O que é a poliomielite?

A poliomielite é também conhecida por “paralisia infantil” ou “pólio” mas também pode afetar adultos e caracteriza-se por uma infecção que ocorre através de um vírus RNA, que vive no intestino, conhecido como poliovírus, o qual possui três sorotipos: I, II e III. É uma doença infecto-contagiosa aguda.

Ao se instalar em seu hospedeiro, o vírus passa por um período de incubação, que pode variar de 2 a 30 dias, contudo, leva de 7 a 12 dias na maioria dos casos. É uma doença viral que pode afetar os nervos e levar à paralisia parcial ou total.

A doença foi praticamente erradicada em países industrializados com a vacinação de crianças, inclusive no Brasil, onde a vacina contra a doença foi incorporada à caderneta de vacinas obrigatórias. Contudo, o vírus causador ainda pode ser encontrado em países da África e da Ásia. De acordo com o Ministério da Saúde, o último caso de poliomielite registrado no Brasil aconteceu em 1989.

A atual cobertura vacinal brasileira contra pólio é acima dos 95%, considerada um exemplo para o restante do mundo. No mundo todo, o cenário da doença também melhorou radicalmente, os casos em todo o globo caiu 99% desde 1988, passando de 350 mil para 406 notificados em 2013, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A maioria das infecções apresenta poucos sintomas (forma subclínica) ou pode até ser assintomática, parecida com os de outras doenças virais ou semelhantes às infecções respiratórias ou infecções gastrintestinais.

Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, podendo provocar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e até levar à morte. Na maioria dos casos, a manifestação da doença ocorre nos membros inferiores de forma assimétrica, ou seja, em apenas um dos membros.

Estima-se que, no final da década de 1980, cerca de 1 mil crianças ficavam paralíticas diariamente, o que chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS), precisando estabelecer metas para a erradicação da doença até o ano 2000.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é a poliomielite?
  2. Causas
  3. Quais os tipos de poliomielite?
  4. Sintomas da poliomielite
  5. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  6. Qual é o tratamento? A poliomielite tem cura?
  7. Grupos e fatores de risco
  8. Complicações e prognóstico
  9. Como prevenir? É transmissível?

Causas

É causada pela infecção do poliovírus, que pode ser adquirida por meio do contato direto de pessoa para pessoa, contato com muco, catarro ou fezes infectadas. O vírus da poliomielite entra no organismo através da boca e do nariz, multiplicando-se na garganta e no trato intestinal.

Ao chegar na corrente sanguínea, o vírus pode atingir o cérebro, atacando o sistema nervoso e, com isso, ele destrói os neurônios motores e provoca paralisia nos membros inferiores.

O paciente pode,inclusive, ser levado à morte se as células nervosas que controlam os músculos respiratórios e de deglutição forem infectadas.

O período de incubação do vírus varia de 5 a 35 dias, mas a média é de 1 a 2 semanas. O vírus também pode ser transmitido pela água e alimentos contaminados; sendo tão contagiosa que uma pessoa pode também ser infectada através do ar, principalmente por pessoas que convivem com portadores do vírus.

O paciente com a poliomielite pode transmiti-la semanas após a infecção.

Quais os tipos de poliomielite?

Há, basicamente, dois tipos de poliomielite, não levando necessariamente à paralisia infantil, são eles:

  • Poliomielite paralítica.
  • Poliomielite não-paralítica.

Ambos os tipos de paralisias podem apresentar sequelas, que podem ser tanto sequelas paralíticas, como é o caso da paralisia dos membros inferiores, quanto parada respiratória, devido à paralisia dos músculos respiratórios.

Poliomielite paralítica

A poliomielite paralítica é mais rara e também é a forma mais grave da doença. Conhecida também por “poliomielite abortiva”, recebe diferentes nomes, que vai depender de qual parte do corpo foi afetada, podendo ser:

  • Medula espinhal (poliomielite espinhal).
  • Tronco cerebral (poliomielite bulbar).
  • Ambos (poliomielite bulbospinal).

Os sinais da poliomielite paralítica são inicialmente febre e dor de cabeça, mas, muitas vezes assemelham-se aos da poliomielite não-paralítica.

Em 1 semana, praticamente, os sintomas específicos de poliomielite paralítica aparecem, são eles:

  • Perda dos reflexos.
  • Dores musculares graves ou fraqueza.
  • Membros soltos e flácidos, muitas vezes pior em um lado do corpo.

Síndrome pós-pólio (não paralítica)

Caracterizada pelo conjunto de sinais e sintomas incapacitantes, afetando pessoas com uma média de 35 anos. Os sintomas mais comuns deste tipo são:

  • Fraqueza muscular progressiva.
  • Dor nas articulações.
  • Fadiga geral e exaustão.
  • Atrofia muscular.
  • Dificuldade para respirar ou deglutir.
  • Distúrbios respiratórios relacionados ao sono, como a apneia do sono.
  • Intolerância ao frio.
  • Problemas cognitivos, tais como dificuldades de concentração e de memória.
  • Depressão ou oscilações de humor.

Sintomas da poliomielite

Os principais sintomas da poliomielite são febre sem causa aparente, infecções, meningite asséptica, paralisia e óbito. Porém, seu quadro mais comum é a paralisia, que afeta, no geral, os membros inferiores, e costuma ocorrer subitamente, acompanhada de febre, assimetria, flacidez muscular, sensibilidade conservada e sequela após 2 meses do início da enfermidade.

Já as paralisias menos comuns afetam os músculos respiratórios e da deglutição, nesses casos há risco de vida para o paciente. A maior parte das pessoas infectadas pelo poliovírus desenvolve o tipo não-paralítico.

Contudo, a doença também pode ser assintomática e, quando os sinais da doença aparecem, geralmente são muito similares aos da gripe e de outras doenças virais leves ou moderadas.

Os sinais e sintomas tem duração de 1 a 10 dias, sendo:

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O médico especialista responsável por tratar e diagnosticar a poliomielite é o fisiatra ou o neurologista. Inicialmente, o médico faz a avaliação clínica no paciente e desconfia-se da paralisia flácida de início agudo em um ou mais membros.

Pode também ser feito o diagnóstico laboratorial, que geralmente baseia-se no isolamento do poliovírus nas fezes ou no muco faríngeo. A pesquisa de anticorpos para o poliovírus também pode ser utilizada.

Na maioria dos casos, os anticorpos são detectados no sangue dos pacientes infectados logo no início da infecção. Então, uma análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) do paciente é feita, coletado por punção lombar, revelando um número aumentado de glóbulos brancos (principalmente linfócitos), bem como um nível moderadamente elevado de proteínas.

A detecção do vírus no LCR, apesar de rara, confirma o diagnóstico da pólio-paralítica. Se o vírus for isolado de um paciente com paralisia flácida aguda, ele será testado depois por mapeamento de oligonucleotídeos (impressão genética) ou mais recentemente pela amplificação por reação em cadeia da polimerase (PCR). Isto determinará se o vírus é de um “tipo selvagem” (encontrado na natureza) ou um “tipo vacinal” (derivado de um tipo de poliovírus usado para produzir vacinas contra a pólio).

Determina-se a fonte do vírus porque para cada caso declarado de pólio paralítica causada por um poliovírus selvagem, existe um valor estimado em 200 a 3 mil pacientes assintomáticos que são contagiosos.

Qual é o tratamento? A poliomielite tem cura?

Não existe cura para poliomielite! Por causa disso, o foco do tratamento consiste em diminuir a sensação de desconforto, acelerar a recuperação e garantir a qualidade de vida do paciente.

O tratamento deve ser iniciado o quanto antes para evitar complicações, caso contrário, o risco de vida é maior. Cuidados caseiros e acompanhados pelo médico podem ajudar na recuperação do paciente com pólio e eles deverão ser realizados frequentemente e a longo prazo.

Dentre as formas de tratamento para a pólio, encontram-se:

  • Terapia ocupacional;
  • Fisioterapia;
  • Aparelhos de suporte, calçados e, em alguns casos, cirurgia ortopédica;
  • Respiradores portáteis, para o auxílio na respiração;
  • Hidroterapia;
  • Eletroterapia;
  • Massagem;
  • Exercícios de movimento passivo;
  • Cirurgias, como alongamento de tendão e enxerto de nervos.

Grupos e fatores de risco

Indivíduos que não receberam a vacina contra a poliomielite correm mais risco em contrair a doença. Nas áreas com más condições de saneamento básico e com ausência de programas de imunização, os moradores também tornam-se mais vulnerável ao poliovírus.

Entre os grupos e fatores de riscos estão:

  • Crianças até os 5 anos de idade.
  • Mulheres grávidas.
  • Idosos.
  • Pessoas com sistema imunológico enfraquecido: portadores de HIV são especialmente suscetíveis a contrair a doença.
  • Viajar para uma área onde a poliomielite é comum.
  • Viver ou cuidar de alguém que possa estar infectado com o poliovírus.
  • Ter extraído as amígdalas por amigdalectomia.
  • Estresse extremo ou a atividade física extenuante após ter sido exposto ao vírus: uma vez que o esgotamento pode deprimir o sistema imunológico e tornar o corpo mais vulnerável à infecção.

Complicações e prognóstico

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda considera a doença endêmica nas regiões da Nigéria, Índia, Afeganistão e Paquistão. Também há perspectivas de erradicação, mas o elevado número de pessoas que deslocam para essas áreas endêmicas faz com que o risco de reintrodução da poliomielite seja alarmante.

Entre 2003 e 2005, a doença foi reintroduzida, pelos casos importados, em 25 países de onde tinha sido eliminada. No Continente Americano, o último caso de poliomielite paralítica causado pelo poliovírus selvagem ocorreu no Peru, em agosto de 1991.

Em 1994, a eliminação da poliomielite no Continente Americano, o primeiro a obtê-la, foi atestada por uma Comissão Internacional. No Brasil, o último caso de poliomielite com o vírus selvagem ocorreu em 1989. O país recebeu o Certificado de Eliminação da Poliomielite em 12 de dezembro de 1994.

Porém, existe o risco de reintrodução do poliovírus selvagem em países de onde a doença já foi eliminada, o que obriga uma vigilância continuada dos casos de paralisia flácida e, também, a manutenção dos programas de imunização para a poliomielite.

A vacina contra a poliomielite faz parte do Calendário Básico de Vacinação, e é aplicada aos 2, 4, 6 e 15 meses de idade. Além disto, é realizada anualmente uma Campanha Nacional de Imunização, vacinando crianças com até 5 anos de idade.

As complicações são raras, mas podem ocorrer dependendo qual parte do corpo humano afeta, entre as principais estão:

Músculos respiratórios

Leva a dificuldades respiratórias. O paciente sofrerá de congestão torácica e infecções pulmonares, afetando também o coração, no sentido de que precisa bombear sangue para os pulmões.

Músculos responsáveis pela deglutição

Dificulta a alimentação do paciente, pois o mesmo tem dificuldades para engolir. Nesta complicação há risco de se engasgar com comida, bebida, saliva, etc., o que pode causar um tipo de problema torácico, difícil de tratar e exige que o paciente seja internado em um hospital durante um período.

Sistema digestivo

Dificulta a abertura normal dos intestinos do paciente, que pode sofrer de constipação a maior parte do tempo.

Sistema urinário

Quando a bexiga é afetada, o paciente terá infecção urinária (infecção do trato urinário) e a urina poderá se tornar muito concentrada, formando cálculos (pedras) no sistema urinário. Eles tornam-se um grande problema se bloquearem o fluxo de urina a partir dos rins e podem danificar os rins de forma extensa.

Braços e pernas

Resulta na paralisia dos membros afetados. O braço ou perna perde a força muscular e não pode mais ser usado. O paciente mantém a capacidade de sentir o toque nos membros, mas, com o tempo, os músculos do membro afetado encolhem, deixando o membro bastante pequeno, em comparação com o membro normal.

Nervos da cabeça

Não muito comum, a pólio pode afetar os nervos que controlam os músculos da face, os olhos, a língua, etc. Esta paralisia faz com que seja difícil para o paciente usar a boca de forma adequada, podendo afetar a fala e também a visão.

Como prevenir? É transmissível?

A principal prevenção da poliomielite é pela vacinação. Porém, além dela, é necessário se prevenir contra doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos.

Pessoas que viajarem para as áreas de risco de poliomielite devem tomar as seguintes medidas:

  • Atualizar seus esquemas vacinais contra a doença, independentemente da idade (criança ou adulto).
  • Adotar medidas de prevenção contra as doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos (poliomielite, cólera, febre tifóide, hepatite A, hepatite E).
  • Atualizar a vacina contra febre amarela (validade de 10 anos) e outras doenças imunopreveníveis (como sarampo).
  • Utilizar medidas de proteção individual contra a malária (paludismo), doença endêmica no Continente Africano e Subcontinente Indiano, pois para ela não existem vacinas disponíveis.
  • Nos países que estiveram ou ainda estão em guerra, não andar por áreas desabitadas ou evitadas pela população local, devido ao risco de acidentes com minas terrestres explosivas.

A transmissão desta doença ocorre através de contato direto com as fezes (via fecal) ou gotículas expelidas pela boca da pessoa infectada (via oral). A multiplicação inicial do poliovírus ocorre nos locais por onde penetra no organismo (garganta e intestinos), em seguida dissemina-se pela corrente sanguínea, infectando o sistema nervoso.

A multiplicação do vírus pode ocasionar a destruição de células (neurônios motores), o que resulta em paralisia flácida. Uma pessoa que se infecta com o poliovírus pode ou não desenvolver a doença.

A transmissão do poliovírus ocorre com maior frequência a partir do indivíduo assintomático e sua eliminação é mais intensa 7 a 10 dias antes do início das manifestações iniciais, mas o poliovírus ainda pode continuar a ser eliminado durante 3 a 6 semanas. A poliomielite não tem tratamento específico.

A vacina contra a poliomielite

Existem dois tipos de vacinas contra a poliomielite:

  • Sabin (oral, com vírus atenuado).
  • Salk (injetável, com vírus inativado).

A vacina oral contra a poliomielite não deve ser utilizada em pessoas com imunodeficiência (inclusive portadores de HIV) e nem em contactantes destes indivíduos.

Os indivíduos com imunodeficiência, além do risco maior de poliomielite vacinal, podem eliminar o vírus pelas fezes por períodos prolongados (meses, anos), facilitando a ocorrência de mutação (“reversão”) e constitui um risco para pessoas não vacinadas.

A primeira dose deve ser tomada aos 2 meses, a segunda dose aos 4 meses, a terceira dose aos 6 meses, e, após este período, um reforço aos 15 meses.


Agora que você já sabe sobre os riscos da poliomielite e a importância da vacinação, compartilhe este artigo com seus conhecidos para que mais pessoas sejam informadas!

Referências

https://www.bio.fiocruz.br/index.php/poliomielite-sintomas-transmissao-e-prevencao
http://www.cives.ufrj.br/informacao/polio/polio-iv.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Poliomielite
http://brasilescola.uol.com.br/doencas/poliomielite.htm
http://www.todabiologia.com/doencas/poliomielite.htm

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