Sintomas da depressão (físicos, psicológicos, pós-parto): quais são?

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR: 27679) – Medicina Preventiva e Social

Podemos dizer que a depressão é um dos maiores males da atualidade. Além de afetar uma parcela significativa da população, as estimativas são de que, no futuro, a doença vai se tornar cada vez mais comum.

Isso pode ser comprovado através de dados da Organização Mundial da Saúde, a OMS, que, em 2017, em seu relatório global sobre a doença, constatou que o número de casos de depressão aumentou em 18% entre os anos de 2005 e 2015.

Esses números representam aproximadamente 322 milhões de pessoas em todo mundo, sendo que a maioria são mulheres. No Brasil, aproximadamente 5% da população, ou 11,5 milhões de pessoas, têm de conviver com essa doença.

Os números assustam. Entretanto, apesar de não haver uma cura constatada para a depressão, ela tem tratamento. Por essa razão, é muito importante estar atento aos sintomas, pois quanto antes o paciente começar o tratamento, maiores são suas chances de recuperação.

Buscando atender a demanda de uma maneira mais científica, vamos listar abaixo os principais sintomas da depressão, usando como parâmetro para confecção da lista o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-5.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. Como saber se é depressão?
  2. Sintomas físicos
  3. Sintomas psicológicos
  4. Depressão na gravidez
  5. Depressão pós-parto
  6. Depressão maior ou distimia: qual a diferença?

Como saber se é depressão?

De acordo com o DSM-5, para que um paciente seja considerado ou não com a doença, é necessário que ele apresente ao menos 5 dos sintomas principais (listados a seguir), sendo que é obrigatória a presença de humor deprimido ou perda de interesse e prazer.

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Com isso, os sintomas podem ser divididos entre físicos e emocionais (psicológicos). Entenda:

Sintomas físicos da depressão

Os sintomas físicos são aqueles que são sentidos pelo corpo, como:

Fadiga

Não é nada incomum que o paciente depressivo se sinta cansado na maior parte do dia. Esse estado em que parece que a pessoa não tem forças sequer para levantar da cama é conhecido como fadiga.

Com a fadiga, alguns outros sintomas podem se fazer presentes, como o surgimento de dores em diversas partes do corpo. As costas, o pescoço e até mesmo os membros (braços e pernas) podem ficar doloridos, o que impede que o paciente sequer sinta vontade de se levantar da cama.

Parece que a falta de energia paralisa a pessoa, que com o tempo não quer sair, nem mesmo para ver os amigos ou comer a comida favorita. Em casos extremos, o paciente deixa de ter os cuidados básicos de higiene, como tomar banho ou escovar os dentes.

Perda ou ganho de peso

Esse sintoma costuma variar de pessoa para pessoa. Algumas apresentam perda de peso, enquanto outras apresentam ganho de peso.

Segundo o DSM-5, para que este sintoma seja considerado relevante no diagnóstico, é necessário que exista uma alteração de pelo menos 5% do peso corporal dentro de um período igual ou inferior a 1 mês, sem que o paciente esteja praticando uma dieta.

As alterações de peso podem acontecer por aumento ou diminuição do apetite. Ou seja: o paciente sente mais fome e come mais, ou sente menos fome e não se alimenta corretamente.

Alterações no sono

É muito comum que pessoas depressivas apresentem alterações de sono que, assim como as alterações de peso, variam de paciente para paciente.

Enquanto alguns não conseguem dormir, isto é, apresentam insônia terminal (quando a pessoa pega no sono, mas acorda de madrugada e não consegue mais dormir), outros dormem por um período longo de tempo, um sintoma conhecido como hipersonia.

Essas alterações do sono são muito prejudiciais para a saúde e podem agravar o quadro dos sintomas depressivos, pois o sono é extremamente importante na regulação de diversas funções do nosso organismo, bem como na manutenção do humor.

Não à toa muita gente acorda rabugenta depois de despertar cedo tendo dormido tarde no dia anterior.

O ciclo do sono completo, de 6 a 8 horas — mas que pode variar de pessoa para pessoa —, ajuda na regulação da insulina, previne os riscos de osteoporose, melhora o humor e a memória, além de ajudar a prevenir os sintomas de depressão.

Mas isso vale para dormir dentro dos padrões, ou seja, nem mais nem menos. Ambos, o excesso e a falta, podem trazer consequências ruins para o organismo.

Agitação ou retardo psicomotor

Segundo o DSM-5, nos casos graves de depressão, é comum que o paciente apresente agitação psicomotora ou retardo psicomotor quase todos os dias.

No caso do retardo psicomotor, o paciente aparenta estar abatido e pouco responsivo ou tem respostas mais lentas a estímulos externos. O pensamento e fala parecem ficar mais lentos e é comum que o paciente fique sentado ou deitado por longos períodos de tempo, mesmo sem fazer nada.

Já no caso da agitação, é o contrário, ele fica enérgico, mas não num sentido positivo, pois parece estressado, ansioso e apreensivo. É comum andar de um lado para o outro por conta do nervosismo, roer unhas, ter dificuldade de se manter parado ou de encontrar uma posição confortável.

Em casos extremos, a agitação psicomotora acontece quando o paciente apresenta uma série de movimentos involuntários e sem propósito. Já no retardo psicomotor, o paciente, muitas vezes, por mais que queira, tem dificuldade na realização de movimentos simples, como levantar os braços ou fechar as mãos.

Esse excesso e diminuição de movimentos são resultados de tensão mental e ansiedade causados pela depressão.

Esses sintomas podem trazer consequências mais sérias, como rasgar ou mastigar a pele em torno das unhas ou de um lápis (no caso da agitação psicomotora), além de poder deixar o paciente prostrado na cama (no caso do retardo psicomotor).

Sintomas psicológicos da depressão

Os sintomas psicológicos são aqueles que afetam mais o estado emocional do paciente. Entenda:

Humor deprimido

Segundo o DSM-5, este sintoma acontece quando o paciente apresenta “humor depressivo na maior parte do dia, quase todos os dias”. No início, pode ser que o paciente negue estar sentindo tristeza, porém, após algum tempo, é possível notar a presença desse sentimento através das atitudes da pessoa.

Contudo, a característica essencial é que esse humor deprimido, aliado ao desinteresse, se estendam por um período superior ao de duas semanas.

Esse humor mais deprimido pode ter ou não uma causa específica, como a perda de um familiar ou o fim de um relacionamento.

Em crianças e adolescentes, o humor deprimido pode se apresentar como irritabilidade em vez de tristeza e, como dito anteriormente, o paciente deve apresentar pelo menos mais quatro sintomas aliados a este.

Nesses casos, é comum que o paciente manifeste o sintoma através de um semblante triste, olhos caídos e sem brilho e uma postura curvada. Além disso, crises de choro, pessimismo, falta de autocuidado e diminuição da autoestima são frequentes.

Pode ser que esse humor depressivo se apresente aliado a altos graus de ansiedade, que podem aparecer com outros sintomas como tremores e suor excessivo.

O paciente normalmente costuma se queixar de sentir um vazio. O mundo fica cinza, em preto e branco e nada mais parece ser interessante, o que nos leva ao segundo sintoma da lista.

Apatia ou desinteresse

É muito comum que os pacientes depressivos comecem a perder o interesse em atividades cotidianas e até mesmo em coisas que costumavam gostar. Como muitos relatos costumam mostrar, é como se o pai deixasse de ver o brilho no olhar dos filhos.

O DSM-5 caracteriza esse sintoma como a “diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias”.

Nada mais tem graça para o paciente com depressão. Um dia ensolarado não tem mais o mesmo apelo e é tedioso. Nesses casos, ficar na cama parece mais interessante do que ter de se levantar e curtir um dia de sol no parque.

Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva

Quando os sintomas da depressão aparecem, é comum que o paciente acabe tendo pensamentos “viciados”. Pensamentos autoindulgentes e autodepreciativos aparecem com constância e fora do controle do indivíduo.

Com isso, é comum que as pessoas se queixem de serem inúteis e sintam remorso e culpa por conta disso. Em casos mais graves, tais pensamentos podem até mesmo ser delirantes, ou seja, não representam a realidade.

Pode ser que um artista extremamente talentoso, por exemplo, deixe de ver o valor que ele e sua arte têm, ou que uma mãe ou pai se sintam inúteis, mesmo desempenhando a maternidade e paternidade da melhor forma que podem.

Diminuição da concentração

Pacientes depressivos apresentam uma dificuldade de concentração, seja com falta ou excesso de sono. Segundo o DSM-5, esse sintoma se caracteriza por “capacidade diminuída de pensar ou se concentrar, ou indecisão”.

Tal qual os outros sintomas, esse deve ser recorrente e se apresentar quase todos os dias e pode ser facilmente observado pelo próprio paciente ou pelos outros ao seu redor. A pessoa com depressão tem dificuldade para escolher um sabor de pizza, por exemplo, mesmo tendo aquele que é seu favorito.

Esse sintoma pode muito se confundir com a apatia e o desinteresse e, de fato, os dois estão, de certa forma, relacionados.

Pensamentos recorrentes de morte

Por pensamentos de morte não nos referimos somente às ideações suicidas ou o medo de morrer. Na verdade, o paciente depressivo pensa na própria morte de diversas formas, sendo elas acidentais ou não.

Uma hora passa na mente do paciente ser atingido por um raio, ou atropelado por um ônibus. Em outro momento, pode ter ideação suicida, mesmo que não haja um plano específico para cometer o ato.

O fato é que os pensamentos de morte aliados ao humor deprimido e à falta de interesse são os sinais mais característicos de um transtorno depressivo. Ao sinal de qualquer comportamento como estes, um médico deve ser consultado imediatamente.

Depressão na gravidez

A depressão atinge mais ou menos 10% a 20% das mulheres grávidas e, em alguns destes casos, pode ser necessário o uso de medicação. Não existe nenhum antidepressivo que seja completamente seguro para o bebê, mas, em casos graves, é fundamental que a mãe e o médico avaliem o risco-benefício do tratamento.

Os sintomas da depressão na gravidez são os mesmos da depressão normal e é por isso que não devem ser ignorados.

Ao não se alimentar corretamente, por exemplo, a gestante pode afetar a saúde do feto. Por outro lado, alterações do sono podem afetar a gravidez, isso sem falar nos pensamentos recorrentes de morte, que podem ocasionar uma tragédia.

Depressão pós-parto

Depois do parto ocorrem uma série de mudanças drásticas na produção de hormônios. Isso pode ter como resultado a depressão pós-parto, em que a mulher é inundada por sentimentos de melancolia intensos, aliados à irritabilidade excessiva, choro frequente, sentimentos de desamparo, diminuição da energia, do interesse sexual e outros.

Tratam-se, novamente, de sintomas muito semelhantes aos da depressão normal.

Vale lembrar que não há nada de errado com a depressão pós-parto. Na verdade, ela é até relativamente comum. Segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz, aproximadamente 1 em cada 4 mulheres sofrem com os sintomas da depressão pós-parto.

Entretanto, com o tratamento adequado, essas mães podem voltar a ter o ânimo e o humor normais e até mesmos necessários para esse momento da vida. Ou seja, o quadro pode ser passageiro.

Depressão maior ou distimia: qual a diferença?

É importante fazer uma distinção entre a depressão maior e a distimia. Apesar de muito parecidas, as duas coisas são diferentes.

A depressão maior, ou Transtorno de Depressão Maior (TDM), se diferencia da distimia, também conhecida como Transtorno Depressivo Persistente, na duração dos sintomas.

Eles são os mesmos nos dois casos, com a diferença de que, na distimia, os sintomas são persistentes e costumam permanecer por um período superior a 2 anos sendo que o paciente não consegue ficar mais de 2 meses sem apresentar nenhum sintoma.

Além disso, na distimia, nem sempre a pessoa aparenta estar triste, ou seja, os estados depressivos e “normais” se alternam.

Por essa razão, a distimia é considerada uma forma de depressão leve ou moderada crônica, enquanto a depressão maior é considerada aguda, ou seja, apresenta os sintomas com maior intensidade.

É por isso que a depressão maior é considerada mais grave que a distimia. Na depressão maior, as ideações e o risco de suicídio são geralmente maiores.


Os sintomas da depressão são variados e, normalmente, é preciso que pelo menos 5 deles se apresentem em conjunto para que o médico faça um diagnóstico correto da doença, já que outras doenças, como hipotireoidismo, por exemplo, podem causar sintomas semelhantes.

Se você apresenta esses sintomas, não hesite em buscar um psiquiatra e evite ao máximo se automedicar. Compartilhe este texto para que mais pessoas saibam dos sintomas da doença e possam se prevenir!

Mais textos sobre a depressão e outros transtornos mentais você pode encontrar no Minuto Saudável!

Fontes consultadas

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