O que é obstrução intestinal?

A obstrução intestinal é uma síndrome caracterizada pela dificuldade ou impedimento total da passagem do conteúdo intestinal, como a massa alimentar, ar deglutido e secreções produzidas na digestão.

Esse conteúdo se acumula total ou parcialmente no trato intestinal e provoca dores, inflamações e, em alguns casos, complicações graves, como necrose das paredes do intestino.

As principais causas são a ausência ou diminuição de contrações dos músculos intestinais, acarretada por inflamações, infecções ou reações adversas a medicamentos, torções do tubo intestinal ou, ainda, compressão do órgão, causada por tumores, abscessos ou elementos externos ao corpo.

Podendo ocorrer ao longo de todo o intestino grosso ou delgado, incluindo o duodeno (a primeira parte do intestino), a síndrome causa inchaço e inflamação do tecido intestinal devido ao acúmulo de substâncias, resultando em diversos níveis de dor e graus de urgência.

O correto funcionamento do trânsito intestinal faz parte do bom funcionamento do sistema digestivo, garantindo que nutrientes sejam devidamente absorvidos, e que partes não digeríveis sejam eliminadas junto com demais excrementos biológicos.

Quando o bolo alimentar chega ao intestino delgado, passa a ser chamado de quimo e constitui uma massa previamente digerida, carregada de sucos gástricos e enzimas digestivas. O percurso segue do intestino delgado, grosso e o cólon, onde os dejetos não absorvíveis serão eliminados pelo corpo. Quando esse trajeto não é corretamente realizado, tem-se a obstrução intestinal.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é obstrução intestinal?
  2. O intestino
  3. Obstrução em bebês
  4. Tipos
  5. Causas
  6. Grupos de risco
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico?
  9. Obstrução intestinal tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Cirurgia
  12. Medicamentos
  13. Prognóstico
  14. Complicações
  15. Como prevenir

O intestino

O intestino delgado se situa na parte média do tubo digestório e se liga ao intestino grosso. O órgão é responsável pela maior parte da digestão e absorção de nutrientes, fazendo a assimilação dos compostos alimentares.

A digestão é um processo iniciado na mastigação, que segue quebrando os alimentos em partículas cada vez menores, facilitando a absorção de nutrientes. Ao chegar no intestino delgado, o conteúdo ingerido passa a ser chamado de quilo, um composto de moléculas e carregado de vitaminas e sais minerais.

Esses componentes são absorvidos pelas microvilosidades presentes no intestino delgado e, após absorvidas, as moléculas são espalhadas pelas células do organismo, alimentando e nutrindo o corpo.

No entanto, nem tudo é aproveitado. Uma porcentagem de água e da massa alimentar não absorvível é encaminhada ao intestino grosso.

Já o intestino grosso é dividido em três partes: o ceco, o cólon e o reto. É sobretudo no cólon que a massa alimentar ganha consistência, sendo encaminhada para a excreção. O trânsito do bolo fecal é auxiliado por glândulas mucosas do intestino grosso, que secretam muco e facilitam a eliminação dos resíduos.

Obstrução em bebês

Crianças e recém-nascidos podem apresentar obstrução intestinal. Porém, devido à dificuldade em se estabelecer os sintomas, o diagnóstico pode demorar para ocorrer. Em geral, o quadro não apresenta motivos aparentes, sendo que apenas 5% dos casos estão relacionados a tumores, infecções intestinais, gânglios aumentados ou supressão da parede intestinal.

Após o parto, espera-se que a primeira evacuação do bebê ocorra em até 24 horas, expelindo o mecônio (substância pastosa e esverdeada encontrada no intestino do recém-nascido). Decorrido esse tempo, suspeita-se de obstrução intestinal, que é confirmada quando se atinge 48 horas sem evacuação.

As causas mais recorrentes de oclusão intestinal em bebês são:

  • Atresias intestinais (estreitamento do intestino);
  • Vícios de rotação (má formação do intestino);
  • Íleo meconial (obstrução pelo mecônio);
  • Doença de Hirschsprung;
  • Síndrome da rolha meconial;
  • Anomalias anorretais.

A criança normalmente apresenta quadros de vômitos, cólicas, distensão abdominal e dores. A irritação tende a aparecer como um sintoma e, em recém-nascidos, o choro constante pode ser uma denúncia da síndrome.

O procedimento para diagnosticar a obstrução segue o padrão médico adulto: são realizados exames de ecografia e raio-X.

Tipos

A obstrução intestinal pode ser classificada em 3 categorias, de acordo com o grau, gravidade e mecanismo.

Obstrução intestinal por grau

Classificada em completa, em que não há nenhuma passagem de substâncias, sejam líquidas ou pastosas, agravando o risco à saúde, e a parcial, em que há dificuldade de determinados compostos serem encaminhados ao final do tubo intestinal, bloqueando parte do fluxo digestivo.

Obstrução intestinal por gravidade

A síndrome pode ser simples, em que há somente o impedimento ou dificuldade do trânsito intestinal, ou complicada, em que há o estrangulamento intestinal.

Obstrução intestinal estrangulada

Também chamado de estrangulamento em alça fechada, o tipo complicado compromete a irrigação sanguínea e agrava os sintomas, aumentando a possibilidade de morte tecidual.

Nesse caso, há um impedimento circulatório causado por hérnias, torções ou invaginações no tubo, configurando um nó nas dobras do intestino. Por isso, a circulação e irrigação sanguínea ficam comprometidas, podendo acarretar em necrose e morte tecidual.

Obstrução intestinal por mecanismo

Os tipos de mecanismos se dividem em funcional, em que a obstrução é causada por anormalidade do intestino, e mecânica, na qual há um agente causando a obstrução.

Obstrução funcional ou íleo paralítico

Este tipo é definido pela incapacidade do intestino de realizar os movimentos peristálticos, em que não há a devida contração das fibras musculares intestinais que encaminham os excrementos ao longo do intestino.

Os principais fatores da obstrução são o uso de medicamentos que interferem no processo intestinal, distúrbios metabólicos, bactérias ou vírus que afetam o intestino, distúrbios na hidratação, intoxicação alimentar ou por materiais como o chumbo, chamado de saturnismo.

Também conhecida como íleo paralítico, a síndrome funcional tem ocorrência em pós-operatórios relacionados ao intestino.

Obstrução mecânica

É causada pela presença de algum elemento impedindo o correto funcionamento digestivo, em geral, inflamações, tumores, anomalias da parede muscular ou elementos que possam causar compressão ou achatamento do tubo intestinal.

A região em que ocorre a obstrução mecânica ainda pode ter causas distintas. No caso do intestino delgado (obstrução alta), as principais ocorrências são:

  • Hérnias;
  • Aderências (pós-cirúrgicas);
  • Tumores do intestino delgado;
  • Doenças inflamatórias;
  • Torções do intestino;
  • Cálculos biliares (pressionando ou bloqueando o fluxo intestinal);
  • Invaginação ou deslocamento de parte do tubo intestinal.

Já a obstrução no intestino grosso ou cólon (obstrução baixa) é menos recorrente. Os principais fatores que podem ocasionar a oclusão são:

  • Câncer de cólon e de reto;
  • Diverticulite; torção do cólon;
  • Densidade e ressecamento das fezes;
  • Estenose (inflamações e cicatrizes intestinais que causam o estreitamento do cólon).

Causas

Uma grande parte das obstruções é causada por fatores congênitos, ou seja, que se formaram ainda na gestação. São eles o ritmo reduzido do trânsito intestinal, problemas metabólicos e disfunções intestinais.

No entanto, as obstruções mecânicas podem ser causadas por má cicatrização após cirurgias ou inflamações, resultando num tecido duro que bloqueia ou comprime o intestino, ou ainda por doenças.

Os principais fatores que incidem na obstrução funcional ou mecânica são:

Aderências

Representam um tecido fibroso que se desenvolve no intestino, ligando os tubos intestinais entre si ou a órgãos próximos. As elevações formadas também podem empurrar o intestino para fora do lugar, possibilitando que haja uma torção ou dobra.

A condição representa até 70% dos casos de obstrução intestinal e, geralmente, são de ordem congênita.

Bridas

São membranas que se formam na cicatrização dos tecidos intestinais após procedimentos cirúrgicos ou inflamatórios. Devido à proximidade dos órgãos, há maior propensão em desenvolver aderências, ligando indevidamente os tecidos através de membranas teciduais.

Diverticulite

Divertículos são pequenas bolsas ou saliências que se formam na parede intestinal. Na maioria dos casos, é uma condição assintomática, mas quando há presença de sintomas, o quadro se configura como diverticulite, que é a inflamação do tecido do órgão. Nesse caso, a obstrução é causada pelo acúmulo de fezes no órgão, favorecendo a proliferação de bactérias.

Volvulus

Os volvulus são torções das alças do intestino que causam o estrangulamento intestinal. Devido à falta de irrigação sanguínea, a condição se agrava rapidamente, provocando a morte do tecido em até 12 horas.

Neoplasias

Trata-se da proliferação anormal dos tecidos ocasionada por uma desregulação celular, podendo configurar uma síndrome maligna ou benigna. Quando a síndrome é malígna, configura-se tumor intestinal.

Hérnias estranguladas

A hérnia é causada pela ruptura de parte da parede muscular intestinal devido ao seu enfraquecimento. O tecido muscular é responsável pela sustentação dos órgãos e, ao se romper, possibilita o deslocamento do intestino que se acomoda indevidamente através do tecido rompido.

Essa condição diminui o fluxo sanguíneo para o restante do intestino, podendo levar à necrose do tecido.

Doença inflamatória e doença de Crohn

Doenças inflamatórias são causas comuns de obstrução. Na doença de Crohn, a parede do intestino fica mais espessa, enquanto o espaço do tubo estreita, dificultando a passagem dos excrementos.

Abscesso intra-abdominal

Caracteriza-se pela presença de pus ou infecção intra-abdominal, geralmente associada à alguma desordem do organismo.

Os agentes causadores podem ser bactérias, fungos ou parasitas, e é necessário investigar a causa do problema pois o abscesso altera ou impede o bom funcionamento da parte afetada, dificultando a passagem do conteúdo intestinal.

Torção intestinal

A torção pode ser causada por alterações na forma do intestino, tumores ou inflamações, cicatrização incorreta após cirurgias ou constipação crônica.

Medicamentos

A obstrução funcional, em que há perda dos movimentos da parede do intestino, pode ser causada por medicamentos, como anticolinérgicos, opióides, bloqueadores de canais de cálcio e distúrbios hidroeletrolíticos, antidepressivos e anti-histamínicos, por exemplo.

Esses químicos podem diminuir o peristaltismo, movimento de contração muscular do tubo intestinal, seja por reações adversas esperadas do próprio medicamento, seja pela resposta do corpo ao composto.

Pós-operatórios

Além das interações medicamentosas, pós-operatórios podem comprometer o ritmo intestinal e causar obstruções durante o período de recuperação.

Grupos de risco

A obstrução intestinal acomete, em grande parte, pacientes submetidos a procedimentos operatórios, com diagnóstico de inflamações ou infecções no trato digestivo, além de patologias ligadas ao intestino, como doenças inflamatórias ou infecciosas.

Pacientes no pós-operatório ou com patologias crônicas podem apresentar queda na imunidade, favorecendo que as infecções se instalem e gerem danos maiores.

Quando há histórico familiar de câncer ou o paciente apresenta patologias inflamatórias do trato intestinal, os riscos são mais elevados e é precisar estar atento às manifestações sintomáticas.

Sintomas

Os sintomas e sinais da obstrução intestinal dependem essencialmente da gravidade — obstrução completa ou parcial —, além da localização intestinal. As observações mais frequentes são:

  • Dores e cólicas;
  • Mudança na consistência das fezes e na frequências de evacuação;
  • Distensão abdominal;
  • Flatulência;
  • Diminuição do apetite;
  • Inchaço;
  • Prisão de ventre;
  • Febre e taquicardia (em casos de obstrução estrangulada).

Há também presença de vômitos e náuseas causadas pela descompensação hídrica, que afeta os níveis de hidratação corporal, podendo levar à fadiga extrema e quedas de pressão.

Como é feito o diagnóstico?

As especialidades médicas mais capacitadas para identificar e diagnosticar a obstrução intestinal são o gastroenterologista e coloproctologista, que lidam com anomalias e funcionalidades do trato digestivo e, especificamente, doenças do intestino.

Os sintomas são rapidamente percebidos no bloqueio intestinal, sendo um primeiro alerta para buscar atendimento e realizar o diagnóstico. As suspeitas de obstrução intestinal são seguidas de exames físicos, de imagem e de sangue, que confirmam o diagnóstico e auxiliam a determinar se a obstrução é total ou parcial, causada por agentes internos ou externos.

Diagnóstico diferencial

Um diagnóstico preciso vai eliminar a possibilidade de outras causas da obstrução intestinal. Em alguns casos, é possível que haja similaridade dos sintomas em doenças e síndromes bastante diversas.

Entre elas, a gastroenterite, que é uma inflamação e infecção do tubo digestivo, pode causar dores e vômitos, mas raramente se nota o inchaço abdominal e alteração do trânsito intestinal.

Níveis elevados de amilase (enzima digestiva produzida pelo pâncreas) estão presentes no diagnóstico de obstrução intestinal, mas estão associados também à pancreatite, que é a inflamação do pâncreas.

Entre os sintomas frequentes, febre, vômitos e dores abdominais, há ainda a possibilidade de perfuração abdominal, úlcera péptica (ferida que acomete o tecido do estômago, esôfago ou duodeno) e tuberculose que podem ser confundidos com a condição de obstrução do intestino.

Exames físicos

Geralmente iniciados com cólicas e dores abdominais, náuseas, vômitos e distensão abdominal, a confirmação da síndrome intestinal é realizada através de exames físicos, em que se verifica a distensão do abdômen e a presença de irregularidades visíveis no tubo intestinal.

Para verificar as regiões mais doloridas e distendidas, o médico apalpa o abdômen e realiza a ausculta, procedimento realizado com o estetoscópio (ferramenta que o médico utiliza para escutar o coração e outros órgãos). A presença de sons agudos indica a obstrução mecânica, enquanto a ausência de sons representa obstrução funcional.

Se houver dor centrada à direita e abaixo do umbigo, na fossa ilíaca direita, há indicação de apendicite aguda com abscesso. Já a dor centrada no flanco esquerdo, ao lado esquerdo do umbigo, indica diverticulite complicada. Ambos os casos podem acarretar obstrução intestinal.

O toque retal pode ser realizado para investigar a presença de tumores no reto.

Exames de sangue

Os exames de sangue podem auxiliar a determinar as causas obstrutivas. A anemia pode indicar doenças inflamatórias e neoplasias (formação ou crescimento irregulares de tecido).

Exames de sangue também irão determinar se os índices de eletrólitos (sódio, potássio, cloro, por exemplo), ureia e creatinina estão adequados, determinando se a função renal está normal. Alterações nos rins podem provocar casos de desidratação e levar à obstrução do intestino.

Exames de imagem

Exames de imagem compõem o diagnóstico porque, muitas vezes, a identificação da obstrução é dificultada pela presença de sintomas amenos. Um exame físico nas primeiras 24 horas da obstrução, em geral, indica poucas anomalias além das dores abdominais.

É apenas após decorridos 2 a 3 dias que os sintomas se agravam, a distensão do abdômen e a desidratação são bastante perceptíveis, podendo apresentar inclusive alteração do ritmo cardíaco.

A radiografia simples de abdome, com o paciente deitado e em pé, é um dos exames mais solicitados no caso de suspeita de bloqueio intestinal. Nele, é possível identificar a distensão gasosa das alças intestinais, a presença de líquidos e ar nos segmentos do intestino.

Porém, se houver muitas alças dilatadas, o diagnóstico se torna menos eficiente, sendo necessário recorrer a outros exames.

Em crianças, o ultrassom é bastante utilizado. O exame facilita a identificação de dobras ou torções intestinais.

Colonoscopia

Quando há dificuldade em identificar a presença de obstrução mecânica ou há suspeita de obstrução no cólon (intestino grosso), a colonoscopia se mostra bastante eficaz. Através da inserção de um tubo com câmera pelo reto, o exame permite descartar obstruções mecânicas e avaliar as condições teciduais do intestino.

Também é possível inflar o intestino através do reto. A prática favorece a observação das paredes do tubo intestinal, facilitando a identificação de lesões, necroses ou infecções causadas pelos excrementos obstruídos no intestino.

Obstrução intestinal tem cura?

Há cura para a síndrome através de tratamentos ou intervenções de emergência, como as cirúrgicas.

Nos casos em que a obstrução é resultado de tumores ou patologias crônicas, o tratamento decorre do controle das doenças primárias, proporcionando melhorias no funcionamento intestinal.

Qual o tratamento?

A obstrução intestinal tem tratamento e, em geral, oferece bons resultados aos pacientes. Quando a condição é um sintoma de outras patologias ou fatores externos, como tumores ou reações a medicamentos, o procedimento deve ser dirigido para tratar o problema principal.

Nos casos em que não há agentes desencadeando o mau funcionamento do intestino, é necessário recorrer ao atendimento de emergência para realizar a lavagem intestinal ou, em casos mais graves, realizar uma intervenção cirúrgica.

A utilização de soro e repositores hidroeletrolíticos é necessária para a estabilização orgânica, sobretudo quando há sinais de desidratação e vômitos.

Em casos de fadiga e alteração cardíaca e respiratória, cilindros de oxigênio são recomendados para melhorar as condições cardiorrespiratórias.

Tratamento para obstrução parcial

A obstrução parcial apresenta-se numa condição menos grave, pois ainda permite que alguns alimentos ou líquidos transitem no intestino, diminuindo a intensidade dos sintomas.

Mesmo nos casos leves, a hospitalização é recomendada para o acompanhamento evolutivo do paciente.

Nesse caso, após a realização da desobstrução, eliminação dos fluidos e estabilização do sistema intestinal, deve-se cuidar da alimentação e hidratação, ingerindo quantidades adequadas de água e fibras, garantindo as boas condições do trato digestivo.

Tratamento para obstrução funcional

No caso da obstrução funcional, é necessário recorrer à observação e identificação das causas. Geralmente, recomenda-se o jejum e a aspiração do conteúdo intestinal, procedendo com a correção das alterações hidroeletrolíticas.

O íleo paralítico, ou obstrução funcional, normalmente é uma condição temporária e necessita de tratamentos não invasivos, como medicamentos que provoquem o aumento das contrações musculares intestinais.

Sucção via tubo nasogástrico

Este tratamento clínico emergencial consiste na colocação de uma sonda nasogástrica (SNG) para hidratação do organismo e correção de distúrbios hidroeletrolíticos. A sonda chega ao estômago através do nariz, realizando a drenagem das secreções, que podem ser claras e biliosas (vindas da produção de bile), ou com coloração marrom e fétidas.

Líquidos administrados por via intravenosa

O procedimento visa restabelecer os níveis de hidratação corporal e estabilizar distúrbios hidroeletrolíticos causados pela descompensação de sódio, potássio e cloro, por exemplo.

Tratamento para obstrução completa

Obstruções completas são consideradas mais graves e, comumente, requerem cirurgia de emergência para evitar ou combater danos permanentes.

Em casos de pacientes de risco ou com câncer de cólon, é possível que o médico indique um stent autoexpansível como medida de tratamento. Esse dispositivo é inserido por meio de um endoscópio, a fim de ajudar a manter a passagem aberta, forçando a abertura do cólon.

Cirurgia

Para que o cirurgião determine qual será o procedimento e se há a necessidade de remoção de um segmento do intestino, o profissional irá analisar fatores como a causa da obstrução e qual foi a região afetada.

Colectomia

O procedimento pode realizar a retirada parcial ou total do intestino grosso. É indicado quando há danos severos à parede intestinal devido à obstrução, como sangramento do cólon não controlável.

Cirurgia para estrangulamento

Quando há o deslocamento ou a dobra indevida de partes do intestino, é necessário submeter o paciente à cirurgia. Nos casos de estrangulamento do intestino, a condição pode acarretar na diminuição da irrigação sanguínea e resultar numa rápida evolução para a gangrena, ou morte tecidual.

O maior perigo é não buscar atendimento imediato ou não identificar as fontes causadoras da síndrome, acarretando em complicações irreversíveis, como necroses intestinais ou risco à vida.

Como é feita a cirurgia para obstrução intestinal?

Com os avanços tecnológicos aplicados à medicina, as cirurgias ficam cada vez menos invasivas. Atualmente, é possível que todo o procedimento seja feito sem a necessidade de grandes cortes, através do método cirúrgico minimamente invasivo.

Cerca de 5 pequenas incisões são realizadas próximas ao umbigo, inserindo tubos para realizar a desobstrução. O intestino pode ser inflado para melhor visualização das paredes, identificando lesões ou aderências.

Na cirurgia de colectomia, pode ser necessário uma abertura maior da região abdominal para a retirada de partes afetadas e, posteriormente, para a realização de ligamento do tubo intestinal. Mas se houver remoção total, liga-se o intestino delgado ao ânus.

Medicamentos

Para aliviar enjoos e vômitos, sobretudo em casos pós-cirúrgicos, os medicamentos que podem ser indicados são:

Antibióticos são indicados para tratar infecções e a ação bacteriana nos tecidos intestinais. Os comumente utilizados incluem:

Em casos de dores agudas, analgésicos são ministrados visando aumentar o conforto e bem-estar, sobretudo durante a recuperação. O mais recorrente é o sulfato de morfina.

O uso de medicamentos com efeito laxativo não é recomendado devido ao impacto e à alteração intestinal provocada. Ressalta-se que todo medicamento deve ser indicado por um profissional.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

Cólicas, dores abdominais, vômitos, distensão e dilatação abdominal são sintomas bastante frequentes e, em geral, os primeiros a aparecer nos casos em que a obstrução ocorre. A evolução dos sintomas é bastante rápida, piorando gradativamente e aumentando o risco de complicações severas.

Inicialmente, a síndrome pode apresentar fechamento parcial do tubo intestinal, evoluindo para o fechamento completo ou causar a morte de determinadas regiões do tecido do intestino.

Quando há a rápida intervenção, o paciente apresenta riscos reduzidos de complicações futuras. No entanto, em obstruções longas ou não tratadas, há a possibilidade de desequilíbrio eletrolítico, surgimento ou agravamento de infecções, e perfuração do intestino.

O resultado dos tratamentos depende do quadro e das causas da obstrução. Se a síndrome for o problema primário (não sendo um sintoma de outra doença), a recuperação é, em geral, bem sucedida.

Porém, a obstrução do intestino apresenta uma rápida evolução e, se não atendida emergencialmente, resulta numa piora significativa do paciente. Nos casos submetidos à cirurgia dentro das primeiras 36 horas, o risco de morte é em média de 8%. Após esse tempo, cerca de 25% dos casos resultam em óbito.

Nos casos de estrangulamento intestinal, há recorrência de 50% em até 2 anos. Por isso, acompanhar o quadro é fundamental.

Pacientes idosos ou com o sistema imune debilitado podem ter uma recuperação mais lenta, além de estarem mais susceptíveis às infecções da cavidade abdominal e infecções generalizadas decorrentes da síndrome.

Complicações

Desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos

A obstrução do intestino pode acarretar na secreção indevida de líquidos, gerando uma hipovolemia (baixa do volume sanguíneo) e comprometendo o equilíbrio hemodinâmico (referente à irrigação sanguínea e ao balanço hídrico).

Supercrescimento bacteriano

A não eliminação prolongada dos fluidos corporais promove a proliferação de bactérias no intestino, causando infecções que podem se alastrar pelo restante do organismo. Há o risco de evoluir para uma infecção generalizada, também chamada de septicemia, mais recorrente em crianças e recém-nascidos.

Necroses e gangrenas

A falência de parte do tecido intestinal é causada pela circulação pequena ou ausente de sangue, geralmente devido à supressão dos órgãos do sistema digestivo. Quanto maior o tempo sem fornecimento sanguíneo, maiores as chances de infecções da cavidade abdominal, chamada de peritonite, podendo evoluir para necroses e gangrenas.

Risco pós-cirúrgico

A cirurgia é o procedimento indicado nos casos de urgência e obstrução grave, no entanto, como todo procedimento invasivo, pode trazer riscos, principalmente no pós-operatório. Devido à baixa imunológica, quadros de infecção da parede intestinal, infecção urinária, complicações pulmonares e disfunções do ritmo intestinal podem ser observados.

Como prevenir

Devido a sua característica múltiplo fatorial, as formas de prevenção da síndrome de obstrução intestinal são bastante variadas e esparsas.

Dê atenção à saúde geral do organismo

Por se caracterizar como uma síndrome, as causas da obstrução podem ser desconhecidas. É importante estar atento ao funcionamento do corpo, aos níveis adequados de hidratação e funcionamento renal, além de observar as alterações gastrointestinais.

Por isso, adote hábitos saudáveis, esteja atento aos sinais do corpo (como mudanças gastrointestinais) e realize consultas regulares.

Conheça os efeitos dos medicamentos

Alguns remédios podem alterar o fluxo intestinal ou favorecer a obstrução, sendo necessário reforçar a ingestão de fibras, água ou iniciar o uso de medicamentos que auxiliem a flora intestinal. Então é importante saber se os remédios estão causando efeitos colaterais em seu organismo.

Realize acompanhamento gastrointestinal

Nos sinais de alteração do intestino, dores, dificuldade de evacuação ou mudança da consistência de fezes, é indicado buscar um profissional gastroenterologista. O médico irá avaliar a saúde da flora intestinal, identificar problemas ou disfunções, tratar e melhorar a saúde intestinal.


Os intestinos são responsáveis pela parte final da digestão, assimilando nutrientes e encaminhando para fora do corpo os excrementos. Obstrução e dificuldade no fluxo intestinal podem causar complicações em outros órgãos, além da associação com outras doenças.

Caso o seu corpo esteja dando sinais de disfunção ou irregularidades intestinais, é necessário buscar atendimento médico!

Minuto Saudável: Somos um time de especialistas em conteúdo para marketing digital, dispostos a falar sobre saúde, beleza e bem-estar de maneira clara e responsável.

Editor Médico

Dr. Paulo Caproni

CRM/PR 27.679

Graduado em Medicina pela PUCPR. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP. MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde pela FGV.

Farmacêutica Responsável

Dra. Francielle Mathias

CRF/PR 24612

Farmacêutica generalista, com Mestrado em Ciências Farmacêuticas, ambos pela Unicentro. Doutorado em Farmacologia pela UFPR.

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