A dermatite atópica é uma alergia crônica que causa inflamação e coceira na pele.

O termo “atópico” vem do grego átopos, que significa “fora de lugar”. Esse nome se refere à distribuição variada das feridas ao longo do corpo, que mudam conforme a idade do paciente.

Segundo o Estudo Internacional de Asma e Doenças Alérgicas da Infância, entre os casos de dermatite atópica em crianças brasileiras de 6 e 7 anos, 7,3% são moderados e 0,8% são graves. Para a faixa dos 13 e 14 anos há 5,3% casos moderados e 0,9% graves.

Embora seja uma doença crônica, cerca de 75% dos pacientes se curam após a adolescência devido ao desenvolvimento do sistema imunológico.

Acompanhe este artigo até o fim para entender melhor a respeito da doença, suas causas, sintomas e tratamento!

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é dermatite atópica?
  2. Quais as causas?
  3. Dermatite atópica em bebês
  4. Fatores de risco
  5. Quais são os sintomas?
  6. Dermatite atópica é contagiosa?
  7. O que pode desencadear ou facilitar uma crise?
  8. Como o estresse pode piorar a dermatite atópica?
  9. Como é feito o diagnóstico?
  10. Exames
  11. Dermatite tem cura?
  12. Qual o tratamento?
  13. Tem tratamento caseiro para dermatite atópica?
  14. Medicamentos: como tratar a dermatite adulta ou infantil?
  15. O uso de pomada para dermatite atópico é seguro? Faz efeito?
  16. Convivendo
  17. Crianças com dermatite atópica: dicas aos responsáveis
  18. Prognóstico
  19. Fotos de dermatite atópica
  20. Complicações
  21. Como prevenir a dermatite atópica?
  22. Dermatite atópica canina
  23. Perguntas frequentes

O que é dermatite atópica?

A dermatite atópica é uma doença alérgica crônica que causa reações inflamatórias na pele.

Ela tem como principais sintomas: coceira intensa, pele seca e escamosa, aparecimento de comichões (lesões avermelhadas) e feridas.


Em crianças com menos de 2 anos, as feridas se concentram nas bochechas e parte externa dos braços e pernas, podendo também acometer o couro cabeludo.

Dos 2 aos 14 anos há predomínio de lesões em regiões de maior flexão e transpiração, como as dobras dos braços, pernas e pescoço.

Após essa faixa etária, a dermatite se mantém nas dobras do corpo e também pode ocorrer nos pés, região onde a pele é naturalmente mais seca.

Causada por fatores genéticos, a condição se associa ao histórico familiar de transtornos alérgicos como a asma e a rinite.

Pacientes com dermatite sofrem de uma hipersensibilidade imunológica. Isso desencadeia uma produção excessiva do anticorpo imunoglobulina E (IgE) quando o organismo é exposto a alérgenos, como poeira, ácaros e pelo de animais.

Por ser hereditária, a dermatite não é uma doença contagiosa. Ela é mais comum na infância, manifestando-se ainda nos primeiros anos de vida.

Na maioria dos casos, a dermatite atópica se manifesta já nos primeiros anos de vida.

A doença tem origem genética e se prevalece em pessoas com história pessoal ou familiar de asma, rinite alérgica ou dermatite atópica, doenças que formam a tríade atópica.

Como qualquer doença crônica, a dermatite atópica apresenta ciclos de melhora e reincidência (retorno da doença).

O tratamento é feito por meio de autocuidados com a pele e medicação para controle da coceira.

No CID-10 você pode encontrar a doença sob o código L20 — Dermatite atópica.

Leia mais: Dermatite: o que é e tratamentos

Quais as causas?

A causa exata da dermatite atópica é desconhecida, porém, sabe-se que ela tem origem genética, manifestando-se em pessoas vindas de famílias com histórico de doenças alérgicas e respiratórias, como a asma e a rinite.

De acordo com pesquisas, crianças que tenham pelo menos um dos pais alérgico têm de 2 a 3 vezes mais chances de desenvolver a doença. Quando tanto o pai quanto a mãe são alérgicos, as chances aumentam de 3 a 5 vezes.

Quando exposto a determinados alérgenos, como poeira, pólen ou mofo, o nosso sistema imunológico produz um anticorpo chamado imunoglobulina E (IgE). O IgE reage por meio de inflamações na tentativa de expulsá-los do organismo.

Porém, pacientes com dermatite atópica sofrem de uma hipersensibilidade imunológica que faz com que o organismo produza uma quantidade exagerada de IgE, o que resulta nas manifestações alérgicas típicas da dermatite.

Dermatite atópica em bebês

A dermatite atópica em bebês consiste em um quadro alérgico caracterizado pelo aparecimento de lesões avermelhadas e coceira na pele.

Em geral, os sintomas se manifestam a partir do segundo mês de vida e concentram-se nas bochechas da criança, podendo espalhar-se para o couro cabeludo, pernas e braços.

O tratamento inclui o uso de medicamentos anti-inflamatórios e cuidados com a pele, como hidratação, banhos mornos e higienização das áreas lesionadas para evitar infecções.

Para auxiliar no controle das crises, outra medida importante é evitar que o bebê tenha contato com alérgenos, como poeira, pólen, pelo de animais e tecidos acrílicos.

Fatores de risco

Os fatores de risco para a dermatite atópica não causam a doença, mas podem agravar os sintomas. Para a maioria dos pacientes, os fatores de risco mais comuns são:

  • Histórico familiar de asma, rinite ou dermatites;
  • Poeira;
  • Ácaros e mofo;
  • Pólen;
  • Pelo de animais;
  • Fragrâncias (perfumes, cosméticos);
  • Lãs e tecidos sintéticos;
  • Calor e transpiração;
  • Corantes alimentícios;
  • Estresse.

Quais são os sintomas da dermatite atópica?

A dermatite atópica tem como principais sintomas: ressecamento e inflamação da pele, coceira intensa, lesões avermelhadas e feridas com crostas que se distribuem de modo irregular pelo corpo, afetando mais marcadamente as dobras das pernas e dos braços.

Como a pele seca é mais porosa, a coceira aumenta as chances de infecção por microrganismos, não sendo raro o surgimento de bolhas e prurido nas feridas.

A infecção das lesões pode provocar ardor e atrapalhar a vida do paciente.

Saiba mais a respeito de cada sintoma:

Pele seca

Pacientes com dermatite atópica sofrem de uma disfunção imunológica que prejudica a produção de proteínas protetoras da barreira da pele.

Por isso, eles têm pele seca e sensível a fatores ambientais, como microrganismos, altas ou baixas temperaturas e baixa umidade do ar.

Coceira

A coceira se relaciona com o ressecamento da pele, sendo agravada pelo aparecimento de feridas.

Ao coçar, formam-se na pele lesões avermelhadas que podem liberar certa quantidade de plasma sanguíneo. O plasma é a parte líquida do sangue e apresenta cor amarelada.

Outro problema atrelado à coceira são as bactérias presentes na unha do paciente, que acabam sendo depositadas sobre os ferimentos, facilitando o surgimento de infecções graves.

Feridas (eczemas)

Em casos mais avançados, ocorre a formação de feridas com crostas (cascas) em diversas partes do corpo. Elas se distribuem de forma irregular e variam conforme a idade do paciente.

Antes dos 5 anos, as lesões ficam mais concentradas nas bochechas, couro cabeludo e parte exterior de pernas e braços.

Em crianças mais velhas e adolescentes, elas se manifestam principalmente em regiões do corpo onde há flexão, como as dobras dos braços, das pernas e do pescoço.

Dificuldade para dormir

Pessoas com dermatite atópica podem apresentar dificuldade para dormir devido à coceira, que tende a piorar durante a noite, pois geralmente há maior aquecimento das feridas e pruridos quando o paciente está coberto.

O sono também pode ser prejudicado pela presença de problemas respiratórios, como a rinite ou a asma, que muitas vezes acompanham a dermatite atópica.

Quando há obstrução das vias respiratórias, o paciente não consegue relaxar e acaba dormindo mal.

Dermatite atópica é contagiosa?

Não. A dermatite atópica é uma doença genética que se manifesta apenas em pessoas com histórico de doenças alérgicas na família, como rinite e asma.

O que pode desencadear ou facilitar uma crise?

Existem vários fatores ambientais e alimentares que podem provocar crises alérgicas em pacientes com dermatite atópica.

Existem, por exemplo, fatores ambientais, por exemplo, estar em contato com a poluição, poeira ou pólen pode ser um gatilho.

Ambientes com ar condicionado, perfumes ou fragrâncias podem gerar irritação.

Hábitos de higiene ou produtos que entram em contato com a pele também. Entre eles, os sabonetes, hidratantes, detergentes, tecidos de roupas e até os produtos usados para lavá-las podem estar associados.

Na alimentação, o consumo de produtos com algum ingrediente irritativo, como cereais, laticínios, ovos e produtos industrializados merecem atenção.

Algumas pessoas podem apresentar reações alérgicas a fatores mais específicos.

Nesse caso, é importante conversar com o médico e decidir se há ou não necessidade de fazer algum exame que ajude a identificar o que está piorando os sintomas.

Como o estresse pode piorar a dermatite atópica?

Os incômodos gerados pelos sintomas da dermatite atópica aumentam os níveis de estresse dos pacientes, gerando problemas psicológicos, como ansiedade, depressão e baixa autoestima.

Na pele, os sintomas tendem a se agravar, aumentando a coceira e vermelhidão.

A dificuldade para dormir também é um fator que afeta a disposição do paciente, aumentando os níveis de estresse no dia a dia.

Pacientes em idade escolar têm falta de concentração e podem sofrer bullying de colegas, fato que aumenta o peso emocional da doença.

A Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA) recomenda que pais e pacientes procurem apoio psicológico.

A terapia pode contribuir para que pacientes e familiares controlem o estresse e descubram maneiras de atenuar os impactos psicológicos causados pela dermatite atópica.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito no próprio consultório e se baseia nos seguintes critérios:

  • Presença de doenças alérgicas crônicas na família;
  • Histórico de pele ressecada;
  • Presença de prurido (pele vermelha e inchada);
  • Erupção de feridas pelo corpo;

O médico fará ainda uma série de perguntas para saber em que idade os sintomas começaram, com qual intensidade e frequência.

Por isso, observe com atenção os sintomas para poder descrevê-los ao seu médico. Além disso, podem ser solicitados exames complementares.

Os especialistas mais indicados para o diagnóstico são:

  • Dermatologista;
  • Alergista;
  • Pediatra.

Exames

Embora não exista um exame específico para a detecção da dermatite atópica, o médico dermatologista pode recorrer a alguns testes auxiliares para verificar possíveis fatores ambientais que possam piorar os sintomas. Alguns desses exames são o teste de puntura e o teste intradérmico.

Teste de puntura

É o teste mais usado para detectar reações a alérgenos específicos.

Nele, são feitas pequenas perfurações na região do antebraço do paciente, cada uma recebendo uma gota de uma solução contendo o alérgeno que se deseja testar.

Após um período de 15 a 20 minutos o especialista examina os pontos de aplicação para verificar se há irritação a determinado fator: áreas avermelhadas indicam reação alérgica.

O exame é indolor e não causa complicações, podendo ser feito no próprio consultório médico.

Entre os alérgenos que podem ser testados nesse exame estão:

  • Tipos de ácaros;
  • Pólen;
  • Pelos ou penas de animais domésticos;
  • Veneno de insetos (abelha, vespa);
  • Cereais e derivados de animais (arroz, aveia, cevada, trigo, leite, carnes, ovos);
  • Frutas (morango, tomate, banana);
  • Corantes;
  • Medicamentos (penicilina, aspirina).

Teste intradérmico

O teste intradérmico somente é recomendado quando o exame de puntura não detecta reação alérgica para algum fator que já tenha desencadeado crise alérgica no paciente.

Ele é realizado por meio da aplicação dos alérgenos com uma agulha fina na superfície abaixo da pele, também na região do antebraço.

Por isso, o teste intradérmico pode causar sensibilidade e um pouco de desconforto no local de aplicação.

O que pode afetar os resultados?

Tanto o teste de puntura quanto o intradérmico podem ter seu resultado alterado pelo uso de anti-histamínicos, sendo necessário que o paciente informe o médico se estiver fazendo uso desses medicamentos.

Caso esteja, será necessário suspender a medicação antes da realização dos exames.

A recomendação é que alguns medicamentos sejam interrompidos de 2 a 5 dias, conforme orientação médica, como é o caso dos anti-histamínicos a seguir:

Pacientes que fazem tratamento com o astemizol devem interromper seu uso 40 dias antes do exame ou conforme orientação médica ou do laboratório.

A não interrupção do tratamento pode gerar resultados falso-positivos ou falso-negativos.

Dermatite tem cura?

Não. A dermatite atópica é uma doença crônica e, como tal, apresenta quadros de melhora e reincidência (retorno) dos sintomas.

A boa notícia é que de acordo com pesquisas, cerca de 75% das pessoas que a desenvolvem na infância se recuperam no início da vida adulta. Ou seja, há controle e cessam as manifestações sintomáticas.

Isso se deve ao amadurecimento do sistema imunológico, que passa a ser mais resistente a fatores que possam causar reações alérgicas, como ácaros, poeira, pólen e pelo de animais.

É importante notar que, embora os sintomas alérgicos da pele possam cessar na vida adulta, pacientes continuam a sofrer de outros transtornos alérgicos relacionados, como a rinite alérgica.

Qual é o tratamento?

O tratamento para a dermatite atópica deve ser realizado a partir de 3 medidas principais, que são:

Hidratação da pele

Pacientes com dermatite atópica devem hidratar a pele com cremes várias vezes ao dia. A hidratação ajuda a recuperar a barreira cutânea, que é formada por células e lipídios (gorduras).

Essa barreira impede a perda de água e protege a pele das agressões externas provocadas por microrganismos, poluição e mudanças bruscas de temperatura.

A partir da adoção de alguns hábitos, é possível recuperar a saúde da pele.

  • Use hidratantes;
  • Tome banhos mornos;
  • Use filtro solar;
  • Beba bastante água.

Uso de medicamentos

A coceira pode ser controlada por meio da hidratação da pele e do uso de anti-histamínicos.

Na presença de feridas mais graves, o médico pode receitar outras remédios para impedir a infecção dos ferimentos e acelerar o processo de cicatrização.

Afastamento de alérgenos

O tratamento com medicação só surtirá efeito se o paciente evitar os fatores que possam estar piorando os sintomas da doença, tais como poeira, pólen, ácaros, carpetes, pelo de animais e até mesmo alguns alimentos, como leite de vaca, ovos e glúten.

Tem tratamento caseiro para dermatite atópica?

Tem! E ele é fundamental para controlar os quadros e manter o bem-estar dos(as) pacientes.

O tratamento caseiro para dermatite atópica consiste na identificação e eliminação de agentes irritativos, ajuste alimentar e redução de estresse.

Manter a casa bem arejada e limpa, sem o uso de aromatizadores ou produtos de limpeza é fundamental.

Além disso, uma boa alimentação para reforçar a imunidade também é necessária.

Mas é preciso um outro hábito importante: hidratação. Manter a regularidade no uso de cremes hidratantes indicados é essencial, pois a pele de quem tem dermatite atópica pode ser bastante sensível e ressecar com facilidade.

Por isso, dependendo das orientações médicas, pode ser ideal aplicar até 3 vezes por dia hidratantes.

Medicamentos: como tratar a dermatite adulta ou infantil?

O tratamento para a dermatite atópica inclui remédios de uso oral e tópico, sendo em sua maioria anti-histamínicos e corticosteroides. Saiba mais:

Sistêmicos (orais)

Os medicamentos orais são prescritos para aliviar os sintomas da coceira e alterações cutâneas.

Tópicos (cremes e pomadas)

Algumas pomadas e cremes são utilizadas para conter as irritações da pele, ajudando na cicatrização.

  • Pomadas anti-inflamatórias, como dexametasona (Neodex);
  • Cremes hidratantes.

Injetável

Recentemente a comunidade médica anunciou a chegada de um novo tratamento para pacientes com dermatite atópica moderada ou grave.

Ele se baseia na aplicação de um anticorpo (dupilumabe) que age inibindo a produção exagerada de proteínas responsáveis pela resposta alérgica dos pacientes.

O medicamento, vendido sob o nome de Dupixent, deve ser ministrado uma vez a cada duas semanas.

A injeção é indolor e pode ser aplicada na região subcutânea (levemente abaixo da pele) na região das coxas, abdômen ou antebraço. A quantidade recomendada varia de 200 a 300 miligramas.

O tratamento diminui as reações inflamatórias quando o organismo é exposto a alérgenos, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

O uso de pomada para dermatite atópica é seguro? Faz efeito?

Existem diversas pomadas ou cremes que podem ser receitados para pacientes com dermatite atópica. Eles são tratamentos tópicos, ou seja, de uso externo e local. Em geral, promovem bons resultados, minimizando os sintomas e manifestações cutâneas.

Mas esses medicamentos agem como controladores da dermatite, e não pode, de fato, curar.

Além disso, o uso deve sempre ser orientado pelo médico ou médica, já que as substâncias presentes, como cortisona, podem ter efeitos adversos se usadas por longos períodos.

Mais recentemente, pomadas e cremes à base de imunomoduladores têm sido empregadas, visando reduzir o uso exagerado de cortisona tópica.

Convivendo

Conviver com a dermatite atópica não é fácil. Porém, há uma série de autocuidados que permitem ao paciente atenuar os sintomas da doença e ter mais qualidade de vida. Saiba mais:

Mantenha a pele hidratada

O creme hidratante é o maior aliado do paciente com dermatite atópica. A hidratação ajuda a pele a recuperar sua camada protetora, evitando descamação e coceira.

Por isso, aplique cremes hidratantes e óleos não perfumados na pele várias vezes ao dia, sobretudo após o banho, preferencialmente aqueles indicados pelo médico.

A hidratação da pele é fundamental para evitar a formação de prurido e feridas!

Tome banho com água morna

Água quente e pele seca não combinam. Banhos quentes retiram a oleosidade natural da pele e reforçam a descamação de regiões ressecadas.

O ideal é que a água do banho seja morna, mesmo ao longo do inverno.

Evite lãs e tecidos ásperos

Tecidos acrílicos e lãs são ásperos e geram atrito na pele quando nos movimentamos, podendo causar lesões em locais sadios ou mesmo abrir ferimentos já existentes.

O ideal é que pessoas com problema de pele deem preferência por tecidos leves e macios.

Caso não seja possível evitar roupas de lã durante o inverno, é recomendado que o paciente vista algodão, seda ou malhas por baixo para evitar o contato direto com a pele.

Lave as roupas de cama com frequência

Nossas roupas de cama são povoadas por diversos microrganismos, entre eles, os ácaros.

Uma forma de evitá-los é lavar as roupas de cama com frequência, sempre utilizando sabões neutros e pouco perfumados.

Alimente-se bem

A alimentação também pode causar reações alérgicas em alguns pacientes com dermatite atópica, especialmente em pessoas que apresentam intolerância a alguma substância.

Produtos derivados de animais, como leite de vaca e ovos, costumam estar na lista dos que representam perigo para pessoas com dermatite.

É comum que alimentos ricos em açúcar e corantes agravem os sintomas de coceira e irritação na pele, sendo importante o consumo moderado.

Especialistas recomendam que pacientes prefiram produtos naturais e pouco processados. Eles melhoram a imunidade e deixam a pele mais fortalecida.

Crianças com dermatite atópica: dicas aos pais e responsáveis

Pais ou responsáveis por crianças diagnosticadas com dermatite atópica precisam tomar uma série de cuidados para que o quadro alérgico não seja agravado. Saiba mais:

Mantenha as unhas da criança curtas

É muito comum que crianças fiquem incomodadas com as cascas que se formam sobre as feridas e desenvolvam o hábito de arrancá-las.

Isso precisa ser evitado, pois além de prejudicar a cicatrização das feridas, as unhas servem de moradia para vários tipos de bactérias, como a Staphylococcus aureus, causadora de infecções graves na pele.

Para evitar esse comportamento, é importante manter as unhas das crianças sempre curtas e higienizadas.

Fique atento aos sintomas

Crianças muito pequenas têm dificuldades para expressar o que sentem, portanto, cabe aos pais ou responsáveis observar o período em que os sintomas surgiram, a frequência dos ciclos e quais podem ser os alérgenos responsáveis pelas crises.

Lembre-se que a observação do quadro sintomático é crucial para o diagnóstico da dermatite atópica.

Leve-a ao médico periodicamente

A dermatite atópica é um problema sério que precisa ser tratado por um especialista a fim de se evitar pioras nos sintomas.

Manifestações graves da doença causam muito incômodo nos pacientes e chegam a prejudicar sua vida escolar e social. Portanto, leve a criança ao médico periodicamente para controlar os sintomas da doença.

Prognóstico

A maioria dos pacientes com dermatite atópica experiencia melhora significativa a partir do final da adolescência.

Porém, cerca de 25% deles continuam com ela até a idade adulta.

Para o segundo grupo, é importante saber que, como qualquer doença crônica, a dermatite atópica apresenta ciclos de melhora e reincidência (retorno da doença).

A frequência e intensidade com a qual os sintomas retornam é influenciada pela presença de outros problemas alérgicos (asma, rinite) e pela exposição do paciente a alérgenos (poeira, ácaros, pólen, etc).

Fotos de dermatite atópica

A dermatite atópica é bastante comum em crianças pequenas:

Também costuma afetar as mãos, que estão em contato constante com substâncias irritantes:

Pode ter complicações?

A dermatite atópica pode apresentar algumas complicações caso não seja devidamente tratada. Saiba mais:

Agravamento das infecções cutâneas

Pacientes com dermatite atópica têm maior sensibilidade cutânea, estando mais propensos a contrair infecções bacterianas e fúngicas.

É comum que a pele ressecada apresente rachaduras que funcionam como porta de entrada para esses microrganismos, que ao penetrarem nas camadas da pele, infeccionam ferimentos, causando coceira e ardor.

De acordo com estudo, 90% das lesões presentes em pacientes com dermatite atópica contêm Staphylococcus aureus, enquanto no restante da população ela habita apenas 5% da pele.

A presença dessa bactéria na pele humana é comum e não costuma causar problemas. Porém, se houver lesões, esses microrganismos podem penetrar no organismo e causar infecções.

Quando há infecção, a coceira e a irritação das feridas tendem a se agravarem, havendo também aparecimento de bolhas e pus.

Problemas de visão

Quando há manifestação de feridas e prurido na região das pálpebras, o paciente tende a coçar os olhos, facilitando o depósito de microrganismos no local.

Segundo pesquisa realizada na Dinamarca, pessoas que sofrem com quadros severos de dermatite atópica têm maior propensão ao desenvolvimento de infecções oculares, como conjuntivite e ceratite.

A conjuntivite é a inflamação da membrana transparente que reveste o interior das pálpebras e a parte frontal do globo ocular. Os principais sintomas são:

  • Coceira;
  • Vermelhidão;
  • Lacrimação;
  • Fotossensibilidade.

A ceratite consiste na inflamação da córnea, tecido transparente que recobre e protege os olhos de fatores externos.

Ela apresenta alguns sintomas em comum com a conjuntivite, porém, também é comum que o paciente sinta:

  • Dor e desconforto;
  • Visão turva.

Como prevenir a dermatite atópica?

Por tratar-se de uma doença genética, não há como preveni-la. Contudo, existem algumas medidas bem simples que ajudam a atenuar os sintomas ou mesmo evitá-los. Saiba mais:

Cuidados com a pele

O uso de cremes hidratantes e sabonetes sem perfume ajuda a manter a pele hidratada e protegida contra agentes externos, como microrganismos e mudanças bruscas de temperatura.

Os pacientes com pele seca devem aplicar hidratantes sobre a pele várias vezes ao dia, sobretudo após o banho, que deve ser tomado com água morna.

O filtro solar também é importante, pois o calor do sol queima e retira ainda mais água da pele. No inverno, além de proteger do sol, o filtro solar também protege a pele contra rachaduras causadas pelas baixas temperaturas.

Evite alérgenos

Há um conjunto de fatores que pode causar reações alérgicas em pacientes com dermatite atópica. São eles:

  • Poeira;
  • Ácaros;
  • Carpetes;
  • Mofo;
  • Pólen;
  • Fragrâncias (perfumes, cosméticos);
  • Sabonetes e sabões;
  • Desinfetantes;
  • Pelos e penas de animais domésticos.

A melhor maneira de reduzir a manifestação da dermatite é minimizando ou evitando completamente o contato com o agente desencadeante.

Dermatite atópica canina

Quem pensa que a dermatite atópica é uma doença exclusiva de seres humanos está enganado: ela também acomete cães.

Assim como nos humanos, a doença em cachorros é causada pela interação de fatores genéticos e ambientais.

Os agentes externos (pólen, ácaros, poeira, bactérias e fungos) são responsáveis por desencadear as reações alérgicas, que se manifestam na pele por meio de coceira e feridas.

É comum que o animal se arranhe bastante e lamba os locais lesionados, que geralmente ficam nas dobras da pele (axilas, virilhas), barriga, face, lábios e orelhas.

O tratamento para a dermatite atópica canina também inclui uma série de cuidados, como medicação, higienização do local para afastar o animal de alérgenos e dieta equilibrada contendo proteínas de fácil digestão e nutrientes que fortaleçam a pele do cachorro.

Perguntas frequentes

Posso pegar dermatite atópica de outra pessoa?

Não. A dermatite atópica é uma doença genética que se manifesta em pessoas com histórico familiar de doenças alérgicas como asma e rinite. Assim, pessoas que não têm predisposição genética não correm o risco de desenvolver a doença.

Alimentos causam dermatite atópica?

Não. A dermatite é causada por fatores genéticos, como a predisposição para rinite alérgica ou asma. Porém, alguns alimentos podem agravar os sintomas da doença caso o paciente apresente algum tipo específico de alergia a eles.

Pesquisas recentes têm apontado certa relação entre o consumo excessivo de açúcar e reações alérgicas na pele.

Esse tipo de reação é ainda mais grave para a pele de pessoas com dermatite atópica, de forma que é sempre bom evitar alimentos muito processados.

Dá para tratar dermatite atópica com bepantol?

Bepantol é um produto indicado para a hidratação intensa. A linha Bepantol tem um produto especialmente desenvolvido para pele sensível, que ajuda na defesa da derme.

O Bepantol Sensicalm, segundo a bula, estimula o reequilíbrio do tecido cutâneo, auxiliando na recomposição das bactérias e microrganismos importantes para a saúde da derme. No entanto, todo produto deve ser orientado por dermatologistas antes de serem usados.

O que causa dermatite atópica no rosto?

O fato de a pele do rosto ser bem mais sensível devido à intensa exposição a fatores ambientais, como mudanças de temperatura, luz solar e poluição, faz com que ela seja mais suscetível ao aparecimento de lesões.

O uso de maquiagens, cremes esfoliantes e demais cosméticos também pode danificar o tecido cutâneo, contribuindo para o seu ressecamento.

Ao coçar a pele com as unhas, o paciente acaba depositando bactérias sobre as lesões, contribuindo para o surgimento de feridas e infecções.

Uma forma de combater os sintomas da doença no rosto é sempre fazer uso de filtro solar, evitar cosméticos agressivos e higienizar a pele antes de dormir, de modo a evitar que microrganismos ou poluentes danifiquem a pele.

O que significa a palavra “atópica”?

O termo “atópico” tem origem na palavra átopos do grego, que significa “fora de lugar”. O nome faz referência à distribuição irregular das feridas ao longo do corpo, que pode exibir padrões diferentes dependendo da idade do paciente.

Qual é a melhor pomada para dermatite atópica?

A dermatite atópica é uma doença crônica que pode ser controlada com o uso de medicamentos orais e tópicos (aplicáveis sobre a pele) que ajudam na cicatrização de ferimentos.

As pomadas mais prescritas pelos dermatologistas, alergistas e pediatras são a dexametasona e a betametasona, ambas pertencentes ao grupo dos corticosteroides.

Ambas são pomadas cremosas, que apresentam a vantagem de não ressecar a pele no local das feridas.

Dermatite atópica é igual à dermatite de contato?

Não. Enquanto os sintomas da dermatite atópica se manifestam em qualquer área do corpo, os da dermatite de contato se limitam às regiões da pele que tiveram exposição direta a certos alérgenos.

Os fatores responsáveis por causar reações alérgicas na dermatite de contato podem ser desde produtos químicos (cosméticos, perfumes, desinfetantes) a objetos (joias, tecidos).

Como a dermatite atópica tem origem genética, os alérgenos apenas agravam os sintomas.

Qual a diferença entre dermatite atópica e psoríase?

A dermatite atópica é uma doença alérgica crônica que causa coceira e inflamação na pele devido a uma hipersensibilidade do sistema imunológico.

Quando o paciente é exposto a certos alérgenos, o organismo produz uma quantidade exagerada de um anticorpo chamado imunoglobulina E (IgE).

A liberação desse anticorpo causa reações alérgicas na pele, como prurido, feridas e coceira, e no sistema respiratório, como asma e rinite.

Já a psoríase é causada pela multiplicação acelerada das células da pele, que vão agrupando-se e formando camadas de pele ressecadas que coçam e ardem.

Ambas são doenças crônicas, genéticas e não contagiosas.

Além de terem causas distintas, a dermatite atópica e a psoríase se diferenciam também em seus sintomas, locais em que se manifestam na pele e complicações que causam nos pacientes.

Na dermatite atópica, as lesões cutâneas se caracterizam por pruridos (vermelhidão) ou feridas que se distribuem nas bochechas, pescoço, pés, dobras dos braços e das pernas. A coceira nas áreas afetadas é intensa.

Ao contrário da dermatite atópica, a psoríase afeta regiões bem mais variadas no corpo.

É  muito comum na região dos cotovelos e parte superior dos joelhos, próximo aos órgãos genitais, seios e até mesmo dentro da boca dos pacientes.

A coceira causada pela psoríase é mais amena se comparada à coceira da dermatite atópica.


A pele pode sofrer com diversas condições que causam desconforto ou complicações ao paciente. Por isso, o cuidado e o acompanhamento médico são fundamentais.

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Fontes consultadas


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