Minuto Saudável
10/04/2019 08:00

Tularemia (febre do coelho): o que é, glandular, o que define a doença?

A tularemia é uma condição causada pela bactéria Francisella Tularensis, que atinge animais silvestres e, esses, a transmitem para os seres humanos.

Os sintomas incluem ulcerações e o surgimento de linfonodos (estruturas do sistema imune), que podem ser classificados entre os 7 tipos de apresentação da condição.

Ficou curioso para saber mais sobre o diagnóstico e os possíveis tratamentos dessa doença?

Então saiba mais no artigo abaixo!

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é tularemia?
  2. Tularemia no Brasil
  3. Tipos de tularemia
  4. Causas: o que é Francisella Tularensis?
  5. Como ocorre a transmissão?
  6. Fatores de risco
  7. Sintomas: o que define a tularemia?
  8. Como é feito o diagnóstico?
  9. Tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Medicamentos
  12. Convivendo
  13. Prognóstico
  14. Complicações
  15. Como prevenir a tularemia?
  16. Tularemia em gatos e coelhos
  17. Perguntas frequentes

O que é tularemia?

Também conhecida como febre de coelho, a tularemia é uma infecção bacteriana decorrente da Francisella Tularensis.

Essa condição atinge primeiro animais, como coelhos, ovelhas e gatos, sendo transmitida por meio da picada de carrapatos ou da mosca-de-veado (mosca grande que se alimenta de sangue). Além disso, a infecção pode ocorrer por meio da ingestão ou manipulação de carne contaminada.

O diagnóstico dessa condição é essencialmente clínico, porém, deve ser rigoroso e cuidadoso, uma vez que a tularemia é confundida com várias outras possíveis condições que possuem os mesmos sintomas.

Ela pode ser encontrada no CID-10, através dos seguintes códigos:

  • A21: Tularemia;
  • A21.0: Tularemia ulceroglandular;
  • A21.1: Tularemia oculoglandular;
  • A21.2: Tularemia pulmonar;
  • A21.3: Tularemia gastrointestinal;
  • A21.7: Tularemia generalizada;
  • A21.8: Outras formas de tularemia;
  • A21.9: Tularemia, forma não especificada.

Tularemia no Brasil

A tularemia é uma condição que se apresenta principalmente nos Estados Unidos. Casos naturais de tularemia ocorrem na América do Norte, Europa e Ásia. Ainda não existem registros dessa condição no Brasil.

Tipos de tularemia

A tularemia pode se apresentar de sete formas distintas, sendo suas diferenças relacionadas aos locais infectados e a maneira como se apresenta no organismo.

Ulceroglandular

Esse é o tipo mais comum da infecção. A contaminação ocorre através de feridas na pele (cortes, mordidas).

Os sintomas recorrentes desse tipo são úlceras, que causam inchaço nos dedos e nos gânglios linfáticos (pequenas glândulas do sistema linfático), além de dor e, eventualmente, pus.

Glandular

Neste tipo é possível perceber a formação de linfonodos, que possivelmente incham e ficam doloridos, porém, sem apresentar ulcerações.

Oculoglandular

Ocasionada através do contato da mão contaminada com os olhos, este tipo de tularemia pode causar inchaço no olhos, além de apresentar uma vermelhidão local, dor e, em alguns casos, o aparecimento de pus.

Orofaríngea

Considerada um pouco mais rara, esta especificação da condição está ligada ao consumo de carne contaminada. A faringe apresenta inflamações e os linfonodos do pescoço incham, podendo causar enjoo, vômitos, diarreia e dor abdominal.

Tifoide

Esta condição se apresenta quando a corrente sanguínea já está infectada. Esse tipo da tularemia pode causar febre, calafrios, dor abdominal, porém, sem nenhum tipo de ulceração ou linfonodos.

Pneumônica

Esta condição é decorrente da inalação direta de bactérias ou quando há uma infecção em outra parte do corpo e os agentes atingem os pulmões por meio da corrente sanguínea.

A pessoa pode apresentar tosse seca, dor no peito e falta de ar. Pode se desenvolver entre 10% a 15% das pessoas que já possuam ulceroglandular, e 50% em pessoas com o tipo tifoide.

Septicêmica

Este é considerado o tipo mais raro e sério da condição. Ocorre quando a bactéria já se espalhou pela corrente sanguínea, afetando todo o organismo e causando o mau funcionamento de vários órgãos.

Entre os principais sintomas desse tipo específico, podemos citar: queda da pressão arterial, acúmulo de líquidos no pulmão e sangramentos ocasionados pela diminuição na produção de coagulantes no organismo, em decorrência da própria bactéria.

Causas: o que é Francisella Tularensis

A tularemia é uma condição provocada por uma bactéria encontrada em pequenos animais, conhecida como Francisella Tularensis.

Considerada com alta capacidade de infecção e contaminação, é necessário um número pequeno de agentes para causar uma doença em humanos.

A doença pode desenvolver-se devido à picada de carrapatos infectados com o agente ou por meio da ingestão de alimentos ou água contaminada. Atinge principalmente animais de porte pequeno, como roedores, gatos, coelhos e ovelhas.

Como ocorre a transmissão?

Existem 3 possíveis tipos de carrapatos responsáveis pela transmissão da tularemia, são eles: carrapato do cão, carrapato de cão americano e o carrapato estrela solitária, que podem morder os seres humanos e transmitir o agente.

Além desses, o outro possível transmissor da condição é a mosca-de-veado.

Mas também é possível contrair a bactérias pelo contato direto com ela, em que o agente pode se infiltrar no corpo por meio dos olhos e membranas mucosas ou pulmões. Geralmente, ocorre quando a pessoa toca ou manipula animais infectados, como coelhos e esquilos, e até mesmo aqueles que são domésticos, mas que ficam soltos em ambientes abertos, como parques e gramados.

Mais raramente, o contágio pode ocorrer pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Mas, lembrando, que o agente não pode ser transmitido diretamente de pessoa para pessoa.

Fatores de risco

Por ser uma condição que está atrelada a animais silvestres e a ambientes externos, algumas atividades em específico ou exposições podem ser considerados fatores de risco para o desenvolvimento da condição. Entre eles podemos citar:

  • Caçar ou capturar animais silvestres;
  • Trabalhar em fazendas ou sítios;
  • Consumir carnes sem o devido preparo e higienização.

Sintomas: o que define a tularemia?

Os sintomas dessa condição vão variar entre as formas com que cada pessoa contrai a tularemia, se diferenciando entre leve a grave.

Geralmente, eles levam de 3 a 5 dias para se desenvolver, podendo levar até 21 dias para se manifestar. Os sintomas mais comum são os seguintes:

Febre

Os primeiros sintomas da tularemia são parecidos com os de um resfriado. Por isso, é possível apresentar febre, dores de cabeça, calafrios, dor de garganta e perda de apetite. Isso ocorre, essencialmente, porque o organismo está sendo infectado por uma bactéria, então sua primeira reação são essas mencionadas.

Dor abdominal

Este sintoma está presente com maior frequência em contaminação em decorrência da ingestão de carnes mal cozidas ou água contaminada, conhecida como tularemia orofaríngea. Em alguns casos, é possível apresentar sangramentos gastrointestinais.

Ulcerações

Ulcerações são lesões ou feridas que aparecem na pele. Esse sintoma se apresenta em cerca de 75% a 85% dos casos, com características e aspecto de uma picada de inseto.

Pode coçar e desenvolver uma base preta. Leva em torno de 1 a 3 semanas para iniciar cicatrização.

Inchaço dos linfonodos

Dependendo da área acometida, a tularemia pode ocasionar o inchaço de linfonodos, também chamados de gânglios linfáticos, que fazem parte do sistema imune. Poder apresentar pus no local, dor e levar à necrose do tecido.

Outros sintomas

Além disso, a condição pode provocar os seguintes sintomas:

Como é feito o diagnóstico?

A tularemia é uma condição que tem um diagnóstico complicado, uma vez que seus sintomas podem ser confundidos com outra doença.

Por isso, quando for buscar ajuda médica, não esqueça de mencionar seu trabalho, locais de exposição, além de prováveis contatos com animais silvestres.

O ideal é buscar um médico clínico geral ou infectologista ao identificar os sintomas mencionados anteriormente.

Para confirmação do diagnóstico, pode ser requisitado uma coleta de sangue e outros possíveis exames, como:

Radiografia de tórax

Auxilia no diagnóstico e na avaliação do médico. A interpretação se dá de acordo com a imagem produzida, que pode ser considerada normal ou que é patológico. Esse exame pode ser utilizado para avaliar áreas além do tórax, como abdômen, coluna, ombro, entre outras regiões.

Exame de fluidos corporais

Este exame visa fazer uma contagem de leucócitos (glóbulos brancos), além da presença e concentração de outras células e substâncias.

Pode ser feito com amostras de secreção, saliva e até fezes.

Porém, esse exame deve ser realizado com precauções especiais, uma vez que as amostras podem conter Francisella Tularensis.

Exames de pele

Esses exames podem ser requisitados quando a causa da condição ainda não está totalmente evidente para o médico responsável.

Dentre as opções, é possível realizar raspagem, biópsia, luz de wood, teste de Tzanck e diascopia, que consistem na retirada de uma pequena amostra de pele, seguindo para a análise laboratorial.

Cultura de fluido sanguíneo

Segundo o CDC, a cultura de fluido sanguíneo continua sendo a principal maneira de identificação da tularemia. Porém, por ser uma bactéria de crescimento lento, a Francisella Tularensis pode ser percebida somente de 24 a 72 horas após ter infectado o organismo.

Para o exame, é retirada uma amostra de sangue, por meio de um exame comum.

Tem cura?

Sim. Porém, para isso é preciso seguir à risca o tratamento indicado pelo médico, uma vez que a tularemia é considerada uma condição séria e que, em alguns casos, pode levar ao óbito.

Qual o tratamento?

A principal forma de tratamento da tularemia está relacionada com a associação de antibióticos, que geralmente dura em torno de 10 a 20 dias de tratamento. Em alguns casos pode ser necessário fazer a drenagem do gânglio.

Terapia medicamentosa

O tratamento medicamentoso pode variar de acordo com cada caso e sintomas. Porém, o recomendado é fazer o uso de antibióticos, como Cloridrato de Doxiciclina, em que pode ser indicado fazer utilização de doses únicas ou manter sua utilização a cada 12 horas, por 7 dias.

Drenagem do gânglio

A drenagem tem como objetivo eliminar proteínas plasmáticas, além de restos metabólicos. Com isso, é possível aumentar o volume de fluidos corporais, além de proporcionar a manutenção do sistema imunológico.

Esse procedimento deve ser realizado por um médico especialista, em consultório. O recomendado, é observar se aquele gânglio permaneceu inchado por mais de 14 dias consecutivos, para então pensar em realizar a drenagem.

Medicamentos

Por ser uma condição causada por uma bactéria, o tratamento ideal para tularemia é fazer o uso de antibióticos. Podem ser utilizados:

Esses medicamentos pode ser utilizado de duas formas, tudo vai depender da recomendação médica. Pode-se fazer uso de uma dose única com 100 mg ou a mesma dose, só que prolongada, sendo ministrada por 7 dias.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Durante os dias em que se apresente febre e fadiga, o ideal é ficar em repouso para recuperar energias. Além disso, é fundamental se manter sempre hidratado, ingerindo em média 2 litros de água por dia.

Outro fator importante no convívio com a tularemia é manter uma dieta balanceada, fazendo a ingestão de vitaminas e minerais.

Prognóstico

As chances de cura são grandes para os pacientes que seguem o tratamento corretamente. Porém, sem os procedimentos corretos, o tipo ulceroglandular atinge a 6% de taxa de mortalidade, e nos casos de tifoide, pneumônica e septicêmica ainda mais, chegando a quase 35% de taxa de mortalidade.

Complicações

Se não for tratada corretamente, a tularemia pode provocar complicações e até mesmo podendo ser fatal em alguns casos. Entre as possíveis complicações, podemos citar:

Pneumonia

Quando não tratada propriamente, a tularemia pode causar uma inflamação dos pulmões, levando à insuficiência respiratória.

Como consequência, o organismo pode ter uma deficiência na aspiração de oxigênio ou na liberação de dióxido de carbono.

Meningite

A meningite é uma condição que corresponde a uma inflamação grave que acomete as meninges, região ao redor da medula espinhal e do cérebro.

Pericardite

Esta condição representa uma irritação e inchaço ao redor do pericárdio, que é uma membrana fina que recobre o coração. Em alguns casos, pode-se fazer necessário a introdução de terapia com antibióticos.

Osteomielite

A osteomielite ocorre quando as bactérias da tularemia já se espalharam pelo corpo, atingindo também os ossos e causando inflamação no tecido.

Sepse

A sepse pode ser entendida como uma condição que ocorre em decorrência de substâncias químicas que são liberadas na corrente sanguínea a fim de combater infecção, ocasionando uma inflamação generalizada.

É considerada uma complicação possivelmente fatal, podendo causar febre, dificuldade respiratória e confusão mental.

Seu tratamento é realizado à base de antibióticos ou fluidos intravenosos.

Como prevenir tularemia ?

A condição pode ser prevenida ao se proteger do contato direto com insetos, como mosquitos e carrapatos. Para isso, uma maneira de prevenir a infecção, é evitar o contato direto com animais mortos, que explicaremos melhor a seguir:

Evite o contato com animais doentes ou mortos

Esta é a principal forma de contaminação da tularemia. Por isso, sempre que for entrar em contato com animais mortos, carcaças ou animais silvestres, redobre os cuidados e a atenção. Para isso, faça a utilização de óculos de proteção, máscaras e roupas compridas.

Cozinhe a carne corretamente

Outra forma de contaminação que é fácil de ser evitada é por meio do consumo de carne contaminada. Para evitar a infecção, redobre a atenção quanto ao cozimento do alimento.

Use repelente de carrapatos

Outra dica fácil e de amplo acesso é fazer uso de repelentes sempre que for em algum ambiente aberto, como matos, chácaras e fazendas. É importante que o repelente seja com 20% ou 30% de DEET.

Tularemia em gatos e coelhos

Os gatos e coelhos podem contrair tularemia por meio da alimentação, seja comendo um passarinho, um rato ou até mesmo pelas vias respiratórias.

É preciso ficar atento, pois, uma vez infectado, seu animalzinho pode transmitir essa condição por até dois anos depois de contrair a tularemia.

Os sintomas são basicamente os mesmos que os humanos apresentam, ou seja, falta de apetite, febre, letargia, úlceras e inflamações nos gânglios linfáticos.

Para protegê-los e possivelmente prevenir a doença, converse com um veterinário a respeito de métodos e cuidados.

Perguntas frequentes

Por que tularemia é chamada de febre do coelho?

A condição pode ser conhecida dessa forma uma vez que o principal transmissor da doença são coelhos e felinos, como gatos domésticos. Além disso, por ter como sintoma inicial uma febre abrupta, a condição ficou conhecida como febre do coelho.

Como a tularemia se espalha?

A tularemia é uma condição que não possui aspecto de transmissão de pessoa para pessoa. Porém, é preciso tomar cuidado uma vez que ela pode ser adquirida por meio de mordida de insetos, como mosquitos e carrapatos, além da ingestão de comidas e bebidas contaminadas.

Uma outra possível forma de transmissão é por meio da manipulação de carcaças ou caça de animais.

Quanto tempo demora para as pessoas apresentarem os sintomas?

Geralmente, leva em torno de 3 a 5 dias, uma vez que tenha ocorrido contato com a bactéria.

Tularemia pode matar?

Sim. A tularemia é uma condição que, sem o tratamento correto, pode ocasionar uma variedade de complicações. Essas, por consequência, podem acarretar em complicações, podendo eventualmente levar a óbito.

Existe vacina para tularemia?

Não. Por isso reiteramos a importância de buscar um médico assim que os primeiros sintomas foram percebidos, pois iniciar o tratamento ainda no começo, facilita a cura e diminui as possibilidades de complicações.


Você conhece alguém que tem um contato frequente com animais silvestres ou que passe bastante tempo em áreas de mato?

Então compartilhe esse artigo com seus amigos, para que eles também tenham conhecimento sobre essa condição!

Fontes consultadas

10/04/2019 09:09

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