Sarampo: o que é, em bebê, sintomas, tratamento e transmissão

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Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de região livre do sarampo endêmico, junto com outros países da América. Porém, dados de 2017 apontam que uma nova disseminação da doença se iniciou.

Até o mês de maio de 2018, foram registradas 2 mortes pela doença no estado de Roraima e, pelo menos, 103 casos confirmados.

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Apesar de haver uma mobilização mundial intensa para prevenir a doença através da vacinação, o ano de 2017 teve um aumento de 400% de casos no mundo se comparado com o ano anterior, 2016.

Diante do aumento dos casos e suspeitas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou reforços de imunização para as regiões das Américas.

Enquanto o ano de 2017 teve 895 casos registrados de sarampo, até maio de 2018, cerca de 1115 pacientes foram diagnosticados na região das Américas.

Apesar da vacina estar disponível à toda população durante o ano inteiro, a campanha visa intensificar a aderência das pessoas não-imunizadas, principalmente para estrangeiros que vêm de regiões de risco.

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De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), 9 regiões apresentaram casos de sarampo até maio de 2018:

  • Antígua e Barbuda;
  • Brasil;
  • Canadá;
  • Colômbia;
  • Estados Unidos;
  • Guatemala;
  • México;
  • Peru;
  • Venezuela.

A Unicef divulgou dados que, entre 2000 e 2016, houve uma redução da mortalidade por sarampo em 79%. Mas, ainda assim, a doença resultava na morte de aproximadamente 400 crianças por dia no mundo.

Segundo a OMS, em 2017 foram registrados 15 países com surto da doença, incluindo os que possuem índice de desenvolvimento humano (IDH) elevado.

Os 3 mais afetados foram a Romênia, Itália e Ucrânia, com 5562, 5006 e 4767 casos diagnosticados, respectivamente.

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Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é sarampo?
  2. O que são vírus?
  3. Quais as fases do sarampo?
  4. Causas e transmissão
  5. Grupos e fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Como é feito o diagnóstico?
  8. Exames
  9. Tem cura?
  10. Qual o tratamento para Sarampo?
  11. Medicamentos
  12. Prognóstico
  13. Convivendo
  14. Complicações
  15. Como prevenir o sarampo?
  16. Vacina
  17. Sarampo em bebês
  18. Epidemia de sarampo
  19. Perguntas frequentes

O que é sarampo?

O Sarampo é uma infecção altamente contagiosa, transmitida por um vírus da família Morbillivirus. Os sinais envolvem principalmente alterações na pele, chamadas de exantema eritematoso, acompanhadas de febre, tosse, coriza e mal-estar, por exemplo.

Listada sob o CID-10 B05, a infecção pode ser classificada ainda como:

  • B05.0 – Sarampo complicado por encefalite;
  • B05.1 – Sarampo complicado por meningite;
  • B05.2 – Sarampo complicado por pneumonia;
  • B05.3 – Sarampo complicado por otite média;
  • B05.4 – Sarampo com complicações intestinais;
  • B05.8 – Sarampo com outras complicações;
  • B05.9 – Sarampo sem complicação.

A doença pode infectar igualmente adultos ou crianças, mas tem maior prevalência na fase infantil.

O vírus é transmitido quando a pessoa entra em contato com secreções do paciente contaminado. Pode ocorrer através de tosses, espirros ou gotículas de saliva que se espalham pelo ar.

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Quando a pessoa é exposta e infectada pelo vírus, ocorre um período de incubação de aproximadamente 12 dias. Isso quer dizer que os sintomas podem demorar a aparecer.

Ou seja, mesmo sem nenhum sintoma ou sinal aparente, a pessoa possui o vírus e pode transmiti-lo.

Ainda há graves complicações relacionadas à doença, que podem resultar em infecções cerebrais (encefalite), pneumonias e lesões ao cérebro.

Sobretudo nos casos não tratados, em crianças menores de 5 anos ou pacientes com problemas de imunidade, a condição pode ser fatal, representando entre 5% e 20% de mortes devido à evolução do quadro.

No mundo, há uma intensa mobilização para combater a doença através da vacinação de crianças. Mas países subdesenvolvidos ainda apresentam baixo sucesso de combate ao sarampo, devido à baixa imunização e à subnutrição.

O que são vírus?

Diversas doenças podem ser causadas por vírus, que são considerados parasitas. A palavra vem do latim e significa “veneno” ou “toxina”.

O vírus é considerado um parasita intracelular obrigatório, pois necessita estar ligado à uma célula para se reproduzir (replicar o seu material genético). Ele é composto com DNA ou RNA, capsídeo, envelope, nucleocapsídeo e matriz, que juntos formam a estrutura viral.

Ao se ligar à uma célula, o parasita é capaz de alterar o seu comportamento e transmitir a própria informação genética, formando novos vírus no interior da célula.

O vírus do sarampo

A estrutura que transmite o sarampo pertence à família Paramyxoviridae, sendo classificado em um subgrupo denominado Morbillivirus.

Apesar de ser altamente contagioso, fora da organismo o vírus é considerado frágil, pois sua vida é relativamente curta.

O calor, a luz, o pH ácido e alguns produtos químicos são capazes de neutralizar o vírus. Ou seja, matá-lo.

Quais as fases do sarampo?

O sarampo pode ser dividido em fases, de acordo com a manifestação dos sintomas.

Nos primeiros dias após a infecção, o organismo ainda não apresenta sintomas ou sinais, pois o vírus está na fase de incubação. O período dura, em média, 10 dias, mas pode variar entre 7 e 18 dias após a infecção do organismo.

Fase prodrômica ou pródromo

Representam as primeiras manifestações do sarampo.

Inicialmente, há uma manifestação de inflamações das mucosas do nariz, faringe, laringe e brônquios, além de irritação dos olhos. Essa fase é denominada pródromo.

É possível notar os olhos vermelhos e doloridos, muitas vezes com tendência a lacrimejar. Nessa fase, a doença pode até ser confundida com uma gripe ou resfriado, porque geralmente, há tosse, espirros, nariz escorrendo e rouquidão.

Em alguns casos, pode haver tosse com expectoração e dores na região do tórax.

Cerca de 3 dias após os sintomas iniciais, o paciente pode apresentar febre, dores de cabeça e muscular, diminuição do apetite e mal-estar.

Entre 12 e 72 horas, surgem lesões no céu da boca e na parte interna da bochecha, mas geralmente a condição ocorrem nas últimas 24 horas do pródromo.

As feridas são pequenas e esbranquiçadas, como se fossem pequenas aftas. Muitos pacientes apresentam uma ligeira redução da febre nesse período, que pode durar entre 2 ou 3 dias.

Fase exantemática

O sintoma mais característico do sarampo são as erupções de pele, com aspecto avermelhado e que podem causar ardência ou coceira.

As lesões normalmente começam nas regiões próximas à orelha e cabeça, e seguem se disseminando por todo o corpo. Todas as regiões da pele podem ser atingidas, incluindo palma das mãos e sola dos pés.

Pode ocorrer a piora dos sintomas, sendo essa a fase aguda da doença. Além disso, pode haver outras manifestações, como:

  • Secreções aumentadas nas vias respiratórias superiores;
  • Elevada produção de muco nos pulmões;
  • Voz rouca;
  • Faringe e boca inflamadas;
  • Elevação da febre;
  • Mal-estar agravado.

Fase descamativa

Nesta fase as manchas escurecem, provocando uma descamação fina. Contudo, a febre e a tosse diminuem sensivelmente. Entre os principais sinais estão:

  • Conjuntivite intensa.
  • Pneumonia.
  • Infecção no ouvido.
  • Diarreia.
  • Encefalite.
  • Raramente evolui para a panencefalite esclerosante subaguda.

Causas e transmissão

O sarampo é causado pelo contato direto ou com fluidos da pessoa contaminada ou ao tocar em secreções ou superfícies contaminadas pelo vírus e levar as mãos à boca, olhos ou nariz.

É possível que a infecção ocorra também através da utilização ou compartilhamento dos talheres ou objetos de uso pessoal não higienizados.

O vírus possui uma disseminação tão grande que, segundo a organização Médico Sem Fronteiras (MSF), mais de 90% das pessoas sem imunidade que compartilharem o mesmo ambiente que um paciente contaminado irão pegar a doença.

É importante lembrar que o paciente pode transmitir o vírus mesmo sem apresentar os sintomas. Portanto, não é possível saber exatamente quem está doente.

A transmissão ocorre por vias aéreas, através de gotículas do nariz, da boca ou da garganta que são disseminadas no ar quando a pessoa infectada espirra, tosse e fala.

Por isso, ambientes fechados, como salas, escolas e hospitais, são locais mais propensos à contaminação, devido à baixa circulação de ar que pode manter o vírus suspenso no ambiente.

Grupos e fatores de risco

Pessoas que não foram vacinadas e que nunca foram contagiadas com o vírus estão suscetíveis ao sarampo.

Profissionais de saúde, turistas e pessoas que lidam com estrangeiros (trabalhadores de aeroportos, por exemplo) podem estar mais sujeitos à contaminação.

Crianças pequenas, com menos de 2 anos, apresentam grupos de risco para a doença. No entanto, ainda que o sarampo seja mais frequente na infância, os adolescentes e adultos geralmente têm quadros mais graves.

Além disso, grávidas, pacientes imunodeprimidos e com desnutrição têm mais chances desenvolver complicações da doença.

Sintomas

Os sinais mais evidentes do sarampo são as erupções de pele, caracterizadas por pequenas manchas avermelhadas que acometem o corpo.

O sintoma é denominado exantema máculo-papular eritematoso. Apesar de acometer grande parte ou todo o tecido da pele, as manchas não são prejudiciais à saúde, sendo um dos sintomas mais inofensivos da doença.

Além disso, pequenas feridas ou manchas esbranquiçadas surgem na boca, geralmente na parte interna da bochecha e nas gengivas. Semelhantes às aftas, essas lesões são chamadas de manchas de Koplik e antecedem o aparecimento das lesões de pele (exantema).

Podem ocorrer diversas manifestações durante o período de infecção, como:

  • Febre alta, acima de 38 ºC;
  • Diarreia;
  • Tosse persistente;
  • Irritação ocular e olhos inflamados;
  • Corrimento do nariz (coriza);
  • Sensibilidade à luz;
  • Infecção no nariz;
  • Conjuntivite;
  • Vômito e náuseas;
  • Mal-estar;
  • Infecção nos ouvidos;
  • Convulsões e olhar fixo;
  • Lesão cerebral.

Mas são os sintomas e complicações respiratórias que podem causar maiores riscos à saúde do paciente, entre eles:

Problemas respiratórios

A coriza, tosse e expectoração são manifestações bastante comuns ao sarampo. Os sintomas, que são se assemelham aos da gripe, podem confundir o diagnóstico inicial.

Na maior parte dos casos, os problemas respiratórios não apresentam complicações e evoluem significativamente bem.

Porém, uma parte dos pacientes pode apresentar complicações do quadro pulmonar, otites, sinusite e comprometimento do sistema nervoso central.

Sarampo coça?

O sarampo causa menos coceira que outras doenças, como a catapora. No entanto, é possível que na fase de exantema, em que ocorrem as erupções de pele, o paciente sinta ardências e coceira.

Como é feito o diagnóstico?

A doença foi tão frequente no passado que muitos pais ou avós eram capazes de fazer um diagnóstico prévio através do surgimento das lesões de pele.

É como acontece hoje quando ficamos gripados e sabemos, ou deduzimos, que os sintomas se referem à gripe, mesmo sem consultar um especialista.

Porém, atualmente os médicos, clínicas e hospitais seguem o procedimento de detecção da infecção. Para realizar o exame, é verificada a presença de anticorpos IgM no sangue.

Os anticorpos aparecem pois o organismo está produzindo células de defesa para combater a doença.

O exame é eficiente na fase aguda do sarampo, ou seja, desde a contaminação inicial até 4 dias após os primeiros sinais na pele (os exantemas).

Ainda que o exame clínico (aquele que o diagnóstico é feito apenas pela observação dos sintomas) seja feito, é recomendável que todos os casos suspeitos realizem o teste laboratorial.

Para o diagnóstico clínico, o paciente precisa apresentar tosse, coriza ou conjuntivite (pelo menos 1 desses 3 sintomas), junto com febre por mais de 3 dias.

Os profissionais mais capacitados para realizar o diagnóstico do sarampo são o clínico geral, o infectologista, o pediatra e o dermatologista.

Diagnóstico diferencial

As manifestações físicas e os sintomas do sarampo podem ser bastante abrangentes, pois diversas doenças apresentam febre alta e erupções de pele.

Nesse caso, é preciso diferenciar o quadro de outras infecções ou patologias, principalmente:

Exames

O Ministério da Saúde indica que o exame adotado pelo Brasil para o diagnóstico laboratorial do sarampo é o ELISA (Enzyme Linked Immunosorbent Assay).

O exame consiste numa coleta de sangue tradicional, em que serão analisados os anticorpos presentes na amostra.

Nos primeiros dias após o aparecimento das lesões de pele, os anticorpos IgM e IgG podem ser detectados no sangue.

De modo geral, o IgM permanece elevado no sangue por até 6 semanas após os sinais de exantema (erupções da pele), já o IgG pode permanecer alterado por muitos anos.

Porém, todos os casos suspeitos de sarampo devem ser examinados no período indicado (até 4 semanas após o surgimento das manchas de pele).

Alguns dos procedimentos adotados em outros países envolvem:

  • ELISA para dosagem de IgM e IgG;
  • Inibição de Hemaglutinação (HI) para dosagem de anticorpos totais;
  • Imunofluorescência para dosagem de IgM e IgG;
  • Neutralização em placas.

São todos exames de sangue que verificam a presença do vírus. A diferença é o método empregado para detectar a infecção.

Tem cura?

Sim. De modo geral, a infecção não apresenta complicações severas para a maioria dos pacientes, salvo os casos em que há HIV positivo, desnutrição ou outras doenças que comprometem o sistema imune.

Após ser infectado, o organismo cria resistência, fazendo com que o paciente fique imune a outras exposição ao vírus.

Há uma mobilização mundial para reduzir e esgotar os casos de sarampo através da vacinação. Para isso, políticas públicas de diversos países incentivam a medida, fazendo com que os casos de contaminação sejam drasticamente reduzidos.

Qual o tratamento para sarampo?

Não existe tratamento específico para o sarampo. Após contaminado, o organismo precisa combater a infecção.

Algumas medidas podem facilitar o tratamento e melhorar as respostas do organismo. Por exemplo, o uso de medicamentos anagésicos e antitérmicos podem trazer melhoras significativas durante o tempo de recuperação, pois os quadros de febre e mal-estar podem ser um incômodo acentuado, sobretudo para as crianças.

Além disso, os medicamentos para infecções respiratórias, colírios ou pomadas para amenizar a coceira da pele podem ser associados, quando indicados pelo médico.

Geralmente, é recomendado que crianças utilizem suplementação de vitamina A para evitar o agravamento do quadro, seguindo dosagens e determinações especificados pelo médico.

O uso de colírios e soro fisiológico para a limpeza dos olhos é geralmente receitado, ajudando a amenizar o desconforto.

Nos casos em que houver diarreia, pneumonia e otite média, é preciso iniciar o tratamento e acompanhamento específico para as condições.

Bebidas quentes, como chás, podem auxiliar no desconforto da garganta. Como as mucosas geralmente ficam irritadas, a ingestão de líquidos (em qualquer temperatura) é extremamente indicada.

Se houver tosse com expectoração, as bebidas quentes podem facilitar na limpeza do trato respiratório. Fazer inalações também favorece a respiração, que muitas vezes fica comprometida (nariz trancado ou escorrendo).

O paciente precisa repousar, se hidratar corretamente e optar por alimentos leves. É recomendável cuidar do equilíbrio nutricional, evitando que haja carências no organismo, que podem agravar os sintomas.

Medicamentos

Em casos de febre intensa e dores, o médico pode receitar o uso de antitérmicos, como paracetamol.

A vitamina A pode ser administrada, sobretudo em crianças ou recém-nascidos, ajudando a evitar o agravamento do quadro.

O soro fisiológico e colírios lubrificantes auxiliam na limpeza de lubrificação dos olhos, amenizando o desconforto e a irritação ocular.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

O prognóstico do sarampo é geralmente bom se a criança ou adulto não apresentar quadros de desnutrição ou problemas imunológicos.

Em geral, a doença não se apresenta de modo grave ou com complicações, a não ser que o paciente já apresente outras doenças que afetem a imunidade. Nesse caso, a evolução do sarampo pode ser bastante agressivo e apresentar riscos à vida.

Convivendo

Quando a pessoa é diagnosticada com sarampo, algumas medidas precisam ser adotadas para que o período de infecção acarrete em menos transtorno e desconforto ao paciente.

Geralmente, as erupções da pele podem coçar e se tornam um incômodo constante. Além dos medicamentos e pomadas indicados pelo médico, é recomendado manter a temperatura do ambiente agradável (não muito aquecido), e se possível evitar abafar a pele com roupas apertadas.

Quanto mais leve e confortável forem os tecidos utilizados, menor será o atrito com a pele. Além disso, compressas geladas podem auxiliar na redução das ardências e coceiras. A hidratação do organismo também é essencial, por isso, é preciso ingerir bastante líquido, sobretudo se o quadro apresentar febre.

A alimentação deve ser regular, leve e nutritiva. Nesse sentido, é preciso manter uma ingestão equilibrada de nutrientes.

É recomendável evitar ambientes com cheiros fortes ou irritantes, pois podem provocar reações alérgicas, devido à sensibilidade do organismo.

Como o sarampo exige que o paciente fique afastado do convívio social temporariamente, é preciso organizar as atividades para as necessidades diárias. Por exemplo, manter alimentos, telefones de emergência e medicamentos acessíveis.

As roupas de cama, cobertores, pijamas ou demais tecidos que o paciente utilizou devem ser lavados separadamente. É indicado aquecer a água para realizar a lavagem.

Para amigos ou familiares que moram junto com o paciente, é preciso intensificar os cuidados com a higiene, lavando as mãos com frequência e utilizando álcool em gel.

Os objetos utilizados pelo paciente, como copos e talheres, devem ser mantidos e manuseados separadamente.

Para os pais e mães de crianças pequenas, pode ser mais complicado manter o distanciamento, devido aos cuidados necessários com o paciente. Nesse caso, pode ser recomendado o uso de luvas e máscaras, sempre mantendo os ambiente bem arejados.

Complicações

Quando a doença apresenta sintomas mais agravados, podem ocorrer problemas respiratórios como:

Para as gestantes, as complicações envolvem o risco elevado de aborto durante o 1º trimestre de gestação, além de poder causar parto prematuro. Também há maiores riscos de malformação do feto.

Em pessoas imunodeprimidas, há maior propensão de ocorrer pneumonia intersticial grave e cegueira devido a lesões na córnea. Ainda é possível o agravamento da infecção, que pode levar o paciente à morte.

As complicações mais severas associadas ao sarampo são:

Encefalite

A cada 1 mil e 2 mil crianças diagnosticadas com sarampo, cerca de um caso de encefalite ocorre. O quadro é uma infecção cerebral que pode ser breve, tendo uma boa recuperação, ou prolongado, resultando em lesões cerebrais e até morte.

Neurite

A neurite é uma inflamação do nervo que causa dores, diminuição da sensibilidade, atrofia e redução da visão. A condição pode levar à cegueira também. Fatores como traumas, lesões oculares, doenças degenerativas e infecções ou intoxicações podem desencadear a condição.

Sangramento excessivo

Após o organismo combater a infecção, os níveis de plaquetas no sangue podem baixar drasticamente, ocasionando a trombocitopenia. As plaquetas são responsáveis pela coagulação sanguínea quando ocorrem ferimentos.

Nesse caso, são observadas manchas roxas na pele do paciente, além de sangramentos ou dificuldade de coagulação.

Panencefalite esclerosante subaguda

A condição ocasiona lesões progressivas no cérebro, geralmente representando severos riscos à vida, mas é uma condição rara.

O vírus do sarampo pode infectar o cérebro e causar a encefalite. É possível que o vírus permaneça no órgão por anos e não manifeste nenhum sintoma.

Porém, anos mais tarde, ele pode ser reativado, causando a panencefalite esclerosante subaguda. A condição tem uma tendência de se manifestar entre 7 e 10 após o diagnóstico do sarampo, mas pode ocorrer em outros períodos.

Além disso, há maior prevalência nas pessoas que foram infectadas antes dos 2 anos de idade.

Pneumonia

A condição ocorre quando há um comprometimento pulmonar severo. Em média, 5% dos pacientes desenvolvem o quadro, sendo uma das principais causas de morte de bebês e crianças pequenas.

Como prevenir o sarampo?

O método mais eficaz de prevenção é a vacina contra o sarampo. Aproximadamente 97% das pessoas vacinas ficam imunes ao sarampo.

A imunização ocorre entre 14 e 21 dias após a aplicação da vacina. Por isso, pessoas que vão viajar para regiões com surtos de sarampo devem tomar com antecedência a injeção.

Mesmo que imunizados, é recomendável que não haja uma exposição direta ao paciente contaminado, sobretudo sem proteção (como máscaras).

Gestantes ou mulheres que possam engravidar dentro de 90 dias não devem ser vacinadas. Já os adultos que não foram vacinados quando crianças, podem e devem tomar as doses.

Vacina

A vacina se mostra eficaz em 97% dos pacientes, sendo uma recomendação mundial. No Brasil, a indicação da Sociedade Brasileira de Imunização é que sejam realizadas duas aplicações.

Clínicas particulares oferecem a vacina, no entanto, no Brasil, as Unidades Básicas de Saúde realizam a aplicação, oferecendo as duas dosagens de acordo com o indicado pelo calendário de vacinação.

Mulheres até os 49 anos e homens até os 39, que não estão em dia com as dosagens, também podem recebem a dosagem nas unidades gratuitamente.

Até 2013, as crianças recebiam 2 doses da tríplice viral (dosagem que incluía proteção contra sarampo, caxumba e rubéola).

Atualmente, o calendário de vacinação prevê que crianças de 12 meses sejam vacinadas com uma dose da tríplice viral, e aos 15 meses recebam uma segunda dose chamada de tetra viral, que inclui a imunização para sarampo, caxumba, varicela e rubéola.

VacinaEm que idade fazerProtege contra o que?
Tríplice Viral12 mesesSarampo, caxumba e rubéola
Tetra viral15 meses até os 4 anosSarampo, caxumba, rubéola e varíola

Para crianças que não puderam receber a dosagem aos 15 meses, a imunização pode ser feita, dentro do período do calendário de vacinação, até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.

Adultos que não receberam a vacina na idade indicada devem recebê-la em qualquer idade. Já as gestantes e pessoas imunodeprimidas não têm a indicação de receber a vacina, logo que ela possui o vírus enfraquecido, mas ainda vivo.

O cenário nacional do sarampo mudou drasticamente com a vacinação. Antes da imunização entrar para o calendário de vacinas, considerava-se que quase todas as crianças iriam ser infectadas pelo sarampo.

Como a contaminação era grande, muitas delas apresentavam complicações da doença. Além disso, o número de vítimas também era bastante alto.

Foi na década de 1960 que a vacina foi lançada no Brasil. A imunização se estende por toda a vida, sendo um método seguro e bastante eficaz no combate às infecções.

Contraindicações

Nem todas as pessoas podem tomar a vacina, sendo que alguns casos precisam ser avaliados por um médico.

Entre os grupos, estão as gestantes, pessoas com doenças imunodepressivas, que fazem uso de medicamentos que afetem a imunidade ou com alergia a componentes da vacina.

Como o composto possui traços de proteína de ovo de galinha, a vacina pode ocasionar reações alérgicas, sobretudo em crianças.

No entanto, observa-se que as reações são moderadas, não comprometendo a saúde da criança, mesmo as que possuem alergias graves.

Porém, é preciso que a alergia seja conhecida pelo profissional de saúde que irá ministrar a dosagem para que, se reações severas ocorrerem, o atendimento seja feito rapidamente.

Reações e efeitos colaterais

Até 10% dos pacientes podem apresentar vermelhidão e ardor no local da aplicação, além de febre acima de 38 ºC.

Entre 1% e 10% dos vacinados podem apresentar infecções respiratórias, inchaço no local da aplicação e reações cutâneas, como erupções e lesões.

Geralmente, as alterações de  pele ocorrerem em 3% dos pacientes, surgindo em aproximadamente 12 dias após a vacina.

A febre alta, acima de 39,5 ºC, pode ocorrer em até 15% dos vacinados, e alguns casos isolados (entre 0,01% e 0,1%) evoluem para uma convulsão febril, mas a condição não apresenta sequelas ou danos severos.

Os casos de inflamação no ouvido (otite média), gânglios linfáticos inchados, especialmente no pescoço, nas axilas e na virilha (linfadenopatia), perda de apetite, conjuntivite, bronquite, tosse, inchaço das glândulas salivares, diarreia e vômito ocorrem em até 1% dos vacinados.

Além desses episódios, reações raras (menos de 0,1%) foram observadas após a injeção:

  • Meningite;
  • Síndrome similar ao sarampo;
  • Síndrome similar à caxumba;
  • Epididimite (inflamação do epidídimo);
  • Parotidite]
  • Dificuldade de coagulação e hematomas;
  • Reações alérgicas graves;
  • Inflamação do cérebro;
  • Inflamação do cerebelo;
  • Distúrbios da marcha transitória (dificuldade ou incapacidade de movimentação)
  • Síndrome de Guillain Barré (doença generalizada dos nervos);
  • Inflamação da medula espinhal;
  • Inchaço dos braços e pernas com presença de dor forte;
  • Vasculite;
  • Erupções graves na pele;
  • Dor e inchaço nas articulações.

Recomendações sobre a vacinação

Apesar da vacina estar no calendário de vacinação, sendo indicada para todas as crianças, salvo casos específicos, alguns grupos devem redobrar a atenção em períodos de surto ou disseminação da doença.

Profissionais da área de saúde

Devido ao fluxo intenso de pessoas e o contato direto com doenças diversas, os profissionais da área de saúde são incentivados a verificar as condições de imunização.

Trabalhadores das diversas áreas de saúde que não se comprometem com as campanhas de imunização podem trazer riscos à própria saúde e à dos outros, podendo transmitir e disseminar a infecção para os pacientes que, em geral, já estão com as condições imunológicas comprometidas.

Viajantes e turistas

Turistas ou pessoas que irão viajar para regiões com casos de sarampo devem estar atentos à imunização.

Quando a carteira de vacinação não garantir que o paciente, maior de 6 meses, foi imunizado, é preciso alertar sobre a necessidade de tomar a dosagem, pelo menos, 2 semanas antes da viagem.

Crianças menores de 6 meses, lactantes, gestantes e pessoas com deficiência imunológica devem evitar viajar em períodos de risco.

Sarampo em bebês

A primeira dose da vacina contra sarampo deve ocorrer aos 12 meses. Por isso, antes dessa idade, o bebê está mais sensível à infecção.

Se o bebê necessitar viajar às áreas de risco ou tiver sido exposto ao vírus ou se ocorrerem surtos da doença a vacina pode ser administrada antes do período previsto sob orientação médica.

De acordo com a Direção Geral de Saúde, pode ser administrada uma dose entre os 6 e 12 meses, sendo considerada uma vacinação extra. Ou seja, ela não substitui as duas doses que constam no calendário oficial, sendo que a próxima vacina deve respeitar um período de 4 meses.

Os cuidados com os bebês doentes são os mesmos recomendados aos adultos e devem seguir as recomendações médicas.

Nesse caso, choros frequentes e intensos são comuns devido ao incômodo das lesões de pele e à febre. As pomadas e compressas geladas podem aliviar o desconforto.

É preciso evitar o contato do paciente com outras crianças, mantendo a atenção à alimentação, hidratação e higienização.

Epidemia de sarampo

Estima-se que, antes da implantação dos programas de imunização, ocorriam surtos de sarampo a cada 3 a 6 anos, segundo o Ministério da Saúde.

No Brasil, a última epidemia de sarampo ocorreu em 1997 e contabilizou 53 mil casos de infecção e 61 óbitos. Na época, a vacina já estava disponível para comercialização.

A maioria dos casos acometeu pacientes que não foram imunizados ou que tomaram apenas uma dose da vacina.

Em 1991, o Brasil lançou o Plano de Erradicação do Sarampo, visando reduzir os casos de infecção e erradicar a doença até os anos 2000.

Perguntas frequentes

O que fazer quando há suspeitas de sarampo?

O paciente deve procurar um profissional de saúde quando houver mal-estar e erupções de pele para que haja uma avaliação do seu estado. Havendo suspeitas de sarampo, serão solicitados exames para confirmar o diagnóstico.

Mesmo os quadros de suspeita ainda não confirmados devem ser notificados à Secretaria de Estado de Saúde.

O paciente deverá ser afastado de suas atividades, mantendo-se isolado de outras pessoas até que o diagnóstico seja feito. Se confirmado, o isolamento deve permanecer até que a infecção não seja mais transmissível.

A vacina do sarampo causa autismo?

Não. Há uma disseminação de informações incorretas sobre inúmeras vacinas, fazendo com que haja um desincentivo à imunização. A dosagem determinada é segura e não representa riscos à população, salvo grávidas e imunodeprimidos.

O boato de que a vacina pode causar autismo decorre de um estudo publicado em 1998,  pelo médico britânico Andrew Wakefield, que apontava o autismo como consequência da vacina tríplice viral.

Tempo depois, foi verificado que o pesquisador, na verdade, fraudou os laudos dos pacientes estudados e adulterou os resultados.

Andrew Wakefield perdeu o registro médico e foi acusado de má conduta em troca de dinheiro. O médico recebeu cerca de 435 mil libras (mais de 2 milhões) para fraudar os resultados.

Quais os motivos para os novos casos?

Apesar de haver políticas para a vacinação, 2017 e 2018 apresentam um crescimento no diagnóstico da infecção.

Países com IDH baixo apresentam riscos referentes ao aumento da doença, pois a taxa populacional vacinada ainda é baixa.

Mesmo os países desenvolvidos, é na população mais carente que o acometimento do sarampo é maior. Isso se deve pela má alimentação e desnutrição aliadas à falta da imunização.

Porém, uma recente manifestação de pessoas antivacina tem preocupado a comunidade médica e autoridades. Nesses casos, pais e família decidem não imunizar as crianças por serem contrários à vacinação.

A justificativa dos grupos é, sobretudo, a disseminação de notícias falsas (como achar que a vacina contra sarampo causa autismo), e a crença de que medicamentos e vacinas trariam malefícios à saúde.

Em 2017, dos 1,6 mil casos de sarampo diagnosticados na Europa, 88% não tinha tomado a vacina.


O sarampo é uma doença bastante conhecida pela população, sendo classicamente atribuída à infância.

Antigamente existia uma crença popular de que quanto mais cedo a criança fosse infectada, menos perigosa seria a doença. Além de bastante equivocada, a crença fazia com que as mães promovessem o contato entre os filhos e um paciente contaminado, fazendo com que o vírus circulasse mais intensamente.

Após alguns anos, os estudos demonstraram que a condição é exatamente ao contrário, pois o sistema imune do bebê pode ser mais frágil, tornando a infecção mais perigosa e agravada.

Hoje, há campanhas mundiais que visam reduzir e esgotar os casos de sarampo, reduzindo os agravantes da doença.

A imunização é segura, simples e faz parte do calendário nacional de vacinação, sendo a medida mais eficaz para prevenir a infecção.

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Referências

Veras, R. (1998). Epidemiologia. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.
https://www.parents.com/health/rashes/how-to-protect-babies-from-measles/
https://www.nhs.uk/conditions/measles/treatment/

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