O que é

O Sarampo é uma infecção altamente contagiosa e manifesta-se por alterações na pele chamado de “exantema eritematoso”, ou seja, a pele avermelhada com placas propensas a se unirem. É causado pelo vírus Morbili virus, o qual pode comprometer vários órgãos.

O médico árabe Ibn Razi (860-932) foi o primeiro a descrever a doença e o vírus foi isolado apenas em 1954. Porém, a sua vacina só foi desenvolvida em 1963.

É a mais grave das doenças comuns da infância, provocando complicações graves e morte, as quais ocorrem em até 3 em cada 1000 casos. Um indivíduo só pode contrair o sarampo uma vez na vida. No Brasil, devido ao grande número de campanhas de vacinação contra o Sarampo, a taxa de mortalidade infantil não ultrapassa 0,5%.

Já nos países subdesenvolvidos o risco chega a cerca de 10% a 15% em pessoas que desenvolvem complicações, sendo uma das principais causas de morbimortalidade.

No mundo, estima-se que 85% das crianças já estejam vacinadas contra o sarampo, contudo, a doença ainda afeta cerca de 20 milhões de pessoas por ano, sendo crianças e adultos.

Esta doença foi a principal responsável pela destruição das populações nativas da América após a sua emigração da Europa por Colombo, matando mais de 90% da população do continente, derrotando e destruindo as civilizações Asteca e Inca muito mais que Hernán Cortés (conquistador espanhol, responsável por destruir o Império Asteca) e Francisco Pizarro (outro conquistador espanhol, submeteu o Império Inca ao poderio espanhol) alguma vez seriam capazes.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é
  2. Causas
  3. Quais as fases do sarampo
  4. Os sintomas do Sarampo
  5. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  6. Qual o tratamento para Sarampo?
  7. Grupos e fatores de risco
  8. Complicações/Prognóstico
  9. Como prevenir? O Sarampo é transmissível?

Causas

O sarampo tem como causa a infecção pelo mesmo vírus da rubéola, e é altamente infeccioso. O Morbili virus é um paramyxovirus de 100-200 nanômetro de diâmetro e tem um núcleo de um único RNA encalhado. É similar a outros vírus como o rinderpest, de enfermidade canina.

Possui duas proteínas de envelope da membrana que são importantes para desenvolver o sarampo nos seres humanos. Essas proteínas são as proteínas de F (fusão), responsáveis por unir as membranas de pilha do vírus e do anfitrião. Esta fusão mais adicional conduz à penetração do vírus e, eventualmente, da divisão dos glóbulos vermelhos (RBC-hemólise) no anfitrião.

O vírus de sarampo permanece um vírus delicado e é neutralizado rapidamente pelo calor, luz, pH ácido e por produtos químicos, além de enzimas como o éter e o trypsin. Ele pode sobreviver por menos de 2 horas no ar ou em objetos e superfícies.

Quais as fases do sarampo

Basicamente, o paciente poderá passar por 3 fases, são elas:

Fase Prodrômica ou Pródromo

Refere-se ao período de tempo entre os primeiros sintomas da doença e o início dos sinais ou sintomas com base no diagnóstico. Nela, o paciente terá os sintomas iniciais da doença. Dura cerca de 2 a 3 dias.

Fase Exantemática

Ocorre piora dos sintomas nesta fase, podendo ocorrer as seguintes complicações:

  • Erupções cutâneas que aparecem primeiro na cabeça e “descem” com o tempo para os pés; desaparecem em 7 a 10 dias.
  • Secreções aumentadas nas vias respiratórias superiores.
  • Elevada produção de muco nos pulmões.
  • Voz rouca.
  • Faringe e boca inflamadas.

Fase descamativa

Nesta fase as manchas escurecem, provocando uma descamação fina. Contudo, a febre e a tosse diminuem sensivelmente. Entre os principais sinais estão:

  • Conjuntivite intensa.
  • Pneumonia.
  • Infecção no ouvido.
  • Diarreia.
  • Encefalite.
  • Raramente evolui para a panencefalite esclerosante subaguda.

Os sintomas do Sarampo

Os sintomas do Sarampo têm início entre 10 a 12 dias após a contaminação, podendo durar entre 7 a 10 dias, porém a doença  pode ser transmitida antes que eles apareçam. Vejamos quais são os sintomas iniciais:

  • Febre muito alta acompanhada de tosse persistente com catarro;
  • Irritação ocular e olhos inflamados;
  • Corrimento do nariz (coriza);
  • Fotofobia;
  • Infecção no nariz;
  • Conjuntivite;
  • Mal-estar;
  • Exantema máculo-papular: quando a pele fica com placas ásperas (erupção cutânea) avermelhadas. Estas manchas vermelhas aparecem 3 a 5 dias após iniciarem os sintomas
  • Sinais de Koplik: pequenos pontos brancos no interior da boca que aparecem de 2 a 3 dias após iniciarem os sintomas.

Quando estes sintomas passam, começam a aparecer outros, que são:

  • Aparecimento de manchas avermelhadas no rosto, que progridem em direção aos pés, com duração mínima de três dias;
  • Infecção nos ouvidos;
  • Pneumonia;
  • Ataques (convulsões e olhar fixo);
  • Lesão cerebral.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O clínico geral ou o pediatra. Além da análise inicial dos sintomas, o profissional poderá solicitar:

  • Exame de sangue: para verificar a presença de anticorpos.
  • Exame interno da bochecha: permite identificar pequenos pontos branco-amarelados (enantema de Koplick) que confirma o diagnóstico.
  • EIE ou ELISA: Ensaio imunoenzimático para dosagem de IgM e IgG, sendo este o mais usado no Brasil.
  • (HI) Inibição da hemaglutinação para dosagem de Ac totais.
  • Imunofluorescência para dosagem de IgM e IgG.
  • Neutralização em placa.
  • Diagnósticos diferenciais para as doenças exantemáticas febris agudas como rubéola, exantema súbito, dengue, enterites virais, escabiose e sífilis secundária.

Qual o tratamento para Sarampo?

Não existe tratamento específico, o que há é o tratamento para diminuir sintomas como a febre e tosse. Quando o médico indica algum antibiótico, ele servirá para combater alguma possível complicação. Outros meios de tratamento incluem:

  • Medicação do tipo gama globulina anti-sarampo: apenas em casos especiais, visa o próprio vírus ou o reforço da capacidade de defesa geral.
  • Administração de solução de reidratação oral.
  • Ingerir alimentos saudáveis.
  • Medicamentos que controlem a febre (analgésicos).
  • Recomenda-se a administração de Vitamina A, a Organização Mundial de Saúde recomenda usar em todas as crianças, após a confirmação do diagnóstico. Veja as dosagens indicadas pela OMS por faixa etária:
  1. Crianças menores de seis meses de idade 50.000 Unidades Internacionais (U.I.): uma dose, em aerossol, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
  2. Crianças entre seis e 12 meses de idade 100.000 U.I.: uma dose, em aerossol, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
  3. Crianças maiores de 12 meses de idade 200.000 U.I.: uma dose, em aerossol ou cápsula, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.

Atenção!
Nunca se medique com aspirina (AAS), pois há o risco de Síndrome de Reye, é uma doença rara com alta taxa de mortalidade. Pode ainda provocar edema cerebral e lesão do fígado.

O tratamento profilático com antibiótico é contraindicado!

Remédios caseiros

  • Chá de pau tenente: é o mais utilizado, pois é uma planta medicinal que possui propriedades febrífugas, antiespasmódicas e que estimulam o apetite. Ajuda também a aliviar os sintomas da doença, como por exemplo a febre alta e a perda de apetite.
  • Chá de bardana: ajuda a acelerar a recuperação e alivia os sintomas, como coceira, por causa das suas propriedades calmantes e anti-inflamatórias.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Grupos e fatores de risco

Entre os principais grupos e fatores de risco para o sarampo podem ser citados:

  • Indivíduos de 6 meses a 39 anos de idade.
  • Trabalhadores de portos e aeroportos, hotelaria.
  • Profissionais do sexo, devido à maior exposição a indivíduos de outros países que não adotam a mesma política intensiva de controle da doença.

Complicações/Prognóstico

Cerca de 30% dos casos de sarampo têm complicações. Quando não é tratado, o vírus dele pode atingir as vias respiratórias, causar diarréias e até infecções no encéfalo, podendo levar à morte, além de:

  • Pneumonia;
  • Cegueira.

Os médicos acreditam que tais complicações são desencadeadas pelo próprio vírus do sarampo. Mas, os maiores atingidos pelas complicações são os pacientes:

  • Gravemente os desnutridos;
  • Recém-nascidos;
  • Gestantes;
  • Pessoas portadoras de imunodeficiências.

Importante!
Caso não haja complicações, o paciente fica curado em 15 dias e o risco de transmitir o Sarampo torna-se nulo depois de 10 dias.

Como prevenir? O Sarampo é transmissível?

A melhor e eficaz forma de prevenção é a vacina contra o sarampo, ela tem eficácia em 97% dos casos. Também há anticorpos contra a doença, só que temporários, eles são transmitidos pela placenta para os lactentes de mães que já tiveram sarampo, o que faz com que o bebê fique imune em seu primeiro ano de vida. Contudo, este fato pode interferir na resposta do organismo à vacina.

Outra medida também eficaz na diminuição dos casos de Sarampo no Brasil e no mundo são as estratégias e reforços de vacinação, assim como a vigilância e demais medidas de controle. Também a administração de imunoglobulina, não devem fazer este uso pacientes de sarampo que estejam gestantes, imunossuprimidos etc. ou seja, os pacientes com grande risco de complicações.

As crianças devem tomar as 2 doses da vacina, conhecida também por “tríplice viral”, que também combate a rubéola, o sarampo e a caxumba. A primeira dose é com 1 ano de idade e a segunda dose, entre 4 e 6 anos. Outra opção é também a vacina tetraviral.

Gestantes ou mulheres que possam engravidar dentro de 90 dias não devem ser vacinadas. Já os adultos que não foram vacinados quando crianças, podem e devem tomar as doses. Caso tenham tido contato com alguém contaminado, ele poderá tomar a vacina em um período que não ultrapasse 72 horas após a exposição ao vírus.

Para casos importados da doença, se não forem adequadamente controlados podem resultar em surtos e epidemias. A doença é transmissível e ocorre de pessoa a pessoa, pelos seguintes contatos com o contaminado:

  • Tosse;
  • Espirros;
  • Fala ou respiração.
  • Secreções respiratórias ou da boca;
  • Dispersão de gotículas com partículas virais no ar: elas podem perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como escolas e clínicas.

Por causa dessas formas de transmissão bastante comuns, o contágio é fácil. O sarampo, quando transmitido na fase em que o paciente apresenta febre alta, mal-estar, coriza, irritação ocular, tosse e falta de apetite, tem duração de 3 a 4 dias após o aparecimento das manchas vermelhas, podendo também levar de 4 a 5 dias em alguns casos.

O tempo de duração entre a contaminação e o aparecimento dos sintomas (período de incubação) é, em média, de 2 semanas. A doença também pode ser transmitida pelo macaco, pois ele e os seres humanos são os únicos animais propícios a serem um “abrigo” natural do vírus.

Atenção!
A vacina contra o sarampo, poliomielite e até mesmo para a rubéola não causa autismo, como muitos acreditam erroneamente.


No mundo todo, a vacinação ajudou a reduzir os casos de sarampo, que tiveram uma queda de 60% de uma estimativa de 873.000 mortes para 345.000 em 2005. Em 2008 esse número caiu para 164.000 mortes, com 77% das mortes restantes por sarampo ocorrendo na região do Sudeste Asiático.

Agora que você já sabe sobre os riscos do Sarampo e a importância da vacinação, compartilhe este artigo para que mais pessoas também se informem e possam se prevenir!

Referências

https://www.bio.fiocruz.br/index.php/sarampo-sintomas-transmissao-e-prevencao
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sarampo
http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/sarampo
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/sarampo
http://www.mdsaude.com/2013/03/sarampo-sintomas-e-vacina.html
http://drauziovarella.com.br/crianca-2/sarampo/
https://www.abcdasaude.com.br/pediatria/sarampo
http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2014/06/sarampo-pediatra-esclarece-duvidas-sobre-sintomas-e-prevencao
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/biovirus6.php

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