A Síndrome Mielodisplásica é uma condição que tem alto impacto na rotina, saúde e bem-estar de pacientes. 

Apesar de as opções de tratamento estarem crescendo, de modo que oportunizam mais qualidade de vida a pacientes após o diagnóstico, o quadro é bastante complexo e precisa envolver uma análise individual, feita por hematologistas e oncologistas especialistas. 

Só assim é possível conduzir pacientes ao tratamento correto.

Há algumas categorias terapêuticas escolhidas de acordo com o quadro e progresso do tratamento. Entre as opções há o transplante de medula óssea, transfusão de sangue, quimioterapia e terapias biológicas. 

Lembrando que elas não são, necessariamente excludentes. Por isso, muitas pessoas podem ser orientadas à combinação de tratamentos. 

O Vidaza é um medicamento pertencente ao grupo da terapia biológica. Segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, esse tipo de tratamento difere da quimioterapia por agir e afetar de outra forma as células. 

Saiba mais sobre o Vidaza e sua ação no organismo:

O que é o medicamento Vidaza?

Vidaza é um medicamento injetável da classe citotóxica, de uso subcutâneo, à base da substância ativa azacitidina. Seu uso é indicado para o tratamento da síndrome mielodisplásica, em condições específicas. 


Conforme o Instituto Oncoguia, o princípio ativo azacitidina é um agente hipometilante, que atua no controle e diminuição da atividade dos genes que promovem o crescimento celular. Além disso, também age destruindo as células que apresentam comportamento anormal e se dividem de modo acelerado. 

O resultado do tratamento, de acordo com o Oncoguia, é uma melhora na contagem sanguínea (normalização da taxa de células sanguíneas), reduzindo os riscos associados ao agravamento da doença e podendo prolongar a vida de pacientes. 

Algumas pessoas diagnosticadas precisam fazer transfusão de sangue como parte do tratamento. Porém, com o uso de Vidaza, se o aumento na taxa de glóbulos vermelhos for suficiente, pode haver a redução na necessidade de transfusões de sangue.

Além disso, sua ação tende a não afetar significativamente as células normais, ou não proliferativas, do organismo. Isso significa que os sintomas e efeitos colaterais podem ser bem menores em comparação às outras terapias.

No entanto, como qualquer medicamento, pode haver efeitos adversos, porém, no geral, eles tendem a ser menos intensos. 

O tratamento é feito, inicialmente, com aplicações subcutâneas diárias, durante 7 dias, conforme indicação médica e da bula. Esse tempo corresponde a um ciclo de tratamento.

Como protocolo geral, são indicados ao menos entre 4 a 6 ciclos, sendo que, após finalizar os 7 dias de aplicação, é precisa aguardar 4 semanas para iniciar outro.

A continuidade do tratamento deve ser avaliada pela equipe médica, que pode continuá-la desde que haja benefícios à saúde da pessoa tratada.

Para que serve o Vidaza? 

Vidaza é indicado para tratar pacientes com subtipos da Síndrome Mielodisplásica (SM), um conjunto de doenças hematológicas malignas, que têm início devido a alterações na medula óssea. Assim, os componentes do sangue começam a apresentar alterações na produção e na maturação, afetando outras funções do organismo.

A medula óssea é um tecido, também conhecido como tutano, que está localizado no interior dos ossos. Sua função é a produção de células e componentes do sangue. 

As principais funções de cada componente são:

  • Glóbulos brancos: responsáveis pela defesa do organismo;
  • Glóbulos vermelhos: responsáveis pelo transporte de oxigênio;
  • Plaquetas: responsáveis pela coagulação sanguínea.

Em condições normais, a medula óssea produz células saudáveis e, após elas amadurecerem, lança-as na corrente sanguínea. Ou seja, para desempenhar corretamente suas funções, é preciso que as células sejam adultas. 

Porém, com uma alteração celular, a medula óssea apresenta células irregulares e muito jovens (chamadas de blastos), que são incapazes de exercer suas funções corretamente.

Atualmente, a classificação das síndromes mielodisplásicas é feita com base no sistema formulado e atualizado da Organização Mundial de Saúde (OMS). Desde 2008, data da última atualização, distinguem-se 7 categorias, que considera imunofenotipagem, achados genéticos, clínicos, cito­morfo­lógicos e citoquímicos.

No entanto, nem todos têm indicação para o tratamento com Vidaza. Segundo a bula, os tipos orientados ao uso de Vidaza são:

SM anemia refratária com excesso de blastos ou AREB

No quadro de anemia refratária com excesso de blastos (células imaturas), um ou mais tipos de células apresentam concentração reduzida no sangue e aparecem anormais na medula óssea, podendo variar entre 5% a 20%.

Segundo a nova classificação da OMS, adotada em 2001 e atualizada em 2008, entre 5% e 10% de blastos na medula óssea, considera-se o quadro como AREB-1. Entre 10% e 20%, considera-se AREB-2.

Leucemia mieloide aguda

Pacientes que apresentam leucemia mieloide aguda, com 20 a 30% de blastos na medula óssea com displasia multilinhagem, podem receber a indicação para o tratamento com Vidaza.

A Leucemia mieloide aguda (LMA) é caracterizada por uma produção elevada de blastos, que nesse caso são células brancas imaturas. De acordo com a ABRALE, isso faz com que não consigam desempenhar suas funções corretamente e deixem o organismo suscetível às infecções. 

Como começam a acumular-se na medula óssea, os blastos impedem que outras células sejam produzidas corretamente. 

Leucemia mielomonocítica crônica

De acordo com o Oncoguia, a Leucemia Mielomonocítica Crônica (LMMC) é um câncer que se origina na medula óssea, mais especificamente nas células formadoras dos componentes do sangue. 

Nesses casos, há uma grande concentração de monócitos (um tipo de glóbulos brancos) no sangue. Há, geralmente, a presença de células anormais na medula óssea, mas a quantidade de blastos (que são células imaturas) na medula óssea se limita a 20%.

Como é a aplicação de Vidaza subcutâneo?

Vidaza é um medicamento injetável, que deve ser aplicado de modo subcutâneo. Os locais de administração, conforme a bula, incluem o braço, coxa ou abdômen. Vale lembrar que, normalmente, cada ciclo de tratamento incluir uma injeção diária, durante 7 dias sequentes. Por isso, é importante realizar rodízios, evitando a aplicação nos mesmos locais. 

Assim, deve-se respeitar uma distância de 2,5cm da última injeção. Além disso, não se deve injetar a medicação caso haja dor, equimose (manchas roxas), rubor ou endurecimento no local. 

A aplicação deve ser feita sempre por profissionais de saúde, em ambientes adequados, devidamente habilitados(as) para isso.

Como age a azacitidina?

A bula indica que azacitidina tem ação antineoplásica por meio de efeitos múltiplos, que incluem a ação citotóxica (destruição de células doentes ou anormais) e hipometilação (redução da capacidade de replicação de genes). Assim, a substância favorece a reorganização das funções supressoras tumorais em células cancerosas.  

De modo geral, o tratamento demonstra aumentar a sobrevida de pacientes, além de diminuir efeitos e sintomas desencadeados pelas mielodisplasias. 

Em pacientes submetidos à transfusão de sangue, que se enquadram nas indicações de uso da substância, a azacitidina pode reduzir a necessidade ou frequência do procedimento.

Quais os efeitos colaterais que constam na bula?

Durante o tratamento com azacitidina, é importante que pacientes realizem exames periódicos e tenham acompanhamento médico, pois é possível que ocorram quadros de:

  • Neutropenia (redução da concentração de neutrófilos, um tipo de glóbulo branco);
  • Trombocitopenia (redução da concentração de plaquetas, responsáveis pela coagulação sanguínea);
  • Anemia (redução da concentração de hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio).

A bula ainda informa quais as reações adversas mais comuns e comuns, listadas em estudos clínicos e também após a comercialização do medicamento. São elas: 

Reações adversas muito frequentes 

  • Pneumonia;
  • Nasofaringite;
  • Neutropenia febril (quadros febris em pessoas com redução de neutrófilos);
  • Neutropenia (baixa na concentração de neutrófilos no sangue);
  • Leucopenia (redução nas taxas de leucócitos no sangue);
  • Trombocitopenia (redução na taxa de plaquetas no sangue);
  • Anemia;
  • Anorexia ou diminuição do apetite;
  • Hipocalemia;
  • Tonturas;
  • Dor de cabeça (cefaleia);
  • Dispneia (falta de ar);
  • Epistaxe (sangramento nasal);
  • Diarreia;
  • Vômitos;
  • Dor abdominal; 
  • Náuseas;
  • Exantema (manchas ou placas avermelhadas na pele); 
  • Prurido (coceira na pele);
  • Artralgia (dor nas articulações); 
  • Dores musculoesqueléticas;
  • Diminuição de peso.

Podem ocorrer também reações no local da aplicação, como dor, equimose (manchas roxas na pele) e reação localizada.

Reações adversas frequentes 

  • Sepse, incluindo bacteriana, viral e fúngica (infecção generalizada);
  • Sepse neutropênica;
  • Infecção das vias respiratórias (inclui das vias respiratórias superiores e bronquite);
  • Infecção das vias urinárias;
  • Celulite;
  • Diverticulite;
  • Infecção fúngica oral;
  • Sinusite;
  • Faringite;
  • Rinite;
  • Herpes simplex;
  • Infecção na pele;
  • Pancitopenia (diminuição de todos os elementos do sangue);
  • Insuficiência da medula óssea; 
  • Desidratação;
  • Ansiedade e confusão;
  • Síncope (desmaio);
  • Sonolência;
  • Hemorragia ocular ou conjuntival;
  • Derrame pericárdico;
  • Hipertensão ou hipotensão;
  • Derrame pleural;
  • Dispneia de esforço;
  • Dor faringolaríngea;
  • Estomatite;
  • Dispepsia;
  • Púrpura (manchas na pele);
  • Alopecia;
  • Urticária;
  • Eritema (vasodilatação que causa vermelhidão da pele);
  • Exantema cutâneo macular;
  • Espasmos musculares;
  • Mialgia (dor muscular);
  • Insuficiência renal;
  • Hematúria;
  • Creatinina sérica elevada.

Também podem ocorrer reações no local da aplicação, como o surgimento de manchas roxas (hematomas), induração, prurido (coceira), inflamação, descoloração e nódulo.

Tem contraindicação de uso?

Sim. O vidaza é contraindicado para pacientes com hipersensibilidade, ou alergia, conhecida a azacitidina ou manitol. 

Pessoas com tumores hepáticos malignos avançados também são contraindicados ao uso.

Em qual temperatura devo manter o medicamento Vidaza?

A bula indica que os frascos não reconstituídos (ou seja, embalagens fechadas do Vidaza) devem ser armazenados em temperatura ambiente, entre 15ºC e 30ºC.

A substância, após aberta e reconstituída com água para injetáveis para administração subcutânea pode ser armazenada, imediatamente após o preparo, por até 1 hora a 25ºC ou por até 22 horas entre 2ºC e 8ºC.

Vale lembrar que a manipulação, preparo e demais cuidados devem ser feitos por pessoas responsáveis, devidamente habilitadas para o manuseio e aplicação de medicamentos.

Além disso, o remédio ainda lacrado tem validade de 24 meses após a fabricação, que consta na embalagem. Por isso, mesmo que armazenado em condições e temperaturas adequadas, é preciso dar atenção aos prazos de utilização.

Qual o preço de Vidaza 100mg?

O preço do Vidaza pode ser consultado em buscadores online ou em farmácias especiais, voltadas ao fornecimento de medicamentos de alto custo.

Em média, o valor do Vidaza 100mg/200mg, caixa com 1 frasco-ampola com 200mg de pó para solução de uso subcutâneo fica entre R$1.755 e R$2.127*, e uma versão genérica Azacitidina.

*Preço médio consultado em janeiro de 2020. Os valores podem sofrer alteração.

Vidaza é genérico?

Não. O Vidaza, da fabricante United Medical, é o medicamento referência, conforme a listagem da Anvisa de 2019. 

Mas a substância ativa tem uma versão genérica, que é do mesmo laboratório. O Azacitidina United Medical tem o valor aproximado de R$1.490*.

Além disso, a fabricante Doctor Reddy’s comercializa o medicamento similar, Winduza, com preços a partir de aproximadamente R$1.510*.

*Preços consultados em janeiro de 2020. Os valores podem sofrer alteração. 

O SUS fornece Azacitidina?

Não. O medicamento é aprovado pela Anvisa, mas não é distribuído pelo Sistema Único de Saúde. No entanto, pessoas que têm indicação médica para o uso podem recorrer às vias judiciais para ter o tratamento custeado, seja pelo próprio SUS ou por planos de saúde.

Para isso, é necessário que o médico ou médica que assiste à pessoa forneça as orientações necessárias, encaminhando-a para os devidos procedimentos. 

É importante contar também com o auxílio jurídico, que indicará quais os documentos necessários para o processo. Entre eles estão o laudo médico, receita médica, exames comprobatórios e o orçamento do medicamento.

Vale ressaltar que a abertura do processo jurídico não garante o custeio do tratamento.

Como fazer um orçamento do Vidaza?

Pessoas que vão solicitar o Vidaza judicialmente, seja solicitando para o SUS ou plano de saúde, precisam apresentar um orçamento com o preço do medicamento em 3 farmácias diferentes. 

Para isso, é possível solicitar o valor em farmácias especiais ou — para auxiliar no procedimento — contar com a Assessoria de cotação de Medicamentos de Alto Custo, do Grupo Consulta Remédios.

Basta acessar o link e preencher o formulário. De modo simples, a equipe responsável vai enviar a cotação personalizada.


Vidaza é um medicamento indicado ao tratamento de quadros específicos da Síndrome mielodisplásica. Sua administração é por injeção subcutânea, que deve sempre ser feita por pessoas capacitadas e em ambientes adequados.

As síndromes mielodisplásicas são, atualmente, a neoplasia hematológica mais prevalente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, só nos EUA, cerca de 30 mil a 40 mil casos novos diagnósticos ocorrem a cada ano em pessoas acima dos 70 anos. 

Os mecanismos fisiopatológicos da doença ainda são pouco conhecidos, mas o quadro em geral envolve alterações citogenéticas e/ou mutações genéticas. 

Após o diagnóstico, nem todas as pessoas diagnosticadas necessitam de tratamento, sendo que alguns casos apenas são acompanhados e monitorados com exames periódicos. 

Assim, geralmente, somente quando há sintomas observáveis ou alterações agravadas de células sanguíneas os tratamentos são iniciados.

Entre as opções medicamentosas há o Vidaza, remédio à base de Azacitidina, que tem demonstrado melhoras na qualidade de vida e bem-estar de pacientes em tratamento.

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Fontes consultadas


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