Dia das mães | Maternidade real: sentir-se uma caixinha de joias

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Ser mãe é um bocado mais difícil do que parece e vai muito além do bebê chorando de madrugada. A vida inteira vira de cabeça para baixo e tem muita coisa que sua mãe não te contou. Nesse dia das mães, admire aquela mulher que mudou a vida inteira por você!

Se você é a mãe, é dia de encontrar as crianças — não importa se elas já têm 45 anos — e ser mimada. Se é filho ou filha, é uma ocasião para celebrar aquela mulher que te criou, que viu você dar seus primeiros passos e brigou quando você fez um monte de rabiscos na parede com giz de cera.

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Aliás, você sabe por tudo o que ela passou desde que você entrou no mundo dela? Todas as lágrimas e todo o suor que ela derrubou para te criar? Chega mais perto. Vou te contar uma historinha.

Por trás da preciosidade

Seu nome é Marta e, até semana passada, estava grávida de 9 meses. O parto foi um sucesso e o pequenino se chama Marcos Alexandre — o mesmo nome do avô.

Ele é uma fofura. Já nasceu quase precisando de um corte de cabelo e a tia riu, cheia de ternura e alegria, quando o viu pela primeira vez: “é só bochecha e cabelo!”, disse ela. O instinto de tia despertando em seus dedos ansiosos pelo bochechudinho fofo. E Marta? Marta sentia que havia alguma coisa de errado com ela.

Durante o primeiro banho que tomou após o parto, chorou horrores. O marido — pai agora —, até uns dias antes tão atencioso, nem percebeu o rosto inchado quando ela saiu do chuveiro.

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O sorriso bobo em seu rosto, tão bonito, enchia Marta de ansiedade. Por que ela não conseguia sorrir daquele jeito? A criança estava tão bem, tudo estava tão certo! O pequeno bebê parecia saudável, por que ela não estava feliz?

Até alguns dias antes, todos a tratavam com cuidado e dedicação. Sentia-se uma caixinha de joias. Era como se Marcos Alexandre realmente fosse uma preciosidade. O problema é que agora, depois que a joia foi retirada, era como se a caixinha não valesse mais nada.

Marta é uma personagem fictícia, mas isso é realidade para milhares de mulheres. As emoções pelas quais uma mulher passa no pós-parto variam e são algo que só elas podem descrever.

As expectativas são de que o instinto materno tome conta e a missão de fazer o bebê feliz se torne prioridade.

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Espera-se que depois do parto a mulher viva pela felicidade da criança, mas isso não é verdade para todas as mães, e elas podem se sentir culpadas por isso. Mas é importante lembrar que ser mãe não significa que a mulher deixou de ser ela mesma.

Entretanto, algo que é real para todas as mulheres que passam pelo parto é o puerpério. Já vamos falar dele.

Algumas coisas que não te contaram

Muita gente fala sobre as dificuldades da gestação, mas — com exceção do bebê que chora de madrugada — o pós-parto é frequentemente esquecido. Aqui vai uma listinha de algumas coisas pelas quais a sua mãe pode ter passado depois de você nascer.

Puerpério

Em termos médicos, o puerpério é o período entre o parto e a volta da ovulação da mulher.

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É uma fase que pode durar até 8 semanas, trazendo diversas alterações em seu corpo, sua vida, carga hormonal e maneira como a nova mãe se sente. É um período de adaptação para ela.

Baseando-se no relato de diversas mães, entretanto, o puerpério dura mais tempo do que isso. Trata-se de um período incrivelmente importante porque a mulher acaba de entrar em uma nova fase de sua vida e precisa se adaptar a ela.

Os efeitos hormonais e físicos são presentes, mas são os emocionais que podem durar vários meses e isso varia de mulher para mulher. Não existe certo ou errado no tempo dessa adaptação.

Infelizmente, muita gente esquece ou nem conhece o puerpério, e a mãe fica se sentindo abandonada. A mulher acaba de ter um filho, o que é uma tarefa árdua — tanto física quanto emocional — e é importante que ela tenha tempo e cuidados para se recuperar, ou seja, precisa de atenção tanto quanto o bebê.

Mudanças no corpo

Durante os nove meses antes do parto o corpo da mulher mudou completamente. Agora que o bebê nasceu, ainda pode levar um tempo para o organismo se recuperar do parto e da própria gravidez como um todo.

A incontinência urinária, sangramentos vaginais, perda rápida de peso, aumento de quadril, entre outras mudanças físicas, podem ser percebidas. O corpo da mulher que acaba de ter um filho pode levar até um ano inteiro para voltar ao estado anterior e fazer esses ajustes.

Lembra daquela barriga de grávida? Ela não desaparece quando o bebê vai embora. O útero, com o bebê, muda os órgãos de lugar e eles, assim como a pele e os músculos, podem levar um tempo para voltar a suas posições originais.

Ajustes psicológicos

Agora existe um bebê na casa. Foram meses de espera e a criança está lá. Isso é uma mudança enorme na rotina da casa e da mãe. O emocional precisa se acostumar a todas elas.

O bebê chora de madrugada, precisa ter horário para alimentar, para dar banho, tem que trocar a fralda, a casa precisa de cuidados, os hormônios ainda estão a mil… Ufa! Se acostumar com isso tudo pode levar tempo e ser bastante difícil.

Uma nova fase na vida

Existem mães que dizem que quando o parto de uma criança acontece, duas pessoas nascem. Uma delas é pequenininha e tem literalmente toda a vida pela frente. A outra é a mãe, que agora se encontra em um novo ciclo, em que tudo é diferente, inclusive o jeito de pensar e ver a vida.

A parte difícil, porém, é que para haver o nascimento desta nova mulher, a anterior precisou morrer. Daí vem o baby blues.

Baby Blues

Em torno de 80% das mulheres, alguns dias após o parto, sentem-se tristes e não sabem dizer o motivo. Este é o chamado baby blues, e é esperado. É o período de luto pelo que ficou para trás.

O luto é um processo de adaptação à perda. Qualquer perda. Pode ser aquela tristeza que vem depois de se esquecer o casaco favorito no ônibus ou aquela depois da morte de um ente querido para uma doença.

Cada um vive o luto de uma maneira diferente e cada processo é único e em intensidades variadas.

Para a mulher que acaba de ter um filho, esse luto é necessário porque a vida anterior acaba de ficar para trás. As noites fora de casa sem a responsabilidade esperando, a rotina do dia a dia sem precisar amamentar… Basicamente, a rotina sem ser responsável por uma nova vida.

O nascimento do bebê não é uma coisa ruim. Só que a perda da vida anterior ainda existe. A mulher que se era antes não existe mais e é necessário viver o luto por ela. E então, a nova vida deve seguir.

Depressão pós-parto

Baby blues e depressão pós-parto são coisas diferentes. Apesar de apresentarem algumas semelhanças, existem diferenças chave.

A depressão é extensa, vai além do tempo do luto e se apresenta como uma intensa falta de prazer em qualquer atividade, mesmo aquelas que anteriormente agradavam a pessoa.

O baby blues não precisa de tratamento e é algo normal, perfeitamente natural para a mulher que acaba de ter um filho, mas quando esta tristeza se estende tanto ao ponto de atrapalhar a vida por muito tempo, ela pode precisar de cuidados médicos

É importante que os familiares e amigos prestem atenção na nova mãe e cuidem dela. Não só pela depressão pós-parto, mas porque este é um momento intenso tanto fisicamente quanto emocionalmente. Ter o apoio e saber que não se está sozinha pode fazer toda a diferença.

Adoção também conta!

Ser mãe de coração também é ser mãe, e também é bem trabalhoso. A adaptação a uma vida nova é necessária, o trabalho para cuidar de uma criança, os ajustes à nova rotina, a criação da relação mãe e filho, tudo isso acontece com a mãe adotiva, assim como a biológica.

Elas não precisam lidar com as mudanças que uma gravidez causa no corpo, mas ainda têm outras milhares de coisas a enfrentar.

Os comentários não são exclusivos na maternidade. Entretanto, a mãe adotiva acaba lidando com os palpiteiros de diversas maneiras.

Além de rudes, comentários invasivos espalham o preconceito e geram insegurança. O assunto pode ser sensível para a mãe, e mesmo que não seja, alguns questionamentos podem implicar que o sangue é mais importante. Não é. O amor da mãe é o mesmo.

Ser mãe ainda é ser uma pessoa

Ser mãe não é deixar de ser uma pessoa. A mãe ainda possui sentimentos, vontades e pensamentos só dela. Ela ainda é uma mulher inteira. Voltando a história de Marta, não é por ter se tornado mãe que nossa personagem deixou de ser quem é.

Aquela ideia de que uma mulher, após o parto, deve doar sua vida à criança e ficar feliz o tempo todo por ela não leva em conta a realidade. Como qualquer relação interpessoal, o bebê e a mãe são duas pessoas diferentes.

É preciso construir a relação

Mãe e filho têm uma pequena vantagem genética nessa direção, é verdade. A química bate. Mas a relação ainda precisa ser construída.

A mãe precisa conhecer aquela pessoinha e o bebê precisa conhecer o mundo inteiro. Por isso é muito importante que eles passem muito tempo juntos.

Só assim os dois podem amar um ao outro dessa maneira tão especial representada pelo amor de mãe e filho.

Como fazê-la se sentir melhor?

Preste atenção nela. Sua esposa, sua irmã, sua filha, no momento em que se torna mãe, merece todo o carinho e cuidado.

Ouvir o que ela tem a dizer, tentar entender como ela se sente faz toda a diferença e pode evitar um quadro de depressão pós-parto.

Ajude e participe. O pai da criança também deve participar dos cuidados. Amigos e familiares podem fazer muito pela mãe que acaba de ter um filho, ajudando-a com o que for necessário.

Lembre-se de que a mulher precisa de um tempo para si mesma. Abra esse espaço para ela! O parto e os cuidados com a criança são tarefas cansativas e a mulher precisa ter a possibilidade de cuidar de si mesma.

Se você já é um filho crescido, não esqueça de dar atenção para ela também. Leve-a para um passeio, converse com sua mãe — todos os dias. Dê atenção e carinho à ela. Sua mãe merece.

Dicas para as mamães

Aqui vão algumas dicas que podem ajudar, seja em qual momento da maternidade você está.

Pense em si mesma

Você que é mãe, não se esqueça de ter um tempo para você. Seja você uma futura mãe, se seu filho é recém nascido ou se já está crescido, ter um tempo para si mesma é importante e faz bem para a saúde mental. Especialmente durante o puerpério, separar um tempo para si não é egoísmo.

Relaxe no banho

Logo que o bebê nasce, não é fácil ter um momento só para si. Uma criança recém nascida exige atenção quase o tempo todo. Por isso, um bom momento para separar para si é a hora do banho.

Combine com seu parceiro ou parceira que a hora do banho é sua. Use cremes, massageadores, faça o que puder para que esse tempo que é só seu seja relaxante e prazeroso.

É seu momento no dia para aliviar um pouquinho a tensão. E não faça isso “só de vez em quando”.

Tenha uma rede de apoio

Uma rede de apoio é a melhor amiga da nova mamãe. O turbilhão de emoções, as grandes mudanças, o cansaço, as noites de sono mal dormidas, hormônios, baby blues, a bagunça na casa, as alterações no corpo, o trabalho de parto — tantas coisas! — são demais para uma só pessoa e a amigos e familiares são extremamente importantes para que essa nova fase comece o melhor possível.


O dia das mães serve para comemorar a pessoa mais importante da nossa vida e sem a qual não existiríamos.

Você, mãe, passou por muita coisa para chegar aqui, não importa se acaba de descobrir que vai ter um filho ou se a criança já tem mais de 40 anos. Esse é seu dia!

E você, filho ou filha, mime sua mãe nesse dia. Eu já disse uma vez, mas não esqueça: ela merece.

Compartilhe este texto com sua mãe, seu filhos e seus amigos para lembrá-los como a maternidade é importante.

Feliz dia das mães!

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