O que é Glaucoma, sintomas, tratamento, causas e mais

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O que é Glaucoma

O Glaucoma é um conjunto de diversas doenças distintas que envolvem a pressão intraocular associada a neuropatia óptica. Por conta disso, ele possui características bem específicas, em que ocorre um dano no nervo óptico – parte do olho que carrega a informação visual até o cérebro –, causando a perda progressiva (se não tratada) e irreversível da visão.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no mundo, ficando atrás apenas da catarata. Estima-se que a prevalência da doença no mundo é de aproximadamente 1 a 2%; já no Brasil, a estimativa é de que 900 mil pessoas são portadoras da doença.

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Índice – neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é Glaucoma
  2. Quais são as causas do Glaucoma
  3. Fatores de risco
  4. Tipos existentes
  5. Sintomas do Glaucoma
  6. Diagnóstico
  7. Tratamento para o Glaucoma
  8. Há complicações?
  9. Prevenção

Quais são as causas do Glaucoma

Na maioria das vezes, o glaucoma é causado pelo aumento da pressão intraocular (PIO) do indivíduo. Mas como isso acontece? A parte anterior de nossos olhos produz continuamente um líquido chamado humor aquoso que preenche toda a parte da frente do órgão. Após isso, ele deixa o olho através de canais localizados na córnea e na íris. Quando esses canais são bloqueados ou parcialmente destruídos, a PIO pode aumentar. Com esse aumento, o nervo óptico pode ser danificado e como esses danos podem ser progressivos, o campo de visão pode ser afetado gradativamente.

As causas desse aumento na pressão do olho ainda não são conhecidas, porém especialistas acreditam que um ou mais desses fatores listados abaixo podem influenciar:

  • Colírios dilatadores;
  • Drenagem restrita ou bloqueada em seu olho;
  • Uso de corticóides;
  • Má circulação ou redução sanguínea no nervo óptico;
  • Pressão arterial alta ou elevada.

Fatores de risco

O glaucoma possui um caráter hereditário, onde familiares de quem possui a doença tem mais chances de desenvolvê-la também. Porém, além desse fator de risco, há ainda outros que podem influenciar o seu aparecimento, conforme a lista a seguir:

  • Pressão intraocular elevada;
  • Idade acima de 60 anos ou acima de 40 anos (para casos de glaucoma agudo);
  • Afrodescendentes tem mais tendência a desenvolver a doença, principalmente acima dos 40 anos;
  • Histórico familiar apresenta risco de até 6 vezes mais do desenvolvimento da doença;
  • Doenças como diabetes, problemas cardíacos, hipertensão e hipertireoidismo;
  • Doenças no olho, como tumores, descolamento de retina e inflamações;
  • Uso prolongado de medicamentos à base de corticosteroides.

Tipos existentes

São 4 os tipos principais de glaucoma. Confira as características de cada uma:

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Glaucoma primário de ângulo aberto ou Glaucoma crônico

Tipo mais comum de glaucoma, ele representa cerca de 90% de todos os casos. Normalmente é assintomático e leva anos para causar alguma deficiência na visão da pessoa, pois o desenvolvimento do dano no nervo óptico ocorre de forma lenta. Uma de suas causas é a obstrução da drenagem do humor aquoso do olho.

Glaucoma de ângulo fechado ou Glaucoma agudo

Ocorre quando a saída do humor aquoso é subitamente bloqueada, causando um aumento súbito, doloroso e grave da pressão intraocular. Casos desse tipo da doença são emergenciais, pois pode causar perda visual irreversível em um curto espaço de tempo.

Glaucoma congênito

Doença genética rara que atinge os bebês logo em seu nascimento ou nos primeiros anos de vida, o glaucoma congênito é herdado da mãe durante o processo de gestação. É caracterizado por globos oculares aumentados e córneas embaçadas.

Glaucoma secundário

O glaucoma secundário é desenvolvido por alguma complicação de várias condições médicas – como cirurgias, cataratas e uveítes – e também pelo uso excessivo de medicamentos à base de corticóides.

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Sintomas do Glaucoma

Os sintomas da doença são bem variáveis e isso acontece por conta do tipo da doença. Alguns casos são completamente assintomáticos, já outros podem apresentar outros sintomas que não a perda da visão.

Glaucoma de ângulo aberto

  • Grande parte das pessoas não apresentam sintomas até o início da perda da visão;
  • Com o decorrer dos anos, a perda gradual da visão periférica lateral acontece.

Glaucoma de ângulo fechado

  • Dor grave e repentina no olho;
  • Visão diminuída ou embaçada;
  • Náuseas e vômitos;
  • Olhos avermelhados;
  • Olhos com aparência inchada.

Glaucoma congênito

A maioria desses sintomas são notados quando a criança ainda tem poucos meses de vida:

  • Nebulosidade na parte frontal do olho;
  • Aumento de um olho ou em ambos;
  • Olhos vermelhos;
  • Sensibilidade à luz;
  • Lacrimação em excesso.

Diagnóstico

A ocorrência de glaucoma só pode ser detectada após exames oftalmológicos realizados pelo oftalmologista. Por isso, é super importante que você vá ao menos uma vez no ano no médico, para realizar os diversos exames que diagnosticam não só essa doença, mas várias outras também. Quanto mais cedo diagnosticado o glaucoma, melhores são as chances de seu tratamento.

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Dentre os exames que o médico poderá realizar estão:

  • Acuidade visual: detecta alterações na visão.
  • Exame de pupila: detecta lesão nas vias ópticas, incluindo o nervo óptico.
  • Exame com lâmpada de fenda: avalia o interior e o exterior do olho.
  • Tonometria: confere a pressão intraocular.
  • Fotografia do nervo óptico: documenta a aparência do nervo óptico, além de ser muito útil em sua monitoração.
  • Nervo óptico: mede a escavação e a palidez.
  • Gonioscopia: avalia o ângulo da câmara anterior do olho.
  • Campo visual: verifica a perda de campo visual do paciente.

Tratamento para o Glaucoma

Por mais que o Glaucoma não tenha cura, há diversas formas de tratamento para que a perda da visão seja controlada e também para que a qualidade de vida do paciente seja a melhor possível. Além disso, o tratamento deverá ser individualizado, considerando os seguintes fatores:

  • Gravidade do glaucoma;
  • Idade do paciente;
  • Histórico familiar;
  • Espessura da córnea.

Medicamentos

De imediato, os especialistas sempre indicam o uso de colírios, para que a pressão intraocular seja reduzida e assim permanecida. Quando esses já não dão mais conta de realizar essa função, o médico poderá indicar também o uso de comprimidos por via oral.

Atualmente, 4 classes de fármacos são utilizadas no tratamento da doença. Veja abaixo o mecanismo de ação de cada uma delas:

Medicamento

Mecanismo de ação

Beta-bloqueador

Diminui a produção do humor aquoso

Inibidor da anidrase carbônica

Diminui a produção do humor aquoso

Alfa-agonista

Diminui a produção do humor aquoso e aumenta o escoamento úveo-escleral do mesmo

Prostaglandina

Aumenta o escoamento do humor aquoso via úveo-escleral

Os medicamentos mais utilizados no tratamento do glaucoma são:

Não se esqueça que a prescrição de qualquer medicamento deverá ser realizada por um médico especialista em doenças oculares e que o uso indevido pode ocasionar diversas complicações.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Laser

Quando o tratamento medicamentoso não surte resultados eficazes, os especialistas recorrem ao recurso do laser. Essa técnica é aplicada para realizar pequenas queimaduras na rede trabecular (o sistema de drenagem do humor aquoso), estimulando que a mesma funcione. Dura cerca de 15 a 20 minutos e trata-se de um procedimento indolor.  É preciso saber que, mesmo com a utilização da técnica, o paciente deverá continuar com o tratamento medicamentoso.

Cirurgias

Essa forma de tratamento sempre é deixada para última instância, pois por mais que seja uma técnica de alta sofisticação, tanto clínica quanto cirúrgica, é um tratamento mais invasivo e que pode gerar algumas complicações. Porém, caso ela seja estritamente necessária – como nos casos de glaucoma de ângulo fechado e glaucoma congênito –, o retardamento não é aconselhável.

A cirurgia para o glaucoma consiste na criação de um novo sistema de drenagem para o olho, sendo a mais comum a trabeluctomia. Os resultados cirúrgicos são bastante positivos: mais de 75% dos pacientes passam a ter a PIO devidamente controlada. A indicação desse tratamento é mais recorrente em pacientes que, por problemas sociais, culturais ou econômicos, não são fiéis aos outros tipos.

Há complicações?

Se não tratado o quanto antes e da maneira correta, o glaucoma pode causar ao paciente alguns pontos cegos na visão periférica, atingindo depois a visão de túnel (utilizada normalmente para a leitura) e, por fim, transforma-se em cegueira total.

Prevenção

Não há maneiras eficazes de se prevenir o glaucoma. Porém, como já dito, a ida frequente ao oftalmologista pode te ajudar no diagnóstico precoce do glaucoma e de outras doenças. Exercitar-se com segurança e usar regularmente colírios prescritos pelo médico também podem auxiliar no controle da pressão intraocular e fazer com que o glaucoma seja evitado.

Compartilhe essas informações com seus amigos e conhecidos! Isso pode fazer com que pessoas propensas a desenvolver a doença se informem mais e busquem ajuda médica precocemente.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Glaucoma
http://cuidadocomoglaucoma.com.br/
http://www.sbglaucoma.com.br/files/colecao_glaucoma_1/
http://www.sbglaucoma.com.br/files/colecao_glaucoma_3/
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/glaucoma
http://www.healthline.com/health/glaucoma
http://www.abrag.org.br/diagnostico.php
http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/glaucoma/basics/prevention/con-20024042

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14 Comentários

Atenção: os comentários abaixo são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

  1. Estou saindo de um tratamento quimioterapico em que foi utilizado grandes quantidades de corticoides. Achei muito interesante o artigo e, assim que complete a série de aplicações, procurarei um especialista, pois estou com bastante dificuldade na visão

  2. Bom dia, minha irma me ligou chorando porque o médico disse que ela está com glaucoma. Fiquei preocupada, fui pesquisar, adorei a explicação e consegui entender e passei para ela. Vamos procurar um medico especialista, obrigado.

  3. Muito boa explicação fui ao oculista, e amanha vou fazer um exame para ver se tenho glaucoma, pois o medico acho uma obstrução bem pequena no meu olho direito gostei muito da explicação me tirou algumas duvidas obrigada.

  4. Estou encontrando dificuldades para me adaptar com os colírios. Muitos efeitos colaterais. não está sendo muito fácil.

    • Rita,descobri que tenho glaucoma há 12 anos.Uso colírio todos os dias.Não vi dificuldade alguma. e nem efeito colateral.vou ao oftalmologista a cada 4 ou 6 meses.

  5. Fui diagnosticada com Glaucoma e fiquei muito assustada, pois, nunca tinha lido nada a respeito.
    Agora estou mais tranquila com essa ótima explicação sobre a doença.

    • Olá Dirce!

      O uso de colírios de maneira regular pode ajudar a evitar o glaucoma, porém somente um médico é capaz de receitar o medicamento adequado para suas condições de saúde. Lembre-se que a automedicação pode trazer sérios riscos.

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