Ana Luiza (Minuto Saudável)
21/09/2018 07:50

Herpes labial: sintomas, tratamento, remédio, pomada, como curar?

Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27679) – Medicina Preventiva e Social

Acredita-se que, na maioria das pessoas contaminadas, é ainda na infância que ocorre o primeiro contato com o vírus do herpes labial.

A interação entre as crianças e adolescentes, além do contato com os adultos já contaminados faz com que o agente infeccioso seja disseminado com bastante facilidade e, por isso, a porcentagem de pessoas contaminadas é bastante alta.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), dois terços da população mundial abaixo de 50 anos foi exposta ao vírus do herpes simples, fazendo com que a infecção represente números alarmantes.

A infecção por herpes simples nem sempre manifesta sintomas e, por isso, uma parte significativa dos pacientes não sabe que tem o vírus. Em média, cerca de 50% a 60% dos portadores desenvolve a doença, ou seja, manifesta sintomas.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é herpes labial?
  2. O que causa a herpes labial?
  3. Qual o ciclo do vírus no organismo?
  4. Transmissão
  5. Grupos de risco
  6. Sintomas
  7. Fases da infecção
  8. O que pode desencadear uma crise?
  9. Diagnóstico
  10. Tem cura?
  11. Qual o tratamento?
  12. Medicamentos
  13. Convivendo
  14. Prognóstico
  15. Complicações
  16. Como prevenir o herpes labial?
  17. Perguntas frequentes

O que é herpes labial?

O herpes labial é uma infecção causada geralmente pelo vírus Herpes simplex do tipo 1, ou HSV-1. Quando a infecção se manifesta, é possível caracterizar a doença pelas lesões na região da boca, que surgem como bolhas doloridas e possuem grande capacidade de contágio e disseminação pelo contato com a pessoa infectada.

Ainda que os lábios sejam a região mais afetada, a doença também pode causar feridas na gengiva, língua, céu da boca, mucosa das bochechas e até na pele do rosto e do pescoço.

Em geral, quando falamos de herpes, tratamos sobre dois tipos de vírus da família Herpesviridae: o HSV-1 (tipo 1) e o HSV-2 (tipo 2). Basicamente, eles apresentam estruturas semelhantes, mas composição diferente, fazendo com que o organismo produza diferentes anticorpos ao interagir com cada vírus.

O tipo HSV-1 costuma causar lesões na região da boca, sendo que, popularmente, o herpes tipo 1 ficou conhecido como herpes labial. Já o vírus HSV-2 costuma ter maior prevalência na região genital, sendo popularmente chamado de herpes genital.

Apesar do HSV-1 geralmente causar sintomas mais brandos e ter uma virulência (capacidade de transmissão) menor em comparação ao HSV-2, os fatores imunológicos interferem na manifestação da doença fazendo com que, em ambas as infecções, a reação do corpo possa ser bem semelhante.

Até um tempo atrás, cerca de 80% das feridas na região genital eram causadas pelo vírus do herpes 2 (HSV-2) e 80% das lesões na boca eram devido ao HSV-1. Mas atualmente esse cenário tem mudado, possivelmente devido aos casos de sexo oral desprotegido.

Então, podemos considerar que há 2 tipos de herpes com predomínio em partes diferentes do corpo (boca e genitais), mas a manifestação da doença é bastante semelhante e pode incluir ambas as regiões (inclusive ocorrer de forma simultânea na boca e nos genitais).

A infecção passa por um período de latência, ou seja, ela pode estar presente no organismo e não desenvolver os sintomas, fazendo com que a infecção não seja reconhecida pelo paciente. Esse período pode ser de alguns meses ou durar uma vida toda.

Pode ser que os sintomas sejam constantes ou que se demore anos para ocorrer alguma manifestação, mas é importante lembrar que a infecção não tem cura, fazendo com que a pessoa contaminada mantenha o vírus em seu organismo.

Assim, o tratamento visa reduzir as lesões, a dor e o incômodo causado pela doença.

O que causa o herpes labial?

O herpes labial é geralmente causado pelo vírus HSV-1, mas também pode ser pelo HSV-2. O contágio ocorre pelo contato direto com pessoas infectadas ou suas secreções. Após a infecção, as lesões podem ser desencadeadas por quedas na imunidade, estresse ou ingestão de alguns alimentos.

Muitas pessoas são portadoras do vírus, mas não manifestam sintomas. Então é possível que o agente infeccioso fique inativo no organismo por um longo período.

Porém, quando algum fator desperta o vírus da herpes simples, as feridas na região dos lábios, boca e até garganta se manifestem.

Estima-se que até metade das crianças já tenham sido expostas ao vírus da herpes, sobretudo pelo contato direto com adultos infectados.

O vírus acomete a pessoa, atravessa a camada da pele e se instala no organismo, permanecendo inativo ou “adormecido” até que algo favoreça sua manifestação. Entre os fatores capazes de despertar os sintomas estão estresse, queda da imunidade, exposição intensa à luz solar ou outras infecções.

Em 2011, um estudo publicado no periódico Revista da Sociedade de Doenças Infecciosas da América indicou um possível motivo para que a doença se manifeste em algumas pessoas contagiadas, mas não em outras.

De acordo com a publicação, o surgimento das lesões pode estar associado à genética. As análises demonstraram que há diferenças em um gene presente no cromossomo 21 entre as pessoas que manifestam os sintomas.

Qual o ciclo do vírus no organismo?

Quando pensamos em herpes, muitas vezes, o associamos imediatamente às relações sexuais desprotegidas. Mas é válido notar que há, mundialmente, uma grande porcentagem de pessoas contaminadas pelo vírus do tipo 1, que geralmente está associado ao herpes labial.

O vírus Herpes simplex é transmitido por gotículas de saliva, beijos e contato direto com objetos contaminados.

Assim, no caso de crianças pequenas, colocar coisas na boca nem sempre é muito seguro — apesar desta ser uma forma dos bebês conhecerem o mundo e testarem os sentidos.

Quem é pai, mãe ou responsável por uma criança pequena sabe que por mais atentos que estejam, nem sempre dá tempo de higienizar as mãozinhas corretamente ou evitar que objetos vão à boca.

Então a criança está em meio a sua rotina de aprendizado, tateando o mundo e pega em algum objeto contaminado pelo vírus, levando-o à boca. Ou um tio adulto infectado resolve pegar no colo e beijar o sobrinho. Pronto, o vírus foi transmitido.

O microrganismo invade o corpo e se instala em alguma terminação nervosa, sobretudo nos gânglios (glândulas que auxiliam no sistema imune). Possivelmente, não haverá nenhuma manifestação de sintoma, pois é como se o vírus estivesse apenas adormecido no organismo.

Pode ser que leve alguns anos (ou muitos anos), mas se houver um abalo na imunidade, como uma situação muito estressante ou outra infecção, o vírus pode despertar.

Então, pode ser que aquela pessoa que foi infectada antes de 1 ano de idade só vá manifestar algum sintoma quando estiver, por exemplo, no período de vestibular, em que o estresse e a ansiedade são bastante altos.

Como há um fator desencadeante, o vírus do herpes sai do gânglio ou da terminação nervosa e migra para a epiderme (superfície da pele), provocando uma ferida.

A lesão, em geral, dura cerca de 8 dias, mas depende bastante da condição imune do paciente. Assim, enquanto a situação de estresse estiver acometendo a pessoa, a lesão tende a resistir.

Se a imunidade voltar a reagir, o organismo consegue amenizar gradualmente as feridas e o vírus adormece novamente.

Transmissão

A transmissão do vírus da herpes simples ocorre pelo contato direto com a pessoa infectada ou com a saliva dela. Tocar, beijar, fazer sexo sem proteção, compartilhar copos e talheres são formas de contrair o agente infeccioso.

A possibilidade de contágio é muito maior quando o paciente apresenta lesões visíveis, chegando a aumentar 1000 vezes.

Porém, é possível que mesmo quando o paciente não esteja em crises da doença (apresentando lesões aparentes), o vírus ainda possa ser transmitido — apesar desta possibilidade ser mínima.

Entre as situações mais recorrentes de transmissão estão:

  • Relações sexuais sem proteção (sexo oral);
  • Beijo;
  • Contato com a pele lesionada;
  • Compartilhamento de talheres, escovas de dente ou objetivos íntimos;
  • Contato com gotículas de saliva.

Mulheres grávidas também podem transmitir o HSV-1 ou HSV-2 durante a gestação ou no parto, se a criança entrar em contato com uma ferida.

Grupos de risco

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), estima-se que 90% da população mundial já tenha sido exposta ao vírus HSV-1, ainda que nem todas manifestem sintomas.

Entre os grupos de risco para o contágio pelo vírus da herpes simples estão:

  • Crianças pequenas (tendem a colocar objetos e a mão na boca com frequência);
  • Profissionais que lidam com o público (há maior contato com pessoas, aumentando os riscos de transmissão);
  • Profissionais da saúde (devido à circulação entre pessoas doentes);
  • Pessoas que fazem sexo sem proteção.

Sintomas

As feridas e bolhas na região dos lábios são os sintomas mais característicos do herpes simples, recebendo o nome de gengivoestomatite herpética.

Em média, 20% dos pacientes apresenta manifestações logo que é infectado, sendo que, nesses casos, a intensidade dos sintomas tende a ser maior. Ou seja, nas próximas manifestações clínicas, as lesões provavelmente serão menos doloridas e ardidas ou menores.

Pacientes que apresentam sintomas após a infecção podem manifestar quadros de febre, mal-estar, redução do apetite, dores de garganta e aumento dos linfonodos (ínguas) no pescoço.

As feridas do herpes simples são caracterizadas por pápulas que evoluem para bolhas cheias de um líquido seroso (resultado do processo inflamatório). Quando possuem até 3mm as lesões ainda são consideradas vesículas, mas acima disso são denominadas de bolhas.

Elas podem ainda surgir em diferentes quantidades, mas geralmente as vesículas surgem de forma agrupada e concentrada. As feridas costumam doer, arder, queimar e coçar, sobretudo quando a pessoa fala ou come.

É geralmente nos primeiros dias do aparecimento das bolhas que a dor e a coceira são maiores. Podem ocorrer inchaços, leves sangramentos e incômodo constante para mexer a boca, devido à sensibilidade.

É possível que os gânglios do pescoço fiquem inchados e doloridos, além de surgir pequenas úlceras acinzentadas no fundo da garganta (amígdalas).

Durante os surtos da doença (manifestação da lesão), o paciente também pode ter sensações de formigamento ou sensibilidade nas gengivas, ao redor da boca, na garganta e no rosto, além de dificuldade de engolir.

Em geral, as bolhas estouram e liberam o conteúdo seroso, transformando-se em ulcerações ou lesões expostas. Formam-se crostas ou camadas espessas durante a cicatrização e, em alguns dias, a ferida tende a regredir e melhorar.

Pacientes que sofrem com quadros regulares de herpes, muitas vezes, conseguem saber quando as lesões vão ocorrer, pois alguns sintomas se manifestam antes das bolhas surgirem.

Com a queda na imunidade, a região dos lábios que vai ser afetada pode coçar, arder ou ficar levemente dolorida, apontando para a possível lesão.

Quais os estágios do surto?

Quando ocorre um surto, pode-se separar a manifestação em 4 fases, que se assemelham no herpes tipo 1 e 2:

  • Prurido: é a fase inicial, em que a pessoa pode prever o surgimento das lesões. A região fica ardida e coçando;
  • Bolha: surge uma pequena bolha ou saliência na pele, podendo ser isolada ou agrupada. Há dor e as feridas tendem a inchar gradualmente;
  • Secreção: é geralmente a fase em que as feridas estão mais intensas e formam feridas com secreção que estouram e liberam o conteúdo;
  • Crosta: a fase final das lesões é marcada pela secagem da ferida que estourou. Forma-se uma crosta bastante sensível, que se for rompida pode sangrar.
  • Cicatrização: a crosta (ou casquinha) começa a melhorar e, gradualmente, se desfaz. Em pouco tempo, a pele apresenta melhora completa.

Vale ressaltar que os sintomas do herpes 1 ou 2 podem ser leves e passarem despercebidos e, normalmente, os pacientes que têm febre e dor apresentam melhoras desses sintomas antes que as feridas cicatrizem.

Fases da infecção

Também é possível dividir os sintomas de acordo com a fase da infecção:

  • Infecção primária: pode manifestar febre, feridas na boca, pele ou genitais. Mas os casos assintomáticos são comuns;
  • Latência: não há sintomas, mas o vírus migra para a região dos gânglios e se instala no organismo;
  • Recorrência: quando há situações que desencadeiam ou favorecem a manifestação do herpes, as lesões surgem na pele ou mucosas. Estresse, queda da imunidade e exposição prolongada ao sol, por exemplo, estão entre as causas.

O que pode desencadear uma crise?

Qualquer situação que provoque quedas na imunidade ou alterações do organismo pode ser o fator desencadeante das lesões recorrentes.

Em geral, os quadros mais associados à crise de herpes são:

  • Estresse;
  • Menstruação;
  • Exposição excessiva ao sol;
  • Infecções (como gripes e resfriados);
  • Má alimentação;
  • Uso de medicamentos, especialmente antibióticos.

Diagnóstico

Os profissionais mais indicados para o diagnóstico e tratamento do herpes são o dermatologista, infectologista, clínico geral e dentista.

A doença é diagnosticada essencialmente pela avaliação clínica, em que o profissional vai fazer um levantamento do histórico do paciente, dos sintomas e dos períodos de manifestação.

O profissional irá avaliar minuciosamente as lesões, considerando suas manifestações e sua frequência. Além do exame físico, exames podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico, mas são poucos os casos necessários.

Entre os exames que podem ser solicitados estão:

  • Esfregaço: uma amostra da lesão é coletada e enviada para análise, onde são empregadas técnicas para identificar se há a presença da infecção;
  • Biópsia: é solicitado, geralmente, quando as lesões apresentam formas atípicas de manifestação;
  • Sorologia e o exame de PCR (detecção DNA do vírus): feitos através de coleta de sangue, ajudam a distinguir infecções pelo vírus herpes simplex tipo 1 e tipo 2.

Tem cura?

Não. Nos pacientes que manifestam ou não os sintomas, após infectados, os organismos não são capazes de se livrar do vírus, apesar de haver tratamento. Muitos sequer vão descobrir que têm a infecção e, para quem desenvolve crises de herpes, há modos de tratar as lesões e amenizar a sua ocorrência.

Qual o tratamento?

O tratamento para o herpes labial consiste em amenizar os sintomas e melhorar mais rapidamente as lesões através do uso de medicamentos orais e pomadas.

De modo geral, as lesões e ulcerações cicatrizam sozinhas dentro de alguns dias, no entanto, o tratamento visa acelerar a recuperação e reduzir os incômodos, dores e desconfortos.

Vale ressaltar que tratar uma crise não evita ou previne crises futuras, mas auxilia a diminuir a dor, a ardência e o tempo de duração das lesões.

Para isso, são usados medicamentos antivirais, em pomada ou em comprimidos, ou apenas analgésicos, para aliviar as dores.

Os remédios de uso oral, em geral, surtem melhores efeitos quando são tomados antes das lesões aparecerem, geralmente naquela fase inicial em que se prevê o aparecimento das feridas.

Para pacientes com crises frequentes de feridas (pelo menos 4 por ano), o médico pode avaliar a necessidade ou a eficiência do uso continuado de medicamentos antivirais.

Além do uso de medicamentos, que deve ser avaliado e prescrito pelo médico, o tratamento consiste em amenizar os fatores desencadeantes das lesões.

Entre as opções de tratamento estão:

Medicamentos antivirais

Podem ser indicados para uso contínuo se o paciente sofrer com sintomas muito recorrentes. São mais eficazes quando o vírus está iniciando a manifestação e podem fazer as crises do herpes durarem algumas horas ou dias a menos.

Pomadas antivirais

As pomadas, de uso tópico (externo), são especialmente indicadas para acelerar a recuperação das lesões. São mais indicadas nos casos leves, com lesões que não comprometem as atividades do paciente e que não são frequentes.

Compressas antissépticas

Se houver recomendação médica, as compressas podem ajudar a amenizar a dor e melhorar a cicatrização. Podem ser feitas 2 ou mais vezes por dia, conforme necessidade.

Lisina

Recentemente, estudos publicados na Revista Gaúcha de Odontologia têm apontado os benefícios da lisina para reduzir ou amenizar as crises de herpes tipo 1. A substância é um aminoácido naturalmente presente em diversos alimentos, como o leite, as carnes, as frutas e os legumes.

Devido à capacidade da lisina em reduzir a multiplicação do vírus, fazendo com que os riscos de lesão sejam reduzidos, ela pode ser uma recurso terapêutico.

Apesar de haver recomendação de reforçar a alimentação com comidas ricas no aminoácido, novos tratamentos estão sendo conduzidos com o uso de suplementos ou remédios à base de lisina, que podem promover o aumento de até 20 vezes mais lisina no organismo.

De maneira resumida, a lisina entra no organismo e inibe a ação da arginina, que é um outro aminoácido. Apesar da lisina e arginina serem aminoácidos obtidos na alimentação, em contato com o HSV-1 elas possuem ações bem diferentes.

Enquanto a arginina estimula a reprodução e multiplicação do herpes, a lisina  inibe a ação da arginina. Ou seja, ao ingerir o suplemento, não há estímulos para que o vírus se manifeste.

Um estudo publicado na Revista Gaúcha de Odontologia, em 2007, acompanhou pacientes que passaram a ingerir 500mg de lisina por dia, durante 1 ano. Ao final da pesquisa, houve uma redução de 63% da incidência das lesões no período, apontando que a suplementação pode trazer benefícios no controle dos sintomas.

Medicamentos

O uso de pomadas antivirais auxilia a acelerar a cicatrização e diminuir a dor e o incômodo das lesões. O medicamento deve ser aplicado diretamente na região da feridas, conforme as recomendações do médico, respeitando a frequência e a quantidade indicadas até que as lesões melhorem.

Comprimidos

Entre as opções de ingestão oral (comprimidos) para o tratamento da herpes labial estão:

Há, ainda, comprimidos de cloridrato de lisina, como Gaballon e Resist.

Pomadas e soluções

Dentre as pomadas comumente utilizadas para o herpes labial estão as que contêm Aciclovir como princípio ativo, como a Zovirax. Como opções anestésicas, usadas apenas para aliviar a dor, há pomadas à base de lidocaína e benzocaína.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Conviver com o herpes labial pode ser muito simples ou muito trabalhoso, dependendo de cada organismo. Há pessoas infectadas com o vírus que nunca irão manifestar sintomas e, por isso, não há nenhum impacto na rotina.

Mas para os pacientes que desenvolvem as lesões, conviver com a doença requer cuidados e, muitas vezes, alterações no cotidiano para amenizar os sintomas.

Como o tratamento não é capaz de eliminar futuras ocorrências do vírus, os pacientes precisam observar aspectos capazes de desencadear os sintomas e eliminá-los — ou ao menos reduzi-los.

Veja algumas dicas para reduzir o aparecimento de lesões e melhorar a qualidade de vida:

Proteja-se do sol

Quando o portador do herpes fica exposto ao sol por longos períodos ou sob uma incidência solar muito forte, há grandes chances das lesões se manifestarem. Isso porque a radiação ultravioleta A reduz ou inibe as células de imunidade, o que favorece o desenvolvimento de infecções.

Como não é possível evitar constantemente o sol, o mais importante é se proteger com o uso frequente de protetor solar, que deve ser aplicado em toda a pele a cada 2 horas. Se possível, o ideal é evitar ficar exposto à radiação UVA nos períodos mais intensos, entre as 11 e 14 horas.

Cuide da alimentação

A alimentação está diretamente relacionada com a imunidade, pois ela fornece nutrientes necessários para o organismo manter o sistema de defesa atuante.

Por isso, vale investir naquelas dicas para a boa saúde em geral: uma alimentação balanceada, nutritiva e diversificada, dando preferência aos alimentos naturais e saudáveis.

O acompanhamento nutricional é importante e pode auxiliar na elaboração de uma cardápio equilibrado.

Evite arginina

A arginina é um aminoácido que pode estimular o desenvolvimento dos sintomas do herpes e prolongar a duração das crises. Entre os alimentos mais ricos no aminoácido estão chocolate, bebidas alcoólicas, kiwi, abacaxi e nozes.

Consuma lisina

A lisina é um aminoácido que age reduzindo a replicação do vírus e, por isso, auxilia a reduzir os episódios sintomáticos. Entre os alimentos com lisina estão carne magra, queijo, frango, soja, peixe, camarão, mariscos, nozes, sementes, ovos, feijão.

O aminoácido também pode ser consumido em forma de suplemento manipulado ou medicamento, desde que receitado pelo médico.

Reduza o estresse

Um dos fatores desencadeantes do herpes é o estado emocional do paciente. Situações estressantes, períodos ou rotinas desgastantes, fadiga mental ou distúrbios de ansiedade podem promover a manifestação dos sintomas ou prolongar os episódios.

O ideal é buscar alternativas para lidar com as situações do dia a dia. Um dos agravantes do herpes provocado por fatores estressantes é que muitos pacientes ficam incomodados ou constrangidos com as lesões, iniciando um ciclo que agrava a situação.

Ou seja, surge um episódio de estresse que desencadeia a lesão. A ferida se torna um incômodo e piora o estado emocional do paciente, que fica mais ansioso ou mais irritado com os sintomas, fazendo com que a ferida se prolongue ainda mais devido a intensificação do quadro emocional.

Apesar de não ser simples, é importante que o paciente aprenda a lidar com as lesões e sintomas da doença, para que eles se tornem menos limitadores quando ocorrerem.

Cuide enquanto as lesões se manifestam

Durante as crises, é importante que o paciente tenha cuidados redobrados com a doença. Como as lesões aumentam bastante a possibilidade de contágio, é importante que se evite o contato direto com outras pessoas, bem como o compartilhamento de objetos íntimos.

É importante separar utensílios, como talheres, toalhas e copos e intensificar os cuidados com a higienização das mãos.

Além disso, é fundamental evitar agravar as lesões coçando, esfregando ou perfurando (estourando) as bolhas, pois isso pode causar sangramentos, prolongar o tempo de recuperação e aumentar a sensação de dor.

Também é recomendado não tocar as feridas e, em seguida, tocar outras partes do corpo, sobretudo olhos e boca.

Favoreça a cicatrização

Siga sempre as recomendações do médico para evitar que as lesões se agravem ou o vírus seja transmitido. Isso inclui evitar o contato íntimo ou próximo com outras pessoas, separar utensílios e roupas íntimas, além de utilizar os medicamentos e medidas receitadas pelo profissional.

Ter cuidado na aplicação das pomadas também é fundamental. Evite esfregar ou arranhar as lesões, aplicando camadas adequadas do medicamento sem causar atrito na pele. Como a região está lesionada, todo atrito pode agravar a ferida.

Prognóstico

Para os pacientes que manifestam os sintomas do herpes, ainda assim, o prognóstico tende a ser bom. Quando as lesões se manifestam, em geral, elas duram entre 10 e 14 dias, melhorando gradualmente.

Alguns pacientes conseguem identificar fatores desencadeantes específicos, como queda na imunidade devido a outras doenças, mas há pacientes que são acometidos com mais frequência. Ainda assim, os sintomas tendem a não apresentar quadros graves ou debilitantes.

Em geral, há maiores preocupações quando as lesões surgem na região próxima aos olhos ou quando o paciente possui imunodeficiência, fazendo com que as lesões sejam mais severas.

Complicações

Pacientes que fazem quimioterapia, portadores do HIV, com câncer, além de crianças e idosos estão mais suscetíveis a essas complicações devido à baixa imunidade:

Cegueira

Há maior preocupação quando a lesão surge próxima aos olhos, pois a região é sensível e pode sofrer danos severos. Inflamações nas camadas dos olhos podem comprometer a visão e levar à cegueira.

Disseminação do herpes (eczema herpético)

As lesões podem se manifestar por todo o corpo, deixando o paciente altamente debilitado. Geralmente, os eczemas herpéticos ocorrem em sobreposição a outras dermatites, fazendo com que se formem placas, erupções e crostas bem mais agravadas.

Infecções secundárias da pele

As lesões podem promover a entrada e infecção de outras bactérias, agravando o estado de saúde do paciente.

Transmissão ao bebê

Mulheres grávidas com herpes podem transmitir o vírus para o bebê, provocando alterações no desenvolvimento do feto. O cérebro, os olhos e a pele podem ser afetados. Por isso, é preciso que a gravidez seja acompanhada por meio do pré-natal. Além disso, medidas que visam reduzir os riscos de transmissão devem ser adotadas.

Como prevenir o herpes labial?

O vírus do herpes simples é considerado um dos mais transmissíveis e mais circulantes. Como é transmitido por gotículas de saliva, evitar o contágio nem sempre é simples, mesmo em crianças pequenas.

O ideal é sempre manter os cuidados com a higiene das mãos e das superfícies, evitando coçar os olhos ou levar a mão à boca.

Devido à grande dificuldade em controlar a disseminação do vírus, torna-se importante evitar o agravamento da infecção e o contágio para outras regiões do corpo.

Nesse sentido, é fundamental que toda relação sexual seja protegida com camisinhas masculina ou feminina, incluindo o sexo oral.

Também deve haver cuidados quando pessoas próximas estão manifestando crises ou há a presença de feridas.

Então é preciso evitar o compartilhamento de objetos íntimos, como roupas ou lâminas de barbear, cuidar com a higiene e esterilização do ambiente, além de evitar o contato íntimo (como beijos e relações sexuais).

Como o vírus pode demorar anos para se manifestar, muitas pessoas descobrem, após muito tempo de relacionamento, que seus parceiros ou parceiras são portadores do vírus da herpes. Nesses casos, é importante reforçar os cuidados com a separação de objetos íntimos durante os períodos de crise.

Mesmo que não haja feridas visíveis ou conhecimento da infecção, o uso de preservativos em todo o tipo de relação sexual é fundamental para prevenir os tipos de herpes e outras ISTs.

Perguntas frequentes

Preciso fazer o teste de herpes?

Um relatório de Serviço de Prevenção dos EUA (USPSTF) recomenda que pacientes sem sintomas não precisam recorrer aos exames de herpes, mesmo diante da grande possibilidade de já terem sido expostas ao vírus.

Isso porque saber que você é portador não vai trazer grandes mudanças em sua vida, a menos que haja manifestação dos sintomas.

Quanto tempo demora para sair o herpes labial?

Quando as lesões e úlceras se manifestam, na boca ou genitais, a maioria dos pacientes precisa de aproximadamente entre 7 e 12 dias para a completa cicatrização.

Mas o tempo pode ser bastante variável dependendo do sistema imunológico do paciente  — as lesões podem durar mais de 20 dias.

Vale lembrar que a recuperação de uma lesão não significa que outras não possam surgir futuramente.

Quanto tempo demora para o vírus do herpes se manifestar?

Após o contato com o HSV 1 ou 2, algumas pessoas infectadas não têm nenhum sintoma ou manifestação. Entre os casos sintomáticos, a maioria dos pacientes apresenta sintomas em 5 ou 6 dias, mas é possível que haja manifestações, geralmente leves, entre o 2º e o 26º dia.

Por que o herpes não tem cura?

O tratamento visa controlar e amenizar os sintomas, acelerando a recuperação do paciente, para que as lesões e úlceras sumam. Apesar disso, o vírus não pode ser eliminado do organismo, fazendo com que a crise seja tratada, mas a infecção não.

Por que a herpes labial ocorre mais no verão?

A exposição prolongada ou exagerada ao sol pode baixar a imunidade do organismo e, para pacientes que têm o vírus, fazer com que os sintomas se manifestem.

Vale lembrar que quando o paciente está em crise, ou seja, apresenta as ulcerações, a transmissão é favorecida. Por isso, durante o verão pode ocorrer maior disseminação do vírus.

Além disso, é possível considerar que durante o verão, sobretudo nas praias e piscinas, pode haver descuidos com o uso compartilhado de toalhas e roupas íntimas, por exemplo.

Posso transmitir o vírus mesmo sem ter crises há muito tempo?

Sim. Mesmo pessoas em estado assintomático, que estejam sem crises há bastante tempo, podem transmitir o vírus, ainda que a probabilidade seja bem menor se comparada aos períodos em que há lesões.

Também vale lembrar que, às vezes, as feridas estão presentes em locais de difícil identificação (por exemplo, dentro da boca), fazendo com que a pessoa esteja em crise, mas não saiba.

Herpes labial é menos grave do que herpes genital?

Não. Os dois tipos de herpes são bastante semelhantes e causam sintomas de manifestação parecidos.

A principal diferença, além de um predominar na boca e outro nos genitais, é o estigma social, pois geralmente associamos apenas o herpes genital às DSTs, fazendo parecer que o tipo 1 (labial) é menos grave.

Como o tipo 1 é facilmente transmitido pelo beijo e a infecção pode ocorrer inclusive na infância, muitas pessoas acreditam que o vírus HSV-1 é menos agressivo.

Quem tem herpes labial tem o herpes genital também?

Não necessariamente. São duas condições diferentes, mas é possível que o paciente apresente as duas infecções, causadas por tipos diferentes do vírus.


O vírus do herpes é um agente com grande capacidade de contágio e apesar da enorme incidência, nem todas as pessoas manifestam sintomas. Por isso, muitas passam toda a vida sem saber que foram contaminadas.

Os cuidados com a doença são focados principalmente em minimizar as crises e oferecer melhor qualidade de vida aos pacientes que sofrem com as lesões.

Para mais dicas e informações sobre saúde e prevenção, acompanhe o Minuto Saudável!

Fontes consultadas

Publicado originalmente em: 30/06/2017 | Última atualização: 21/09/2018

21/09/2018 08:03

Ana Luiza (Minuto Saudável)

Redatora e revisora, estudou Terapia Ocupacional na UFPR, é jornalista, mestre em Estudos de linguagem e doutoranda em Sociedade e Tecnologia, pela UTFPR. Produz matérias sobre alimentação e bem-estar.

Ver comentários

  • Muito explicativo esse artigo , sempre que aparecia com esses sintomas pensava que era por causa de algum potó , agora vejo que não . 👍👏

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    • Muito bom o artigo, bem didático!
      Sou médico naturista (medicina tradicional chinesa, especialização em Homeopatia, fitoterapia, e, estudos dos efeitos neurológicos da acupuntura auricular).
      Acredito na cura do Herpes, envolvendo os processos neurotransmissores, sinapses e reações específicas do sistema imunológico, estimulado por Acupuntura Sistêmica em conjunto com a aplicação da Acupuntura Auricular, apropriada para o caso.

      Podemos e devemos utilizar tanto a Homeopatia, quanto a Fitoterapia em apoio ao tratamento pelas Acupunturas. Isto, do ponto de vista das medicinas naturistas.
      Parabéns, pelo excelente trabalho informativo.

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      • Mas não há cura para o herpes....o que conseguimos, por diversas culturas e seus conhecimentos, é amenizar os sintomas!

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        • Eu tenho desde novo. Graças a Deus descobri um tratamento que realmente funciona, já faz 2 anos que ele não se manifesta

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          • qual e esse tratamento amigo

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  • Muito bom esse artigo gostei muito.

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  • Nossa demais esse artigo...muito informativo...nem savia que apenas 10% ou 20% se eu nao me engano podem manifestar os sintomas clinicos...eu estou nesse "balaio" aí...também adorei a parte sobre os remèdioa caseiros!!!!

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  • Parabéns pelo artigo!
    Top, muito informativo.
    Eu tenho herpes desde criança e não sabia porquê nem como tratar.

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    • Eu tbm, peguei na escola com certeza, mas nem sabia que era herpes. Sempre que a imunidade baixa aparece aff

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  • Sou portadora do herpes tipo-1. Desde quando eu era bem pequena, já apresentava as manifestações clínicas.
    Eu uso Vodol para a cicatrização, em 2, no máximo 3 dias a ferida está cicatrizada!

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  • Meu irmão mais pegou herpes e agora estou com medo de pegar também! Alguem sabe se é provável q eu pegue por causa disso?

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    • Olá, Luisa!

      A possibilidade do seu irmão transmitir a doença para você existe, especialmente se vocês compartilharem objetos de uso íntimo, como toalhas, lâminas, louças e outros itens. Entretanto, se você tomar as devidas medidas de precaução, é possível se prevenir do contágio.

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  • parabens pelo irfomativo muito util obrigado a todos do minuto saudável

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  • Excelente artigo, bem explicativo! Eu amei!

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  • Olá
    Boa noite
    Muito bom sei artigo n gostei bastante ! Vc conseguiu abordar de mandries clara e completa todos os aspectos da doença !
    Parabéns
    Amamda

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