O que é Desmaio (Síncope), causas, sintomas, o que fazer e mais

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Normalmente há uma diminuição da audição e alterações na visão. Os membros podem ficar levemente amortecidos e manchas escuras podem invadir o campo de visão. Tonturas, formigamento dos pés e fraqueza muscular podem ser antecedentes ao desmaio.

Isso significa que, com grandes chances, o cérebro não está recebendo oxigênio suficiente e a pessoa irá desmaiar.

No cinema ou nas novelas, a personagem eleva o antebraço à cabeça e anuncia o mal-estar. Apesar de bastante reproduzida nas telas, o desmaio quase nunca acontece de forma tão dramática e delicada.

Estima-se que até 30% da população sofre ao menos 1 desmaio durante a vida.

A perda de consciência pode estar associada a diversas situações, de ordem patológica, situacional ou altos impactos emocionais, por exemplo.

Há pessoas mais suscetíveis à perda de consciência, inclusive com certa frequência, enquanto outras podem nunca desmaiar.

É importante observar a ocorrência e verificar os possíveis eventos que desencadeiam a situação para evitar ou minimizar os riscos. Mas a maioria dos casos não apresenta causas graves ou consequências severas advindas da síncope.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é um desmaio?
  2. Causas
  3. Disfunção no sistema nervoso autônomo
  4. Desmaios na gravidez
  5. Diagnóstico diferencial
  6. Fatores de risco
  7. Prevalência
  8. Sintomas
  9. Como é feito o diagnóstico?
  10. Desmaios frequentes têm cura?
  11. O que fazer durante o desmaio?
  12. Como prevenir os desmaios?
  13. O desmaio e a evolução humana
  14. Por que algumas pessoas desmaiam ao ver sangue?
  15. Jogo do desmaio e outros desafios perigosos
  16. Perguntas frequentes

O que é um desmaio?

Nos termos médicos, o desmaio é chamado de síncope. A situação é configurada como uma perda momentânea de consciência e do tônus muscular.

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Isso significa que para configurar um desmaio, é preciso que o paciente perca a consciência, bem como a sua capacidade de manter o controle corporal.

Na maior parte dos casos, a síncope é um sinal que o cérebro envia ao organismo alertando sobre a falta de oxigênio. Sem receber quantidades adequadas do gás, há a incapacidade de manter as funções neurológicas.

Não é preciso estar em pé para desmaiar. Apesar de ser mais comum em casos de pressão baixa, é possível desmaiar quando se está sentado ou deitado.

Além disso, a condição é um quadro passageiro, em que a consciência é recuperada breve e completamente em poucos minutos.

Se a causa for por pressão baixa, por exemplo, geralmente não há danos posteriores. O maior risco é que, ao cair, a pessoa se lesione, bata a cabeça ou sofra acidentes (se estiver dirigindo, operando máquinas ou ferramentas).

Em geral, as causas mais frequentes estão relacionadas à queda da pressão sanguínea, quadros emocionais (ansiedade, respiração acelerada, medo exagerado), jejum e hipoglicemias, e à realização de atividades físicas intensas.

Nem sempre é possível prever a perda da consciência, pois ela pode ocorrer de modo súbito. No entanto, na maior parte, ela é acompanhada de fraqueza, tontura, visão embaçada, náuseas e dificuldade de movimentação.

Esses sintomas decorrem das causas do desmaio, por exemplo, a pressão baixa ou hipoglicemias, podendo variar para cada pessoa ou ocasião.

Em casos de fortes emoções ou impactos emocionais, o desmaio pode ocorrer de forma imediata devido à alta carga emocional. Isso faz com que nem sempre dê tempo de perceber os sinais do desmaio.

Quando ocorre a perda de consciência, deve-se acompanhar o paciente, garantindo seu bem-estar e recuperação.

Apesar de geralmente não serem um indício grave, se frequentes e sem causa conhecida, os desmaios precisam ser investigados.

Causas

As causas são bastante variadas. Enquanto algumas pessoas têm maior tendência aos desmaios, outras suportam bem as alterações de glicemia e pressão, que são causas mais comuns às síncopes.

De maneira geral, a origem não é devido a fatores graves, que representem riscos à saúde. Apesar de mais raros, há outros casos podem estar associadas a disfunções cardíacas e até tumores cerebrais.

Queda na pressão

Lugares fechados e com pouca circulação de ar, altas temperaturas, exercícios intensos e períodos prolongados sem ingerir alimentos podem ocasionar a queda da pressão.

Além disso, pacientes com hipotensão ou que fazem uso de medicamentos para controlar a pressão podem ser mais sensíveis aos desmaios.

A síncope ocorre porque o bombeamento sanguíneo não está sendo eficaz para fazer o sangue chegar até o cérebro. O resultado é que menos oxigênio é transportado e as funções neurológicas ficam comprometidas.

De modo geral, a condição é momentânea e melhora rapidamente. A maior parte das pessoas, antes de desmaiar, ainda apresenta sintomas bastante reconhecíveis, como palidez, suor frio, tonturas e visão turva.

Ao identificar os primeiros sinais do mal-estar, é indicado que o paciente seja deitado, com os pés mais elevados do que a cabeça, pois isso favorece o retorno sanguíneo à região cerebral, evitando que ocorra a perda da consciência.

O procedimento para o paciente que desmaiou deve ser o mesmo.

Álcool e outras drogas

Beber exageradamente ou muito rápido pode causar desmaios. Isso porque o excesso de álcool no organismo altera o funcionamento do sistema nervoso central (SNC) e do sistema respiratório, fazendo com que o organismo fique em colapso.

Às vezes, a quantidade de bebida não é tão grande, mas a velocidade com que foi ingerida é muito alta. Imagine que alguém consiga tomar 3 doses de alguma bebida durante a noite toda, mas por algum motivo resolveu beber as 3 em menos de 1 hora: o organismo até consegue lidar com a quantidade de álcool, mas não está pronto para processar tudo junto.

De modo geral, o abuso de álcool e outras drogas (incluindo os medicamentos tranquilizantes) se concentra no organismo e não possibilita a metabolização adequada. O resultado é que as elevadas quantidades das substâncias afetam regiões cerebrais, fazendo com que ele se desligue temporariamente.

Fatores emocionais

Desmaiar de medo, de ansiedade ou depois de fortes emoções é uma reação relativamente comum ao organismo.

De maneira geral, o desmaio ocasionado por fatores emocionais é uma ação de proteção do corpo diante da pressão física ou emocional exagerada. Nesse caso, o cérebro pode se desligar temporariamente.

A medida pode ser comparada com um interruptor que, ao ser sobrecarregado, desliga ou interrompe o funcionamento a fim de evitar curto-circuitos.

O mecanismo do organismo é o mesmo em casos de dor extrema: há uma vasoconstrição – onde os vasos sanguíneos se retraem e diminuem a passagem de sangue. Com o fluxo diminuído, o oxigênio chega mais escasso ao cérebro, causando o desmaio.

Além disso, situações de alto impacto emocional podem causar a sensação de sufocamento, agitação e a ansiedade. Pode ocorrer uma aceleração na respiração, causando a chamada hiperventilação.

Assim, o oxigênio e o gás carbônico ficam em concentrações inadequadas no sangue. Mesmo que o fluxo sanguíneo esteja relativamente estável, as tonturas e desmaios ocorrem pela pouca oxigenação cerebral.

Hipoglicemia

As hipoglicemias são mais comuns em pacientes com diabetes, no entanto, ainda que mais raramente, elas podem acometer qualquer pessoa.

A condição é caracterizada por uma queda acentuada das taxas de glicose. O aparecimento dos sintomas depende de cada pessoa, mas geralmente há tremores, irritabilidade, fome, suor frio e fraquezas.

Em casos mais severos, os desmaios e convulsões podem decorrer da queda severa da glicemia.

A condição é geralmente desencadeada por longos períodos sem comer, atividades físicas intensas e prolongadas, mudanças alimentares recentes ou pelo uso de medicamentos que interagem com a glicemia.

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, indicam que abaixo de 50mg/dL o paciente já se sente mal, com dificuldades motoras e de raciocínio. Entre 50mg/dL e 30mg/dL, há riscos de desmaios e convulsões, sendo que glicemias abaixo de 30mg/dL representam riscos à vida.

Com a queda acentuada, o cérebro recebe pouca glicose e não consegue desempenhar suas funções corretamente. Assim, se a glicemia permanece baixa, a atividade neurológica fica comprometida, aumentando os riscos de desmaios e convulsões.

Sintomas como tremores, suor frio, irritabilidade, dificuldade de raciocínio, alteração respiratória, palidez são sinais de emergência que está faltando energia para as funções do organismo.

Alterações cardíacas

Se houver obstrução de uma válvula cardíaca, o fluxo sanguíneo pode ser afetado, tendo sua circulação diminuída.

Com a circulação prejudicada, o cérebro recebe menos oxigênio, o que ocasiona a perda momentânea da consciência.

Alguns pacientes com alterações cardíacas podem desmaiar apenas por permanecerem muito tempo em pé. Isso porque o sangue se concentra nos membros inferiores e a contração cardíaca não tem força para bombear o sangue até a região da cabeça.

Síncope vasovagal

Também conhecida como síndrome vasovagal, a condição é uma das causas mais comuns de desmaios, acometendo geralmente adultos jovens. Apesar de benigna, a condição é verificada em 3% dos homens e 3,5% das mulheres.

O diagnóstico apresenta um desequilíbrio no sistema nervoso autômato, ou seja, aquele que funciona independentemente das nossas vontades (batimentos cardíacos, respiração, por exemplo).

Em pessoas saudáveis, os sistema simpático e parassimpático atuam de modo interdependente para manter estáveis as funções do organismo. Por exemplo, enquanto o primeiro acelera e estimula as contrações cardíacas, o segundo reduz os batimentos.

Assim, quando alguma condição estimula a dilatação dos vasos sanguíneos ou promove o aumento dos batimentos cardíacos, o organismo tenta reverter o quadro através da contração espontânea dos vasos para que não haja prejuízos às funções.

Isso acarreta na diminuição do fluxo sanguíneo. Porém, quando há alterações no vasovagal, a retração dos vasos é exagerada e ocasiona a diminuição severa dos batimentos, resultando na queda da pressão arterial.

Traumatismo craniano

Quando há batidas, lesões ou impactos fortes na região da cabeça, as estruturas cerebrais podem ser danificadas, mesmo que não haja dano visível.

Na maior parte dos casos, o desmaio ocorre devido ao choque ou à batida, ocorrendo imediatamente à lesão.

No entanto, algumas pancadas moderadas ou intensas que provoquem a perda de consciência imediata ou não causam sintomas mais tardiamente, podendo ocasionar desmaios, dores de cabeça e vômitos horas depois da batida.

Desidratação

Manter a hidratação adequada é fundamental para evitar diversos sinais e sintomas, como dores de cabeça e fadiga.

Quando o corpo sente sede já é um sinal de desidratação leve. Após algumas horas, outros sintomas podem se manifestar, como tonturas, alterações de visão e desmaios.

O ideal é consumir cerca de 2 litros de água ao longo do dia, fracionando a ingestão para que o organismo seja hidratado continuamente.

Hiperventilação

É uma condição geralmente associada às alterações emocionais. Em episódios de alta ansiedade, pânico ou nervosismo, o paciente tende a respirar mais rapidamente.

A mudança na frequência respiratória pode estar vinculada à sensação de sufocamento ou não.

Com a respiração acelerada, há maior eliminação de dióxido de carbono do sangue, fazendo com que haja um temporária alteração do pH sanguíneo, deixando-o mais básico.

A condição pode causar um estreitamento dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação de sangue. O resultado é que há oferta de oxigênio ao cérebro e, portanto, as síncopes podem ocorrer.

Levantar rapidamente

Clinicamente, denomina-se a condição de hipotensão ortostática. Geralmente ocorre quando a pessoa permanece deitada ou sentada por algum tempo e se levanta de maneira brusca.

Geralmente, tende a ser associada a outros fatores que causam a queda da pressão, como o calor ou o jejum, mas pode ocorrer sem outros precedentes.

Isso se deve ao fato de que o sangue não foi bombeado com força o suficiente para atingir a região cerebral, ocasionando a pouca oxigenação cerebral.

Anemia

A anemia é configurada por uma redução na concentração de glóbulos vermelhos, geralmente ocasionada por carência de algum nutriente, como ferro ou vitamina B12.

Como as hemácias ou glóbulos vermelhos são responsáveis pelo transporte de oxigênios às células e tecidos do corpo, quando a anemia se apresenta, geralmente há sintomas relacionados à baixa oxigenação do organismo.

Entre os sinais e sintomas mais recorrentes estão a fraqueza, as tonturas e o cansaço extremo.

Os desmaios prevalecem em condições mais agravadas da anemia, pois significa que há um severo comprometimento da oxigenação cerebral.

Mas com o início dos tratamentos e uma boa resposta do organismo à suplementação nutricional, os sintomas geralmente são rapidamente minimizados.

Hemorragia

As hemorragias são condições graves que podem desencadear o desmaio. Há 2 tipos de hemorragia: os sangramentos externos, relacionados a fraturas ou cortes profundos, ou internos, devido a batidas ou pancadas intensas.

Quando a hemorragia é externa, ela é facilmente percebida, devendo ser rapidamente estancada. Porém, nos casos internos, o sangramento pode não ser percebido imediatamente e ocasionar danos ao organismo e riscos à vida.

Com a perda constante de sangue, a oxigenação dos tecidos fica comprometida e, como consequência, o desmaio acontece. A evolução do quadro é normalmente rápida, dependendo do tipo de lesão e do fluxo de vazamento sanguíneo.

Alterações na pressão ou circulação sanguínea

Há medicamentos que podem reduzir o fluxo sanguíneo, baixar a pressão ou inibir o transporte de oxigênio pelas hemácias.

Doses altas de remédio para o tratamento de hipertensão, uso de diuréticos, vasodilatadores, emagrecedores, antialérgicos e até medicamentos psiquiátricos podem interferir na estabilidade da pressão.

Ainda é possível que problemas relacionados à circulação sanguínea possam desencadear desmaios, logo que o sangue não é bombeado ou transportado com força suficiente para chegar à região cerebral.

Tumores cerebrais

Os tumores na região cerebral são condições pouco comuns, mas que quando ocorrem podem desencadear desmaios rotineiros.

A formação de uma massa indevida no cérebro pode ocasionar na pressão interna na região e reduzir o fornecimento de sangue. Com a ausência da irrigação sanguínea, e consequentemente de oxigenação, há uma perda temporária de consciência que pode ser recorrente.

Disfunção no sistema nervoso autônomo

Disautonomia é o termo que denomina o funcionamento indevido do sistema nervoso autônomo.

Como a grande parte dos desmaios é decorrente da disautonomia, para compreender as causas e como ocorre a perda de consciência, é preciso entender o funcionamento do organismo e suas regulações.

O sistema nervoso autônomo (SNA) é responsável pelo controle e manutenção de diversas funções vitais do organismo de modo automático. Ou seja, são produzidos estímulos involuntários para a realização das funções sem que seja necessário refletir sobre elas.

Algumas das atividades automáticas reguladas pelo SNA são:

  • Pressão arterial;
  • Frequência cardíaca;
  • Função respiratória;
  • Temperatura corporal;
  • Digestão;
  • Metabolismo;
  • Equilíbrio de água e eletrólitos;
  • Produção de secreções, como saliva e suor.

Dividindo-se em 2 partes, o sistema autônomo apresenta uma região chamada sistema nervoso simpático e outra denominada sistema nervoso parassimpático.

Em condições saudáveis, ambas as regiões agem de forma antagônica e interdependente.

Ou seja, enquanto a região simpática estimula as funções, secretando principalmente um hormônio chamado noradrenalina, a região parassimpática inibe, freia ou desacelera as ações, secretando principalmente a acetilcolina.

Portanto, há um controle sincrônico e ideal para a manutenção das funções ou para restabelecer o equilíbrio quando algo fora do normal acontece (por exemplo, emoções fortes, sustos ou até a prática de atividades físicas).

Na disautonomia o organismo não é capaz de manter o equilíbrio das funções autônomas, um dos sinais que pode se manifestar é a síncope advinda da falta de oxigenação cerebral.

A condição é transitória (rapidamente restabelecida), porque, ao desmaiar, a tendência é que o corpo fique na posição horizontal. Isso faz com que o sangue não necessite de um bombeamento tão intenso e, portanto, chegue mais facilmente ao cérebro.

Desmaios na gravidez

Os desmaios durante a gravidez são relativamente normais.

Em geral, são ocasionados porque há uma tendência da pressão sanguínea ficar mais baixa, sobretudo nos primeiros meses da gestação.

Há uma série de mudanças hormonais e adaptações que o corpo da gestante está sendo submetido, isso faz com que algumas descompensações possam ocorrer.

Aliando a predisposição de algumas mulheres à baixa pressão ou fatores externos, como calor, jejum prolongado e má hidratação, os desmaios e fraquezas podem ocorrer com relativa frequência na gestante.

Os maiores riscos relacionados à síncope na gravidez relacionada à queda de pressão se referem às possíveis lesões que a mãe pode sofrer ao cair.

Por isso, o ideal é que, ao sentir mal-estar, tontura ou ansiedade, a mulher mantenha a calma e encontre um local adequado para sentar ou deitar.

Os sintomas ainda podem envolver suor frio, náuseas e dores de cabeça, geralmente advindos da pressão baixa ou hipoglicemia. Nesse caso, é importante verificar a alimentação e a hidratação do organismo.

Para as mães que apresentam desmaios frequentes, é preciso incluir alguns cuidados rotineiros, entre eles:

  • Alimentar-se de maneira fracionada, sem manter longos intervalos entre cada refeição;
  • Beber bastante água;
  • Evitar lugares aglomerados, com pouca circulação de ar ou muito quentes;
  • Levantar-se devagar, apoiando-se em corrimões ou suportes;
  • Usar roupas frescas e confortáveis;
  • Ao se sentir mal, avisar alguém para que os cuidados sejam tomados.

Apesar das tonturas e desmaios serem relativamente recorrentes na gravidez, geralmente não apresentando causas mais graves, é sempre importante avisar ao médico obstetra sobre os acontecimentos.

Diagnóstico diferencial

Em 40% dos casos, os desmaios não apresentam causa conhecida. No entanto, é preciso diferenciar algumas situações que tendem a ser confundidas com síncopes.

Epilepsia

A epilepsia pode ser a causa da perda de consciência frequente, no entanto, ela é geralmente acompanhada por contrações musculares intensas, sendo facilmente diferenciada do desmaio comum.

A epilepsia configura um quadro severo, sendo necessário realizar tratamentos e acompanhamento intenso.

Labirintite

Pessoas que sofrem com labirintite podem ser constantemente acometidas pelas vertigens, que geralmente estão associadas às náuseas, vômitos e sudoreses.

Alguns pacientes associam os desmaios à condição, no entanto, a síncope geralmente é causada por outros fatores, como a pressão baixa ou a crise ansiosa que a pessoa pode desenvolver ao ter uma crise labiríntica típica.

Ou seja, a labirintite em si não causa o desmaio, apenas uma forte sensação de vertigem e desequilíbrio.

Para que haja o diagnóstico de condição é preciso haver alterações nas estruturas presentes na orelha interna.

As causas mais comuns para a labirintite se desenvolver são inflamações, infecções ou lesões na região, que fazem com que a membrana transmita impulsos ao sistema nervoso de modo alterado.

Isso causa sensações de vertigem e tonturas, além de poderem afetar a audição.

Devido à sensação de náusea e tontura, quem sofre com crise labirínticas pode, algumas vezes, atribuir algum desmaio à doença. Mas, normalmente, as condições não estão diretamente associadas.

Convulsão e os desmaios

É preciso diferenciar as crises convulsivas dos desmaios. Enquanto as síncopes possuem causas diversas e, na maior parte dos casos, não são causadas por condições graves, as convulsões precisam de tratamentos e acompanhamento médico, pois são contrações musculares involuntárias, geralmente bastante intensas e severas.

Apesar de geralmente apresentar a perda de consciência, a condição não é necessariamente presente.

As causas são diversas, podendo ser causadas por hipoglicemias severas, epilepsias e traumatismos cranianos, por exemplo.

Fatores de risco

Geralmente os desmaios não estão associados a situações mais graves, salvo aquelas em que envolvem problemas cardíacos ou problemas neurológicos.

Nesses casos, as síncopes tendem a ser mais frequentes e devem ser acompanhadas por profissional de saúde a fim de controlar ou tratar a doença primária.

De maneira geral, a perda de consciência demonstra maiores riscos se ocorrer enquanto a pessoa dirige, atravessa ruas, utiliza algum equipamento motor (como empilhadeiras ou ferramentas elétricas).

Além disso, ao cair, o paciente pode se lesionar, agravando a condição, por exemplo, ao bater a cabeça com força.

Prevalência

Os atendimentos médicos decorrentes dos desmaios representam, em média, 5% das consultas de urgência e emergência.

A maioria é porque houve alguma lesão, edema grave ou fratura durante a queda.

Nas crianças, adolescentes e adultos, a principal causa é referente às condições neuromediadas (fatores neurológicos), ou seja, geralmente associadas à queda de pressão ou hipoglicemia.

Após os 65 anos, os casos de desmaio se elevam e têm maior prevalência de fatores cardíacos.

Sintomas

As síncopes podem acometer o paciente de modo súbito, sem que haja percepção ou manifestação de outros sintomas.

Mas, principalmente quando está relacionada à pressão baixa ou à hipoglicemia, há tendências de envolver sinais como:

  • Tonturas;
  • Vertigem;
  • Visão embaçada;
  • Náuseas;
  • Dores de cabeça;
  • Fraqueza;
  • Suor frio;
  • Dormência nos membros ou no corpo todo;
  • Agitação devido a fatores emocionais;
  • Arritmia cardíaca;
  • Respiração acelerada;
  • Calor ou mudança brusca de temperatura corporal;
  • Palidez;
  • Pulso fraco.

Como é feito o diagnóstico?

Geralmente, ao realizar o atendimento médico, o paciente relata a perda de consciência e o profissional irá investigar as causas do desmaio.

Através do levantamento do quadro clínico do paciente, observando as possíveis causas e contextos (calor exagerado, alimentação ou exercício intensos), é procedimento realizar a aferição (medição) da pressão e, em alguns casos, solicitar exames.

Como as causas podem ser diversas, se o médico não conseguir identificar o evento causador da síncope, ainda é possível recorrer aos exames de sangue, cardiológicos, neurológicos e de imagem, como o hemograma, ferritina e eletroencefalograma.

Tilt-test

O procedimento também é chamado de teste de inclinação, sendo um recurso complementar para investigar as causas de tonturas e desmaios.

O método se mostra bastante eficaz para determinar a presença a síncope vasovagal.  De modo geral, o teste permite identificar:

  • Variação da frequência cardíaca;
  • Variação da pressão arterial;
  • Variações do ritmo cardíaco;
  • Eficiência do sistema nervoso autônomo.

Para realizar o exame, geralmente é solicitado que o paciente esteja em jejum por 4 horas. São colocados medidores cardíacos através de adesivos posicionados no tórax, e medidores da pressão arterial, através de um dispositivo colocado nos dedos.

Em síntese, o paciente é monitorado enquanto permanece deitado, em repouso. Após um período, há inclinações da cama, fazendo com que o corpo do paciente seja levemente angulado verticalmente.

A ideia é provocar alterações na posição corporal e verificar como o fluxo sanguíneo se comporta. Assim, quando a posição é alterada, o sistema autônomo deve ser capaz de estimular ou contrair o fluxo sanguíneo para que haja transporte adequado de oxigênio.

Desmaios frequentes têm cura?

Os desmaios geralmente são situações isoladas, causadas por fatores diversos.

Estima-se que até 40% das síncopes sejam de causas desconhecidas e que até 30% da população irá desmaiar pelo menos 1 vez durante a vida.

Se a condição for ocasionada por uma doença ou situação identificável, é possível realizar tratamentos ou evitar a causa. Logo que algumas situações são tratáveis e podem eliminar os desmaios, como as anemias ou problemas cardíacos.

Outras condições são controláveis e podem reduzir as síncopes, como as quedas de pressão e hipoglicemias.

Por exemplo, se o desmaio for ocasionado por pressão ou glicemia baixa, é preciso estar atento aos fatores desencadeantes, como má alimentação, jejuns prolongados e calor excessivo.

Nesse caso, ao realizar o devido acompanhamento médico, são monitoradas a pressão e a glicemia a fim de reduzir as reações, mas nem sempre há um impedimento da hipotensão ou hipoglicemia.

Se o desmaio advir de situações de estresse ou nervosismo, deve-se buscar acompanhamento psicológico e minimizar os momentos estressantes.

Nos demais casos, a síncope se apresenta em frequências bastante esporádicas, tornando difícil determinar as causas.

O que fazer durante o desmaio?

Quando você presencia alguém desmaiando, o ideal é afastar a pessoa de locais ou objetos perigosos, como janelas, escadas, automóveis ou ferramentas.

É preciso deitar o corpo da pessoa e manter a cabeça virada para o lado, preferencialmente com os pés mais elevados do que o restante do tronco, pois a posição favorece que o fluxo sanguíneo chegue sem dificuldades ao cérebro.

Além disso, é necessário arejar e ventilar o ambiente, permitindo que haja uma boa oferta de oxigênio à pessoa e que ela consiga respirar adequadamente.

Deve-se ainda verificar se há roupas ou acessórios apertados que dificultem a circulação sanguínea.

Geralmente, se o desmaio for causado por pressão baixa ou má oxigenação cerebral, essas medidas são suficientes para estabilizar o organismo.

A hidratação é indicada, mas é preciso verificar a capacidade da pessoa em ingerir líquidos, para que não haja engasgamento.

O que fazer em desmaio por hipoglicemia?

Pacientes com diabetes ou quadros de hipoglicemia severa podem perder a consciência devido à baixa do açúcar no sangue. Nesses casos, é preciso tomar medidas diferentes daquelas referentes à pressão baixa.

Se o desmaio for seguido da recuperação da consciência, pode-se oferecer produtos com açúcar à pessoa, preferencialmente líquidos pois possuem absorção mais rápida.

Porém, se a pessoa permanecer desmaiada, nenhum alimento líquido ou sólido deve ser colocado em sua boca, pois as chances de causar afogamento são altas. Nesse caso, o procedimento mais indicado é solicitar auxílio emergencial.

O que não fazer quando alguém desmaiar?

  • Não oferecer alimentos ou bebidas enquanto não houver recuperação total da consciência;
  • Não sacudir ou chacoalhar a pessoa;
  • Não fazer aglomerações ao redor da pessoa, pois isso pode diminuir a circulação de ar, além de aumentar o calor;
  • Não forçar a pessoa a se levantar ou se manter ereta;
  • Não jogar água na pessoa.

Como prevenir os desmaios?

De modo geral, é difícil estimar quando um desmaio vai ocorrer. Para pessoas que possuem síncopes frequentes sem causa conhecida, algumas medidas podem ser tomadas para reduzir a incidência. Por exemplo:

  • Apoiar-se para levantar, evitando movimentos abruptos ou rápido demais, principalmente após um longo período sentada ou deitada;
  • Manter o organismo hidratado;
  • Fracionar a alimentação, evitando que se permaneça longos períodos em jejum;
  • Evitar a prática de atividades físicas sob o sol, em locais abafados ou pouco arejados;
  • Evitar roupas muito apertadas, sobretudo na região da cintura, quadris, pernas e pescoço;
  • Não pular refeições;
  • Evitar situações estressantes ou fortes emoções (como parques de diversão e filmes, por exemplo);
  • Avisar ao médico sobre a predisposição ao desmaio, pois alguns medicamentos podem facilitar a queda da pressão.
  • Evitar permanecer em pé por longos períodos, sobretudo sem movimentar os pés e pernas.

O desmaio e a evolução humana

Estudos desenvolvidos pelo Hospital de Manchester, na Grã-Bretanha, apontam que desmaiar pode estar relacionado com aspectos da evolução humana.

Quando não estão vinculados a causas fisiológicas, como hemorragias, a perda de consciência seria uma recurso de defesa do organismo.

Isso porque, no passado, os humanos dividiam espaço com animais selvagens e, portanto, corriam riscos de serem atacados com frequência. Se não houvesse chances de lutar ou fugir, desmaiar era uma alternativa para enganar o predador.

Caso o animal selvagem pretendesse apenas atacar a vítima em movimento, ao percebê-la morta ou imóvel, havia maiores chances de ele desistir do ataque. Ou seja, os desmaios atuavam como recursos de sobrevivência.

Essa característica pode ter se mantido em alguns humanos, apontando porquê algumas pessoas perdem mais a consciência e outras não.

Ou seja, o mecanismo de sobrevivência permanece mais ativo em alguns seres humanos, resultado do processo de evolução.

Por que algumas pessoas desmaiam ao ver sangue?

Quando uma pessoa desmaia ao ver sangue, muitas pessoas ainda atribuem a situação ao medo ou ao nervosismo ocasionados pela situação.

Fazer exames de sangue, presenciar acidentes, cortar o dedo ou apenas ver uma cena de filme um pouco sangrenta podem ser atividades um tanto complexas e difíceis para algumas pessoas.

Geralmente, o sangue está associado a acidentes ou machucados, que podem ser uma causa compreensível para a elevação do estresse. No entanto, há ainda quem sofra uma síncope apenas ao ver sangue – e não precisa nem ser o próprio.

Em 2001, Ian Roberts, da London School of Hygiene and Tropical Medicine publicou estudos que dão outra causa ao desmaio ao presenciar o fluído vermelho.

Quando uma pessoa toma consciência de um ferimento (mesmo que seja nos outros, em filmes ou imagens), há uma suspeita de que o organismo tende minimizar o fluxo sanguíneo para que haja mais facilidade de coagulação. Mas pra quê?

Isso seria uma resposta automática do organismo por achar que há algum ferimento no corpo e, portanto, precisa evitar danos maiores ao organismo.

Ao ver o sangue, o cérebro interpreta como uma oportunidade de iniciar a coagulação enquanto o suposto ferimento ainda é pequeno e há maiores chances de sobreviver.

Assim, são enviados sinais para que os vasos sanguíneos diminuam a constrição, fazendo com que o fluxo sanguíneo seja reduzido. Pois, se houver um machucado com perda de sangue, menos líquido vazaria pela lesão.

Ou seja, desmaiar seria uma resposta estratégica de sobrevivência, em que o organismo antecede a ação imunológica para prevenir riscos severos.

Jogo do desmaio e outros desafios perigosos

A brincadeira consiste em interromper propositalmente a respiração até que o praticante perca a consciência.

Mesmo que já houvessem relatos e conteúdo sobre a prática circulando na internet há alguns anos, foi em 2016 que o jogo do desmaio se popularizou.

Até 2010, blogs e canais do YouTube contavam com menos de 500 vídeos relacionados ao assunto. Em 2016 já havia mais de 16 mil conteúdos postados, segundo uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo e da Paris Ouest, na França.

Os casos ganharam repercussão e acenderam um alerta quanto aos usos da internet por crianças e adolescentes, pois eles são a maioria dos envolvidos nesses desafios.

Quem participa é estimulado a filmar a realização ou relatá-la com detalhes, narrando como fez para prender a respiração e quanto tempo permaneceu desacordado.

Além dos riscos ao organismo, como hemorragias internas, dores de cabeça, desorientação, cegueira, paraplegia, o desafio pode ocasionar a morte.

As pesquisas apontam que 40% dos entrevistados já aceitou o desafio da asfixia e 10% chegou a desmaiar. Desses, 135 participantes tiveram sequelas e mais de 1100 morreram decorrentes do jogo.

Perguntas frequentes

É normal crianças desmaiarem?

O desmaio é uma resposta do organismo a um funcionamento incorreto. Mas em geral os desmaios infantis não possuem causas graves.

No primeiro momento, a perda de consciência da criança pode assustar os pais, que devem sempre estar atentos às causas.

Mas geralmente elas são as mesmas prevalentes nos adultos, como o calor excessivo, muito tempo sem comer, medicamentos que podem afetar a pressão sanguínea, além de nervosismo ou estresse.

A pressão baixa é uma causa bastante recorrente de síncopes infantis, sobretudo em períodos quentes. Isso porque geralmente as crianças são mais ativas, se expõem mais ao calor e ao sol, e nem sempre mantém a hidratação adequada.

Aliando atividades físicas intensas, períodos longos sem alimentação e, algumas vezes, altas temperaturas, o resultado é uma queda na pressão.

Quanto tempo dura um desmaio?

O desmaio é uma condição rápida que, normalmente, dura apenas alguns segundos. Após perder a consciência, o corpo cai e geralmente fica em um posição horizontal.

Isso favorece que o fluxo sanguíneo chegue ao cérebro com mais facilidade, restabelecendo a oxigenação da região.

Portanto, as funções são retomadas. Ou seja, um desmaio não deve durar mais do que alguns segundos e, em poucos minutos, a pessoa já deve ter recuperado os sentidos e o bem-estar.

Posso dar álcool para a pessoa desmaiada inalar?

Não. O procedimento adequado é deitar ou sentar o paciente, permitindo que ele consiga respirar adequadamente.

Geralmente, o álcool é utilizado devido à capacidade de irritar as narinas e despertar a pessoa. No entanto, o método pode não surtir efeitos ou agravar o quadro.

Por que vemos pontos pretos antes de desmaiar?

Nos casos em que há percepção de mal-estar antes do desmaio, uma série de sintomas podem se desencadear.

Entre a tontura, o suor frio e a fraqueza, ainda podem aparecer pontos pretos na visão. Isso ocorre porque há uma diminuição do oxigênio para os tecidos, sobretudo aqueles situados na região da cabeça.

A retina, que é responsável pela visão, também recebe menos oxigenação e não consegue desempenhar adequadamente suas funções, acarretando em alterações da visão.

Por que desmaiamos ao levar um susto?

Quando nos assustamos, o nosso cérebro reage liberando adrenalina na corrente sanguínea. Essa descarga hormonal é uma resposta ao perigo, pois o cérebro se sente ameaçado pela situação e precisa deixar os sinais alertas em caso de luta ou de fuga.

Mas a adrenalina estimula a contração dos vasos sanguíneos, fazendo com que o sangue tenha mais dificuldade de chegar aos tecidos, sobretudo ao cérebro.

Então ocorre a pouca oxigenação e, consequentemente, o desmaio.


Desmaiar é uma condição relativamente comum. Se você nunca perdeu a consciência por alguns segundos, certamente já viu alguém — ou pelo menos alguma cena na televisão.

Em geral, a condição não representa grandes riscos, logo que as causas mais comuns decorrem da pressão baixa ou fatores emocionais.

É preciso estar atento às manifestações corporais e consultar um médico para verificar as causas dos desmaios.

Pessoas propensas às quedas de pressão ou hipoglicemias precisam cuidar dos hábitos e rotinas a fim de prevenir o organismo de danos ou lesões advindas da queda.

E para saber mais dicas e informações sobre bem-estar e saúde, leia no nosso blog.

Referências

http://www.medtronic.com/br-pt/your-health/conditions/fainting.html

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