O envelhecimento é compreendido como um processo natural e que acomete a todos. Porém, existem algumas situações de sobrecarga que podem acabar influenciando uma condição patológica que requer assistência, a senilidade.

O maior desafio para as próximas gerações é na área de atenção às pessoas idosas, para que, assim, elas possam descobrir possibilidades de aproveitar a vida com o máximo de qualidade.

Ficou interessado para saber mais? Então leia o artigo abaixo:

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é senilidade?
  2. Senescência e senilidade: qual a diferença?
  3. Senilidade é demência senil?
  4. Causas
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Como é feito o diagnóstico?
  8. Tem cura?
  9. Qual o tratamento para alguém senil?
  10. Medicamentos
  11. Como conviver com a senilidade?
  12. Prognósticos
  13. Complicações: qual o significado na vida do paciente?
  14. Como prevenir a senilidade?

O que é senilidade?

Senilidade pode ser definida como uma condição que envolve processos degenerativos cerebrais decorrentes do envelhecimento associado a doenças crônicas, como diabetes, hipertensão ou maus hábitos cotidianos. Essas condições do envelhecimento necessitam de abordagens e tratamentos específicos.

Além disso, pode ser percebida em alterações de coordenação motora, considerável perda de memória e alta irritabilidade.

Outra característica da senilidade pode ser percebida por meio de atitudes negativas relacionadas ao futuro, aos outros ou a si mesmo.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa é considerada idosa com idade igual ou superior a 65 anos para países desenvolvidos e, para países em desenvolvimento, 60 anos.

Porém, a senilidade não é exclusiva para pessoas com idade avançada, em alguns casos pode acontecer prematuramente.

A condição acaba por debilitar o paciente, além de ser acompanhada de desorganização mental e física, dificuldades do sistema cardiovascular, respiratório, perda da autonomia, entre outras alterações.

Esta condição pode ser encontrada no CID na classificação R54 — Senilidade.

Senescência e senilidade: qual a diferença?

Ambos os termos estão ligados ao envelhecimento, porém, podem ter impactos bem diferentes sobre a saúde.

A senescência pode ser descrita como as mudanças normais da evolução de um organismo, ou seja, alterações pelas quais o corpo passa decorrente de processos fisiológicos.

Desse modo, elas são diretamente relacionadas com sua evolução no tempo, sem nenhum mecanismo de doença reconhecido.

Em termos gerais, senescência pode ser considerada o envelhecimento, como cabelos brancos e rugas.

Já a senilidade pode ser considerada um complemento da senescência, como condições que acometem o indivíduo no decorrer da vida. Por exemplo, as patologias.

Ou seja, a senilidade pode ser conceituada como doenças ou condições que comprometem a qualidade de vida das pessoas em diferentes faixas etárias e que não necessariamente são comuns a todos.

Nem sempre a diferenciação entre os quadros é clara. Para que a senescência possa prevalecer, é preciso manter algumas atitudes durante o período de vida, entre as quais podemos citar:

  • Prática regular de atividade física;
  • Relações sociais bem estabelecidas e frequentes;
  • Controle de doenças crônicas;
  • Alimentação balanceada e nutritiva ao longo da vida.

Senilidade é demência senil?

Existe certa confusão na hora de definir e entender certos termos específicos como senilidade e demência senil.

A fim de facilitar o seu entendimento, vamos explicar melhor o que cada termo significa e como utilizá-los corretamente.

Demência senil

Pode ser considerada como um conjunto de condições médicas e doenças que afetam a saúde cognitiva de uma pessoa.

Entre os sintomas típicos dessa condição podemos citar: dificuldades de comunicação, perda de memória, mudança de personalidade e dificuldade para formular pensamentos abstratos.

Um exemplo de demência é a doença de Alzheimer, que engloba de 70% a 80% de todos os casos de demência.

A demência também pode acometer as pessoas que estão em estágios mais avançados de Parkinson.

Leia mais: Exame de sangue pode indicar riscos de Alzheimer 16 anos antes

Senilidade

O termo senilidade era comumente utilizado para descrever algum tipo de declínio na saúde de um idoso, tanto física como cognitiva.

Assim como a demência, a senilidade pode provocar alterações na saúde mental, como perda de memória.

Entre os sintomas mais comuns desta condição podemos citar: mudança na postura, perda ou diminuição óssea, força diminuída e perda de visão.

Causas

O envelhecimento pode ser considerado como um processo natural. Porém, quando acompanhado de situações de sobrecarga, como doenças, estresse ou acidentes, pode acabar se tornando uma patologia que requer assistência.

Na senilidade é possível perceber mudanças estruturais e funcionais no comportamento e na maneira de interagir da pessoa.

As mudanças que ocorrem devido ao avanço da idade podem ser percebidas tanto em características físicas como comportamentais.

Além das mudanças biológicas, a qualidade de vida e saúde mantidas durante o envelhecimento também estão associadas a alterações externas, por exemplo, mudanças, aposentadoria, falecimento de amigos e parentes, entre outros.

Podem ocorrer diversas condições associadas à senilidade, como patologias (hipertensão, diabetes), quedas, traumas, sedentarismo, má alimentação, perda progressiva de capacidades cognitivas, entre outras.

Leia mais: Longevidade: estudo traça a relação entre biotipos e expectativa de vida

Fatores de risco

Apesar de algumas condições de saúde estarem relacionadas à idade e genética, muitas também se desenvolvem devido ao ambiente social e físico em que as pessoas estão inseridas.

Entre os fatores de risco estão:

  • Faixa etária (quanto mais velho, maior a probabilidade);
  • Estilo de vida;
  • Má alimentação;
  • Acesso precário a serviços de saúde;
  • Pouca infraestrutura em casa;
  • Estresse;
  • Doenças imunológicas;
  • Altos níveis de colesterol;
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Ingestão de álcool;
  • Baixa escolaridade.

Sintomas

A senilidade é considerada uma condição patológica e que pode surgir com envelhecimento. Entre os sintomas, podemos citar:

Alterações de humor

A alteração de humor está relacionada à perda de interesse, pessimismo, desesperança, angústia, cansaço, fadiga. Está associada a mudanças naturais que ocorrem no processo de envelhecimento, como aposentadoria ou luto.

Perda de memória progressiva

Essa condição está associada a perda de memórias de fatos recentes.

Alguns pesquisadores acreditam que os prejuízos da memória estão relacionados com alguma manifestação inicial de uma doença mais séria.

Por isso, a atenção com o público idoso deve ser redobrada, a fim identificar se essa perda de memória tem alguma causa patológica.

Lesões vasculares e infartos cerebrais

Também conhecida como demência vascular, essa condição ocorre quando o cérebro é atingido por um problema cardiovascular ou cerebrovascular, entre os mais conhecidos está o AVC.

Essa condição causa instabilidade emocional e uma grande perda cognitiva, podendo inclusive comprometer tarefas cotidianas.

Como é feito o diagnóstico?

A senilidade é uma condição que requer uma avaliação profissional (neurologista ou geriatra) por ser considerada uma doença cerebral degenerativa.

Contudo, essa condição está associada aos sintomas e condições mencionados anteriormente.

Geralmente os sinais de senilidade podem ser percebidos por familiares, amigos próximos ou mesmo a própria pessoa que possui a condição.

Devido à perda de memória e de algumas funções cognitivas, a senilidade tem um diagnóstico complicado. Para encontrar a causa exata dos sintomas, é preciso saber o histórico do paciente, além de realizar uma porção de exames, entre os quais podemos citar:

  • Exames cognitivos e neuropsicológicos;
  • Avaliação neurológica;
  • Testes de laboratório;
  • Exames cerebrais.

Tem cura?

Não. Porém, existem tratamentos disponíveis a fim de diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. O objetivo desse tratamento é trazer mais bem-estar, além de reduzir a progressão da condição.

Qual o tratamento para alguém senil?

O tratamento para demência senil depende da causa original. Os recursos podem ser utilizados a fim de estimular o paciente a trabalhar a memória, com exercícios de reconhecimento, diálogo e troca de informações.

Terapia medicamentosa

Em alguns casos é preciso introduzir terapias medicamentosas no tratamento de problemas comportamentais e cognitivos da senilidade, que visam retardar a progressão dos sintomas.

Entre as principais substâncias estão antipsicóticos, estabilizadores de humor, estimulantes do sistema nervoso e substâncias para retardar o processo da demência senil.

Reabilitação cognitiva e familiar

É considerada uma intervenção não farmacológica que visa definir um tipo de atividade a ser desenvolvida.

O objetivo desse tratamento é recuperar habilidades, reativar funções cognitivas comprometidas e estimular a socialização.

A técnica visa identificar déficits funcionais específicos, além de restabelecer hábitos de alimentação, higiene e socialização.

Ao inserir a reabilitação cognitiva na rotina diária com dedicação, é possível perceber uma melhora do paciente, além de um crescimento na independência e na confiança do mesmo.

Além disso, a técnica permite uma melhora nos relacionamentos interpessoais e um aumento da autoestima.

Reabilitação neuropsicológica

Essa técnica visa readaptar o raciocínio a fim de melhorar o funcionamento físico e mental depois de uma doença ou lesão, por exemplo, depois de um acidente automobilístico.

Além disso, esse processo consiste em tornar o paciente mais independente, a fim de incentivá-lo a viver uma vida mais feliz e socialmente ativa.

O profissional mais indicado para realizar esse tratamento é um psicólogo, que aplica atividades alternativas, estímulos direcionados e métodos especializados para cada paciente.

Medicamentos

Alguns medicamentos podem ser prescritos a fim de retardar o processo de senilidade ou outras doenças cerebrais degenerativas.

Em alguns casos, os podem ocorrer efeitos colaterais e, por isso, o uso sempre depende da orientação e avaliação médica.

Além disso, a utilização de medicação pode ser feita associada com técnicas psicoterapeutas ou comportamentais.

  • Antipsicóticos: Atuam reduzindo ou melhorando os sintomas de alguns tipos de transtornos mentais.
  • Inibidor Seletivo de Recaptação de Serotonina (ISRS): Essa classe de medicamentos atua aliviando sintomas de depressão e ansiedade
  • Antidepressivos: Têm como objetivo prevenir ou aliviar a depressão, além de regular o humor.
  • Medicamentos que melhoram a cognição: Esses medicamentos atuam melhorando as funções mentais, reduzindo a pressão arterial e equilibrando o humor.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Como conviver com a senilidade?

É preciso ter paciência e carinho com quem enfrenta essa condição, uma vez que algumas pessoas podem chegar à depressão por se sentirem mal ou deslocados. Este é o momento em que o apoio familiar é essencial para o convívio das pessoas idosas.

Algumas atitudes que podem melhorar a convivência com a senilidade são:

  • Apoio familiar;
  • Acompanhamento médico;
  • Alimentação balanceada;
  • Praticar exercícios físicos;
  • Terapias alternativas;
  • Adaptar a rotina (melhorar acessos para evitar acidentes, ter um cuidador).

Prognóstico

As mudanças que ocorrem no processo de envelhecimento, submetem o organismo a várias alterações anatômicas e funcionais. Em alguns casos pode haver perda da capacidade funcional, menor expectativa de vida, aumento de infecções pelo corpo e perda da capacidade de interação.

Complicações: qual o significado na vida do paciente?

Na maioria dos casos, a terceira idade vem acompanhada de perdas cognitivas, apatia, pouca ou nenhuma movimentação, agravando a senilidade.

Pode se perceber mudanças instituídas pelo tempo, independente do efeito prejudicial que pode ter sob o organismo. Entre as possíveis complicações podemos citar:

Depressão

É possível perceber alguns sintomas relacionados à depressão em pessoas que têm histórico de dificuldades psicológicas, crises de vida recentes, maiores déficits de memória em longo prazo ou queixas relacionadas à perda cognitiva.

O diagnóstico deve ser realizado por um médico especialista, nesse caso um neurologista, psicólogo ou psiquiatra.

Demência

Essa condição é caracterizada por uma perda progressiva de funções intelectuais e cognitivas, como linguagem, raciocínio e memória.

A demência costuma se apresentar em pessoas com mais de 65 anos e é uma das principais queixas relacionadas à incapacidade dos idosos.

Perda da autonomia

Nesse estágio da doença, a pessoa pode ter dificuldades para lembrar números de telefone e nomes, além de ter dificuldades com algumas funções básicas, como escolher a roupa. Pode-se fazer necessário um cuidador, a fim de auxiliar nas idas ao banheiro, ao banho e na hora das refeições.

Dependência econômica e emocional

É possível perceber mudanças em sua personalidade, nas emoções e na maneira de expressar os sentimentos.

Além disso, a pessoa que possui essa condição pode ter grandes dificuldades para andar, passando a maior parte do tempo na cama.

Isso acarreta em uma limitação para realizar atividades cotidianas, como trabalhar, por exemplo.

Como consequência, o paciente acaba se tornando dependente financeiramente, agravando a situação.

Como prevenir a senilidade?

Um estudo apresentado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo destacou que é bastante incomum que as pessoas cheguem na terceira idade sem apresentar sintomas de senilidade.

Porém, o médico explica que existem maneiras de se prolongar a vida saudável e prevenir o aparecimento de doenças.

Entre as indicações podemos citar:

Mantenha uma alimentação balanceada

É possível ingerir um baixo teor de gorduras na ingestão de frutas, verduras, grãos integrais, laticínios e nozes.

Leia mais: Trocar proteínas animais por vegetais reduz riscos de doenças

Além disso, diminuir a quantidade de carne vermelha, açúcar, manteiga, sal e alimentos industrializados pode contribuir no combate de doenças cardíacas, câncer, Parkinson e doença de Alzheimer.

Adicione fibras ao seu cardápio

A fibra reduz os níveis de colesterol e as chances de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e câncer de cólon.

Por isso, sempre que puder prefira o pão integral em vez do branco, adicione feijões em suas refeições, maçãs na sua salada de fruta ou qualquer outra fonte de fibra.

Leia mais: Por que devemos comer fibras e qual a quantidade diária ideal

Outra característica da fibra é que ela evita a constipação, uma condição comum em pessoas mais velhas. Depois dos 50 anos, o recomendado é:

  • Homens — ingestão de 30g por dia;
  • Mulheres — ingestão de 20g por dia.

Pare de fumar

O tabaco prejudica quase todos os órgãos do seu corpo, podendo causar doenças cardíacas, câncer, gengivites, problemas pulmonares e muito mais.

Nunca é tarde para largar o cigarro. Em um ano, as chances de doença cardíaca caem pela metade.

O diagnóstico da demência senil pode ser um momento estressante para a família e para o paciente.

Pensando nisso, algumas práticas e atividades podem amenizar os sintomas e melhorar o desempenho cognitivo das pessoas que possuem essa condição. Entre as opções recomendadas podemos citar:

Permaneça ativo

Praticar atividades físicas como caminhada, dança, jardinagem ou outras atividades, pode retardar os sintomas de demência. Além disso, ter o hábito de fazer exercícios pode ajudar nos problemas de raciocínio, aliviar a ansiedade ou diminuir a depressão.

Mantenha uma alimentação balanceada

O que você come influencia sua saúde, seja positiva ou negativamente. Bons hábitos alimentares podem retardar o processo da demência senil.

Entre os alimentos indicados para uma alimentação balanceada podemos citar:

  • Legumes;
  • Nozes;
  • Feijão;
  • Grãos integrais;
  • Peixe;
  • Azeites e gorduras boas.

Exercite seu cérebro

Invista em um hobby antigo, como música, palavras cruzadas, tocar algum instrumento ou até mesmo praticar alguma religião de seu preferência.

Essas atividades auxiliam na desenvoltura e na socialização durante o envelhecimento.


Você tem algum familiar na melhor idade ou conhece alguém que se aproxima dessa fase? Então compartilhe esse artigo para que essas pessoas saibam o que fazer e sobre a importância de se manter saudável durante a vida!

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização: 22/02/2019

Fontes consultadas

Minuto Saudável: Somos um time de especialistas em conteúdo para marketing digital, dispostos a falar sobre saúde, beleza e bem-estar de maneira clara e responsável.

Editor Médico

Dr. Paulo Caproni

CRM/PR 27.679

Graduado em Medicina pela PUCPR. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP. MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde pela FGV.

Farmacêutica Responsável

Dra. Francielle Mathias

CRF/PR 24612

Farmacêutica generalista, com Mestrado em Ciências Farmacêuticas, ambos pela Unicentro. Doutorado em Farmacologia pela UFPR.

Participe da discussão

3 comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

  1. Pena que descobri tudo isso tarde demais. Medicina negligente. Meu paizinho faleceu nessa terça feira, dia 17 de abril

  2. Foi muito bom e explicativo sobre a senilidade as causas e tratamento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *