guilherme A.F.S., & Czepielewski, Mauro A.. (2003). Síndrome de Cushing: é possível simplificar e padronizar sua abordagem diagnóstica?. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 47(4), 368-380

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