O que é Peritonite, sintomas e sinais, tratamento, tem cura?

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O que é peritonite?

A peritonite é uma inflamação do peritônio, uma membrana que reveste as paredes do abdômen e os órgãos que lá se encontram. É causada por uma infecção bacteriana ou fúngica, mas pode ser originada por um processo não infeccioso, como a perfuração do abdômen. Na maioria das vezes, trata-se de uma complicação resultante de outros problemas, como infecção nos órgãos abdominais.

Essa condição necessita atendimento médico imediato, pois a infecção pode não passar sozinha. Por vezes, pode necessitar uma cirurgia emergencial. Quando necessário, deve-se tratar a doença adjacente, ou seja, aquela que deu origem a essa complicação.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é peritonite?
  2. O que é o peritônio?
  3. Tipos
  4. Causas
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas
  7. Como é feito o diagnóstico da peritonite?
  8. Peritonite tem cura?
  9. Qual o tratamento?
  10. Medicamentos para peritonite
  11. Prognóstico
  12. Complicações
  13. Como prevenir a peritonite?

O que é o peritônio?

Peritônio é uma membrana de duas camadas que reveste e promove sustentação aos órgãos abdominais, como estômago, intestino, pâncreas, rins etc. Entre essas duas camadas, existe uma cavidade preenchida com um líquido que permite a movimentação sem atrito.

Normalmente, não há mais que 50mL de líquido dentro dessa membrana, mas mulheres em idade reprodutiva podem sofrer um pequeno aumento nesse número por conta da retenção de líquido durante as fases pré-menstruais (TPM).

Em geral, não é normal que o peritônio sofra uma infecção facilmente. Por isso, quando uma infecção acontece, é sinal de que as bactérias já vieram de outro lugar e atingiram essa membrana.

Tipos

Os tipos de peritonite podem ser classificados de acordo com sua origem, localização e tempo de duração.

Classificação segundo origem

Primária

Acontece quando a infecção vem pelo sangue ou diretamente da cavidade abdominal. Ou seja, não atinge os órgãos locais. É um tipo mais raro de peritonite.

Secundária

Normalmente, a peritonite é secundária, ou seja, a infecção vem de algum dos órgãos abdominais. Acontece quando há uma infecção intestinal, por exemplo, que se espalha para o peritônio.

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Terciária

Existem casos raros nos quais a peritonite se mantém mesmo após o tratamento médico e cirúrgico. Esses casos recebem uma nova classificação, denominada terciária, e geralmente são causados por bactérias resistentes aos antibióticos.

Classificação segundo localização

Difusa

Quando atinge todo o peritônio, a peritonite é chamada de difusa.

Localizada

Na peritonite localizada, a infecção se dá em apenas uma parte do peritônio.

Classificação segundo duração

Aguda

Quando dura poucas semanas, a peritonite é classificada como aguda.

Crônica

Infecções que duram mais de 1 mês são classificadas como crônicas.

Peritonite espontânea

Um último tipo de peritonite é a espontânea, que ocorre quando há uma infecção aguda do líquido peritoneal, ou seja, o líquido que elimina o atrito entre as duas camadas da membrana.

Acomete principalmente pacientes com ascite, condição caracterizada o acúmulo de líquidos no peritônio.

Causas

A principal causa da peritonite é a infecção bacteriana, mas ela também pode ter sua origem em outros fatores. Entenda:

Infecção bacteriana

A infecção bacteriana do peritônio pode ocorrer de diversas maneiras. Uma delas é a infecção secundária, na qual um outro órgão já estava infeccionado e as bactérias se espalharam para o peritônio.

Outra maneira é quando há uma infecção sistêmica (do corpo inteiro) e as bactérias chegam ao peritônio através do sangue.

Algumas bactérias comumente associadas à peritonite infecciosa são Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Streptococcus pneumoniae.

Diálise intraperitoneal

Pacientes que sofrem de insuficiência renal podem necessitar de hemodiálise, ou seja, a filtração do sangue por fora do corpo. Às vezes, é necessário que essa diálise seja feita através do peritônio, e isso pode levar a infecções no local.

Perfuração e traumas abdominais

Quando o abdômen ou algum órgão da área sofre uma perfuração ou uma lesão (trauma), ativa-se uma resposta inflamatória do peritônio. Se não tratada, essa perfuração pode levar a uma infecção.

Vazamento de fluidos

O corpo humano é cheio de fluidos estéreis, como sangue, suco gástrico, urina, entre outros. Por serem estéreis, eles geralmente não carregam bactérias consigo. No entanto, quando esses fluidos vazam para outras partes do corpo, como o peritônio, eles podem ser facilmente infectados.

Vale lembrar que existem diversas doenças que causam esse vazamento, como:

  • Úlceras gástricas;
  • Inflamação da vesícula biliar;
  • Pancreatite;
  • Diverticulite, doença de Crohn e outras inflamações intestinais;
  • Complicações renais ou hepáticas;
  • Alterações nos vasos sanguíneos.

Como a inflamação é uma reação natural do corpo a agressões, a entrada de tais líquidos do peritônio ativa essa resposta do organismo. Geralmente, a peritonite causada por vazamento de fluidos vira uma peritonite infecciosa dentro de 24 a 48 horas.

Cirurgia abdominal

A agressão que os tecidos abdominais sofrem durante uma cirurgia provoca uma resposta inflamatória no peritônio.

Doenças hereditárias ou autoimunes

Existem diversas doenças genéticas ou autoimunes que podem levar à inflamação do peritônio. Um exemplo é o lúpus eritematoso sistêmico, no qual o próprio organismo ataca células saudáveis do corpo e provoca a resposta inflamatória.

Fatores de risco

Qualquer um pode desenvolver a peritonite, mas existem alguns fatores que auxiliam o desenvolvimento da condição. São eles:

  • Problemas no fígado: os problemas hepáticos, como a cirrose, levam ao vazamento de líquidos para o peritônio;
  • Alcoolismo: vício em álcool leva à doenças no fígado;
  • Ascite: o acúmulo de líquidos no peritônio facilita a proliferação de bactérias, o que ocasiona uma infecção;
  • Sistema imunológico enfraquecido: como o sistema imunológico é a nossa defesa contra os microorganismos, quando ele está fraco, o corpo não resiste e a infecção toma conta;
  • Doença inflamatória pélvica: quando há infecção nos órgãos reprodutores da mulher, ela pode se espalhar para o peritônio;
  • Outras condições médicas no trato digestivo: Problemas como diverticulite, doença de Crohn, úlceras gástricas e pancreatite podem causar complicações que evoluem para peritonite.

Sintomas

A peritonite apresenta diversos sintomas que são comuns em diversas outras doenças, como:

  • Dor abdominal que piora ao realizar movimentos, como andar, tossir ou respirar;
  • Distensão abdominal (abdômen inchado), devido o acúmulo de líquidos, fezes ou gases;
  • Calafrios;
  • Febre;
  • Rigidez abdominal difusa;
  • Taquicardia sinusal (tipo de arritmia cardíaca com frequência superior a 100 batimentos por minuto);
  • Íleo paralítico (incapacidade do intestino se movimentar e expulsar as fezes);
  • Urinar com menor frequência que o normal;
  • Difícil digestão dos alimentos;
  • Náuseas e vômitos;
  • Prisão de ventre;
  • Sede intensa;
  • Fadiga.

Como é feito o diagnóstico da peritonite?

O diagnóstico da peritonite pode ser feito por um clínico geral, nefrologista, hepatologista, gastroenterologista, médico de emergência, de tratamento intensivo ou até mesmo um infectologista. Os testes feitos para diagnosticar o problema são:

Exame físico

Em um primeiro momento, o médico irá procurar por sinais físicos da doença. Para isso, o médico irá fazer procedimentos como a palpação e ausculta do abdômen. Um resultado possível é o sinal de Blumberg, caracterizado por uma dor intensa quando o médico toca o abdômen do paciente.

Testes sanguíneos

Os exames são feitos para mostrar os marcadores de uma infecção, como por exemplo, a presença de antígenos.

Radiografias e tomografias computadorizadas

Esses exames de imagem ajudam o médico a visualizar os órgãos dentro do corpo, auxiliando-o a ver qual é o problema.

Paracentese diagnóstica

Nesse procedimento, o médico coleta uma amostra do líquido no peritônio através de uma agulha fina. A amostra é enviada para análise laboratorial, que indicará se há uma infecção ou não.

Peritonite tem cura?

A peritonite, em si, tem cura, pois a infecção pode ser erradicada. Contudo, nos casos de pessoas que têm doenças no fígado, a doença pode voltar devido ao acúmulo de líquidos no abdômen.

Qual o tratamento?

Muitas vezes, ocorre o internamento do paciente por se tratar de uma emergência médica. Em muitos casos, é feita uma cirurgia de emergência para tratar a causa da peritonite.

Reidratação

Devido a perda de líquidos, consequência dos vômitos, é preciso repor a hidratação. Esse processo pode ser feito por via endovenosa (pelas veias), já que os vômitos impossibilitam a passagem de líquidos pelo sistema digestivo.

Drenagem

Uma sonda é utilizada para drenar o líquido na região do peritônio. Isso ajuda, também, no tratamento da infecção, por que as bactérias se reproduzem menos sem a presença do líquido.

Oxigênio e transfusão sanguínea

Em alguns casos o paciente perde muito sangue e pode precisar de uma transfusão. O oxigênio pode ser administrado caso a pessoa apresente dificuldades para respirar.

Cirurgia

Quando a cirurgia é necessária, é preciso que seja feita uma limpeza no peritônio com soro fisiológico.

Antibioticoterapia

Por conta da infecção, o médico pode prescrever antibióticos, geralmente por via endovenosa, para eliminar as bactérias.

Medicamentos para peritonite

Comumente, os médicos prescrevem antibióticos para o tratamento de peritonite. Esse tipo de medicamento ajuda a eliminar as bactérias e acabar com a infecção.

Alguns exemplos são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

Quando tratada, a peritonite pode ser curada mas, se isso não for feito, a doença é quase sempre fatal. A taxa de mortalidade é de 10% em pacientes jovens e de 40% em idosos e pessoas com doenças subjacentes.

Complicações

A peritonite apresenta complicações como:

Sepse

Caso a doença não seja tratada, a evolução da infecção gera uma proliferação das bactérias para todo o organismo, levando a uma infecção generalizada.

Abscesso

O abscesso se forma quando o organismo isola a bactéria em uma espécie de cápsula, evitando assim que a bactéria se espalhe. O problema é que essa cápsula pode estourar e acabar liberando as bactérias no corpo novamente.

Dificuldades respiratórias

O líquido acumulado no abdômen comprime o diafragma, músculo responsável pela respiração, gerando dificuldades respiratórias.

Distúrbios eletrolíticos

Devido ao acúmulo de líquidos fora dos seus órgãos de origem, podem ocorrer distúrbios eletrolíticos que levam à hipovolemia, uma condição na qual falta líquidos na corrente sanguínea e pode levar ao óbito por sobrecarga no coração.

Morte

Se não tratada, a peritonite leva ao óbito.

Como prevenir a peritonite?

Não existem maneiras específicas de prevenir a peritonite. Porém você pode prevenir os fatores de risco, com as seguintes dicas:

  • Evite o consumo exagerado de álcool para evitar danos ao fígado;
  • Tenha uma dieta balanceada;
  • Pratique exercícios físicos regularmente para ajudar a manter-se saudável.

Já para quem precisa fazer hemodiálise via peritônio, algumas dicas são:

  • Lave as mãos muito bem antes de tocar no cateter;
  • Manter o local de aplicação do cateter higienizado, limpando diariamente com antisséptico;
  • Armazene seus suprimentos e equipamentos relacionados à diálise em uma área devidamente higienizada e esterilizada;
  • Caso tenha dúvidas, converse com a equipe que auxilia o processo a respeito do uso e limpeza adequados do cateter.

A peritonite pode ser grave mas tem um tratamento eficaz. Compartilhe essas informações com seus amigos e não esqueça de consultar seu médico regularmente.

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