A Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca a pré-eclâmpsia na lista das principais causas de morte materna (aquela que acontece durante a gestação ou logo após o parto).  

Felizmente essa condição pode ser evitada ou tratada, garantindo uma gestação mais saudável para a mulher e para o neném. 

Saiba mais sobre esse assunto fundamental no artigo abaixo e em caso de dúvidas ou suspeitas, converse com o(a) obstetra que acompanha a gravidez. 

O que é a pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é chamada de doença hipertensiva específica da gravidez. É caracterizada pelo aumento da pressão arterial em grávidas e pela perda de proteínas na urina (proteinúria). Se não for tratada corretamente, ela tende a evoluir para quadros mais graves (eclâmpsia) comprometendo a gestação.

Segundo o protocolo da Febrasgo de 2019, atualmente, mesmo que não seja observada a proteinúria significativa, outros quadros associados à elevação da pressão devem ser analisados. 

Assim, a pré-eclâmpsia pode ser considerada caso haja também comprometimento de outros sistemas do organismo ou quadros como:

  • Trombocitopenia;
  • Disfunção hepática;
  • Insuficiência renal;
  • Edema agudo de pulmão;
  • Iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia);
  • Sinais de comprometimento placentário (como restrição de crescimento fetal e/ou alterações dopplervelocimétricas).

A pré-eclâmpsia é caracterizada por alterações de pressão que ocorrem depois da 20ª semana (ou 5º mês) de gestação e tende a terminar no momento em que o neném nasce. Ela ainda pode ser classificada em pré-eclâmpsia precoce (antes de 34 semanas) e tardia (após 34 semanas).  

Em alguns casos, a doença ainda pode acompanhar a mãe mesmo após o parto, havendo necessidade de acompanhamento e tratamento específicos.


Quais os tipos de hipertensão gestacional?

Um dos modos mais aceitos de classificar as síndromes hipertensivas na gestação é classificando-as em 4 categorias, que são:

  • Hipertensão arterial crônica: hipertensão antes de 20 semanas;  
  • Hipertensão gestacional: hipertensão sem proteinúria e sem outros sinais de atenção;
  • Pré-eclâmpsia: elevação da pressão após 20 semanas, com proteinúria ou outros sintomas indicativos; 
  • Hipertensão arterial crônica sobreposta por pré-eclâmpsia: quando há hipertensão antes da gestação, havendo uma piora do quadro.

Um dos modos de classificar a pré-eclâmpsia é pela intensidade dos quadros, ainda que alguns estudos apontem que essa é uma forma em desuso de classificação: 

Leve 

A pré-eclâmpsia leve é caracterizada por 2 episódios de pressão arterial acima, igual ou acima de 140/90, com intervalos de pelo menos 4 horas. Quando presente, a proteinúria deve ser igual ou superior a 300mg em 24 horas.

Em geral, não é indicado prescrever diuréticos ou medicamentos, devendo haver repouso leve e acompanhamento frequente da pressão.

Grave 

Na pré-eclâmpsia grave, observa-se 2 quadros de pressão arterial igual ou acima de 160/110 em intervalos espaçados de 4 horas. ALém disso, a proteinúria se apresenta em taxas de 5g em 24 horas.

Nesses casos, deve haver internação para acompanhamento constante da gestante visando um controle rígido da pressão arterial. Em geral, indica-se uma dieta hiperproteica, sem haver diminuição drástica do sódio.

O que causa a pré-eclâmpsia na gravidez? 

Ainda não se sabe exatamente o que causa a pré-eclâmpsia. No entanto, fatores como ser a primeira gestação, idade da gestante (início da adolescência ou mais de 40 anos) e histórico da doença em familiares próximas (mãe, avós, irmãs) podem ter relação com o desenvolvimento da condição. 

Outros fatores de risco para a pré-eclâmpsia são: 

  • Obesidade; 
  • Diabetes; 
  • Histórico de pressão alta anterior à gestação; 
  • Doenças ou complicações renais (como insuficiência ou pedra nos rins); 
  • Estar grávida de mais de um bebê (gêmeos ou trigêmeos, por exemplo); 
  • Ficar grávida com o intervalo menor que 2 anos ou maior que 10 anos após a última gestação; 
  • Engravidar por Fertilização In Vitro (FIV). 

Alguns especialistas acreditam que o aumento da pressão arterial durante a gestação é causado pelo mal desenvolvimento dos vasos sanguíneos da placenta. 

Isso provocaria pequenos espasmos nas veias e dificultaria a circulação de sangue levando o coração a acelerar e fazer mais pressão. 

Contudo, esse pensamento é apenas uma especulação e ainda não foi comprovado cientificamente. 

Como identificar pré-eclâmpsia? Tem sintomas?

A suspeita de pré-eclâmpsia pode ser levantada pela própria gestante ao ter sintomas como cansaço, dor de cabeça, visão embaçada, inchaço, enjoos. Mas a doença só pode ser diagnosticada com um exame de sangue ou de urina feito a partir da 20ª semana de gravidez. 

Outros sintomas de pré-eclâmpsia são suor excessivo nos pés ou mãos, diminuição no volume de urina, ganho de peso e retenção de líquidos. 

Lembrando também é que possível que a pré-eclâmpsia não manifeste nenhum sinal ou sintoma, o que pode tornar a identificação mais difícil e demorada. 

Por isso, é de extrema importância que a gestante faça o acompanhamento médico correto durante todas as fases da gestação. 

Quanto antes for diagnosticada, maiores as chances de se fazer um tratamento adequado, trazendo mais segurança e conforto para a mamãe e o bebê. 

Exames para diagnosticar a pré-eclâmpsia

Embora os sintomas possam ajudar a levantar as suspeitas de pré-eclâmpsia, essa doença só pode ser diagnosticada corretamente com a ajuda de exames que devem ser avaliados e interpretados por um(a) profissional de medicina. 

Os principais testes para identificar a pré-eclâmpsia são: 

Exame de sangue ou de urina

Nesse caso, o exame de sangue é utilizado para avaliar a quantidade de proteína presente no corpo da gestante. 

A mesma coisa também vale para o exame de urina que é feito para verificar a proteinúria (uma das características da pré-eclâmpsia). 

Ultrassonografia fetal

A ultrassonografia fetal é utilizada no diagnóstico de pré-eclâmpsia porque pode permitir que o(a) obstetra observe a dilatação das veias e perceba o quanto de pressão o coração está fazendo para bombear o sangue.   

Perfil biofísico

O teste de perfil biofísico identifica os movimentos e a respiração do neném. Ao fazer isso, ele atribui notas para avaliar o sofrimento fetal. Se as notas forem elevadas é um indicativo que algo está errado. 

Pré-eclâmpsia: quais os riscos para o bebê e para a mãe? 

A pré-eclâmpsia é uma doença delicada que em casos mais graves pode causar a morte da gestante, do bebê, induzir o parto, provocar abortos, convulsões e acidentes cardiovasculares (AVCs), facilitar sangramentos e hemorragias e promover insuficiência e danos nos rins e fígado. 

No neném, a pré-eclâmpsia pode influenciar no ganho de peso (que tende a ficar abaixo do ideal) e no desenvolvimento e crescimento de órgãos e tecidos. 

Mas antes de tudo, mantenha a calma. É possível que tanto a mãe como o neném não tenham nenhuma sequela, se a pré-eclâmpsia for diagnosticada e tratada corretamente. 

Cuidados  

Como não se sabe exatamente o que causa a pré-eclâmpsia ainda não há uma forma comprovada cientificamente de prevenir essa condição. 

Mesmo assim, pode-se tomar alguns cuidados para evitar ou tratar a pré-eclâmpsia: 

Antes da gestação 

Se você pretende engravidar, trate algumas condições (como diabetes, pressão alta e problemas renais) antes de conceber. 

Manter um estilo de vida saudável com prática regular de exercícios físicos, uma dieta rica em frutas, verduras e legumes, e evitar o consumo frequente de drogas ou álcool são hábitos importantes para todas as pessoas, sobretudo quem quer engravidar.

Durante a gestação

A gestante deve continuar praticando exercícios físicos conforme a recomendação médica.

Sempre faça todos os exames solicitados pelo(a) obstetra e siga as orientações médicas. 

Após a gestação

Siga as recomendações médicas que dizem respeito à alimentação e repouso. Se for possível, engravide novamente com um intervalo de pelo menos 2 anos a partir da data do parto. 

Como tratar? 

O tipo de tratamento da pré-eclâmpsia varia conforme cada caso e somente profissionais de saúde podem indicar o que é melhor para a sua gestação. 

Geralmente, os graus mais leves são tratados com o monitoramento diário da pressão arterial e redução dos exercícios físicos intensos.  

O(a) obstetra ainda pode recomendar algum remédio (como aspirina e AAS) para amenizar os sintomas dessa doença. 

Já os casos mais graves são tratados com internamento hospitalar e medicamentos anti-hipertensivos de aplicação intravenosa (na veia).  

Dieta: o que comer quando há o diagnóstico de pré-eclâmpsia?

Todas as recomendações devem ser dadas por profissionais de saúde. Nenhuma mudança na dieta deve ser feita por conta própria, sobretudo porque, em geral, observa-se que alimentação pobre em sódio não traz resultados tão significativos aos quadros de pré-eclâmpsia.

A alimentação deve priorizar produtos fonte de cálcio (como soja, feijão branco, rúcula, couve e brócolis). Sendo que a suplementação do nutriente é indicada apenas para gestantes com carência diagnosticada.

O potássio também deve ser consumido com frequência. Por isso, alimentos como beterraba, batata doce, espinafre, couve e banana

A quantidade de sal deve ser reduzida e alimentos industrializados (embutidos, enlatados, temperos prontos, refrigerantes e bebidas isotônicas) também devem ser evitados, dentro do possível. 

Uma dieta saudável também deve ser mantida: consuma 5 porções de frutas todos os dias entre as refeições grandes e evite ingerir gorduras e açúcares em excesso. 

Segunda gravidez: a pré-eclâmpsia se repete?

É possível que a pré-eclâmpsia possa repetir-se nas gestações posteriores. As chances são maiores se a última gravidez aconteceu a menos de 2 anos ou há mais de 10 anos. Por isso, quem já tive tal doença e está grávida novamente deve avisar o(a) obstetra sobre esse histórico médico.

No entanto, há vários fatores associados ao quadro, podendo aumentar ou não as chances de ocorrer um outro episódio. Assim, mulheres que já sofreram com a pré-eclâmpsia na primeira gestação devem conversar com profissionais de saúde, buscando um acompanhamento individualizado.


A pré-eclâmpsia é uma doença grave que pode levar a gestante e o bebê ao óbito. Por isso, deve ser diagnosticada e tratada o quanto antes possível. 

Em casos de dúvidas ou suspeitas, procure orientação médica. 

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