O que é Tumor Cerebral, benigno, maligno, sintomas, tem cura?

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O que é tumor cerebral?

Um tumor cerebral é caracterizado quando há formação de células anormais no cérebro. Elas se dividem de maneira muito rápida e descontrolada, trazendo consigo uma série de complicações. Quando se originam de células do próprio Sistema Nervoso Central são classificados como primários. Já quando vêm de outros tumores, são secundários.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou que surgiriam aproximadamente 9.090 (4.960 em homens e 4.130 em mulheres) novos casos de tumor cerebral nos anos de 2014 e 2015. Estima-se também que, em números gerais, isso significa que a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver um tumor cerebral maligno no seu período de vida é inferior a 1%.

As causas dos tumores cerebrais ainda são desconhecidas, porém, dentre os seus fatores de risco, a hereditariedade é um dos principais em conjunto com a exposição à materiais cancerígenos.

Dentre suas complicações, alterações sensoriais (visão, audição), mudanças de cognição, náuseas, dores de cabeça e mudanças de personalidade e comportamento podem ocorrer, apesar da última ser a menos comum.

É muito difícil tratar um tumor cerebral, visto que sua localidade, muito sensível, exige tratamentos minuciosos e, em caso de cirurgias, muita precisão.

Não é possível afirmar que o tumor cerebral tem cura, pois cada caso possui suas características particulares. Apesar disso, muitas pessoas conseguem se curar e voltar a viver uma vida normal.

O tumor cerebral pode ser encontrado na Classificação Internacional de Doenças, ou CID-10, através dos códigos D71 e D33.

Aprenda mais sobre o tumor cerebral no texto a seguir:

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é tumor cerebral?
  2. O cérebro
  3. Tipos
  4. Causas
  5. Fatores de risco
  6. Qual a diferença entre um tumor benigno e um malígno?
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico?
  9. Tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Medicamentos
  12. Prognóstico
  13. Convivendo
  14. Complicações
  15. Como prevenir
  16. Perguntas frequentes

O cérebro

O cérebro faz parte do sistema Nervoso Central (SNC) e fica localizado no crânio, onde flutua num líquido transparente chamado líquido cefalorraquidiano, ou líquor, que o protege tanto fisicamente quanto imunologicamente.

Por ser considerado o principal órgão do SNC, podemos dizer que ele é o “diretor” que controla a grande maioria das funções cerebrais e corporais.

Tudo que acontece em nossas vidas, mesmo enquanto estamos dormindo, seja respirar, engolir, ver, ouvir, tocar, ler, escrever, cantar ou dançar; tudo passa pelo cérebro. Dessa forma, é possível afirmar que esse órgão é responsável pelas seguintes funções:

  • Controlar as funções vitais: funções como o controle da temperatura corporal, pressão arterial, frequência cardíaca, respiração, sono, apetite, sede etc.;
  • Receber, processar e integrar todas as informações sensoriais: visão, audição, tato, paladar e olfato;
  • Controlar os movimentos: caminhar, correr, falar, ficar em pé, etc.;
  • Controle de emoções e comportamento: alegria, raiva, tristeza, nojo, medo, surpresa etc.;
  • Controlar funções cognitivas: raciocínio, pensamento, memória, aprendizagem, percepção, funções executivas, etc.

O cérebro humano contém cerca de 86 milhões de neurônios e representa apenas 2% da massa corporal. Apesar disso, recebe aproximadamente 25% de todo o sangue que é bombeado pelo coração.

Para facilitar ainda mais o entendimento e a compreensão da complexidade dos tumores cerebrais e o porquê da sua dificuldade de tratamento, é preciso ainda entender o papel de certas estruturas anatômicas desse órgão, pois cada uma desempenha uma função. Confira!

Anatomia cerebral

O cérebro é considerado o órgão mais complexo do corpo o humano. Tem formato ovoide e pesa um pouco menos de 1,5kg. É simetricamente dividido em 2 hemisférios, o direito e o esquerdo, sendo que um deles é dominante.

Cada hemisfério se divide em duas extremidades, posterior e anterior, e três faces, a externa, a inferior e a interna. Abaixo dos dois hemisférios se encontra o cerebelo. À união dessas e de outras estruturas em conjunto, dá-se o nome de encéfalo.

Buscando facilitar a compreensão e expor rapidamente as funções de cada parte do cérebro, não vamos entrar em detalhes quanto a estruturas como o tronco cerebral, os ventrículos e bulbo raquidiano, por exemplo.

Confira agora as principais regiões do cérebro e suas funções:

Lobo frontal

Ocupa a parte anterior dos hemisférios. É de grande importância para desempenhar funções como a flexibilidade mental, resolução de problemas, mas também é responsável por várias características que definem nossa personalidade.

Para se ter uma ideia de como o lobo frontal é importante nesse quesito, podemos citar o famoso caso de Phineas Gage, um dos mais famosos no âmbito da neuropsicologia.

Depois de sofrer um acidente no qual uma barra de ferro de 1 metro de comprimento lhe atravessou o crânio, Gage se recuperou completamente fisicamente, porém com alguns efeitos colaterais bastante peculiares.

Para as pessoas ao seu redor, sua personalidade mudou muito depois do acidente. Elas dizem que o homem deixou de ser um homem responsável e tranquilo e se tornou irregular, blasfemo, agressivo e impaciente.

Isso prejudicou severamente seus relacionamentos, assim como seu rendimento no trabalho, fazendo com que ele pulasse de emprego em emprego até arranjar um trabalho onde exibia suas cicatrizes no circo.

Foi graças ao caso de Phineas Gage que a ciência começou a considerar a possibilidade de o lobo frontal desempenhar um papel fundamental na manutenção da nossa personalidade.

É por essa razão que tumores na região do lobo frontal pode trazer diversos problemas de cognição, memória e até mesmo trazer mudanças de personalidade, como veremos posteriormente na sessão “Alterações psiquiátricas” do tópico “Complicações”.

Lobo parietal

É a parte do meio do cérebro, se localizando entre os lobos frontais e occipitais. Tem a função de possibilitar a percepção de sensações como o tato, a dor e o calor. É a zona mais sensível do cérebro e representa todas as áreas do corpo humano.

Por essas razões, quando tumores se fazem presentes nesta região do cérebro, sintomas que afetam a percepção, como dormência, se fazem presentes.

Lobo occipital

Localiza-se na parte posterior dos hemisférios. Trabalha processando estímulos visuais, sendo, por essa razão, também conhecidos como córtex visual. Além disso, essa região do cérebro interpreta os sinais visuais, fazendo com que seja possível reconhecer que o gato que vemos é um gato, e não um objeto desconhecido.

Tumores e lesões nessa região podem trazer problemas de visão, como perda parcial, ou a incapacidade de reconhecer objetos, palavras e até mesmo o rosto de familiares.

O famoso neurologista Oliver Sacks, no seu conto que dá nome ao livro “O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu”, conta a história de um de seus pacientes, a quem ele chama Dr. P, que possuía alguma disfunção no lobo occipital e outras regiões e, por isso, não reconhecia pessoas nem objetos.

O problema era tal que chegou ao ponto de Dr. P confundir sua esposa com um chapéu e ter tentado colocá-la na própria cabeça ao final de uma consulta. O caso é tão peculiar que, apesar de Dr. P ter conseguido voltar a levar a sua vida normalmente, não houve de fato uma cura nem explicação 100% confiável para explicar esse problema.

Lobo temporal

Fica na parte inferior, na região das têmporas, acima das orelhas, de onde recebe o nome “temporal”. Sua principal função é a de processar os estímulos auditivos. Assim como nos lobos occipitais, ele não só detecta os sinais sonoros como também os interpreta.

Tumores nessa localidade pode trazer problemas de audição.

Cerebelo

Fica na parte de trás do crânio, logo abaixo do cérebro. É responsável pela manutenção do equilíbrio, pelo controle do tônus muscular, dos movimentos voluntários e pela aprendizagem motora.

É através do funcionamento do cerebelo que conseguimos andar, correr, pular, nadar e desenvolver outras atividades físicas. Por isso, tumores nessa região podem trazer sintomas relacionados a dificuldades motoras.

Tipos

Existem, de maneira geral, 2 tipos de tumor no cérebro: o primário e o secundário.

Quando os tumores têm origem em outros órgãos, como nas mamas ou nos pulmões, e só então atingem o cérebro, são denominados tumores secundários, enquanto os que têm origem diretamente no cérebro são chamados de primários.

Nos adultos, a maioria dos tumores no cérebro provém de alguma outra região do corpo e que alcançaram o cérebro através da metástase. Já os tumores cerebrais primários podem ter origem em qualquer parte do cérebro ou da medula espinhal e alguns contém uma combinação de tipos celulares.

É muito importante saber de que tipo de tumor se trata, pois os tumores primários e secundários exigem tratamentos diferentes entre si.

Ao contrário dos outros tipos de câncer, um tumor no cérebro dificilmente entra em metástase e se espalha para órgãos distantes. Por outro lado, eles causam danos sérios e podem ter consequências gravíssimas, como veremos futuramente no artigo.

Muito dificilmente um tumor cerebral ou espinhal é benigno, existindo apenas algumas raras exceções. Se eles não forem completamente removidos, vão continuar a crescer até levar a eventual morte do paciente.

Ainda assim, é preciso lembrar que o cérebro é um órgão muito plástico, muito complexo e dividido em várias regiões. Por isso, é possível afirmar que existem diferentes classificações de tumores, referentes ao tanto ao local que afetam quanto ao tipo celular de origem. Confira:

Tumores da Hipófise

Tumores da hipófise normalmente apresentam sintomas neurológicos e hormonais em conjunto.

Os sintomas neurológicos acontecem, na maior parte das vezes, por conta da compressão que o tumor causa nas estruturas adjacentes, e podem se apresentar como dor de cabeça constante nas regiões frontal e lateral, sem alívio após o uso de analgésicos comuns.

Outro sintoma neurológico bastante comum é a diminuição da acuidade visual, principalmente pela perda do campo visual lateral, que ocorre devido a compressão do quiasma óptico (uma estrutura em formato de X formada pelo encontro de dois nervos ópticos) pelo tumor.

Os sintomas hormonais, por outro lado, são um reflexo de um excesso de produção ou de uma falta de produção de hormônios.

A falta de hormônios causa sintomas que incluem a falta de energia, queda de pressão, sonolência, desânimo, falta de vitalidade, queda de glicemia e outros. Já o excesso hormonal é um pouco mais complexo e podemos dividir os sintomas de acordo com o tipo de hormônio que está sendo produzido em excesso.

O excesso hormonal pode se dar, por exemplo, nos hormônios do crescimento (GH e IGF-1), o que pode causar acromegalia, um distúrbio que ocasiona o surgimento de alterações  no organismo como o crescimento das extremidades (mãos e pés), mudança no aspecto facial e alterações no metabolismo (hipertensão e diabetes).

Outro hormônio que pode se encontrar em excesso no organismo é a prolactina. Um pequeno excesso desse hormônio pode ocorrer por outras causas que não necessariamente um tumor, como estresse ou o uso de anticoncepcionais.

Entretanto, quando os níveis de prolactina estão muito elevados, a possibilidade de se ter um tumor como responsável deve ser considerada. Nas mulheres, ocorre a queda da libido, irregularidade do ciclo menstrual e saída de leite pelo peito (galactorréia). Nos homens, há a perda de potência sexual, disfunção erétil e aumento do tamanho das glândulas mamárias (ginecomastia).

Ainda existe outro hormônio que pode ter sua produção aumentada por causa de um tumor. Trata-se do cortisol.

O cortisol é um hormônio relacionado com as reações de estresse do organismo e é produzido pela glândula suprarrenal quando estimulada pelo hormônio hipofisário ACTH. Isso faz com que o paciente desenvolva a síndrome de Cushing, uma condição rara, caracterizada pela presença de um nódulo na hipófise que produz níveis elevados ACTH.

A produção elevada de ACTH tem como consequência a produção elevada de cortisol, que acaba por exercer efeitos bastante negativos no organismo.

Quando há uma quantidade elevada de cortisol no organismo, podem ocorrer sintomas como ganho de peso, decorrente de aumento da gordura no abdômen, perda da massa muscular com afinamento dos braços e pernas, surgimento de grandes estrias, arredondamento do rosto, pele mais fina e sujeita a hematomas, além de alterações metabólicas como diabetes e hipertensão.

Trata-se de uma doença muito rara e severa e que deve ser tratada por um neuroendocrinologista experiente em centros de referência.

Existe ainda mais uma situação, que é quando o tumor da hipófise surge durante a adolescência. Nesses casos, pode ocorrer o aumento exagerado da altura do paciente, levando ao gigantismo.

Os principais sintomas desse quadro são mudanças na aparência física, alargamento da região frontal da testa, queixo proeminente, espaçamento entre os dentes com perda dentária, aumento do volume do nariz e dos lábios, espessamento da pele (se tornando oleosa e mais propensa à acne), sudorese abundante e alterações respiratórias, cardiovasculares e metabólicas.

Craniofaringioma

Trata-se do surgimento de tumores benignos que ocorrem normalmente na base do cérebro, perto dos nervos oftálmicos e centros hormonais. Eles afetam com mais frequência crianças, adolescentes e indivíduos acima dos 50 anos de idade.

São classificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como tumores de grau I, ou seja, tumores de baixo ou incerto potencial de malignização.

Seus sintomas vão depender bastante do local onde cresceu o tumor. Quando ele se encontra, por exemplo, comprimido no talo hipofisário ou circundando a glândula pituitária, pode levar à deficiência parcial ou completa da produção de hormônios do crescimento, causando atraso da puberdade.

Outros sintomas que podem surgir são dores de cabeça, problemas de visão, alterações menstruais, aumento da sensação de frio, fadiga, constipação, pele ressecada, náuseas, hipotensão e podendo levar à depressão.

Hemangioblastoma

São tumores do sistema nervoso central (SNC) que se originaram do sistema vascular. Ocorrem, normalmente, na meia idade e podem acometer outras regiões como a coluna vertebral, tronco cerebral ou a retina.

Geralmente estão associados com outras doenças, tais quais a poliglobulia (aumento exagerado na quantidade de glóbulos vermelhos), cistos pancreáticos e a síndrome de Von Hippel-Lindau (doença genética e rara que envolve o crescimento anormal de tumores).

Neuroma acústico

Trata-se de um tipo de tumor localizado no nervo auditivo. Constitui aproximadamente 6% de todos os tumores cerebrais, ocorre igualmente em todas as raças e possui uma leve predileção por mulheres.

São tumores benignos que podem se localizar profundamente no crânio e próximos aos centros vitais do cérebro. Seus primeiros sintomas normalmente estão relacionados à perda de audição, barulhos no ouvido (zumbido) ou falta de equilíbrio.

Na maior parte das vezes são de crescimento lento e, em grande parte dos pacientes, os sintomas são leves e quase imperceptíveis, sendo que muitos não apresentam evolução do quadro durante anos.

Ele pode se apresentar de duas formas:

  1. Esporádico;
  2. Associado à neurofibromatose.

Paciente que possuem um neuroma acústico esporádico costumam começar a apresentar sintomas entre os 40 e 60 anos de idade, e os tumores normalmente afetam somente um dos lados do cérebro, isto é, são unilaterais.

Os neuromas acústicos associados à neurofibromatose, por outro lado, costuma apresentar sintomas quando o paciente está entre os 20 e 30 anos (fase conhecida como “jovem adulto”). Ao contrário dos esporádicos, esses tipos de tumor são bilaterais, isto é, atingem os dois lados do cérebro.

Enquanto o neuroma acústico esporádico representa mais ou menos 95% dos casos de neuroma acústico, o associado a neurofibromatose representa os outros 5%.

Tumores da região pineal

Os tumores da região pineal tendem a acontecer durante a infância, mas podem surgir a qualquer momento da vida. Eles acontecem na glândula pineal, uma pequena estrutura localizada perto do centro do cérebro e responsável por exercer a regulação dos chamados ciclos circadianos, responsável pela regulação do ciclo biológico.

Esses tumores podem aumentar a pressão intracraniana pela compressão do aqueduto de Sylvius, canal que permite a passagem do líquido cefalorraquidiano. Também pode causar ptose (pálpebras caídas) e perda dos reflexos pupilares à luz e de acomodação.

Meningeoma

Não se trata exatamente de um tumor cerebral, pois acontece nas meninges, que são as camadas de tecido que recobrem o cérebro e a medula espinhal. Eles causam sintomas parecidos, no entanto, pois aumentam o tamanho da meninge, pressionando o cérebro ou a medula espinhal.

São bastante comuns e representam cerca de 25% dos tumores cerebrais primários e a maioria dos tumores de medula espinhal. Nos adultos, é o tipo de tumor cerebral mais comum e sua taxa de incidência aumenta com a idade, sendo maior em pessoas na faixa de 70 e 80 anos.

Ao contrário dos outros tipos de tumor no cérebro, a maioria dos meningiomas (cerca de 85%) são benignos e podem ser curados através de cirurgia. Alguns, entretanto, surgem em locais muito próximos à estruturas vitais e não podem ser curados apenas com cirurgia.

A outra parcela, maligna, é mais difícil de ser curada e pode voltar a aparecer depois da realização da cirurgia de remoção.

Astrocitoma

A maior parte dos tumores cerebrais propriamente ditos surge a partir de um tipo de célula chamada astrócito — por isso o nome astrocitoma. Eles representam cerca de 35% de todos os tumores cerebrais.

É muito difícil curar esse tipo de tumor porque ele se espalha amplamente pelo tecido cerebral normal próximo. Muitas vezes, inclusive, os astrocitomas se disseminam ao longo dos tecidos banhados pelo líquor.

É muito raro que os astrocitomas se disseminem para além da medula espinhal.

De maneira geral, eles são classificados em astrocitomas de alto ou baixo grau de malignidade. Essa classificação se dá através de de análise microscópica, onde o patologista avalia as seguintes características:

  • A proximidade das células dentro do tumor;
  • O grau de anormalidade das células;
  • A quantidade de células que se encontram em processo de divisão;
  • A presença de vasos sanguíneos no interior do tumor;
  • A reação das células tumorais ao tratamento.

Os astrocitomas de baixo grau possuem um desenvolvimento lento, enquanto os de alto grau são especialmente malígnos, desenvolvendo-se rapidamente e representando 60% de todos os astrocitomas.

Ainda assim, existem alguns astrocitomas que possuem um prognóstico particularmente bom e, nesses casos, são chamados de astrocitomas não-infiltrativos.

Oligodendrogliomas

Os oligodendrogliomas recebem esse nome pois tem sua origem nos oligodendrócitos. Assim, como os astrocitomas, eles se espalham facilmente pelos tecidos ao redor e, na maioria dos casos, não podem ser removidos completamente por cirurgia.

Algumas vezes se espalham ao longo dos tecidos banhados pelo líquido cefalorraquidiano, mas raramente se espalham para além do cérebro e da medula espinhal. Representam apenas 4% dos tumores cerebrais.

Ependimomas

Os ependimomas surgem a partir das células ependimárias, que revestem os ventrículos e podem bloquear a circulação do líquor, fazendo com que ele se acumule nos ventrículos, dilatando-os, numa condição chamada hidrocefalia.

Representam por volta de 2% de todos os tumores cerebrais e, diferentemente dos astrocitomas e dos oligodendrogliomas, eles não se espalham e nem se infiltram no tecido cerebral normal.

Por isso, muitos dos ependimomas podem ser removidos cirurgicamente com sucesso. Especialmente aqueles que atingem a medula espinhal têm mais chances de cura cirúrgica.

Apesar disso, eles ainda podem se disseminar pelos tecidos banhados pelo líquor, mas não o fazem para além do cérebro e da medula espinhal.

Meduloblastomas

Muito dificilmente um tumor vai ter como seu ponto de origem um neurônio, até porque essas são células que não se dividem. Entretanto, os meduloblastomas são tumores que se originam nos neurônios do cerebelo, parte do SNC localizada logo abaixo do cérebro e responsável pela manutenção do equilíbrio e outras funções.

Apesar de seu crescimento ser rápido, eles ainda podem ser curados com cirurgia ou radioterapia.

Os meduloblastomas são mais comuns em crianças e geralmente se espalham ao longo do fluxo do líquido cefalorraquidiano.

Ganglioglioma

São um tipo de tumor que contém tanto neurônios quanto células da glia (parte do cérebro que fornece suporte e nutrição para o neurônio). São muito raros e têm alto índice de cura com cirurgia, apenas, ou então com cirurgia combinada com radioterapia.

Neurilemoma ou Schwannoma

Tratam-se de tumores que têm origem nas células de Schwann, que são produtoras de mielina, que reveste os nervos cranianos e outros nervos. Geralmente, esses tumores são benignos e surgem perto do cerebelo e nos nervos cranianos responsáveis pela audição e pelo equilíbrio.

Correspondem a aproximadamente 7% de todos os tumores do sistema nervoso central.

Cordoma

São tumores que começam na parte de trás do crânio ou então no extremo inferior da coluna vertebral, sendo que não são considerados propriamente tumores do sistema nervoso central, mas, como podem afetar regiões do cérebro, devem ser citados também.

Eles não costumam se espalhar para outros órgãos, mas tendem a reaparecer várias vezes ao longo de 10 ou 20 anos, comprometendo progressivamente o sistema nervoso do paciente que sofre desse problema.

Linfoma de cérebro

Os linfomas têm sua origem nos linfócitos, o principal tipo de célula do sistema imunológico, também conhecido popularmente como um tipo de glóbulo branco. Muitos dos casos de linfoma acontecem em pessoas com HIV, por causa do sistema imune, que pode estar comprometido.

A maior parte dos linfomas começa em outra parte do corpo. Ocasionalmente, contudo, os linfomas se iniciam no cérebro, sendo chamados de linfomas cerebrais.

Tal qual a maioria dos linfomas, esses também são mais comuns em pessoas com problemas no sistema imunológico, como HIV. Entretanto, com o passar dos anos, melhorias nas técnicas de tratamento anti-retroviral tem ajudado esse tipo de tumor a se tornar cada vez mais raro.

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que os linfomas eram tumores altamente malignos, levando à morte do paciente em apenas 1 ano. No entanto, avanços na quimioterapia alteraram radicalmente o prognóstico das pessoas com esse tipo de tumor.

Causas

Ainda não se sabe exatamente o que causa um tumor no cérebro e a maioria deles aparece sem que possamos saber o porquê. Alguns traumatismos foram relacionados com o surgimento de tumores, mas essa relação ainda não é completamente entendida e ainda resta dúvida se esses são fatores determinantes ou não.

De uns anos pra cá, os tumores cerebrais têm sido associados a algum tipo de predisposição ou mutação genética. Foi descoberto, por exemplo, que alterações nos cromossomos 1, 10, 13, 17, 19 e 22 podem estar relacionados ao surgimento de tumores cerebrais.

Outra hipótese é a influência da radioterapia em qualquer lugar do corpo, inclusive no cérebro, para pessoas que já fizeram tratamento para tumores.

Além disso, algumas variações de oncovírus, um tipo de vírus que têm a capacidade de alterar o ciclo celular induzindo o desenvolvimento de um tumor,  são conhecidas por potencialmente causarem tumores no cérebro.

A boa notícia é que ao mesmo tempo em que as radioterapias estão ficando cada vez mais seguras para impedir o aparecimento de outros tumores, muitos oncovírus estão sendo estudados e já tem até vacina para sua prevenção.

Entretanto, ainda não se tem uma completa relação sobre o que causa a doença. Tudo que se sabe até o momento, são os fatores de risco envolvidos no seu desenvolvimento.

Fatores de risco

Como dito no tópico anterior, ainda não se sabe exatamente o que causa um tumor no cérebro, especialmente por causa da variedade de tipos existentes. Entretanto, algumas doenças, comportamentos e fatores externos estão intimamente associados ao desenvolvimento de tumores no cérebro. Confira:

Exposição à radiofrequência

Trata-se de um tema polêmico. Ainda não foi descoberto completamente que a radiofrequência, emitida principalmente por aparelhos celulares, seria ou não um fator de risco para o desenvolvimento de tumores cerebrais.

Em 2011, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um parecer afirmando que o uso de telefones móveis poderia estar relacionado a câncer cerebral.

A OMS chegou a essa conclusão depois de um painel realizado com 31 cientistas que compõe a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, em inglês International Agency for Research on Cancer).

Os pesquisadores observaram uma diversa gama de estudos epidemiológicos (análises da incidência da doença em populações com uso variado de celular ou outra exposição à campos de radiofrequência) para chegar a essa conclusão.

Vale lembrar, porém, que o que a organização disse, é que a existe a possibilidade de os celulares serem responsáveis ou parcialmente responsáveis pelo surgimento de tumores cerebrais. Ela não contraindica o uso de celulares e aponta que não há nenhum dado novo que comprove que celulares causam câncer.

Apesar disso, não deixam de surgir inúmeras pesquisas com resultados variados, tendo algumas que mostram seu potencial carcinogênico e outras que o desmentem. É por essa razão que a OMS classifica os celulares e a radiofrequência como um possível, e não provável, carcinogênico.

Um exemplo de estudo que fala sobre a possibilidade dos celulares terem responsabilidade no surgimento de tumores cerebrais, mais especialmente gliomas, veio da França em 2015, em um artigo de revisão.

Os pesquisadores acompanharam aproximadamente 400 pacientes diagnosticados com glioma ou meningioma e seus hábitos.

O estudo mostrou que o uso excessivo de celulares pode aumentar consideravelmente as chances de um tumor cerebral, especialmente no lobo temporal, área do cérebro mais próxima às orelhas, onde coincidentemente usamos o telefone celular.

Em compensação, uma pesquisa feita na Austrália mostra o contrário. Os pesquisadores analisaram os dados relativos à incidência de câncer entre os anos de 1982 até 2012 para verificar a incidência de tumores na população.

Os dados mostraram que, apesar do uso de celulares no país, que começou em 1987, ter aumentado mais de 90% desde aquele ano, a incidência de tumores cerebrais não seguiu o mesmo padrão de crescimento. Nem mesmo chegou perto.

De modo geral, desde a introdução dos celulares na sociedade australiana, o número médio de tumores cerebrais diagnosticados cresceu 0,05%. No entanto, um o aumento significativo no número de tumores cerebrais em idosos foi constatado.

Os cientistas descartam a hipótese de que são os celulares e a radiofrequência que causou esse aumento, porque desde 1982, data que antecede a introdução de telefones celulares à sociedade, os métodos de diagnóstico para tumores cerebrais têm ficado cada vez mais eficientes, o que explicaria o aumento na incidência de casos registrados.

Portanto, até o presente momento não é possível afirmar categoricamente que o celular é responsável direto ou ao menos desempenha algum papel no surgimento de tumores cerebrais.

Já que o excesso, para os dois lados, pode ser prejudicial, o melhor a se fazer é manter a opinião alinhada a da OMS e considerar o celular um possível carcinogênico.

Gênero

O tumor cerebral é muito mais comum em homens do que em mulheres. Entretanto, os meningiomas ocorrem principalmente em mulheres.

Idade

Embora o tumor cerebral possa se desenvolver em qualquer idade, ele é bem mais comum nos idosos (acima de 65 anos).

Neurofibromatose

A neurofibromatose é uma doença hereditária que se manifesta por volta dos 15 anos de idade. Ela aumenta as chances de tumor cerebral porque provoca o crescimento anormal do tecido nervoso e o surgimento de pequenos neurofibromas, também uma espécie de tumor, nas partes mais externas do cérebro.

Esclerose tuberosa

A esclerose tuberosa é uma doença genética rara, multi-sistêmica, isto é, atinge diversos tecidos e órgãos, e causa o aparecimento de tumores benignos no cérebro e outros órgãos vitais, como coração, rins, olhos, pulmões e pele.

Síndrome de Li-Fraumeni

A síndrome de Li-Fraumeni é uma rara síndrome autossômica dominante que se caracteriza pelo surgimento de diversos tipos de câncer com correlação genética entre si, ou seja, eles são herdáveis e não causados exclusivamente por pressão do ambiente.

Como o padrão de herança é autossômico dominante, não há diferenças entre a herança entre homens e mulheres, bastando o indivíduo herdar um alelo que já está predisposto a desenvolver a síndrome.

Síndrome de Von Hippel-Lindau

A síndrome de Von Hippel-Lindau é uma doença genética autossômica dominante rara que causa o crescimento anormal de tumores em diversas partes do corpo, especialmente aquelas bastante irrigadas por sangue, o que é o caso do cérebro.

O início dessa doença se dá aproximadamente na 2ª e 3ª década de vida, ou seja, aos 20 ou 30 anos.

Síndrome de Turner

Lembra das aulas de biologia do ensino médio? Então, nelas o professor falava de diversas síndromes no cromossomo X, ou cromossomo sexual. A síndrome de Turner é uma delas.

Para refrescar um pouco a memória, a síndrome de Turner é uma anomalia cromossômica do cromossomo X cuja origem é total de um cromossomo X ou então parcial do outro cromossomo X, criando um Y defeituoso que não necessariamente está relacionado ao sexo masculino, já que a síndrome afeta somente mulheres.

Ela já é identificada no momento do nascimento, ou então antes da puberdade, porque ele possui características fenotípicas, isto é, de expressão, muito claras e evidentes.

Todas as pessoas que nascem com a síndrome de turner apresentam baixa estatura, órgãos sexuais e características secundárias (seios) pouco desenvolvidos, tórax largo, pescoço alado, maior frequência de problemas cardiovasculares e são quase sempre estéreis, isto é, não podem ter filhos.

Especialmente nas portadores que possuem uma linha celular XY, isto é, que possuem um gene X normal e outro Y defeituoso, o risco de tumorigênese, isto é, de desenvolver tumores em diversas áreas do corpo, é maior. Isso acaba se aplicando ao cérebro.

Síndrome de Turcot

A síndrome de Turcot é uma doença genética rara que se caracteriza pela associação do surgimento de pólipos no intestino e tumores primários no sistema nervoso central. Seus principais sintomas incluem diarréia, sangramento retal, dor abdominal, perda de peso e cansaço.

Síndrome de Gorlin

A síndrome de Gorlin é uma doença rara herdada geneticamente que causa o surgimento de múltiplos defeitos no organismo, afetando, especialmente, a pele, o sistema nervoso, os olhos, o sistema endócrino e os ossos.

Essas pessoas possuem chances maiores de desenvolver alguns tipos de câncer, como o câncer de pele e o cerebral.

AIDS

As pessoas portadoras de HIV possuem chances maiores de desenvolver linfomas (tumor no linfócito), especialmente quando o seu sistema imunológico se encontra enfraquecido e debilitado por alguma razão.

Entretanto, com o avanço nas terapias anti-retrovirais, os linfomas no cérebro têm se tornado cada vez mais raros.

Obesidade

Segundo uma publicação da revista Neurology, de 2015, pessoas obesas possuem mais chances de desenvolver um tipo de câncer cerebral chamado de meningioma.

Uma meta-análise de 13 estudos anteriores sobre a correlação entre obesidade e o aparecimento de meningioma concluiu que os pacientes com obesidade são 54% mais propensos a desenvolver tumores cerebrais do que os demais.

Histórico familiar

Como ainda não se sabe exatamente tudo que pode causar o surgimento de um tumor no cérebro, o histórico familiar é algo a ser considerado.

Como vimos anteriormente, uma diversidade de fatores genéticos aumentam a propensão da doença se desenvolver, então, descartar completamente a hipótese de que o histórico familiar é um fator importante não é algo razoável de se assumir.

Qual a diferença entre um tumor benigno e um malígno?

Antes de tudo, é preciso entender que a palavra “tumor” significa um aumento anormal do volume de células em qualquer parte do corpo. Esse aumento de volume acontece porque houve uma mutação genética que fez com que as células começassem a se dividir mais do que deveriam e de maneira descontrolada.

No caso dos tumores benignos, essa mutação genética foi pequena, o que faz com que ele seja, de certa forma, mais “brando” do que o maligno. Mas estamos nos adiantando. Vamos com calma.

A principal diferença entre os tumores benignos e os malignos já pode ser vista no próprio nome. Não é que um tumor benigno faça bem, mas sim que ele apresenta menos riscos para o estado de saúde como um todo do que um tumor malígno.

Os tumores benignos ainda são tumores e são perigosos. Entretanto, eles não apresentam tanto risco quanto os malignos, pois seu crescimento se dá de forma organizada e, de modo geral, lenta. Isso faz com que eles sejam menos agressivos e que o risco de metástase, que é quando o câncer “se espalha”, seja bem menor.

No caso dos tumores malignos, a coisa muda um pouco. Eles são agressivos, realizam multiplicação celular descontrolada, fazendo com que o tumor cresça cada vez mais, e tem mais chance de invadir outros órgãos e causar uma metástase.

Vale citar que uma outra diferença entre os tumores malignos e benignos é que, enquanto os tumores benignos não se diferenciam muito das células do seu tecido original, os malignos, com o passar do tempo, vão se tornando bastante diferenciados.

Ainda assim, é importante ressaltar que os tumores cerebrais, cancerosos ou não, podem causar sérios problemas. Como o crânio é muito rígido e apresenta um volume estável, não há espaço para que o tumor se expanda, e é exatamente isso que pode trazer complicações graves e até mesmo levar a óbito.

Sintomas

É muito difícil especificar quais sintomas claramente indicam um tumor no cérebro e quais não indicam, porque o cérebro é um órgão muito complexo e dividido em muitas partes, responsáveis por diferentes funções.

Como um tumor cerebral pode afetar qualquer parte deste órgão, os sintomas vão variar de acordo com a região afetada, não sendo possível ser completamente categórico na hora de afirmar algum diagnóstico.

Mesmo assim, apesar de toda a dificuldade envolvida no diagnóstico de tumores, existem alguns sinais. Eles vão depender e variar muito de acordo com a região do cérebro atingida.

Por exemplo, quando há a presença de um tumor nas partes do cérebro que controlam os olhos, por exemplo, os sintomas podem incluir visão embaçada.

É muito importante que você fique atento aos principais sintomas se você suspeita que possa ter um tumor cerebral. Existem alguns que são mais comuns que outros, e é isso que veremos a seguir. Confira:

Síncope

Pode-se descrever a síncope como a perda súbita e transitória da consciência e do tônus postural, seguida de posterior recuperação espontânea e completa. Ou seja, uma síncope nada mais é do que um episódio de desmaio.

Ela normalmente se associa a sintomas premonitórios como tontura, sudorese, náuseas, palpitações ou visão turva. Entretanto, nem sempre esses sintomas estão presentes.

Acontece pois há um aumento significativo na pressão intracraniana, o que pode cortar temporariamente a perfusão de sangue cerebral, levando à perda de consciência. Essa elevação de pressão intracraniana pode ser causada por esforços, tosses, espirros ou vômitos.

Ainda assim, é bom salientar que existem várias causas para síncope que não são tumores cerebrais e que sempre que ela acontecer deve necessariamente ser investigada por um médico, pois não é um evento normal.

Convulsões

Independente do tipo de tumor que acomete um paciente, as convulsões são bastante comuns e são normalmente o primeiro indicativo de que algo está errado. Isso porque o tumor causa uma irritação no cérebro que faz com que os neurônios disparam de maneira incontrolada e desordenada.

Entretanto, assim como os tumores, as convulsões aparecem em diversas formas. Podem ser crises agudas em que o corpo todo convulsiona ou então uma simples contração e relaxamento de algum membro do corpo ou então da face.

É muito importante se manter atento à esses reflexos involuntárias do corpo, especialmente a essas contrações e relaxamentos leves, pois eles são um forte indicativo dos estágios iniciais da doença. Em casos de convulsão generalizada, nem preciso dizer que você deve ir no médico imediatamente.

Quanto antes se diagnosticar a doença, mais chances do tratamento ser bem sucedido.

Descoordenação motora

Muitas vezes, um tumor cerebral faz com que o paciente fique mais desastrado, dificultando tarefas cotidianas. As pessoas tem dificuldade com o equilíbrio, com o caminhar ou então, por exemplo, dificuldade ao manejar as chaves.

Ainda podem acontecer problemas na hora de falar, na hora de engolir alimentos ou com expressões faciais. Quem mais percebe esse tipo de sintomas são as pessoas ao seu redor. Então mantenha a cabeça aberta para as observações das outras pessoas.

Dormência

Assim como a falta de jeito, a dormência pode aparecer em qualquer parte do corpo. Repentinamente, a pessoa começa a não sentir mais certas regiões do corpo, apresentando sintomas parecidos com os da parestesia.

Mudanças na memória e na cognição

Pessoas com tumores cerebrais normalmente desenvolvem dificuldade na hora de se lembrar das coisas, se sentem confusas com facilidade e podem apresentar problemas na resolução de problemas simples.

Náusea

Ter mal estar e sensação de enjoo de forma frequente, persistente e sem explicação, sendo que a maioria dos tratamentos não funciona por muito tempo, pode ser um indicativo de tumor cerebral.

Mudanças na visão

Visão embaçada, dobrada e perda de visão são bastante associadas à tumores no cérebro. É possível também ter alucinações visuais, como ver formas ou pontos flutuantes, o que é chamado clinicamente de “aura”.

Dores de cabeça

As dores de cabeça normalmente são um dos primeiros sintomas a aparecer em quem sofre de tumor cerebral. Elas normalmente não vão responder bem ao uso de medicações. Mas se atente ao fato de que a grande maioria das dores de cabeça não está relacionada a tumores cerebrais.

Além disso, as dores de cabeça causadas pelos tumores são diferentes de uma simples dor de cabeça normal. Elas são causadas, tipicamente, pelo aumento da pressão intracraniana. Confira as peculiaridades da dor de cabeça causada por tumores:

  • Torna-se progressivamente mais forte ao longo das semanas, às vezes chegando a se assemelhar à enxaquecas;
  • Se agrava ou melhora depois de mudanças de posição, como se curvar ou abaixar a cabeça, ou então depois de realizar ações que aumentam a pressão intratorácica, como tossir e espirrar.
  • É acompanhada de sintomas não usuais;
  • É mais intensa durante as manhã e desaparece após vômitos;
  • Faz o indivíduo acordar durante o sono por causa de dor de cabeça.

Mudanças de personalidade e comportamento

Podem acontecer algumas mudanças no comportamento e na personalidade da pessoa que sofre com um tumor no cérebro.

A pessoa que sofre de tumor cerebral pode começar a ficar mais irritadiça, dormir menos ou mais, sentir-se muito mais disposta ou cansada do que o normal. Tudo vai depender da área do cérebro afetada.

Como dito anteriormente, essas mudanças são normalmente leves e muitas vezes passam despercebidas, tanto pelo próprio paciente, quanto pela família. Por isso, é muito importante se conhecer bem e ter uma noção interessante de como você reage às situações do seu dia a dia.

Delírio

O delírio é um sintoma bastante comum, especialmente nos estágios avançados da doença, ocorrendo em cerca de 15% a 30% dos pacientes internados e até 85% das pessoas nas últimas semanas de vida.

Trata-se de um sintoma que pode ser extremamente estressante tanto para o paciente, quanto para sua família, podendo interferir, inclusive, com outros sintomas em tratamento, incluindo a manutenção da dor.

É importante manter em mente que delírio e demência são duas coisas diferentes, apesar de possuírem suas similaridades. Enquanto os pacientes com delírio se tornam agitados e podem ter perda da consciência por um determinado período de tempo, a demência se desenvolve de forma gradual e seus efeitos sobre a memória e a consciência são permanentes.

Por isso, podemos dizer, de modo geral, que existem 3 tipos de delírio: o hipoativo, em que a pessoa permanece a maior parte do tempo dormindo ou fechada em si, o hiperativo, em que a pessoa fica agitada, apresentando delírios e alucinações, e o misto, em que a pessoa alterna entre os dois tipos.

Alguns sinais que podem te ajudar a identificar melhor os delírios são:

  • Consciência reduzida dos arredores;
  • Incapacidade de seguir uma conversação e falar claramente;
  • Alucinação auditiva;
  • Alucinação visual;
  • Sono durante o dia, mas vigília durante a noite;
  • Sonhos vívidos, assustadores, que continuam às vezes uma vez que o paciente já acordou;
  • Paranóia;
  • Agitação;
  • Alterações de humor repentinas que variam entre ansiedade, depressão, irritabilidade, medo, etc.

Identificar um delírio e o quê exatamente está o causando é muito importante para que se faça o tratamento apropriado. Outras causas incluem:

  • Medicamentos, como analgésicos e quimioterápicos;
  • Retirada da medicação;
  • Desequilíbrio de líquidos minerais;
  • Insuficiência dos órgãos;
  • Infecção;
  • Falta de oxigênio no sangue;
  • Outros distúrbios cerebrais.

O melhor a se fazer, nos casos de delírio, é tentar manejá-lo. A melhor maneira de fazê-lo é deixando o paciente confortável e seguro.

Portanto, proporcionar um ambiente seguro e tranquilizador para o paciente, como um quarto silencioso, bem iluminado, com pessoas e objetos próximos é uma das opções.

Para os familiares e amigos que acompanham o paciente de perto, também é uma boa dica conversar com o médico ou enfermeiro em casos de alucinações e comportamento agitado. Além de fornecer informações, esses profissionais sabem quais precauções tomar em situações mais extremas.

Em muitos casos, o uso de antipsicóticos e medicamentos podem ajudar o paciente a enfrentar melhor esses sintomas. Vale lembrar, entretanto, que essas drogas possuem efeitos colaterais significativos.

Sintomas frequentes de alguns tumores cerebrais

Existem, também, sintomas mais característicos para as diferentes classes de tumores. Isso porque cada classe de tumor afeta uma área específica ou um tipo de célula, fazendo com que os sintomas variem de acordo com esses fatores. Confira:

Gliomas

Os gliomas incluem astrocitomas, oligodendrogliomas, meduloblastomas e ependimomas, sendo que os astrocitomas sãos os gliomas mais comuns.

Os sintomas, de modo geral, vão variar em função da sua localização no cérebro:

  • Lobos frontais:tumores localizados nos lobos frontais, região atrás da testa, podem causar fraqueza e alterações de personalidade. Quando se desenvolvem no lobo frontal dominante (o esquerdo, para a maior parte das pessoas) podem causar alterações na linguagem. As pessoas podem ter dificuldade para se expressar, mesmo que saibam o que querem dizer;
  • Lobos parietais: localizados atrás dos lobos frontais, esses tumores podem causar mudança ou perda de sensibilidade. Muitas vezes, causam perda de visão parcial em um dos olhos;
  • Lobos temporais: localizados acima das orelhas, esses tumores podem causar convulsões e, caso se desenvolvam do lado dominante, o paciente pode perder a capacidade de compreender e utilizar linguagem;
  • Lobos occipitais: localizados na parte de trás da cabeça, esses tumores podem causar perda parcial da visão em ambos os olhos;
  • No cerebelo ou próximo dele: tumores nessa localidade podem causar alterações nos movimentos oculares, falta de coordenação, instabilidade na marcha e, por vezes, perda da audição e vertigem. Além disso, podem obstruir a drenagem do líquor, causando acúmulo de líquidos nas cavidades do interior do cérebro. Como resultado, a pressão intracraniana aumenta e sintomas como cefaleia, náuseas, vômitos, problemas com a visão e letargia podem acontecer. Caso a pressão intracraniana for muito alta, pode ocorrer a herniação do cérebro, o que pode resultar em morte.

Meningiomas

Estes tumores, como dito anteriormente, não invadem o cérebro diretamente, mas podem comprimi-lo junto com os nervos cranianos, além de bloquear a absorção do líquido cefalorraquidiano.

Os sintomas dependem do lugar onde este tumor se desenvolve, mas, de modo geral, podem causar fraqueza, dormência, convulsões, alterações do olfato, perturbações na visão e comprometer a função mental. Em pessoas mais velhas, os meningiomas ainda podem causar demência.

Tumores da glândula pineal

Quando se desenvolvem durante a infância, causam, com frequência, puberdade precoce. Além disso, podem obstruir a drenagem do líquor ao redor do cérebro, o que causa hidrocefalia.

O tipo mais comum de tumor pineal acomete as células germinativas e pode causar sintomas como incapacidade de olhar para cima e pálpebras caídas.

Tumores da hipófise

A glândula hipófise controla boa parte do sistema endócrino do organismo. Por isso, quando tumores atingem essa região, a glândula para de funcionar corretamente e passa a produzir hormônios demais, ou de menos.

Quando grandes quantidades de hormônios são secretadas, os efeitos variam dependendo de qual hormônio está envolvido.

Por exemplo, caso o hormônio do crescimento seja secretado em excesso ou em menor grau, pode acontecer gigantismo, aumento desproporcional do tamanho da cabeça, da face, das mãos, dos pés e do tórax.

Caso a adrenocorticotrofina esteja em desbalanço, o paciente pode desenvolver a síndrome de Cushing, um conjunto de sinais e sintomas provocados por uma desordem endócrina causada por níveis elevados de cortisol no sangue.

No caso da prolactina, ocorre a interrupção dos ciclos menstruais (amenorreia), produção de leite nas mulheres que não estão amamentando (galactorreia) e, nos homens, perda da libido, disfunção erétil e aumento do tamanho das glândulas mamárias (ginecomastia).

Além disso, os tumores na hipófise também podem destruir os tecidos da glândula hormonal, o que, com o passar do tempo, origina níveis insuficientes desses hormônios no organismo.

Frequentemente acontecem cefaleias e, no caso do tumor aumentar muito de tamanho, há a perda da visão periférica em ambos os olhos.

Como é feito o diagnóstico?

Existem algumas formas de se diagnosticar o tumor cerebral. Elas diferem entre si pelo método e algumas delas são indicadas especialmente para um tipo específico de paciente. Confira:

Punção Lombar 

Muitas vezes, uma das opções utilizadas para se diagnosticar a presença de tumores cerebrais é a punção lombar. Através dela, os médicos obtém líquido cefalorraquidiano para realizar um posterior exame microscópico.

Nesse exame, o paciente geralmente fica deitado de lado em uma cama e dobra os joelhos até tocar o peito. O médico se utiliza de uma anestesia local para insensibilizar o local do exame e, em seguida, é inserida uma agulha entre duas vértebras, na parte inferior da coluna vertebral, onde termina a medula espinhal.

O exame dura cerca de 15 minutos e pode ser um pouco desconfortável. Após a realização da punção lombar, por volta de 1 em cada 10 pessoas sofre de cefaleia ao se levantar. Ela costuma desaparecer dentro de alguns dias ou semanas.

Nos casos em que a dor de cabeça se torna muito incômoda, os médicos podem injetar uma pequena quantidade do sangue da pessoa na área ao redor de onde a punção lombar foi feita. Esse procedimento, chamado tampão sanguíneo, reduz a fuga do líquido cefalorraquidiano e ajuda a aliviar a cefaleia.

Esse tipo de procedimento só é feito quando os médicos suspeitam que o tumor invadiu as camadas de tecido que revestem o cérebro (as meninges), já que esses tipos de tumores podem bloquear a absorção de líquido cefalorraquidiano.

A punção lombar também pode ajudar quando não é possível ter um diagnóstico claro do problema ou do tipo de tumor. Isso porque o líquido cefalorraquidiano muitas vezes pode conter células cancerosas, o que indicaria a presença do tumor.

Apesar disso, pessoas que têm um tumor muito grande e que aumenta a pressão dentro do crânio não podem realizar o exame. Isso porque a extração de líquido durante a punção lombar pode fazer com que o tumor se desloque, tendo como resultado a herniação do cérebro.

Ressonância nuclear magnética do crânio

É a melhor forma de se visualizar um tumor no cérebro. Através desse exame, é possível dizer se há a presença ou não de um tumor e calcular seu tamanho. Entretanto, para medir o grau de agressividade do tumor, exames mais invasivos, como uma biópsia, são necessários.

A ressonância magnética é feita através de um aparelho enorme em forma de rosquinha que funciona como um imã gigante que alinha o núcleo dos átomos de hidrogênio, fazendo com que eles virem pequenos imãs.

Dessa forma, o aparelho consegue mapear as diferentes posições das moléculas de água no nosso organismo e criar uma imagem de como seria o nosso interior.

Tomografia computadorizada

A tomografia computadorizada, assim como a ressonância magnética, é um exame não invasivo que combina equipamentos de raio-x com computadores programados para produzir imagens dos órgãos internos.

Dessa forma, é possível ver o organismo por dentro e identificar a presença de um tumor e o seu tamanho. Entretanto, é possível somente ter uma noção da forma, região do cérebro atingida e o tamanho do tumor. Para saber mais detalhes, como a gravidade, se é benigno ou maligno, exames mais invasivos são necessários.

Biópsia estereotáxica

Uma biópsia é quando se colhe uma amostra de tecido ou células para posterior análise através de um procedimento cirúrgico. Por isso, uma biópsia quase sempre será um procedimento invasivo.

No caso do tumor cerebral, a biópsia deve ser feita para que se possa analisar a gravidade do câncer. Ela também é fundamental, porque muitas doenças inflamatórias, infecciosas e vasculares podem se passar por um tumor cerebral.

A biópsia estereotáxica, diferentemente das outras, é indicada somente em casos especiais, nos quais o paciente não pode, por alguma razão, se submeter a um procedimento cirúrgico por conta dos riscos.

Para realização desse procedimento, é necessário fixar a cabeça do paciente em uma estrutura similar a um capacete, para não permitir que ela se movimente.

Em seguida, é feito um pequeno corte na cabeça do paciente, em geral com anestesia local e sedação, através do qual é introduzida uma agulha que irá realizar a biópsia.

Esse procedimento normalmente é feito com o auxílio de uma ressonância nuclear magnética ou então da tomografia computadorizada.

Biópsia cirúrgica convencional

A biópsia cirúrgica convencional é indicada quando o risco cirúrgico é baixo. Ela ocorre da mesma maneira que a estereotáxica, isto é,  com a cabeça do paciente acoplada a uma espécie de capacete que a imobiliza. A diferença entre as duas, entretanto, é que o corte realizado na cabeça do paciente é maior.

Durante a operação, o patologista pode optar por um exame pela técnica de congelação, que permite confirmar o diagnóstico dentro da sala de operação. Nessa técnica, uma análise microscópica é feito durante a cirurgia e é possível detectar a presença do tumor.

Nesses casos, o cirurgião pode optar por remover o tumor no momento da biópsia, dependendo do local e do tamanho estimado.

A técnica da congelação, entretanto, não é tão precisa quanto o exame anatomopatológico normal, em que as amostras celulares e teciduais vão ser estudadas minuciosamente dentro dos laboratórios.

Tumor cerebral tem cura?

A verdade é que depende do tipo de tumor cerebral que for diagnosticado, do tipo de células afetadas, do tamanho e da região onde o tumor se localiza e uma série de outros fatores.

Por isso, apesar de grande parte deles poder, de fato, ser curada através da cirurgia, ou cirurgia com radioterapia, não é possível afirmar que todos eles tem cura.

Se você suspeita ter um tumor no cérebro, converse com um médico, faça os exames e discuta com ele as possibilidades de tratamento. Ainda não se sabe muito sobre como curar o câncer de modo geral.

A notícia boa, entretanto, é que as técnicas para o tratamento dessa doença têm avançado muito, o que pode servir como suporte emocional e proporcionar esperança para muitas pessoas que se encontram em situações complicadas.

Qual o tratamento?

Muitos dos tumores que afetam o sistema nervoso central podem ser tratados através de cirurgias, radioterapia e/ou quimioterapia. Na maior parte dos casos, uma combinação dos 3 é o tratamento escolhido.

Durante o tratamento de um tumor no cérebro, uma variedade de médicos é envolvida no processo e eles trabalham em conjunto para criar um plano de ação efetivo.

Trata-se de um time multidisciplinar, com médicos de diferentes especialidades, como neurologistas, neurocirurgiões, oncologistas, e outros profissionais, como enfermeiras, farmacêuticos, psicólogos e muitos outros.

O tratamento utilizado vai depender de uma série de fatores, tais quais:

  • O tamanho, o tipo e o local do tumor;
  • Se o tumor está pressionando alguma parte vital do cérebro;
  • Se o tumor se espalhou para outras partes do SNC ou do corpo;
  • Os possíveis efeitos colaterais;
  • As preferências do paciente.

Além disso, existe o fator de crescimento. Alguns tumores crescem mais rapidamente que outros, aumentando ou diminuindo a urgência de um tratamento.

Muitas vezes, especialmente se o tumor é menos agressivo, pode ser indicado fazer somente a cirurgia, sem a necessidade de outro tipo de tratamento mais específico. Já para tumores mais severos, o tratamento mais comum é a cirurgia seguida pela radioterapia e quimioterapia.

Tratar os tumores no cérebro com sucesso pode ser uma tarefa muito difícil, mas os últimos 20 anos de pesquisa médica ajudaram a aumentar significativamente a expectativa e a qualidade de vida das pessoas que sofrem desse problema.

Técnicas de cirurgia mais refinadas e um melhor entendimento do funcionamento da doença tem ajudado médicos e pesquisadores e buscar novas formas de ajudar os pacientes a viver vidas melhores.

Confira a seguir os diferentes tipos de tratamento para tumores no cérebro e as progressões de tratamento:

Tratamento paliativo

Como vimos anteriormente, no tópico “Sintomas”, um tumor no cérebro pode trazer uma infinidade de efeitos colaterais bastante indesejáveis e incômodos. Portanto, na maior parte das vezes, o tratamento para a remoção do tumor vem acompanhado de tratamentos para curar ou pelo menos aliviar os efeitos colaterais.

Esse tipo de tratamento, que busca aliviar os sintomas e trazer maior qualidade de vida para o paciente, é denominado tratamento paliativo e consiste, basicamente, de oferecer suporte para o paciente, seja ele físico, emocional, psíquico ou social.

Qualquer pessoa, independente do estágio do câncer, pode receber tratamento paliativo e, de fato, muitas vezes ele começa muito antes do tratamento do tumor em si. Consultas com psicólogos e outros profissionais da área de saúde muitas vezes são essenciais para que o tratamento seja mais eficaz e o menos incômodo possível.

Pacientes que recebem o tratamento para o tumor e para os seus efeitos colaterais apresentam sintomas menos severos, têm melhor qualidade de vida e dizem estar mais satisfeitos com o seu tratamento;

Os tratamentos paliativos variam significativamente e podem incluir, também, o uso de medicações prescritas, mudanças nutricionais, técnicas de relaxamento e outras terapias.

Apesar dos sintomas causados pelos tumores e, inclusive, pelo tratamento do tumor poderem ser bastante severos, eles podem ser controlados e amenizados pelo uso de certos medicamentos, como:

  • Corticosteroides, que são usados para reduzir o inchaço no cérebro, o que diminui a dor da inflamação , evitando que seja necessário o uso de medicamentos específicos para a dor, como alguns opioides, que podem viciar;
  • Medicamentos anticonvulsivos, que ajudam a controlar as convulsões, se elas forem frequentes, e melhorar a qualidade de vida.

Antes de começar qualquer tipo de tratamento, converse com seu médico sobre os possíveis efeitos colaterais e sobre todas as opções paliativas. E conversar com um psicólogo e buscar apoio emocional nunca é demais. Vai fazer bem tanto para o seu tratamento, quanto para sua saúde e para a sua qualidade de vida.

Aliviando a pressão intracraniana

Muitas vezes o tumor acaba por obstruir o fluxo do líquido cefalorraquidiano através dos espaços dentro do cérebro. Nesses casos, se utiliza um um dispositivo para drenar o líquido e, deste modo, diminuir o risco de herniação.

Esse dispositivo nada mais é do que um pequeno tubo (cateter) ligado a um manômetro, que mede a pressão dentro do crânio. O tubo é introduzido por um orifício minúsculo provocado no crânio e passa a drenar o líquor.

Nesse procedimento, é utilizado anestesia local (normalmente junto com um sedativo) ou anestesia geral. Ao fim de alguns dias, retira-se o tubo ou o mantém como uma forma de drenagem permanente.

Durante esse tempo, o médico retira o tumor cirurgicamente e utiliza a radioterapia e quimioterapia para combatê-lo.

Cirurgia

A cirurgia consiste na remoção do tumor da região afetada. Muitas vezes, para garantir a eficácia da operação, até partes de tecido saudável são retiradas em conjunto com o tumor. Isso diminui a chance de regressão e garante uma taxa de sucesso maior.

Usualmente, é a primeira opção de tratamento adotada pelo corpo médico, pois a remoção do tumor, por si só, pode ajudar muito no alívio dos sintomas, além de proporcionar a possibilidade de se diagnosticar os tecidos e medir o grau de agressividade do tumor.

Isso ajuda o time multidisciplinar a pensar nas próximas etapas do tratamento e bolar uma abordagem mais efetiva, melhorando o prognóstico da doença.

Para isso, será necessário a presença de um neurocirurgião qualificado. Trata-se de um especialista em cirurgias no cérebro e na coluna espinhal.

Uma cirurgia de remoção de tumor cerebral requer a remoção de uma parte do crânio, um procedimento denominado craniotomia. Depois disso, o neurocirurgião remove o tumor e o próprio osso do paciente será usado para cobrir a abertura no crânio.

Nos últimos anos, os avanços nas técnicas de neurocirurgia tem possibilitado cirurgias mais precisas e eficazes.

Uma das técnicas empregadas é o uso do mapeamento cortical, que permite que o neurocirurgião identifique as áreas do cérebro e suas funções durante a cirurgia e possa fazer o procedimento de retirada de tumor de modo a não comprometer áreas com funções, motoras, sensoriais ou lógico-linguísticas.

Existem, também, técnicas baseadas no uso de computadores, como a intervenção guiada por imagem, que ajuda os cirurgiões a mapear a localização do tumor de modo bastante preciso. Essa técnica, porém, requer um alto grau de especialização e pode não estar amplamente disponível.

Curiosamente, existem técnicas de cirurgia que são feitas com o paciente acordado. Isso tem uma explicação bem simples e lógica: serve para que o cirurgião não erre e danifique alguma função do paciente.

Quando o tumor a ser removido se encontra, por exemplo, muito próximo do centro responsável pela fala, essa técnica é utilizada. O paciente acordado fica imobilizado com a superfície do cérebro exposta e o especialista se utiliza de pequenos estímulos elétricos para localizar as áreas do cérebro responsáveis pela fala.

Além de remover e diminuir o tamanho dos tumores no cérebro, a cirurgia também pode servir simplesmente para remoção de amostra tecidual para posterior biópsia, como vimos no tópico “Como é feito o diagnóstico”.

Pode parecer estranho que se realize uma operação só para que se faça uma biópsia, mas mesmo isso é muito importante, pois pode ajudar os médicos a definir qual a melhor abordagem para tratar do problema.

Entretanto, algumas vezes as cirurgias não podem ser realizadas, pois o tumor se localiza muito próximo a uma região vital do cérebro. Esse tipo de tumor inoperável é tratado de outras maneiras que não pela cirurgia.

Além disso, a cirurgia tradicional traz muitos riscos. Existe a possibilidade real de que sejam causadas lesões cerebrais que podem conduzir a uma paralisia parcial, alterações de sensibilidade, fraqueza e deterioração intelectual.

Mesmo assim, é indispensável remover um tumor que esteja comprometendo estruturas cerebrais importantes, seja ele canceroso ou não. Mesmo quando a cura é impossível, a remoção do tumor é de extrema importância, pois pode ajudar a aliviar os sintomas e permitir ao médico determinar se a realização de outro tipo de tratamento é justificada, como a quimioterapia e a radioterapia.

Radioterapia

A radioterapia se utiliza de raios-x ou outros raios de alta energia para destruir células tumorais. Esse tipo de terapia serve para interromper ou desacelerar o crescimento de um tumor e é tipicamente utilizada logo após a cirurgia e preferencialmente em conjunto com a quimioterapia.

O tipo mais comum de radioterapia utilizada é a com feixes externos, em que a radiação é injetada através de um processo não invasivo por uma máquina que joga radiação no paciente. Essa técnica pode ser chamada de radioterapia com feixe externo.

Ela também pode ser feita de forma interna, numa operação chamada de braquiterapia, em que fontes radioativas na forma de aplicadores especiais (agulhas, sementes ou fios) são colocadas em contato direto com o local do tumor.

Quando o paciente é submetido à radioterapia, ele deve seguir uma rotina em que recebe doses periódicas de radiação por um período definido de tempo.

Como nos casos de tumor cerebral é muito difícil injetar uma substância diretamente no local do tumor, a técnica utilizada é a dos feixes externos, que pode ser feita das seguintes maneiras:

Radioterapia convencional

O local a ser tratado é determinado através de exames realizados previamente e em locais estratégicos. Em algumas situações, como quando todo o cérebro precisa receber a radioterapia para evitar a metástase, essa técnica é bastante apropriada.

Por outro lado, o grande problema desse tipo de tratamento é a falta de precisão. Se forem necessários cuidados mais minuciosos, outras técnicas pode ser aplicadas.

Radioterapia conformacional tridimensional

Através de imagens coletadas por meio de de tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas, um modelo tridimensional do tumor e do tecido saudável é construído num computador.

Esse modelo é usado para direcionar a radiação diretamente para o tumor, deixando o tecido saudável intacto, livre das altas doses de radiação.

Radioterapia de intensidade modulada (IMRT)

Assim como a radioterapia conformacional tridimensional, a IMRT (do inglês Intensity Modulated Radiation Therapy) é capaz de direcionar a radiação diretamente para o tumor, sem afetar o tecido saudável.

Na IMRT, os feixes de radiação, que já são pequenos, são quebrados em feixes ainda menores e mais precisos, tendo sua intensidade minuciosamente controlada.

Terapia por prótons

É um tipo de terapia de feixe externo que se utiliza de prótons ao invés de raio-x. Prótons livres de alta energia tem o potencial de matar células tumorais. Ele é usado mais quando não é necessário que se use tanta radiação.

Tumores perto do nervo óptico e dos ossos, como a base do crânio, são os que tipicamente recebem terapia por prótons.

Radioterapia estereotáxica de dose única

Este procedimento consiste no direcionamento de uma única dose alta de radiação diretamente no local do tumor, evitando o tecido saudável que o circunda. Ela é mais eficiente em tumores que afetam somente uma única parte do cérebro e alguns tumores não cancerosos.

Também pode ser utilizada quando o paciente possui mais de um tumor em fase de metástase no cérebro.

Radioterapia estereotáxica de dose fracionada

Trata-se do mesmo procedimento da radioterapia estereotáxica de dose única, mas feito em doses fracionadas, ao longo de semanas. Essa técnica é utilizada para tumores localizados perto de estruturas sensíveis, como o nervo ótico.

Quimioterapia

A quimioterapia consiste no uso de medicamentos que destroem células tumorais ao impedir sua habilidade de crescer e se dividir. O objetivo da quimioterapia pode ser o de destruir células tumorais, diminuir o crescimento do tumor ou simplesmente reduzir os sintomas.

Ela é receitada por uma oncologista, um médico especializado no tratamento de tumores com medicamentos. Outro médico que pode receitar a quimioterapia é o neuro-oncologista.

Jeitos comuns de se aplicar a quimioterapia são através de pílulas orais ou injeções intravenosas que são dadas em ciclos durante um período de tempo pré-determinado. O paciente pode receber um medicamento de cada vez ou então uma combinação de vários.

Como é bem conhecido de todos, a quimioterapia possui uma série de efeitos colaterais bastante incômodos. Dentre eles, podemos destacar:

  • Fadiga;
  • Queda de cabelo;
  • Feridas na boca e na pele;
  • Náusea;
  • Dores;
  • Vômito.

No caso dos tumores cerebrais, a evolução do problema é monitorada através da realização de ressonâncias magnéticas frequentes, a cada 2 ou 3 meses, enquanto o tratamento é feito. Dependendo da evolução do tumor, os intervalos entre as ressonâncias pode se tornar maior ou menor, caso o tumor não esteja regredindo.

Nessa última circunstância, a do tumor não estar regredindo mesmo com a quimioterapia, outras abordagens terapêuticas devem ser pensadas e postas em prática.

Terapia-alvo

No organismo humano, existem uma série de proteínas responsáveis por fazer com que as células se dividam. Nas células cancerígenas, moléculas parecidas desempenham essa mesma função de maneira descontrolada, fazendo com que se forme um tumor.

A terapia-alvo nada mais é do que direcionar a ação de medicamentos para combater essas moléculas e interromper a divisão descontrolada das células tumorais. O diferencial desse tratamento é que ele é direcionado exclusivamente ou quase exclusivamente para as células danificadas, reduzindo, assim, o número e a gravidade de efeitos colaterais.

E se o tratamento falhar?

Curar ou diminuir a progressão de um tumor cerebral nem sempre é possível. Nesses casos em que o tumor não pode ser controlado, ele passa a ser terminal.

Esse tipo de diagnóstico é muito frustrante e estressante e, por isso, bastante difícil de ser discutido. Entretanto, é muito importante conversar aberta e honestamente com os médicos e com as pessoas ao seu redor sobre seus sentimentos, preferências e preocupações.

Não é a toa que o tratamento é feito por um time multidisciplinar. Essas pessoas estão ali não só pra te ajudar a se livrar da doença, mas também para fazer com que você lide melhor com ela, diminua seus níveis de stress e passe a viver uma vida mais completa, o que faz bem não só para você, mas também para os seus familiares.

Medicamentos

Existe uma diversa gama de medicamentos usados para tratar de tumores cerebrais, desde os que servem para aliviar os sintomas até os que servem para atacar as células tumorais de fato (os quimioterápicos). Confira a diferença:

Corticoesteroides

Estes medicamentos ajudam a reduzir o inchaço no cérebro, caso ele esteja presente, além de aliviar outros sintomas, como a regulação do metabolismo. O tratamento é contínuo e só pode ser interrompido com aprovação do médico.

Anticonvulsivantes

Como vimos nos tópicos anteriores, tumores cerebrais podem causar convulsões e ataques epiléticos. Entretanto, a indicação desse tipo de medicamento vai depender da condição do paciente, uma vez que estes medicamentos podem frequentemente interferir com outros fármacos, como os quimioterápicos.

Alguns exemplos de anticonvulsivantes comumente utilizados são:

  • Pentobarbital;
  • Secobarbital;
  • Amobarbital;
  • Butabarbital;
  • Fenobarbital;
  • Mefobarbital;
  • Prominal.

Tratamento hormonal

Os tratamentos hormonais somente são utilizados caso a glândula pituitária, que controla os níveis de diferentes hormônios no corpo, for danificada pelo próprio tumor ou por tratamentos, como cirurgia ou radioterapia.

Nesses casos, a administração de hormônios hipofisários e outros hormônios pode ser necessária para substituir a ausência ou a carência desses componentes.

Quimioterápicos

A quimioterapia, muito falada, porém pouco conhecida, se utiliza de medicamentos anticancerígenos para destruir as células tumorais. Trata-se de um tratamento sistêmico e, por isso, atinge não somente as células cancerígenas, mas também as células saudáveis do organismo.

É por isso que causa tantos efeitos colaterais, como a perda de cabelo, náuseas e vômitos. Seu mecanismos de ação ataca células que se dividem muito rapidamente, o caso não só das células tumorais, mas também as da medula óssea, o revestimento da boca e dos intestinos e os folículos pilosos.

Esse tratamento é mais frequentemente administrado por via intravenosa, mas alguns medicamentos são administrados por via oral.

Os principais quimioterápicos utilizados no tratamento de tumor cerebral são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

É muito difícil dar um prognóstico certo para o tumor cerebral, pois ele vai depender de inúmeras variáveis que vão mudar de paciente para paciente. Quando falamos em tumores cerebrais, devemos sempre levar em conta que cada caso é um caso.

Entretanto, apesar de parecer assustador, existem pacientes que conseguem se curar de tumores cerebrais. Isso não torna a doença menos assustadora, eu sei, mas pode servir de esperança para alguém em necessidade.

Ainda assim, existem dados suficientes para calcular a taxa de sobrevida dos pacientes diagnosticados com tumor cerebral.

Taxa de sobrevida

A taxa de sobrevida diz respeito à porcentagem de pacientes que vivem pelo menos 5 anos após o diagnóstico da doença. Ainda assim, é importante ressaltar que existem sim pessoas que vivem muito mais do que 5 anos e ainda há aquelas que são curadas completamente.

Confira os dados disponíveis para os tipos mais comuns de tumor cerebral:

Tipo de tumorTaxa de sobrevida em 5 anos--
-Idade--
-20 a 44 anos45 a 54 anos55 a 64 anos
Astrocitoma de baixo grau65%43%21%
Astrocitoma anaplásico49%29%10%
Glioblastoma17%6%4%
Oligodendroglioma85%79%64%
Oligodendroglioma anaplásico67%55%38%
Ependimoma e ependimoma anaplásico91%86%85%
Meningioma92%77%67%

Para crianças e adolescentes os dados são outros, confira:

Tipo de tumorTaxa de sobrevida em 5 anos
Astrocitoma pilocítico95%
Astrocitoma fibrilar80% a 85%
Astrocitoma anaplásico30%
Glioblastoma20%
Oligodendroglioma90% a 95%
Ependimoma e ependimoma anaplásico75%
PNETs (incluindo meduloblastoma e pineoblastoma)60% a 65%

Convivendo

Conviver com um tumor cerebral não é tarefa fácil, não só por causa dos sintomas, do tratamento e dos seus efeitos colaterais, mas também porque a doença ainda está muito atrelada à questões tabus, como a morte.

Não é verdade que o diagnóstico de tumor no cérebro é um diagnóstico fatal. Muitos pacientes vivem vidas normais, por longos anos fazendo o tratamento e, ainda assim, o tabu envolvendo a doença e sua fatalidade continua grande.

Por isso é tão difícil conviver com o tumor cerebral. Entretanto, existem maneiras de melhorar a qualidade de vida do paciente e das pessoas que o cercam. Pesquisas mostram que pacientes que convivem melhor com a doença têm um prognóstico melhor e aumentam suas chances de ter um tratamento eficaz.

Confira a seguir algumas dicas para conviver melhor com a doença:

Lidando com as incertezas

Nada nessa vida é certo. Não é possível prever o futuro e nem os caminhos que nos aguardam. Independente da fé, da religião ou da crença em destino ou propósito, a única certeza que todos nós podemos ter é de que o futuro é incerto.

E isso é especialmente verdade e se torna ainda mais evidente para pacientes que são diagnosticados com algum tipo de tumor, em especial, tumores cerebrais.

Por conta do seu tratamento ser mais complicado, é muito difícil para o médico chegar a um prognóstico claro e confiável. Cada caso é um caso e muitas coisas, boas ou más, podem acontecer durante o tratamento, o que aumenta os níveis de incerteza para patamares verdadeiramente angustiantes.

A falsa noção de segurança que todos nós temos, de que vamos viver uma vida longa, viver para ver o crescimento de nossos filhos e netos, muitas vezes desaparece quando um diagnóstico de tumor se faz presente.

Entretanto, apesar de toda a carga simbólica que envolve a expressão “tumor cerebral”, é muito importante manter a calma e a serenidade para ao menos tentar observar as coisas de um ponto de vista realista, preferencialmente baseado em evidências.

Por isso, conversar bastante com a equipe médica que está proporcionando amparo emocional e tratamento físico é de extrema importância. Esses profissionais lidam com casos similares todos os dias, são treinados e especializados em acalmar seus pacientes e em ajudá-los a enxergar o mundo com perspectivas mais positivas.

Existe até mesmo uma série de problemas pelos quais os pacientes sofrem com certa frequência. Saber mais sobre eles pode te ajudar a conviver melhor com seus sentimos. Confira alguns deles:

  • Adiar planos e compromissos: fazer compromissos e planos pode ser uma tarefa difícil por conta de uma série de fatores práticos, como o tempo do tratamento, a presença ou ausência de sintomas físicos, etc. Por isso, até mesmo marcar um almoço com um amigo pode se tornar uma tarefa complicada, visto que você não sabe se estará bem no dia marcado. O importante é saber que isso é normal e que acontece com muitas pessoas;
  • Sentir medo do tratamento e dos seus efeitos colaterais: os efeitos colaterais da quimioterapia são muito conhecidos e deixam qualquer um que vai se submeter à ela bastante apreensivo. Isso também é normal e o melhor a fazer é conversar com o médico responsável pelo tratamento e observar bem como o próprio corpo reage à situação;
  • Sentir medo de que o tratamento não vai funcionar: o mais importante a se ter em mente nessas situações é que cada caso é um caso. Alguns tratamentos podem ser efetivos, outros nem tanto. Saiba somente que é importante se manter resiliente e buscar sempre estar com a cabeça erguida, pronto para o próximo desafio;
  • Medo de morrer ou de perder alguém que você ama: confrontar a morte é uma tarefa extremamente O sentimento de medo é completamente natural e não lidar bem com isso não faz de você uma pessoa fraca ou qualquer coisa do tipo. O melhor a se fazer, nessas horas, é buscar ajuda e apoio emocional.

Reconhecer as incertezas do futuro é uma tarefa agoniante que pode, inclusive, trazer sintomas físicos, como interromper uma noite de sono. Mas é muito importante que você tenha algumas perspectivas e tome algumas atitudes, como:

  • Conversar com o seu médico e com o time multidisciplinar sobre os seus sentimentos e sobre como eles vêm afetando o seu cotidiano;
  • Aprender o máximo possível sobre tumor cerebral e suas consequências. Dessa forma, você vai saber o que esperar e como reagir às consequências que o futuro te reserva;
  • Ter em mente que existem situações que podemos controlar e situações que não podemos controlar. Pode parecer difícil, mas o melhor a se fazer é focar nas situações que podemos controlar e não nas outras. Afinal, é como diz o Dalai Lama: “Se não há solução para um problema, então não há motivos para se preocupar com ele. Se há solução para o problema, então não há motivos para se preocupar com ele”.

Lidando com a autoimagem

A autoimagem é a maneira como a pessoa se enxerga, o modo como se vê. Como os sintomas e o tratamento para o tumor cerebral pode trazer muitas mudanças emocionais e físicas, os pacientes que sofrem desse problema podem passar por mudanças positivas ou negativas no tocante a autoimagem.

Mudanças físicas

Tanto os tumores quanto o seu tratamento podem causar mudanças bruscas na aparência. Algumas das transformações mais comuns são:

  • Perda de cabelo;
  • Ganho ou perda de peso;
  • Cicatrizes cirúrgicas;
  • Erupções cutâneas, causadas pelo uso de alguns medicamentos;
  • Fadiga.

Conversar com os médicos e com as pessoas próximas sobre a própria aparência, além de buscar maneiras de se sentir melhor com o próprio corpo são estratégias que devem ser utilizadas para melhorar a qualidade de vida.

Mudanças emocionais

Um tumor cerebral pode afetar muitas partes da vida de uma pessoa, desde os relacionamentos pessoais até o dia a dia no trabalho. Dependendo da gravidade da doença e das chances de recuperação, muitos sentimentos podem surgir, como:

  • Tristeza;
  • Ansiedade;
  • Solidão;
  • Medo;
  • Raiva;
  • Frustração;
  • Culpa.

Entretanto, ainda assim, muitas pessoas relatam mudanças positivas em seus estados emocionais, como:

  • Gratidão;
  • Paz;
  • Apreço maior pelos relacionamentos;
  • Conscientização de que a vida é curta e muito especial;
  • Clareza do sentido da vida e dos objetivos pessoais.

Entretanto, é impossível dizer que tipo de reação emocional um paciente vai ter ao ser diagnosticado com tumor cerebral. E é importantíssimo ressaltar que não há nada de errado em se sentir triste e deprimido. Isso é comum e pode ser tratado, como veremos a seguir.

O que fazer para melhorar?

Algumas dicas para lidar melhor com as mudanças pelas quais você vem passando são:

  • Dê tempo ao tempo. Aceitar o diagnóstico de tumor cerebral e o seu tratamento é algo que muda drasticamente a vida de uma pessoa. Por isso, tempo é necessário para que você se acostume às mudanças que estão por vir;
  • Procure e aceite. Não se prenda a atividades que estão te fazendo mais mal do que bem, passe-as adiante. Não há nada de errado em pedir ajuda de amigos para limpar a casa ou preparar refeições, por exemplo;
  • Crie uma rede de amigos e familiares que podem te ajudar a melhorar e a se sentir mais positivo;
  • Mantenha a calma e, se possível, tente ser bem humorado. Uma boa sessão de risadas trás muitos benefícios para o organismo e pode te ajudar a relaxar durante períodos mais tensos;
  • Mantenha-se ativo, o tanto quanto for possível. Atividade física cria energia e pode te ajudar a se sentir melhor durante o tratamento. Atividades sociais também podem te ajudar a focar em algo além da própria condição.

Depressão e ansiedade

A depressão e a ansiedade são dois sintomas que podem acometer o paciente antes, durante ou mesmo depois do tratamento de tumor cerebral. São duas desordens psiquiátricas muito comuns não só em pacientes com tumor cerebral, mas na população como um todo.

Se já não é fácil ter de lidar com o tumor cerebral, mais difícil ainda é ter de tratar desses dois transtornos em conjunto. Entretanto, não se preocupe, é para isso que o time multidisciplinar está ao seu lado.

Ao conversar com psicólogos e com os médicos do seu time, eles podem identificar se existe algum problema mais sério, em que há a necessidade de se tomar medicação e, se não for esse o caso, podem te ensinar técnicas e oferecer o apoio psicológico necessário para reverter esse quadro.

Grupos de ajuda

É muito difícil conversar sobre o seu problema com pessoas que não possuem a capacidade de entendê-lo por completo. É para suprir essa necessidade que existem diversos grupos de ajuda espalhados por aí.

Neles, você vai encontrar pessoas que sofrem do mesmo problema que você e que podem te oferecer o suporte emocional que te faltava.

Comunicação

A chave para lidar bem com qualquer assunto é a comunicação. E com os casos de tumor cerebral a resposta não é outra.

Comunique-se com seu parceiro, com seus filhos, com seus familiares, com seus amigos, com seus médicos, com outras pessoas que têm câncer, enfim, com qualquer um que você sinta que tenha intimidade suficiente para saber da sua condição e que você julga poder te ajudar a conviver melhor com a doença.

Isso não significa, também, que você deva sair por aí anunciando para o mundo que sofre de um tumor cerebral. Trata-se, sim, de uma questão de foro íntimo, mas conversar e aprender mais sobre o assunto pode te deixar mais seguro de si, o que vai te dar forças para enfrentar um tratamento complicado com a cabeça erguida.

Complicações

Os tumores não causam sintomas somente no cérebro, mas em diversas regiões do corpo, já que comprometem funções de controle em diversos órgãos. Dentre as principais complicações causadas, existem:

Fraqueza

Como o sistema nervoso fica comprometido, a prática de tarefas diárias se torna mais difícil e custosa, fazendo com que sintomas de fraqueza apareçam.

Dificuldade de movimentação dos membros e perda de equilíbrio

Um tumor cerebral pode acabar dificultando a movimentação de modo geral, visto que diferentes áreas do sistema nervoso podem ficar comprometidas. Por isso é que um dos sintomas é a “falta de jeito”.

A pessoa acometida por um tumor cerebral realmente fica mais desastrada, perde o equilíbrio com mais facilidade e tem mais riscos de sofrer acidentes motores.

Dores de cabeça

Por causa do inchaço no cérebro, muitos pacientes com tumor cerebral relatam dores de cabeça fortes e frequentes.

Crises convulsivas

O inchaço na região do cérebro também pode causar crises convulsivas de intensidades variadas. Pode acontecer como um simples tremer de algum membro ou então uma convulsão generalizada, tomando todo o corpo.

Herniação cerebral

O tamanho do crânio é fixo, fazendo com que o volume cerebral seja sempre o mesmo. Isso significa que, depois que o crânio já se desenvolveu por completo, o volume cerebral é o mesmo para o resto da vida.

Esse é o grande problemas dos tumores. Como dito anteriormente, eles são um aglomerado celular que está se dividindo de maneira descontrolada, ou seja, crescendo. Esse crescimento aumenta a pressão intracraniana, causando sintomas citados anteriormente, como dores de cabeça e crises convulsivas.

O problema é quando esse crescimento é tão grande que causa o deslocamento de uma parte do cérebro através de um orifício intracraniano e isso pode trazer uma série de problemas e complicações, como:

  • Parada cardíaca;
  • Coma;
  • Dor de cabeça;
  • Letargia;
  • Perda de todos os reflexos do tronco cerebral;
  • Perda de consciência;
  • Para respiratória.

Dentre as duas formas de herniação cerebral, duas são consideradas as mais graves: a herniação temporal, em que a parte baixa de um dos lobos temporais sofre compressão, e a herniação do cerebelo, onde essa parte do sistema nervoso sofre deslocamento.

Alterações visuais e perda de audição

O cérebro é quem processa as informações sensoriais, portanto, um tumor cerebral localizado em algum dos lugares responsáveis pela interpretação dessas informações, como o córtex visual ou auditivo, pode trazer problemas no desempenho dessas funções.

Alucinações visuais e auditivas não são tão incomuns em pacientes com tumores cerebrais.

Em seu livro “Um Antropólogo em Marte”, Oliver Sacks, famoso neurologista americano, descreve o caso de um paciente Hare Krishna que desenvolveu um tumor cerebral que fez com que ele ficasse cego e perdesse a memória de uma década inteira.

O mais interessante sobre o caso é que o paciente não acreditava que estava doente, nem mesmo que estivesse ficando cego, mas que a gradativa perda de visão e o abatimento causado pela doença eram sinais de que ele estava alcançando a iluminação.

Alterações psiquiátricas

Um tumor cerebral pode trazer uma série de alterações comportamentais e psiquiátricas. Elas são muito raras e não costumam acontecer com frequência.

A título de curiosidade, e também para exemplificar como um tumor no cérebro pode ter diversos efeitos, vamos observar um caso clínico que aconteceu nos Estados Unidos no início dos anos 2000.

A identidade do paciente não foi revelada por motivos de direito à privacidade, mas o caso foi publicado em 2002 no encontro anual da Associação Americana de Neurologia, realizado em Nova York.

De acordo com a publicação, o paciente, um homem de 40 anos, professor, casado e que sempre foi considerado pela família um homem tranquilo e carinhoso, repentinamente começou a apresentar comportamento agressivo e hipersexualizado.

Começou a visitar casas de massagem, onde pagava prostitutas, a ficar obcecado por sexo e, o que é mais perturbador: passou a acessar secretamente sites de pornografia infantil na internet e a molestar crianças.

Sua esposa, quando descobriu das atitudes do marido, ficou horrorizada, o expulsou de casa e o denunciou para a polícia. No tribunal, ele foi condenado a um programa de reabilitação num grupo de ajuda para dependentes de sexo.

Entretanto, seu tratamento não durou muito. Seu comportamento ainda estava muito alterado e ele foi expulso do programa após assediar mulheres em reabilitação.

Antes de ser preso, exatamente na noite anterior, o homem procurou ajuda em um hospital reclamando de dor de cabeça intensa e dizendo que estava com medo de acabar estuprando a proprietária do apartamento em que estava vivendo.

O homem foi encaminhado para o setor psiquiátrico do hospital, quando seus sintomas pioraram e ele começou a reclamar de tonturas e problemas de equilíbrio. Os médicos, então, resolveram fazer uma ressonância magnética e, durante o exame, detectaram a presença de um tumor do tamanho de um ovo de galinha no cérebro do paciente.

Ele foi submetido ao tratamento para o câncer e teve o tumor removido. Quando completou o tratamento e cumpriu sua pena com o grupo de ajuda, pôde voltar para casa. Entretanto, em outubro de 2001, ele começou a sentir dores de cabeça muito fortes e sentir obsessão por sexo novamente, voltando a consumir revistas e vídeos pornográficos com muita frequência.

Uma nova ressonância magnética foi realizada, pela qual se constatou que houve a reincidência do tumor. Após uma nova cirurgia de remoção, o comportamento do paciente voltou ao normal.

Os especialistas que acompanharam o caso de perto, Russel Swerdlow e Jeffrey Burns, acreditam que, muito provavelmente, o tumor no cérebro desse paciente é que foi o responsável pelo comportamento repentinamente anômalo e repulsivo desse homem, e que alterações no cérebro podem estar relacionados à crimes sexuais.

Ainda assim, os dois ressaltam que essa hipótese só se aplica para pessoas que repentinamente passaram a ficar obcecadas por sexo e que não tenham passado histórico que inclua esse tipo de comportamento.

As implicâncias desse caso ainda envolvem uma grande diversidade de dilemas morais e éticos a serem discutidos, mas esse não é o objetivo de expor esse relato. Ao contrário, ele serve como um exemplo anedótico de como um tumor no cérebro pode trazer consequências graves e como é difícil diagnosticar esse tipo de problema.

Vale lembrar, também, que casos assim, em que mudanças bruscas no comportamento acontece, são muito raros.

Como prevenir o tumor cerebral?

Como não se sabe as causas exatas dos tumores cerebrais, falar em prevenção se torna uma tarefa difícil. Entretanto, existem sim algumas medidas que você pode tomar se tem medo de desenvolver a doença. Elas são boas não só para prevenção do tumor cerebral, mas de inúmeras outras doenças doenças que também podem ser um risco para sua saúde.

Pesquise o histórico familiar

O tumor cerebral, de alguma forma, parece estar relacionado ao histórico familiar. Pessoas que têm familiares que sofreram da doença possuem mais chances de também desenvolvê-la.

Por isso, por mais que não seja possível impedir que ela aconteça (se for para um tumor cerebral te acometer, ele acometerá, é possível, sabendo dos seus riscos, ser diagnosticado precocemente, o que aumenta as chances de sucesso de um possível tratamento.

Fique atento às condições ambientais

Os tumores no cérebro são causados por mutações celulares e moleculares no cérebro. Essas mutações podem ser influenciadas por fatores ambientais, como a exposição à materiais cancerígenos, como o tabaco.

Verifique o seu sistema imunológico

Algumas desordens no sistema imunológico podem levar ao desenvolvimento de um tipo específico de tumor cerebral chamado linfoma primário do sistema nervoso central. A perda de visão e o enfraquecimento dos músculos são alguns dos sintomas que devem ser avaliados pelo médico em caso de suspeita.

Viva de maneira saudável

Essa é a dica de ouro. Exercitar-se, ter uma dieta saudável e nutritiva, não fumar e manter os níveis de stress baixos são atitudes importantíssimas, não só para prevenir o tumor cerebral, como para evitar outras doenças também.

Perguntas frequentes

Por que é tão difícil tratar de tumor cerebral?

Porque eles se localizam no cérebro, o nosso centro de controle de pensamentos, emoções e movimentos. Um tratamento que não seja feito minuciosamente nesse órgão pode trazer consequências físicas e mentais severas.

Além disso, existe uma enorme variedade de tumores cerebrais. Eles afetam diferentes áreas do cérebro e tem os mais diversos tipos de sintoma variando caso a caso.

Como saber se eu devo buscar uma segunda opinião?

Não há como saber se você deve buscar uma segunda opinião, mas existem diversas razões que podem te levar a querer uma, como:

  • O conforto com a escolha de tratamento;
  • Se o tipo de tumor for muito raro;
  • Se existe mais de uma opção para tratar o tumor;
  • Se o primeiro médico não é um especialista em câncer;
  • Se o plano de saúde exigir.

O tumor cerebral é uma doença de difícil tratamento e bastante imprevisível com relação aos seus sintomas e evolução. Visto a complexidade do cérebro e de seu funcionamento, cada caso é um caso e o quanto antes o diagnóstico for feito, maiores são as chances de um tratamento bem sucedido.

E você? Conhece alguém que teve tumor cerebral? Já teve? Conte-nos nos comentários!

Referências

https://www.prevention.com/health/7-warning-signs-of-a-brain-tumor-you-should-know/slide/7
https://en.wikipedia.org/wiki/Brain_tumor#Signs_and_symptoms
https://www.webmd.com/cancer/brain-cancer/brain-tumors-in-adults#2
http://www.bbc.com/portuguese/ciencia/021021_pedofilog.shtml
https://www.cancer.net/cancer-types/brain-tumor/treatment-options

Guyton, A. C. (1984) Fisiologia Humana.
Simon Chapman; Lamiae Azizi; Qingwei Luo; Freddy Sitas – 2016 – Has the incidence of brain cancer risen in Australia since the introduction of mobile phones 29 years ago? (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1877782116300509)
Lloyd Morgan; Anthony B. Miller; Annie Sasco; Devra Lee Davis – 2015 Mobile phone radiation causes brain tumors and should be classified as a probable human carcinogen (2A) (Review)(https://www.spandidos-publications.com/ijo/46/5/1865)

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